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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A estética e a ação Black Bloc

Black Bloc não é um grupo. Black Bloc é uma tática. Uma tática cujo cerne está na ação direta e numa estética particular.

Sejamos diretos: Quem não se veste de preto NÃO é Black Bloc. Um manifestante de vermelho violento é... um manifestante de vermelho violento e não um Black Bloc. E explico o porque.

Black Bloc é, novamente, estética. O estar de preto faz parte da tática, faz parte da ideia anarquista de um coletivo agindo como um só braço, de indivíduos juntos agindo como um só. Rostos cobertos e todos de preto significa que não são indivíduos agindo contra a PM ou contra símbolos do capitalismo (como bancos), mas sim um corpo único, um coletivo agindo uniformemente.

Sem este elemento não há Black Bloc, há apenas a venha violência em manifestações e protestos. Um Black Bloc pode ser considerado um manifestante violento, mas o inverso não se aplica.

Os Black Blocs não inovaram ao trazer a violência revolucionária às manifestações, inovaram ao transformar a raiva coletiva em uma ação conjunta uniforme. Despersonalizaram a autodefesa transformando-a em uma ação coletiva em que é difícil identificar individualmente os defensores.

O caso recente da morte do cinegrafista da Band, Santiago Andrade foi atribuído à ação de um Black Bloc, mas não poderia existir maior equívoco. O rapaz acusado, Caio, estava de cinza quando supostamente acendeu o rojão que vitimou o cinegrafista (e cujo alvo era a PM) e este detalhe é tudo que precisamos para afirmar que ele não era um Black Block, ou melhor, que naquele momento não estava pondo em prática a tática, ainda que nada impeça que ele tenha adotado a tática em outros momentos.

Uma pessoa não "é" Black Bloc, mas tão somente ela emprega a tática. Ainda que falemos, por costume, sobre "o" ou "os" Black Blocs.

Nada impede que em outros protestos ele tenha adotado a tática, se vestido de preto e atuado contra o Estado, mas no caso específico afirmar que ele era ou adotava a tática não é apenas um equívoco, é má fé.

Como escreveu o Pablo Ortellado:
Aqui, a tática tem sido empregada já há alguns anos segundo os princípios estabelecidos pelos primeiros black blocs norte-americanos: não atacar pessoas nem destruir propriedade dos pequenos comerciantes. [...] os manifestantes do Black Bloc entendem que a tática utilizada por eles é não violenta e de caráter fundamentalmente simbólico; entendem também que o ataque a pessoas e pequenos comércios deve ser condenado.
É por esse motivo que vincular a morte de Santiago aos black blocs não faz sentido, assim como não faz sentido tratar como uma violência da mesma natureza a destruição de vidraças de bancos e o ataque violento a seres humanos, parta ele de manifestantes ou da própria polícia. Há pelo menos sete outros casos de cidadãos que, desde junho de 2013, morreram ao fugir de ataques da polícia a manifestantes. A imprensa quase não cobriu essas mortes - como se elas não existissem. Há, na verdade, uma gradação de destaque na cobertura dos protestos: em primeiro lugar, a violência dos manifestantes; em seguida, a destruição de propriedade; por último e nem sempre citados, a violência da polícia e a causa das manifestações. Essa desproporção está na raiz do fenômeno Black Bloc, que busca atrair a atenção dos meios de comunicação para comunicar uma insatisfação política.
PT e Mídia: Os interesses...

Mas a quem interessa reduzir todo manifestante a um Black Bloc tendo em mente que "Black Bloc" virou sinônimo de "violento" para a grande mídia e para o PT?

Por mais irônico que pareça ao incauto, PT e Globo (e mídia me geral) operam em conjunto na criminalização dos protestos. Por mais que interesse à Globo o desgaste do PT por mil razões, não interessa desgastar ou prejudicar a Copa.

E é a Copa que une a todos os poderosos. A Globo investiu pesado, o governo investiu pesado. Logo, há um campo para junção de forças na criminalização das ruas.

E os fanáticos (pagos ou não) petistas estão animados na reprodução das mentiras espalhadas pela grande mídia, mesmo pela Veja, desde que isso signifique atacar às ruas (e também atacar o PSOL, outro alvo preferencial).

Ditadura

No Facebook o Rudá Ricci fez um comentário certeiro:
"Poxa! Tem gente de esquerda que fica postando marcha de estudantes com a inscrição "Geração 1968: não havia covardes, nem mascarados". Além de gosto duvidoso, fico pensando o que desejam com esta comparação. Não houve quem pegou em armas e se tornou clandestino? Eram covardes? Será que não daria para elevar o nível do debate político? Entrar nesta seara ou é autoelogio ou é ignorância."
Acrescento: Eu queria ver esse povo que odeia máscaras falar isso na cara dos Zapatistas...

Covarde é quem aplaude a PM, é quem aplaude movimento social, estudantes, ativistas tomando porrada. É quem aplaude jornalista tomando bala de borracha na cara, é quem aplaude repressão. aliás, covarde não, fascista.

Quem usa a memória dos que lutaram contra a Ditadura para defender repressão é pior que lixo, não merece o ar que respira, merece apenas desprezo e ostracismo.

Cobrir o rosto não é apenas uma forma de proteger a identidade, ainda que faça parte. Temos relatos de manifestantes sendo perseguidos pela PM até em casa, sendo ameaçados. Os governistas enchem a boca para defender a brutalidade da PM, que eles tem mesmo que bater em quem usa máscara, mas não gastam um só segundo para questionar as ameaças e intimidações que quem não cobre o rosto se depara.

Mas, como disse, cobrir o rosto não é apenas para proteção, mas é parte da estética do anonimato e do coletivo em torno da tática Black Bloc. E o princípio é muito semelhante ao do Anonymous. A máscara do Guy Fawkes não é um mero adereço divertido, e sim uma forma de centenas, milhares de ativistas agirem como um só, como uma só ideia, tendo na máscara a imagem do coletivo.

A cada dia que passa os governistas se enterram mais e mais. Não passam de fascistas. A criminalização dos Black Blocs é apenas a criminalização das ruas, dos movimentos sociais, da luta social. Não é fazer o "jogo da direita" é ser a própria direita.

230 presos em São Paulo...

No sábado, dia 22, ao menos 230 pessoas foram presas pela PM. Acusação? Serem Black Blocs.

A manifestação, segundo a PM, contava com 1000 pessoas. Manifestantes falavam em 2000. Seja como for, a PM prender entre 10 e 20% das pessoas que estavam na rua! Nem na Venezuela, com confrontos violentíssimos, chegou-se perto dessa cifra. Em uma semana o número não chegou perto dos 230 da PM paulista.

Inclusive foram detidos ao menos 5 jornalistas, chegando ao ponto da polícia anunciar que Black Blocs estariam usando crachás de imprensa para escapar da prisão. Seria risível se não fosse o reconhecimento de que a polícia brasileira é vergonha mundial.

Vejam a foto abaixo:
A maioria das pessoas de vermelho. Ou seja, nenhum deles pode ser chamado de Black Bloc. Mesmo os de preto não necessariamente o são. Pouco importa.

Vale a criminalização, a violência e a brutalidade contra manifestantes, jornalistas e advogados. Tudo com a torcida entusiasmada de petistas em geral.

Estamos perigosamente nos aproximando de um Estado fascista.
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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O Cinegrafista, a Globo e o PT: Um novo Rio Centro?

Muita gente tem comentado que este caso do cinegrafista seria um "Rio Centro" moderno.

Começo a acreditar. Globo e governistas estão afiados na criminalização dos manifestantes.

Vocês viram qualquer palavra de lamento vinda de governistas quando o rapaz em São Paulo foi baleado no peito pela PM? Ou lamentações pela jornalista da Folha com tiro no olho ou do fotógrafo que foi cegado pela PM? Ou mesmo qualquer repúdio à imensa violência contra manifestantes tanto em junho quanto depois?

Não.

Mobilização de governistas pelo Amarildo? Não, eles defendem as UPPs (projeto de seu governo com o PMDB, aliás). Mobilização contra as denúncias de que o governo espiona e se infiltra em movimentos sociais e de trabalhadores? Não, eles apoiam tudo isso.

Não viram e nem vão ver, porque pros governistas só interessa defender a repressão, defender os interesses do PT, e que maior interesse há que a Copa? O sucesso da Copa é a base para a reeleição de Dilma. E os governistas farão de TUDO para garantir que ela aconteça (Copa e reeleição).

Dilma em momento algum foi à TV repudiar a violência da PM. Mas repudiou a reação à esta violência. E nem estou dizendo que alguém é obrigado a DEFENDER, por exemplo, a tática Black Bloc. O buraco é bem mais embaixo.


Usam e usarão os métodos mais baixos para conseguir isso. Seja manipulando fotos para pintar os Black Bloc como nazistas (http://is.gd/YlidVN), seja chamando manifestantes de terroristas em claro apoio à tentativa de senadores da "Base Aliada" (como aquele povo de esquerda tipo Crivella) de tipificarem o "crime de terrorismo" (http://is.gd/tNIO1p) ou, de forma mais "branda" exigindo que se manifestar nas ruas seja "crime inafiançável" (http://is.gd/blUHZ5).

Sim, pedir que o "protesto violento" seja considerado "crime inafiançável" basicamente quer dizer que QUALQUER reação popular aos abusos da PM (comandadas pelo PT, PMDB ou PSDB) deve ser motivo para prisão sem qualquer discussão.
"Coxinha" na boca da esquerda, está para "vagabundo e maconheiro" na boca da direita. Estereótipos, falta de politização nos debates e arrogância de quem se acha portador de grandes verdades.. Como se a luta de classes, a complexidade ideológica e o jogo de interesses pudesse se resumir a simplificações tão imbecis... Via Gabriel de Barcelos, sobre governistas
Isso inclui movimentos sociais, MST, movimento sem teto, enfim, TODO e QUALQUER movimento que simplesmente jogue uma garrafa de plástico, por exemplo, contra um PM que, armado com pimenta, bombas e bala de borracha, tenta matar quem está nas ruas exigindo direitos.

Estamos diante de duas possibilidades:

a) Uma orquestração por parte dos governistas, junto com a grande mídia (chamada por eles de PIG, mas FINANCIADA pelo PT e, logo, com dívidas a serem pagas), para criminalizar qualquer protesto a fim de assegurar a reeleição de Dilma.

b) A criação destes e de outros factóides não necessitam de uma ligação direta entre Globo/Mídia e governistas (por mais que haja a imensa possibilidade), podemos estar diante apenas de um encontro de interesses extremamente feliz (para eles). Um processo medonho de retroalimentação em que um lado se aproveita dos dejetos liberados pelo outro.


Mas porque digo tudo isso?

Em parte por essa belezinha abaixo:


E a resposta do Freixo:
Nota de esclarecimento:

A acusação publicada hoje pelo portal G1 é irresponsável e leviana. Segundo a matéria, uma ativista teria ligado para o estagiário do advogado de Fábio Raposo e dito que o responsável por acender o rojão que atingiu o cinegrafista Santiago Andrade é ligado a mim.

Além de a fonte da informação ser de uma fragilidade absurda e de a própria ativista negar ter me associado ao ocorrido, nenhuma prova concreta foi apresentada. Aqueles que afirmarem que o responsável pela explosão é ligado a mim terão que provar. Caso contrário, serão devidamente processados.

Sempre repudiei a violência nos protestos, seja ela praticada por manifestantes ou policiais. Discordo dela como princípio e como método para conquistar qualquer coisa.

As investigações sobre essa tragédia apenas começaram e é triste ver que um assunto tão importante e delicado é tratado com tamanha irresponsabilidade. A quem interessa transformar uma informação tão frágil num acusação tão grave?
Mas o Freixo não tem nem a Globo e nem a chave do cofre que sustenta a Globo para rebater as acusações que, aliás, são reproduzidas por governistas, como #Eduguim.

Mais um exemplo?
E nem vou entrar na manipulação do fusca, assunto já resolvido e que apenas serve como cavalo de tróia para a "militância" fanatizada.

É impressionante, mas vislumbramos um SEGUNDO Rio Centro patrocinado por Globo/Governistas: O Fusca e o "estagiário-bomba-que-acusa-o-freixo-de-ser/apoiar-black-bloc".

Enfim, estamos diante de um assustador quadro de criminalização, com o PT capitaneando o processo.

É assustador e perigoso, pois o alcance é geral, atingirá a TODOS os movimentos sociais. Qualquer reação à brutalidade do Estado será considerada terrorismo, mesmo quando não houver reação manifestantes poderão ser enquadrados, assim como hoje são presos por "desacatar" a autoridade (sic) de bandidos fardados.

Este é o país que o PT tem construído. Junto com PMDB, PSeudoB e demais aliados e, claro, em muitos pontos, com o apoio entusiasmado do PSDB que neste momento deve sentir inveja da capacidade do PT fazer tudo aquilo que eles tentaram por anos. Mas o PT barrava.

Os governistas não conseguiram seu Rio Centro com o fusca, agora tentam de novo. Com o apoio da Globo.

Como definiu bem, no Twitter, o Bruno Borges (@borgesbm): "É amigos. 2014 promete bater todos os recordes de sordidez política. Apertem os cintos"
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sábado, 30 de março de 2013

Sobre o possível fim do Vi o Mundo...

Proposta 5) Parar de apoiar o governo que FINANCIA a Globo.
Gostaria de compartilhar alguns apontamentos/pensamentos sobre a censura denunciada pelo Vi o Mundo/Azenha imposta pelo Ali Kamel/Globo.

Em primeiro lugar, o processo foi imposto ou iniciado pelo Kamel que, apesar de ser da Globo, não é A Globo.

Ela pode estar por trás? Sim. Provavelmente está. Mas é preciso cuidado, até para evitar novo processo, dessa vez realmente da Globo. E a íntegra da decisão dá a entender que realmente foi um processo do Kamel contra o Azenha por motivos claros e objetivos. E por uma estupidez.

O Azenha sabe que a Globo está por trás, recursos não faltarão, mas o processo é mesmo do Kamel contra ele. Era a brecha necessária. A Globo est/ irá se beneficiar? Sem dúvida.

Para todos os efeitos, é uma censura imposta pelo Ali Kamel, da Globo e que, sem medo de errar, conta com entusiasmo global. O caso, aliás, é semelhante ao da Falha de São Paulo, salvo proporções, em que uma organização (ou membor de poderosa organização) usa o judiciário para censurar baseado em seu poder econômico, relações e capacidade de pressão.

Mas sejamos honestos, alguém achava que o Kamel não iria processar o Vi o Mundo (como processou o Vianna e outros) pela piadinha com a Pornochanchada? É ingenuidade. E o Azenha deveria saber quem e que forças econômicas estavam contra ele. E, se sabia, deveria ter se preparado para o que viria.

Dito isto, cabe uma crítica.

O Azenha e seu Vi o Mundo são extremamente governistas. Me recordo que passei meses insistindo - ao ponto de ser até hoje impedido de comentar no blog, sou efetivamente censurado -, mesmo pessoalmente quando encontrei o Azenha uma ou duas vezes, que o Vi o Mundo tratasse de Belo Monte, pois o assunto simplesmente não aparecia em suas "páginas".  Eventualmente Belo Monte virou assunto.

O mesmo vem acontecendo com a Aldeia Maracanã e com os protestos contra o governista Feliciano.

Todos estes assuntos são ou foram escondidos pela simples razão do blog se alinhar aos "progressistas", ou seja, serem carnalmente governistas.

O Vi o Mundo, porém, é um veículo importante, mas comete falhas tremendas ao tratar muitos de seus leitores como imbecis, ignorando temas sociais apenas por causarem desconforto ao governo. Por outro lado, o blog tratou de outros vários temas sensíveis e criticou/critica o governo. É difícil entender a decisão editorial de ignorar uns assuntos e tratar outros, mas é sintomático que vários de meus seguidores no Twitter tenham sido pegos de surpresa com a notícia da censura: Devido ao governismo excessivo, muitos pararam de ler o Vi o Mundo e se surpreenderam com meus comentários, perguntando o que se passava.

Provavelmente um número insignificante perto do total de leitores do blog, mas ainda assim...

Ainda tratando do governismo excessivo do Vi o Mundo, é engraçada a constatação:
Cheguei ao extremo de meu limite financeiro, o que obviamente não é o caso das Organizações Globo, que concentram pelo menos 50% de todas as verbas publicitárias do Brasil, com o equivalente poder político, midiático e lobístico.
Constatação vinda de quem continua a apoiar um governo que FAZ QUESTÃO de IGNORAR a mídia alternativa, mesmo aquela que é francamente governista, ao ponto da canalhice, como no caso do Paulo Henrique Amorim.E, diga-se de passagem, PHA e seu Conversa Afiada recebe dinheiro da SECOM, a Secretaria de Comunicação da presidência, ainda que o Vi o Mundo não.

Neste momento diversos blogueiros progressistas e organizações (além de blogueiros de esquerda anti-governo, obviamente) estão em franca campanha contra o Paulo Bernardo e a tentativa deste e de seu governo de terminar as privatizações de FHC na área das telecomunicações. Privatizações estas que, em outros setores, governistas e "progressistas" tentam esconder ou justificar.

Muitos entenderam o post do Azenha denunciando a censura como um anúncio de que o blog será fechado. É uma pena, mas tenho certeza de que muitos dos "órfãos" não pararão um só segundo para raciocinar que um dos grandes responsáveis é o governo, o PT.

Explico.

Por anos o PT falou em democratizar a mídia, em descentralizar as verbas publicitárias. E por anos tudo não passou apenas de palavras vazias e propaganda para atrair quem ainda era trouxa para acreditar em boas intenções vindas do PT. Dilma já deixou claro que NÃO fará nada do que quer ou finge querer o PT e seus apoiadores, mas ainda assim blogueiros e ativistas continuam a acreditar na boa vontade governamental.

E é esta crença na boa vontade que os leva a dar seu apoio e, em troca, ganhar censura, perder batalhas para o poder econômicos de grupos que são financiados pelo governo/PT.

Em outras palavras, o governo não dá a mínima para a mídia alternativa (vejam a situação da Caros Amigos, por exemplo), mas enche de dinheiro a grande mídia que o PT diz odiar/ser odiado.
Azenha não está anunciando o fechamento do seu blogue por causa da Secom e do Paulo Bernardo. Mas também não está fazendo isso só por causa da Globo. Se a gente tivesse nesta luta pela democratização da mídia, mas não se sentisse sendo usado, talvez ele não tivesse tomado esta atitude.
Esta cegueira quase proposital é a grande responsável pela atual situação do Vi o Mundo. E mesmo agora ainda há fanáticos gritando "Temos que fazer a Ley de Medios", achando que isto é possível sob um governo do PT há 10 anos no poder.

É uma cegueira que fazem questão de sustentar, com pitadas de um fanatismo atroz!

Já é hora de se aprender que confiar no PT é perda de tempo, pior, suicídio. O PT só cumpre suas promessas ao aliados PSC, PMDB, PP...

Me junto, enfim, aos solidários. Por maiores discordâncias que eu possa ter do Vi o Mundo/Azenha, tudo aponta para mais um caso de censura e como tal deve ser repudiada.

Dica da @nideoliveira71
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Um comentário pessoal fora da análise puramente política: Quando alguns "progressistas" começaram com a piadinha sobre o Ali Kamel, fingindo confusão entre o ator de pornochanchada e o diretor da Globo eu já setnia que ia dar merda. E deu. E, sejamos honestos, foi merecido.

É óbvio que, passado tanto tempo e de forma tão sistemática a Globo deve estar por trás, aproveitando brechas, especialmente em um momento em que messo os mais radicais governistas se insurgem contra o Paulo Bernardo - que beneficia Globo e teles. Mas o fato é que o processo por difamação procede.

Pra brigar com gente grande é preciso ser esperto. E o Azenha e outros não foram. Chegou o troco e agora estão pagando e, infelizmente, o Azenha jogou a toalha.

Chamo de censura o fato, pois a judicialização era desnecessária, por mais que o Kamle estivesse em sue direito de tomar tal caminho. Como no caso da Falha, tratava-se de um lado poderoso contra outro menor, em que o menor incomodava, mas não ao ponto de causar efetivo prejuízo. E, em ambos, o lado maior resolveu acabar com a brincadeira, ainda que, no caso da Falha, seja um absurdo, pois a sátira é legítima.

E aí está, talvez a grande diferença entre a Falha e suas sátiras, legítimas, bem boladas, inteligentes, e a história do Kamel pornô, uma brecha imperdoável pra quem está numa trincheira.

Azenha errou, Vianna errou, e todos pagaram o pato.

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Crise no Carnaval de São Paulo: Culpa da Globo e do ... PSDB?

Raciocínio (sic) corrente: A Globo armou o barraco na apuração das escolas de samba de São Paulo para ganhar ibope, afinal, tudo no país é manipulado pela Globo que, todos sabemos, se opôs à Lei Áurea (notem a ironia, por favor).

Outro raciocínio (sic), é o de que os bandidos da Gaviões da Fiel, tadinhos, arrumaram toda a confusão na apuração apenas porque se sentiam prejudicados pelo enredo de sua escola, qeu homenageia o Lula, não ter vencido, afinal, era perfeito e maravilhoso e os terríveis tucanos travestidos de jurados cortaram o barato do "companheiro".

Acreditem, são duas versões lidas em blogs e no twitter e com muita gente dando crédito.

O fato de torcida organizada não combinar com samba - e nem com futebol, sejamos honestos - não entra em pauta. São Paulo é governada pelo PSDB, logo, enredo com Lula teria de perder. Qualquer outra explicação é coisa de tucano, de psolista, de direitista...

É o culto à personalidade encontrando-se com o fanatismo petista em conluio com a violência típica de torcidas organizadas.

É fato que o primeiro imbecil a invadir a área de apuração, rasgar votos e escondê-los na cueca era do Império de Casa Verde, mas logo após este... "incidente", a torcida do Corinthians resolveu partir pra briga, continuando a depredar o que viam pelo caminho na Marginal, com direito a tocar fogo em um carro alegórico da Pérola Negra.

Pobre do Lula!

Enquanto as imagens eram claras e a torcida da Gaviões tocava o terror, lulistas fanáticos diziam que a Globo estava manipulando as imagens, que os pobres Corinthianos tinham direito a expressar sua raiva pela injustiça (O.o) de Lula ter perdido... Aliás, como se Lula em pessoa tivesse sido derrotado. Inconcebível!

Vejam um trecho:
No caso da Escola de Samba Gaviões da Fiel, cuja temática abraçada foide homenagem a uma personalidade política de estima elevada entre as classes trabalhadoras, não seria razoável esperar que sua aprovação contasse com o endosso fácil dos jurados, na maioria recolhidos de extratos diversos da sociedade.
O veto esperado ao repertório de símbolos levados à avenida pela Gaviões de Fiel, só poderia portanto redundar em frustração e em repúdio dos foliões. Tampouco surpreendeu a explosão de violência que seguiu a uma nota politicamente motivada, que traduziu o inconformismo dos torcedores no sambódromo da cidade de São Paulo com resultados baseados em critérios personalistas de julgamento.

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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Participe do protesto contra a Globo no caso BBB!

Sexta, dia 20, das 12h às 14h
em frente a Globo São Paulo - Av. Dr. Chucri Zaidan, esquina da Av. Roberto Marinho.

A Frentex - Frente Paulista pelo Direito à Comunicação e Liberdade de Expressão , o FNDC - Fórum Nacional pela Democratização na Comunicação e a Rede Mulher e Mídia convidam todos para este ato em repúdio a todas as formas de violência com a mulher e pela:

1) Responsabilização da Globo por:
  • Ocultação de um fato que pode constituir crime;
  • Prejudicar a integridade da vítima e enviar para o país uma mensagem de permissividade diante de uma suspeita de estupro de vulnerável;
  • Atrapalhar as investigações de um suposto crime;
  • Ocultar da vítima as informações sobre os fatos que teriam se passado com ela quando estava apagada.
2) Os anunciantes do BBB – como OMO, Niely, Devassa, Guaraná Antarctica e FIAT – devem ser entendidos como co-responsáveis, e a sociedade deve cobrar que retirem seus anúncios do programa ou boicotá-los.

3) O Ministério das Comunicações deve colocar em discussão imediatamente propostas para um novo marco regulatório das comunicações, com mecanismos que contemplem órgãos reguladores democráticos capazes de atuar sobre essas e outras questões
 
“Em 2011, cada cota de patrocínio foi comercializada com preço de tabela de R$ 16,7 milhões. Para este ano, o valor foi ampliado para R$ 20,6 milhões, o que consistiria, em valor cheio, uma arrecadação de R$ 103 milhões – aumento de aproximadamente 21% em relação à última edição. O apoio é válido para os meses de janeiro, fevereiro e março, período em que a atração será transmitida.” Fonte: Exame

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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Big Brother Brasil: O show da degradação da vida

Antes de mais nada, deixo claro - e o título não esconde - que sinto total desprezo e asco por esse programa, que considero um dos - senão o mais - asqueroso da TV brasileira. Um programinha baixo, sem qualidade, onde pessoas em geral vazias colocam suas vidas inúteis na TV para que milhões de pessoas se imbecilizem em conjunto.

Claro que isso não quer dizer que TODOS que assistem ou mesmo que participaram do programa sejam vazios, há quem simplesmente tenha gosto pelo grotesco ou, bem, não sei, que simplesmente consiga gostar e tudo aquilo.

Mas enfim, falemos sobre o caso de estupor envolvendo dois participantes. Assisti ao vídeo colocado no youtube e que a Globo vem caçando em todas as redes para tentar apagar o óbvio: Houve estupro.

Para quem se surpreende com a declaração, pois não é possível ver nem afirmar que houve penetração, uma dica: Procurem conhecer a legislação, não é preciso haver penetração para se ter um estupro. A vítima, como toda mulher, foi interpelada, questionada, enquanto o autor do crime nada sofreu - ao menos dentro da casa e aos olhos dos diretores e produtores daquele lixo midiático.

A garota sequer lembra do ocorrido, embrigada e possivelmente sofrendo de amnésia alcoólica. O autor do crime mal sabe da reação fora da "casa" aos seus atos.

Mas meu objetivo com esse texto não é, em si, discutir o estupro, se houve ou não e etc, acredito que não faltem textos excelentes, como os da Maíra ou da Maria Frô ou ainda o impecável e definitivo artigo do Alex Castro sobre estupro, mas sim tentar entender porque acredito que essa história toda não vá dar em nada.

Qual o público alvo do BBB? A chamada Classe C, que vem ascendendo socialmente, tendo crescente poder de compra e que, no fim, carece de educação de qualidade ou mesmo formal, é em geral conservadora (apesar disso parecer anacrônico) e consome qualquer lixo que lhes é imposto.

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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Quando o jornalista é a própria notícia

A troca de comando do Jornal Nacional, da Rede Globo, foi motivo de discussões não apenas nas redes sociais, mas de preciosos minutos melodramáticos no próprio programa jornalístico da emissora e com direito a espaço cativo nos sites ligados à empresa, desde aqueles com vocação jornalística a outros exclusivamente voltados para a fofoca, ou seja, para a cloaca do jornalismo do novo milênio. Umbiguismo é pouco para explicar as carícias ao ego de jornalistas transformadas em celebridades, como Fátima Bernardes e Patrícia Poeta (uma que sai do JN e a outra que deve assumir seu lugar), e as louvações mal disfarçadas à qualidade do jornalismo global.

É difícil levar o jornalismo da Rede Globo a sério quando uma troca de apresentador de telejornal vira notícia – pior, vira a grande notícia de toda a semana. Já foi o tempo em que bastavam algumas linhas bem escritas, análises contundentes ou mesmo uma boa presença em frente às câmeras, coroadas por uma dicção impecável e, por que não, por um faro jornalístico, que faziam o jornalista ir além do feijão com arroz da bancada para que fosse reconhecido.
Isto bastava.

Mediocridade midiática

Hoje é preciso torná-lo celebridade, vasculhar sua vida, postar fotos em sites de fofoca e procurar analisar o significado do signo do jornalista, agora celebridade. A qualidade em si do jornalista na profissão pouco importa; o importante mesmo é sua capacidade de sair bem em fotos em cenários cotidianos – fabricados ou não. Como a jornalista estava vestida no shopping, com quem namora, qual sua dieta favorita... Tudo isto se torna mais importante que os furos, as matérias de qualidade ou mesmo a mera qualidade da jornalista enquanto profissional.

O jornalismo foi substituído pelo show da vida (com trocadilho proposital), uma forma de entretenimento que busca criar uma identificação fictícia entre o apresentador/jornalista e o telespectador, mas que, ao mesmo tempo, serve como fator imbecilizador, substituindo a notícia pela diversão acrítica. É a era do showrnalismo, com direito à exaltação ou autoexaltação de jornalistas e da própria rede de TV, uma concessão pública cada vez mais privada e distante de seus propósitos iniciais.

A Rede Globo não é, obviamente, a única a abusar descaradamente de suas prerrogativas enquanto concessão pública, mas a troca de comando do Jornal Nacional, mobilizando toda uma gigantesca rede de apoio/suporte, desde a mídia escrita ao online, sem dúvida nos leva a um novo patamar de mediocridade midiática e de desrespeito até mesmo à profissão de jornalista.

Artigo publicado originalmente no Observatório da Imprensa.
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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A imprensa como agente provocador

Durante a crise recente na Universidade de São Paulo (USP) – que se iniciou não com a prisão de três estudantes que fumavam maconha nas cercanias da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências sociais (FFLCH), mas com a chegada da PM na USP em caráter de clara provocação por parte do reitor João Grandino Rodas –, a mídia teve um papel fundamental na radicalização de posições tanto do lado dos estudantes quanto de boa parte da população, que não escondeu sua vontade de ver sangue jorrar durante a desocupação ordenada pela justiça.

É fato que a imprensa age propositadamente como agente provocador.

Na manhã do dia 8 de novembro, a Polícia Militar (PM) desocupou a força o prédio da reitoria da Universidade de São Paulo (USP), que tinha sido tomado por cerca de 70 estudantes desde o dia 27 de outubro, quando três estudantes foram presos por estarem fumando maconha nas imediações do prédio da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). A ação envolveu cerca de 400 policiais da tropa de choque da PM, guarnições do Grupo de Operações Especiais (GOE) e a cavalaria da PM.

Num comunicado lançado após a desocupação, os estudantes da USP esclarecem que “o incidente do dia 27/10/11, quando três alunos foram pegos portando maconha, não foi o ponto de partida das reivindicações estudantis. Aquele foi o estopim para insatisfações já existentes” – com o modelo de segurança da USP e a falta de transparência da reitoria.

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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Fanatismo sem limites, de patológico a criminoso: É possível piorar?

Alguns governistas começaram agora a acusar o PSOL de estar "aliado" com a Globo...

Só rindo!

Não está, obviamente, mas tem quem sonhe com isso! Afinal, é mais fácil atacar o inimigo para esconder seus problemas do que, oras, resolver seus problemas!

Usam a possível aliança do PSOL com o PV de Gabeira para tentar criar um factóide simplesmente lamentável.Uma aliança que, aliás, desagrada à maioria dos militantes e simpatizantes!

A verdade é que eles queriam que a Globo e a mídia em geral fizesse silêncio sobre o Freixo, afinal, eles apoiam o midiático Paes, chefe de milícia, e torcem pro Freixo morrer. O engraçado é que comemoram quando Dilma vai dar entrevista no JN, vai na festa da Folha... E o governo deles, obviamente, financia a mídia que tanto odeiam.

Mas é mais fácil criar um inimigo para justificar a corrupção, as privatizações, as criminalizações de greves e todas as demais mazelas do governo Dilma.

Mídia só pra eles, o resto não presta.

E as acusações de que o PSOL está aliado com o PSDB e o DEM? Aí quando a gente lembra que o PT é aliado do PSDB-MG e do DEM-MA eles se calam...

Se calam por alguns momentos, claro, depois o disco volta ao ponto inicial e continuam com a carga.

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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Política de Comunicação no governo Lula e Dilma

Li, durante o fim de semana, o post da Cris sobre o que ela espera da Política de Comunicação no governo Dilma, dado que, durante o governo Lula, a área foi entregue ao PMDB - Hélio "Telefônica" Costa -, e concordo. O próximo governo precisa ser mais corajoso.

Lula deu alguns passos, tímidos, no caminho de uma maior democratização da comunicação, vale notar a CONFECOM, mas parou por aí. Não teve coragem de brigar contra os grandes monopólios e, sequer, aplicou as resoluções aprovadas na CONFECOM. Assim como com o PNDH-3, aceitou as regras da grande mídia e dos poderosos e deixou de lado todas as decisões tomadas pelo povo em conferências locais e nacionais.

O preço foi e continua sendo claro, a franca e criminosa oposição da mídia a tudo que vem do governo.

Uma coisa é a Veja fazer oposição, até tem o direito, outra é a Rede Globo, uma concessão pública, fazer o mesmo. E, vale sempre lembrar, uma coisa é "oposição", outra é a tática de fingir pluralidade e desinformar, mentir para fazer uma política de confronto.
spero que a comunicação não entre na negociação de cargos e votos dessa vez. Entendo que é preciso o diálogo e às vezes se tem que ceder. Mas espero de Dilma que tome como estratégica a comunicação e dedique à área atenção maior. Aproveitando a atitude da vizinha argentina essa semana – cuja presidente, Cristina Kirchner, apresentou um relatório acusando os donos dos principais jornais de envolvimento com a ditadura, em uma estratégia de governo de limitar o poder dos grupos Clarín e La Nación –, espero uma política que enfrente o monopólio. Uma política que defenda a pluralidade.
Urge a aplicação de instrumentos de controle social da mídia, como consta das diretrizes do PNDH-3. A mídia não pode ser livre acima de tudo e de todos, acima dos Direitos Humanos. Longe de se tratar de censura, trata-se de respeitar a dignidade humana e a verdade.

Casos como os da Ficha Falsa da Dilma na Folha, das acusações da Veja contra o MST de cometer crimes em lugares em que o movimento sequer está presente são apenas exemplos de abusos à liberdade de imprensa que, segundo Venínio Lima, não está acima da liberdade de expressão da população, refém destes gigantescos e poucos grupos de mídia com interesses que divergem dos da população brasileira.

Por controle social, fico com a Cris:
Não a censura, muito pelo contrário. O controle dos grandes grupos para que os pequenos também tenham meios e espaço. Para que a diversidade regional tenha lugar, com regulamentação efetiva e aplicação da legislação.
Respeito aos Direitos Humanos, às leis do país e o fim da centralização de toda informação nas mãos de grupos gigantescos, descompromissados com o interesse nacional e da população. Hoje, salvo pequenos veículos de mídia alternativa, como a Fórum, Caros Amigos, Brasil de Fato, Rede Brasil e ets, toda informação consumida pela franca maioria da população vem de máfias midiáticas, de veículos controlados por pouquíssimos grupos, famílias mafiosas que se revezam no poder há décadas, que tem agendas bem definidas e distantes dos anseios e necessidades dos brasileiros.

A Argentina deu um passo sério no caminho da democratização da mídia, ao enquadrar o Clarín, importante máfia midiática argentina. Quando o Brasil fará o mesmo? Quando o Brasil irá enquadrar a Rede Globo, comprada por dois tostões em uma fraude absurda e que cresceu na base da infração da lei ao se aliar à Time Life? Quando a folha será responsabilizada pelo seu apoio à Ditadura? Por ter emprestado seus carros para que militantes de esquerda fossem torturados e mortos?

Faltou coragem de avançar, pois força política e social o governo tinha. É preciso urgentemente combater o monopólio midiático e desmistificar a verdade absoluta de que nada pode ir contra a "liberdade de imprensa".

Lula não fez, Dilma fará?

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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Serra, Globo e o Controle da Internet #AI5Digital


A reação dos usuários do Twitter à entrevista (sic) de José Serra ao Jornal Nacional demonstrou, como disse o @caribe, que a Globo está ficando nua e que, mais do que nunca, os poderosos precisam de um AI5Digital.

Demonstrando coleguismo, serventia até, William Bonner deu um show de péssima atuação ao tratar José Serra como um deus, como seu candidato e como o candidato da Rede Globo. Tratou Dilma e Marina como lixo, no que a @vivamulher também chamou de descarado machismo, e Serra como um velho compadre. William Bonner, também nos TT, foi ridicularizado e duramente criticado por sue claro coleguismo com Serra.

Nas entrevistas com Dilma e Marina, perguntas sobre Mensalão, corrupção... Com Serra apenas perguntas tímidas sobre Roberto Jefferson, mas nada sobre o Mensalão do DEM. Quando falou sobre pedágios, Serra não foi interrompido, mentia de forma descarada sobre preços, utilidade e eficiência das centenas de pedágios criadas por ele. E ficou tudo no elas por elas.

Efetivamente a questão dos pedágios foi o único tema mais espinhoso que, porém, não foi de fato respondido pelo Serra. E a cara de "me desculpe" do Bonner durante e depois da pergunta denunciavam que era apenas um teatrinho para fingir isenção.


Sobre o Jefferson, aliás, o próprio reconheceu, no Twitter, que a Globo privilegiou seu aliado!

Perguntar sobre PT e FARC, como alguns cogitavam, teria sido suicídio. A Globo apoia e defende o serra, mas ainda quer e precisa manter uma capa de isenção. Foi uma entrevista de amigos, mas ainda assim com temas menos leves do que muitos esperavam. Inegável os cortes feitos contra a Dilma e a Marina e o tom mais ameno com o Serra.
Enfim, a questão principal na entrevista não foi o conteúdo em si - Índio, Pedágios e Jefferson -, mas o tom, a diferença do tom, os cortes e a agressividade desta para as entrevistas anteriores. Isto fez e faz toda diferença.
 No Twitter, "José Serra" foi para os Trending Topics, mas diferentemente do que aconteceu com Marina ou com Dilma, uma rápida lida nos comentários mostrava que ao invés de apoio, Serra era repudiado. Como poucas vezes visto, a Globo foi alvo de protestos raivosos pela forma como tratou - na base da camaradagm - o candidato que, sem dúvida, é o seu. O uso de uma concessão pública para fazer descarada propaganda para um candidato não tem outro nome, é crime. Em um país sério a Globo sofreria sérias consequências.
De qualquer forma, o que fica claro não é o apoio descarado da Globo, mas a necessidade dos poderosos de reviver o AI5Digital e buscar censurar a rede. Apenas pela internet é que foi possível se ter a idéia de como o público recebeu a "entrevista" com Serra. De outra forma estaríamos nas mãos de institutos de pesquisa que, nem de longe, tem o compromisso com a verdade ou com a democracia.

Como poderíamos ter acompanhado o "depois" do debate da Band? Sem dúvida não seria esperando que algum instituto de pesquisa fizesse uma sondagem, afinal, o Vox Populi, que está fazendo tal pesquisa, simplesmente excluíu o nome de Plínio de Arruda Sampaio.

Vivemos em uma democracia onde você só tem voz se tiver mais de 10% dos votos ou servir aos interesses do capital. Aliás, quanto aos 10%, até isso é discutível.

Enfim, é através da internet que podemos ter um termômetro eleitoral minimamente democrático. Obviamente que o alcance é extremamente limitado e dificilmente contempla igualmente a todas as classes e estratos da população, mas ainda assim, é o único ambiente livre, onde TODOS podem dar suas opiniões e contribuir, onde o coletivo é efetivamente formado pela união de indivíduos e não pelo interesse de grupos e marcas.

A internet e o Twitter em particular, vem pautando a grande mídia. A velocidade da rede vem atropelando os jornais comuns e mesmo os sites destes jornais. A internet dá publicidade aos que a mídia tenta excluir, força, através da ampla mobilização, que a mídia reveja posições e atitudes ou, ao menos, seja denunciada.

Foi graças à pressão na internet que Plínio rompeu o boicote que lhe foi imposto e que, depois, virou sucesso no Twitter. E é graças à rede que podemos conhecer os pobres de José Serra e as manipulações midiáticas para tentar colocá-lo no poder.

Collor é cria da Globo, foi eleito graças à manipulação no entorno de seu nome. Isto, hoje, é bem mais difícil de se conseguir. Não só a popularidade do governo é gigantesca, como também existe toda uma rede de ativistas ou de cidadãos comuns apenas insatisfeitos, que ventila informações, que desmascara as mentiras espalhadas pela mídia.


Sem a internet a Ficha Falsa da Dilma seria até hoje uma arma nas mãos da mídia, não haveria resposta, debate democrático. Sem a internet, Plínio de Arruda seria apenas um desconhecido, mesmo com mais de 50 anos de vida pública e defesa da Reforma Agrária. Sem a internet muitos acreditariam que Serra não é um crápula espancador de professores ou Marina o atraso (neo)pentecostal.

Tudo isto contribui para a crescente raiva, o crescente ódio dos poderosos que, de uma forma ou de outra, lutam contra a democratização dos meios de comunicação e pela censura da internet.
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quarta-feira, 23 de junho de 2010

Sexta é #DiaSEMGlobo


Sexta-Feira, convocado na esteira do CALA BOCA GALVAO e do CALA BOCA TADEU SCHMIDT, é o Dia Sem Globo. 24h em que tod@s estão convidados e convocados a não assistirem a Rede Globo.

Assistam ao jogo do Brasil pela Band! Vamos boicotar a rede manipuladora!

A iniciativa tem tudo para dar certo. Não apenas porque tem grande visibilidade no Twitter, mas porque, se o CALA BOCA GALVAO era apenas uma brincadeira, as manifestações do CALA BOCA TADEU SCHMIDT e o grande apoio que Dunga vem recebendo demonstram que algo mais existe na história.
Acompanhei o nascimento de ambas as campanhas e pude ver centenas, talvez milhares de tuítes que, durante a segunda, demonstravam franco repúdio à Globo, não só pela perseguição ao treinador, mas também contra a risível declaração de seus jornalistas de que a rede seria séria e comprometida com a verdade.
Faço minhas as palavras do Murilo Rodrigues:
Dunga se tornou meu ídolo, no exato momento em que eu ouvi, pela internet, após a exibição do Fantástico na Globo, o 'pronunciamento' desta emissora, cujo porta-voz foi o seu palhaço da vez, o mauricinho encapuzado, Tadeu Schmidt. Oh, coitado! Todavia, eu não esperava ver confirmada tão rapidamente a minha tese do post anterior, escrito no último dia 17, pela qual eu argumentei que o Brasil já luta contra a Globo, mas o que foi que me surpreendeu hoje pela manhã, nos trending topics do twitter? O sonoro CALA BOCA TADEU SCHMIDT, que dominou o mundo.
Desta vez, não queríamos somente fazer piada. Fomos mais diretos em nossa mensagem. CALA BOCA REDE GLOBO foi o subtexto. Estarmos imbuídos disso dá-me vontade de chorar! Num dia só, ganhei um general e um exército ou, para ser engraçadinho, num só dia ganhei uma seleção brasileira para eu torcer (cosa que nunca fiz na vida, juro) e um circo inteiro do qual eu rirei cada vez mais, junto com meus contemporâneos.
Raras vezes acompanhei um repúdio tão óbvio contra esta rede de TV que cheira a podre. E não falo apenas dos meus seguidores ou de quem sigo, mas de muita gente bem longe do meu... "cícrculo", e algo bem amplo.

Esta amplitude, aliás, é o mais importante, pois de nada adianta se apenas um pequeno grupo aderir e, falando daqueles que conheço, estes já não assistem a Globo de qualquer forma. Seria chover no molhado.

Diz muito bem o Rovai em seu blog:
E agora Dunga não joga mais sozinho. Nesta sexta-feira a blogosfera e os tuiteiros têm um encontro com a Globo. Iniciou-se um movimento para derrubar a audiência da emissora na hora do jogo Brasil e Portugal. É o #diasemglobo.
Derrubar a audiência da Globo na sexta pode criar um novo patamar nas relações entre o seu tão propalado poderio e a força da rede.
Aliás, a Globo já vem tomando uma goleada da internet nesta Copa. Além de o CALA BOCA GALVAO ter assumido a liderança mundial do twitter nos primeiros dias de jogos, depois da briga da emissora com o técnico Dunga, a liderança passou a ser do Cala a Boca Tadeu Schimidt, que foi o porta voz do editorial da emissora contra o técnico da seleção.
Espero que um grande número de pessoas apoie a idéia e que o IBOPE da globo tenha uma bela queda! Um ponto que for já é uma vitória, são mais de 55 mil pessoas se unindo ao boicote!

Sexta, dia 25 de junho, façamos um dia histórico, um dia sem Globo!

Já aparecem acusações de que a Globo está manipulando os TT para que o #DiaSEMGlobo não apareça entre os mais tuitados!



Vejam algumas reações no Twitter:










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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Alexandre Garcia e a ilegalidade em Cuba

Difícil enquadrar o comentário do comentarista Alexandre Garcia, hoje, no Bom Dia (sic) Brasil.

Segundo a notória figura, falando sobre Lan Houses - e demonstrando total ignorância, como lhe é típico -, a internet, seu uso, incentiva a prática de crimes, como a pedofilia, roubo de senhas e etc.

Exato, usar um computador é o mesmo que incentivar o crime. Não é de surpreender que, após uma reportagem sobre a tentativa de se facilitar o processo de legalização e disseminação das Lan Houses, a Globo use seu cão de guarda para atacar a idéia. Ataca porque a popularização do acesso e a transformação destas casas em centros de educação, ensino e disseminação de informações - mais do que apenas um ponto para conexão e jogos -, como propõe o Deputado Paulo Teixeira (PT-SP), iria propiciar à população o acesso à informações que a Rede Globo não propicia, na verdade, esconde.

A Globo não quer que o pobre tenha acesso livre, irrestrito e tenha acesso à informação. Isto iria implodir sua credibilidade (sic). Hoje, a franca maioria das Lah Houses são ilegais, principalmente graças às exigências risíveis de estados e prefeituras. Claro que, todos sabemos, muitas das exigências impostas por uma elite política temerosa do poder que a rede dá aos seus usuários que sabem usá-la.

Mas a coisa ainda piora. O mesmo piadista não poderia terminar de falar sem uma declaração ainda mais infeliz, segundo Alexandre Garcia, só há vantagem em Lan House ilegal em Cuba!

Sim, segundo o infeliz, só nesses lugares os Cubanos podem ter liberdade e acesso livre à rede!

Como uma figura destas pode falar o que bem entende na TV? Defender a ilegalidade no país dos outros pode? Dar declarações estapafúrdias e criminosas pode?




Alexandre Garcia é um criminoso.
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