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quinta-feira, 20 de junho de 2013

E no sétimo grande protesto contra o aumento das tarifas.... os fascistas venceram.

Escrevo esse texto com um misto de nojo e tristeza, contendo lágrimas que não sei se são de ódio ou de dor.

Em 6 grandes protestos conseguimos revogar o aumento das tarifas e denunciar Alckmin e Haddad pelo crime que cometiam contra a população, especialmente a mais pobre, que estava sendo excluída do transporte "público". Foram 6 protestos em que enfrentamos a PM, em que fomos espancados, brutalizados, machucados e, me impressiona, não fomos mortos, por mais que a intenção da PM fosse a de dar ao menos um "exemplo" do que acontece com quem se levanta contra o poder.

Sobrevivemos e seguimos lutando.

O protesto de hoje era uma comemoração, mas uma comemoração com reivindicações, para exigir não apenas a redução das tarifas, mas pelo passe livre, e em solidariedade aos que ainda lutam em dezenas de outras cidades.

Achava e acho saudável a ampliação de pautas, como a questão da Copa, a PEC37, protestar contra Feliciano, por saúde, educação...

Mas jamais pensaria que o movimento seria tomado por "caras pintadas", pela nata da burguesia fascista, pela juventude tucana, por neonazistas e provocadores de todos os tipos.

O que eu vi na Paulista hoje fez todo meu otimismo sumir. Me deu medo. Os fascistas saíram às ruas e são muitos, são milhares, pregando o ódio, batendo e violentando. Honestamente, prefiro apanhar da PM.

Desde o início comentei da hipocrisia do PT aparecer neste protesto. Mas jamais poderia ou posso apoiar a violência de fascistas contra membros do PT e de outros partidos.

Gritos de "sem partido" que já me assustavam na manifestação anterior foram mais fortes e se espalharam, assim como pessoas abraçadas em bandeiras do Brasil cantando o hino e desfilando um patriotismo grotesco e deslocado. Só havia espaço para atacar o PT e Dilma.

Não sou contra que se ataque o PT verbalmente ou mesmo Dilma, inclusive já analisei que uma parte considerável da juventude que está indo às ruas nunca foi governada por outro partido, ou ao menos não consegue se lembrar dos anos FHC. É natural que, em um momento de revolta, o PT absorva a maior parte desta revolta.

Por outro lado, Alckmin foi poupado. E isto, desde o começo, denunciava o clima da manifestação.

Oras, por mais que as críticas a DIlma e ao PT sejam legítimas, Alckmin também elevou as tarifas, comete um verdadeiro genocídio na periferia... Mas seu nome não foi citado.

Já os cidadãos de bem contra a corrupção... Não faltaram.
Não era por passe livre, não era por inclusão. Era um protesto pela redução da maioridade penal, algumas pessoas estavam lá defendendo a PM, era contra o PT e só o PT, era contra partidos, era contra a democracia.

Cartazes contra impostos denunciavam que a turba não sabia sequer porque protestavam ou onde estavam: O MPL defende, dentre outras, a via dos impostos para subsidiar o transporte público para todos. 

Em dado momento provocadores começaram a atacar ativistas do PT, PCO, PSTU e PSOL que estavam no meio da marcha. Alguns gritavam "sem violência" enquanto jogavam objetos e tentavam socar militantes partidários. Muitos ali achavam que eram todos petistas, pois gritavam slogans contra o PT enquanto queimavam bandeiras (não sei se do PCO ou PSTU). Ou nem achavam, apenas odiavam todos e atacavam como uma turba ensandecida.

Dedico horas do meu dia a denunciar o fanatismo petista, logo, não posso aceitar qualquer tipo de fanatismo igual, mesmo que contrário. Todo fanatismo é igual, é nocivo, é fascista. Toda violência física contra partidos políticos legítimo - e não estou falando aqui de quem prega ódio, como "partidos" neonazistas, que fique claro - é fascista.

Se por um lado o PT e o PSDB são basicamente a mesma coisa, agradeçamos aos fanáticos a à sua direção, mas não podemos esquecer que há militantes e mesmo políticos do partido que são sérios, como Erica Kokay, Domingos Dutra, Molon, Dr. Rosinha, dentre outros, e mesmo que a presença do PT no protesto tenha sido oportunismo, NADA justifica a violência fascista. E muito menos sair na porrada e agredir quem tem o DIREITO de estar nas ruas, oportunistas ou não.

Denuncio e continuarei a denunciar fanáticos e fanatismo, mas não tolerarei violência contra quem tem o direito de estar nas ruas, não importa se baseado em hipocrisia.

Aliás, irônicos os gritos de "oportunismo" voltados a TODOS os partidos (notadamente PSOL, PSTU e PCO) que estão desde o primeiro protesto na linha de frente, apanhando, quando a #classemediasofre que os atacava aderiu ontem às manifestações e, pior, com agenda própria e reacionária.

Militantes acuados foram agredidos, e cheguei a ver ao meu lado um bandido com uma faca, mas felizmente ele foi contido por uma mulher que parecia ser sua amiga antes que pudesse ferir ou matar alguém.

Bandeiras foram rasgadas e queimadas, e militantes foram agredidos e acuados, expulsos da manifestação. Inaceitável.

Um senhor, apartidário mas consciente, conversava com uma garota vestida de Brasil e um cartaz que dizia que o país se resolveria nas urnas, mas gritava contra os partidos. Ela era o retrato dos fascistas presentes: Odiava partidos, mas sem dúvida deve votar no PSDB. Não conseguia concatenar duas ideias coerentes e desistiu, xingando em retirada.

É inaceitável o fascismo de se EXPULSAR partidos políticos aos gritos indiscriminados de "oportunistas".

A Paulista presenciou hoje uma micareta fascista.

Hoje os fascistas venceram, mas a luta não para, a luta continua.
Mais fotos podem ser vistas no Flickr
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Aumento das tarifas revogadas: Vencemos a batalha, falta ainda a guerra.

Haddad e Alckmin, JUNTINHOS, anunciaram a redução das tarifas pra 3 reais. Não é suficiente. Hoje temos de ir às ruas exigir que se abra a caixa-preta da máfia dos transportes e temos de exigir TARIFA ZERO!

A luta continua e não podemos nos desmobilizar depois de termos conquistado tanto e ido tão longe!

É preciso ter em mente que foi uma vitória, mas uma vitória pequena, pontual.

Alckmin e seu papagaio, Haddad, deixaram claro que a redução vem de má vontade e que irão reduzir investimentos. Quais? Porque? Nem uma palavra sobre a caixa-preta da máfia dos transportes, nem quanto de fato é o lucro dessas empresas e muito menos os valores reais envolvidos no transporte "público" de São Paulo (e do Brasil, na verdade).

Digno de nota a cara do Haddad, e sua subserviência ao tucanato. O "novo" fez papel de papagaio de pirata, esperando Alckmin aceitar reduzir tarifas para dizer que também aceitava e indo até o palácio do "inimigo" para ceder a primeira fala. Se o marketeiro e estrategistas do PT não foram demitido, fechem o partido.

Não podemos aceitar de forma nenhuma que os já parcos investimentos do Estado sejam ainda mais reduzidos enquanto o lucro do empresariado não é alterado, pelo contrário, é garantido e ampliado.

Não faz o menor sentido que o povo garanta o lucro de mafiosos do transporte às custas da exclusão de milhares, às custas do prejuízo compartilhado da população. Os protestos não começaram apenas por 20 centavos, mas pelo debate sobre qual cidade queremos, por direitos e por participação política. Ou alguém acha que 3 reais é barato? Ou mesmo que 1 real é barato para quem está desempregado ou mal tem o que comer?

Se a constituição garante o direito de ir e vir, cabe ao Estado assegurar que as pessoas possam efetivamente se locomover. Mas ao invés disso impõe barreiras, dentre elas a barreira da tarifa, à população.

Temos de continuar indo às ruas para exigir não apenas a Tarifa Zero/Passe Livre, mas para que as contas sejam abertas, para que haja transparência, e para que se debata também a qualidade do transporte "público" - que não existe.

E a Tarifa Zero é sim possível, o PT defendeu no passado, mas o PT aprendeu que é melhor contentar o empresariado que financia campanhas do que o povo. Assim também pensa o PSDB. Porém o povo nas ruas deu seu recado e continuará a lutar.

E precisamos ter em mente que não podemos permitir que a direita se aproprie das manifestações, que suas agendas reacionárias "anti-corrupção" tomem a frente, da mesma forma que não podemos deixar que pelegos ligados ao PSeudoB, PT e UNE tomem a frente, como tentaram fazer na última manifestação, na Sé.

Se por um lado a presença de partidos é legítima e até mesmo necessária, PSTU, PSOL, PCB, PCO estão desde o começo na luta, ao passo que outros, oportunistas, surgiram para tentar apenas conseguir fama e um reconhecimento indevido (PT, PSeudoB, PPL...).

Fiquemos alertas também contra infiltrações, não faltam denúncias e até a certeza de que a polícia tem infiltrado P2 nas manifestações e até neonazistas tem aparecido.

Hoje, 17h, TODXS às ruas, a mobilização não pode acabar! Alckmin e Haddad não nos fizeram favor algum, pelo contrário, foram forçados a ouvir e acatar as decisões do povo e, ainda assim, deram um jeito de defender o lucro da máfia dos transportes, e é contra isso que devemos lutar, ou por isso que devemos manter a luta.

Temos ainda a Copa, Olimpíadas, #CuraGay, PEC37, Genocídio Indígena e a própria questão do transporte, que deve ser PÚBLICO.
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quarta-feira, 19 de junho de 2013

6º Protesto Movimento Passe Livre (MPL) - E a revolta não será contida!

Chegamos na sexta grande, imensa manifestação contra o aumento das tarifas, com novas pautas sendo acrescentadas, como a luta contra a PEC37, conhecida como o Golpe do PT no Ministério Público, e contra a "Cura Gay", outro presente do PT, via aliado Marco Feliciano.

O clima na cidade - e imagino que no país - está interessante. Vibrante. Diferente. Bastava caminhar pelas ruas pouco antes da manifestação para ver que era o assunto principal das rodas de conversa, de camelôs a engravatados: E todos diziam que iriam para a Sé.

E imagino que tenham ido, pois a manifestação estava mais uma vez lotada e pacífica, animada. E foram até a Paulista em paz.
Ponto negativo ainda na Sé foi a presença de uma quantidade ridícula de bandeiras da UNE, grupo de pelegos sem qualquer legitimidade que não deram as caras em NENHUMA manifestação anterior. Nesta chegaram a querer tomar a frente. A cara de pau do PSeudoB e do PT parece não ter fim.

Mas fora isso, muita alegria nas escadarias da Sé e muitas manifestações diversas que pareciam ter se juntado em busca de visibilidade. Infelizmente um ou outro manifestante no estilo #classemediasofre reclamando de impostos ou mesmo falando de Mensalão, mas eram minoria absoluta. Em geral muitos cartazes bem humorados, reivindicativos, atacando Haddad, Alckmin e Dilma e exigindo direitos e que os políticos que elegemos obedeçam aos eleitores.

O grosso da marcha se dirigiu à Paulista, mas outro grande grupo foi para a frente da prefeitura. Fui com o segundo. No início tudo pacífico, até que a multidão começou a diminuir, pois também resolveram caminhar até a Paulista, e foi aí que o trabalho dos P2, dos agentes infiltrados da PM começou.

Gostaria de deixar claro que o Black Bloc não teve nada a ver com os atos na prefeitura de SP, como foi noticiado na Rede Record. Isto inclui o cara de branco quebrando os vidros da prefeitura, e incitando os manifestantes a fazerem o mesmo. Através de nossas pesquisas, o nome do mesmo é Tiago Ciro Tadeu Faria, o cara que rasgou os votos da apuração das escolas de samba no carvanal de SP em 2012.
Um grupo tentou invadir a prefeitura e, não conseguindo, se limitou a apedrejá-la.

Um carro da Record foi apedrejado e queimado ao lado da prefeitura e começaram as depredações às duas agências do Itaú na Praça do Patriarca, do lado da prefeitura e os saques à lojas, que foram destruídas. 


A Força Tática tentou conter os saques, mas foi afugentada pela turba. Foi um momento de sentimentos conflitantes, pois a Força tática estava APAVORADA e querendo fugir, o que não tem como não alegrar qualquer um que já apanhou dos bandidos de farda, mas ao mesmo tempo passavam uma efêmera sensação de segurança, pois no meio dos manifestantes, além dos P2, havia forte presença de bandidos de rua que ameaçavam jornalistas e queriam roubar nossas câmeras.

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terça-feira, 18 de junho de 2013

Paramos o país e não foi por 20 centavos: O que queremos?

Participei ontem dos maiores protestos que já vi agitarem o país. Ou, ao menos, que eu tenha tido o imenso prazer de participar. Paramos o país de norte a sul.

Éramos 100 mil no Rio, mais de 100 mil em São Paulo (o movimento que começou no Largo da Batata se dividiu em vários "menores", um deles ocupou toda a Brigadeiro Luis Antônio da JK até a Paulista, só ali éramos mais do que os 60 mil totais divulgados pela mídia), mais de 20 mil em Belém, milhares em Brasília, PoA, Maceió, BH, Vitória, Londrina, Juiz de Fora, Caruaru, Santos... Em dezenas de cidades no Brasil e no mundo.

Mas porque?

A revolta não nasceu por causa de 20 centavos, 10 centavos, nem 30 centavos. Ela tão somente ESTOUROU depois dos aumentos simultâneos em todo o país. Enquanto o PT prega que o país está indo às mil maravilhas, o povo nas ruas mostrou que esta imagem não é real. Não estamos sorridentes com a Copa, não estamos felizes com a educação, com a cultura, com a saúde...

Protestos contra o aumento se juntaram a protestos contra os gastos absurdos da Copa, com a insatisfação com a cidade, com a exclusão social, com as tentativas de golpe contra o judiciário patrocinadas pelo PT e aliados, como no caso da PEC37, contra a violência policial, contra a educação e saúde precárias...

Enfim, o povo foi às ruas contra o atual modelo de país que temos, excludente, desigual, com bilhões fluindo para a FIFA e para obras faraônicas e virtualmente inúteis, em protestos reprimidos com extrema violência e brutalidade, enquanto somos bombardeados por propagandas estatais de que "está tudo bem", "está tudo lindo". Não está.

Indígenas são massacrados e desrespeitados em suas terras, na verdade muitos sequer tem terras. LGBTs são assassinados nas ruas por simplesmente serem quem são, a periferia grita contra o genocídio que sofre, e toda a população se revolta contra a submissão a uma política de iguais, sem opções, em que PSDB e PT se revezam em acusações, mas são apenas faces da mesma moeda: Corruptos, privatistas, entreguistas, preocupados em enriquecer aos seus e não em transformar o país.

Não há imagem mais emblemática que o povo ocupando o Congresso. Pacífico, apenas demonstrando sua força e que quem deve ter medo é o poder, são os governos, e não o povo. O governo nos serve, deve nos servir e deve nos temer.

Estamos diante de uma onde sem precedentes de conservadorismo, de medievalismo religioso, de tentativas de destruir o judiciário ao invés de reformá-lo e torná-lo mais democrático. O povo estourou contra um congresso e legislativos corruptos, desconectados da realidade do povo. Enquanto pegamos ônibus, metrôs e trens lotados, políticos impõem suas pautas pessoais usando carros de luxo pagos com nosso dinheiro e vivem em mansões inalcançáveis para a ampla maioria da população.

Lutamos e fomos às ruas por dignidade. Por respeito.

Em São Paulo o que mais víamos eram cartazes contra a PEC37, a favor de um transporte público de qualidade e gratuito para todxs, e por respeito aos nossos direitos.

Sim, lutamos por direitos. Por direitos básicos, para não sermos joguete nas mãos de partidos iguais, que nada propõem, que em nada se diferenciam.

Falando especificamente de São Paulo, Haddad recuou, Alckmin recuou. A não-violência ontem se deve exclusivamente à escassa presença da PM nas ruas, pois como todos sabemos, a presença da PM é um convite para a violência e a brutalidade. Não importa se a manifestação é pacífica, a PM sempre encontra razão (sic) para exercer seu "direito" de nos violentar.

Haddad que havia apoiado a violência da PM foi forçado a mudar o discurso, mas não o suficiente para OBEDECER os paulistanos e reduzir a tarifa. Pelo visto ele terá de ser convencido nas ruas de que nós pagamos o salário dele e nós é que mandamos. Alckmin, por sua vez, foi forçado a mandar a PM recuar, e também terá de ser convencido nas ruas a obedece ao povo que mostrou ter forças e vontade.

Agora, porque todas essas manifestações pelo país?

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sexta-feira, 14 de junho de 2013

Massacre do Passe Livre: Relato do Quarto protesto contra o aumento das tarifas

Escrevo este texto logo após chegar da manifestação do Movimento Passe Livre BRUTALMENTE reprimida pela PM, pelo Choque, Tática, ROCAM e qualquer desgraça mais que a PM pudesse jogar contra nós.

Em primeiro lugar, deixo claro, Alckmin e Haddad são responsáveis pelo massacre. A responsabilidade é dos dois, em igual peso e tamanho.

Poucas vezes na vida vi repressão como esta, e estive no Pinheirinho. Fui alvo de balas no Pinheirinho, assim como fui alvo de balas hoje e nos protestos anteriores do MPL. Absolutamente NADA justifica a violência de hoje (nem de qualquer outro dia, aliás), e hoje sequer houve provocação. Nenhuma. Nenhum "vandalismo", nada.

A Polícia antes mesmo da marcha começar já tinha prendido à rodo. Quem tinha vinagre junto era preso. Jornalistas forma presos por estarem apenas indo para o protesto, ainda no Teatro Municipal.

Vou tentar narrar cronologicamente o que vi, apesar da adrenalina estar nublando um pouco as coisas, fora o ódio tremendo pela brutalidade policial e pro estes governantes assassinos que temos.

Um começo tranquilo, mais de 20 mil pessoas reunidas e os primeiros gritos contra os militantes do PT que apareceram na marcha, só depois que a direção permitiu, claro. Apareceram também militantes de outros grupos próximos ao PT que estavam totalmente ausentes dos protestos anteriores. Foram recebidos com ofensas pela maioria que estava apanhando ha pelo menos três protestos.

Seguimos até a República sob imensa provocação da PM. Logo no caminho entraram no meio da marcha para agarrar um rapaz que nada fazia e o prenderam com imensa violência. Mas seguimos. Na esquina da São Luís com a Ipiranga um ônibus elétrico precisou da ajuda de alguns manifestantes para voltar a funcionar, o cabo tinha saído do "trilho" elétrico. Um manifestante que AJUDAVA o motorista foi preso. Mas, ainda assim, seguimos.

Eu estava no fim da marcha, junto com um rapaz do MPL, Matheus, acredito, que negociava com um grupo de PMs o roteiro a seguir. O PM dizia que era pra entrarmos na Rêgo Freitas e voltar à República, algo que Matheus disse ser impossível, já que a cabeça da Marcha estava já no Mackenzie. Nesta discussão de vai ou não vai um PM no meio do grupo começou a gritar que estavam jogando pedras. Mentira pura. Estava eu e dezenas de jornalistas do lado e ninguém jogava absolutamente nada.

A provocação continuava, com PMs atiçando uns aos outros e nos provocando e querendo atacar.
Mas, novamente, seguimos. Até que de uma rua lateral surgiu um grupo do Choque, batendo nos escudos e gritando contra os manifestantes. Eles correram subindo a consolação e depois de um momento os tiros, bombas e gás começaram lá em cima. Eu estava atrás e via a fumaça subir, o fogo das armas da polícia que disparava e o pânico das pessoas correndo para a Roosevelt.

Do nada, o Choque surgiu também por trás, da República, e começou a atirar, assim como policiais que atiravam debaixo do Minhocão. Não havia outro caminho senão a Praça Roosevelt.

Mas do outro lado também tinha polícia. Estava armado um massacre.

As pessoas em desespero corriam pra praça e o Choque avançava com extrema brutalidade, atirando na imprensa do outro lado da rua, onde eu estava em dado momento, e nos jogando bombas - uma estourou quase na minha perna - sem dar mostras de que iria parar.

E não pararam.

O povo corria em desespero para a Rua Augusta, do outro lado da Praça, mas havia PM lá e os que estavam na Consolação os perseguiam com tiros, bombas e gás. Pessoas que nada tinham a ver foram atingidas e intoxicadas, e segundo relatos quem se escondia nos teatros da praça era preso, e pouco importava seque se eram manifestantes.

Na Guimarães Rosa, ainda na Roosevelt, motoristas em pânico viam os carros serem cobertos por gás, uma senhora com uma criança no carro chorava enquanto era sufocada pelo gás. Na esquina a PM jogou bombas até mesmo na radial, lotada de carros. E atirava para todos os lados.

Um professor, Daniel Keller de Almeida, foi preso por gravar a cena de um rapaz sendo agredido e preso com brutalidade pelo Choque. Outro que estava filmando também foi preso. Eu escapei pois disse ser do G1, pois o PM veio me prender. Foi a primeira prisão que escapei na noite. Um ônibus do Choque saiu LOTADO da Roosevelt.

Na Avanhandava conversei com várias pessoas revoltadas com a violência da PM, que neste momento apenas posava para fotos. E por todo o caminho que passei vi a população revoltada com a violência e apoiando a manifestação. Subindo a Augusta, atrás do Choque, uma senhora gritava de sua janela contra a PM fascista e armas foram apontadas para ela.

No caminho, uma senhora, professora, Maria Bernadete, revoltada, dava entrevista com a marca da bala de borracha em sua têmpora. Ela sequer fazia parte do protesto, mas foi, como muitos pelo caminho, alvejados pela gloriosa PM à serviço de Alckmin e Haddad.

Na Augusta o Choque subia, com direito a um desvio para aterrorizar na Oscar Freire. Ai foi minha segunda quase-prisão. Mas consegui correr de volta para a Augusta.

Subimos até próximo da Paulista, quando o Choque, ofendido pelos vários manifestantes que ficaram pra trás, e por quem simplesmente estava revoltado com a brutalidade, se virou bruscamente e vários jornalistas comigo tiveram de correr e se abrigar do lado da Kiss, onde fomos alvo de muito gás, mesmo gritando desesperados pra PM que éramos imprensa. Isso apenas os atiçou.

Resolvemos correr por uma brecha entre a PM e o prédio ao nosso lado e foi minha terceira quase prisão, mas a quantidade de jornalistas em volta (e um soco dado no pescoço dele ajudou) fez o PM largar meu braço, mas infelizmente prenderam uma professora que gritava no meio da rua, sem se intimidar pelo gás e pelas balas, que dava aula para os filhos deles. Seu nome é Regina Célia.

Já na Paulista, a porrada estancando. De todos os lados. No MASP manifestantes estavam cercados e sendo alvejados e se refugiando nas paralelas, como a alameda Santos.

De lá grupos saiam esporadicamente para atear fogo em lixo (ainda que a PM, segundo relatos, tenha tacado fogo no lixo também para culpar manifestantes) e para serem recebidos com violência.

Um jogo de gato e rato que durou várias horas. Detalhe era o sorriso no rosto da PM a cada tiro, quando acertavam alguém ou quando intimidavam a todos, incluindo imprensa.

Fui caminhando para a Cásper Líbero e estudantes do Objetivo estavam presos lá dentro e revoltados com a ação da PM, que chegou a atirar na Cásper. Pessoas eram revistadas, qualquer um carregando uma mochila, ao lado da Fnac. Por toda a Paulista pessoas aplaudiam a PM, ironicamente, e gritavam "Vergonha". Era a deixa para mais ataques e mais violência.

Em dado momento reverberava pela avenida os gritos de "Vergonha" e os aplausos, era lindo de se ver. Pessoas saíam dos prédios, engravatados, e aplaudiam. Toda a população estava contra a brutalidade policial. E eram recebidos com mais brutalidade.

A Polícia atirava a esmo, para todas as direções sem que fosse preciso qualquer provocação (palmas nunca foram provocação, sejamos honestos). Pessoas gritavam, sem ter nada a ver com o protesto. Crianças choravam, idosos passavam mal e pessoas eram atingidas e violentadas por uma ação criminosa perpetrada por milhares de BANDIDOS de farda, assassinos pagos pelo Estado.

De volta à região da Augusta/Consolação, ao lado do Center 3, dois grupos do choque, vindos dos dois lados da paulista atiravam e jogavam bomba, quase matando um senhor que corria em desespero. Ameaçaram atirar no grupo da imprensa que estava no local, ameaçaram repórter do CQC e seguiram com a barbaridade. A adrenalina era tanta que não me segurei e xinguei a PM, e acabei sendo filmado pelo CQC. Só depois reparei que tinha dado uma entrevista, mas de tanta raiva, nem reparei na hora.

E a coisa continuou, com jornalistas correndo pra todos os lados e a PM barbarizando. Só depois das 11 da noite que tudo se acalmou finalmente. Com direito ainda a pessoas encurraladas no MASP levando tiros por gritarem, a todo momento, por paz e "sem violência". A polícia parecia alimentar seu ódio do grito desesperado pelo fim da violência.

Qualquer grupo com mais de 10 pessoas era alvo de tiros, sem sequer a necessidade de perguntar quem eram.

Depois, via um jornalista da Globo e outros, soube que a PM também desceu a Angélica. Manifestantes fugiam e as bombas eram jogadas no meio de carros, de ônibus... A intenção era matar, estivesse o alvo na manifestação ou apenas tivesse tido a infelicidade de ser pego no meio dela. Vidros foram quebrados pela PM que aterrorizou Higienópolis.

Muitos vídeos foram gravados com denúncias da PM quebrando os vídeos dos próprios carros para acusar os manifestantes, dentre outros.

É importante lembrar: Não houve NENHUMA provocação por parte dos manifestantes, não houve qualquer vandalismo real ou imaginário. A PM espalhou boatos entre ela e para a mídia e começou a atirar por puro prazer e sadismo. O que vimos foi um massacre, em que PMs sorriam a cada tiro que davam e estavam felizes em ter alvos fáceis para tentar matar.

Eu estive no Pinheirinho, já participei de dezenas de manifestações em São Paulo e Recife, já fui banhado por pimenta, já atiraram em mim (nunca acertaram, felizmente) e já vi efetivos policiais absurdamente grandes, mas hoje São Paulo virou uma praça de guerra. Hoje é um dia para ser lembrado como o Massacre do Passe Livre, patrocinado por Alckmin e Haddad, dois bandidos no poder.

Comentei no Facebook e mantenho:
Acabei de voltar do protesto. Eu tô abismado. Eu raras vezes vi tamanha repressão. O que fotografei, gravei e os relatos que ouvi de colegas jornalistas são chocantes. O Choque atirava em quem aplaudia (ironicamente), atirava na imprensa, em qualquer coisa que se movesse.

Foi um massacre e a intenção de Alckmin e Haddad era clara: Matar. Não adiantou os pelegos da Juventude do PT se juntarem à marcha, foi porrada pra todo lado. Não houve NENHUMA

provocação, NENHUMA violência do nosso lado. Fomos agredidos de graça, cercados, emboscados na consolação e na Augusta.

A violência durou horas e horas, correu a Paulista, a Angélica, a Consolação, Augusta e a porra da região toda.

Alckmin e Haddad são responsáveis!
A violência foi tão grande que até a Folha e a Globo foram forçadas a destacar. Como você vai mentir quando jornalistas da empresa foram alvejados e poderiam ter sido mortos, e quando estavam eles próprios revoltados?

Amanhã vai ser maior! Hoje fomos mais de 20 mil, pois vamos juntar 50 mil!

Segunda, 17h, no Largo da Batata!
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Fotos do ato de ontem, no Flickr
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Vídeos:
Início pacífico da Marcha, gritos e palavras de ordem e muitos gritos contra os pelegos do PT que resolveram dar as caras no protesto.
No início da Marcha, a PM provocava, levou dois rapazes presos sem qualquer razão. Um cometeu o crime de estar andando no meio do povo e foi arrastado para um canto pela PM. Outro ajudava um motorista de Trólebus a tirar o ônibus do meio da rua, foi preso por isso com imensa brutalidade.
PM/Choque atacando manifestantes na PRaça Roosevelt e na Augusta com imensa violência. Num carro uma mulher com uma criança chora em desespero. Com extrema brutalidade a PM prende um rapaz e, logo depois, um advogado que filmava e uutro rapaz que filmava a brutalidade. Escapei por pouco de ser preso. Muitos tiros, bombas e violência.
PM brutalizando na rua Augusta, atirando em jornalistas, em quem protestava, prendendo uma professora por protestar... Simplesmente violência insensata e sem qualquer motivo. Jornalistas foram encurralados e alvejados.
Mais cenas de violência na Av. Paulista. População gritando por paz, pedindo para a PM parar com a violência e sendo alvo de tiros, de bombas e gás. Desespero na Paulista.

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quinta-feira, 13 de junho de 2013

Fotos e vídeos da repressão contra o 3º protesto do Movimento Passe Livre

Vídeos e fotos da imensa repressão policial contra os manifestantes. Agressão, prisões arbitrárias, tiros, bombas e gás. Alckmin e Haddad são co-responsáveis por tudo.

Seleção de fotos no Flickr .

O início da marcha:
Brutalidade policial no Terminal PArque Dom Pedro
PM atirando no nada, na Sé, apenas para aparecer para as câmeras
Dois rapazes que apenas caminhavam pela Sé foram presos pela PM
As declarações do comandante da PM em dois momentos (e suas mentiras)
A violência extrema, desmedida e inaceitávee da PM pela Avenida Paulista. Tiros e gás para todos os lados.
Manifestantes são ATROPELADOS por um doente em um Fiat Uno. Depois a Globo, em seus jornais, "inocentou" o bandido atrás do volante dizendo que ele foi forçado a avançar.
No fim da manifestação chega a ROCAM e começa a espancar manifestantes e depois a Força Tática para "limpar" a área com mais tiros e gás.




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quarta-feira, 12 de junho de 2013

O protesto contra as tarifas de 11 de junho: Hoje foi maior e amanhã será maior ainda!


Cheguei na Avenida Paulista pouco antes das 6 da tarde, praticamente no começo da marcha que reunia, naquele momento, pelo menos 10 mil pessoas. O caminho inicial seria a Consolação até o centro, e nem a chuva forte que caiu poucos minutos depois intimidou os participantes, apesar de ter atrapalhado - e muito - os fotógrafos e equipes de TV.

Milhares de pessoas gritavam "vem, vem pra chuva vem, contra o aumento" e a alegria estava estampada na cara dos presentes que sabiam ter reunido um número imenso de participantes e, acima de tudo, sabiam da justeza de suas reivindicações.

Mas logo a marcha sofreu o primeiro racha.

O caminho decidido era o de descer o túnel da Radial Leste/Minhocão. Muitas pessoas, surpresas, se recusaram a descer. Muitas com medo de serem emboscados pela polícia - que acompanhava em grande número, com viaturas da força tática, motos e até um carro de bombeiros - desistiram e acabaram realizando um mini-protesto pela Praça Roosevelt e região.

Os que foram adiante caminharam até o viaduto da 23 de maio, quando o movimento empacou para decidir o caminho a seguir. Como nota pessoal, achei péssima a escolha da rota, pois atrapalhamos o trânsito na Radial (nada contra, só constatando), mas ficamos isolados do resto da cidade e com poucas opções de caminho a seguir.

Empacados, o trânsito voltou a correr, e acabamos seguindo pela Av. Liberdade até a Sé. Na Liberdade a animação dos presentes voltou à toda e a marcha, pouco menor que no começo, ainda era muito grande.

Caminhamos em direção ao Terminal Dom Pedro, numa marcha pacífica que, porém, quase viu o primeiro confronto (ou a primeira violência policial) quando um pequeno grupo resolveu atear fogo em um ônibus parado e vazio nas proximidades do terminal. De forma surpreendente a polícia se limitou a apagar o princípio de incêndio (ainda que o ônibus tenha sido quebrado e pichado) e não investiu contra os manifestantes. Provavelmente porque a maioria dos presentes se revoltou contra a atitude do pequeno grupo e muitos ajudaram a polícia a apagar o fogo que começava a tomar corpo.

Eu não tenho, em princípio, nada contra atear fogo a um ônibus (vazio, obviamente), o problema é fazê-lo apenas como provocação à polícia que, até aquele momento, tinha apenas acompanhado. E atear fogo quando a MAIORIA claramente não apoiava o ato.

Violência em manifestações é legítima, mas como resposta, não como incitação ou, no máximo, quando a maioria dos presentes está de acordo e há razões para o uso da violência.

Não há (havia) razão para incitar a violência da PM contra milhares de pessoas que protestam pacificamente e, naquele momento, com amplo apoio popular. Penso - posso estar errado, mas é minha opinião - ser contraproducente iniciar incêndios e "vandalizar" buscando uma resposta da polícia.

O correto, penso, é utilizar a violência e a resistência apenas quando atacados, não dando espaço para manipulações midiáticas (ou reduzindo sua capacidade de distorcer) e, acima de tudo, sem alienar a população.

Uma coisa é a justa revolta pela violência sofrida, outra é incitá-la CONTRA a maioria.

De forma alguma afirmo ou mesmo acho que a reação da PM é justificável, mesmo com o vandalismo, mas é inocência ou estupidez achar que não haverá reação e quem não tem nada a ver, quem não cobre a cara, não vai acabar apanhando.

Continuamos a marcha por mais alguns metros até o terminal, quando a marcha novamente estacou. Colegas jornalistas na cabeça da marcha disseram que o movimento demorou demais para decidir se invadiria o terminal, naquele momento com poucos policiais o guardando, e quando finalmente decidiram pela ação a força tática já havia chegado, e houve reação.

Pessoas na cabeça da marcha tentaram passar pela polícia e atiraram objetos e mesmo fogos, e a resposta foi o gás. Fomos perseguidos pela PM por todo o centro, até a catedral da Sé. Em dado momento centenas de policiais fechavam diversas ruas e enchiam de gás a Sé inteira, mas curiosamente atiravam no vazio ou mesmo em repórteres desgarrados. Um colega jornalista comentou ter ouvido de repórter da Globo, este falando a um PM, que eles queria imagens de conflito para ficar bonito na TV e daí a PM atirava bombas no vazio. Pura pirotecnia.

Após alguns minutos desta demonstração inútil de força, recebemos a informação de que um imenso grupo havia escapado ao cerco e se dirigia à Paulista via Brigadeiro. Pegamos o metrô, eu, uma amiga e alguns jornalistas, e fomos até o local.

Chegamos na Brigadeiro no exato momento em que milhares de pessoas (pelo menos 3 mil, acredito) paravam uma das vias da avenida.

Reparei que faltavam as tradicionais bandeiras dos partidos: PSOL, PCO, PSTU... Vi apenas uma ou outra do PCB e, creio, da LER-QI e uma quantidade imensa de encapuzados.

Faço esse comentário por notar que o "tom" do protesto mudou um pouco sem certo controle por parte dos partidos. Apesar de um ou outro incidente pontual antes da reação da PM, agora alguns grupos se sentiram mais livres para atuar. Talvez 20-30 indivíduos frente a milhares que ainda marchavam pacificamente.

Vi de perto uma agência do Bradesco e outra do Itaú terem os vidros quebrados com pedradas por um pequeno grupo, que recebeu o repúdio do grosso da manifestação. A polícia apenas acompanhou.

Este pequeno grupo se adiantou à cabeça da marcha e começou a parar o trânsito e, infelizmente, começou a ameaçar motoristas, chegando a quebrar um carro (ao menos o vidro traseiro e as lâmpadas traseiras ) que se viu preso no meio da marcha.

Chegando no MASP, a polícia tentou fazer um cordão de isolamento para que os manifestantes fossem para o Vão e lá ficassem, encerrando a marcha. Um grupo negociou com a PM, mas os encapuzados novamente tomaram a frente, começaram a xingar e a cercar e começou a confusão. Vi um rapaz ser preso - me informaram depois que ele tentou dar uma flor a um PM - e levado para a base da PM na frente do Parque Trianon e foi aí que a confusão começou.

Manifestantes jogaram objetos na polícia que jogou bombas no vão do MASP e na Paulista. Formou-se uma linha da Força Tática que cometeu talvez o grande erro da noite, deixou o grupo original de vândalos avançar em direção à Consolação derrubando lixeiras de concreto (outro grupo menor passou a levantá-las, recusando a ação que era puro vandalismo e não a construção de barricadas) e começou a atirar nos milhares que se manifestavam pacificamente e tiveram de correr em direção ao Paraíso onde, me contam, houve mais violência depois.

A polícia, completamente descontrolada, começou a atirar no meio de carros, apavorando a população e enchendo a Paulista com gás.

Algumas pessoas tentavam dialogar com os encapuzados que praticavam puro e desnecessário vandalismo, e a resposta deles era que eram "contra o Estado" e "contra a burguesia e o capitalismo".

Acho justo, mas este NÃO era o foco da manifestação. E não afirmo isto de forma leviana, mas para mostrar que haviam grupos que não compactuavam com o foco da marcha - redução das tarifas - e resolveu protestar por contra própria, por suas próprias razões, e todos pagamos o pato no final.

Quisessem usar lixeiras como barricada, justo. Parar o avanço da polícia era legítimo. Mas apenas derrubá-la, enquanto gritavam desafios ao vento não significava nada.

Estes inclusive protagonizaram uma cena ridícula ao xingarem uma equipe da TV Brasil achando que era a Record e continuando a xingar e até ameaçar com violência a equipe apesar deles gritarem que eram TV pública e não a Record ou qualquer outra.

Depois de dispersar este grande grupo, a PM se virou para nosso lado e começou a avançar, jogando gás e dando tiros de borracha em direção aos carros que tentavam desesperadamente fugir da região e apavorando quem ainda estava nos ônibus parados. A corrida durou até a Consolação, quando o grupo se dispersou.

Cerca de 30 pessoas, depois, se reuniram na esquina da Paulista com Haddock Lobo e pararam o trânsito. Equipes da Record e da Globo foram intimidadas por encapuzados, mas nada demais aconteceu. Enquanto o pequeno grupo tentava parar o trânsito em uma esquina larga, um fiat uno preto avançou à toda e atropelou pelo menos 3 pessoas, uma delas a 2 passos de mim. Felizmente ninguém ficou ferido, só escoriações.

A equipe da Globo gravou a cena e aparentemente a mostrou no Jornal da Globo. A placa do carro é EUZ1807 e, algum tempo mais tarde, passei a informação para o comandante da PM no local, que até o momento nada sabia.

É interessante que a PM tenha toda ido perseguir manifestantes no Paraíso e tenha deixado um atropelamento acontecer do outro lado. Ao invés de realizar seu trabalho, reprimia um protesto legítimo.

Pouco após o atropelamento, coisa de 20 minutos, chegaram as motos da ROCAM e começaram a descer a porrada nos manifestantes, prendendo um rapaz, Theo, que tinha a mochila lotada de bixigas com tinta. De quebra a ROCAM desceu o cacete no rapaz. Vergonhoso.

Chegou então o "reforço" da força tática que, com mais algum gás, "controlou" a situação e a marcha começou a finalmente dispersar.

A esta altura eram quase 11 da noite. Paramos a cidade por mais de 5 horas e pese a ação burra de alguns "revolucionários" (protestando por razões próprias em uma marcha que não era deles), foi um sucesso. Imensa, animada e persistente.

É difícil descrever a exultação de ver tanta gente que, mesmo depois de apanhar, tinha seguido valentemente pela Brigadeiro até a Paulista e continuava a gritar e reivindicar.

A violência usada pela PM foi, sob qualquer ponto de vista, excessiva, desproporcional. Não havia razão para perseguir a manifestação por todo o centro da cidade, nem usar a quantidade imensa de bombas e gás - e balas de borracha. Se por um lado havia uma presença considerável de vândalos que protestavam por razões completamente diferentes das reivindicações da marcha, razões aceitáveis e que concordo em grande parte, mas não cabiam naquela marcha, a PM simplesmente atirou em todos, violentou a todos e conseguiu PIORAR a situação.

Se o problema era a Paulista ocupada, já ao fim da marcha, a PM conseguiu espalhar o grande grupo em pequenos grupos revoltados com a agressão sofrida e que continuaram a "atrapalhar" o trânsito.

Da mídia, de quem não se esperava nada, não saiu nada. Criminalização, nenhum manifestante ouvido de verdade e a mesma ladainha de merda de sempre.

Quinta, dia 13 de junho (amanhã), as 17h no Teatro Municipal há uma nova manifestação, a quarta grande manifestação contra o aumento das tarifas. Estaremos todos lá de novo. E espero que sejamos mais que os dez mil de ontem! Que o protesto cresça!

Seremos milhares e iremos persistir em nossa luta.
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Mais tarde estarão no ar todas as minhas fotos, no Flickr, onde já é possível encontrar centenas de fotos dos protestos anteriores. E irei postar vídeos em meu canal do Youtube.
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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Ônibus, trilhos e possíveis soluções para o trânsito de São Paulo

Abismado com a falta de noção dos vários candidatos a prefeito de São Paulo com promessas mirabolantes de criar MAIS faixas exclusivas para ônibus de quilômetros e quilômetros para ligar extremos da cidade, não parei de pensar em soluções muito mais práticas e funcionais.

É fato que o metrô é lento para se construir e a cidade não pode esperar parada, mas há diversas outras alternativas sob trilhos que podem e merecem ser tentadas. Algumas até trazidas de volta à cidade.

Falo em bondes (VLTs), metrôs de superfície e semelhantes. E mesmo BRTs, sistemas de ônibus rápidos totalmnetne diferentes do feijão com arroz de "mais faixas exclusivas".

Hoje o metrô é o principal meio de transporte de longa e curta distância, ao passo que os ônibus acabam por vezes exercendo a mesma função. Ambos lotados. No caso dos ônibus, muitos são precários, lentos e se pode passar horas e horas parado nos intermináveis engarrafamentos.

Porque, então, não se pensar em diversificar os transportes da cidade?

Bondes (VLT) poderiam servir para o transporte dentro dos bairros, junto com ônibus e micro-ônibus, ao passo que ao invés de apenas criar mais faixas de ônibus - um transporte relativamente lento, passível de mais acidentes e etc - poderíamos pensar em VLTs e em metrôs de superfície concorrendo no espaço ou mesmo tirando espaço de carros e deixando vias exclusivas para o transporte público via trilho e asfalto.

Na Europa, bondes estão por todo lugar.

Desde os que param em sinais vermelhos e funcionam quase como ônibus - ainda que mais organizados, maiores, com horários mais corretos - até os mais rápidos, sempre com ligação ao sistema rodoviário e aos metrôs (quando existem) e se pensarmos que a população de cidades como Amsterdã ou Budapeste é infinitamente menor que a daqui, podemos chegar à conclusão de que em bairros e cercanias poderíamso ter satisfatoriamente sistemas de bondes concorrendo com os de ônibus, pois as populações seria semelhantes e haveria mais de uma modalidade para abarcar (e embarcar) estas populações.

Para grandes distâncias dependemos do metrô, mas ao invés de faixas exclusivas de ônibus e fura-filas, podemos ter metrô de superfície ou outras modalidades sob trilhos mais rápidas para se construir e mais rápidas para se locomover - e mais seguras e confortáveis. Monotrilhos são uma boa pedida, e mesmo BRT's, que não são a mesma coisa que simples ônibus em faixa exclusiva.

Esbarramos, claro, no preço - trilhos acabam sendo mais caros para produzir - e na máfia dos transportes, além do que sempre é mais demorada a troca/implantação de um modelo sob trilhos. Ficam muito melhor na fita dos políticos pavimentar uma rua e comprar 200 ônibus - para ficarem parados em fila nos engarrafamentos - que demorar um pouco mais e construir algo duradouro e melhor.

Apenas visualizem - para os que são de São Paulo - a parada da Faria Lima, no cruzamento com a Rebouças, às 18h. não importa que existma dois lados para "descarregar e carregar" passageiros, há sempre uma imensa fila de ônibus esperando sua vez. É fato que na faixa exclusiva se anda mais rápido - em relação aos carros ao lado - mas ainda assim este "rápido" é lento, trabalhoso, e poderia melhorar.

Imaginemos o centro da cidade. Em ruas com uma única pista, poderíamos restringir a passagem de carros e liberar para ônibus e bondes. Em duas pistas a mesma coisa, bonde e ônibus cada um em sua faixa e eventuais carros (moradores da região, por exemplo, taxis, ambulâncias...) e com três psitas teríamos uma para carros e uma para cada outra modalidade.

A questão é incentivar o uso do sistema de transporte público que teria mais opções, diferentes velocidades e com as diferentes distâncias a ser percorridas por cada modalidade, quem apenas quer atravessar o centro (via bonde) não precisaria competir com quem quer ir pra longe, seja de ônibus ou de metrô.


Claro que precisaríamos ter uma grande sincronização entre os diferentes meios de transporte, assim como convergências de pontos finais e de conexão, mas não é algo inimaginável. Mas seria necessário um prefeito e um governador interessados em encarar a empreitada que causaria transtornos no começo, mas compensaria no futuro.

Recomendo que leiam este ótimo artigo da Carta Capital sobre o assunto que acabeid escobrindo após escrever emu artigo. Nele, há uma análise sobre a necessidade de novos modelos - VLT, BRT, Monotrilhos, etc -e de diversificação.

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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Manifesto de Intelectuais e Artistas contra o aumento das passagens dos ônibus em São Paulo

Pela abertura das negociações sobre o aumento e contra a repressão policial
 
O valor da passagem de ônibus em São Paulo aumentou de R$ 2,70 para R$ 3,00 no dia 5 de janeiro. Desde esta data, grandes manifestações vêm demonstrando a insatisfação dos usuários com a precarização e o alto preço do transporte coletivo. Consideramos a reivindicação do movimento justa e de acordo com os anseios da maioria da população,  por isso optamos por declarar publicamente nosso apoio.

As manifestações contra o aumento ganharam destaque no dia 13 de janeiro, quando os manifestantes foram reprimidos com violência pela Polícia Militar. Após esse dia os atos cresceram, tomaram às ruas, e o movimento conseguiu marcar uma Audiência Pública com o Secretário Municipal de Transportes.

Nesta Audiência ficou estipulado que ocorreria uma reunião de negociação entre o movimento, o Legislativo e o Executivo. Porém, no dia 17 de fevereiro, quando deveria ocorrer a reunião, os representantes do Poder Executivo não compareceram. Após ir até a Secretaria de Transportes o movimento conseguiu se reunir com o Secretário Adjunto que afirmou não estar aberto a negociações. Em resposta, seis militantes se acorrentaram nas catracas da Prefeitura de São Paulo exigindo que o prefeito Gilberto Kassab abrisse negociações. Neste mesmo dia, os manifestantes que protestavam em frente a Prefeitura pela abertura de negociação foram duramente reprimidos pela PM, sendo um deles brutalmente espancado.

Nós repudiamos a violência utilizada contra a população que se mobiliza por uma demanda legítima e defendemos a abertura imediata de negociações entre o executivo e os manifestantes para a revogação de uma medida que exclui muitos paulistanos do acesso ao transporte público.


Antonia Terra de Calazans Fernandes – Professora do Departamento de História da USP.

Catia Antonia da Silva – Professora do Departamento de Geografia da Faculdade de Formação de Professores da UERJ.

Charlles da França Antunes – Professor do Departamento de Geografia da Faculdade de Formação de Professores da UERJ.

Floriano Godinho de Oliveira – Professor do Departamento de Geografia da Faculdade de Formação de Professores da UERJ.

Dora Longo Bahia – Artista Plástica.

Isabel Loureiro – Professora do Departamento de Ciência Política da UNICAMP.

Joana Aparecida Coutinho – Professora da Universidade Federal do Maranhão.

João Bernardo – escritor e professor.

José Mario Branco – cantor e compositor.

Leda Paulani – Professora da Faculdade de Econômica, Administração e Contabilidade da USP.

Lúcio Flávio Rodrigues de Almeida – Professor do Departamento da Política da PUC-SP.

Lúcio Gregori – engenheiro, músico, Secretário de Transportes da gestão Luiz Erundina (1989-1992) e idealizador do projeto Tarifa Zero.

Luiz Fernando Batista Franklin de Matos – Professor Titular do Departamento de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

Manoel Martins de Santana Filho – Professor do Departamento de Geografia da Faculdade de Formação de Professores da UERJ.

Marcelo Lopes de Souza – Professor do Departamento de Geografia  da UFRJ.

Maria Inês Bacellar Monteiro - professora da UNIMEP.

Maria Ligia Prado – Professora Titular do Departamento de História da USP.

Marcos Antonio Campos Couto – Professor do Departamento de Geografia da Faculdade de Formação de Professores da UERJ.

Marcos Francisco Napolitano Di Eugênio – Professor do Departamento de História da USP.

Marcos Barbosa de Oliveira – Professor da Faculdade de Educação da USP.

Moacyr Pinheiro Monteiro – Professor Associado do Instituto de Ciências Biomédicas da USP.

Nelson Rego – Professor do Departamento de Geografia da UFRGS e Presidente da Diretoria Executiva Nacional da Associação de Geógrafos Brasileiros (AGB).

Nilo Sérgio D`Avila Modesto – Professor do Departamento de Geografia da Faculdade de Formação de Professores da UERJ.

Otávio Miguez da Rocha Leão – Professor do Departamento de Geografia da Faculdade de Formação de Professores da UERJ.

Otília Fiori Arantes – Professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.
Pablo Ortellado – Professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP.

Paulo Alentejano – Professor do Departamento de Geografia da Faculdade de Formação de Professores da UERJ, integrante da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) e da Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA).

Paulo Eduardo Arantes – Professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

Paulo Monteiro – Artista Plástico.

Pedro Fiori Arantes – Professor da  UNIFESP.

Pedro Luis – Cantor e Compositor.

Ramon Casas Vilarino – Professor da Faculdade Sumaré.

Raúl Zibechi é uruguaio. Jornalista, comentarista e escritor, é responsável da seção internacional do semanário Brecha, editado em Montevidéu (Uruguai).

Renato Emerson Nascimento dos Santos – Professor do Departamento de Geografia da Faculdade de Formação de Professores da UERJ.

Samira Peduti Kahil – Professora do Departamento de Planejamento Territorial e Geoprocessamento da UNESP.

Vanderlei Elias Nery – Professor da UNICASTELO.

William Rosa Alves – Professor do Departamento de Geografia da UFMG e Membro da Associação dos Geógrafos Brasileiros – Seção Local de Belo Horizonte.

Yanet Aguilera Viruez Franklin de Matos – Professora de História do Cinema na UNIFESP.

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MPL - São Paulo
Por um transporte público, gratuito e de qualidade para o conjunto da população; fora da iniciativa privada!!
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

7º GRANDE ATO CONTRA O AUMENTO DAS TARIFAS

Quinta, 24 de fevereiro
17h00min - 20h00min
Em frente ao Teatro Municipal
(Prox. Metrô Anhangabaú e Term. Bandeira).


No dia 5 de janeiro, a passagem de ônibus em São Paulo subiu para 3 reais, tornando-se a mais cara do Brasil. No dia 13, a primeira manifestação contra esse aumento reuniu cerca de mil pessoas no Centro, mas foi duramente reprimida pela PM. Mas o movimento não se calou. Pelo contrário, cresceu: nas semanas seguintes, cinco grandes atos reuniram milhares de pessoas no Centro da cidade.
Graças à pressão nas ruas, o movimento conquistou uma audiência publica com o Secretário de Transportes, Marcelo Branco, que aconteceu no dia 12 de fevereiro. Lá, foram contestados os dados das planilhas sobre o aumento – por exemplo, o valor diesel, que estava errado. Foi marcada, então, uma reunião entre pessoas do movimento e membros do Poder Executivo para a manhã do dia 17.
Infelizmente, nenhum representante do executivo compareceu. O movimento se dirigiu para a Secretaria dos transportes, onde recebeu a notícia de que a Prefeitura não estava aberta à negociações, pois a decisão do aumento não era técnica, e sim política!
Tendo recebido a notícia, seis ativista do movimento de luta contra o aumento se acorrentaram nas catracas do prédio da prefeitura. Por volta das 18h da tarde, pouco mais de mil pessoas haviam se reunido do lado de fora do edifício em apoio aos acorrentados. Entretanto, a manifestação na rua foi violentamente reprimida pela PM com gás lacrimogênio, pomba de estilhaço, gás pimenta e balas de borracha.
MAIS DO QUE NUNCA NÃO PODEMOS NOS CALAR! Em Florianópolis e Vitória, a população organizada e mobilizada conseguiu barrar o aumento! A luta tem se mostrado forte e podemos estar prestes a conseguir o mesmo em São Paulo !

DIA 24, QUINTA-FEIRA: TODOS NO TEATRO MUNICIPAL CONTRA ESSE AUMENTO! É POSSÍVEL: VAMOS DERRUBAR ESSA TARIFA ABSURDA!
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