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quarta-feira, 11 de junho de 2014

Marina Silva e a Rede poderiam vencer em 2014?

Com a queda da Dilma e desconfiança geral na oposição, se a Rede da Marina fosse legal ela seria eleita. No PSB, porém, discurso dela mingua. ela não apenas é vice, como o discurso de "novo" dela morre, uma parte considerável da juventude que militou com e por ela nas eleições passadas debandou (Junho tem relevância na análise desse aspecto, mas acho que menor que a entrada no PSB em si).

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Que este texto não pareça um apoio ou demonstração de simpatia pela Marina, sou insuspeito. E jamais votaria em um(a) evangélico(a) nem pra síndico (por "evangélico" faço referência aos (neo)pentecostais da teologia da prosperidade e semelhantes).
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E o Campos não me parece estar na campanha pra se eleger, mas pra não se comprometer. Ele cria nome nacional, valoriza passe, não apoia nem PT e nem PSDB e vê qual será melhor pra ele mais pra frente caso provavelmente não chegue ao segundo turno. Calcula e escolhe o vencedor e se alia feliz e satisfeito garantindo seus cargos e benesses - agora fortalecido. E sente-se livre para escolher quem apoia (e não apoia) nos estados sem qualquer pressão nacional - essa me parece ser também a tática de escroques como Pastor Everaldo e Magno Malta, dois marginais da fé atualmente aliados ao PT, mas que debandam para quem pagar mais.

Quem quer ganhar tem candidato a governador em SP. Ao apoiar Alckmin ele não tem palanque em estado onde é desconhecido e dos maiores do país. Não é tática de quem concorre sério. Lembrando que a Marina já declarou que a Rede (me parece que meio como uma tendência dentro do PSB, apesar da própria afirmar que seu partido existe, de alguma forma coligado ao PSB)

Marina comeu bola nessa. Apostou num cavalo que não foi pra brigar. Agora, a candidatura pode dar trabalho, até porque imagino que ela aparecerá tanto quanto ou até mais que o próprio Dudu Campos nas propagandas. Ela atrai ainda (resta saber quanto). Campos aposta na desconfiança e cansaço do eleitorado com o bipartidarismo branco imposto ao país. E pode funcionar.

Agora, só eu acho suspeito que PROS e SDD (o partido onde até o nome é piada) absolutamente fraudados tenham sido legalizados e a Rede não? Aí tem coisa. Mas já era. PT fez jogo certo, senão poderia hoje estar numa situação ainda pior, com votos pulverizados e uma Marina ameaçando de verdade, porque a imagem dela não é de "velha política" como os demais, os efeitos de junho teriam sido menores na imagem dela.

Se por um lado a falta de cargos levou a um certo "sumiço" dos holofotes que prejudica a imagem da Marina, por outro esta "sumida" acaba ajudando por torná-la virtualmente invisível enquanto alvo dos protestos. No fim das contas, penso que a Marina em si possa sair fortalecida. A ideia de seu partido ainda não foi abandonada e ela sai ao menos momentaneamente do ostracismo, mas não concorre de verdade à presidência - nem Campos.

Escrevi antes:
A jogada de Marina é inteligente, pois ela se liga a um político com baixíssimos índices de rejeição no sul-sudeste (ele é virtualmente desconhecido nessas regiões) e pode tentar manter seu discurso (fake) de honestidade, idoneidade e ética - mesmo o PSB sendo um ninho de cobras que recentemente tem filiado gente até do DEM.

E ela pode ainda contar com a conhecida inocência de sua militância, aliada ao péssimo nível de politização da mesma, para conseguir passar por cima do "inconveniente" de estar ligada a um partido "velho, viciado". Seu discurso talvez terá de mudar um pouco, mas no geral permanece o mesmo: De pureza ideológica, de "novo", aliado ao fato de estar ligada a um político "novo" para o grande público (apesar de ser um velho conhecido dos pernambucanos, e um infeliz conhecido, e de ser velho aliado e amigo do Lula/PT).

No fim das contas, Marina pode sair fortalecida, pois terá tempo para erguer sua Rede e não ficará no ostracismo por mais alguns anos e terá participação ativa, assim como holofotes na próxima campanha presidencial (mesmo que não seja a candidata do PSB).
Enquanto caminho para a construção de seu partido, ela acerta. Enquanto via para realmente disputar de imediato a presidência... Apenas se a campanha do Aécio for absolutamente intragável e Dilma continuar a ser Dilma (esta é a parte mais fácil).
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quinta-feira, 20 de junho de 2013

Aumento das tarifas revogadas: Vencemos a batalha, falta ainda a guerra.

Haddad e Alckmin, JUNTINHOS, anunciaram a redução das tarifas pra 3 reais. Não é suficiente. Hoje temos de ir às ruas exigir que se abra a caixa-preta da máfia dos transportes e temos de exigir TARIFA ZERO!

A luta continua e não podemos nos desmobilizar depois de termos conquistado tanto e ido tão longe!

É preciso ter em mente que foi uma vitória, mas uma vitória pequena, pontual.

Alckmin e seu papagaio, Haddad, deixaram claro que a redução vem de má vontade e que irão reduzir investimentos. Quais? Porque? Nem uma palavra sobre a caixa-preta da máfia dos transportes, nem quanto de fato é o lucro dessas empresas e muito menos os valores reais envolvidos no transporte "público" de São Paulo (e do Brasil, na verdade).

Digno de nota a cara do Haddad, e sua subserviência ao tucanato. O "novo" fez papel de papagaio de pirata, esperando Alckmin aceitar reduzir tarifas para dizer que também aceitava e indo até o palácio do "inimigo" para ceder a primeira fala. Se o marketeiro e estrategistas do PT não foram demitido, fechem o partido.

Não podemos aceitar de forma nenhuma que os já parcos investimentos do Estado sejam ainda mais reduzidos enquanto o lucro do empresariado não é alterado, pelo contrário, é garantido e ampliado.

Não faz o menor sentido que o povo garanta o lucro de mafiosos do transporte às custas da exclusão de milhares, às custas do prejuízo compartilhado da população. Os protestos não começaram apenas por 20 centavos, mas pelo debate sobre qual cidade queremos, por direitos e por participação política. Ou alguém acha que 3 reais é barato? Ou mesmo que 1 real é barato para quem está desempregado ou mal tem o que comer?

Se a constituição garante o direito de ir e vir, cabe ao Estado assegurar que as pessoas possam efetivamente se locomover. Mas ao invés disso impõe barreiras, dentre elas a barreira da tarifa, à população.

Temos de continuar indo às ruas para exigir não apenas a Tarifa Zero/Passe Livre, mas para que as contas sejam abertas, para que haja transparência, e para que se debata também a qualidade do transporte "público" - que não existe.

E a Tarifa Zero é sim possível, o PT defendeu no passado, mas o PT aprendeu que é melhor contentar o empresariado que financia campanhas do que o povo. Assim também pensa o PSDB. Porém o povo nas ruas deu seu recado e continuará a lutar.

E precisamos ter em mente que não podemos permitir que a direita se aproprie das manifestações, que suas agendas reacionárias "anti-corrupção" tomem a frente, da mesma forma que não podemos deixar que pelegos ligados ao PSeudoB, PT e UNE tomem a frente, como tentaram fazer na última manifestação, na Sé.

Se por um lado a presença de partidos é legítima e até mesmo necessária, PSTU, PSOL, PCB, PCO estão desde o começo na luta, ao passo que outros, oportunistas, surgiram para tentar apenas conseguir fama e um reconhecimento indevido (PT, PSeudoB, PPL...).

Fiquemos alertas também contra infiltrações, não faltam denúncias e até a certeza de que a polícia tem infiltrado P2 nas manifestações e até neonazistas tem aparecido.

Hoje, 17h, TODXS às ruas, a mobilização não pode acabar! Alckmin e Haddad não nos fizeram favor algum, pelo contrário, foram forçados a ouvir e acatar as decisões do povo e, ainda assim, deram um jeito de defender o lucro da máfia dos transportes, e é contra isso que devemos lutar, ou por isso que devemos manter a luta.

Temos ainda a Copa, Olimpíadas, #CuraGay, PEC37, Genocídio Indígena e a própria questão do transporte, que deve ser PÚBLICO.
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sexta-feira, 14 de junho de 2013

Massacre do Passe Livre: Relato do Quarto protesto contra o aumento das tarifas

Escrevo este texto logo após chegar da manifestação do Movimento Passe Livre BRUTALMENTE reprimida pela PM, pelo Choque, Tática, ROCAM e qualquer desgraça mais que a PM pudesse jogar contra nós.

Em primeiro lugar, deixo claro, Alckmin e Haddad são responsáveis pelo massacre. A responsabilidade é dos dois, em igual peso e tamanho.

Poucas vezes na vida vi repressão como esta, e estive no Pinheirinho. Fui alvo de balas no Pinheirinho, assim como fui alvo de balas hoje e nos protestos anteriores do MPL. Absolutamente NADA justifica a violência de hoje (nem de qualquer outro dia, aliás), e hoje sequer houve provocação. Nenhuma. Nenhum "vandalismo", nada.

A Polícia antes mesmo da marcha começar já tinha prendido à rodo. Quem tinha vinagre junto era preso. Jornalistas forma presos por estarem apenas indo para o protesto, ainda no Teatro Municipal.

Vou tentar narrar cronologicamente o que vi, apesar da adrenalina estar nublando um pouco as coisas, fora o ódio tremendo pela brutalidade policial e pro estes governantes assassinos que temos.

Um começo tranquilo, mais de 20 mil pessoas reunidas e os primeiros gritos contra os militantes do PT que apareceram na marcha, só depois que a direção permitiu, claro. Apareceram também militantes de outros grupos próximos ao PT que estavam totalmente ausentes dos protestos anteriores. Foram recebidos com ofensas pela maioria que estava apanhando ha pelo menos três protestos.

Seguimos até a República sob imensa provocação da PM. Logo no caminho entraram no meio da marcha para agarrar um rapaz que nada fazia e o prenderam com imensa violência. Mas seguimos. Na esquina da São Luís com a Ipiranga um ônibus elétrico precisou da ajuda de alguns manifestantes para voltar a funcionar, o cabo tinha saído do "trilho" elétrico. Um manifestante que AJUDAVA o motorista foi preso. Mas, ainda assim, seguimos.

Eu estava no fim da marcha, junto com um rapaz do MPL, Matheus, acredito, que negociava com um grupo de PMs o roteiro a seguir. O PM dizia que era pra entrarmos na Rêgo Freitas e voltar à República, algo que Matheus disse ser impossível, já que a cabeça da Marcha estava já no Mackenzie. Nesta discussão de vai ou não vai um PM no meio do grupo começou a gritar que estavam jogando pedras. Mentira pura. Estava eu e dezenas de jornalistas do lado e ninguém jogava absolutamente nada.

A provocação continuava, com PMs atiçando uns aos outros e nos provocando e querendo atacar.
Mas, novamente, seguimos. Até que de uma rua lateral surgiu um grupo do Choque, batendo nos escudos e gritando contra os manifestantes. Eles correram subindo a consolação e depois de um momento os tiros, bombas e gás começaram lá em cima. Eu estava atrás e via a fumaça subir, o fogo das armas da polícia que disparava e o pânico das pessoas correndo para a Roosevelt.

Do nada, o Choque surgiu também por trás, da República, e começou a atirar, assim como policiais que atiravam debaixo do Minhocão. Não havia outro caminho senão a Praça Roosevelt.

Mas do outro lado também tinha polícia. Estava armado um massacre.

As pessoas em desespero corriam pra praça e o Choque avançava com extrema brutalidade, atirando na imprensa do outro lado da rua, onde eu estava em dado momento, e nos jogando bombas - uma estourou quase na minha perna - sem dar mostras de que iria parar.

E não pararam.

O povo corria em desespero para a Rua Augusta, do outro lado da Praça, mas havia PM lá e os que estavam na Consolação os perseguiam com tiros, bombas e gás. Pessoas que nada tinham a ver foram atingidas e intoxicadas, e segundo relatos quem se escondia nos teatros da praça era preso, e pouco importava seque se eram manifestantes.

Na Guimarães Rosa, ainda na Roosevelt, motoristas em pânico viam os carros serem cobertos por gás, uma senhora com uma criança no carro chorava enquanto era sufocada pelo gás. Na esquina a PM jogou bombas até mesmo na radial, lotada de carros. E atirava para todos os lados.

Um professor, Daniel Keller de Almeida, foi preso por gravar a cena de um rapaz sendo agredido e preso com brutalidade pelo Choque. Outro que estava filmando também foi preso. Eu escapei pois disse ser do G1, pois o PM veio me prender. Foi a primeira prisão que escapei na noite. Um ônibus do Choque saiu LOTADO da Roosevelt.

Na Avanhandava conversei com várias pessoas revoltadas com a violência da PM, que neste momento apenas posava para fotos. E por todo o caminho que passei vi a população revoltada com a violência e apoiando a manifestação. Subindo a Augusta, atrás do Choque, uma senhora gritava de sua janela contra a PM fascista e armas foram apontadas para ela.

No caminho, uma senhora, professora, Maria Bernadete, revoltada, dava entrevista com a marca da bala de borracha em sua têmpora. Ela sequer fazia parte do protesto, mas foi, como muitos pelo caminho, alvejados pela gloriosa PM à serviço de Alckmin e Haddad.

Na Augusta o Choque subia, com direito a um desvio para aterrorizar na Oscar Freire. Ai foi minha segunda quase-prisão. Mas consegui correr de volta para a Augusta.

Subimos até próximo da Paulista, quando o Choque, ofendido pelos vários manifestantes que ficaram pra trás, e por quem simplesmente estava revoltado com a brutalidade, se virou bruscamente e vários jornalistas comigo tiveram de correr e se abrigar do lado da Kiss, onde fomos alvo de muito gás, mesmo gritando desesperados pra PM que éramos imprensa. Isso apenas os atiçou.

Resolvemos correr por uma brecha entre a PM e o prédio ao nosso lado e foi minha terceira quase prisão, mas a quantidade de jornalistas em volta (e um soco dado no pescoço dele ajudou) fez o PM largar meu braço, mas infelizmente prenderam uma professora que gritava no meio da rua, sem se intimidar pelo gás e pelas balas, que dava aula para os filhos deles. Seu nome é Regina Célia.

Já na Paulista, a porrada estancando. De todos os lados. No MASP manifestantes estavam cercados e sendo alvejados e se refugiando nas paralelas, como a alameda Santos.

De lá grupos saiam esporadicamente para atear fogo em lixo (ainda que a PM, segundo relatos, tenha tacado fogo no lixo também para culpar manifestantes) e para serem recebidos com violência.

Um jogo de gato e rato que durou várias horas. Detalhe era o sorriso no rosto da PM a cada tiro, quando acertavam alguém ou quando intimidavam a todos, incluindo imprensa.

Fui caminhando para a Cásper Líbero e estudantes do Objetivo estavam presos lá dentro e revoltados com a ação da PM, que chegou a atirar na Cásper. Pessoas eram revistadas, qualquer um carregando uma mochila, ao lado da Fnac. Por toda a Paulista pessoas aplaudiam a PM, ironicamente, e gritavam "Vergonha". Era a deixa para mais ataques e mais violência.

Em dado momento reverberava pela avenida os gritos de "Vergonha" e os aplausos, era lindo de se ver. Pessoas saíam dos prédios, engravatados, e aplaudiam. Toda a população estava contra a brutalidade policial. E eram recebidos com mais brutalidade.

A Polícia atirava a esmo, para todas as direções sem que fosse preciso qualquer provocação (palmas nunca foram provocação, sejamos honestos). Pessoas gritavam, sem ter nada a ver com o protesto. Crianças choravam, idosos passavam mal e pessoas eram atingidas e violentadas por uma ação criminosa perpetrada por milhares de BANDIDOS de farda, assassinos pagos pelo Estado.

De volta à região da Augusta/Consolação, ao lado do Center 3, dois grupos do choque, vindos dos dois lados da paulista atiravam e jogavam bomba, quase matando um senhor que corria em desespero. Ameaçaram atirar no grupo da imprensa que estava no local, ameaçaram repórter do CQC e seguiram com a barbaridade. A adrenalina era tanta que não me segurei e xinguei a PM, e acabei sendo filmado pelo CQC. Só depois reparei que tinha dado uma entrevista, mas de tanta raiva, nem reparei na hora.

E a coisa continuou, com jornalistas correndo pra todos os lados e a PM barbarizando. Só depois das 11 da noite que tudo se acalmou finalmente. Com direito ainda a pessoas encurraladas no MASP levando tiros por gritarem, a todo momento, por paz e "sem violência". A polícia parecia alimentar seu ódio do grito desesperado pelo fim da violência.

Qualquer grupo com mais de 10 pessoas era alvo de tiros, sem sequer a necessidade de perguntar quem eram.

Depois, via um jornalista da Globo e outros, soube que a PM também desceu a Angélica. Manifestantes fugiam e as bombas eram jogadas no meio de carros, de ônibus... A intenção era matar, estivesse o alvo na manifestação ou apenas tivesse tido a infelicidade de ser pego no meio dela. Vidros foram quebrados pela PM que aterrorizou Higienópolis.

Muitos vídeos foram gravados com denúncias da PM quebrando os vídeos dos próprios carros para acusar os manifestantes, dentre outros.

É importante lembrar: Não houve NENHUMA provocação por parte dos manifestantes, não houve qualquer vandalismo real ou imaginário. A PM espalhou boatos entre ela e para a mídia e começou a atirar por puro prazer e sadismo. O que vimos foi um massacre, em que PMs sorriam a cada tiro que davam e estavam felizes em ter alvos fáceis para tentar matar.

Eu estive no Pinheirinho, já participei de dezenas de manifestações em São Paulo e Recife, já fui banhado por pimenta, já atiraram em mim (nunca acertaram, felizmente) e já vi efetivos policiais absurdamente grandes, mas hoje São Paulo virou uma praça de guerra. Hoje é um dia para ser lembrado como o Massacre do Passe Livre, patrocinado por Alckmin e Haddad, dois bandidos no poder.

Comentei no Facebook e mantenho:
Acabei de voltar do protesto. Eu tô abismado. Eu raras vezes vi tamanha repressão. O que fotografei, gravei e os relatos que ouvi de colegas jornalistas são chocantes. O Choque atirava em quem aplaudia (ironicamente), atirava na imprensa, em qualquer coisa que se movesse.

Foi um massacre e a intenção de Alckmin e Haddad era clara: Matar. Não adiantou os pelegos da Juventude do PT se juntarem à marcha, foi porrada pra todo lado. Não houve NENHUMA

provocação, NENHUMA violência do nosso lado. Fomos agredidos de graça, cercados, emboscados na consolação e na Augusta.

A violência durou horas e horas, correu a Paulista, a Angélica, a Consolação, Augusta e a porra da região toda.

Alckmin e Haddad são responsáveis!
A violência foi tão grande que até a Folha e a Globo foram forçadas a destacar. Como você vai mentir quando jornalistas da empresa foram alvejados e poderiam ter sido mortos, e quando estavam eles próprios revoltados?

Amanhã vai ser maior! Hoje fomos mais de 20 mil, pois vamos juntar 50 mil!

Segunda, 17h, no Largo da Batata!
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Fotos do ato de ontem, no Flickr
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Vídeos:
Início pacífico da Marcha, gritos e palavras de ordem e muitos gritos contra os pelegos do PT que resolveram dar as caras no protesto.
No início da Marcha, a PM provocava, levou dois rapazes presos sem qualquer razão. Um cometeu o crime de estar andando no meio do povo e foi arrastado para um canto pela PM. Outro ajudava um motorista de Trólebus a tirar o ônibus do meio da rua, foi preso por isso com imensa brutalidade.
PM/Choque atacando manifestantes na PRaça Roosevelt e na Augusta com imensa violência. Num carro uma mulher com uma criança chora em desespero. Com extrema brutalidade a PM prende um rapaz e, logo depois, um advogado que filmava e uutro rapaz que filmava a brutalidade. Escapei por pouco de ser preso. Muitos tiros, bombas e violência.
PM brutalizando na rua Augusta, atirando em jornalistas, em quem protestava, prendendo uma professora por protestar... Simplesmente violência insensata e sem qualquer motivo. Jornalistas foram encurralados e alvejados.
Mais cenas de violência na Av. Paulista. População gritando por paz, pedindo para a PM parar com a violência e sendo alvo de tiros, de bombas e gás. Desespero na Paulista.

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quarta-feira, 12 de junho de 2013

O protesto contra as tarifas de 11 de junho: Hoje foi maior e amanhã será maior ainda!


Cheguei na Avenida Paulista pouco antes das 6 da tarde, praticamente no começo da marcha que reunia, naquele momento, pelo menos 10 mil pessoas. O caminho inicial seria a Consolação até o centro, e nem a chuva forte que caiu poucos minutos depois intimidou os participantes, apesar de ter atrapalhado - e muito - os fotógrafos e equipes de TV.

Milhares de pessoas gritavam "vem, vem pra chuva vem, contra o aumento" e a alegria estava estampada na cara dos presentes que sabiam ter reunido um número imenso de participantes e, acima de tudo, sabiam da justeza de suas reivindicações.

Mas logo a marcha sofreu o primeiro racha.

O caminho decidido era o de descer o túnel da Radial Leste/Minhocão. Muitas pessoas, surpresas, se recusaram a descer. Muitas com medo de serem emboscados pela polícia - que acompanhava em grande número, com viaturas da força tática, motos e até um carro de bombeiros - desistiram e acabaram realizando um mini-protesto pela Praça Roosevelt e região.

Os que foram adiante caminharam até o viaduto da 23 de maio, quando o movimento empacou para decidir o caminho a seguir. Como nota pessoal, achei péssima a escolha da rota, pois atrapalhamos o trânsito na Radial (nada contra, só constatando), mas ficamos isolados do resto da cidade e com poucas opções de caminho a seguir.

Empacados, o trânsito voltou a correr, e acabamos seguindo pela Av. Liberdade até a Sé. Na Liberdade a animação dos presentes voltou à toda e a marcha, pouco menor que no começo, ainda era muito grande.

Caminhamos em direção ao Terminal Dom Pedro, numa marcha pacífica que, porém, quase viu o primeiro confronto (ou a primeira violência policial) quando um pequeno grupo resolveu atear fogo em um ônibus parado e vazio nas proximidades do terminal. De forma surpreendente a polícia se limitou a apagar o princípio de incêndio (ainda que o ônibus tenha sido quebrado e pichado) e não investiu contra os manifestantes. Provavelmente porque a maioria dos presentes se revoltou contra a atitude do pequeno grupo e muitos ajudaram a polícia a apagar o fogo que começava a tomar corpo.

Eu não tenho, em princípio, nada contra atear fogo a um ônibus (vazio, obviamente), o problema é fazê-lo apenas como provocação à polícia que, até aquele momento, tinha apenas acompanhado. E atear fogo quando a MAIORIA claramente não apoiava o ato.

Violência em manifestações é legítima, mas como resposta, não como incitação ou, no máximo, quando a maioria dos presentes está de acordo e há razões para o uso da violência.

Não há (havia) razão para incitar a violência da PM contra milhares de pessoas que protestam pacificamente e, naquele momento, com amplo apoio popular. Penso - posso estar errado, mas é minha opinião - ser contraproducente iniciar incêndios e "vandalizar" buscando uma resposta da polícia.

O correto, penso, é utilizar a violência e a resistência apenas quando atacados, não dando espaço para manipulações midiáticas (ou reduzindo sua capacidade de distorcer) e, acima de tudo, sem alienar a população.

Uma coisa é a justa revolta pela violência sofrida, outra é incitá-la CONTRA a maioria.

De forma alguma afirmo ou mesmo acho que a reação da PM é justificável, mesmo com o vandalismo, mas é inocência ou estupidez achar que não haverá reação e quem não tem nada a ver, quem não cobre a cara, não vai acabar apanhando.

Continuamos a marcha por mais alguns metros até o terminal, quando a marcha novamente estacou. Colegas jornalistas na cabeça da marcha disseram que o movimento demorou demais para decidir se invadiria o terminal, naquele momento com poucos policiais o guardando, e quando finalmente decidiram pela ação a força tática já havia chegado, e houve reação.

Pessoas na cabeça da marcha tentaram passar pela polícia e atiraram objetos e mesmo fogos, e a resposta foi o gás. Fomos perseguidos pela PM por todo o centro, até a catedral da Sé. Em dado momento centenas de policiais fechavam diversas ruas e enchiam de gás a Sé inteira, mas curiosamente atiravam no vazio ou mesmo em repórteres desgarrados. Um colega jornalista comentou ter ouvido de repórter da Globo, este falando a um PM, que eles queria imagens de conflito para ficar bonito na TV e daí a PM atirava bombas no vazio. Pura pirotecnia.

Após alguns minutos desta demonstração inútil de força, recebemos a informação de que um imenso grupo havia escapado ao cerco e se dirigia à Paulista via Brigadeiro. Pegamos o metrô, eu, uma amiga e alguns jornalistas, e fomos até o local.

Chegamos na Brigadeiro no exato momento em que milhares de pessoas (pelo menos 3 mil, acredito) paravam uma das vias da avenida.

Reparei que faltavam as tradicionais bandeiras dos partidos: PSOL, PCO, PSTU... Vi apenas uma ou outra do PCB e, creio, da LER-QI e uma quantidade imensa de encapuzados.

Faço esse comentário por notar que o "tom" do protesto mudou um pouco sem certo controle por parte dos partidos. Apesar de um ou outro incidente pontual antes da reação da PM, agora alguns grupos se sentiram mais livres para atuar. Talvez 20-30 indivíduos frente a milhares que ainda marchavam pacificamente.

Vi de perto uma agência do Bradesco e outra do Itaú terem os vidros quebrados com pedradas por um pequeno grupo, que recebeu o repúdio do grosso da manifestação. A polícia apenas acompanhou.

Este pequeno grupo se adiantou à cabeça da marcha e começou a parar o trânsito e, infelizmente, começou a ameaçar motoristas, chegando a quebrar um carro (ao menos o vidro traseiro e as lâmpadas traseiras ) que se viu preso no meio da marcha.

Chegando no MASP, a polícia tentou fazer um cordão de isolamento para que os manifestantes fossem para o Vão e lá ficassem, encerrando a marcha. Um grupo negociou com a PM, mas os encapuzados novamente tomaram a frente, começaram a xingar e a cercar e começou a confusão. Vi um rapaz ser preso - me informaram depois que ele tentou dar uma flor a um PM - e levado para a base da PM na frente do Parque Trianon e foi aí que a confusão começou.

Manifestantes jogaram objetos na polícia que jogou bombas no vão do MASP e na Paulista. Formou-se uma linha da Força Tática que cometeu talvez o grande erro da noite, deixou o grupo original de vândalos avançar em direção à Consolação derrubando lixeiras de concreto (outro grupo menor passou a levantá-las, recusando a ação que era puro vandalismo e não a construção de barricadas) e começou a atirar nos milhares que se manifestavam pacificamente e tiveram de correr em direção ao Paraíso onde, me contam, houve mais violência depois.

A polícia, completamente descontrolada, começou a atirar no meio de carros, apavorando a população e enchendo a Paulista com gás.

Algumas pessoas tentavam dialogar com os encapuzados que praticavam puro e desnecessário vandalismo, e a resposta deles era que eram "contra o Estado" e "contra a burguesia e o capitalismo".

Acho justo, mas este NÃO era o foco da manifestação. E não afirmo isto de forma leviana, mas para mostrar que haviam grupos que não compactuavam com o foco da marcha - redução das tarifas - e resolveu protestar por contra própria, por suas próprias razões, e todos pagamos o pato no final.

Quisessem usar lixeiras como barricada, justo. Parar o avanço da polícia era legítimo. Mas apenas derrubá-la, enquanto gritavam desafios ao vento não significava nada.

Estes inclusive protagonizaram uma cena ridícula ao xingarem uma equipe da TV Brasil achando que era a Record e continuando a xingar e até ameaçar com violência a equipe apesar deles gritarem que eram TV pública e não a Record ou qualquer outra.

Depois de dispersar este grande grupo, a PM se virou para nosso lado e começou a avançar, jogando gás e dando tiros de borracha em direção aos carros que tentavam desesperadamente fugir da região e apavorando quem ainda estava nos ônibus parados. A corrida durou até a Consolação, quando o grupo se dispersou.

Cerca de 30 pessoas, depois, se reuniram na esquina da Paulista com Haddock Lobo e pararam o trânsito. Equipes da Record e da Globo foram intimidadas por encapuzados, mas nada demais aconteceu. Enquanto o pequeno grupo tentava parar o trânsito em uma esquina larga, um fiat uno preto avançou à toda e atropelou pelo menos 3 pessoas, uma delas a 2 passos de mim. Felizmente ninguém ficou ferido, só escoriações.

A equipe da Globo gravou a cena e aparentemente a mostrou no Jornal da Globo. A placa do carro é EUZ1807 e, algum tempo mais tarde, passei a informação para o comandante da PM no local, que até o momento nada sabia.

É interessante que a PM tenha toda ido perseguir manifestantes no Paraíso e tenha deixado um atropelamento acontecer do outro lado. Ao invés de realizar seu trabalho, reprimia um protesto legítimo.

Pouco após o atropelamento, coisa de 20 minutos, chegaram as motos da ROCAM e começaram a descer a porrada nos manifestantes, prendendo um rapaz, Theo, que tinha a mochila lotada de bixigas com tinta. De quebra a ROCAM desceu o cacete no rapaz. Vergonhoso.

Chegou então o "reforço" da força tática que, com mais algum gás, "controlou" a situação e a marcha começou a finalmente dispersar.

A esta altura eram quase 11 da noite. Paramos a cidade por mais de 5 horas e pese a ação burra de alguns "revolucionários" (protestando por razões próprias em uma marcha que não era deles), foi um sucesso. Imensa, animada e persistente.

É difícil descrever a exultação de ver tanta gente que, mesmo depois de apanhar, tinha seguido valentemente pela Brigadeiro até a Paulista e continuava a gritar e reivindicar.

A violência usada pela PM foi, sob qualquer ponto de vista, excessiva, desproporcional. Não havia razão para perseguir a manifestação por todo o centro da cidade, nem usar a quantidade imensa de bombas e gás - e balas de borracha. Se por um lado havia uma presença considerável de vândalos que protestavam por razões completamente diferentes das reivindicações da marcha, razões aceitáveis e que concordo em grande parte, mas não cabiam naquela marcha, a PM simplesmente atirou em todos, violentou a todos e conseguiu PIORAR a situação.

Se o problema era a Paulista ocupada, já ao fim da marcha, a PM conseguiu espalhar o grande grupo em pequenos grupos revoltados com a agressão sofrida e que continuaram a "atrapalhar" o trânsito.

Da mídia, de quem não se esperava nada, não saiu nada. Criminalização, nenhum manifestante ouvido de verdade e a mesma ladainha de merda de sempre.

Quinta, dia 13 de junho (amanhã), as 17h no Teatro Municipal há uma nova manifestação, a quarta grande manifestação contra o aumento das tarifas. Estaremos todos lá de novo. E espero que sejamos mais que os dez mil de ontem! Que o protesto cresça!

Seremos milhares e iremos persistir em nossa luta.
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Mais tarde estarão no ar todas as minhas fotos, no Flickr, onde já é possível encontrar centenas de fotos dos protestos anteriores. E irei postar vídeos em meu canal do Youtube.
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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Serra e Kassab: Golpe sobre o PT?

Kassab pode ter, junto com Serra, passado a perna no PT.

A ver se a candidatura de Serra se confirma e se Kasab será um bom filho.

Kassab se bandeou para o lado do PT e fez estrago. A mera possibilidade de aliança já rachou o partido, talvez nem a concretização seja necessária pra m* ficar completa.

E o golpe pode ter sido de mestre, pois Kassab deixou claro que apoiaria Serra não importasse o que acontecesse se este decidisse se candidatar até a síndico. E enquanto o PSDB finge-se de morto, sem nenhum candidato expressivo e com prévias armadas (ainda que com prévias, coisa que o PT passou por cima a mando do Lula, como fizeram na "escolha" de Dilma), Serra confabula e se fortalece.

O PSDB terá dado duas lições ao PT, uma de política e timing e outra de democracia. Pois é, por mais ridículo que pareça. Serra aparecendo no pário e sendo aclamado pela "militância" (aquela meia dúzia de engravatados que forjaram os mais de 20 mil filiados fantasmas do partido) é o toque final. Toque de mestre.

Pré-candidatos se curvando ao poderoso Serra, aclamado em uníssono e apoiado até pelo desafeto Alckmin, comprometido até a cabeça com sua candidatura à pedido de FHC.

Confirmando-se a candidatura de Serra, Kassab passa ao seu lado, deixando o PT fraturado e perdido, com um candidato inexpressivo (mas que Lula quis porque quis indicar, passando pro cima de tudo e todos) e com a mácula de ver seu aliado apoiando Serra e outras alianças já organizadas e aliados tradicionais do PT divididos entre Chalita, Russomano, Netinho e etc...

O PT ficaria sozinho, ou parcamente acompanhado em uma eleição que achava que podia ganhar. Ainda poderia, claro, o "efeito Lula" é poderoso, mas o baque seria forte. 

E Lula teria sofrido um golpe em seu próprio jogo.

Conjecturas? Sem dúvida. Por enquanto. É esperar o Serra e se o Kassab dançará como a música pede.
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sábado, 11 de fevereiro de 2012

Cobertura alternativa do Pinheirinho na #posTV

Programa da #PósTV "Desculpe a Nossa Falha" com o Lino bocchini, Maíra Kubik Mano, Felipe Milanez e eu sobre o Pinheirinho. Nosso relato sobre a visita que fizemos a São José dos Campos no dia do despejo violento pela PM e GCM.
Quatro jornalistas independentes foram até São José dos Campos no dia da desocupação e fizeram uma cobertura aletrnativa. Fotografaram, filmaram, entrevistaram pessoas. Aqui o bate papo com Maíra Kubic, Raphael Tsavkko e Felipe Milanez. (obs: por conta de um pau no ustream, perdemos os primeiros 10 minutos...)

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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Pinheirinho: Ata dos trabalhos do CONDEPE sobre as violações de Direitos Humanos [UPDATE]

Segue a Ata resumida dos trabalhos da audiência pública do CONDEPE sobre as violações de direitos humanos no #Pinheirinho. A ata me foi enviada por e-mail pela leitora Camila Cunha, que vem fazendo excelentes ponderações nos comentários dos posts sobre Pinheirino no Global Voices.

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Update (08/02):

No link, arquivo em PDF, relatório preliminar feito pelos movimentos sociais (Brigadas Populares, Justiça Global e Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência) com depoimentos de moradores do Pinheirinho.

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Renato Simões
3 de Fevereiro de 2012 17:52

A pedido do Senador Eduardo Matarazzo Suplicy, acelerei a divulgação da ata resumida da audiência pública do Condepe-sp Direitos Humanos em São José dos Campos, a tempo de seu pronunciamento de hoje no Senado.

Íntegra da ata segue abaixo: ATA RESUMIDA DOS TRABALHOS DA AUDIÊNCIA PÚBLICA DO CONDEPE VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS DAS FAMÍLIAS DA OCUPAÇÃO DO PINHEIRINHO SÃO JOSÉ DOS CAMPOS, 30 DE JANEIRO DE 2012

Às 20 horas do dia 30 de janeiro de 2012, com o Plenário da Câmara Municipal de São José dos Campos tomado por militantes de movimentos sociais e de direitos humanos, bem como moradores da ocupação do Pinheirinho, desalojados de suas casas, teve início a audiência pública do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana de São Paulo (CONDEPE) convocada especificamente com o tema das violações de direitos humanos perpetradas contra a população daquela região antes, durante e depois da reintegração de posse da área ocupada, promovida com força policial militar, no dia 22 de janeiro de 2012.

A audiência pública foi aberta pelo Presidente do CONDEPE, Ivan Seixas, que apresentou seus objetivos e os do mutirão realizado ao longo de todo o dia por mais de 90 voluntários de entidades de direitos humanos dos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro junto às famílias ocupantes do Pinheirinho que estão confinadas em quatro abrigos mantidos pela Prefeitura Municipal de São José dos Campos após a reintegração de posse. O Presidente passou a condução dos trabalhos ao Conselheiro Renato Simões, designado relator do processo aberto pelo CONDEPE para apuração das denúncias de violação dos direitos humanos das famílias ocupantes do Pinheirinho.

A Mesa foi composta com a presença dos Conselheiros do CONDEPE Vicente Roig, Cheila Olala e Rildo Marques e de seu Secretário Executivo, Aristeu Bertelli. Compuseram ainda a Mesa: o representante do Ministério Público Estadual de São Paulo, promotor de justiça Eduardo Dias; o representante da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, defensor Jairo Salvador; o representante do Ministério Público Federal, procurador da República Ângelo Augusto Costa; o representante da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República, Bruno Teixeira; o Secretário Nacional de Articulação Social da Secretaria Geral da Presidência da República, Paulo Maldos; a representante do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, procuradora Ivana Farina Navarrete; a representante do Conselho Nacional dos Direitos do Idoso, Adriana Zorbi; o represente das famílias da ocupação do Pinheirinho,Valdir Martins (Marrom) e o advogado das famílias, Antonio Ferreira (Toninho). Parlamentares presentes compuseram também a mesa: Senador Eduardo Suplicy, Deputado Federal Carlinhos Almeida, Deputados Estaduais Pe. Afonso Lobato, Carlos Gianazzi, Ênio Tatto, Marco Aurélio e Simão Pedro, Vereadoras Amélia Naomi e Ângela Guadagnin, de São José dos Campos, Vereadores Itamar Alves, Laudelino Amorim e Marino Faria, de Jacareí, e Cristiano Pinto Ferreira, Jairo Santos, Tonhão Dutra e Wagner Balieiro. Coube ao relator do processo, Conselheiro Renato Simões, apresentar a ordem dos trabalhos da Audiência Pública:

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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Massacre do Pinheirinho: É preciso espalhar pelo mundo!

Acredito que estes sejam os melhores (se é que podemos chamar a filmagem de atos de cruel selvageria de 'melhores") vídeos sobre o Massacre do Pinheirinho e que devem ser vistos e divulgados pelo mundo para que não passe em branco. Tentemos identificar os policiais, seus nomes, o que fizeram e vamos denunciar.

Hoje deve sair uma posição das Nações Unidas sobre o caso e é preciso denunciar o governo de são Paulo e a Prefeitura de são José dos Campos em todos os órgãos internacionais possíveis, assim como o governo brasileiro por sua omissão clara, cujo ministro da justiça se frtou em sua obrigação de fazer a AGU se mover, a ministra de direitos humanos não deu as caras no local e a presidente fez um mea culpa grotesco em reunião fechada... em Porto Alegre.

Isto depois de estar em São Paulo no dia 25, aniversário da cidade, recebendo prêmio de Kassab, ao lado de Alckmin, FHC, do juiz e de outras "autoridades" e não fazer nenhum comentário enquanto abraçava e elogiava Kassab... Enquanto apanhávamos da PM na Sé, com presença maciça do movimento social e notável ausência da militância governista.

Aproveito e trago o link da minha postagem sobre visita ao Pinheirinho, com vídeos efotos da violência policial. E também o post do Global Voices, já com versão em inglês, para ser espalhado.




Está circulando uma petição pelo impeachment do Alckmin, recomendo que assinem! E repassem incansavelmente os vídeos e posts sobre o Pinheirinho para todos que você conhece, no Brasil ou fora! Precisamos criar um constrangimento internacional!
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Protesto na Sé: Kassab, Alckmin Dilma e a política do"Pau e Circo"

Kassab e Dilma ao lado de Alckmin e um grupo cheio de gente boa! Que lindo o sorriso da presidente enquanto o povo levava porrada lá fora!
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Update:
Difícil não se emocionar com a demonstração de carinho e afeto presentes nesta foto....
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São Paulo vem se tornando a capital da repressão. Ou melhor, vem apenas se reafirmando inconteste como capital da repressão e da violência contra o povo. Não bastasse a operação na Cracolândia, criminosa e higienista e a violenta repressão no Pinheirinho, Kassab e Alckmin (que cancelou sua participação na missa na Sé, talvez prevendo que iria ocorrer um protesto) resolveram chutar o pau da barraca e brutalizar por qualquer coisa, a qualquer momento.

Cerca de mil manifestantes se reuníram ontem em torno da Catedral da Sé, onde o prefeito assistia à missa em comemoração do aniversário da cidade - o governador fugiu - e protestaram durante a atabalhoada saída de Kassab, pelos fundos, como um rato acuado, jogando ovos contra ele e sua comitiva de bandidos autoridades.

Antes da saída do prefeito, porém, a PM empurrava e intimidava os presentes, que se aglomeravam em volta dos carros estacionados na saída da catedral que aguardavam os bandidos as autoridades.

PM's prontos para a briga empurravam e usavam os cacetetes para machucar quem tentava se aproximar, mesmo que para gravar uma imagem ou tirar uma foto e o empurra-empurra era grande.
Higienista se esconde dos ovos jogados pelo povo. Pena que não eram pedras tiradas das paredes demolidas das casas da Cracolândia.

Quando Kassab saiu da igreja os ovos começaram a voar, assim como garrafas d'água, que logo se transformaram em pedaços de pau, bandeiras e até uma lixeira quando a PM respondeu com cacetadas, spray de pimenta e, quando os manifestantes começavam a se afastar e a situação aprecia estar sob controle, com bombas de efeito moral que acabaram ferindo várias pessoas.

Um rapaz saiu com o rosto ensanguentado, rasgado pelos estilhaços, um amigo que estava comigo teve o braço ferido e eu acabei com uma ferida (leve) causada por estilhaços na perna e uma pancada forte na base da coluna causada por um pedaço de alguma bomba desgovernada que causou um pequeno inchaço, mas acho que conseguirei manter o movimento das pernas (sim, foi brincadeira, mas doeu por horas).
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Aliás, alguns de meus tuítes foram reproduzidos pelo Terra.
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Resultado da ação da polícia de Alckmin e Kassab. Dilma, ao saber do que acontecia, deve ter dito "Ah tá".

Depois dessa demonstração insensata de violência, em que a PM demonstrava estar gostando do exercício de crueldade, Kassab conseguiu escapar para se reunir com sua futura aliada, Dilma, e Alckmin na prefeitura.

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Massacre do Pinheirinho - Fotos e vídeos de uma tragédia

Comissão de boas vindas
Quem me conhece sabe que é difícil para mim não ter palavras para começar u texto. Não saber por onde começar. A invasão criminosa e absurda - e ilegal segundo a OAB e diversos juristas -, chamada de "desapropriação", uma tucanagem clara do termo "massacre" me deixou sem palavras. A barbárie que presenciei e quase fui vítima me deixou sem palavras.

Admito que enquanto escrevia este post e enquanto via os vídeos que foram gravados chorei. Chorei sozinho, olhando para o computador e pensando que eu tinha uma casa, oras, eu tinha um computador para escrever estas linhas! E aquelas pessoas, tratadas pior do que cachorros, tratadas como lixo não tinham onde morar, não sabiam o que seria delas no dia seguinte.

Chorei ao pensar que podia ter morrido, com a bala de borracha que um PM atirou na minha direção e que me raspou a cabeça. chorei pela dor dos que ficaram lá no Pinheirinho, para resistir, para lamentar e para chorar a destruição de suas vidas por um governo fascista estadual e municipal do PSDB de Alckmin e Cury, com silêncio e conivência do federal, do PT.
Rua principal onde ocorreram os "confrontos"

Não foram poucos os moradores que, chorando, em desespero, se perguntavam (e me perguntavam) onde estava Dilma, onde tava a Secretaria de Direitos Humanos. É curioso, mas a esperança que o PT fez crescer nessas pessoas foi despedaçada ontem, quando afirmavam que Lula não deixaria aquilo acontecer e que Dilma os havia abandonado. Não sei se Lula, Dilma ou o PT os abandonaram, o que sei é que o PSDB os massacrou e que eles precisam de solidariedade, ajuda, compaixão e uma nova vida.

Algo que não me importa também, no momento, é saber se a ação foi legal, ilegal, se tem conflito na justiça ou o diabo e sim que aquelas pessoas viveram e vivem um inferno em que seus direitos foram violados para que um marajá ganhasse de volta um terreno que o povo havia conquistado.

A mídia, sempre subserviente aos interesses dos poderosos, tratava os moradores pobres como bandidos. Suas casas serviam para fumar crack, para o tráfico. Eram todos bandidos, com crianças como armas, com seu desespero como arma. Pedras e raiva contra homens armados com balas, bombas e pistolas, além de cassetetes e muita vontade de bater e matar.
Reconstrução (ou tentativa) da grade do campo de concentração montado pela GCM. Em primeiro plano, carrinho com os pertences de um morador

Saí com a @mairakubik, com o @felipedjeguaka, com a @mariana_parra e com a Paty (que tenho que achar a arrouba ou o nome completo) de São Paulo e fomos até São José dos Campos ver com nossos próprios olhos o que marginais uniformizados podem fazer sob o comando de um criminoso da Opus Dei.

Chegamos na cidade por volta das 15:30 e o clima era mais que tenso, era de guerra. Na avenida que liga o Pinheirio e o Campo dos Alemães - bairro vizinho e que protestou o tempo todo contra a ação brutal da PM e da GCM local (esta, aliás, muito mais violenta e despreparada) - carros queimados nos recebiam. Ao menos 3 carros pelo caminho, além da van da TV Vanguarda, afiliada da Rede Globo, cujos repórteres não saíram um minuto sequer detrás do cordão do Choque, com medo de serem linchados.

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Cracolândia, uma experiência única em meio a inúmeros contrastes

"E que eu por ti, se torturado for, possa feliz, indiferente à dor, morrer sorrindo a murmurar teu nome LIBERDADE". Carlos Marighella
Dor, sofrimento, um ambiente caótico e completamente fora da realidade - ou de uma suposta realidade - junto com meu próprio sentimento de irrealidade, de surpresa, de desalento.

É o que posso resumir do Churrascão da Gente diferenciada que aconteceu na Luz, na famigerada Cracolândia, onde pude ver - porem sem ainda acreditar - onde centenas de pessoas vivem como animais, como se não fossem gente.

De um lado da rua prédios e moradias normais, um salão de beleza, bares... Como se estivéssemos em qualquer bairro de classe trabalhadora de são Paulo ou  de outras grandes cidades. Do outro, um edifício semi-demolido, com janelas emparedadas, totalmente pixado e, claramente assustador.

A "city cracko", como diz uma pixação logo em sua entrada. Uma casa de dor e sofrimento que não precisava da PM para ampliar sentimentos e sensações tão comuns àquele local.

A visão tão estranha de uma aparente normalidade de um lado da rua para a completa degradação humana loco na frente me chocou. Admito que, na hora, pouco pensei sobre, mas ao contrário do normal, não consegui gravar muito ou tirar muitas fotos. fiquei apenas ali, encontrando com amigos e conhecidos e num estado meio de torpor, salpicado pelo medo de uma ação violenta da PM, que rondava com cara de poucos amigos e que, à medida que o tempo passava, aumentava seu efetivo e às vezes até faia um showzinho com viaturas em alta velocidade circulando pelas ruas que iam esvaziando.

Os que ficavam diziam que temiam uma "resposta" violenta da PM frente à nossa manifestação, como se quem já não tinha nada e vive em meio às drogas e a miséria merecessem ser castigados por mais alguma coisa.

É difícil pensar em humanidade ou mesmo em sociedade quando nos deparamos com a Cracolândia, com que vive lá, com que sofre lá. O ódio contra "autoridades" que tratam aquelas pessoas pior do que tratam animais peçonhentos apenas cresce, transborda. O fascismo de um governo (municipal, estadual e federal) que se recusa a tratar com humanidade pessoas que não perderam a sua, que amam, que sofrem e, contra tudo que foi dito, raciocinam e tem plena capacidade de argumentar e acima de tudo, de entender e lamentar sua situação, me deixa sem palavras.

Ou melhor, me deixa com mais ódio ao ponto dep recisar moderar as palavras que me surgem e tentam transbordar. Acredito que deveria ser obrigação de todos e todas que sobem no pedestal para dizer que quem está na Cracolândia deve ser FORÇADO a se "tratar" ou que deve ser tratado como animal, fazer uma visitinha ao local e conversar com quem vive lá. É uma verdadeira mudança de vida, na forma como se enxerga o outro.

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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Audiência Pública sobre a situação na Cracolândia

No dia 11 de janero estive na Câmara Municipal de São Paulo para acompanhar uma audiência pública sobre o que vem ocorrendo na chamada Cracolândia, na região da Luz. Muito blablabla, muitap resença de "autoridades", muito pouco espaço para os movimentos sociais se expressarem, acusações, disputas e quase nada de soluções, mas apenas promessas de boa vontade da parte dos vereadores e deputados estaduais presentes.

No início, o auditório Júlio Prestes estava lotado, inclusive com a presença da mídia - que provavelmente não citou sequer o evento em seus jornais -, mas dada a lenga-lenga típica de políticos (Jamil Murad conseguiu dar uma aula de como ser um anfitrião tedioso, sempre disposto a comentar por mais tempo que os discursos oficiais), aos poucos o local foi esvaziando e, como de costume, os movimentos sociais falaram quase que só para eles.

O assunto é de máxima importância e, no entanto, pouco ou nada ficou resolvido, mas ao menos pudemos ter acesso a algumas informações importantes, como as do presidente do Sindicato dos Guardas Municipais (GCM), Clóvis (vídeo 10), que denunciou o comando da GCM pela incitação clara à violência e anunciou a existência de uma "Ordem de Serviço 01" que obrigava todo GCM a retirar dos espaços públicos todo e qualquer sem-teto, não importando como. Ou seja, basicamente dando carta branca, ou melhor, obrigando ao uso da violência.

O Padre Júlio Lancelotti descreveu um cenário de pânico e terror onde ele mesmo foi abordado por policiais nada amistosos que se fazem isso com uma figura pública e um padre conhecido na região, imaginem com os "nóias", que não são sequer gente para a PM e para boa parte da população paulista (em especial elementos da elite racista e da classe mérdia).

Anderson, do Movimento Nacional de População de Rua traçou um panorama assustador da situação dos moradores de rua e da cracolândia, cobrando uma ação efetiva e não-policial, mas com saúde, educação, lazer e, enfim, respeito e dignidade.

O Desembargador Antônio Carlos Malheiro e o Presidente da AJD, Luis Fernando Vidal, fizeram seus discursos tendo em mente a necessidade de ação da justiça. Cumpriram seus papéis sem grandes necessidades de comentários.

Carlos Weiss, da Defensoria Pública de São Paulo "resumiu longamente" o trabalho feito pela defensoria na região ao passo que o Deputado Estadual Major Olímpio, para surpresa de muitos - e minha em especial - fez um excelente discurso criticando a ação da polícia no local e exigindo respeito e dignidade para a população em situação de rua. Saiu bastante aplaudido.
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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Movimento Estudantil Ocupa, a PM Ameaça e Agride

É quase sempre na base da ação e reação: Os estudantes se mobilizam e a PM desce o cacete.

Comandados por Alckmin e Kassab, dão uma 'lição" aos estudantes universitários. Gente despreparada, violenta, criminosa com armas na mão e pseudo-autoridade que lhes foi dada por uma elite corrupta com a única intenção de "controlar" as classes mais baixas ou aqueles que desviem do padrão normativo desta elite, ou seja, qualquer um que seja preto, pobre, favelado ou mesmo branco, ams que resolva contestar a ordem vigente.


Será que impressiona que o ÚNICO negro no local tenha sido o alvo do ataque do PM, que saca a arma brevemente para ameaçá-lo?

Nada em comum com a paixão que a PM tem por agredir e matar negros? Será apenas uma coincidência que o PM, cercado de estudantes brancos, caminhe agressivamente em direção ao único negro no local, possivelmente duvidando que um negro - "estes inferiores"! - seja estudante da USP e não apenas mais um "provocador" no lugar errado?

Não se pode deduzir mais nada. Em meio a alunos brancos, possivelmente de classe média, o PM teve a necessidade de colocar pra fora todo o seu ódio insensato contra a humanidade. Mirou o negro, perguntou "delicadamente" se era aluno da USP - local onde negros não deveriam frequentar, segundo pensamento da figura fardada - mandou mostrar a carteiria e, diante da justa recusa, sacou sua arma para mostrar quem mandava ali.

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domingo, 29 de maio de 2011

A Marcha da Liberdade e a diversidade nas ruas

Mais que uma manifestação, uma festa. Uma festa, porém absolutamente politizada. Ao menos 32 organizações convocaram a Marcha da Liberdade, chamado atendido por mais de 5 mil pessoas (o pessoal do movimento Fora do Eixo aponta até 10 mil presentes, não duvidaria) que foram até uma Av. Paulista gelada cantar, dançar e protestar, exigindo liberdade e o fim da censura imposta por um governo ditatorial tucano, que aparelha a justiça e impede a livre manifestação.

Mulheres, crianças, bebês, jovens, velhos, ex-guerrilheiros e até mesmo maconheiros (sim, foi uma piada) lotaram o vão do MASP ao som de muito maracatu (música pernambucana, o que deve ter feito a elite racista local se torcer de raiva) e caminharam por horas até a Praça da República, atraindo mais pessoas ao longo do caminho e recebendo o apoio de muitos que observavam dos prédios.

A polícia, depois do horror encenado pelo Choque na Marcha da Maconha, se comportou bem, apesar de um ou outro soldado, já no fim da marcha, comentar que estava "doido pra dar porrada nos maconheiros", como ouvi de um pequeno grupo que, talvez, estivesse ameaçando se rebelar do comando do Major que controlava a tropa.

Na altura do Cemitério da consolação, os manifestantes fizeram um momento de silêncio em homenagem aos ativistas da agricultura familiar e do extrativismo responsável assassinados por ruralistas no norte do país na última semana.
Foi o Aldo Rebelo?

A marcha em si foi extremamente tranquila, tanto que já no fim da Consolação os manifestantes se sentiram seguros para gritar em favor da legalização da maconha e anunciar que muitos ali eram maconheiros.

Nenhuma reação da PM, felizmente.

Chegando já na Praça Roosevelt um pequeno momento de tensão, enquanto dois punks (me disse um PM) ou skinheads (me disse outro PM), eram presos por terem tentado invadir um carro da Globo e tentado destruir os equipamentos lá dentro, além de terem chutado e esmurrado o carro.

Surpreendentemente, a reação da PM foi a de não espancar nem os dois e nem os demais manifestantes. Um dos dois se recusava a ser preso e, dada a presença da mídia, não apanhou até ser convencido a entrar no carro e ser levado para a delegacia.

Claro que não é possível se iludir e achar que o comportamento da PM se deve (ou se deveu) a qualquer tipo de decência ou boa vontade e sim de possíveis ordens vindas de cima. Depois da violência absurda na Marcha da Maconha, em que até os veículos mais reacionários - como a Folha de São Paulo - foram forçados a mostrar a realidade depois de jornalistas terem também sido atacados, o governador talvez tenha sentido que outro episódio violento poderia prejudicar sua imagem.

Após este momento de tensão o carro da Globo foi escoltado por diversas motos da PM enquanto os manifestantes gritavam exigindo que a equipe fosse embora. Após isto a marcha seguiu sem maiores problemas até sua dispersão, pouco depois das 19h.
Falha de São Paulo: Frente

Falha de São Paulo: Verso

Ao longo de toda a marcha, muitos pedidos de liberdade de expressão, o que seria de se esperar, mas também um uníssono repúdio à aprovação do Código Florestal e ao cancelamento da distribuição do Kit Anti-Homofobia, além de vários momentos em que os presentes exigiam o fim do uso indiscriminado das chamadas armas não-letais, que podem sim matar e que são usadas como instrumentos de tortura por parte das forças policiais.

Apesar do sucesso da Marcha, é difícil ter uma noção de seus resultados práticos. Vivemos em um estado que nem de longe é de direito. Em nível federal temos um governo que não vê problemas em vender suas bandeiras, rifar movimentos e fazer acordos com Marginais da Fé e outros tipos de criminosos e, em São Paulo, temos um verdadeiro estado fascista, com uma justiça à mando dos poderosos e um prefeito sempre pronto a mandar espancar qualquer trabalhador, estudante ou pessoa em situação precária, vítima de suas políticas.

A mobilização juntou pessoas de todos os tipos e militância, mesmo algumas que pareciam "perdidas", talvez em sua primeira grande manifestação, e ao menos demonstramos alguma força e conseguimos sensibilizar uma boa quantidade de pessoas. É continuar a mobilização e tentar colher frutos.

Mais fotos no Flickr.

Vídeos da Marcha:


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Mais posts sobre a Marcha, com fotos:

Blog do Sakamoto - A Marcha da Liberdade ocorreu e não doeu a ninguém
Maria da Penha Neles - Fotos da Marcha da Liberdade 
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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Mais Notas de repúdio e solidariedade depois do protesto dos estudantes

Nota do MPL:
NOTA DO MPL DE ESCLARECIMENTO
SOBRE O DIA 17 DE FEVEREIRO

O dia que seria de negociações acabou em pancadaria.

No dia 17 de Fevereiro pela manhã, militantes que lutam contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo compareceram a reunião agendada com o Poder Executivo para discutir a revogação da tarifa, no Museu dos Transportes. A reunião, agendada após muita pressão na audiência pública conquistada pelo Movimento no dia 12 de Fevereiro, havia sido garantida publicamente pelo Presidente da Câmara dos Vereadores, José Police Neto.

Entretanto, no horário previsto, o Movimento e os vereadores estavam presentes, mas a Secretaria de Transportes e o Poder Executivo como um todo não compareceram, e sequer se deram ao trabalho de mandar um representante. Diante deste não comparecimento, e de seguidos mal-entendidos sobre a Secretaria de Transportes ter ou não avisado do não comparecimento a reunião, nos dirigimos até a Secretaria de Transportes, juntamente aos vereadores Antonio Donato, Juliana Cardoso e José Américo e exigimos que o Secretario de Transportes em exercício, Pedro Luiz de Brito Machado, nos recebesse. Ele alegou que não sabia que a reunião havia sido agendada, e que não havia disposição do Poder Executivo em negociar a revogação do aumento da tarifa, e que só quem teria competência para definir isso seria o Prefeito Gilberto Kassab.
Frente essa recusa de uma negociação que já havia sido conquistada pelo movimento (o próprio Police Neto se referiu a ela em seu site, “Ao final do encontro [a audiência pública], Police Neto prometeu aos manifestantes estabelecer uma agenda de negociação com a Prefeitura”.), e do mal-sucedido encontro com o Secretario Adjunto, que sequer foi definido como negociação, 6 pessoas se acorrentaram nas catracas do saguão de entrada da Prefeitura de São Paulo, e avisaram que só sairiam de lá com a negociação agendada com o Prefeito Gilberto Kassab.
A prefeitura de São Paulo teve sua entrada imediatamente fechada, e inclusive a vereadora Juliana Cardoso foi inicialmente barrada pelos Policiais. Depois de uma certa pressão, os vereadores lá presentes conseguiram entrar, mas a mídia e o movimento foram duramente impedidos. Os vereadores e os acorrentados continuaram pressionando para um dialogo, que em um primeiro momento foi recusado, e em um segundo momento foi admitido apenas com os Vereadores. Após mais pressão, o Secretario de Relações Institucionais da Prefeitura de São Paulo, Antonio Carlos Malufe, foi até a entrada lateral da Prefeitura, e novamente em um pequeno encontro, e não em uma reunião, recebeu três pessoas do movimento. Novamente alegou que sequer sabia da reunião que havia sido marcada publicamente pelo seu líder de governo, o Presidente da Câmara dos Vereadores José Police Neto, e pediu que começássemos do zero, tratando as pessoas acorrentadas como um caso isolado, e não expressão de um movimento que há mais de um mês cresce nas ruas, e já teve importantes conquistas. Recusamos-nos a isso, e ele concordou em ceder uma reunião do Movimento com o Poder Executivo, e nos deu uma hora para que aguardássemos a resposta de data e local para a reunião. Aguardamos mais de duas horas, e os vereadores nos avisaram que a eles foi passado que o diálogo havia sido cortado.
No ato, já previamente agendado para pressionar pela revogação do aumento,  comunicamos a todos a postura do Poder Executivo durante um dia que seria de negociações, e a indignação foi grande. As pessoas foram impedidas de se aproximar da prefeitura, e gritaram palavras de ordem exigindo negociação. A resposta foi dada a todos nas ruas, com a brutal ação da Policia, que nos pareceu um recado de como seria o diálogo dali em diante. O Comando da Policia Militar alega que a repressão começou devido a ação violenta dos manifestantes, que só agiu para restaurar a ordem, e que pessoas que levam rojões a uma manifestação não podem estar atuando de maneira pacífica. Vale lembrar, que depois do ato do dia 13 de Janeiro, que também foi gratuitamente reprimido, mais cinco atos foram realizados, todos eles mantendo o diálogo com a polícia, e todos eles com rojões presentes ao longo da manifestação, que nunca foram utilizados de maneira ofensiva, e sim para chamar a atenção da população para o que estava ocorrendo. Quem iniciou a violência, inclusive com vereadores identificados, como mostram as imagens já divulgadas, foi a Policia Militar. Diante de sua violenta ação, fica difícil conter a revolta de centenas de manifestantes unidos debaixo de chuva, tendo uma negociação recusada, e expostos a uma guerra desequilibrada, com policiais utilizando gratuitamente spray de pimenta, bombas de gás lacrimogênio, de “efeito moral”, e balas de borracha. Não seria desproporcional uma ação deste porte para a população que pacificamente se manifesta contra a ação arbitrária do aumento da tarifa de ônibus, e da recusa de dialogo pelo Poder Público?
O Movimento Passe Livre lamenta que o diálogo nos tenha sido negado por duas vezes, e que a resposta tenha vindo com a ação brutal da policia. Lamentamos também que a Prefeitura divulgue para a mídia em nota que está aberta ao diálogo, uma vez que se recusou por duas vezes em um mesmo dia aeste. Avisamos que continuamos dispostos a realizar a reunião de negociação que foi conquistada, mesmo com o desrespeito do não comparecimento. Avisamos também, que se é só com pressão que as conquistas se fazem, esta continuará nas ruas, e será cada dia maior, uma vez que cresce a indignação popular com a forma pela qual estamos sendo tratados. Já temos uma próxima manifestação marcada para o dia 24 de Fevereiro, com concentração as 17hrs, em frente ao Teatro Municipal. A mobilização seguirá até a revogação deste aumento.

Movimento Passe Livre, São Paulo, 18 de Fevereiro.
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MPL - São Paulo
Por um transporte público, gratuito e de qualidade para o conjunto da população; fora da iniciativa privada!!

Nota do Grupo Tortura Nunca Mais:
O Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo repudia a violência da polícia de São Paulo no ato contra o aumento arbitrátio das passagens, que penaliza a população, e se solidariza inteiramente com o assistente social Vinícius e os vereadores agredidos em frente à prefeitura. Exigimos a identificação e punição imediata de todos os que não hesitaram em agredir quem defendia, pacífica e democraticamente, os usuários do transporte público e a economia popular.
Grupo Tortura Nunca Mais
Rose Nogueira presidente
Nota do Tribunal Popular
O Tribunal Popular, repúdia a violência do estado na Manifestação contra o aumento da passagem!

O Tribunal Popular, vem denunciando a violência do estado brasileiro e o agravamento da violência estatal como parte de um processo de uma política higienista que se coloca a serviço dos interesses do capital e contra a maioria da população brasileira. Nesse ultimo período em decorrência dos megaeventos que ocorrerão no país, vem acontecendo um processo de reconfiguração das cidades que atinge perversamente a população empobrecida, que se expressa nas desocupações arbitrárias , na expulsão de trabalhadores informais do centro, na violência contra a população moradora de rua, na perseguição aos artistas de rua e a comunidade LGBTT e no aumento das tarifas de transportes, que impossibilita o deslocamento da população, valorizando cada vez mais os interesses dos empresários. Ontem (17/02) a prefeitura de São Paulo demonstrou mais uma vez a sua face fascista, frente a uma manifestação ocorrida em frente a sua sede, quando de forma violenta através do aparato policial , reprimiu violentamente o 6º ato contra o aumento, uma manifestação dos diversos movimentos sociais, estudantes e partidos de esquerda e covardemente espancou barbaramente um dos manifestantes (Vinicius), que provocou diversos hematomas e seqüelas a sua saúde. O Tribunal Popular empenha toda a sua solidariedade ao companheiro Vinicius e repudia veementemente a ação da Policia Militar e da Guarda Civil Metropolitana, que atuaram de forma truculenta, estúpida e a serviço da ordem burguesa.
Chega da violência do estado!
Fim da política fascista higienista!
Pelo fim da política de remoções de habitações em área de ocupação!
Pela não criminalização dos lutadores sociais e população empobrecida!
Contra a criminalização das comunidades tradicionais e povos originários!
Por uma política de transporte gratuita para a classe trabalhadora!
Pela unificação das lutas populares!
Contra toda forma de opressão!

Tribunal Popular: o estado brasileiro no banco dos réus
Nota da União de Mulheres de São Paulo:
Nós feministas da União de Mulheres de São Paulo manifestamos nossa solidariedade ao Vinicius, o assistente social que foi espancado pelos policiais, os vereadores Donato e Zé Américo e a todas pessoas que protestavam contra o aumento abusivo dos transportes coletivos.
Preocupa-nos ver a atitude  violenta da Policia que serve aos governantes Kassab e Alkmin. Manifestações de rua, protestos contra atos abusivos são necessários para a construção da democracia.   
Nota do Fórum Paulista LGBT:
NOTA PÚBLICA DO FÓRUM PAULISTA LGBT
À MARCHA CONTRA A HOMOFOBIA

EM REPÚDIO ÀS AGRESSÕES A MANIFESTANTES PELA POLÍCIA EM SÃO PAULO

O Fórum Paulista LGBT vem a público, nesta Marcha contra a Homofobia que se realiza hoje, convocada em protesto contra os ataques homóficos ocorridos nos últimos tempos na cidade de São Paulo, manifestar antes de tudo nossa total adesão e compromisso com a mobilização para este importante ato, uma vez que entendemos que é somente expressando nossas demandas e fazendo pressão sobre as autoridades e os poderes constituídos que chegaremos ao pleno respeito à diversidade de orientação sexual e identidade de gênero. Por isso, nesta jornada de luta, queremos também manifestar nosso repúdio frente à truculência da Polícia de São Paulo em relação a militantes que foram às ruas para se opor ao abusivo aumento da tarifa de ônibus.

Em 17 de fevereiro, várias pessoas foram agredidas com gás lacrimogêneo, balas de borracha e cassetes pela PM em frente à Prefeitura de São Paulo.  Entre elas, um jovem assistente social foi brutalmente espancado por vários policiais, com chutes e golpes de cassetetes, mesmo quando já estava imobilizado no chão, ação que foi documentada por fotos e vídeo. Encontra-se hospitalizado e deverá, inclusive, passar por cirurgia. Repudiamos esta e qualquer outra forma de violência e exigimos que os fatos sejam rigorosamente apurados e os responsáveis, punidos. Somos totalmente solidários a este militante e ao Conselho Regional de Serviço Social de São Paulo, que está à frente do caso.

É um direito legítimo da população paulistana expressar sua discordância frente à elevação abusiva do preço da passagem ao valor de R$ 3,00, bastante superior até mesmo ao custo de um litro de gasolina, numa clara sinalização de não priorizar o transporte coletivo em detrimento dos automóveis como que se locomovem um número bem menor de indivíduos. Chega a ser criminoso o fato de a Prefeitura de São Paulo, com tal tarifa, privilegiar os ricos e a classe média, sacrificando em contrapartida os mais pobres.

Talvez alguns – que participam desta Marcha – se perguntem o que aquele protesto tem a ver com nós, LGBTs. A verdade é que, se nos calarmos diante das injustiças (tanto o aumento do ônibus quanto a repressão aos protestos legítimos), estaremos sendo coniventes com elas. Elas implicam no cerceamento de nosso direito de ir e vir, pois a passagem mais cara nos obriga a reduzir o número de viagens para ir ao trabalho, para estudar ou simplesmente circular pela cidade. De que adianta termos uma cidade sem homofobia se não podemos usufruir as possibilidades que ela nos oferece, se somos obrigados a ficar em casa por falta de dinheiro?

Devemos nos opor contra tudo aquilo que limita a nossa liberdade, afinal a luta contra a opressão vai muito além do direito – que hoje aqui reivindicamos – de andar de mãos dadas, beijar ou manifestar afeto por alguém do mesmo sexo. Liberdade de caminhar pelas ruas e usar o transporte coletivo do jeito que somos, com nossos corpos, sem ter de esconder nada de ninguém, pois temos orgulho de sermos lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.


FÓRUM PAULISTA LGBT

São Paulo, 19 de fevereiro de 2011
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