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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

PSOL: A Superação do Sectarismo? As críticas à Dilma em Sergipe [Update]

No mesmo dia da declaração criminosa de Mercadante - que ainda não foi objeto de pedido de desculpas por parte de sua candidatura e do PT -, a candidata ao governo de Sergipe pelo PSOL, Professora Avilete, deu uma declaração desastrosa e igualmente criminosa. Chamou Dilma de Terrorista. Basicamente usou os mesmos termos da direita golpista e saudosa da Ditadura para caracterizar uma mulher que lutou contra a Ditadura e foi torturada e presa por isto, logo, uma heroína, como todos que combateram bravamente a Ditadura.

O fato de Dilma ter, depois, assumido uma posição vergonhosa de concordar com a decisão do STF de manter intocada a Lei da Anistia não muda o fato de que ela lutou e merece nosso total respeito e admiração e, JAMAIS, criticas como as proferidas por Avilete.

Mas, o mais surpreendente, foi a própria resposta do PSOL que, em carta aberta, não só repudiou a atitude de sua candidata como, aparentemente, retirou seu apoio a ela, passando a pedir votos para os candidatos do PSTU e do PCB.


Não me recordo de ter visto um partido, por uma única declaração de um de seus membros, de sua candidata, ter não só se desculpado em nota da Direção do partido, como ter suspendido o apoio do partido à candidata, logo, a candidatura.


Por ter sido caluniosa, criminosa, Avilete foi corretamente punida pelo partido. Será que o PT fará o mesmo com o Mercadante, que ofendeu a todo o Movimento Social dos Sem Teto, logo, a todos os movimentos sociais que lutam por moradia, terra e dignidade ou vão fechar os olhos e fingir que não viram nada?


O PSOL, enfim, deu uma lição de ética a ser seguida por todos.


Segue a carta do PSOL/SE:

Repudiamos a postura de Avilete – Carta Aberta ao Povo Sergipano

setembro 29, 2010 por PSOL Sergipe
A Executiva Estadual de Sergipe do PSOL, de modo unanime, vem a publico, em respeito à juventude e aos trabalhadores sergipanos, em particular aos que lutam contra todas as formas de exploração e opressão, afirmar que varias posições defendidas pela candidata ao governo do estado pelo PSOL, Professora Avilte, suas atitudes internas no partido e com os partidos da Frentede Esquerda não condizem com as posições políticas e éticas do PSOL.
Em debate entre os candidatos realizado no dia 28 de setembro de 2009, referiu-se à candidata à presidência da republica do PT Dilma como terrorista.
Entendemos que todos os que lutaram contra a ditadura militar merecem o respeito do povo brasileiro a despeito de suas posições políticas atuais e, além disso, tal postura soma-se à direita mais conservadora de nosso país.
Nossas criticas a candidata Dilma dizem respeito a ela hoje representar um governo que governa em nome do capital, mantendo a subordinação de nosso pais as políticas imperialistas, defendendo os interesses do latifúndio e demais capitalistas em detrimento às reivindicações dos trabalhadores.
Quando a candidata Professora Avilete, em sua propaganda eleitoral defende posição contraria à discriminalização do aborto vai de encontro as resoluções do Congresso Nacional do PSOL, do Coletivo Nacional de Mulheres do PSOL, do Congresso Estadual do PSOL e contra as próprias mulheres vitimas dessa criminalização.
A postura da candidata nos debates entre os candidatos ao governo do estado fazendo coro com o candidato João Alves do DEM vai de encontro as resoluções congressuais do PSOL que coloca o partido em oposição ao governo da coligação petista, aos demais partidos da base de apoio do governo Lula e demais partidos de direita, o que inclui o DEM do candidato João Alves. O PSOL é uma oposição de Esquerda : Nem Deda, nem João.
Executiva Estadual de Sergipe do PSOL
Heitor Pereira Alves Filho
Presidente do Diretório Estadual
Odair Ambrósio
Vice-Presidente do Diretório Estadual
Dalvacir Azevedo Gois
Tesoureira do Diretório Estadual
Danilo Santana
Secretario do Diretório Estadual
Aracaju, 29 de setembro de 2010
Segundo a Folha, Avilete foi mesmo punida e sua candidatura foi retirada. PArabéns ao PSOL por ter rapidamentetomado uma atitude digna e honesta!
O PSOL de Sergipe retirou nesta sexta-feira (1º) a candidatura da professora Avilete Cruz ao governo estadual. A decisão foi tomada por unanimidade pelo diretório estadual do partido, após a candidata afirmar, em debate na Rede Globo na última terça-feira, que a presidenciável do PT, Dilma Rousseff, era "terrorista, assaltante e assassina".
A declaração de Avilete, feita durante pergunta ao governador e candidato à reeleição Marcelo Déda (PT), foi considerada "a gota d'água" na conturbada relação entre a candidata e o partido. "Foi uma ofensa típica da direita", diz o vice-presidente do PSOL Sergipe, Odair Ambrósio.
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terça-feira, 28 de setembro de 2010

PSOL: A superação do sectarismo? PT e Evangélicos.

Retomo o título de um post anterior com ligeira modificação. Mas com a mesma alegria de ver o PSOL mostrando sua força e que está crescendo e amadurecendo.

Copio abaixo uma carta do diretório estadual do PSOL de Pernambuco, na qual denuncia a ação de grupos evangélicos para satanizar o PT e Dilma e, claro, ferir o Estado Laico. A carta ataca as tentativas toscas das alas conservadoras de atacar os avanços do governo e o PT em si, mas acertadamente deixa bem claras as diferenças entre o PSOL e o PT, diferenças estas que assino embaixo e que, pelo tom, demonstram um amadurecimento significativo das posições Psolistas.

Os argumentos são contundentes.

Ao mesmo tempo em que se solidarizam com o PT, em especial com a militância, deixa claras as diferenças programáticas e de visão de país, criticando a política de alianças espúrias, a manutenção do modelo econômico e o uso do capital político Lulo-Petista par a aformação de maioria parlamentar e não de uma real e profunda transformação do país.

Um ponto da carta me chama a atenção: "Lideranças desta campanha contra o PT, absurdamente, estão hoje coligadas eleitoralmente com o próprio PT.". Fato. Evangélicos, coronéis, lideranças regionais de décadas e, em muitos casos, figuras grotescas da política nacional estão hoje de braços dados com o PT/Governo e, ao mesmo tempo, são os legítimos representantes dos que tentam, ironicamente, derrubar o governo ou, através de suas atitudes, levar o governo mais e mais para a direita, o constrangendo.

As igrejas evangélicas representam o que há de pior em termos de medievalismo, preconceito, homofobia e atraso. Mas, curiosamente, muitas estão ligadas profundamente ao governo e são, em grande parte, reponsáveis pelos recuos na área dos Direitos Humanos por parte do governo, vide o PNDH-3, abandonado.

As oligarquias que o PT historicamente combateu, hoje, são parte mais que importante do governo. Hélio Costa, Collor, Sarney... Se por um lado é possível afirmar que, sem alianças não haveria governo e nenhum dos avanços que conseguimos seria factível, por outro é também possível afirmar que o capital político de Lula foi em muito desperdiçado.

Com uma votação imensa, aprovação nas alturas e praticamente idolatrado pelo povo, Lula cedeu demais.

"Os ataques que o PT sofre agora desses setores, portanto, são subprodutos das opções que este fez ao chegar ao poder. O PT e sua candidata estão, apenas, começando a comer a papa quente que cozinharam alegre e malandramente."
Esta frase, infelizmente, é a mais pura e dolorosa verdade. Mas, ao meu ver, cabe ao PSOL, junto com os movimentos sociais, pressionar o PT, o governo e as forças progressistas. Afastar o atraso da máquina estatal e propor reais mudanças, profunda, para o país.

As críticas contidas na carta, enfim, são corretas, acertadas e lúcidas.

Eis a carta, publicada pelo Blog da Folha [de Pernambuco] e um pouco mais sobre o assunto:
As forças mais conservadoras presentes na sociedade brasileira articulam-se neste período eleitoral para atacar duramente o Partido dos Trabalhadores. O objetivo indisfarçável é atingir a sua candidata à presidência da República a partir de um confronto nitidamente ideológico e assim abrir espaços para o avanço de outra candidatura que vem se aventurando a absorver e representar abertamente um brutal retrocesso na consciência social do povo brasileiro.

Em Pernambuco esta articulação pôde ser vista, dentre outras manifestações, em uma carreata que seria promovida por pastores de algumas denominações evangélicas no município de Jaboatão. O objetivo explícito é “satanizar” o PT e sua candidata à presidência, a partir de temas que entram em confronto direto com o Estado laico que todas as forças progressistas, republicanas e democráticas do nosso país têm a obrigação de defender. O mote de defesa da família usado nesta campanha é conhecido e, como em outros momentos da história brasileira, funciona como aríete para arrombar as portas da República e, conseqüentemente, atacar os direitos humanos.

Neste sentido, o diretório estadual do PSOL-PE, através de sua candidatura ao governo do Estado, externa publicamente que suas diferenças com o PT e o governo Lula não se confundem com as dos setores que fazem esta campanha, e solidariza-se com o Partido dos Trabalhadores especificamente contra esta campanha ideológica claramente retrógrada, direitista e oportunista. Reafirmamos que temas relativos aos direitos humanos são universais e indivisíveis e precisam ser defendidos por todos os atores sociais que comungam de forma honesta seu compromisso com a dignidade humana.

Por outro lado, é necessário afirmar, também, que as diferenças entre o PSOL e o PT são muitas e profundas. Dentre estas, tem destaque a orientação da política econômica dos oito anos do governo Lula, que privilegia os banqueiros. Destaca-se, também, o real “modo petista de governar”, que assimilou a corrupção e contraiu relações orgânicas com as piores oligarquias políticas do país.

Estas duas críticas principais que o PSOL faz ao PT no poder são exatamente aquelas que explicam a articulação de um fundamentalismo de direita no país, com apelo nos meios populares e urbanos. Os governos de Lula e do PT não usaram o seu capital político e a estabilidade econômica para fazer avançar o nível cultural e humanístico do nosso povo. Usaram seu capital político apenas para formar e usar maioria no Congresso Nacional, em embates eleitoreiros e para escapar das incontáveis denúncias de corrupção.

Nesse jogo, o PT foi se confundindo de forma antes impensável com figuras como Sarney, Collor, Renan, Helio Costa, dentre outros. Na maioria das manobras pela manutenção do poder, Lula e o PT fizeram acordos exatamente com as forças fundamentalistas que hoje os atacam, como no caso do acordo Brasil-Vaticano, em que a bancada evangélica no Congresso também exigiu seu quinhão na semi-teocracia em construção. Lideranças desta campanha contra o PT, absurdamente, estão hoje coligadas eleitoralmente com o próprio PT.

Com esta postura política, Lula e o PT abandonaram completamente a condição de serem parte da reserva moral na sociedade brasileira, em favor do posto de campeões da malandragem na manutenção no poder, a famosa blindagem de Lula. Mas, na política não há vácuo, e assim como há uma rearticulação das forças democráticas, progressistas, éticas e de esquerda no país, na qual o PSOL se insere, há também uma rearticulação de forças conservadoras sobre a vaga ética aberta pelo PT. Os estandartes da adormecida TFP (Tradição Família e Propriedade) e o discurso udenista golpista já podem ser vistos no horizonte, articulando preconceitos medievais e o oportunismo político de pior tipo.

Com o PT no poder, é verdade, os miseráveis passaram a comer biscoitos regularmente, o que é bom. Os mais pobres passaram a ter geladeira e computador, muito bom também. Os menos pobres podem comprar carros. Porém, todos continuam sem saneamento básico, sofrendo com as doenças sem solução, convivendo com as favelas e suas catástrofes, com o transporte público massacrante, com o caos e a violência urbana crescentes, sem educação de qualidade, constituindo uma massa de analfabetos funcionais.

Esta política criou as condições para a edificação na juventude de um exército de reserva para o narcotráfico, para o crack, e de uma base social imensa para setores fundamentalistas ideologicamente conservadores. Uma mistura perigosa e explosiva. Os ataques que o PT sofre agora desses setores, portanto, são subprodutos das opções que este fez ao chegar ao poder. O PT e sua candidata estão, apenas, começando a comer a papa quente que cozinharam alegre e malandramente.

Nós do PSOL entendemos que estabilidade econômica e ampliação do acesso popular a bens de consumo materiais são fundamentais, mas se isto não for compatibilizado com elevação do padrão cultural e humanístico da sociedade, caminharemos para o passado, pois a ética do futuro e do socialismo não é a do ter, mas a do ser.

Recife, 27 de outubro de 2010

Partido Socialismo e Liberdade – PSOL Diretório Regional de Pernambuco
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sábado, 25 de setembro de 2010

PSOL e Paim juntos: A superação do sectarismo? [Update]

A decisão do PSOL do Rio Grande do Sul, de abrir mão de uma de suas candidaturas ao Senado e passar a apoiar o petista Paulo Paim caiu como uma bomba.

Sai o Professor Carlos Lucas (MES/PSOL) e permanece Berna (CST/PSOL, próximos ao PSTU). Pairam dúvidas sobre se Berna apoiará Paim ou puxará votos para o PSTU. Aparentemente a decisão da Executiva do PSOL/RS não foi unânime e há descontentes.
Assim sendo, nosso partido, coerente com sua história e programa, comunica a decisão de retirar a candidatura do Companheiro Luiz Carlos Lucas, em perfeita consonância com a vontade individual deste militante, recomendando o segundo voto ao Senado em Paulo Paim.

Seguimos nosso perfil, como Partido Socialista e necessário, preservando nossa independência, reforçando o chamado à militância para eleger Pedro Ruas governador, Berna Menezes para o Senado na reta final de campanha.
De um lado, é um acréscimo importante e significativo à campanha do Paim, um excelente senador e que, segundo a própria Luciana Genro, defende muitas das bandeiras do PSOL - e, além disto, aparentemente aceitou um acordo de três pontos com o PSOL relacionados à questões previdenciárias, um dos estopins da expulsão dos "radicais" do PT e formação do PSOL -, de outro, uma demonstração de maturidade política que, pessoalmente, eu jamais acreditaria poder vir do MES.

Claro, podemos mais pra frente descobrir que houve, na verdade, uma negociata, troca de cargos e favores, mas pelo que temos hoje, não podemos chegar a esta conclusão.
Preocupados com as pesquisas que tem indicado a possibilidade de Ana Amélia Lemos (PP) e Germano Rigotto (PMDB) serem os dois candidatos eleitos, Paim e PSOL vinham conversando nos últimos dias sobre a possibilidade que agora se concretiza.
O PSOL resolveu apoiar Paim para que, junto com Luciana Genro, candidata do partido a deputada federal, o senador possa defender três pontos fundamentais: o fim do fator previdenciário, o reajuste das aposentadorias vinculado ao salário mínimo, e propostas contrárias aos “futuros ataques à previdência”, que, segundo o partido, se avizinham com as discussões sobre a reforma previdenciária.
A decisão foi tomada com votação na diretoria, hoje pela manhã, e decidida com 10 votos favoráveis e um contrário. Pedro Ruas, candidato do PSOL ao Piratini, anunciou a decisão, ressaltando que, apesar de algumas divergências com Paim, “nessa circunstância, com as candidaturas da direita ameaçando tomar um mandato que nós consideramos importante, e com o apoio e a total concordância do professor Lucas, resolvemos chamar o segundo voto do PSOL para o senador Paulo Paim”.
A decisão demonstra um profundo amadurecimento, e vem de uma das tendências mais desconectadas com os princípios do PSOL. É, sem dúvida, uma bela notícia. Ao invés do sectarismo que muitos acusam o PSOL de ter/ser bastião, uma atitude solidária que apenas fortalece a esquerda brasileira.

Mas o ponto mais importante da decisão talvez seja não só a superação do sectarismo de algumas alas do PSOL, mas a lição que o partido dá nos que acusam sua totalidadede um sectarismo que caberia melhor no PCO. Muitos acusam o PSOL de absurdos inaceitáveis, até mesmo de jogo da direita e, neste momento, a lição foi dada, e de forma magistral.

No Twitter li diversas reações. A maioria favorável à decisão do partido, mas muitos revoltados, inconformados com a decisão de apoiar um partido que chamam de traidor. Um sectarismo grotesco.
Claro, acredito que não é o momento para ufanismos deslocados. Se por um lado é acertada a decisão de buscar reaproximar a Esquerda, por outro ainda precisamos saber de todos os detalhes da decisão. Do que foi negociado. Do que está efetivamente por trás do acordo.

Acredito que a decisão possa ser debatida, discutida e questionada. É legítimo. Mas outra coisa é o sectarismo que defende um pseudo-purismo de candidaturas. Um purismo, aliás, que impediu até mesmo uma aliança entre as esquerdas (PSOL, PCB e PSTU).

Seriam justos argumentos tais como o de que não seria o momento para tal aliança, ou mesmo de que Paim não representaria bem as bandeiras do PSOL, mas outra coisa é o ataque nonsense, é deixar de bandeja uma importante vaga no Senado nas mãos de Ana Amélia ou Rigotto.

O PSOL teve a compreensão de que, mesmo não sendo absolutamente ideal apoiar o PT, que é sim possível negociar acordos de possibilidades e abrir mão do sectarismo e do purismo e pensar no que pode ser melhor para os trabalhadores, para o estado e para o país. Se a reclamação de alguns de que Paim não é perfeito, o melhor, sem dúvida não irão discordar que as opções possíveis existentes são ainda piores.

Agora resta apenas esperar para ver qual será a reação da militância como um todo quando a notícia se espalhar e se resultará em alguma mudança nas urnas em favor do Paim.
Ao ser questionado se as críticas do PSol contra o PT e a candidatura de Tarso Genro vão ser mantidas, o presidente do PSol afirmou que "nada muda". De acordo com Roberto Robaina, a solidariedade a Paim se dá através de um encontro de divergências que o PSol e o candidato têm com relação, inclusive, a práticas do PT. O PSol ainda não definiu se vai ceder os espaços de rádio e TV ao petista. Em nota à imprensa, uma minoria de correligionários do PSol se mostrou contrária à decisão.
Mas o saldo positivo está claro, a superação da infantil birra entre PT e PSOL que, embora sejam efetivamente diferentes, podem encontrar pontos em comum se assim buscarem. O sectarismo exacerbado não leva a lugar algum e apenas facilita para a direita a entrada no parlamento e o fortalecimento de suas posições.

Seria ideal que outros partidos de esquerda dessem passos semelhantes, buscando acordos sérios que aproximassem as bases e viabilizassem acordos contra a ascensão da direita em alguns estados. De forma alguma as diferenças entre os partidos seria anulada, mas seria possível a construção de bases mais sólidas de diálogo e aproximaria as esquerdas, propiciando futuros diálogos.

Mas algo que não podemos esquecer é que gestos como este do PSOL não podem nem serão corriqueiros. Abrir mão de uma candidatura não é algo que se faça apenas por boa vontade, mas apenas depois de profunda reflexão e comprometimento de ambas as partes.
Alguns já começaram a criticar o PSOL por ter tomado esta decisão no RS, mas não apoiar o Lindberg no Rio. São situações totalmente diferentes. Lindberg não tem um décimo da história de Paim, apenas para evitar ir muito além nas críticas quanto ao caráter do primeiro e suas alianças.

Esta decisão foi inédita e é absolutamente política. Não virou oba-oba.

O PSOL, porém, permanece como um partido visivelmente dividido e contraditório. Mas deu um passo tremendo no caminho de uma composição real de esquerdas e demonstrou profundo respeito pelo eleitor, pelo povo.
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Update:

O PSOL do Ceará chiou da decisão. Os pontos alencadosm enfim, são válidos. E agora?
Nota da Executiva Estadual do PSOL CE
 
O PSOL Ceará manifesta seu desacordo com a posição política da Executiva do PSOL Rio Grande do Sul relacionada à disputa do Senado. Retirar uma das candidaturas ao Senado para apoiar a reeleição de Paulo Paim do PT é desrespeitar nossas resoluções da conferencia eleitoral e do estatuto.
O documento apresentado pela III Conferência Eleitoral do PSOL declara que: “...A conjuntura atual, em cenário de falsas polarizações políticas para enganar o povo brasileiro, impõe a necessidade de se construir a unidade na esquerda socialista...” e logo adiante delimita esta esquerda no campo partidário: “ ...O PSOL conclama à unidade e à disposição necessária para se construir uma Frente de Esquerda como na exitosa unidade conquistada nas eleições de 2006 com o PSTU e PCB, e buscando os movimentos sociais e ecológicos autênticos...”.  Nosso programa esclarece em que campo político se localiza esta Frente de Esquerda, ao pautar a independência política da classe trabalhadora.
As chapas apresentadas pelo PT nessas eleições  representam o governo de coalizão de Lula, e, portanto a candidatura Paim expressa os compromissos com o projeto de desigualdade social, concentração de renda e enriquecimento das elites políticas e econômicas. Paulo Paim é favorável à transposição do rio São Francisco e apresentou voto favorável à liberação dos transgênicos. Em 2003, votou a favor da reforma da Previdência, a mesma que motivou a ruptura e expulsão de diversos militantes petistas que agora encontram-se no PSOL. Votar Paim é enfraquecer o PSOL e nossas candidaturas, sobretudo ao do nosso valoroso camarada Plínio de Arruda.
O PSOL deve manter a sua posição de completa independência e oposição ao governo federal. Devemos ser uma alternativa de esquerda à política vigente no país. Portanto, não devemos submeter nosso partido a nenhuma aliança, seja formal ou branca, a nenhum candidato ou partido que não esteja comprometido com o programa da esquerda socialista e democrática. Logo, reinvidicamos que a Executiva Nacional do Partido se manifeste para vetar tanto a iniciativa já criticada no Rio Grande do Sul, mas também o apoio informal ao PTB no Amapá.
Fortaleza - CE, 27 de setembro de 2010


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