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sexta-feira, 3 de abril de 2015

A redução da maioridade penal junto à pena de morte já é realidade nas favelas brasileiras

Uma criança de 10 anos, Eduardo de Jesus Ferreira, foi baleada no Complexo do Alemão ontem. As suspeitas (ou certezas) são sempre as mesmas: Policiais Militares da UPP.

Sim, a foto é gráfica, mas é importante para que se entenda: É este tipo de imagem que crianças vêem quase todos os dias nas favelas brasileiras. Não, não é na Síria, não é no Iraque, não é a ISIS, é o Rio de Janeiro, é a PM carioca, é o tráfico, a milícia, é o Brasil.

Se a criança que vive na favela vê esse tipo de imagem todo dia você que lê este blog também pode ver. 

Enquanto 90% da população defende a redução da maioridade penal crianças são mortas violentamente ou são forçadas a conviver com esta realidade de medo. Podem ser mortas a qualquer momento. São submetidas desde a infância à violência, são alvos. Não tem direito nem dignidade.

E isso gera revolta.

CRIANÇA DE 10 ANOS MORTA PELA UPP NO COMPLEXO DO ALEMÃO
COVARDES, VIERAM PARA MATAR UMA CRIANÇA DE 10 ANOS.É ISSO MESMO GOVERNADOR.#SOSCOMPLEXODOALEMAO Quero ver nas #Olímpiadas2016#Rio2016 #Olimpiadas#FoxNews#Bbc#Itv#Cnn#Abc#Cbs#TheNewYorkTimes#TheGuardian#ERREJOTA#ElPaís#TheNewYorkTimes #Brasil2016#RioDeJaneiro#Rio2016
Posted by Complexo Alemao on Quinta, 2 de abril de 2015
Não estou justificando a revolta, mas apenas deixando claro que ela existe, e que há nela alguma legitimidade. Você consegue imaginar o que é ser discriminado, violentado e abusado desde criança? De ser tratado como lixo, de ver seus amigos, pais, parentes, serem humilhados, violentados e mortos pela polícia que deveria os proteger? Aceitaria passível toda a desgraça que te cerca? Uns sim. Outros não.

É lógico que a revolta acaba gerando apenas mais resposta violenta alimentando o ciclo, mas é importante entendê-la para poder debater, propor saídas.

E não estou tirando a autonomia dos indivíduos, nem todos "viram bandidos", nem todos seguem o caminho do ódio - pese muitos sentirem esse ódio -, mas acreditar apenas que estes são "ruins", que escolheram e ponto seu caminho é de uma infantilidade, torpeza e desumanidade incrível.

Vejam só o comentário de um garoto, no Facebook, numa das várias postagens sobre o assassinato dessa criança (o garoto da postagem deve ter a mesma idade da criança morta):
Se esse garoto tiver mais de 10 anos é muito. E já sente ódio.
Qual o futuro dele? Se tornar um traficante? Um assaltante? Um assassino? Acabar morto ou trancafiado numa cadeia onde irá sentir ainda mais ódio da sociedade?

É incompreensível o ódio que ele sente? Não. Incompreensível é a negação de amplos setores sociais da realidade de violência e exclusão a que crianças são submetidas. Negação da realidade seguida de pura vingança: Vamos meter mais e mais adolescentes em centros de tortura estatal para se pós-graduarem no crime e sentirem ainda mais ódio - que se voltará contra a própria sociedade.
Postagem de um rapaz já mais velho, mas no mesmo tom de revolta. A lógica dele é incompreensível?
Longe de APOIAR a violência ou respostas violentas, eu busco entender para, então, ser capaz de enxergar que TODO o sistema precisa de reforma. Educação, inclusão, direitos humanos, o fim da PM, o tratamento humano a todos, políticas de promoção de igualdade, ajuda psicológica, enfim, o pobre, o favelado tem que parar de ser tratado como marginal ou marginal em potencial, ser vigiado, violentado e deve ser tratado como... ser humano. Como todos temos de ser tratados, mas apenas poucos somos.

A redução da maioridade penal vai apenas piorar o quadro de violência, mas os defensores irão apenas lavar as mãos e, no fim, irão defender penas mais duras para crianças como esta da foto que abre a postagem, isso se não chegarem ao cinismo de comemorar: Que bom, morreu antes de poder cometer crimes.
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domingo, 13 de julho de 2014

Ditadura? Prisões preventivas ilegais podem virar tática padrão pós-Copa

O professor Wagner Iglesias fez um questionamento interessante e ao mesmo tempo assustador sobre as prisões políticas contra manifestantes no Rio no Facebook:
Quero crer (mas não tenho nenhuma certeza disso) que estas prisões sem base legal estão ocorrendo para não "atrapalhar" (desculpe o termo, não encontrei outro menos ruim) a Copa do Mundo, e que depois vão refluir. Mas não tenho certeza. O que te parece?
Ao que respondi:
A intenção do governo no momento é de evitar protestos, mas levando em conta que não é a primeira vez que usam este artifício que basicamente suspende a constituição para certos indivíduos, meu medo é que se torne algo comum. Se funcionar, ou seja, acabar diminuindo a potência dos protestos (mesmo que a prisões nem sejam o fator mais relevante pra isso), temo que vire lugar comum. Não custa nada ao Estado.
Acredito que a ideia mereça ser ampliada.

Não é a primeira vez que o governo do Rio, com a anuência do governo federal, age contra manifestantes com prisões preventivas absolutamente ilegais. E temo que não será a última.

Até o momento as prisões estão sendo feitas para "garantir" a Copa do Mundo, para evitar protestos, mas uma vez que estas medidas são vistas como eficazes (ainda que seja impossível medir, dado que o movimento #NãoVaiTerCopa, dentre outros, são horizontais), podem vir a se repetir indefinidamente sempre que um governo - qualquer governo - se sentir ameaçado ou vir seus interesses ameaçados.

A polícia e o Estado aprenderam com os protestos de junho. Ao invés de ouvir as ruas, preferiram reprimi-la, e conseguiram em grande medida fazê-lo. Em Minas cercaram manifestantes impedindo sua locomoção, em outros estados simplesmente continuaram a abusar da violência cada vez mais desproporcional. Mas viram que criminalizar, forjar provas e prender sem qualquer evidência poderia ser ainda mais eficaz.

Sim, há um enorme perigo desta "tática" virar moda. Caso os protestos continuem (temos olimpíadas pela frente e não nos esqueçamos que a Copa acabando seus efeitos permanecem), podemos ver mais e mais prisões arbitrárias "preventivas" ao arrepio da constituição.

Mas, mesmo ilegais, não assustam o poder.

Oras, o executivo de estados e do Estado não teriam chegado a este ponto sem o apoio não apenas das polícias, sempre interessadas em reprimir, mas com o apoio do judiciário, capaz de permitir tais operações sem pé nem cabeça.

Mas ainda pior que estas prisões preventivas (em que pessoas inocentes são mandadas a presídios pro até 5 dias com provas forjadas apenas para não poderem protestar), é a possibilidade de que haja uma escalada. De que as provas forjadas não sejam simplesmente esquecidas depois do não-protesto passar, mas que sejam usadas para efetivamente enviar para a cadeia ativistas.

E isso é algo factível. Melhor do que operações envolvendo Estado, Polícia e Judiciário a cada manifestação, porque não instaurar logo o Estado de Exceção e, com provas forjadas, enviar de vez para a cadeia certos elementos causadores de problemas?

Não é a primeira vez, nem a segunda. Mas podemos ver uma escalada no uso deste método contra coletivos sociais.

A certeza neste ponto é a de que teremos uma "militância" petista pronta a silenciar ou mesmo aplaudir e a mídia corporativa fará o resto do trabalho de convencer a população de que os presos são terríveis vândalos e não ativistas pelos direitos humanos criminalizados por governos com interesses escusos.



O circo está montado. Se não resistirmos perderemos o jogo e qualquer semelhança dos métodos do PTMDB de "controle" de manifestações com a ditadura não são mera coincidência. Infelizmente aprenderam bem com quem antes combatiam.
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segunda-feira, 21 de abril de 2014

PM da Bahia: Direito à greve?

Eu não mudaria uma só palavra no artigo que escrevi durante a greve da PM em 2012. Continua valendo para hoje. O que eu mudaria no entanto é minha visão à época mais simpática à greve.

Hoje eu não a defendo.

Não porque haja um direito abstrato de fazê-la, eu não vejo mais como legítimo. Escrevi:
"Mas, mesmo sendo a favor do fim da PM, não posso dizer que não é legítimo, como trabalhadores, que façam greve. Se o Estado os emprega, os considera legítimos, então são legítimos seus direitos. Discutir a legalidade ou não da PM fazer greve  – à luz da constituição ou da legislação – não é o caso. Fato consumado."
Esta talvez tenha sido minha única mudança de percepção. A da legitimidade. Em 2012 eu pensava que esta greve poderia ser o estopim para a discussão da desmilitarização, inclusive me lembro de PMs na época comentando sobre, logo, havia uma abertura dentro da PM para tal debate. E havia a necessidade da sociedade tentar uma última vez.

Hoje não mais.

Não que minha visão de PM tenha mudado, que fique claro, sempre a vi como inimiga. O que mudou, no entanto, foi a percepção do momento. 

De fato, frente ao Estado, a greve atual poderia ser considerada legítima, dado que a PM serve ao Estado, trabalha para o Estado. Mas não é legítima na perspectiva do trabalhador, das vítimas. Não faz sentido que o trabalhador sempre reprimido pela PM defenda a PM hoje para, amanhã, voltar a apanhar.

Após os protestos de junho e a franca e absoluta repressão por parte de governos petistas, pmdbistas e tucanos com imenso entusiasmo por parte da PM, chego à conclusão de que se havia em 2012 um espaço para diálogo, esse se fechou, se extinguiu.

Não que a PM tenha se tornado mais violenta, ela continua a ser o que é. Mas havia, na época,a percepção de que seria possível conseguir um diálogo caso movimentos de trabalhadores e organizações sociais se colocassem ao lado das reivindicações da PM. Talvez fosse possível à PM (ao menos alguns PMs) enxergar que o inimigo não é ou não era o povo.

Infelizmente o momento passou e nada mudou.

A desmilitarização terá de vir por pressão popular e por decisão política, sem esperar que a própria PM concorde ou debata.  

A PM é inimiga do trabalhador, não tem legitimidade para agir como tal. Não merece ter apoio dos trabalhadores a quem espanca.
"Os próprios membros da PM, normalmente, não se veem como meros trabalhadores. São a arma na contenção das revoltas e das reivindicações de outros trabalhadores, o braço da “lei”, mesmo que eles nem saibam qual lei deveriam estar cumprindo e, claro, muitas vezes são os justiceiros que atiram na cabeça de “bandidos” para “limpar” a cidade e, em outras, são os próprios bandidos, complementando salário."
PM não pode ser considerado "trabalhador" em pé de igualdade com suas vítimas. Não quer dizer que não sejam em si trabalhadores, mas estamos tratando de categorias diferentes.

Se por um lado a greve é (foi) um fato consumado, não cabe a organizações de trabalhadores e partidos de esquerda defendê-la. Não se trata de criminalizar e sim de não apoiar. De não se esforçar para que suas demandas sejam atendidas, não se solidarizar.
 
Criminalizar é o que faz o petista contra qualquer grupo que não se submeta. A esquerda deve apenas se afastar e apontar onde estão os erros. É sem dúvida difícil, porém, não deixar transparecer a raiva que sentimos por esta instituição. Não é fácil ver a PM como uma classe trabalhadora, mesmo como humanos - visto que tratam o povo como se não fossem (fôssemos) humanos. No dia a dia são apenas animais prontos a realizar o trabalho sujo de governos com maestria.

Fica, porém uma questão:
Se a PM é tão terrível – e é -, por que Dilma, que tem MAIORIA no Congresso (fez alianças com deus e o diabo, especialmente o diabo, e hoje tem maioria) não põe um fim à PM?
Aí os petistas logo irão dizer que não dá, porque o apoio no Congresso não é automático, que é difícil e blablablá. Oras, eu me pergunto: mas, se o apoio não é automático, por que os cargos, benesses e caixinha são? PP, PMDB, PR e cia. têm ministérios, cargos, comissões, mas só apoiam o que querem? Que “apoio” é esse?
O PT fez greves a vida toda – ao menos até virar governo, porque hoje até a CUT é forçada a protestar contra privatização petista e o próprio PT vai esconder e enterrar a CPI da Privataria Tucana, talvez com medo que, em alguns anos, a sua privataria seja escancarada, afinal, uma mão lava a outra – e apanhou da PM, mas hoje onde governa sabe usar a PM e, por isso, não tem interesse em seu fim. Apenas fazem discursos ridículos quando são contrariados.
O papo da “herança maldita” não cola mais. O PT está há 9 anos no poder e não demonstrou interesse algum nem em reformar a PM nem em acabar com ela nem em sequer votar a PEC 300. Segurança pública não é de interesse do partido dos trabalhadores que criminaliza greves.
Muda apenas a data, mas as categorias submetidas à violência da PM pelo Estado permanecem as mesmas, a violência da PM permanece a mesma.
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A estética e a ação Black Bloc

Black Bloc não é um grupo. Black Bloc é uma tática. Uma tática cujo cerne está na ação direta e numa estética particular.

Sejamos diretos: Quem não se veste de preto NÃO é Black Bloc. Um manifestante de vermelho violento é... um manifestante de vermelho violento e não um Black Bloc. E explico o porque.

Black Bloc é, novamente, estética. O estar de preto faz parte da tática, faz parte da ideia anarquista de um coletivo agindo como um só braço, de indivíduos juntos agindo como um só. Rostos cobertos e todos de preto significa que não são indivíduos agindo contra a PM ou contra símbolos do capitalismo (como bancos), mas sim um corpo único, um coletivo agindo uniformemente.

Sem este elemento não há Black Bloc, há apenas a venha violência em manifestações e protestos. Um Black Bloc pode ser considerado um manifestante violento, mas o inverso não se aplica.

Os Black Blocs não inovaram ao trazer a violência revolucionária às manifestações, inovaram ao transformar a raiva coletiva em uma ação conjunta uniforme. Despersonalizaram a autodefesa transformando-a em uma ação coletiva em que é difícil identificar individualmente os defensores.

O caso recente da morte do cinegrafista da Band, Santiago Andrade foi atribuído à ação de um Black Bloc, mas não poderia existir maior equívoco. O rapaz acusado, Caio, estava de cinza quando supostamente acendeu o rojão que vitimou o cinegrafista (e cujo alvo era a PM) e este detalhe é tudo que precisamos para afirmar que ele não era um Black Block, ou melhor, que naquele momento não estava pondo em prática a tática, ainda que nada impeça que ele tenha adotado a tática em outros momentos.

Uma pessoa não "é" Black Bloc, mas tão somente ela emprega a tática. Ainda que falemos, por costume, sobre "o" ou "os" Black Blocs.

Nada impede que em outros protestos ele tenha adotado a tática, se vestido de preto e atuado contra o Estado, mas no caso específico afirmar que ele era ou adotava a tática não é apenas um equívoco, é má fé.

Como escreveu o Pablo Ortellado:
Aqui, a tática tem sido empregada já há alguns anos segundo os princípios estabelecidos pelos primeiros black blocs norte-americanos: não atacar pessoas nem destruir propriedade dos pequenos comerciantes. [...] os manifestantes do Black Bloc entendem que a tática utilizada por eles é não violenta e de caráter fundamentalmente simbólico; entendem também que o ataque a pessoas e pequenos comércios deve ser condenado.
É por esse motivo que vincular a morte de Santiago aos black blocs não faz sentido, assim como não faz sentido tratar como uma violência da mesma natureza a destruição de vidraças de bancos e o ataque violento a seres humanos, parta ele de manifestantes ou da própria polícia. Há pelo menos sete outros casos de cidadãos que, desde junho de 2013, morreram ao fugir de ataques da polícia a manifestantes. A imprensa quase não cobriu essas mortes - como se elas não existissem. Há, na verdade, uma gradação de destaque na cobertura dos protestos: em primeiro lugar, a violência dos manifestantes; em seguida, a destruição de propriedade; por último e nem sempre citados, a violência da polícia e a causa das manifestações. Essa desproporção está na raiz do fenômeno Black Bloc, que busca atrair a atenção dos meios de comunicação para comunicar uma insatisfação política.
PT e Mídia: Os interesses...

Mas a quem interessa reduzir todo manifestante a um Black Bloc tendo em mente que "Black Bloc" virou sinônimo de "violento" para a grande mídia e para o PT?

Por mais irônico que pareça ao incauto, PT e Globo (e mídia me geral) operam em conjunto na criminalização dos protestos. Por mais que interesse à Globo o desgaste do PT por mil razões, não interessa desgastar ou prejudicar a Copa.

E é a Copa que une a todos os poderosos. A Globo investiu pesado, o governo investiu pesado. Logo, há um campo para junção de forças na criminalização das ruas.

E os fanáticos (pagos ou não) petistas estão animados na reprodução das mentiras espalhadas pela grande mídia, mesmo pela Veja, desde que isso signifique atacar às ruas (e também atacar o PSOL, outro alvo preferencial).

Ditadura

No Facebook o Rudá Ricci fez um comentário certeiro:
"Poxa! Tem gente de esquerda que fica postando marcha de estudantes com a inscrição "Geração 1968: não havia covardes, nem mascarados". Além de gosto duvidoso, fico pensando o que desejam com esta comparação. Não houve quem pegou em armas e se tornou clandestino? Eram covardes? Será que não daria para elevar o nível do debate político? Entrar nesta seara ou é autoelogio ou é ignorância."
Acrescento: Eu queria ver esse povo que odeia máscaras falar isso na cara dos Zapatistas...

Covarde é quem aplaude a PM, é quem aplaude movimento social, estudantes, ativistas tomando porrada. É quem aplaude jornalista tomando bala de borracha na cara, é quem aplaude repressão. aliás, covarde não, fascista.

Quem usa a memória dos que lutaram contra a Ditadura para defender repressão é pior que lixo, não merece o ar que respira, merece apenas desprezo e ostracismo.

Cobrir o rosto não é apenas uma forma de proteger a identidade, ainda que faça parte. Temos relatos de manifestantes sendo perseguidos pela PM até em casa, sendo ameaçados. Os governistas enchem a boca para defender a brutalidade da PM, que eles tem mesmo que bater em quem usa máscara, mas não gastam um só segundo para questionar as ameaças e intimidações que quem não cobre o rosto se depara.

Mas, como disse, cobrir o rosto não é apenas para proteção, mas é parte da estética do anonimato e do coletivo em torno da tática Black Bloc. E o princípio é muito semelhante ao do Anonymous. A máscara do Guy Fawkes não é um mero adereço divertido, e sim uma forma de centenas, milhares de ativistas agirem como um só, como uma só ideia, tendo na máscara a imagem do coletivo.

A cada dia que passa os governistas se enterram mais e mais. Não passam de fascistas. A criminalização dos Black Blocs é apenas a criminalização das ruas, dos movimentos sociais, da luta social. Não é fazer o "jogo da direita" é ser a própria direita.

230 presos em São Paulo...

No sábado, dia 22, ao menos 230 pessoas foram presas pela PM. Acusação? Serem Black Blocs.

A manifestação, segundo a PM, contava com 1000 pessoas. Manifestantes falavam em 2000. Seja como for, a PM prender entre 10 e 20% das pessoas que estavam na rua! Nem na Venezuela, com confrontos violentíssimos, chegou-se perto dessa cifra. Em uma semana o número não chegou perto dos 230 da PM paulista.

Inclusive foram detidos ao menos 5 jornalistas, chegando ao ponto da polícia anunciar que Black Blocs estariam usando crachás de imprensa para escapar da prisão. Seria risível se não fosse o reconhecimento de que a polícia brasileira é vergonha mundial.

Vejam a foto abaixo:
A maioria das pessoas de vermelho. Ou seja, nenhum deles pode ser chamado de Black Bloc. Mesmo os de preto não necessariamente o são. Pouco importa.

Vale a criminalização, a violência e a brutalidade contra manifestantes, jornalistas e advogados. Tudo com a torcida entusiasmada de petistas em geral.

Estamos perigosamente nos aproximando de um Estado fascista.
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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Espancaram o coronel... tá com pena? Leva pra casa*

Espancaram o Coronel Reynaldo.

Eu o conhecia, aliás, praticamente todo jornalista de São Paulo com o costume de cobrir manifestações o conhecia. Calmo, sempre na dele e, em muitos casos, disposto a se meter no meio da confusão para segurar seus soldados e evitar maiores conflitos (ao menos presenciei cena semelhante um par de vezes).

Sim, esta é a imagem que muitos temos dele.

Eu mesmo fui "salvo" por ele ainda num dos primeiros protestos de junho quando um de seus gorilas veio me atacar e ele evitou que eu levasse a segunda porrada. Ele ainda me pediu desculpas.

Mas, apesar disso não podemos nos esquecer, ele era o comandante da tropa que agrediu milhares, que cegou jornalistas e que respondeu com bombas e balas protestos pacíficos levando à sua radicalização.

Sim, os Black Blocs são uma reação à violência da PM e do Estado. Querer por um segundo sequer afirmar que a violência da PM é que é resposta à "violência" das ruas é afirmar que a tortura é legítima e que a PM não atira, mas joga rosas no povo (Amarildo que o diga!).

A violência das ruas, dos Black Blocs e daqueles que não aguentam mais apanhar da PM é, obviamente, resposta à violência da PM diária. Nas favelas, nas UPPS, nas desocupações, nas abordagens criminosas, enfim, é uma resposta do oprimido à violência do opressor.

Não compreender isto é fazer coro aos opressores. É reforçar o papel de submissão da população frente a quem lhes oprime.

Mas enfim, não fiquei feliz com a violência sofrida pelo Reynaldo. Não consigo ficar feliz com agressões, seja do lado que for. Mas eu posso compreender perfeitamente as razões pelas quais tudo isso aconteceu. E "feliz" não seria o termo. Uma coisa é aceitar a resposta violenta do oprimido, outra é ficar feliz ou alegre pela necessidade de seu uso.

O Coronel não era burro

Vamos lembrar da brutalidade da PM em apenas UM dos protestos em São Paulo (sob comando total ou parcial do coronel Reynaldo, aliás):

Brutalidade da PM/Choque na Consolação http://www.youtube.com/watch?v=INbRznbgMZM
Brutalidade policial na Praça Roosevelt e Rua Augusta http://www.youtube.com/watch?v=yZ6HfSWsIvk
Brutalidade na Rua Augusta até a Paulista http://www.youtube.com/watch?v=bmcgKrqJe_U
Violência e brutalidade da PM na Paulista http://www.youtube.com/watch?v=ifXTX-HDb0o

O coronel controlava uma tropa de assassinos e, na frente das câmeras ou junto aos jornalistas, se mostrava calmo e ponderado. Mas 10 passos adiante acontecia a barbárie. Podemos culpá-lo por tudo? Não.

Mas era o comandante de soldados que não pensam, mas cumprem ordens. Pensar era o papel do coronel.

No dia em que sofreu a agressão, segundo relatos, saiu sozinho no meio de um grupo de pessoas, algumas encapuzadas, para efetuar uma prisão, além de, até aquele momento, estar agindo com truculência na revista de pessoas e exigir RG de qualquer um que passava perto da área onde estava.
Vândalo militar revistando manifestante. Mas isso NÃO é violência.

Oras, era de se esperar que frente a uma prisão aparentemente abusiva houvesse reação. Os Black Blocs vem reagindo contra a repressão de homens armados, do Choque, como o coronel achou que iriam ficar quietos quando um só homem agia com truculência no meio deles?

Veio a reação.
eu estava pouco antes desse momento, tentando falar com o coronel, arrogante. Ele estava pegando o RG e anotando c outro soldado de todos os manifestantes q passavam, quem chegava perto só pra perguntar o q estava acontecendo ou p quem perguntava pq tinham detido uma menina q nao estava fazendo nada: qq manifestante era "fichado" por eles. Apresentei-me como advogada e perguntei o motivo e finalidade desse fichamento. O coronel foi debochado e recusou-se a responder. Insisti e logo em seguida ele largou os RGs e partiu para cima de um garoto vestido de black bloc q passava segurando um mastro, tipo pau de bandeira. Avançou pra cima do garoto e começou a bater, mas acho q nao contava q todos q estavam em volta se revoltassem e partissem p cima dele pra ele largar o garoto. Depois disso nao vi mais pq estourou a confusão e saí de perto, mas creio q as imagens sejam do vídeo. Fica uma pergunta: repúdio a conduta de quem? Cade o repudio à violencia policial e o apoio federal aos manifestantes reprimidos pela nova ditadura em epocas de governo de uma ex-militante "terrorista"? Justificar um erro pelo outro nao, mas aonde estamos querendo chegar repudiando apenas esse fato isolado e q teve um contexto? Nao vamos refletir q se essa repressão surda às reivindicações nao parar entraremos numa guerra? Q violência so esta gerando mais violência? Quem sera culpado ou inocente? Quem está certo ou errado nisso tudo? Legítimo ou ilegítimo? Nao acho q o espancamento (q foi bem menos agressivo q as diversas balas no olho de manifestantes, q outras pessoas espancadas e ameaçadas de morte se denunciassem) do coronel seja um ato "bonito", louvável, mas nao sou moralista hipócrita de repudiar ou de ignorar todo o contexto revoltante q estamos vivendo para tecer críticas diretamente do sofá.... "Nao confunda REAÇÃO do oprimido, com violência do opressor". O vândalo culpado disso tudo é o estado q só sabe armar-se e construir uma maquina de repressão para calar a luta social. Isso sim é repudiável!!! Melhoras ao coronel, de saúde e de conduta.  Tabatha Alves, no Facebook
Imagino que o coronel tenha agido sem pensar, tenha perdido a paciência a cabeça... Mas não importa, não justifica. Sua ação pensada ou impensada resultou na resposta de quem já estava cansado de apanhar.

E, lembremos, nas fotos e vídeos da presença, ao lado do Coronel, de um homem armado, PM, sem uniforme. Seria um P2? Um infiltrado? Teria tido ele papel em incitar o quase linchamento contra o coronel? Onde foi parar a arma .40 do coronel supostamente roubada por manifestantes? O "assunto" foi esquecido?

De qualquer maneira, a partir deste ponto a violência da PM provavelmente sofrerá uma escalada, para a alegria dos petistas e governistas dispostos a verem pessoas mortas para satisfazer sua sede de poder, e para a tristeza da sociedade me geral.

Mas cedo ou tarde algo assim aconteceria.

Movimento global e a farsa do direito ao protesto

Como disse o @roteirodecinema no Twitter:
"A difícil verdade é que a Polícia perdeu legitimidade no monopólio da violência e perde as batalhas na rua. Não é de hoje. Não é só aqui. De Oaxaca a Clichy-sous-Bois; de Sidi Bouzid a Oakland ao Rio as ruas ardem. Não são fenômeno locais, não devem ser analisados isoladamente. E a resposta aos insurrectos é mais repressão, mais bombas de gás, mais helicópteros, mais lei anti-terror, mais supressão de direitos."
Estamos diante de um movimento global de resistência à opressão e à repressão. Os Black Blocs não são um fenômeno local, nem novo, mas apenas a forma atual de resistência popular frente ao estado de exceção que se impôs no Brasil.

Sim, nós podemos reclamar, mas em casa, sem atrapalhar o trânsito senão a PM cega e espanca. Sim, podemos votar, mas apenas no jogo de cartas marcadas em que os políticos criam as regras que os elegem e onde estelionato eleitoral não causa qualquer problema.

Podemos votar, mas não temos nenhuma ingerência sobre quem votamos, sobre as alianças, sobre as políticas adotadas. Um candidato pode prometer A e, no poder, fazer B e, no caso do PT, ainda terá uma tropa de choque de fanáticos, de fakes e de elementos bem pagos para realizar o trabalho sujo e a propaganda.

Um trabalho sujo que consiste em pregar a violência estatal e comemorar as baixas do povo.

Amarildo é reflexo direto desta política. As UPPs são o modelo que vem desta política. A manutenção da PM enquanto aparelho repressor é a consolidação dessa política,

Não importam os professores espancados, a criminalização dos protestos, as revistas vexatórias, a violência do Estado nua e crua - e diária.

Serve apenas a defesa cega do Estado sempre que este esteja sob o controle dos seus.

Este episódio do Coronel serve para mostrar que a revolta popular chegou ao seu auge momentâneo, ao passo que o Estado é incapaz de compreender o que levou às ruas a chegar neste ponto. E a corja fanatizada se limita a bradar por mais violência estatal para calar qualquer voz dissidente de seu projeto de poder e, com isto, legitima a resposta violenta e será responsável pelas mortes que possam vir a acontecer - e no que depender da polícia, haverá mortes.


Em Tempo: Um comentário do Rudá Ricci no Facebook que deveria fazer muito petista/governista dormir e nunca mais acordar de tanta vergonha. Aplaudo de pé.
Então, vamos tentar analisar os dados: a) é fundamento da democracia existir oposição. Mas não apenas existir, mas existir a convivência entre situação e oposição; b) se o lulismo acertou do ponto de vista social e econômico, errou profundamente do ponto de vista político porque destila a rejeição e ódio a qualquer oposição, como princípio; c) a pior situação é quando há defecção no bloco lulista, já que o ex-lulista é tido como traidor da pátria; d) há profunda confusão no campo lulista entre governo e Estado e, muitos, ainda aumentam a confusão criando uma tríade santa: governo-estado-nação; e) a tese de Marcos Nobre, da Unicamp (que acaba de lançar um belo livro intitulado "Imobilismo em Movimento" (Cia das Letras) sugere que o lulismo (e mais ainda no governo Dilma) é uma expressão do peemedebismo, um Centrão marcado pelo governismo (estar sempre no governo para poder sobreviver), pela produção de supermaiorias legislativas (nem sempre forjadas por políticas transparentes ou eticamente aceitáveis, apartando parlamento de eleitor), sistema hierarquizado de vetor e de contorno de vetos e bloqueio de qualquer oposição nos bastidores, evitando confrontos públicos. Ora, o lulismo/governismo se constitui numa anestesia política e tutela social. Sinceramente, almas inquietas não conseguem conviver com algo tão acachapante. Daí compreender claramente as defecções de militantes históricos, que se construíram nas lutas sociais e não nos gabinetes e conchavos governamentais. É mais que natural. O que não entendo é como os lulistas se incomodam tanto com gente que não se vê traído pela mudança de lógica, ideário e prática do PT. 

*Obs: O título é irônico.
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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Três rápidos pensamentos sobre a relação entre Black Blocs, Zapatistas e Israel

Pensamento 1: Quem diz que qualquer mascarado é bandido, ou que os Black Blocs são bandidos a priori por cobrir o rosto (como o imbecil do Lula disse por esses dias) deve achar, então, que os Zapatistas e o Subcomandante Marcos são bandidos. Certo?

Os Zapatistas cobrem o rosto. Não se sabe nem a identidade do Subcomandante Marcos! Criminosos!, bradaria @edugoldenberg ou @brsamba e depois os delataria à PM (ou a seu equivalente mexicano).

E é bom lembrar que os mesmos que criticam os Black Blocs por cobrir o rosto (com a PM violenta que temos alguns provavelmente apareceriam mortos em suas casas, e já temos relatos de gente sendo presa em casa) nunca critica a PM por fazer o mesmo.

Mas é a PM do Cabral, do PT... aí pode.

Cobrir o rosto na chique Itália não tem problema. Protestar mascarado na Europa não pega nada. O problema é querer fazer o mesmo no Brasil! Que absurdo o desplante desses fascistas ousarem querer protestar e não permitir que os identifiquemos para depois mandar a PM os visitar em casa! 

Pensamento 2: Dizem os petistas de boca cheia que somos uma democracia. Sim, uma perfeita democracia, linda e maravilhosa. Alguns ensaiam um tom mais conciliatório, que não é perfeita, mas, oras, podemos votar, podemos protestar, podemos reclamar.

Pergunto: Israel é uma democracia?

Oras, por lá as pessoas votam, podem protestar, porem reclamar. Mas se você for um Palestino você será preso ou morto por protestar e o governo fará de tudo para que você não possa votar.

Que bela democracia!

Mas levando em conta que petistas passaram semanas DEFENDENDO Israel apenas para atacar a um membro do PSOL (Babá), nada surpreende mais.

Democracia para poucos não é democracia. Democracia das armas, não é democracia. Democracia em que poucos mantém um exército para agredir e matar qualquer um que ouse discordar não é democracia.

Aprendam governistas, coerência é algo difícil de sustentar. Logo, desistam.

Pensamento 3 (e este vale também para a esquerda):  Quem transformou a PM em vítima depois da "agressão" ao Coronel Reynaldo foi a mídia, não os Black Blocs. 

Esse argumento legitimador da violência policial é canalha - pra dizer o mínimo. 

Então vamos condenar o MST quando seus membros acabaram com a plantação da Cutrale, afinal, a mídia falou mal e isso ferrou o movimento, certo? Em junho a mesma coisa, SEM Black Blocs a mídia nos chamava a todos de vândalos por atrapalhar o trânsito, vamos parar então, senão vamos prejudicar nossas lutas!

Da direita (PSDB, PMDB, PT e afins) não espero nada, mas setores do PSOL e o PSTU ficarem de #mimimi por temerem perder o posto de SUPOSTA vanguarda frente aos Black Blocs (que sequer grupo são) é ridículo e é fazer o jogo de quem quer criminalizar todo o movimento social.

Por fim, recomendo o artigo que escrevi para o Amálgama sobre os Black Blocs, buscando desconstruir mitos e mentiras.
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terça-feira, 29 de outubro de 2013

A PM mata e os governos matam os protestos

O PM que assassinou Douglas Rodrigues, de 17 anos, na Zona Norte de São Paulo é um "vândalo"? Não segundo a mídia.

Criminoso? Jamais!

Pobre coitado que apontava uma arma para o peito de um rapaz que, vejam só, disparou! Arminha vagabunda essa que mira o peito de alguém e dispara sozinha contra um rapaz que não fazia absolutamente nada. Porque o PM saiu de seu carro com a arma na mão, aliás?

E são tantos os protestos pacíficos acontecendo pelo país, não é? Em nenhum a PM tenta matar, espancar, forjar provas e etc! Absurdo pensar que a PM seria capaz de matar um inocente!

Claro que uma besteira como termos uma PM assassina que mata indiscriminadamente e sem dó, que tortura e "desaparece" com pessoas todo santo dia não deveria justificar "vandalismo"!

E depois vem governista foder minha paciência quando eu digo que temos de reagir a estes crimes com violência popular e revolucionária. Pois é, vamos morrer que nem ratos, encolhidos, com medo e resignados. Nunca atrapalhar os planos de poder dessa corja do PT/PMDB/PSDB.

Aliás, melhor nem protestar, assim Dilma se elege logo e não precisa ficar apoiando o PSDB de Alckmin na repressão, oferecendo "ajuda" federal (Força Nacional, Exército... só gente boa). O PT poderia continuar a fingir que é diferente do PSDB e não a MESMA MERDA, tanto ideologicamente quanto na prática.

Por isso vou morrer repetindo que votamos no PT e ganhamos um PSDB piorado e com uma corja de "militantes" dispostos a tudo.


A desmilitarização da PM urge. Mas que governo irá querer desmobilizar sua guarda quase pretoriana?

E ano que vem é eleição, o PT já reservou 12 milhões para a "militância" virtual fazer sua parte: Criminalizar, "endireitar", defender cegamente privatizações e crimes do governo, defender PM e pregar o mais puro fascismo.

Aliás, um pensamento: alguém acha que é coincidência as declarações de governos de que vão aumentar a repressão e não vão tolerar mais protestos e até a declaração do governo de são Paulo de que o PCC estaria infiltrado nos protestos? Aí "de repente" tem PCC no meio de protesto na Zona Norte de São Paulo e "Black Blocs" "agridem" um coronel no centro?

Ninguém nota o timing absolutamente suspeito? Acharam a forma de matar os protestos.

E em parte a culpa disso é da esquerda. Da esquerda que ao invés de abrir um diálogo com os Black Blocs, de tentar organizar o uso da tática, preferiram adotar o discurso fácil frente ao medo de perder a relevância e o papel de suposta vanguarda.
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terça-feira, 1 de outubro de 2013

Violência se combate com rosas? Não, com violência.

O texto parece ter voltado a ser lido e compartilhado. Por isso acho importante linkar este outro em que eu refino algumas ideias deste e mesmo revejo posições de um texto em que eu escrevi com uma boa dose de raiva e mesmo inconsequência. Não apaguei esse texto por uma simples razão: Eu escrevi. E mesmo tendo errado em alguns momentos acho importante para ME lembrar de pensar melhor antes de escrever algumas coisas.
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O Brasil nunca terá jeito enquanto o movimento social continuar apanhando sem reagir.

Sem radicalizar a resistência não adianta ficar gritando pra apanhar depois e ir lamber feridas pra apanhar novamente em nova ocasião.

E movimentos sociais devem parar de chorar, de se fazer de coitados e ir à luta. Não às ruas pra apanhar, não ao parlamento pra implorar direitos que deveriam ser dados sem sequer precisar pedir - são direitos, oras -, mas ir pra porrada, com as armas que tem, com sua maioria, com sua capacidade de mobilização, de penetração em todas as áreas.

A tática Black Block ainda e incipiente, isolada, mais quebra-quebra que algo sistemático. Precisa sistematizar, organizar.  É preciso que a PM sinta na pele a reação popular. Que sinta medo, que aprenda quem manda. A PM tem que apanhar caso bata nos nossos.

Políticos como Paes, Cabral, a corja do PTMDB inteira tem que ter MEDO de sair de casa, tem que ser perseguidos nas ruas pelo movimento social. Sem trégua.

Violência se combate não com rosas e sangue (nosso), mas com igual violência popular e política.

Ao invés de quebrar lixeira, tem que quebrar carro da PM, aliás, quebrar os PMs.

PM jogou bomba? Molotov pra cima dos bandidos. Tem que ter reação violenta na mesma medida.

Político bandido do PTMDB saiu pra defender brutalidade da PM? Cerca o cara e faz ele sentir na pele o que a PM faz com o povo. Vê se ele aprende.

PM sorrindo ao espancar o povo? Que no dia seguinte ele seja alvo de uma emboscada. O poder tem que ter MEDO do povo. Pois, no fim, o poder pertence (tem que pertencer) ao povo.

Estou incitando a violência? Sim. Estou. Violência política contra quem usa do Estado para nos violentar. Notem, violência enquanto autodefesa e resposta à brutalidade previamente recebida, historicamente recebida.

O mundo pode estar sensibilizado com os vídeos dos nossos companheiros sangrando, espancados, presos, feridos... Mas os "nossos" políticos não se sensibilizam. Mandam a PM fazer o trabalho para o qual foi treinada: Reprimir o povo.

Pois temos de reagir. Temos de enfrentar violência com violência. Se o "povo unido é povo forte", então o povo unido e forte tem que ir à luta, em todos os sentidos desta palavra.

A chave é o medo. é preciso fazer com que os políticos temam o povo. Temam sequer sair às ruas. Um político como Paes, Cabral, Dilma não podem ter a liberdade de andar sorridentes pelas ruas ao lado de suas vítimas, de vítimas de suas políticas repressivas. O povo, nas ruas, tem que perseguir estes elementos, tem que fazê-los sentir o que é ter o medo diário que todos nós temos de caminhar nas ruas, podendo ser vítimas da brutalidade do Estado.

Óbvio que não falo em ir pro campo aberto, não temos armas como a PM, não temos a organização nem a capacidade deles. Mas temos nossos métodos, temos a possibilidade de adotar táticas de guerrilha urbana, de cercar, de ir atrás, de fazê-los temer chegar ao campo aberto, pois sabemos onde moram, onde vão e o que fazem.

Sem uma resposta violenta seremos sempre violentados.

Subestimo a PM? Talvez. De fato nós não temos capacidade para combatê-la em campo aberto, mas PMs tem vizinhos. Vizinhos estes que muitas vezes são também suas vítimas. PM's tem que andar pela rua seja trabalhando ou na folga. Nada pode os proteger todo o tempo.

A partir do momento em que estes PMs violentam seus vizinhos, nada garante que possam se proteger da reação que vem de todos os lados e, no fim, do lado de casa. E o mesmo vale para os políticos.

A PM e os políticos devem nos temer e não o contrário.
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Não, não estou falando em ~matar~ policiais ou políticos. E sim, este recado foi para a corja governista que hoje ama a PM e a usa para espancar o povo.
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Atualização: Revi algumas ideias, aclarei outras e retomei algumas neste outro post.
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quinta-feira, 13 de junho de 2013

Fotos e vídeos da repressão contra o 3º protesto do Movimento Passe Livre

Vídeos e fotos da imensa repressão policial contra os manifestantes. Agressão, prisões arbitrárias, tiros, bombas e gás. Alckmin e Haddad são co-responsáveis por tudo.

Seleção de fotos no Flickr .

O início da marcha:
Brutalidade policial no Terminal PArque Dom Pedro
PM atirando no nada, na Sé, apenas para aparecer para as câmeras
Dois rapazes que apenas caminhavam pela Sé foram presos pela PM
As declarações do comandante da PM em dois momentos (e suas mentiras)
A violência extrema, desmedida e inaceitávee da PM pela Avenida Paulista. Tiros e gás para todos os lados.
Manifestantes são ATROPELADOS por um doente em um Fiat Uno. Depois a Globo, em seus jornais, "inocentou" o bandido atrás do volante dizendo que ele foi forçado a avançar.
No fim da manifestação chega a ROCAM e começa a espancar manifestantes e depois a Força Tática para "limpar" a área com mais tiros e gás.




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segunda-feira, 20 de maio de 2013

A Virada é cultural, mas o jornalismo é só preconceito

O show de preconceito da mídia brasileira parece não dar trégua.

Escrevi na semana passada para o Jornalismo B um artigo criticando a cobertura da mídia sobre dois casos de violência semelhantes (com um infelizmente resultando na morte da vítima), mas tratados de forma diferente de acordo com a (suposta) classe das vítimas.

Agora, novamente, um show de preconceito chega até nós através da Folha e do Estadão. No caso da Folha trata-se mais de um negacionismo estúpido, já o Estadão conseguiu ultrapassar todos os limites do aceitável, faltava apenas dizer que quem ouve hiphop é bandido e ponto. Foi por pouco.

Vejam as duas imagens à seguir:


Na matéria assinada por Clarice Cudischevitch, lê-se apenas "A Polícia Militar não registrou nenhuma ocorrência durante a apresentação dos Racionais MC’s, apesar do consumo de maconha por pessoas na plateia. A Praça Júlio Prestes ficou completamente suja após o show.".

Nunca, em tão poucas linhas, pude ler tanto preconceito escancarado (a jornalista provavelmente pensou estar escondendo bem seus preconceitos, mas não conseguiu).

Porque o show dos Racionais é notícia por NÃO ter acontecido nada? Tivemos diversos casos de arrastões, eu mesmo presenciei o rescaldo de um durante o show do Sidney Magal no Arouche e estive a 5 passos de outro, na República, umas 2h depois, mas a notícia, em se tratando de um grupo da periferia, é não ter acontecido nada.

De fato ha alguns anos houve confusão em show de HipHop, o que levou o higienista Kassab a vetar palcos com o estilo desde então, como se proibir um estilo musical fosse a solução para a violência e a criminalização da periferia. Não vou entrar em detalhes sobre causas e a participação da PM naquele episódio, mas recomendo que quem se interessar corra atrás.

Mas reparem que não há sequer uma linha para comparar com o que aconteceu anos atrás, para ao menos tentar amenizar a situação. A notícia, de DUAS LINHAS e um vídeo, se limita a reportar que nada aconteceu.

E piora - sim, é possível.

Já que não aconteceu nada e fica feio noticiar o nada, vamos acrescentar que pessoas fumaram maconha e que o chão ficou sujo.

Oras, esse "pessoal da periferia" deve ser "tudo" um bando de maconheiro, não é mesmo?

E notem o "apesar", presente no curto e lamentável texto.

Pois é, mas o que não faltou em TODOS os shows que fui foi o cheiro de maconha e, claro, muito lixo pelo chão. Digno de nota, aliás, foi a quantidade insuficiente de lixeiras, especialmente em volta da Virada Gatronômica e as que tinha estavam transbordando.

Ou seja, colocar como algo digno de nota a "sujeira" após o show do Racionais é claro preconceito, já que em TODOS os shows com uma quantidade grande de pessoas no entorno ficava podre. Foi assim no show da Daniela Mercury, no do Sidney Magal (dois dos shows que assisti)...

Maconha e sujeira foram lugar presente na Virada, mas só é notícia quando a periferia vem ao centro.

Na matéria da Folha, assinada por Ana Krepp e Lucas Nobile, o absurdo fica por conta da crítica nem um pouco velada ao justo protesto do público contra o genocídio da população negra na periferia.

É óbvio que agrande mídia irá negar de todas as formas que isto aconteça. Tão ligados à Ditadura, não poderiam concordar que o assassinato indiscriminado de pobres nas periferias seja algo alarmante. É, no fim, apenas uma "provocação" à gloriosa Polícia Militar que, aliás, sequer fez seu trabalho na Virada, e deixou rolar solto assaltos e arrastões.

E não digo "deixaram rolar" levianamente. 

Em toda a distância entre o Largo do Arouche e a República não havia um único PM na madrugada do sábado para o domingo. Apenas no Largo e sumidos em algum lugar da República, longe de nossas vistas. Presenciei, há menos de 10 passos, um arrastão na República e não se via policial. Nem durante e nem depois enquanto as pessoas gritavam por socorro e eram roubadas.

Um dos assaltados tinha perdido tudo. Chavez do carro, celular, carteira, documentos... Corria junto conosco, eu, minha esposa e uma amiga, tentando encontrar um policial. E não encontramos nenhum. 

Do Arouche ao Metrô República. Nada.

Onde eu via PM estavam batendo papo ou sentados em suas viaturas. Alguns falam até em uma ação pensada da PM em fazer vista grossa aos assaltos. Eu não duvidaria, muita gente reclamava de arrastões até próximos à viaturas da PM e que os policiais nada faziam.

O João Ricardo comentou no Facebook:
Terra de ninguém, corredor polonês, zona de guerra, sei lá qual o termo mais adequado que ouvi hoje pra descrever o centro de SP na última madrugada durante a Virada. Presenciei vários arrastões na região da Luz, desde gigantes com 50 pessoas até os menores. Vi a poucos metros de mim cinco caras derrubar um carinha que foi chutado, saqueado, humilhado, uma cena que me impressionou muito. É verdadeira também a afirmação sobre a inércia da polícia em relação aos arrastões, vi isso com meus olhos e ouvi relatos de outras pessoas que corroboram, mas também não sei direito como julgar - é sabido que a PM odeia a Virada Cultural justamente porque ela cria condições em que o policiamento se torna extremamente complicado, gerando cobranças que ela se vê incapaz de cumprir.
E é preciso um adendo: A Virada é um evento municipal, sob responsabilidade do Haddad, mas o policiamento é estadual, responsabilidade da PM e do Alckmin. Não adianta querer culpar a prefeitura pelo serviço de porco do governo do estado. E, também, não são aceitáveis as acusações sem qualquer prova, apenas baseadas em vitimismo típico de petistas, de que a PM fez corpo mole com o objetivo de prejudicar a prefeitura, logo, Haddad.

Mas, voltando ao tema central, sem dúvida, "provocação" é protestar contra não só a ineficiência de um lado, mas contra a eficiência cruel da PM em assassinar jovens e negros nas periferias.

Enfim, são apenas dois exemplos - de muitos, constantes - de um jornalismo canalha, marrom, preconceituoso, que tem um lado claro, e não é o do povo.

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Artigos na mesma linha:

No jornalismo B, sobre o preconceito de classe e contra a periferia - O jornalismo de classe e a escolha da notícia
No Observatório da Imprensa, sobre a cobertura de Belo Monte e movimentos sociais - Jornalismo mandou lembranças
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

PCC versus o Estado: Uma guerra de soma zero

Perto de 200 pessoas, entre uma ampla maioria de civis, foram mortas em menos de um mês de violência extrema na periferia de São Paulo e na região metropolitana - em uma onda de violência que começa a se espalhar pelo interior.

No ano, foram 90 os policiais mortos em serviço ou durante folga.

Como pano de fundo a queda de braço, mais uma vez, entre PCC e governo do estado, onde as vítimas costumam ser preferencialmente os que nada tem a ver com a superlotação nas prisões, o tráfico de drogas ou as relações perigosas de elementos do governo e a facção.

Esta onda de violência lembra a que tivemos em maio de 2006, que resultou na morte de 41 policiais que "responderam" assassinando 564 pessoas, praticamente todas negras e pobres. A PM admitiu ter matado "apenas" 108 em 10 dias. A maioria dos chamados Crimes de Maio não foram, até hoje, solucionados e nenhum dos responsáveis foi preso. Por sua vez, os familiares das vítimas, em especial as Mães de Maio, lutam por justiça desde então e tem motivos de sobra para temer os recentes ataques.

São mais de 700 pessoas assassinadas em dois surtos de violência, uma guerra que envolve policiais corruptos, um grupo criminoso com grande força local e uma infinidade de civis pegos no fogo cruzado. Sobre o PCC, sua origem e os crimes de maio de 2006, Débora Silva, fundadora das Mães de Maio, disse em entrevista ao Correio da Cidadania:

"De forma orquestrada, ele [Alckmin] e o secretário de segurança disseram que o PCC não existia. Como não existia, se foi o poder público que o criou, à base de sua corrupção? Porque o PCC foi criado de dentro dos presídios pra fora, não de fora pra dentro. Se fosse de fora, não iríamos atribuir os crimes de maio à corrupção de Estado. E foi através dessa corrupção que os crimes de maio surgiram, graças a um monstro que o Estado criou e que contra ele se rebelou um dia."

A mídia, por sua vez, adota o discurso oficial de negar a existência ou a força do PCC, ao mesmo tempo em que não debate a situação carcerária do país, a falida guerra contra as drogas que causa apenas vítimas e pinta um quadro de pobres policiais sendo mortos e "reagindo" à violência. Não se descarta, e isto é discutido mesmo nos meios policiais, que as vitimas policiais não sejam exatamente inocentes, mas queima de arquivo e lião para outros ficarem calados sobre suas relações com o grupo criminoso. Do outro lado, civis são massacrados por bandidos e PM's de forma indiscriminada.

As causas para os recentes casos de violência são vários, mas é impossível deixar de esbarrar em alguns pontos fundamentais, como a própria origem da Polícia Militar e da Rota, instrumentos de repressão criados e usados para "domesticar" as classes pobres, instrumentos de tortura estatal usada de forma indiscriminada contra negros, pobres e pessoas que foram abandonadas pela sociedade. Esta força policial vem sendo usada constantemente na repressão às drogas, na política burra de proibir ao invés de incentivar o consumo consciente e legal.

O PCC nasce como uma resposta a isto e também contra um sistema carcerário que ao invés de recuperar, aprofunda a barreira social e as feridas abertas na sociedade. Neste caldo indigesto ainda convivem policiais corruptos, muitos deles vivendo nas favelas e nas áreas mais pobres, exercendo esta "dupla função" de serem repressores daqueles que, no fim, são parte de sua própria classe.

Não é fácil saber ou identificar o real inimigo. Na dúvida, o estado comanda ações repressivas que vitimam exclusivamente os mais pobres ao passo que os que se sentem excluídos revidam de forma violenta - e não é possível esquecer, também, da ação de grupos de extermínio composta por policiais que ajudam a azedar ainda mais a situação. No meio, fica a população, perdida, com medo e acuada. Uma parcela fazendo coro ao estado e exigindo mais repressão e a imensa maioria, presa no fogo cruzado.

Em uma situação de exclusão e de ausência do Estado - não enquanto repressor, mas enquanto promotor de políticas sociais -, o caminho fica livre para o surgimento de facções que se beneficiam dessa ausência e do rancor causado, e também o surgimento de milícias, algo que vem sendo importado do Rio de Janeiro e que ajuda também a entender a atual escalada de violência no estado de São Paulo.

A solução para o atual conflito não é simples, pois passa pela própria estrutura do Estado e de suas forças repressivas, por suas políticas no trato das drogas e na exclusão social de outras tantas políticas higienistas. É a forma pela qual o Estado lida não apenas com seus problemas, mas quando lida com sua população como se esta fosse o problema.

A exclúi, criminaliza, trata como bandido baseado em sua cor de pele e classe. Acedita ser justo e simples remover populações inteiras a fim de contentar os patrocinadores do Estado - empreiteiras e afins - através de incêndios criminosos em favelas e da expulsão pelo medo e pela força de áreas degradadas para outras piores.

Uma solução ao menos inicial para os problemas enfrentados não só por São Paulo, ams pelo Rio e utros estados passaria pela federalização dos crimes contra os direitos humanos, milícias e crimes cometidos por facções criminosas - e especialmente dos crimes cometidos pela polícia contra a população -, mas o que se vê é a total ausência de interesse por parte do governo federal de se incluir no processo.

Publicado originalmente na edição impressa do Jornalismo B nº 49 da 2ª quinzena de novembro.
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sábado, 11 de fevereiro de 2012

Cobertura alternativa do Pinheirinho na #posTV

Programa da #PósTV "Desculpe a Nossa Falha" com o Lino bocchini, Maíra Kubik Mano, Felipe Milanez e eu sobre o Pinheirinho. Nosso relato sobre a visita que fizemos a São José dos Campos no dia do despejo violento pela PM e GCM.
Quatro jornalistas independentes foram até São José dos Campos no dia da desocupação e fizeram uma cobertura aletrnativa. Fotografaram, filmaram, entrevistaram pessoas. Aqui o bate papo com Maíra Kubic, Raphael Tsavkko e Felipe Milanez. (obs: por conta de um pau no ustream, perdemos os primeiros 10 minutos...)

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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Pinheirinho: Ata dos trabalhos do CONDEPE sobre as violações de Direitos Humanos [UPDATE]

Segue a Ata resumida dos trabalhos da audiência pública do CONDEPE sobre as violações de direitos humanos no #Pinheirinho. A ata me foi enviada por e-mail pela leitora Camila Cunha, que vem fazendo excelentes ponderações nos comentários dos posts sobre Pinheirino no Global Voices.

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Update (08/02):

No link, arquivo em PDF, relatório preliminar feito pelos movimentos sociais (Brigadas Populares, Justiça Global e Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência) com depoimentos de moradores do Pinheirinho.

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Renato Simões
3 de Fevereiro de 2012 17:52

A pedido do Senador Eduardo Matarazzo Suplicy, acelerei a divulgação da ata resumida da audiência pública do Condepe-sp Direitos Humanos em São José dos Campos, a tempo de seu pronunciamento de hoje no Senado.

Íntegra da ata segue abaixo: ATA RESUMIDA DOS TRABALHOS DA AUDIÊNCIA PÚBLICA DO CONDEPE VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS DAS FAMÍLIAS DA OCUPAÇÃO DO PINHEIRINHO SÃO JOSÉ DOS CAMPOS, 30 DE JANEIRO DE 2012

Às 20 horas do dia 30 de janeiro de 2012, com o Plenário da Câmara Municipal de São José dos Campos tomado por militantes de movimentos sociais e de direitos humanos, bem como moradores da ocupação do Pinheirinho, desalojados de suas casas, teve início a audiência pública do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana de São Paulo (CONDEPE) convocada especificamente com o tema das violações de direitos humanos perpetradas contra a população daquela região antes, durante e depois da reintegração de posse da área ocupada, promovida com força policial militar, no dia 22 de janeiro de 2012.

A audiência pública foi aberta pelo Presidente do CONDEPE, Ivan Seixas, que apresentou seus objetivos e os do mutirão realizado ao longo de todo o dia por mais de 90 voluntários de entidades de direitos humanos dos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro junto às famílias ocupantes do Pinheirinho que estão confinadas em quatro abrigos mantidos pela Prefeitura Municipal de São José dos Campos após a reintegração de posse. O Presidente passou a condução dos trabalhos ao Conselheiro Renato Simões, designado relator do processo aberto pelo CONDEPE para apuração das denúncias de violação dos direitos humanos das famílias ocupantes do Pinheirinho.

A Mesa foi composta com a presença dos Conselheiros do CONDEPE Vicente Roig, Cheila Olala e Rildo Marques e de seu Secretário Executivo, Aristeu Bertelli. Compuseram ainda a Mesa: o representante do Ministério Público Estadual de São Paulo, promotor de justiça Eduardo Dias; o representante da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, defensor Jairo Salvador; o representante do Ministério Público Federal, procurador da República Ângelo Augusto Costa; o representante da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República, Bruno Teixeira; o Secretário Nacional de Articulação Social da Secretaria Geral da Presidência da República, Paulo Maldos; a representante do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, procuradora Ivana Farina Navarrete; a representante do Conselho Nacional dos Direitos do Idoso, Adriana Zorbi; o represente das famílias da ocupação do Pinheirinho,Valdir Martins (Marrom) e o advogado das famílias, Antonio Ferreira (Toninho). Parlamentares presentes compuseram também a mesa: Senador Eduardo Suplicy, Deputado Federal Carlinhos Almeida, Deputados Estaduais Pe. Afonso Lobato, Carlos Gianazzi, Ênio Tatto, Marco Aurélio e Simão Pedro, Vereadoras Amélia Naomi e Ângela Guadagnin, de São José dos Campos, Vereadores Itamar Alves, Laudelino Amorim e Marino Faria, de Jacareí, e Cristiano Pinto Ferreira, Jairo Santos, Tonhão Dutra e Wagner Balieiro. Coube ao relator do processo, Conselheiro Renato Simões, apresentar a ordem dos trabalhos da Audiência Pública:

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domingo, 5 de fevereiro de 2012

Greve da PM: Só é bom quando se está na oposição

A Bahia está um caos. A greve da PM tem deixado o governador, do PT, de joelhos, e até intervenção federal pode estar a caminho - alguém duvida?

A Força Nacional já está patrulhando as ruas e o ministro Cardozo supervisiona (engraçado como disseram que fazer algo semelhante no Pinheirinho seria quebrar o pacto dfederativo, né?) e o governo parece não saber o que fazer. Atira a esmo.

Deixo claro de início que considero a PM uma organização criminosa. São, em geral, bandidos de farda onde um ou outro raro escapa, mas a corporação em si tem que acabar e se fizerme uma limpa não terá presídio suficiente no país pra tanta gente. Instrumento legítimo de tortura nas mãos de governadores, continua sobrevivendo por uma simples razão: São o aparelho repressor do Estado para atacar os pobres e garantir os privilégios das elites.

Mas mesmo sendo a favor do fim da PM não posso dizer que não é legítimo, como trabalhadores, que façam greve. Se o Estado os emprega, os considera legítimos, então são legítimos seus direitos. Discutir a legalidade ou não da PM fazer greve  - à luz da constituição ou da legislação - não é o caso. Fato consumado.

Ela está em greve e devemos lidar com fatos. E não tem nada mais tosco que petista se opor ao direito de alguém fazer greve!

Acho interessante como petistas que gritavam que o "pacto federativo" não podia ser quebrado pela querida presidente(a) quando pobres eram espancados pela PM no Pinheirinho, ou quando apanhávamos na Sé (e Dilmão recebia prêmio do Kassab, o neoaliado), ou mesmo quando fazem silêncio à ação criminosa da PF conta indígenas Tupinambás na mesma Bahia em crise, mas aplaudem governador do partido dos.... "trabalhadores" quando este diz que não irá negociar com grevista e aplaudem mais ainda quando a Força Nacional chega na Bahia!

É o velho flaXflu PT e PSDB. Sempre o seu lado está certo e o outro está errado. "Acusam" o líder da greve da PM de ser filiado ao PSDB. Oras, então greves comandadas pelo PT, quando este era oposição, eram legítimas, mas do PSDB na oposição não? Aliás, tem jornal dizendo até que o cara é do PSOL, mas no duplipensar petista dá no mesmo. E sim, minha visão do PSDB é igual à da PM.

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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Massacre do Pinheirinho: É preciso espalhar pelo mundo!

Acredito que estes sejam os melhores (se é que podemos chamar a filmagem de atos de cruel selvageria de 'melhores") vídeos sobre o Massacre do Pinheirinho e que devem ser vistos e divulgados pelo mundo para que não passe em branco. Tentemos identificar os policiais, seus nomes, o que fizeram e vamos denunciar.

Hoje deve sair uma posição das Nações Unidas sobre o caso e é preciso denunciar o governo de são Paulo e a Prefeitura de são José dos Campos em todos os órgãos internacionais possíveis, assim como o governo brasileiro por sua omissão clara, cujo ministro da justiça se frtou em sua obrigação de fazer a AGU se mover, a ministra de direitos humanos não deu as caras no local e a presidente fez um mea culpa grotesco em reunião fechada... em Porto Alegre.

Isto depois de estar em São Paulo no dia 25, aniversário da cidade, recebendo prêmio de Kassab, ao lado de Alckmin, FHC, do juiz e de outras "autoridades" e não fazer nenhum comentário enquanto abraçava e elogiava Kassab... Enquanto apanhávamos da PM na Sé, com presença maciça do movimento social e notável ausência da militância governista.

Aproveito e trago o link da minha postagem sobre visita ao Pinheirinho, com vídeos efotos da violência policial. E também o post do Global Voices, já com versão em inglês, para ser espalhado.




Está circulando uma petição pelo impeachment do Alckmin, recomendo que assinem! E repassem incansavelmente os vídeos e posts sobre o Pinheirinho para todos que você conhece, no Brasil ou fora! Precisamos criar um constrangimento internacional!
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Massacre do Pinheirinho - Fotos e vídeos de uma tragédia

Comissão de boas vindas
Quem me conhece sabe que é difícil para mim não ter palavras para começar u texto. Não saber por onde começar. A invasão criminosa e absurda - e ilegal segundo a OAB e diversos juristas -, chamada de "desapropriação", uma tucanagem clara do termo "massacre" me deixou sem palavras. A barbárie que presenciei e quase fui vítima me deixou sem palavras.

Admito que enquanto escrevia este post e enquanto via os vídeos que foram gravados chorei. Chorei sozinho, olhando para o computador e pensando que eu tinha uma casa, oras, eu tinha um computador para escrever estas linhas! E aquelas pessoas, tratadas pior do que cachorros, tratadas como lixo não tinham onde morar, não sabiam o que seria delas no dia seguinte.

Chorei ao pensar que podia ter morrido, com a bala de borracha que um PM atirou na minha direção e que me raspou a cabeça. chorei pela dor dos que ficaram lá no Pinheirinho, para resistir, para lamentar e para chorar a destruição de suas vidas por um governo fascista estadual e municipal do PSDB de Alckmin e Cury, com silêncio e conivência do federal, do PT.
Rua principal onde ocorreram os "confrontos"

Não foram poucos os moradores que, chorando, em desespero, se perguntavam (e me perguntavam) onde estava Dilma, onde tava a Secretaria de Direitos Humanos. É curioso, mas a esperança que o PT fez crescer nessas pessoas foi despedaçada ontem, quando afirmavam que Lula não deixaria aquilo acontecer e que Dilma os havia abandonado. Não sei se Lula, Dilma ou o PT os abandonaram, o que sei é que o PSDB os massacrou e que eles precisam de solidariedade, ajuda, compaixão e uma nova vida.

Algo que não me importa também, no momento, é saber se a ação foi legal, ilegal, se tem conflito na justiça ou o diabo e sim que aquelas pessoas viveram e vivem um inferno em que seus direitos foram violados para que um marajá ganhasse de volta um terreno que o povo havia conquistado.

A mídia, sempre subserviente aos interesses dos poderosos, tratava os moradores pobres como bandidos. Suas casas serviam para fumar crack, para o tráfico. Eram todos bandidos, com crianças como armas, com seu desespero como arma. Pedras e raiva contra homens armados com balas, bombas e pistolas, além de cassetetes e muita vontade de bater e matar.
Reconstrução (ou tentativa) da grade do campo de concentração montado pela GCM. Em primeiro plano, carrinho com os pertences de um morador

Saí com a @mairakubik, com o @felipedjeguaka, com a @mariana_parra e com a Paty (que tenho que achar a arrouba ou o nome completo) de São Paulo e fomos até São José dos Campos ver com nossos próprios olhos o que marginais uniformizados podem fazer sob o comando de um criminoso da Opus Dei.

Chegamos na cidade por volta das 15:30 e o clima era mais que tenso, era de guerra. Na avenida que liga o Pinheirio e o Campo dos Alemães - bairro vizinho e que protestou o tempo todo contra a ação brutal da PM e da GCM local (esta, aliás, muito mais violenta e despreparada) - carros queimados nos recebiam. Ao menos 3 carros pelo caminho, além da van da TV Vanguarda, afiliada da Rede Globo, cujos repórteres não saíram um minuto sequer detrás do cordão do Choque, com medo de serem linchados.

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