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quinta-feira, 20 de junho de 2013

E no sétimo grande protesto contra o aumento das tarifas.... os fascistas venceram.

Escrevo esse texto com um misto de nojo e tristeza, contendo lágrimas que não sei se são de ódio ou de dor.

Em 6 grandes protestos conseguimos revogar o aumento das tarifas e denunciar Alckmin e Haddad pelo crime que cometiam contra a população, especialmente a mais pobre, que estava sendo excluída do transporte "público". Foram 6 protestos em que enfrentamos a PM, em que fomos espancados, brutalizados, machucados e, me impressiona, não fomos mortos, por mais que a intenção da PM fosse a de dar ao menos um "exemplo" do que acontece com quem se levanta contra o poder.

Sobrevivemos e seguimos lutando.

O protesto de hoje era uma comemoração, mas uma comemoração com reivindicações, para exigir não apenas a redução das tarifas, mas pelo passe livre, e em solidariedade aos que ainda lutam em dezenas de outras cidades.

Achava e acho saudável a ampliação de pautas, como a questão da Copa, a PEC37, protestar contra Feliciano, por saúde, educação...

Mas jamais pensaria que o movimento seria tomado por "caras pintadas", pela nata da burguesia fascista, pela juventude tucana, por neonazistas e provocadores de todos os tipos.

O que eu vi na Paulista hoje fez todo meu otimismo sumir. Me deu medo. Os fascistas saíram às ruas e são muitos, são milhares, pregando o ódio, batendo e violentando. Honestamente, prefiro apanhar da PM.

Desde o início comentei da hipocrisia do PT aparecer neste protesto. Mas jamais poderia ou posso apoiar a violência de fascistas contra membros do PT e de outros partidos.

Gritos de "sem partido" que já me assustavam na manifestação anterior foram mais fortes e se espalharam, assim como pessoas abraçadas em bandeiras do Brasil cantando o hino e desfilando um patriotismo grotesco e deslocado. Só havia espaço para atacar o PT e Dilma.

Não sou contra que se ataque o PT verbalmente ou mesmo Dilma, inclusive já analisei que uma parte considerável da juventude que está indo às ruas nunca foi governada por outro partido, ou ao menos não consegue se lembrar dos anos FHC. É natural que, em um momento de revolta, o PT absorva a maior parte desta revolta.

Por outro lado, Alckmin foi poupado. E isto, desde o começo, denunciava o clima da manifestação.

Oras, por mais que as críticas a DIlma e ao PT sejam legítimas, Alckmin também elevou as tarifas, comete um verdadeiro genocídio na periferia... Mas seu nome não foi citado.

Já os cidadãos de bem contra a corrupção... Não faltaram.
Não era por passe livre, não era por inclusão. Era um protesto pela redução da maioridade penal, algumas pessoas estavam lá defendendo a PM, era contra o PT e só o PT, era contra partidos, era contra a democracia.

Cartazes contra impostos denunciavam que a turba não sabia sequer porque protestavam ou onde estavam: O MPL defende, dentre outras, a via dos impostos para subsidiar o transporte público para todos. 

Em dado momento provocadores começaram a atacar ativistas do PT, PCO, PSTU e PSOL que estavam no meio da marcha. Alguns gritavam "sem violência" enquanto jogavam objetos e tentavam socar militantes partidários. Muitos ali achavam que eram todos petistas, pois gritavam slogans contra o PT enquanto queimavam bandeiras (não sei se do PCO ou PSTU). Ou nem achavam, apenas odiavam todos e atacavam como uma turba ensandecida.

Dedico horas do meu dia a denunciar o fanatismo petista, logo, não posso aceitar qualquer tipo de fanatismo igual, mesmo que contrário. Todo fanatismo é igual, é nocivo, é fascista. Toda violência física contra partidos políticos legítimo - e não estou falando aqui de quem prega ódio, como "partidos" neonazistas, que fique claro - é fascista.

Se por um lado o PT e o PSDB são basicamente a mesma coisa, agradeçamos aos fanáticos a à sua direção, mas não podemos esquecer que há militantes e mesmo políticos do partido que são sérios, como Erica Kokay, Domingos Dutra, Molon, Dr. Rosinha, dentre outros, e mesmo que a presença do PT no protesto tenha sido oportunismo, NADA justifica a violência fascista. E muito menos sair na porrada e agredir quem tem o DIREITO de estar nas ruas, oportunistas ou não.

Denuncio e continuarei a denunciar fanáticos e fanatismo, mas não tolerarei violência contra quem tem o direito de estar nas ruas, não importa se baseado em hipocrisia.

Aliás, irônicos os gritos de "oportunismo" voltados a TODOS os partidos (notadamente PSOL, PSTU e PCO) que estão desde o primeiro protesto na linha de frente, apanhando, quando a #classemediasofre que os atacava aderiu ontem às manifestações e, pior, com agenda própria e reacionária.

Militantes acuados foram agredidos, e cheguei a ver ao meu lado um bandido com uma faca, mas felizmente ele foi contido por uma mulher que parecia ser sua amiga antes que pudesse ferir ou matar alguém.

Bandeiras foram rasgadas e queimadas, e militantes foram agredidos e acuados, expulsos da manifestação. Inaceitável.

Um senhor, apartidário mas consciente, conversava com uma garota vestida de Brasil e um cartaz que dizia que o país se resolveria nas urnas, mas gritava contra os partidos. Ela era o retrato dos fascistas presentes: Odiava partidos, mas sem dúvida deve votar no PSDB. Não conseguia concatenar duas ideias coerentes e desistiu, xingando em retirada.

É inaceitável o fascismo de se EXPULSAR partidos políticos aos gritos indiscriminados de "oportunistas".

A Paulista presenciou hoje uma micareta fascista.

Hoje os fascistas venceram, mas a luta não para, a luta continua.
Mais fotos podem ser vistas no Flickr
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Aumento das tarifas revogadas: Vencemos a batalha, falta ainda a guerra.

Haddad e Alckmin, JUNTINHOS, anunciaram a redução das tarifas pra 3 reais. Não é suficiente. Hoje temos de ir às ruas exigir que se abra a caixa-preta da máfia dos transportes e temos de exigir TARIFA ZERO!

A luta continua e não podemos nos desmobilizar depois de termos conquistado tanto e ido tão longe!

É preciso ter em mente que foi uma vitória, mas uma vitória pequena, pontual.

Alckmin e seu papagaio, Haddad, deixaram claro que a redução vem de má vontade e que irão reduzir investimentos. Quais? Porque? Nem uma palavra sobre a caixa-preta da máfia dos transportes, nem quanto de fato é o lucro dessas empresas e muito menos os valores reais envolvidos no transporte "público" de São Paulo (e do Brasil, na verdade).

Digno de nota a cara do Haddad, e sua subserviência ao tucanato. O "novo" fez papel de papagaio de pirata, esperando Alckmin aceitar reduzir tarifas para dizer que também aceitava e indo até o palácio do "inimigo" para ceder a primeira fala. Se o marketeiro e estrategistas do PT não foram demitido, fechem o partido.

Não podemos aceitar de forma nenhuma que os já parcos investimentos do Estado sejam ainda mais reduzidos enquanto o lucro do empresariado não é alterado, pelo contrário, é garantido e ampliado.

Não faz o menor sentido que o povo garanta o lucro de mafiosos do transporte às custas da exclusão de milhares, às custas do prejuízo compartilhado da população. Os protestos não começaram apenas por 20 centavos, mas pelo debate sobre qual cidade queremos, por direitos e por participação política. Ou alguém acha que 3 reais é barato? Ou mesmo que 1 real é barato para quem está desempregado ou mal tem o que comer?

Se a constituição garante o direito de ir e vir, cabe ao Estado assegurar que as pessoas possam efetivamente se locomover. Mas ao invés disso impõe barreiras, dentre elas a barreira da tarifa, à população.

Temos de continuar indo às ruas para exigir não apenas a Tarifa Zero/Passe Livre, mas para que as contas sejam abertas, para que haja transparência, e para que se debata também a qualidade do transporte "público" - que não existe.

E a Tarifa Zero é sim possível, o PT defendeu no passado, mas o PT aprendeu que é melhor contentar o empresariado que financia campanhas do que o povo. Assim também pensa o PSDB. Porém o povo nas ruas deu seu recado e continuará a lutar.

E precisamos ter em mente que não podemos permitir que a direita se aproprie das manifestações, que suas agendas reacionárias "anti-corrupção" tomem a frente, da mesma forma que não podemos deixar que pelegos ligados ao PSeudoB, PT e UNE tomem a frente, como tentaram fazer na última manifestação, na Sé.

Se por um lado a presença de partidos é legítima e até mesmo necessária, PSTU, PSOL, PCB, PCO estão desde o começo na luta, ao passo que outros, oportunistas, surgiram para tentar apenas conseguir fama e um reconhecimento indevido (PT, PSeudoB, PPL...).

Fiquemos alertas também contra infiltrações, não faltam denúncias e até a certeza de que a polícia tem infiltrado P2 nas manifestações e até neonazistas tem aparecido.

Hoje, 17h, TODXS às ruas, a mobilização não pode acabar! Alckmin e Haddad não nos fizeram favor algum, pelo contrário, foram forçados a ouvir e acatar as decisões do povo e, ainda assim, deram um jeito de defender o lucro da máfia dos transportes, e é contra isso que devemos lutar, ou por isso que devemos manter a luta.

Temos ainda a Copa, Olimpíadas, #CuraGay, PEC37, Genocídio Indígena e a própria questão do transporte, que deve ser PÚBLICO.
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quarta-feira, 19 de junho de 2013

6º Protesto Movimento Passe Livre (MPL) - E a revolta não será contida!

Chegamos na sexta grande, imensa manifestação contra o aumento das tarifas, com novas pautas sendo acrescentadas, como a luta contra a PEC37, conhecida como o Golpe do PT no Ministério Público, e contra a "Cura Gay", outro presente do PT, via aliado Marco Feliciano.

O clima na cidade - e imagino que no país - está interessante. Vibrante. Diferente. Bastava caminhar pelas ruas pouco antes da manifestação para ver que era o assunto principal das rodas de conversa, de camelôs a engravatados: E todos diziam que iriam para a Sé.

E imagino que tenham ido, pois a manifestação estava mais uma vez lotada e pacífica, animada. E foram até a Paulista em paz.
Ponto negativo ainda na Sé foi a presença de uma quantidade ridícula de bandeiras da UNE, grupo de pelegos sem qualquer legitimidade que não deram as caras em NENHUMA manifestação anterior. Nesta chegaram a querer tomar a frente. A cara de pau do PSeudoB e do PT parece não ter fim.

Mas fora isso, muita alegria nas escadarias da Sé e muitas manifestações diversas que pareciam ter se juntado em busca de visibilidade. Infelizmente um ou outro manifestante no estilo #classemediasofre reclamando de impostos ou mesmo falando de Mensalão, mas eram minoria absoluta. Em geral muitos cartazes bem humorados, reivindicativos, atacando Haddad, Alckmin e Dilma e exigindo direitos e que os políticos que elegemos obedeçam aos eleitores.

O grosso da marcha se dirigiu à Paulista, mas outro grande grupo foi para a frente da prefeitura. Fui com o segundo. No início tudo pacífico, até que a multidão começou a diminuir, pois também resolveram caminhar até a Paulista, e foi aí que o trabalho dos P2, dos agentes infiltrados da PM começou.

Gostaria de deixar claro que o Black Bloc não teve nada a ver com os atos na prefeitura de SP, como foi noticiado na Rede Record. Isto inclui o cara de branco quebrando os vidros da prefeitura, e incitando os manifestantes a fazerem o mesmo. Através de nossas pesquisas, o nome do mesmo é Tiago Ciro Tadeu Faria, o cara que rasgou os votos da apuração das escolas de samba no carvanal de SP em 2012.
Um grupo tentou invadir a prefeitura e, não conseguindo, se limitou a apedrejá-la.

Um carro da Record foi apedrejado e queimado ao lado da prefeitura e começaram as depredações às duas agências do Itaú na Praça do Patriarca, do lado da prefeitura e os saques à lojas, que foram destruídas. 


A Força Tática tentou conter os saques, mas foi afugentada pela turba. Foi um momento de sentimentos conflitantes, pois a Força tática estava APAVORADA e querendo fugir, o que não tem como não alegrar qualquer um que já apanhou dos bandidos de farda, mas ao mesmo tempo passavam uma efêmera sensação de segurança, pois no meio dos manifestantes, além dos P2, havia forte presença de bandidos de rua que ameaçavam jornalistas e queriam roubar nossas câmeras.

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terça-feira, 18 de junho de 2013

Paramos o país e não foi por 20 centavos: O que queremos?

Participei ontem dos maiores protestos que já vi agitarem o país. Ou, ao menos, que eu tenha tido o imenso prazer de participar. Paramos o país de norte a sul.

Éramos 100 mil no Rio, mais de 100 mil em São Paulo (o movimento que começou no Largo da Batata se dividiu em vários "menores", um deles ocupou toda a Brigadeiro Luis Antônio da JK até a Paulista, só ali éramos mais do que os 60 mil totais divulgados pela mídia), mais de 20 mil em Belém, milhares em Brasília, PoA, Maceió, BH, Vitória, Londrina, Juiz de Fora, Caruaru, Santos... Em dezenas de cidades no Brasil e no mundo.

Mas porque?

A revolta não nasceu por causa de 20 centavos, 10 centavos, nem 30 centavos. Ela tão somente ESTOUROU depois dos aumentos simultâneos em todo o país. Enquanto o PT prega que o país está indo às mil maravilhas, o povo nas ruas mostrou que esta imagem não é real. Não estamos sorridentes com a Copa, não estamos felizes com a educação, com a cultura, com a saúde...

Protestos contra o aumento se juntaram a protestos contra os gastos absurdos da Copa, com a insatisfação com a cidade, com a exclusão social, com as tentativas de golpe contra o judiciário patrocinadas pelo PT e aliados, como no caso da PEC37, contra a violência policial, contra a educação e saúde precárias...

Enfim, o povo foi às ruas contra o atual modelo de país que temos, excludente, desigual, com bilhões fluindo para a FIFA e para obras faraônicas e virtualmente inúteis, em protestos reprimidos com extrema violência e brutalidade, enquanto somos bombardeados por propagandas estatais de que "está tudo bem", "está tudo lindo". Não está.

Indígenas são massacrados e desrespeitados em suas terras, na verdade muitos sequer tem terras. LGBTs são assassinados nas ruas por simplesmente serem quem são, a periferia grita contra o genocídio que sofre, e toda a população se revolta contra a submissão a uma política de iguais, sem opções, em que PSDB e PT se revezam em acusações, mas são apenas faces da mesma moeda: Corruptos, privatistas, entreguistas, preocupados em enriquecer aos seus e não em transformar o país.

Não há imagem mais emblemática que o povo ocupando o Congresso. Pacífico, apenas demonstrando sua força e que quem deve ter medo é o poder, são os governos, e não o povo. O governo nos serve, deve nos servir e deve nos temer.

Estamos diante de uma onde sem precedentes de conservadorismo, de medievalismo religioso, de tentativas de destruir o judiciário ao invés de reformá-lo e torná-lo mais democrático. O povo estourou contra um congresso e legislativos corruptos, desconectados da realidade do povo. Enquanto pegamos ônibus, metrôs e trens lotados, políticos impõem suas pautas pessoais usando carros de luxo pagos com nosso dinheiro e vivem em mansões inalcançáveis para a ampla maioria da população.

Lutamos e fomos às ruas por dignidade. Por respeito.

Em São Paulo o que mais víamos eram cartazes contra a PEC37, a favor de um transporte público de qualidade e gratuito para todxs, e por respeito aos nossos direitos.

Sim, lutamos por direitos. Por direitos básicos, para não sermos joguete nas mãos de partidos iguais, que nada propõem, que em nada se diferenciam.

Falando especificamente de São Paulo, Haddad recuou, Alckmin recuou. A não-violência ontem se deve exclusivamente à escassa presença da PM nas ruas, pois como todos sabemos, a presença da PM é um convite para a violência e a brutalidade. Não importa se a manifestação é pacífica, a PM sempre encontra razão (sic) para exercer seu "direito" de nos violentar.

Haddad que havia apoiado a violência da PM foi forçado a mudar o discurso, mas não o suficiente para OBEDECER os paulistanos e reduzir a tarifa. Pelo visto ele terá de ser convencido nas ruas de que nós pagamos o salário dele e nós é que mandamos. Alckmin, por sua vez, foi forçado a mandar a PM recuar, e também terá de ser convencido nas ruas a obedece ao povo que mostrou ter forças e vontade.

Agora, porque todas essas manifestações pelo país?

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quarta-feira, 12 de junho de 2013

O protesto contra as tarifas de 11 de junho: Hoje foi maior e amanhã será maior ainda!


Cheguei na Avenida Paulista pouco antes das 6 da tarde, praticamente no começo da marcha que reunia, naquele momento, pelo menos 10 mil pessoas. O caminho inicial seria a Consolação até o centro, e nem a chuva forte que caiu poucos minutos depois intimidou os participantes, apesar de ter atrapalhado - e muito - os fotógrafos e equipes de TV.

Milhares de pessoas gritavam "vem, vem pra chuva vem, contra o aumento" e a alegria estava estampada na cara dos presentes que sabiam ter reunido um número imenso de participantes e, acima de tudo, sabiam da justeza de suas reivindicações.

Mas logo a marcha sofreu o primeiro racha.

O caminho decidido era o de descer o túnel da Radial Leste/Minhocão. Muitas pessoas, surpresas, se recusaram a descer. Muitas com medo de serem emboscados pela polícia - que acompanhava em grande número, com viaturas da força tática, motos e até um carro de bombeiros - desistiram e acabaram realizando um mini-protesto pela Praça Roosevelt e região.

Os que foram adiante caminharam até o viaduto da 23 de maio, quando o movimento empacou para decidir o caminho a seguir. Como nota pessoal, achei péssima a escolha da rota, pois atrapalhamos o trânsito na Radial (nada contra, só constatando), mas ficamos isolados do resto da cidade e com poucas opções de caminho a seguir.

Empacados, o trânsito voltou a correr, e acabamos seguindo pela Av. Liberdade até a Sé. Na Liberdade a animação dos presentes voltou à toda e a marcha, pouco menor que no começo, ainda era muito grande.

Caminhamos em direção ao Terminal Dom Pedro, numa marcha pacífica que, porém, quase viu o primeiro confronto (ou a primeira violência policial) quando um pequeno grupo resolveu atear fogo em um ônibus parado e vazio nas proximidades do terminal. De forma surpreendente a polícia se limitou a apagar o princípio de incêndio (ainda que o ônibus tenha sido quebrado e pichado) e não investiu contra os manifestantes. Provavelmente porque a maioria dos presentes se revoltou contra a atitude do pequeno grupo e muitos ajudaram a polícia a apagar o fogo que começava a tomar corpo.

Eu não tenho, em princípio, nada contra atear fogo a um ônibus (vazio, obviamente), o problema é fazê-lo apenas como provocação à polícia que, até aquele momento, tinha apenas acompanhado. E atear fogo quando a MAIORIA claramente não apoiava o ato.

Violência em manifestações é legítima, mas como resposta, não como incitação ou, no máximo, quando a maioria dos presentes está de acordo e há razões para o uso da violência.

Não há (havia) razão para incitar a violência da PM contra milhares de pessoas que protestam pacificamente e, naquele momento, com amplo apoio popular. Penso - posso estar errado, mas é minha opinião - ser contraproducente iniciar incêndios e "vandalizar" buscando uma resposta da polícia.

O correto, penso, é utilizar a violência e a resistência apenas quando atacados, não dando espaço para manipulações midiáticas (ou reduzindo sua capacidade de distorcer) e, acima de tudo, sem alienar a população.

Uma coisa é a justa revolta pela violência sofrida, outra é incitá-la CONTRA a maioria.

De forma alguma afirmo ou mesmo acho que a reação da PM é justificável, mesmo com o vandalismo, mas é inocência ou estupidez achar que não haverá reação e quem não tem nada a ver, quem não cobre a cara, não vai acabar apanhando.

Continuamos a marcha por mais alguns metros até o terminal, quando a marcha novamente estacou. Colegas jornalistas na cabeça da marcha disseram que o movimento demorou demais para decidir se invadiria o terminal, naquele momento com poucos policiais o guardando, e quando finalmente decidiram pela ação a força tática já havia chegado, e houve reação.

Pessoas na cabeça da marcha tentaram passar pela polícia e atiraram objetos e mesmo fogos, e a resposta foi o gás. Fomos perseguidos pela PM por todo o centro, até a catedral da Sé. Em dado momento centenas de policiais fechavam diversas ruas e enchiam de gás a Sé inteira, mas curiosamente atiravam no vazio ou mesmo em repórteres desgarrados. Um colega jornalista comentou ter ouvido de repórter da Globo, este falando a um PM, que eles queria imagens de conflito para ficar bonito na TV e daí a PM atirava bombas no vazio. Pura pirotecnia.

Após alguns minutos desta demonstração inútil de força, recebemos a informação de que um imenso grupo havia escapado ao cerco e se dirigia à Paulista via Brigadeiro. Pegamos o metrô, eu, uma amiga e alguns jornalistas, e fomos até o local.

Chegamos na Brigadeiro no exato momento em que milhares de pessoas (pelo menos 3 mil, acredito) paravam uma das vias da avenida.

Reparei que faltavam as tradicionais bandeiras dos partidos: PSOL, PCO, PSTU... Vi apenas uma ou outra do PCB e, creio, da LER-QI e uma quantidade imensa de encapuzados.

Faço esse comentário por notar que o "tom" do protesto mudou um pouco sem certo controle por parte dos partidos. Apesar de um ou outro incidente pontual antes da reação da PM, agora alguns grupos se sentiram mais livres para atuar. Talvez 20-30 indivíduos frente a milhares que ainda marchavam pacificamente.

Vi de perto uma agência do Bradesco e outra do Itaú terem os vidros quebrados com pedradas por um pequeno grupo, que recebeu o repúdio do grosso da manifestação. A polícia apenas acompanhou.

Este pequeno grupo se adiantou à cabeça da marcha e começou a parar o trânsito e, infelizmente, começou a ameaçar motoristas, chegando a quebrar um carro (ao menos o vidro traseiro e as lâmpadas traseiras ) que se viu preso no meio da marcha.

Chegando no MASP, a polícia tentou fazer um cordão de isolamento para que os manifestantes fossem para o Vão e lá ficassem, encerrando a marcha. Um grupo negociou com a PM, mas os encapuzados novamente tomaram a frente, começaram a xingar e a cercar e começou a confusão. Vi um rapaz ser preso - me informaram depois que ele tentou dar uma flor a um PM - e levado para a base da PM na frente do Parque Trianon e foi aí que a confusão começou.

Manifestantes jogaram objetos na polícia que jogou bombas no vão do MASP e na Paulista. Formou-se uma linha da Força Tática que cometeu talvez o grande erro da noite, deixou o grupo original de vândalos avançar em direção à Consolação derrubando lixeiras de concreto (outro grupo menor passou a levantá-las, recusando a ação que era puro vandalismo e não a construção de barricadas) e começou a atirar nos milhares que se manifestavam pacificamente e tiveram de correr em direção ao Paraíso onde, me contam, houve mais violência depois.

A polícia, completamente descontrolada, começou a atirar no meio de carros, apavorando a população e enchendo a Paulista com gás.

Algumas pessoas tentavam dialogar com os encapuzados que praticavam puro e desnecessário vandalismo, e a resposta deles era que eram "contra o Estado" e "contra a burguesia e o capitalismo".

Acho justo, mas este NÃO era o foco da manifestação. E não afirmo isto de forma leviana, mas para mostrar que haviam grupos que não compactuavam com o foco da marcha - redução das tarifas - e resolveu protestar por contra própria, por suas próprias razões, e todos pagamos o pato no final.

Quisessem usar lixeiras como barricada, justo. Parar o avanço da polícia era legítimo. Mas apenas derrubá-la, enquanto gritavam desafios ao vento não significava nada.

Estes inclusive protagonizaram uma cena ridícula ao xingarem uma equipe da TV Brasil achando que era a Record e continuando a xingar e até ameaçar com violência a equipe apesar deles gritarem que eram TV pública e não a Record ou qualquer outra.

Depois de dispersar este grande grupo, a PM se virou para nosso lado e começou a avançar, jogando gás e dando tiros de borracha em direção aos carros que tentavam desesperadamente fugir da região e apavorando quem ainda estava nos ônibus parados. A corrida durou até a Consolação, quando o grupo se dispersou.

Cerca de 30 pessoas, depois, se reuniram na esquina da Paulista com Haddock Lobo e pararam o trânsito. Equipes da Record e da Globo foram intimidadas por encapuzados, mas nada demais aconteceu. Enquanto o pequeno grupo tentava parar o trânsito em uma esquina larga, um fiat uno preto avançou à toda e atropelou pelo menos 3 pessoas, uma delas a 2 passos de mim. Felizmente ninguém ficou ferido, só escoriações.

A equipe da Globo gravou a cena e aparentemente a mostrou no Jornal da Globo. A placa do carro é EUZ1807 e, algum tempo mais tarde, passei a informação para o comandante da PM no local, que até o momento nada sabia.

É interessante que a PM tenha toda ido perseguir manifestantes no Paraíso e tenha deixado um atropelamento acontecer do outro lado. Ao invés de realizar seu trabalho, reprimia um protesto legítimo.

Pouco após o atropelamento, coisa de 20 minutos, chegaram as motos da ROCAM e começaram a descer a porrada nos manifestantes, prendendo um rapaz, Theo, que tinha a mochila lotada de bixigas com tinta. De quebra a ROCAM desceu o cacete no rapaz. Vergonhoso.

Chegou então o "reforço" da força tática que, com mais algum gás, "controlou" a situação e a marcha começou a finalmente dispersar.

A esta altura eram quase 11 da noite. Paramos a cidade por mais de 5 horas e pese a ação burra de alguns "revolucionários" (protestando por razões próprias em uma marcha que não era deles), foi um sucesso. Imensa, animada e persistente.

É difícil descrever a exultação de ver tanta gente que, mesmo depois de apanhar, tinha seguido valentemente pela Brigadeiro até a Paulista e continuava a gritar e reivindicar.

A violência usada pela PM foi, sob qualquer ponto de vista, excessiva, desproporcional. Não havia razão para perseguir a manifestação por todo o centro da cidade, nem usar a quantidade imensa de bombas e gás - e balas de borracha. Se por um lado havia uma presença considerável de vândalos que protestavam por razões completamente diferentes das reivindicações da marcha, razões aceitáveis e que concordo em grande parte, mas não cabiam naquela marcha, a PM simplesmente atirou em todos, violentou a todos e conseguiu PIORAR a situação.

Se o problema era a Paulista ocupada, já ao fim da marcha, a PM conseguiu espalhar o grande grupo em pequenos grupos revoltados com a agressão sofrida e que continuaram a "atrapalhar" o trânsito.

Da mídia, de quem não se esperava nada, não saiu nada. Criminalização, nenhum manifestante ouvido de verdade e a mesma ladainha de merda de sempre.

Quinta, dia 13 de junho (amanhã), as 17h no Teatro Municipal há uma nova manifestação, a quarta grande manifestação contra o aumento das tarifas. Estaremos todos lá de novo. E espero que sejamos mais que os dez mil de ontem! Que o protesto cresça!

Seremos milhares e iremos persistir em nossa luta.
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Mais tarde estarão no ar todas as minhas fotos, no Flickr, onde já é possível encontrar centenas de fotos dos protestos anteriores. E irei postar vídeos em meu canal do Youtube.
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domingo, 9 de junho de 2013

Amanhã será maior! Uma breve análise dos protestos contra o aumento das tarifas em São Paulo

 

Depois de duas grandes manifestações contra o aumento das tarifas (de ônibus, metrô e trem) podemos tirar algumas lições.

Em primeiro lugar, a manifestação cresceu, mesmo ou até por causa, da repressão policial. O apoio popular também cresceu. Era visível o apoio de pessoas que passavam pela marcha, nos ônibus, carros e motos. Em segundo lugar, os protestos serviram para desmascarar de vez o PT e comprovar sem sombra de dúvidas que são a mesma coisa, o mesmo lixo que o PSDB.

Em terceiro lugar, uma linha foi traçada. De um lado quem se manifesta por um transporte de qualidade e acessível à TODA a população e de outro fanáticos à serviço do PT que em 2011 criticavam o Kassab pela repressão (da PM) e agora criticam os manifestantes, como se fôssemos vândalos, porque quem mandou descer o cacete foi o querido Haddad.

Que cada um escolha seu lado e aguente as consequências. Nós, nas ruas, enfrentamos e enfrentaremos as balas, o gás e a violência da PM, e enfrentaremos os governos do PT e do PSDB com afinco. Não nos interessa o bandido do momento no poder, nos interessa os nossos direitos, os direitos do povo.
Depois de termos ocupado a 23 de maio, a 9 de julho e a Paulista, ocupamos a Faria Lima, a Rebouças e a Marginal Pinheiros. E iremos ocupar novamente a Paulista na terça, dia 11 de junho. Não importa quanta polícia Haddad e Alckmin mandem para nos reprimir, iremos avançar.

É interessante, lembrando do último protesto, a canalhice da PM que nos emboscou, nos arrebanhou até a Marginal para, por trás e sem aviso, começar a nos atacar.

Eu estava no fim da marcha, vi de perto o gás sendo lançado e o olhar incrédulo de quem estava à minha volta com a injustificada violência da PM. Éramos milhares marchando e cantando. Só. E fomos atacados com violência extrema, novamente.
 
Tive a sorte de me refugiar em um motel, onde funcionários gritavam e  nos chamavam para nos esconder. Nem quero imaginar o que aconteceria se não tivéssemos conseguido escapar. Éramos alvos fáceis para o gás e para os cacetetes do Choque.

Só muito tempo depois e muitos quilômetros andando é que os que se refugiaram no motel e nas ruas que desenbocavam na Marginal conseguiram se re-encontrar com o que restou da marcha, no Largo da Batata, nosso ponto inicial.

Por todos os lados o imenso esquema policial. Carros, motos, Choque, Bope, todos prontos para nos trucidar caso Haddad ou Alckmin quisessem - e caso fosse possível esconder do mundo.

Fomos arrebanhados para uma armadilha. Me recordo de ler em um jornalão qualquer que "surpreendemos" a polícia indo até a Marginal, oras, realmente deve ter sido incrível ver um grupo de milhares caminhando em direção a esta avenida e pensar que poderiam seguir para outro lugar!

Mais interessante ainda é tal afirmação quando até a PM já tinha parado o trânsito da Marginal esperando nossa chegada. E nós descemos por um acesso à marginal que funciona como uma subida para carros, logo, na contramão. Não havia nenhum carro subindo, mesmo na marginal nenhum carro à nossa frente.

Será que foi REALMENTE uma surpresa a nossa escolha de caminho? Não.

A polícia esperou que andássemos um pouco e, afastados dos carros atrás, fomos emboscados e alvejados.

A isto a petistada chama de democracia. Somos baderneiros que paramos o trânsito, playboys e filhinhos de papai que atrapalham o tráfego, tucanos brancos querendo derrubar Haddad que, coitado, aumentou pouco a passagem.

Deveríamos agradecer ao querido prefeito! E também à Dilma pela bênção da "pequena" redução.

Ou poderíamos fazer melhor:

Vamos continuar a atrapalhar o trânsito, vamos continuar a tomar as ruas, vamos continuar a lutar por nossos direitos e não importa o que covers de Reinaldo Azevedo digam ou pensem (sic), não importa quanto tentem falsear a história e transformar nossos protestos em uma luta contra o PT e não uma luta da cidadania contra a barbárie e o desrespeito.

O PT está no poder e aumenta as passagens? Somos contra. O PSDB está no poder e aumenta as passagens? Também somos contra.

Amanhã será maior. Durmam com isso, petistas e tucanos.
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Fotos do protesto do dia 6 de junho - Flickr
Fotos do protesto do dia 7 de junho - Flickr
Vídeos do protesto do dia 6 - O Começo / 23 de maio invadida / Repressão e violência policial
Vídeo do protesto do dia 7 - Resumo
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