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domingo, 13 de julho de 2014

Ditadura? Prisões preventivas ilegais podem virar tática padrão pós-Copa

O professor Wagner Iglesias fez um questionamento interessante e ao mesmo tempo assustador sobre as prisões políticas contra manifestantes no Rio no Facebook:
Quero crer (mas não tenho nenhuma certeza disso) que estas prisões sem base legal estão ocorrendo para não "atrapalhar" (desculpe o termo, não encontrei outro menos ruim) a Copa do Mundo, e que depois vão refluir. Mas não tenho certeza. O que te parece?
Ao que respondi:
A intenção do governo no momento é de evitar protestos, mas levando em conta que não é a primeira vez que usam este artifício que basicamente suspende a constituição para certos indivíduos, meu medo é que se torne algo comum. Se funcionar, ou seja, acabar diminuindo a potência dos protestos (mesmo que a prisões nem sejam o fator mais relevante pra isso), temo que vire lugar comum. Não custa nada ao Estado.
Acredito que a ideia mereça ser ampliada.

Não é a primeira vez que o governo do Rio, com a anuência do governo federal, age contra manifestantes com prisões preventivas absolutamente ilegais. E temo que não será a última.

Até o momento as prisões estão sendo feitas para "garantir" a Copa do Mundo, para evitar protestos, mas uma vez que estas medidas são vistas como eficazes (ainda que seja impossível medir, dado que o movimento #NãoVaiTerCopa, dentre outros, são horizontais), podem vir a se repetir indefinidamente sempre que um governo - qualquer governo - se sentir ameaçado ou vir seus interesses ameaçados.

A polícia e o Estado aprenderam com os protestos de junho. Ao invés de ouvir as ruas, preferiram reprimi-la, e conseguiram em grande medida fazê-lo. Em Minas cercaram manifestantes impedindo sua locomoção, em outros estados simplesmente continuaram a abusar da violência cada vez mais desproporcional. Mas viram que criminalizar, forjar provas e prender sem qualquer evidência poderia ser ainda mais eficaz.

Sim, há um enorme perigo desta "tática" virar moda. Caso os protestos continuem (temos olimpíadas pela frente e não nos esqueçamos que a Copa acabando seus efeitos permanecem), podemos ver mais e mais prisões arbitrárias "preventivas" ao arrepio da constituição.

Mas, mesmo ilegais, não assustam o poder.

Oras, o executivo de estados e do Estado não teriam chegado a este ponto sem o apoio não apenas das polícias, sempre interessadas em reprimir, mas com o apoio do judiciário, capaz de permitir tais operações sem pé nem cabeça.

Mas ainda pior que estas prisões preventivas (em que pessoas inocentes são mandadas a presídios pro até 5 dias com provas forjadas apenas para não poderem protestar), é a possibilidade de que haja uma escalada. De que as provas forjadas não sejam simplesmente esquecidas depois do não-protesto passar, mas que sejam usadas para efetivamente enviar para a cadeia ativistas.

E isso é algo factível. Melhor do que operações envolvendo Estado, Polícia e Judiciário a cada manifestação, porque não instaurar logo o Estado de Exceção e, com provas forjadas, enviar de vez para a cadeia certos elementos causadores de problemas?

Não é a primeira vez, nem a segunda. Mas podemos ver uma escalada no uso deste método contra coletivos sociais.

A certeza neste ponto é a de que teremos uma "militância" petista pronta a silenciar ou mesmo aplaudir e a mídia corporativa fará o resto do trabalho de convencer a população de que os presos são terríveis vândalos e não ativistas pelos direitos humanos criminalizados por governos com interesses escusos.



O circo está montado. Se não resistirmos perderemos o jogo e qualquer semelhança dos métodos do PTMDB de "controle" de manifestações com a ditadura não são mera coincidência. Infelizmente aprenderam bem com quem antes combatiam.
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segunda-feira, 7 de julho de 2014

Sobre Copa, otimismo, pessimismo, e uma verdadeira esperança dissidente

Guest post de Mariana Parra
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Os debates e discussões sobre a Copa, muitas vezes acalorados e polarizados, me lembraram uma aula que tive o prazer de ter com um professor da República Democrática do Congo, sobre integração africana. Ele começou a aula falando sobre os afro-otimistas e os afro-pessimistas.

Os primeiros, um grupo mais reduzido, normalmente pessoas de ONGs e missionários religiosos, exaltam as maravilhas do continente e das culturas africanas, as características de seus povos, o futuro brilhante que o continente tem pela frente. Os segundos, infelizmente mais abundantes do que gostaríamos, normalmente líderes políticos e acadêmicos europeus, profetizam que a África é um continente fadado ao fracasso, ao subdesenvolvimento e à pobreza, como se pode imaginar, usando discursos e argumentos racistas e etnocêntricos.

O meu professor, uma figura bastante reconhecida no seu país e em outros países africanos, se declarou um afro-realista, como uma pessoa que conhece bem os problemas e desafios desse continente tão castigado por séculos de colonialismo e exploração, e conhece bem também suas potencialidades, sua enorme riqueza cultural e social, sua natureza prodigiosa, que trouxe grandes desafios para o ser humano, desde o início, o início de todos nós (afinal, todos viemos da África). Ele destacou a herança maldita do colonialismo que infelizmente ainda persiste na maioria dos países africanos, e afirmou sua firme esperança num futuro melhor e mais justo para o povo africano, sua esperança baseada no enorme capital humano e cultural do continente, que precisa se recuperar de tantos anos de exploração e do cruel colonialismo.

Voltando ao Brasil, me considero bem próxima ao pensamento do professor democrático congolês. Muitos no Brasil parecem querer negar nossos problemas, parecem querer varrê-los para debaixo do tapete. Nos debates sobre a Copa, se ressentem da onda de críticas contra o evento (de qualquer que seja a origem, por certo há críticas bastante questionáveis). Reafirmam a #CopadasCopas, qualificam qualquer crítica como síndrome de vira-lata.

Querem calar as vozes que apontam para a corrupção, para as remoções, para a violência policial que já ceifou muitas vidas, sim, no contexto do evento (poderiam ser ceifadas em outros contextos, mas sabemos do que estamos falando, e as comunidades atingidas demonstraram muito bem isso com o lema: A festa nos estádios não vale as lágrimas nas favelas), além da incrível repressão policial às manifestações, com a prisão de ativistas em procedimentos totalmente ilegais (com claras irregularidades por parte da polícia e também do judiciário). Os otimistas que não toleram a dissidência querem afirmar e propagandear o Brasil que dá certo, o Brasil bonito, a festa, em troca de esconder, debaixo do tapete, a barbárie diária de massivas violações aos direitos, principalmente dos mais desfavorecidos, inclusive o básico direito à vida.

Já vi gente dizendo inclusive que críticas à organização do evento são racistas, com as comparações com países desenvolvidos. Ora, é alguma mentira que o Brasil tem mais corrupção que outros países que conseguiram avançar mais em seus mecanismos democráticos? Não coloco nenhum país em pedestal, muito menos na atual altura do campeonato, em que a crise nos países desenvolvidos demonstra a insustentabilidade total do sistema capitalista global, demonstra os limites dos avanços democráticos alcançados nesses países. Também acho que temos que valorizar nossa cultura, nossa sociedade, nossas grandes vantagens. Temos uma incrível sociodiversidade, uma cultura riquíssima, vinda do encontro de tantas culturas.

Nasci em São Paulo e me sinto privilegiada por ter crescido no cosmopolitismo da cidade. É por isso mesmo que acredito na importância da luta contra todas as barbáries e retrocessos que estamos vivendo. Síndrome de vira-lata mesmo é querer negar os próprios problemas, viver de fantasia e querer apagar a dor dos demais, é assumir um otimismo festivo que não quer saber dos problemas, aquela festividade dos que não querem que essa gente que conta os mortos atrapalhe a alegria (e nada contra quem está curtindo a Copa, muito pelo contrário, há coisas inclusive bem interessantes na Copa, o problema é os que querem curtir e não querem ouvir nenhum outro ruído, os que ainda querem calar os dissidentes, e sim, infelizmente há muitos).

Analisando outro caso de racismo em âmbito internacional: as perspectivas racistas, xenófobas e etnocêntricas em relação ao mundo árabe e muçulmano são muito disseminadas. Algumas inclusive do meu ponto de vista muito toleradas em âmbito acadêmico (assim como os afro-pessimistas). Os propagadores do "choque de civilizações" pintam os árabes como naturalmente beligerantes, lhes atribuem características essenciais, inferiores à cultura cristã ocidental. Quem conhece um pouco de história e das culturas árabes e muçulmanas sabe como isso é uma mentira completa, fruto de mentes ignorantes e fanáticas.

Quem conhece história sabe que enquanto a Europa estava mergulhada nas trevas da Idade Média, as ciências e as artes floresciam em países do Oriente. Quem conhece um pouco sobre política internacional sabe que a radicalização de grupos islâmicos se deve, em grande medida, às políticas desastrosas dos Estados Unidos durante a Guerra Fria, e marcadamente depois do 11 de setembro. Quem conhece todo esse contexto, porém, não irá fingir que o Oriente Médio é hoje um paraíso. Quem conhece as causas e raízes dos conflitos no Oriente Médio não vai querer tapar ou negar que, muito tristemente, a região está hoje à beira de um conflito generalizado, com parte da sua população sendo submetida à um sofrimento extremo.

Acredito que a verdadeira luta por um mundo melhor prescinde de uma verdadeira disposição para encarar a realidade. Como lutar contra a opressão sem reconhecê-la? O imperialismo europeu e estadunidense ainda dominam o mundo, levaram à consequências desastrosas, com as quais lidamos até hoje. Promoveu a escravidão, genocídios, massacres, sociocídios (onde o tecido social e as bases morais e culturais de uma sociedade são destruídas, muitas vezes com gerações e gerações submetidas à exploração e à conflitos). O sistema internacional ainda é baseado em grande medida nessas antigas ordens, embora tenha mecanismos e uma aparência de consenso e democracia, e embora tenha, de fato, mecanismos democráticos (que infelizmente funcionam cada dia menos), e algum senso de humanitarismo.

O mesmo vale para o Brasil (e hoje as fronteiras entre o local e o global são cada vez mais tênues. Nossa situação é muito parecida à de muitos outros países, com repressão, militarismo, violência, desigualdades extremas, etc.). Os que querem esconder o sol com a peneira apenas contribuirão para a manutenção do status quo, esse status quo que tentam apagar (apagando, também, suas vítimas diárias). Talvez seja esse mesmo o objetivo destes. Prefiro seguir, como colocado nessa entrevista com Chomsky, uma esperança dissidente, que acredita na força dos que lutam diariamente, dos que atrapalham a festa, para um dia também poderem sorrir plenamente.

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O grande Plínio de Arruda Sampaio faleceu um dia após esta postagem ser feita e suas considerações finais durante o último debate para a presidência em 2010 caem como uma luva e nos faz pensar.
Descanse em paz, Plínio. Você será sempre lembrado por nós. Plínio presente!
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domingo, 25 de maio de 2014

"A Copa, as eleições e o que virá depois": O discurso do medo petista e a desinformação beiram o desespero.

Aí você se depara com um texto do Valter Pomar que pode ser reduzido em uma palavra: Lixo.

Lixo fétido que cheira a desespero e medo (da derrota). Que posa de intelectual, mas não passa de senso comum que serviu historicamente ao PSDB, mas hoje é parte integral do PT.

Os petistas simplesmente não conseguem aceitar que se critique o PT pelo crime que é a Copa (e pelos crimes feitos em nome dela). Não é culpa do PT, dizem. Fazem um exercício pseudo-intelectual de tentar descolar os abusos e absurdos destes dois eventos do governo do PT, como se não houvesse qualquer relação. Oras, quem trouxe a Copa e quem está impondo medidas violentas e de exceção contra os insatisfeitos?

Vai  ver o PSDB sequestrou a presidência e não fomos avisados...

Vejamos as pérolas:
"A oposição, o grande capital e o imperialismo tentam pegar carona no desejo de mudanças manifesto por amplos setores da população. Evidentemente, a mudança que eles desejam se traduz na derrota de Dilma e do PT, bem como na adoção de outro programa de governo. A mudança que a oposição, o grande capital e o imperialismo desejam é mudança para pior. Já as mudanças desejadas pelo povo se traduzem em mais Estado, mais desenvolvimento, mais políticas públicas, mais emprego, mais salário, mais democracia."
Grande capital? Imperialismo? Espera, Katia Abreu, Sarney, Collor, Odebrecht (e todas as empreiteiras do país) viraram oprimidos? Deixaram de representar o grande capital? Depois disso o resto do texto é simplesmente desprezível. Mas sigamos.
"A contradição entre a mudança desejada pelo povo e a mudança desejada pelas elites é uma contradição antagônica. Por isto, a oposição não pode assumir abertamente seu programa: seria a derrota antecipada. Por isto, a oposição aposta na deterioração e na crise. Por isto, a oposição precisa manipular a população."
O povo é burro. Só protesta contra a Copa (esse evento incrível que trará muito desenvolvimento para o país através de seus elefantes brancos superfaturados e obras de mobilidade inacabadas. Sem falar nas remoções, tudo pelo bem do povo) porque é... MANIPULADO!

Engraçado como eu me lembro do PSDB anos atrás atacando movimentos sociais os acusando de serem manipulados pelo PT...

O PT hoje discursa que o povo é burro e manipulado. Mas só porque não são eles a manipular.
"Para tentar recuperar o controle pleno do governo federal, a oposição de direita conta com duas candidaturas presidenciais: a candidatura Aécio Neves e a candidatura Eduardo Campos."
Campos que até uns 2 meses atrás era aliado preferencial. Como Kassab era inimigo jurado e hoje é aliado e como basicamente todos os neoaliados do PT que ontem era o capeta e hoje são lindos - até que resolvam sair das asas dos iluminados petistas.
"Nos referimos à “oposição de direita”, por dois motivos. O primeiro motivo é que há setores de direita que apoiam o governo (e que, pelo menos por enquanto, ainda não são oposição). O segundo motivo é que, em nossa opinião, ser de “direita” ou de “esquerda” na conjuntura atual está vinculado à natureza do projeto de desenvolvimento defendido por cada candidatura, partido e movimento. Os que defendem um projeto de desenvolvimento submisso aos Estados Unidos e de natureza neoliberal ou social-liberal são, em nossa opinião, forças de direita e centro-direita. Os que defendem um projeto desenvolvimentista conservador estão ao “centro” (falando em tese, porque de fato o centro se inclina e se divide em favor da direita e/ou da esquerda). Já os que defendem um projeto de desenvolvimento autônomo, de natureza social-desenvolvimentista ou democrático-popular são forças de centro-esquerda ou esquerda."
A diferença basicamente é entre a quantidade de porrada nos pobres. Muito blablabla para deixar claro que todos se pautam pelo mais selvagem capitalismo, por remoções, violência e abusos aos direitos humanos, só que o PT seria mais "light". Tudo na base do "a nossa direita é a melhor que a dos outros". É tudo direita, meus amigos.

E o papo "democrático-popular" é o cúmulo da cara de pau. Seriam as milhares de pessoas apanhando nas ruas das PMs de PT, PSDB e PMDB com apoio do Cardozo as vítimas do projeto "democrático-popular" do PT?
"Somadas, as candidaturas Aécio+Eduardo/Marina expressam o interesse de conjunto do grande capital. Claro que haverá empresários apoiando e votando em Dilma. Mas enquanto classe, a burguesia estará financiando, apoiando, votando e torcendo pela oposição."
Verdade, inclusive o PT ser o partido que MAIS ARRECADOU grana de empresários é pura coincidência... Os capitalistas não gostam do PT, só jogam dinheiro fora, né?
"Desde as manifestações de junho de 2013, o tema frequenta o imaginário da população e é trabalhado pela mídia de alto coturno de forma subliminar e com uma ambiguidade marota, ora se aproveitando das oportunidades bilionárias proporcionadas pelo “negócio da Copa”, surfando na onda da torcida pelo hexa campeonato, ora ressaltando os “gastos perdulários” com estádios que supostamente subtraem recursos da saúde e da educação.

Os cartazes cobrando “educação e saúde padrão Fifa”, presença constante em todas as manifestações de junho de 2013, em cada uma das cidades em que estas tiveram lugar, e as enormes passeatas que tiveram o Mineirão, o Maracanã e outros estádios como “alvo” nos jogos do Brasil na Copa das Confederações são exemplares neste sentido."
Traduzindo: Povo é burro e manipulado e só protesta porque a mídia manda. Povo inteligente vota no PT!
"Envolve uma ação preventiva contra a proliferação de grupos fascistas, racistas, homofóbicos, de “vigilantes”. Há setores médios que, atendendo ao discurso histérico de certa direita e/ou tomados de esquerdismo inconsequente, estão sendo estimulados, financiados e dirigidos no sentido de gerar situações de conflitos."
Novamente, todo mundo é manipulado. Só não é quem vota no PT. Povo apanha, é humilhado e morre nas favelas, nas ruas, mas se se revolta... Aí não pode!
"Finalmente, combater a violência envolve adotar, nas manifestações organizadas pelos movimentos sociais, populares, estudantis, sindicais e pelos partidos de esquerda, de “serviços de ordem”, a saber, equipes identificadas e treinadas para impedir a ação de infiltrados e provocadores."
Traduzindo: Está na hora de infiltrar petistas para tentar cooptar movimentos.
"Como já dissemos, vai ter Copa. Por isto mesmo, do ponto de vista estratégico, deveríamos ter desmistificado o tal “padrão Fifa” com a adoção de uma postura muito mais altiva na relação com esta entidade, pois a experiência da Copa do Mundo na África do Sul e toda a trajetória da Fifa indicam que o correto seria que o governo tivesse assumido o gerenciamento e execução estatal das obras, e ao mesmo tempo enfrentado a quadrilha que comanda os grandes negócios do mundo esportivo nacional e internacional. Tal postura teria impedido que o preço dos ingressos fosse impeditivo para amplos setores da população."
Não basta mais de 80% das obras da Copa terem sido feitas com grana pública - pese a promessa do PT que seria grana privada -, o cara ainda queria que o Estado bancasse o resto? É pra rir?
"Cabe ao PT e ao governo entender o fenômeno e ter humildade e capacidade para dialogar com o sentimento real da população, sem ufanismos, sem “chapa branquismo” e com um enfrentamento real dos problemas advindos da tumultuada e mal resolvida relação com a Fifa, que tenta se impor como autoridade plenipotenciária em solo brasileiro."
Porque o problema é só a FIFA. Não é o PT ter aceito TODAS as exigências, ter aceitado abrir mão da soberania e, antes disso, ter removido, violentado e violentado? TUDO se resume a... FIFA? E quem a convidou não tem culpa de nada?
"É forçoso reconhecer que há problemas sérios de remoções forçadas de 150.000 a 170.000 famílias nas doze cidades que serão sede do mundial, em ações comandadas pelos poderes públicos municipais, com apoio das instâncias estaduais e, em alguns casos, federais, que concorreram para a retirada abrupta de moradias que teriam garantido o direito à permanência no local pelo instituto da usucapião urbano, via de regra retiradas que deram lugar a projetos que para além das obras de “mobilidade urbana” ensejaram valorização imobiliária que geraram lucros fabulosos para investidores privados “bem posicionados” no mercado.
Abrir um canal de interlocução sério com as entidades representativas desta população é um passo que o governo precisa dar, se quisermos combater com argumentos sólidos o oportunismo eleitoreiro dos que querem transformar o “não vai ter Copa” em plataforma política."
Traduzindo: Vamos chegar nesse povo e cooptar. Vamos oferecer algo, sem garantia algum de entregar depois, claro, e pronto!
"Portanto, recusamos a palavra de ordem “não vai ter Copa”. Esta palavra de ordem poderia ser parte legítima do debate, quando se discutia se o Brasil pleitearia ou não ser sede do evento. Agora, não há maneira de considerar como tempestiva, nem como correta, esta palavra de ordem: “não vai ter Copa” significaria na prática inviabilizar o evento, com os danos imensos que isto causaria, tanto do ponto de vista econômico e social, quanto do ponto de vista político."
E volta o argumento fascista de que se você não reclama na hora não pode reclamar depois... Oras, combater racismo? Genocídio indígena? Não pode, tinham que ter começado a lutar ha uns 400-500 anos, agora é tarde! O nível dos "acadêmicos" do PT pelo visto acompanha a indigência intelectual de um partido que caminha a passos largos para o fascismo.
"Igualmente recusamos a postura daqueles que, pela esquerda ou pela direita, confundem o legado de 12 anos de governos federais encabeçados pelo PT, com o mal denominado legado da Copa. Ou das Olimpíadas."
Até porque não tem nada a ver o PT com a Copa e as Olimpíadas, né? É com esse tipo de argumentação que o amigo quer convencer alguém, além de fanáticos e demais elmentos pagos?
"A Copa e as Olimpíadas não sintetizam, nem para o bem, nem para o mal, o projeto de mudanças que defendemos para o Brasil. De maneira geral, os grandes eventos e as grandes obras não podem ser analisadas, defendidas ou rejeitadas nem em si, nem como um pacote indiviso."
Traduzindo: As remoções, violência, brutalidade, desvios e corrupção que o PT patrocina e faz parte não tem nada a ver com o governo do PT. Lembrem-se só das partes boas, o resto podem dizer que é coisa dos tucanos.
"O conjunto da esquerda brasileira deve lembrar que, aos 50 anos do golpe, as eleições de 2014 ocorrem num ambiente marcado pelo confronto entre o udenismo histérico e as forças políticas que sustentam o resgate das reformas de base. Este confronto –-muito mais que um jogo, uma copa ou uma olimpíada– é que decidirá o futuro imediato do Brasil."
Traduzindo: Votem no PT, porque senão... É o discurso do medo tucano que o PT adotou com maestria.

Enfim, está na hora de DERROTAR o PT e permitir que a esquerda no país volte a se organizar e isole a pelegada que ha 12 anos tem desmobilizado lutas sociais e populares e que impôs e/ou manteve as políticas de extermínio em favelas e no campo.

Reconheçamos os pontos positivos do governo, especialmente do governo Lula, mas JAMAIS esqueçamos dos crimes cometidos e continuados contra o povo. Contra LGBTs, indígenas, negros e mulheres em prol do atraso fundamentalista evangélico, ruralistas e do grande capital.

Estes "intelectuais", como Emir "sem-teto são vira-latas" Sader e Marilena "Viva a PM Chauí são o retrato mais vivo do que é o PT hoje. Um partido sem rumo, entregue ao mais torpe fascismo e tentando se segurar em qualquer corda possível para manter a fachada de que são de esquerda.
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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Batman, Rolezinho e a Copa: Um retrato da história do Brasil


O vídeo amplamente divulgado pelas redes em que moradores do Leblon, bairro de elite do Rio de Janeiro, esbravejam contra manifestantes - em especial o Batman carioca - durante um "rolezinho" no shopping local me faz ter apenas uma certeza: Estamos diante do quadro mais perfeito do que é o Brasil.

Racista, preconceituoso, burro, elitista... E mostra a irônica, mas comum "aliança" entre os piores fascistas, olavetes descaradas, e gente que se diz de esquerda e engole o discurso oficial do governo do PT.

O cidadão mais exaltado - aparentemente o fundador do bloco Simpatia é quase amor, Dodô Brandão -, que se revolta contra o Batman, por ser "símbolo do capitalismo americano", que chama o protesto de "factóide", não deixa a nada a dever aos discursos diários de #Zédia e outros fanáticos governistas. Ataca a "direita" a quem acusa de estar por trás das manifestações e, claro, defende a Copa.

Ao acusar o "cara de direita", o "merdinha pago pelo Garotinho" (no caso, o Batman) deixa claro que é assíduo leitor da blogosfera governista. "Garotinho" é, depois de "Psolento" a desculpa oficial do petismo para defender todas as ações de Cabral e Paes, como se a oposição fosse pior. Lembrando que a Dilma quer o palanque do Garotinho nas eleições, mas este fato a "militância" esconde.

Corta para uma senhora falando "o carnaval tá longe", em clara alusão ao único período do ano em que pretos e pobres tem acesso livre à região da elite carioca. O único período em que a favela pode descer sem ser perseguida pela PM, e pode se misturar a "gente de bem" do Leblon e do resto da Zona Sul.

Mas só no carnaval. Tem que ter data marcada, senão é mistura demais e zona demais. Imagina se misturar com essa rafaméia diariamente!

Então surge uma mulher exaltada, gritando "Manipulado!", pese claramente ser leitora de Olavo de Carvalho e Constantinos da vida. Sem medo de ser ridícula afirma de boca cheia que os manifestantes querem fazer uma "ocupação comunista". E diz com orgulho ser de direita - mas não fascista!
"Fascismo sim, mas de direita não porque eu sou de direita e não faria isso".

"Existe um plano de ocupação comunista, totalitarista no país. Será que ninguém vê isso?"

Enfim, direita e esquerda se juntando quando necessário para criminalizar o pobre, o preto, o periférico, o que se recusa a se isolar e não ficar no caminho da elite.

Mas o vídeo mostra algo mais: A aliança CLARA entre os setores mais radicais da direita com a suposta esquerda, a ex-querda governista para derrotar manifestações populares.

O racismo, o elitismo, a discriminação e o preconceito estão mais que claros, independentemente da suposta ideologia de cada um dos presentes. O absurdo é tanto que um repórter francês tenta entender o que se passa, pergunta sobre a discriminação, mas o senhor exaltado não consegue enxergar qualquer discriminação.

Preconceito? discriminação? No Rio? No Brasil? No País da Copa? ABSURDO!

O cara toma cerveja com pessoas que, ele alega, são de outra classe. ele aceita dividir alguns espaços com quem não é "dos seus"! Mas tão querendo o braço inteiro.

Ele ganhou muito dinheiro, informa não sem algum orgulho, enquanto critica a FIFA, mas defende com unhas e dentes a Copa, fazendo um malabarismo digno de #Stanley, para sustentar seus pífios argumentos.

Após vaias dirigidas aos manifestantes, em repetição quase que em looping da história do Brasil, e gritos de "vai trabalhar", o exaltado senhor de bem encerra com "eu ganho bem pra caralho", para demonstrar como é diferente da "direita" que ele tanto despreza.

Apesar das razões aparentemente diversas - ao fundo ouve-se a olavete criticando a Copa enquanto o cidadão de bem a defende com unhas e dentes -, o que se vê é um encontro o repúdio ao direito à manifestação, no direito à ocupar espaços que a elite pensa ser seus. É o desejo da limpeza social, a incitação ao apartheid.

Tirando o carnaval - contra o qual nada podem fazer - a elite do Leblon e adjacências só se relaciona com negros quando estes saem do quartinho de empregada, ou quando vão lhes servir em um restaurante ou quando olha com cara feia para o gari ou para o segurança do shopping. Para eles é algo intolerável ver que há revolta entre quem devia continuar calado e servindo.

E isso transcende a suposta ideologia da figura. Numa coisa a olavete tinha razão, não é preciso ser de direita para ser fascista, o cidadão de bem com discurso governista posando de esquerda é tão fascista quanto ela.

Os protestos de junho deixaram governistas dias sem dormir. Não conseguiram até hoje entender o que significaram e se limitaram a ora atacar, ora fazer coro à repressão, ora organizar pequenos núcleos para tentar tomar a frente das manifestações. Em todos os casos fez (e faz) papel ridículo e vergonhoso. Agora, com os Rolezinhos, se juntou ao coro dos que odeiam manifestações a direita mais reacionária, afinal uma coisa são protestos em muitos casos contra governos do PT ou aliados (ainda que não só, pois foram generalizados), outra é violarem locais sagrados do consumo e, pior, em bairros de elite!

Direita a ex-querda, enfim, estão de braços dados contra quem toma as ruas. contra o "bando de filhos da puta" que ousa entornar o caldo da revolta social e que, segundo fanáticos, buscam dar um golpe no governo...

Se é verdade que os rolezinhos são um fenômeno social sem grande politização (ou mesmo sem nenhuma politização), por outro traz consequências políticas claras. Oras, os rolezinhos são o reflexo mais escancarado do Lulismo, do incentivo ao consumo desenfreado, em que a cidadania se faz ou se dá apenas e exclusivamente através do consumo.

É a base do "consumo, logo existo" que o PT vem incentivando há 11 anos. Surpreende que aqueles menos capazes de ascender pelo consumo busquem se tornar visíveis através de "rolês" e afins?

Este vídeo é sem duvida um quadro riquíssimo sobre a história do Brasil. Sobre o que é (ex)esquerda e o que é direita, sobre apartheid social e Copa do mundo.

Em tempo, #NãoVaiTerCopa.

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Leitura recomendada: O rolezinho como ato político, os preconceitos de classe e suas consequências
e Os novos “vândalos” do Brasil


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terça-feira, 18 de junho de 2013

Paramos o país e não foi por 20 centavos: O que queremos?

Participei ontem dos maiores protestos que já vi agitarem o país. Ou, ao menos, que eu tenha tido o imenso prazer de participar. Paramos o país de norte a sul.

Éramos 100 mil no Rio, mais de 100 mil em São Paulo (o movimento que começou no Largo da Batata se dividiu em vários "menores", um deles ocupou toda a Brigadeiro Luis Antônio da JK até a Paulista, só ali éramos mais do que os 60 mil totais divulgados pela mídia), mais de 20 mil em Belém, milhares em Brasília, PoA, Maceió, BH, Vitória, Londrina, Juiz de Fora, Caruaru, Santos... Em dezenas de cidades no Brasil e no mundo.

Mas porque?

A revolta não nasceu por causa de 20 centavos, 10 centavos, nem 30 centavos. Ela tão somente ESTOUROU depois dos aumentos simultâneos em todo o país. Enquanto o PT prega que o país está indo às mil maravilhas, o povo nas ruas mostrou que esta imagem não é real. Não estamos sorridentes com a Copa, não estamos felizes com a educação, com a cultura, com a saúde...

Protestos contra o aumento se juntaram a protestos contra os gastos absurdos da Copa, com a insatisfação com a cidade, com a exclusão social, com as tentativas de golpe contra o judiciário patrocinadas pelo PT e aliados, como no caso da PEC37, contra a violência policial, contra a educação e saúde precárias...

Enfim, o povo foi às ruas contra o atual modelo de país que temos, excludente, desigual, com bilhões fluindo para a FIFA e para obras faraônicas e virtualmente inúteis, em protestos reprimidos com extrema violência e brutalidade, enquanto somos bombardeados por propagandas estatais de que "está tudo bem", "está tudo lindo". Não está.

Indígenas são massacrados e desrespeitados em suas terras, na verdade muitos sequer tem terras. LGBTs são assassinados nas ruas por simplesmente serem quem são, a periferia grita contra o genocídio que sofre, e toda a população se revolta contra a submissão a uma política de iguais, sem opções, em que PSDB e PT se revezam em acusações, mas são apenas faces da mesma moeda: Corruptos, privatistas, entreguistas, preocupados em enriquecer aos seus e não em transformar o país.

Não há imagem mais emblemática que o povo ocupando o Congresso. Pacífico, apenas demonstrando sua força e que quem deve ter medo é o poder, são os governos, e não o povo. O governo nos serve, deve nos servir e deve nos temer.

Estamos diante de uma onde sem precedentes de conservadorismo, de medievalismo religioso, de tentativas de destruir o judiciário ao invés de reformá-lo e torná-lo mais democrático. O povo estourou contra um congresso e legislativos corruptos, desconectados da realidade do povo. Enquanto pegamos ônibus, metrôs e trens lotados, políticos impõem suas pautas pessoais usando carros de luxo pagos com nosso dinheiro e vivem em mansões inalcançáveis para a ampla maioria da população.

Lutamos e fomos às ruas por dignidade. Por respeito.

Em São Paulo o que mais víamos eram cartazes contra a PEC37, a favor de um transporte público de qualidade e gratuito para todxs, e por respeito aos nossos direitos.

Sim, lutamos por direitos. Por direitos básicos, para não sermos joguete nas mãos de partidos iguais, que nada propõem, que em nada se diferenciam.

Falando especificamente de São Paulo, Haddad recuou, Alckmin recuou. A não-violência ontem se deve exclusivamente à escassa presença da PM nas ruas, pois como todos sabemos, a presença da PM é um convite para a violência e a brutalidade. Não importa se a manifestação é pacífica, a PM sempre encontra razão (sic) para exercer seu "direito" de nos violentar.

Haddad que havia apoiado a violência da PM foi forçado a mudar o discurso, mas não o suficiente para OBEDECER os paulistanos e reduzir a tarifa. Pelo visto ele terá de ser convencido nas ruas de que nós pagamos o salário dele e nós é que mandamos. Alckmin, por sua vez, foi forçado a mandar a PM recuar, e também terá de ser convencido nas ruas a obedece ao povo que mostrou ter forças e vontade.

Agora, porque todas essas manifestações pelo país?

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segunda-feira, 3 de junho de 2013

Existirá um Brasil depois de 2016?

O Brasil, aparentemente, não existirá depois de 2014-16. 

Do jeito que Dilma vem privatizando o país começo a acreditar que logo não teremos "presidente", e sim "gestor". No fim das contas já é o serviço da Dilma, gerir o capitalismo nacional a fim de maximizar lucros de seus financiadores de campanha através da ampliação do consumo. 

Depois de 2016 a gente entrega o Rio pro Eike, negocia São Paulo e o resto do país pro "investidor" que der mais e seremos felizes pra sempre, morando em favelas, sem saneamento e morrendo nas mãos da polícia, sofrendo racismo, homofobia, mas com carro do ano na garagem, diploma de uniesquina e com sub-emprego. 

Mas felizes.
Como irrita ouvir que tudo o que o se está fazendo no Brasil nas cidades sede tem como objetivo a Copa ou as Olimpíadas. Porque diabos a limpeza da Bahia de Guanabara tem que ter a ver com as Olimpíadas? Isso não era importante antes? Depois de passar a Olimpíada vão sujá-la de novo? E o esquema de segurança que estão montando pro Rio de Janeiro, com direito à caça das forças armadas e tudo? E aquele centro de segurança ridículo? Sério, continuamos com a mesma merda de mente colonizada de sempre, tudo o que fazemos é pra agradar os de fora. Até hoje esse país não conseguiu se voltar para si, pensar em si próprio, levantar a cabeça. Ficam dizendo que Lula reposicionou o Brasil no mundo. Pode até ser em vários aspectos (incluindo esse sub-imperialismo nojento, que está virando imperialismo mesmo). Mas o principal, obviamente esse governo não fez, não nos fez sairmos dessa merda de posição de colonizados. Funcionamos para suprir as expectativas do estrangeiro. Sério, isso é lamentável. Quando vamos conseguir nos emancipar disso? Não com essa merda de projeto neodesenvolvimentista estúpido, míope e genocida (Mariana Parra).
O que acontecerá se, em 2016, não tivermos concluído as obras programadas? As despoluições, as inovações, as obras, as mudanças...? Nada.

Aliás, o mais provável é que NADA fique pronto até o fim da Copa e das Olimpíadas. Obras de mobilidade já foram alteradas, canceladas e prometidas mil vezes, sem que os prazos tenham sequer a possibilidade de serem cumpridos. 

E é óbvio que não importam os prazos, as obras custarão pelo menos o dobro. O dobro que virá dos nossos bolsos para, após os eventos, serem entregues para a "iniciativa privada". Em outras palavras, Dilma e o PT privatizarão tudo que for possível após (ou mesmo antes, caso do Maracanã, atual Cabralzão) os "grandes eventos" programados para esta década. 

Estádios que se transformarão em elefantes brancos estão sendo pagos pelos nossos bolsos e nós sustentaremos o enorme e inútil gasto por anos a fio. Isto se os estádios não desabarem, como o Engenhão, construído ha menos de uma década e já caindo aos pedaços. 

Seria interessante que o responsável pelos estádios, como o ministro Aldo Rebelo, fossem pessoalmente resonsabilizados por quaisquer prejuízos posteriores. Oras, ele não garantiu diversas vezes em entrevistas que estádioscomo os do Amazonas não serão elefantes brancos após a Copa? Se tem tanta certeza que banque de seu bolso e de seu partido caso o óbvio aconteça e nós tenhamos de pagar mais uma conta no final.

Mas o que irá acontecer? Nada. 

Pagaremos calados, felizes, enquanto a Globo mostra as belezas dos estádios, das cidades, dos eventos... Um verdadeiro e terrível "PIG". 

Hoje (ontem) eram cosntantes as imagens do novo Maracanão, o Cabralzão, durante o jogo da selecinha, para mostrar como estava "lindo", apesar de ter perdido sua alma e de parecer apenas um estádio europeu acanhado.

Mas a Globo achou lindo, o governo achou lindo. O Eike achou ainda mais lindo, já que é dono do Cabralzão sem pagar quase nada. Oras, ele prestou valiosos serviços ao PT e ao PMDB, sem dúvida merece um "prêmio" com valor de mais de 1.2 bilhão.

Enquanto acompanhava um jogo da Série C pela TV Brasil (pese a péssima qualidade de transmissão e imagem), um comentarista louvou o Cabralzão ao ponto de dizer que os brasileiros deveriam aprender a torcer de uma nova forma. Oras, o país que mais ganhou copas, admirado em todo o mundo terá de se anular e aprender a torcer como europeu?

Teremos de deixar nossa cultura, nossas tradições e história de lado para seguir as ordens vindas de baixo pra cima da FIFA e do governo? Não é só absurdo, chega a ser criminoso.

Mas tudo vale no Brasil 2014-16. O depois a gente pensa quando chegar.

Em 2016 provavelmente não teremos mais índios no que depender de Dilma. Dependemos do STF para que gays tenham direitos, e no que depender do PT viraremos uma republiqueta medieval de aluguel, com krents lucrando, o povo "educado" em uniesquinas, professores tratados como lixo, mas todos consumindo felizes.

Iremos da igreja/templo ao shopping, e torceremos sentadinhos e quietos em estádios, consumindo alimentos venenosos e banhados em sangue indígena.

Isso se chegarmos a 2016. Porque o depois parece cada vez mais distante e pior.

Eu não acho válida a pergunta "Imagina na Copa" simplesmente porque me preocupo mais com o que virá depois, como a conta, como o ônus, como a dívida. É possível que tudo funciona às mil maravilhas na Copa - para o gringo.

Polícia entrará em acordo com o tráfico para que o segundo venda numa boa e não atrapalhe a festa (para que a garanta, na verdade), os aeroportos irão funcionar provisoriamente e com mil gambiarras, mas a pleno vapor, teremos feriados nos dias de jogo para evitar que o gringo tenha qualquer transtorno.... Mas para nós, brasileiros...

A meta do milênio do PT parece ser a Copa e as Olimpíadas, o depois a gente pensa depois.
 
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