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terça-feira, 29 de julho de 2014

A legitimidade e os legitimadores da violência estatal

É impressionante como as pessoas tem dentro delas um mecanismo de legitimação da violência estatal.

Se é o Estado que agride então é legítimo. Reclamar não pode e, se puder, só vale gritar enquanto apanha.

Reagir é crime. Estou longe de me alinhar automaticamente à tática Black Bloc ou de negar minhas infinitas críticas a seu uso - já deixei claro que defendo o uso da tática em termos defensivos e em casos específicos -, mas me impressiona o repúdio que pessoas ditas intelectuais expressam pelo seu uso.

Não faltam palavras para qualificar o absurdo e o horror que é pessoas se organizarem para se defender do Estado, mas faltam palavras para condenar uma polícia armada até os dentes, que assassina milhares de pessoas nas favelas e que, no asfalto, se contenta "apenas" em cegar jornalistas e brutalizar quem passar pela frente.

Temos 23 perseguidos políticos no Rio, temos o Fabio Hideki, temos o Rafael Braga e centenas, quiçá milhares de outros exemplos de pessoas presas - em geral pretas e pobres - ou mortas pela polícia sem direito à defesa. Atacados com armas letais ou "menos letais" e frente a tudo isso devemos nos limitar a gritar enquanto apanhamos ou a buscar as estruturas do mesmo Estado que criminaliza.

Mas reagir? Jamais.

E as razões desses críticos não são na base do "reagir com violência é burro porque atrairia uma resposta maior do Estado e não temos condições de vencê-lo no jogo da violência", que até faz sentido, mas sim no jogo do respeito à instituições falidas.

Realmente eu não entendo.

Por vezes estas pessoas me soam como legitimadoras da violência estatal. Se arrepiam ao imaginar um coquetel molotov, mas não vêem nada demais com balas de borracha. O Estado, dizem eles, pode. alguns até dizem que tem o dever de agir contra "arruaceiros" e "vândalos".

Claro, há os que se revoltam com a violência do Estado, mas se juntam ao coro dos protofascistas para dizer que devemos apenas e unicamente recorrer ao mesmo Estado esperando sentados pela cega e perdida justiça.

No fim isto apenas legitima a violência do Estado, ao encará-la como normal, como parte do jogo, ao passo que a reação é criminalizada. E este tipo de legitimação serve a quem?
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A estética e a ação Black Bloc

Black Bloc não é um grupo. Black Bloc é uma tática. Uma tática cujo cerne está na ação direta e numa estética particular.

Sejamos diretos: Quem não se veste de preto NÃO é Black Bloc. Um manifestante de vermelho violento é... um manifestante de vermelho violento e não um Black Bloc. E explico o porque.

Black Bloc é, novamente, estética. O estar de preto faz parte da tática, faz parte da ideia anarquista de um coletivo agindo como um só braço, de indivíduos juntos agindo como um só. Rostos cobertos e todos de preto significa que não são indivíduos agindo contra a PM ou contra símbolos do capitalismo (como bancos), mas sim um corpo único, um coletivo agindo uniformemente.

Sem este elemento não há Black Bloc, há apenas a venha violência em manifestações e protestos. Um Black Bloc pode ser considerado um manifestante violento, mas o inverso não se aplica.

Os Black Blocs não inovaram ao trazer a violência revolucionária às manifestações, inovaram ao transformar a raiva coletiva em uma ação conjunta uniforme. Despersonalizaram a autodefesa transformando-a em uma ação coletiva em que é difícil identificar individualmente os defensores.

O caso recente da morte do cinegrafista da Band, Santiago Andrade foi atribuído à ação de um Black Bloc, mas não poderia existir maior equívoco. O rapaz acusado, Caio, estava de cinza quando supostamente acendeu o rojão que vitimou o cinegrafista (e cujo alvo era a PM) e este detalhe é tudo que precisamos para afirmar que ele não era um Black Block, ou melhor, que naquele momento não estava pondo em prática a tática, ainda que nada impeça que ele tenha adotado a tática em outros momentos.

Uma pessoa não "é" Black Bloc, mas tão somente ela emprega a tática. Ainda que falemos, por costume, sobre "o" ou "os" Black Blocs.

Nada impede que em outros protestos ele tenha adotado a tática, se vestido de preto e atuado contra o Estado, mas no caso específico afirmar que ele era ou adotava a tática não é apenas um equívoco, é má fé.

Como escreveu o Pablo Ortellado:
Aqui, a tática tem sido empregada já há alguns anos segundo os princípios estabelecidos pelos primeiros black blocs norte-americanos: não atacar pessoas nem destruir propriedade dos pequenos comerciantes. [...] os manifestantes do Black Bloc entendem que a tática utilizada por eles é não violenta e de caráter fundamentalmente simbólico; entendem também que o ataque a pessoas e pequenos comércios deve ser condenado.
É por esse motivo que vincular a morte de Santiago aos black blocs não faz sentido, assim como não faz sentido tratar como uma violência da mesma natureza a destruição de vidraças de bancos e o ataque violento a seres humanos, parta ele de manifestantes ou da própria polícia. Há pelo menos sete outros casos de cidadãos que, desde junho de 2013, morreram ao fugir de ataques da polícia a manifestantes. A imprensa quase não cobriu essas mortes - como se elas não existissem. Há, na verdade, uma gradação de destaque na cobertura dos protestos: em primeiro lugar, a violência dos manifestantes; em seguida, a destruição de propriedade; por último e nem sempre citados, a violência da polícia e a causa das manifestações. Essa desproporção está na raiz do fenômeno Black Bloc, que busca atrair a atenção dos meios de comunicação para comunicar uma insatisfação política.
PT e Mídia: Os interesses...

Mas a quem interessa reduzir todo manifestante a um Black Bloc tendo em mente que "Black Bloc" virou sinônimo de "violento" para a grande mídia e para o PT?

Por mais irônico que pareça ao incauto, PT e Globo (e mídia me geral) operam em conjunto na criminalização dos protestos. Por mais que interesse à Globo o desgaste do PT por mil razões, não interessa desgastar ou prejudicar a Copa.

E é a Copa que une a todos os poderosos. A Globo investiu pesado, o governo investiu pesado. Logo, há um campo para junção de forças na criminalização das ruas.

E os fanáticos (pagos ou não) petistas estão animados na reprodução das mentiras espalhadas pela grande mídia, mesmo pela Veja, desde que isso signifique atacar às ruas (e também atacar o PSOL, outro alvo preferencial).

Ditadura

No Facebook o Rudá Ricci fez um comentário certeiro:
"Poxa! Tem gente de esquerda que fica postando marcha de estudantes com a inscrição "Geração 1968: não havia covardes, nem mascarados". Além de gosto duvidoso, fico pensando o que desejam com esta comparação. Não houve quem pegou em armas e se tornou clandestino? Eram covardes? Será que não daria para elevar o nível do debate político? Entrar nesta seara ou é autoelogio ou é ignorância."
Acrescento: Eu queria ver esse povo que odeia máscaras falar isso na cara dos Zapatistas...

Covarde é quem aplaude a PM, é quem aplaude movimento social, estudantes, ativistas tomando porrada. É quem aplaude jornalista tomando bala de borracha na cara, é quem aplaude repressão. aliás, covarde não, fascista.

Quem usa a memória dos que lutaram contra a Ditadura para defender repressão é pior que lixo, não merece o ar que respira, merece apenas desprezo e ostracismo.

Cobrir o rosto não é apenas uma forma de proteger a identidade, ainda que faça parte. Temos relatos de manifestantes sendo perseguidos pela PM até em casa, sendo ameaçados. Os governistas enchem a boca para defender a brutalidade da PM, que eles tem mesmo que bater em quem usa máscara, mas não gastam um só segundo para questionar as ameaças e intimidações que quem não cobre o rosto se depara.

Mas, como disse, cobrir o rosto não é apenas para proteção, mas é parte da estética do anonimato e do coletivo em torno da tática Black Bloc. E o princípio é muito semelhante ao do Anonymous. A máscara do Guy Fawkes não é um mero adereço divertido, e sim uma forma de centenas, milhares de ativistas agirem como um só, como uma só ideia, tendo na máscara a imagem do coletivo.

A cada dia que passa os governistas se enterram mais e mais. Não passam de fascistas. A criminalização dos Black Blocs é apenas a criminalização das ruas, dos movimentos sociais, da luta social. Não é fazer o "jogo da direita" é ser a própria direita.

230 presos em São Paulo...

No sábado, dia 22, ao menos 230 pessoas foram presas pela PM. Acusação? Serem Black Blocs.

A manifestação, segundo a PM, contava com 1000 pessoas. Manifestantes falavam em 2000. Seja como for, a PM prender entre 10 e 20% das pessoas que estavam na rua! Nem na Venezuela, com confrontos violentíssimos, chegou-se perto dessa cifra. Em uma semana o número não chegou perto dos 230 da PM paulista.

Inclusive foram detidos ao menos 5 jornalistas, chegando ao ponto da polícia anunciar que Black Blocs estariam usando crachás de imprensa para escapar da prisão. Seria risível se não fosse o reconhecimento de que a polícia brasileira é vergonha mundial.

Vejam a foto abaixo:
A maioria das pessoas de vermelho. Ou seja, nenhum deles pode ser chamado de Black Bloc. Mesmo os de preto não necessariamente o são. Pouco importa.

Vale a criminalização, a violência e a brutalidade contra manifestantes, jornalistas e advogados. Tudo com a torcida entusiasmada de petistas em geral.

Estamos perigosamente nos aproximando de um Estado fascista.
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Sobre Black Blocs e a necessidade da unidade de esquerda e mudança de tática

Escrevi há um tempo um texto que gerou muita polêmica, a ponto de certos governistas da tropa de choque, delatores fascistas como #SubEduBoilesen, atores homofóbicos que “saem do armário” para somar ganhos políticos como #Zedia, fakes como #Stanley, dentre outros capachos que orbitam em torno dessa corja, me ameaçarem, correrem atrás dos meus dados, meu nome (como se eu algum dia tivesse escondido meu nome ou que o “Tsavkko” não é de fato meu sobrenome, mas um nome que utilizo há anos na internet, na academia e no jornalismo), meu CPF...

Falta pouco para surgirem ameaças de morte.

Aliás, já recebo quase semanalmente ameaças de neonazistas e integralistas, receber de governistas cujo modus operandi e, em muitos casos, ideologia é tão semelhante a desses grupos de ódio não surpreende.

Mas, voltando...

O texto, enfim, fala sobre o uso da violência simbólica por parte dos Black Bloc e da necessidade de se ampliar o escopo dessa violência, buscando migrar de ações foquistas/vanguardistas contra agências bancárias, ônibus e infraestrutura pública – cuja destruição acaba por ser ou inútil ou mesmo contraproducente, ainda que compreensível em termos de revolta social – para ações mais amplas e mais eficazes.

Estas ações “mais eficazes” seriam buscar atingir os algozes da população, atingir os mandantes e os capachos que cumprem as ordens de reprimir.

Seriam PM's identificados por suas vítimas, seriam os políticos responsáveis pela repressão (escrevia, na época, com foco nos protestos do Rio, logo, os alvos seriam Cabral, Paes, Dilma e sua corja de apoiadores no legislativo, mas é preciso deixar claro que não podemos nos limitar a estes. Temos o PSDB em São Paulo e pelo país afora. Temos o DEM, o PP, o PTB... Falo de TODOS os políticos diretamente responsáveis pela repressão e violência contra o povo), enfim, seriam todos os agentes públicos responsáveis pelas tentativas de assassinar manifestantes nas ruas e que até agora cegaram e feriram dezenas.

E, obviamente, eu me referia à “violência política” não apenas como ato de jogar um coquetel molotov no PM que agrediu centenas, mas em “violência” de forma ampla. No ato de jogar ovos, tortas e afins em políticos, de impedir suas falas em eventos públicos, em impedir que votem projetos contra o povo, em ocupar câmaras e assembleias, em tornar a vida destes crápulas insustentável. Suponho que não tenha me expressado bem, admito, mas "violência" é muito mais do que apenas partir pra porrada.

Mas sim, a pura e simples violência como ato de revolta também. Sempre que necessário e visto como eficaz.

E deixei claro: em momento algum falei em matar. Não vejo como positivo levar a reação ao mesmo nível da ação violenta do Estado. O que devemos é ser mais inteligentes e saber usar nossa maioria contra as armas da minoria que comanda o Estado. Não sou pacifista, nunca fui, mas sem dúvida não calculei a repercussão e o alcance de minhas palavras. E a inviabilidade destas.

E, sejamos honestos, alguém acredita que teríamos sucesso batendo de frente com a PM ou formando guerrilhas? Seria suicídio e, pior, seria algo que iria contra os anseios de toda a população.

Infelizmente, nem todos tem a capacidade de entender textos simples ou mesmo foram capazes de ler e entender os livros de Marx, Lênin e afins que disseram ter lido quando ainda eram de esquerda – e quando o PT era de esquerda. Ou apenas se aburguesaram (ou sempre foram), tendo medo da violência como arma política nas mãos de quem temem: o povo.

Esses mesmos petistas e governistas, aliás, que enchem a boca para falar que nunca usaram máscaras, oras, então deveriam começar a criminalizar os Zapatistas e o Subcomandante Marcos, ou várias guerrilhas cujos membros e/ou líderes usavam máscaras para evitar que fossem reconhecidos e suas famílias sofressem represálias.

E sabemos do que a “nossa” PM é capaz.

Mas a reação...

Mas devo dizer que, em parte, me equivoquei. Não por defender o uso da violência revolucionária e popular contra a violência do Estado, mas em relação à capacidade de resposta do Estado frente à desorganização das forças populares cooptadas ou mesmo destruídas pelo PT, PSeudoB e aliados.

Não havia previsto que a resposta do Estado seria a óbvia: a de reprimir a periferia.

A de descontar sua raiva entre os mais vulneráveis. Em maio de 2006, mais de 500 jovens foram assassinados pela PM. A ampla maioria deles nunca tinha cometido um crime sequer, nenhum foi julgado, foram todos fuzilados.

E não se enganem, a periferia não tem aliados. Nenhum de nós tem. PT e PSDB são irmãos na repressão, com o ministro da Justiça (sic) declarando sua intenção de federalizar os “crimes de vandalismo” com o objetivo de esmagar os protestos e garantir uma Copa segura e feliz para os filhos da elite.

Já sobre os Crimes de Maio nenhuma palavra sobre a sua federalização. E exatamente esses crimes que me levam à conclusão atual. E, no fim, tivemos a morte de um cinegrafista. Uma morte infeliz, lamentável e cujos responsáveis merecem ser punidos. Mas não nos esqueçamos, a PM começou atirando. E isto importa. A violência da PM é sempre o estopim para a resposta. Por pior que seja a resposta.

Não temos a capacidade de enfrentar a PM, não temos a capacidade de enfrentar a violência do Estado, ao menos não com as suas armas. E nem devemos querer fazê-lo, já que as vítimas sempre são as mais vulneráveis e, em geral, são as do nosso lado.

Continuo achando válido o uso da violência simbólica, mas é preciso, antes, conseguirmos uma tática conjunta entre a esquerda, partidos, movimentos e mesmo adeptos do Black Bloc. Ações vanguardistas descoladas das massas são contraproducentes se levadas adiante em um cenário de ampla repressão policial. Não é inteligente.

Sou capaz de admitir meu erro e justificar: assim como muitos, a impotência diante da brutalidade apenas faz crescer nossa raiva. Faz-nos não calcular o alcance das ações (nossas e de outros).

Mudar...

Precisamos reconhecer o papel dos Black Blocs na defesa de movimentos, mas temos de exigir que seja só isso, uma tática de autodefesa. E que ela tenha o mínimo de organização, o mínimo de coordenação, mas se estivermos falando de grupos em si descoordenados. Os Black Blocs não são responsáveis pela violência reativa do Estado, mas são sim usado como desculpa para esta. A PM desconta sua raiva onde a mídia não vai, onde a classe média não se importa e onde o genocídio da população negra já é uma triste realidade.

Recai sobre eles a violência do asfalto.

Não é possível que o asfalto reaja sem antes ter em mente o papel da periferia, sem ter em mente a necessidade de uma coordenação. Mas, infelizmente, o Estado encontra formas de criminalizar e justificar sua violência contra os mais pobres, seja fazendo vista grossa para o aparente descontrole da PM, seja arranjando desculpas, como supostas infiltrações do PCC nos protestos.

Sou ainda defensor da resposta, do uso da violência simbólica defensiva, e acredito que é preciso ampliar a ação para escrachos, para ataques a políticos (repetindo que não faço em ataques buscando matar, mas sim em dar uma mensagem, como as manifestações no Rio que tem impedido, por exemplo, palestras do secretário de segurança Beltrame), mas de forma coordenada, de forma compactuada com as forças sociais estabelecidas.

A violência da PM deve ser combatida ali, na rua, mas tendo em mente as consequências desse combate. Infelizmente, não combatemos qualquer polícia, mas a polícia da Ditadura, a polícia que mais mata e tortura, e que não é controlada sequer pelos políticos, mas tem vida própria e sua vida significa a morte de outros.

Os Black Blocs são um fenômeno social relevante, mesmo importante, mas é preciso ter em mente o alcance de suas ações e a resposta a elas. Como disse Antônio Martins (e seu texto foi em grande parte a razão para este meu texto), os Black Blocs não devem sumir ou assumir derrota, pelo contrário, devem ser incorporados ao debate junto com as forças políticas e sociais estabelecidas.

Ser incapaz de mudar de tática revelaria inteligência reduzida – como a das moscas que se batem contra o vidro, recuando a cada choque, mas insistindo no mesmo trajeto, condenado de antemão. É preciso buscar outros caminhos, e essa responsabilidade cabe a todos, solidariamente.

Para que todos sejamos capazes de escapar à cilada, ninguém pode ser humilhado. Haverá muito tempo para os debates político-ideológicos entre as várias culturas anticapitalistas e suas nuances – mas insistir neles agora seria desastroso para todos.

A violência simbólica nas manifestações precisa refluir, rapidamente.

Como os Black Blocs não estão inseridos nos debates que outros coletivos travam costumeiramente entre si, será decisiva para isso a ação de grupos que souberam manter diálogo com eles – em especial o Movimento Passe Livre (MPL), um caso notável, por ligar-se simultaneamente às duas culturas políticas de esquerda. Mas este silêncio da tática do bloco negro não pode (inclusive para que funcione) significar que foram derrotados. Ao contrário, deve abrir espaço para incorporá-los ao debate.

É preciso compreender que o problema em si não são os Black Blocs, mas sim a falta de unidade da esquerda, da unidade de ação, de controle e direcionamento da tática.

É preciso enxergar a política absurda de criminalização levada a cabo pela mídia e pelos fascistas ligados ao PT. Factóides com o fusca, quase um novo Rio Centro e agora a morte do jornalista - que, em mais um factóide, tentaram creditar ao Marcelo Freixo -, demonstram o poder da mídia e do governo. É preciso responder com inteligência.

É preciso agrupar as forças populares para resistir à violência do Estado, mas antes de respondermos com violência, precisamos nos preparar para as consequências. A morte do colega cinegrafista é algo intolerável, um "dano colateral" inaceitável. Frente a isto fica claro que há algo errado e não é apenas a violência do Estado, a criminalização patrocinada pelos fanáticos petistas ou qualquer outra coisa.

A nossa resposta está errada ou, ao menos, desfocada.

Mesmo que a morte do cinegrafista nada tenha a ver com os Black Blocs - e tudo leva a crer que realmente não tenha - é preciso repensar a tática por uma simples razão: ela abriu espaço para a criminalização de todo o conjunto da sociedade. Não apenas de manifestantes, mas da sociedade como um todo, que pode ser enquadrada como "terrorista" por levantar a voz.

Sobre os acontecimentos recentes, um triste resumo:
Faltava um corpo. Uma pessoa morta pra servir de mártir e justificar a barbárie de Estado.

Amarildo não deu conta. Morto justamente por essa barbárie, não atendia aos interesses da "lei e ordem" contra as "forças oponentes". O menino amarrado ao poste também não. Vivo, mas sem voz, é também objeto do medo que aceita o genocídio como mecanismo de segurança.

Agora sim, agora chegou o cadáver que servirá de exemplo. E que será diariamente vilipendiado como meio de legitimar a violência de antes (com um efeito retroativo que esconde a genealogia por trás da reação popular) a de agora é a que ainda está por vir - e não será pouca.

Os discursos que se seguirão usarão dele e da compaixão pela dor da família e pela morte precoce e estúpida pra criar o medo e trazer à reboque mais repressão. O cidadão de bem, assustado, agora sim, irá se sensibilizar da fatalidade e, como é de ser nesse ciclo da fabricação do medo, estará junto da violência estatal, que defenderá por ser necessária para sua segurança contra os "terroristas".

Sim, é, terroristas. Chegou aquele dia em que o termo ganha os jornais e rádios e tvs brasileiros, inserindo o país nessa "onda global" contra o terrorismo que ignora o verdadeiro terrorismo - o de Estado - e anuncia caricaturas de inimigos, rifando a vida dos mais frágeis e usando a morte de um homem como símbolo.

O jornalista bigodudo da academia brasileira de letras usou hoje o termo ao comentar a morte do cinegrafista.

Está só começando. E não é de se surpreender. Cantamos essa bola TANTAS vezes no ano passado.

O desafio é não comprar o novo inimigo que te vendem.

Estado de exceção FIFA.

GAME: ON.
E um texto necessário do Bruno Cava como comentário final:
É lamentável que o Santiago, o cinegrafista, tenha sido seriamente ferido com um rojão e, hoje, morrido em decorrência do ferimento, deixando arrasada a família, amigos, colegas. É muito triste e eu torço, sinceramente, por todos eles nesse momento péssimo. Também considero um erro deixar um rojão imprevisível aceso no chão, mesmo no momento de maior stress.

Eu não faria, e não pode ser recomendado. Dito isto, está mais do que evidente que a grande mídia esteja arrancando tudo de perspectiva. O que está acontecendo é um clássico clima de caça às bruxas, pra tirar todo tipo de casquinha, inclusive eleitoral. Essa é a mesma grande mídia que não tarda em justificar assassinatos, chacinas, abusos e sumiços com suas senhas características: "envolvido com o tráfico", "ficha na polícia", "seguia página de protesto" etc.

Cadê os peritos da Globo na chacina da Maré de 24/6/13, ou no incêndio da casa de Gleise? Com a novidade, agora, do reforço de blogueiros e comentadores de "esquerda", que parecem comemorar diante da momentânea vitória dos grandes meios em impor a sua pauta. Passam anos criticando o PIG para ser o PIG, na mesma narrativa, apesar do estilo "humanizado".

Invertendo a relação de causa e efeito, atribuem a responsabilidade sobre a violência para o lado dos manifestantes (é exceção e raridade machucarem alguém), e não na polícia (é regra e modus operandi machucarem muitos, sob ordens superiores). Nesse raciocínio invertido, os não-violentos deveriam cessar a violência para que os violentos de sempre não possam ter mais um pretexto para ser violentos.

A violência policial é naturalizada e transformada numa constante imutável. Digamos novamente o óbvio: é realmente lamentável o que aconteceu com o cinegrafista, isso deve ser objeto de autocrítica e muita reflexão sobre meios, táticas e, sobretudo, a organização do movimento. Também é lamentável o caso de milhares de manifestantes espancados, humilhados, feridos gravemente, difamados, presos sem provas, cegados e inclusive baleados pelas forças, sob o comando dos governos, desde junho de 2013.

Isto não é desviar o assunto, nem nivelar violências, justificando-se reciprocamente. Este é o próprio assunto, e isto é justamente mostrar o painel completo de violências, todas elas lamentáveis, para se compreender a relação de causa e efeito. Quem quer nivelar violências é o próprio poder, onde a polícia reage, ou onde a polícia encontra um pretexto para ser o que ela é: a violência institucionalizada.

Desculpem, mas eu não vou entrar nos automatismos de ficar no sofá e condenar a violência enquanto violência, ignorando o cenário geral, suas causas e efeitos. Mas é bom se preparar, e continuar construindo narrativas alternativas. Porque vai aumentar o linchamento corporal, político e midiático das mobilizações democráticas no Brasil.
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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O Cinegrafista, a Globo e o PT: Um novo Rio Centro?

Muita gente tem comentado que este caso do cinegrafista seria um "Rio Centro" moderno.

Começo a acreditar. Globo e governistas estão afiados na criminalização dos manifestantes.

Vocês viram qualquer palavra de lamento vinda de governistas quando o rapaz em São Paulo foi baleado no peito pela PM? Ou lamentações pela jornalista da Folha com tiro no olho ou do fotógrafo que foi cegado pela PM? Ou mesmo qualquer repúdio à imensa violência contra manifestantes tanto em junho quanto depois?

Não.

Mobilização de governistas pelo Amarildo? Não, eles defendem as UPPs (projeto de seu governo com o PMDB, aliás). Mobilização contra as denúncias de que o governo espiona e se infiltra em movimentos sociais e de trabalhadores? Não, eles apoiam tudo isso.

Não viram e nem vão ver, porque pros governistas só interessa defender a repressão, defender os interesses do PT, e que maior interesse há que a Copa? O sucesso da Copa é a base para a reeleição de Dilma. E os governistas farão de TUDO para garantir que ela aconteça (Copa e reeleição).

Dilma em momento algum foi à TV repudiar a violência da PM. Mas repudiou a reação à esta violência. E nem estou dizendo que alguém é obrigado a DEFENDER, por exemplo, a tática Black Bloc. O buraco é bem mais embaixo.


Usam e usarão os métodos mais baixos para conseguir isso. Seja manipulando fotos para pintar os Black Bloc como nazistas (http://is.gd/YlidVN), seja chamando manifestantes de terroristas em claro apoio à tentativa de senadores da "Base Aliada" (como aquele povo de esquerda tipo Crivella) de tipificarem o "crime de terrorismo" (http://is.gd/tNIO1p) ou, de forma mais "branda" exigindo que se manifestar nas ruas seja "crime inafiançável" (http://is.gd/blUHZ5).

Sim, pedir que o "protesto violento" seja considerado "crime inafiançável" basicamente quer dizer que QUALQUER reação popular aos abusos da PM (comandadas pelo PT, PMDB ou PSDB) deve ser motivo para prisão sem qualquer discussão.
"Coxinha" na boca da esquerda, está para "vagabundo e maconheiro" na boca da direita. Estereótipos, falta de politização nos debates e arrogância de quem se acha portador de grandes verdades.. Como se a luta de classes, a complexidade ideológica e o jogo de interesses pudesse se resumir a simplificações tão imbecis... Via Gabriel de Barcelos, sobre governistas
Isso inclui movimentos sociais, MST, movimento sem teto, enfim, TODO e QUALQUER movimento que simplesmente jogue uma garrafa de plástico, por exemplo, contra um PM que, armado com pimenta, bombas e bala de borracha, tenta matar quem está nas ruas exigindo direitos.

Estamos diante de duas possibilidades:

a) Uma orquestração por parte dos governistas, junto com a grande mídia (chamada por eles de PIG, mas FINANCIADA pelo PT e, logo, com dívidas a serem pagas), para criminalizar qualquer protesto a fim de assegurar a reeleição de Dilma.

b) A criação destes e de outros factóides não necessitam de uma ligação direta entre Globo/Mídia e governistas (por mais que haja a imensa possibilidade), podemos estar diante apenas de um encontro de interesses extremamente feliz (para eles). Um processo medonho de retroalimentação em que um lado se aproveita dos dejetos liberados pelo outro.


Mas porque digo tudo isso?

Em parte por essa belezinha abaixo:


E a resposta do Freixo:
Nota de esclarecimento:

A acusação publicada hoje pelo portal G1 é irresponsável e leviana. Segundo a matéria, uma ativista teria ligado para o estagiário do advogado de Fábio Raposo e dito que o responsável por acender o rojão que atingiu o cinegrafista Santiago Andrade é ligado a mim.

Além de a fonte da informação ser de uma fragilidade absurda e de a própria ativista negar ter me associado ao ocorrido, nenhuma prova concreta foi apresentada. Aqueles que afirmarem que o responsável pela explosão é ligado a mim terão que provar. Caso contrário, serão devidamente processados.

Sempre repudiei a violência nos protestos, seja ela praticada por manifestantes ou policiais. Discordo dela como princípio e como método para conquistar qualquer coisa.

As investigações sobre essa tragédia apenas começaram e é triste ver que um assunto tão importante e delicado é tratado com tamanha irresponsabilidade. A quem interessa transformar uma informação tão frágil num acusação tão grave?
Mas o Freixo não tem nem a Globo e nem a chave do cofre que sustenta a Globo para rebater as acusações que, aliás, são reproduzidas por governistas, como #Eduguim.

Mais um exemplo?
E nem vou entrar na manipulação do fusca, assunto já resolvido e que apenas serve como cavalo de tróia para a "militância" fanatizada.

É impressionante, mas vislumbramos um SEGUNDO Rio Centro patrocinado por Globo/Governistas: O Fusca e o "estagiário-bomba-que-acusa-o-freixo-de-ser/apoiar-black-bloc".

Enfim, estamos diante de um assustador quadro de criminalização, com o PT capitaneando o processo.

É assustador e perigoso, pois o alcance é geral, atingirá a TODOS os movimentos sociais. Qualquer reação à brutalidade do Estado será considerada terrorismo, mesmo quando não houver reação manifestantes poderão ser enquadrados, assim como hoje são presos por "desacatar" a autoridade (sic) de bandidos fardados.

Este é o país que o PT tem construído. Junto com PMDB, PSeudoB e demais aliados e, claro, em muitos pontos, com o apoio entusiasmado do PSDB que neste momento deve sentir inveja da capacidade do PT fazer tudo aquilo que eles tentaram por anos. Mas o PT barrava.

Os governistas não conseguiram seu Rio Centro com o fusca, agora tentam de novo. Com o apoio da Globo.

Como definiu bem, no Twitter, o Bruno Borges (@borgesbm): "É amigos. 2014 promete bater todos os recordes de sordidez política. Apertem os cintos"
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domingo, 26 de janeiro de 2014

Não alimente os governistas: Sobre manipulações descaradas e fanatismo

Reproduzi ontem comentário feito pelo perfil do @Governismo em que alerto para a necessidade de se parar de alimentar os trolls governistas:
Não alimente o governismo!

Eu tenho a política de não postar links de sites e blogs canalhas governistas como Diário do Centro do Mundo, Brasil 247, dentre outros. Até do Vi o Mundo evito (pese não ser o pior).

Porque?

Simples: Porque mesmo que haja algo que se salve nesses blogs/sites, faz parte da tática. Atraem o leitor incauto.

E esse leitor vai atras de mais conteúdo por lá. E qual é o conteúdo? PT é maravilhoso, não tem nenhum problema de DH, viva a Copa, não tem homofobia no país, genocídio indígena, retrocessos, privatizações e etc.

É uma linda tática essa de postar algo prestável em meio a tanta MERDA e deixar que alguns se afoguem nela. Quando você compartilha algo que "presta", você abre a porta do lixo governista para seus seguidores que, confiando em você, podem achar que TODO aquele conteúdo é sério.

Eu não ajudo a divulgar.

E como bem lembrou o @ViuVotouNoPaes, no Twitter, cada click/visita nessas páginas governistas é grana que entra no bolso deles. De fontes tão diversas quanto os pelegos da CTB, a Caixa e afins.

Não divulgue links de portais governistas, não leia portais governistas. Mantenha sua TL limpa e a dos outros também, não dê ibope para o fanatismo governista.

E uma das melhores formas de se informar sobre páginas e perfis a evitar é acompanhar o Governismo, a doença infantil!
E reforço:
Isso vale obviamente pra blogs governistas, como os do fanático demente Eduardo Guimarães, Maria Frô, etc...
Mas vou além, e denuncio o perigo que essa gente representa. O perigo de suas manipulações, desinformação, acusações falsas e como fecham os olhos para a violência real contra a população.

E alerto: Não basta se indignar, é preciso denunciar. É preciso compartilhar denúncias, fazê-las circular, para constranger o governista demente, para alertar a outros sobre as manipulações e absurdos governistas. Não seja passivo, aja.

Na manifestação de sábado contra a Copa tivemos um verdadeiro show de horrores absolutamente ignorado por governistas de toda espécie e manipulações assustadoras.

Um exemplo?

Vejam se algum blogueiro governista ou alguma mídia governista se indignou com o rapaz que foi BALEADO pela PM durante a manifestação:

Um rapaz foi baleado em Higienópolis, na noite desse sábado, durante o protesto contra a realização da Copa do Mundo no Brasil. A manifestação tomou o centro de São Paulo e terminou em vandalismo e 146 manifestantes presos.
Fabrício Proteus Nunes Fonseca Mendonça Chaves foi encontrado com três tiros –dois no peito e um na virilha–, na esquina da rua Sabará com a rua Piauí, rodeado por um grupo de pelo menos quatro policiais militares. 
O sociólogo Rudá Ricci tem alertado para o perigo do fanatismo e das posições absolutamente radicais de alguns: 
Vejam a insanidade que estou tentando alertar desde ontem à noite. Eu havia sido informado deste caso e, quem me informou, dizia que o rapaz não portava absolutamente nada.
Em comentário a postagem do jornalista Renato Rovai, que "denunciava" um fusca queimado (sic) pelos Black Blocs, Rudá continuou:
[...] nós, de esquerda, temos a obrigação de diferenciar a análise das manifestações da sua criminalização. Os Comitês Populares da Copa, que tiraram a palavra de ordem Nâo vai ter Copa no ano passado, tem páginas na internet, abertas, com suas propostas e justificativas. A queima do fusca, obviamente, não teve relação alguma com a manifestação. Pior, a Folha noticia o assassinato de um manifestantes, em Higienópolis. Um amigo, da USP, havia enviado uma mensagem para mim, ontem à noite, dizendo ter presenciado a execução, da janela de seu apartamento. Enfim, é preciso muita atenção e equilíbrio neste momento.
Em outras palavras, e conhecendo a PM paulista, sabemos que na verdade o rapaz provavelmente se desgarrou do grosso da manifestação e foi emboscado por PMs sedentos de sangue. Você não encontrará um lamento em qualquer mídia governista, mas é capaz de encontrar quem aplauda o ato da PM.

Vejam bem, um homem foi executado pela PM, mas como estava na manifestação.... 

Um fusca pegou fogo na Rua da Consolação, na altura da Praça Roosevelt e imediatamente a "militância" governista atacou os Black Blocs. Pena, para eles, que até o Estadão - além de testemunhas - desmentiu a versão.
E o perfil da Mídia Ninja no Facebook esclareceu:
O MITO DO FUSCA: Uso da desinformação pela grande imprensa

Um senhor amedrontado, que dirigia um fusca onde estava sua família, tentou atravessar o fogo de uma barricada mas um colchão ficou preso embaixo de seu carro, sem notar o ocorrido e visivelmente atordoado, ele não desceu do carro para ver o que acontecia, ao perceber que o motorista não respondia aos alertas de que deveria sair do carro, fotógrafos e manifestantes retiram sua família salvando todos do fogo, na proximada da Praça Roosevelt, em São Paulo.

A sequência de fotos é explicativa. As manchetes dos grandes jornais e TVs anunciam, desde ontem, que o carro em chamas foi fruto de um "ataque" e "incendiado por manifestantes", o que é uma farsa, já que ninguém ateou fogo no veículo.

Mas mesmo com todos os esclarecimentos, a "militância"  governista continua no ataque.
É possível discutir sobre a inteligência de se armar barricadas com fogo nas ruas, pode-se argumentar que o motorista do fusca se desesperou e tentou fugir de forma imprudente no meio do fogo, mas CULPAR acusando de premeditação e "terrorismo" os Black Blocs que armaram barricadas para se proteger dos ataques da PM?

Vejam este vídeo impressionante, da PM invadindo um hotel na Augusta onde manifestnates se refugiavam. Entraram gritando, atirando a queima roupa e agredindo pessoas visivelmente pacíficas e rendidas:

Você não achará este vídeo em qualquer blog governista. No máximo aplaudirão e farão coro ao Cardozo, ministro da justiça de Dilma, que já ofereceu a Força Nacional para ajudar a PM a reprimir.


Recentemente não acreditei em meus olhos quando vi a seguinte postagem feita no Facebook e no Twitter do fanático Eduardo Guimarães, o @Eduguim (vulgo #Umbiguim):
Como se vê, o blogueiro fez uma manipulação grotesca de uma foto famosa que circulou por muito tempo, de um black bloc sobre um carro da polícia que tinha sido virado em meio a uma manifestação.

Não contente, a figura continuou:

Vocês tem noção da gravidade? Esta figura, de alguma maneira, alcança milhares de pessoas, seus posts são repercutidos por outros com igual alcance e qualquer um que tente desmentir é imediatamente bloqueado e tem seus comentários apagados, afinal o contraditório não existe para os capachos do PT.

No caso da primeira imagem, uma manipulação grotesca. Na segunda, idem, a foto do carro virado, da Guarda Municipal do Rio, é de um protesto de camelôs que ocorreu no dia anterior, onde o PTMDB tentou confiscar (eufemismo para roubar) as mercadorias dos camelôs no centro da cidade e a população reagiu bravamente.

O blogueiro fanático depois tentou "esclarecer", que ele não tinha feito as manipulações, tinha "apenas" as repassado. Pois é, essa foi a desculpa.

Mas vocês acham que as manipulações acabaram por aí? De jeito nenhum!

No dia seguinte ao protesto ele postou em seu canal do Youtube um vídeo impressionante. 
Reparem que em momento algum ele tenta entrevistar um manifestante. Ao invés disso via até um bar na Paulista, onde só quem tem grana pode consumir, e "entrevista" os presentes sobre o que pensam da Copa e do protesto.

Sim, esta é a visão dele sobre a opinião do "povo". Um bar na Paulista (por consequência um bar caro onde o "povo" dificilmente teria acesso). Ele entrevistou algum manifestante? Não, são todos "coxinhas", "fascistas".

Mas não é o pior, notem aos 5:20 a manipulação descarada quando ele para o vídeo e insere uma foto de dois manifestantes que aparentemente criticam Dilma e Lula (pra ele isso em si é criminoso). Não que protestar contra o PT, oras, a Copa é obra desse partido, seja errado ou indevido, mas o pior é que segundo testemunhas essas duas pessoas mascaradas NÃO ESTAVAM na manifestação. Tampouco essas duas pessoas aparecem em qualquer foto na mídia do protesto de sábado em São Paulo.
Manifestação EM BRASÍLIA!
Com todas as letras, o blogueiro petista MANIPULOU descaradamente e inseriu uma foto de pessoas quem NÃO ESTAVAM na Paulista como se fosse do protesto que ele "cobria".

Em seu blog o fanático #Umbiguim escreveu:
Conversei com vários integrantes do movimento, mas nenhum quis gravar entrevista. Contudo, consegui a informação de que, em grande parte, eram militantes do PSOL, do PSTU e da Rede (de Marina Silva).
Cartazes contra políticos, só vi contra Lula e Dilma.
Pelo vídeo do blogueiro vemos que ele NÃO tentou entrevistar ninguém no meio da manifestação, mas vamos fingir que acreditamos. Vemos no vídeo e em diversas fotos pela mídia que havia gente do PSOL, PSTU, POR, MEPR, LER-QI e de diversos coletivos e movimentos sociais presentes na Paulista, mas não se vê nenhuma bandeira da "Rede", que sequer existe e cujo projeto foi aparentemente abandonado. Todos os grupos acima são "de direita" segundo os petistas. E não consegui identificar NENHUM cartaz diretamente contra Lula ou Dilma na manifestação.

Ou o "PIG" escondeu todas as fotos do que o blogueiro afirmou ter visto (mas também não aparece em seu vídeo)?

A tática governista é simples: Tentar colar as manifestações contra a Copa na "direita". Aplaudir a violência da PM, delatar manifestantes, e blindar o PT.

Mas a manipulação governista é ainda mais cruel, é pessoal. Dêem uma olhada:
Eu não moro no Brasil há quase 6 meses, mas sem dúvida devo ter usado meu aparelho de teletransporte pessoal para ir a São Paulo e agredir um garçom! Provas? Não precisam. A ideia é apenas denegrir, caluniar, atacar sem a necessidade de qualquer tipo de provas, até porque suas acusações são compartilhadas e repassadas por outros "militantes" acríticos e se espalham

Juntem tudo isso à pregação religiosa petista diária de que "Dilma não privatiza, concede" - como se fosse diferente, que Dilma não prega a homofobia (pese cancelamento de campanhas contra a Homofobia e o famoso "não farei propaganda de opção sexual e aliança com evangélicos fundamentalistas), que não contribui para o gneocídio indígena (aliada com a Katia Abreu)...

Petismo/governismo, hoje, não passa de religião.

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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Três rápidos pensamentos sobre a relação entre Black Blocs, Zapatistas e Israel

Pensamento 1: Quem diz que qualquer mascarado é bandido, ou que os Black Blocs são bandidos a priori por cobrir o rosto (como o imbecil do Lula disse por esses dias) deve achar, então, que os Zapatistas e o Subcomandante Marcos são bandidos. Certo?

Os Zapatistas cobrem o rosto. Não se sabe nem a identidade do Subcomandante Marcos! Criminosos!, bradaria @edugoldenberg ou @brsamba e depois os delataria à PM (ou a seu equivalente mexicano).

E é bom lembrar que os mesmos que criticam os Black Blocs por cobrir o rosto (com a PM violenta que temos alguns provavelmente apareceriam mortos em suas casas, e já temos relatos de gente sendo presa em casa) nunca critica a PM por fazer o mesmo.

Mas é a PM do Cabral, do PT... aí pode.

Cobrir o rosto na chique Itália não tem problema. Protestar mascarado na Europa não pega nada. O problema é querer fazer o mesmo no Brasil! Que absurdo o desplante desses fascistas ousarem querer protestar e não permitir que os identifiquemos para depois mandar a PM os visitar em casa! 

Pensamento 2: Dizem os petistas de boca cheia que somos uma democracia. Sim, uma perfeita democracia, linda e maravilhosa. Alguns ensaiam um tom mais conciliatório, que não é perfeita, mas, oras, podemos votar, podemos protestar, podemos reclamar.

Pergunto: Israel é uma democracia?

Oras, por lá as pessoas votam, podem protestar, porem reclamar. Mas se você for um Palestino você será preso ou morto por protestar e o governo fará de tudo para que você não possa votar.

Que bela democracia!

Mas levando em conta que petistas passaram semanas DEFENDENDO Israel apenas para atacar a um membro do PSOL (Babá), nada surpreende mais.

Democracia para poucos não é democracia. Democracia das armas, não é democracia. Democracia em que poucos mantém um exército para agredir e matar qualquer um que ouse discordar não é democracia.

Aprendam governistas, coerência é algo difícil de sustentar. Logo, desistam.

Pensamento 3 (e este vale também para a esquerda):  Quem transformou a PM em vítima depois da "agressão" ao Coronel Reynaldo foi a mídia, não os Black Blocs. 

Esse argumento legitimador da violência policial é canalha - pra dizer o mínimo. 

Então vamos condenar o MST quando seus membros acabaram com a plantação da Cutrale, afinal, a mídia falou mal e isso ferrou o movimento, certo? Em junho a mesma coisa, SEM Black Blocs a mídia nos chamava a todos de vândalos por atrapalhar o trânsito, vamos parar então, senão vamos prejudicar nossas lutas!

Da direita (PSDB, PMDB, PT e afins) não espero nada, mas setores do PSOL e o PSTU ficarem de #mimimi por temerem perder o posto de SUPOSTA vanguarda frente aos Black Blocs (que sequer grupo são) é ridículo e é fazer o jogo de quem quer criminalizar todo o movimento social.

Por fim, recomendo o artigo que escrevi para o Amálgama sobre os Black Blocs, buscando desconstruir mitos e mentiras.
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terça-feira, 29 de outubro de 2013

A PM mata e os governos matam os protestos

O PM que assassinou Douglas Rodrigues, de 17 anos, na Zona Norte de São Paulo é um "vândalo"? Não segundo a mídia.

Criminoso? Jamais!

Pobre coitado que apontava uma arma para o peito de um rapaz que, vejam só, disparou! Arminha vagabunda essa que mira o peito de alguém e dispara sozinha contra um rapaz que não fazia absolutamente nada. Porque o PM saiu de seu carro com a arma na mão, aliás?

E são tantos os protestos pacíficos acontecendo pelo país, não é? Em nenhum a PM tenta matar, espancar, forjar provas e etc! Absurdo pensar que a PM seria capaz de matar um inocente!

Claro que uma besteira como termos uma PM assassina que mata indiscriminadamente e sem dó, que tortura e "desaparece" com pessoas todo santo dia não deveria justificar "vandalismo"!

E depois vem governista foder minha paciência quando eu digo que temos de reagir a estes crimes com violência popular e revolucionária. Pois é, vamos morrer que nem ratos, encolhidos, com medo e resignados. Nunca atrapalhar os planos de poder dessa corja do PT/PMDB/PSDB.

Aliás, melhor nem protestar, assim Dilma se elege logo e não precisa ficar apoiando o PSDB de Alckmin na repressão, oferecendo "ajuda" federal (Força Nacional, Exército... só gente boa). O PT poderia continuar a fingir que é diferente do PSDB e não a MESMA MERDA, tanto ideologicamente quanto na prática.

Por isso vou morrer repetindo que votamos no PT e ganhamos um PSDB piorado e com uma corja de "militantes" dispostos a tudo.


A desmilitarização da PM urge. Mas que governo irá querer desmobilizar sua guarda quase pretoriana?

E ano que vem é eleição, o PT já reservou 12 milhões para a "militância" virtual fazer sua parte: Criminalizar, "endireitar", defender cegamente privatizações e crimes do governo, defender PM e pregar o mais puro fascismo.

Aliás, um pensamento: alguém acha que é coincidência as declarações de governos de que vão aumentar a repressão e não vão tolerar mais protestos e até a declaração do governo de são Paulo de que o PCC estaria infiltrado nos protestos? Aí "de repente" tem PCC no meio de protesto na Zona Norte de São Paulo e "Black Blocs" "agridem" um coronel no centro?

Ninguém nota o timing absolutamente suspeito? Acharam a forma de matar os protestos.

E em parte a culpa disso é da esquerda. Da esquerda que ao invés de abrir um diálogo com os Black Blocs, de tentar organizar o uso da tática, preferiram adotar o discurso fácil frente ao medo de perder a relevância e o papel de suposta vanguarda.
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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Da Carta Capital ao PSTU: Os Black Blocs e a Revolução, análise de um equívoco.

Duas interessantes discussões surgiram sobre o papel dos Black Blocs. Uma vem da Carta Capital, a outra do PSTU.

Tenho concordâncias com ambos os textos, na verdade concordância total com o texto da Carta Capital que, inclusive, usei como base para meu texto sobre o mesmo assunto.

O texto da Carta, ao que me parece, escrito pelo André Takahashi se centra mais em explicar os Black Blocs e menos em fazer juízo de valor sobre seu papel/ação. Traz algumas questões que o texto em si não responde, mas deixa no ar.
Como diferenciar o Black Bloc do agente provocador infiltrado, que está na manifestação apenas para criar fatos que justifiquem a repressão? A suspeita sobre os P2 levanta outra questão: até que ponto a violência por parte dos manifestantes serve aos interesses de determinado governo?
Cada caso é um caso, e só nos resta avaliar cada conjuntura com lucidez, a fim de que não sejamos levados a tomar opinião direcionados por interesses ocultos. Formação política, clareza dos objetivos e capacidade de análise de conjuntura serão dos fatores determinantes para o futuro da ação direta urbana no Brasil, seja ela violenta ou não violenta.
E de fato, tenho total convergência com os pontos abordados, ao passo que acredito que meu texto tenha respondido algumas das questões, ao defender abertamente a tática/ideia/movimento Black Bloc enquanto autodefesa, mas negar a utilidade enquanto ataque.

E neste ponto encontro pontos em comum com o texto do PSTU:
Mas queremos dizer, com clareza, que as ações desses grupos nos parecem completamente equivocadas. Os “Black Blocs” defendem a “propaganda pela ação”. Ou seja, defendem a utilização do método das depredações das fachadas de bancos, empresas, lojas de grifes e tudo o que simboliza o capitalismo porque, assim, estariam enfraquecendo o sistema.
Nós, do PSTU, não temos nenhum apreço por essas instituições. Muito pelo contrário. Mas, consideramos que esses métodos não enfraquecem os grandes empresários. Ao contrário, lhes dão um argumento para jogar a opinião pública – e muitos trabalhadores – contra as manifestações e, assim, preparar a repressão. Sua “ação direta” é típica de setores de vanguarda, descolados das massas, que terminam por fazer o jogo da direita, justificando a repressão.
Desta citação discordo do termo "jogo da direita", comumente usado por setores majoritários petistas para deslegitimar a oposição de esquerda. Não cabe aqui. Mas em geral, é o que penso em termos da utilidade da tática ofensiva de ação direta dos Black Blocs.

O texto do PSTU ainda completa este raciocínio, demonstrando como a ação dos Black Blocs por vezes acaba por atrapalhar as manifestações, trazendo para os manifestantes a violência (que chegaria de qualquer forma, mas teria o diferencial importante para a opinião pública do "quem começou primeiro").

Enfim, enquanto o texto da Carta Capital faz uma análise sobre o que é ou são os Black Blocs, o do PSTU os qualifica e analisa em termos de ações.

E chegamos no meu ponto de discordância. Diz o PSTU:
Mas se esses grupos, aparentemente radicais, são equivocados no que se refere ao método de ação, também possuem outra grave limitação: a falta de um programa revolucionário.
Não estamos falando de revolução.

Como escrevi a um amigo do partido sobre o assunto:
Concordo com a análise inicial, mas começo a discordar quando começa com "programa revolucionário". Os Black Blocs são uma realidade objetiva, ao passo que a "revolução" é, com boa vontade, um horizonte distante. A ação dos BB tem como objetivo a radicalização da democracia em uma ponta e a autodefesa em outra, e serve aos propósitos imediatos de protestos que NÃO SÃO o gérmen de uma revolução. Fala-se aqui de dois momentos distintos. A análise do PSTU peca por avançar.
Em outras palavras, estamos falando da autodefesa/proteção de movimentos sociais nas ruas com reivindicações específicas e bem definidas (e limitadas) e não de um movimento ou momento pré-revolucionário.

Criticar os Black Blocs pela inutilidade ou estupidez de sua violência pré ou pós-provocação/ação policial é uma coisa, é válido e podemos debater, mas querer tratar em termos de "a revolução está chegando" é partir da realidade para o sonho.

E o PSTU deixa claro que seu objetivo final é o de atacar os Black Blocs enquanto anarquistas, mais como forma de atacar a ideologia que a ação:
Os “Black Blocs”, evidentemente, não defendem a revolução socialista. Muitos de seus integrantes reivindicam o anarquismo, mas na verdade param na radicalização da democracia como horizonte político. Ou seja, no programa acabam sendo  moderados.
E é aí que se perde.
É preciso deixar claro a inconsistência no programa e na ação desses grupos que, na verdade, são reformistas e radicais apenas na ação. Existem muitos ativistas sérios que se deixaram atrair pelos “Black Blocs” e já começaram a ver os problemas. Agora, é necessário que reflitam sobre isto.
Pois eu posso e devo dizer o mesmo ao PSTU, é preciso deixar claro que o programa e a ação dos movimentos que estão nas ruas NÃO é revolucionário, ou ao menos se preocupam com questões concretas imediatas antes do sonho de mudar todas as estruturas. São protestos por REFORMAS na PM (ou mesmo sua extinção), contra o aumento das passagens, contra a violência nas periferias, enfim, pautas da esquerda que podem LEVAR a um momento revolucionário, mas de forma alguma o são em si.

Aí reside o grande equívoco do PSTU.

Me parece, por fim, que o grande problema do PSTU com os Black Blocs não passa de uma luta por protagonismo.
Não somos, nem nunca fomos pacifistas. Mas é a violência das massas, e não de um pequeno grupo, que poderá fazer a revolução. As ações desses pequenos grupos facilitam a repressão da polícia contra as massas nas passeatas.
Enquanto os Black Blocs apanham e batem, o PSTU foge (e isto não é uma crítica), mas defende, em tese, a violência das massas. Mas só das massas, se um grupo resolver apanhar pelas massas não pode.

É incongruente. Esperemos, pois, a revolução, apanhando.
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sábado, 3 de agosto de 2013

Black Bloc: Defensivo ou ofensivo?


O André Takahashi escreveu na Carta Capital:
O Black Bloc é composto por pequenos grupos de afinidade, muitas vezes feitos na hora, que atuam de forma independente dentro das manifestações. Mas, ao contrário do MPL, o Black Bloc não é uma organização ou coletivo e sim uma ideia, uma tática de autodefesa contra a violência policial, além de forma de protesto estética baseada na depredação dos símbolos do estado e do capitalismo. A dinâmica Black Bloc lembra mais uma rede descentralizada como o Anonymous do que um movimento orgânico e coeso.
Utilizada primeiramente pelos movimentos autonomistas da Itália e da Alemanha, é muito presente na Europa e EUA, e mais recentemente nos países árabes, mas nunca havia encontrado condições para se desenvolver em solo brasileiro.
E ele ampliou:
Em junho o cenário de manifestações criou um ambiente favorável para o florescimento do Black Bloc brasileiro na sua forma de autodefesa. Em diversas capitais as mobilizações extrapolaram a capacidade organizativa dos grupos e movimentos que as desencadearam, criando movimentos multicêntricos onde cabem diversas estratégias, táticas e narrativas mobilizadoras. Como na maioria das cidades esse crescimento veio pela solidariedade popular pós-repressão, é coerente afirmar que a violência policial foi o fermento da indignação que levou a população às ruas no auge das jornadas de junho; e serviu como justificativa moral, segundo seus defensores, para a disseminação descentralizada da tática Black Bloc.
Devo dizer que tenho grandes pontos de concordância e entendimento com o texto/autor, mas vejo uma movimentação do movimento ou da ideia Black Bloc para um caminho que, sinceramente, considero burro.

Escrevi ha alguns dias sobre a legitimidade do ato da quebra da santa na Marcha das Vadias do Rio de Janeiro. Era, como disse, legítimo ato de um oprimido contra o opressor, mas ao mesmo tempo era burro, pois alienava a imensa massa de católicos progressistas que podem ter criado uma antipatia irreversível em relação ao movimento, potencialmente prejudicando todas as feministas, tratadas como uma massa uniforme pela mídia.

Além disso, era uma ofensa que acabava atingindo também membros de outras minorias religiosas que também tem na Nossa Senhora (estátua quebrada) um símbolo.

Ou seja, foi uma atitude/ato impensado, ou mal pensado, que tinha a legítima intenção de atacar a estrutura católica, mas acabou se mostrando contraproducente para o movimento pelas razões citadas (dentre outras).

No caso dos Black Blocs, a situação é semelhante.

O ato de "vandalizar", de quebrar agências bancárias e outros símbolos de poder econômico é absolutamente legítimo. É a legitima expressão da revolta de setores sociais oprimidos ou que se reivindicam oprimidos, contra seu opressor ou um de seus principais opressores.

Mas, ao mesmo tempo, o Black Bloc quando deixa de ser defensivo e passa a ser ofensivo acaba por ser também burro, contraproducente e afasta das manifestações quem não está lá para apanhar "de graça" e afasta a opinião pública dos pontos centrais das manifestações.

Enquanto o Black Bloc agia defensivamente, ou seja, destruindo bancos e afins DEPOIS da violência policial ter começado, o apoio era irrestrito.

Era possível ver e ouvir nas ruas as pessoas comentando sobre a legitimidade de, após uma agressão, se revidar à altura e da única forma possível (afinal, uma coisa é você quebrar um banco e toda a simbologia que vem junto, outra é você enfrentar de cara limpa a armada PM).

Porém, com a atitude OFENSIVA dos Black Blocs em manifestações (em particular a contra Alckmin em São Paulo no dia 31 de julho) de quebrar agências e revendas de carros sem que a PM tenha dado o primeiro tiro, acabou por se mostrar contraproducente para o conjunto dos presentes.

A população se colocou contra, não foi em peso na manifestação seguinte em parte pelo medo de serem alvos da PM por estarem juntos a encapuzados que poderiam iniciar a violência.

Enfim, a questão central é a de que para serem efetivos, os Black Blocs devem se manter como movimento/tatica/ideia defensiva, buscando defender manifestantes da violência policial que, em geral, acontece independente de qualquer ação vinda da manifestação. Ao passar a "agir" primeiro, perdem apoio - não a legitimidade - e acabam por ajudar a enfraquecer o movimento e a causa.

Deixo claro, novamente, que seja defensiva ou ofensivamente, os Black Blocs são legítimos, a questão é se esta legitimidade pode se transformar em inteligência e agregar apoio popular.
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