Blog de comentários sobre política, relações internacionais, direitos humanos, nacionalismo basco e divagações em geral... Nome descaradamente baseado no The Angry Arab
terça-feira, 29 de julho de 2014
A legitimidade e os legitimadores da violência estatal
Se é o Estado que agride então é legítimo. Reclamar não pode e, se puder, só vale gritar enquanto apanha.
Reagir é crime. Estou longe de me alinhar automaticamente à tática Black Bloc ou de negar minhas infinitas críticas a seu uso - já deixei claro que defendo o uso da tática em termos defensivos e em casos específicos -, mas me impressiona o repúdio que pessoas ditas intelectuais expressam pelo seu uso.
Não faltam palavras para qualificar o absurdo e o horror que é pessoas se organizarem para se defender do Estado, mas faltam palavras para condenar uma polícia armada até os dentes, que assassina milhares de pessoas nas favelas e que, no asfalto, se contenta "apenas" em cegar jornalistas e brutalizar quem passar pela frente.
Temos 23 perseguidos políticos no Rio, temos o Fabio Hideki, temos o Rafael Braga e centenas, quiçá milhares de outros exemplos de pessoas presas - em geral pretas e pobres - ou mortas pela polícia sem direito à defesa. Atacados com armas letais ou "menos letais" e frente a tudo isso devemos nos limitar a gritar enquanto apanhamos ou a buscar as estruturas do mesmo Estado que criminaliza.
Mas reagir? Jamais.
E as razões desses críticos não são na base do "reagir com violência é burro porque atrairia uma resposta maior do Estado e não temos condições de vencê-lo no jogo da violência", que até faz sentido, mas sim no jogo do respeito à instituições falidas.
Realmente eu não entendo.
Por vezes estas pessoas me soam como legitimadoras da violência estatal. Se arrepiam ao imaginar um coquetel molotov, mas não vêem nada demais com balas de borracha. O Estado, dizem eles, pode. alguns até dizem que tem o dever de agir contra "arruaceiros" e "vândalos".
Claro, há os que se revoltam com a violência do Estado, mas se juntam ao coro dos protofascistas para dizer que devemos apenas e unicamente recorrer ao mesmo Estado esperando sentados pela cega e perdida justiça.
No fim isto apenas legitima a violência do Estado, ao encará-la como normal, como parte do jogo, ao passo que a reação é criminalizada. E este tipo de legitimação serve a quem?
domingo, 13 de julho de 2014
Ditadura? Prisões preventivas ilegais podem virar tática padrão pós-Copa
Quero crer (mas não tenho nenhuma certeza disso) que estas prisões sem base legal estão ocorrendo para não "atrapalhar" (desculpe o termo, não encontrei outro menos ruim) a Copa do Mundo, e que depois vão refluir. Mas não tenho certeza. O que te parece?Ao que respondi:
A intenção do governo no momento é de evitar protestos, mas levando em conta que não é a primeira vez que usam este artifício que basicamente suspende a constituição para certos indivíduos, meu medo é que se torne algo comum. Se funcionar, ou seja, acabar diminuindo a potência dos protestos (mesmo que a prisões nem sejam o fator mais relevante pra isso), temo que vire lugar comum. Não custa nada ao Estado.Acredito que a ideia mereça ser ampliada.
Não é a primeira vez que o governo do Rio, com a anuência do governo federal, age contra manifestantes com prisões preventivas absolutamente ilegais. E temo que não será a última.
Até o momento as prisões estão sendo feitas para "garantir" a Copa do Mundo, para evitar protestos, mas uma vez que estas medidas são vistas como eficazes (ainda que seja impossível medir, dado que o movimento #NãoVaiTerCopa, dentre outros, são horizontais), podem vir a se repetir indefinidamente sempre que um governo - qualquer governo - se sentir ameaçado ou vir seus interesses ameaçados.
A polícia e o Estado aprenderam com os protestos de junho. Ao invés de ouvir as ruas, preferiram reprimi-la, e conseguiram em grande medida fazê-lo. Em Minas cercaram manifestantes impedindo sua locomoção, em outros estados simplesmente continuaram a abusar da violência cada vez mais desproporcional. Mas viram que criminalizar, forjar provas e prender sem qualquer evidência poderia ser ainda mais eficaz.
Sim, há um enorme perigo desta "tática" virar moda. Caso os protestos continuem (temos olimpíadas pela frente e não nos esqueçamos que a Copa acabando seus efeitos permanecem), podemos ver mais e mais prisões arbitrárias "preventivas" ao arrepio da constituição.
Mas, mesmo ilegais, não assustam o poder.
Oras, o executivo de estados e do Estado não teriam chegado a este ponto sem o apoio não apenas das polícias, sempre interessadas em reprimir, mas com o apoio do judiciário, capaz de permitir tais operações sem pé nem cabeça.
Mas ainda pior que estas prisões preventivas (em que pessoas inocentes são mandadas a presídios pro até 5 dias com provas forjadas apenas para não poderem protestar), é a possibilidade de que haja uma escalada. De que as provas forjadas não sejam simplesmente esquecidas depois do não-protesto passar, mas que sejam usadas para efetivamente enviar para a cadeia ativistas.
E isso é algo factível. Melhor do que operações envolvendo Estado, Polícia e Judiciário a cada manifestação, porque não instaurar logo o Estado de Exceção e, com provas forjadas, enviar de vez para a cadeia certos elementos causadores de problemas?
Não é a primeira vez, nem a segunda. Mas podemos ver uma escalada no uso deste método contra coletivos sociais.
A certeza neste ponto é a de que teremos uma "militância" petista pronta a silenciar ou mesmo aplaudir e a mídia corporativa fará o resto do trabalho de convencer a população de que os presos são terríveis vândalos e não ativistas pelos direitos humanos criminalizados por governos com interesses escusos.
O circo está montado. Se não resistirmos perderemos o jogo e qualquer semelhança dos métodos do PTMDB de "controle" de manifestações com a ditadura não são mera coincidência. Infelizmente aprenderam bem com quem antes combatiam.
segunda-feira, 21 de abril de 2014
PM da Bahia: Direito à greve?
Hoje eu não a defendo.
Não porque haja um direito abstrato de fazê-la, eu não vejo mais como legítimo. Escrevi:
"Mas, mesmo sendo a favor do fim da PM, não posso dizer que não é legítimo, como trabalhadores, que façam greve. Se o Estado os emprega, os considera legítimos, então são legítimos seus direitos. Discutir a legalidade ou não da PM fazer greve – à luz da constituição ou da legislação – não é o caso. Fato consumado."Esta talvez tenha sido minha única mudança de percepção. A da legitimidade. Em 2012 eu pensava que esta greve poderia ser o estopim para a discussão da desmilitarização, inclusive me lembro de PMs na época comentando sobre, logo, havia uma abertura dentro da PM para tal debate. E havia a necessidade da sociedade tentar uma última vez.
Hoje não mais.
Não que minha visão de PM tenha mudado, que fique claro, sempre a vi como inimiga. O que mudou, no entanto, foi a percepção do momento.
De fato, frente ao Estado, a greve atual poderia ser considerada legítima, dado que a PM serve ao Estado, trabalha para o Estado. Mas não é legítima na perspectiva do trabalhador, das vítimas. Não faz sentido que o trabalhador sempre reprimido pela PM defenda a PM hoje para, amanhã, voltar a apanhar.
Após os protestos de junho e a franca e absoluta repressão por parte de governos petistas, pmdbistas e tucanos com imenso entusiasmo por parte da PM, chego à conclusão de que se havia em 2012 um espaço para diálogo, esse se fechou, se extinguiu.
Não que a PM tenha se tornado mais violenta, ela continua a ser o que é. Mas havia, na época,a percepção de que seria possível conseguir um diálogo caso movimentos de trabalhadores e organizações sociais se colocassem ao lado das reivindicações da PM. Talvez fosse possível à PM (ao menos alguns PMs) enxergar que o inimigo não é ou não era o povo.
Infelizmente o momento passou e nada mudou.
A desmilitarização terá de vir por pressão popular e por decisão política, sem esperar que a própria PM concorde ou debata.
A PM é inimiga do trabalhador, não tem legitimidade para agir como tal. Não merece ter apoio dos trabalhadores a quem espanca.
"Os próprios membros da PM, normalmente, não se veem como meros trabalhadores. São a arma na contenção das revoltas e das reivindicações de outros trabalhadores, o braço da “lei”, mesmo que eles nem saibam qual lei deveriam estar cumprindo e, claro, muitas vezes são os justiceiros que atiram na cabeça de “bandidos” para “limpar” a cidade e, em outras, são os próprios bandidos, complementando salário."PM não pode ser considerado "trabalhador" em pé de igualdade com suas vítimas. Não quer dizer que não sejam em si trabalhadores, mas estamos tratando de categorias diferentes.
Se por um lado a greve é (foi) um fato consumado, não cabe a organizações de trabalhadores e partidos de esquerda defendê-la. Não se trata de criminalizar e sim de não apoiar. De não se esforçar para que suas demandas sejam atendidas, não se solidarizar.
Criminalizar é o que faz o petista contra qualquer grupo que não se submeta. A esquerda deve apenas se afastar e apontar onde estão os erros. É sem dúvida difícil, porém, não deixar transparecer a raiva que sentimos por esta instituição. Não é fácil ver a PM como uma classe trabalhadora, mesmo como humanos - visto que tratam o povo como se não fossem (fôssemos) humanos. No dia a dia são apenas animais prontos a realizar o trabalho sujo de governos com maestria.
Fica, porém uma questão:
Se a PM é tão terrível – e é -, por que Dilma, que tem MAIORIA no Congresso (fez alianças com deus e o diabo, especialmente o diabo, e hoje tem maioria) não põe um fim à PM?Aí os petistas logo irão dizer que não dá, porque o apoio no Congresso não é automático, que é difícil e blablablá. Oras, eu me pergunto: mas, se o apoio não é automático, por que os cargos, benesses e caixinha são? PP, PMDB, PR e cia. têm ministérios, cargos, comissões, mas só apoiam o que querem? Que “apoio” é esse?
O PT fez greves a vida toda – ao menos até virar governo, porque hoje até a CUT é forçada a protestar contra privatização petista e o próprio PT vai esconder e enterrar a CPI da Privataria Tucana, talvez com medo que, em alguns anos, a sua privataria seja escancarada, afinal, uma mão lava a outra – e apanhou da PM, mas hoje onde governa sabe usar a PM e, por isso, não tem interesse em seu fim. Apenas fazem discursos ridículos quando são contrariados.O papo da “herança maldita” não cola mais. O PT está há 9 anos no poder e não demonstrou interesse algum nem em reformar a PM nem em acabar com ela nem em sequer votar a PEC 300. Segurança pública não é de interesse do partido dos trabalhadores que criminaliza greves.
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
A estética e a ação Black Bloc
Sejamos diretos: Quem não se veste de preto NÃO é Black Bloc. Um manifestante de vermelho violento é... um manifestante de vermelho violento e não um Black Bloc. E explico o porque.
Black Bloc é, novamente, estética. O estar de preto faz parte da tática, faz parte da ideia anarquista de um coletivo agindo como um só braço, de indivíduos juntos agindo como um só. Rostos cobertos e todos de preto significa que não são indivíduos agindo contra a PM ou contra símbolos do capitalismo (como bancos), mas sim um corpo único, um coletivo agindo uniformemente.
Sem este elemento não há Black Bloc, há apenas a venha violência em manifestações e protestos. Um Black Bloc pode ser considerado um manifestante violento, mas o inverso não se aplica.
Os Black Blocs não inovaram ao trazer a violência revolucionária às manifestações, inovaram ao transformar a raiva coletiva em uma ação conjunta uniforme. Despersonalizaram a autodefesa transformando-a em uma ação coletiva em que é difícil identificar individualmente os defensores.
O caso recente da morte do cinegrafista da Band, Santiago Andrade foi atribuído à ação de um Black Bloc, mas não poderia existir maior equívoco. O rapaz acusado, Caio, estava de cinza quando supostamente acendeu o rojão que vitimou o cinegrafista (e cujo alvo era a PM) e este detalhe é tudo que precisamos para afirmar que ele não era um Black Block, ou melhor, que naquele momento não estava pondo em prática a tática, ainda que nada impeça que ele tenha adotado a tática em outros momentos.
Uma pessoa não "é" Black Bloc, mas tão somente ela emprega a tática. Ainda que falemos, por costume, sobre "o" ou "os" Black Blocs.
Nada impede que em outros protestos ele tenha adotado a tática, se vestido de preto e atuado contra o Estado, mas no caso específico afirmar que ele era ou adotava a tática não é apenas um equívoco, é má fé.
Como escreveu o Pablo Ortellado:
Aqui, a tática tem sido empregada já há alguns anos segundo os princípios estabelecidos pelos primeiros black blocs norte-americanos: não atacar pessoas nem destruir propriedade dos pequenos comerciantes. [...] os manifestantes do Black Bloc entendem que a tática utilizada por eles é não violenta e de caráter fundamentalmente simbólico; entendem também que o ataque a pessoas e pequenos comércios deve ser condenado.PT e Mídia: Os interesses...
É por esse motivo que vincular a morte de Santiago aos black blocs não faz sentido, assim como não faz sentido tratar como uma violência da mesma natureza a destruição de vidraças de bancos e o ataque violento a seres humanos, parta ele de manifestantes ou da própria polícia. Há pelo menos sete outros casos de cidadãos que, desde junho de 2013, morreram ao fugir de ataques da polícia a manifestantes. A imprensa quase não cobriu essas mortes - como se elas não existissem. Há, na verdade, uma gradação de destaque na cobertura dos protestos: em primeiro lugar, a violência dos manifestantes; em seguida, a destruição de propriedade; por último e nem sempre citados, a violência da polícia e a causa das manifestações. Essa desproporção está na raiz do fenômeno Black Bloc, que busca atrair a atenção dos meios de comunicação para comunicar uma insatisfação política.
Mas a quem interessa reduzir todo manifestante a um Black Bloc tendo em mente que "Black Bloc" virou sinônimo de "violento" para a grande mídia e para o PT?
Por mais irônico que pareça ao incauto, PT e Globo (e mídia me geral) operam em conjunto na criminalização dos protestos. Por mais que interesse à Globo o desgaste do PT por mil razões, não interessa desgastar ou prejudicar a Copa.
E é a Copa que une a todos os poderosos. A Globo investiu pesado, o governo investiu pesado. Logo, há um campo para junção de forças na criminalização das ruas.
E os fanáticos (pagos ou não) petistas estão animados na reprodução das mentiras espalhadas pela grande mídia, mesmo pela Veja, desde que isso signifique atacar às ruas (e também atacar o PSOL, outro alvo preferencial).
Ditadura
No Facebook o Rudá Ricci fez um comentário certeiro:
"Poxa! Tem gente de esquerda que fica postando marcha de estudantes com a inscrição "Geração 1968: não havia covardes, nem mascarados". Além de gosto duvidoso, fico pensando o que desejam com esta comparação. Não houve quem pegou em armas e se tornou clandestino? Eram covardes? Será que não daria para elevar o nível do debate político? Entrar nesta seara ou é autoelogio ou é ignorância."Acrescento: Eu queria ver esse povo que odeia máscaras falar isso na cara dos Zapatistas...
Covarde é quem aplaude a PM, é quem aplaude movimento social, estudantes, ativistas tomando porrada. É quem aplaude jornalista tomando bala de borracha na cara, é quem aplaude repressão. aliás, covarde não, fascista.
Quem usa a memória dos que lutaram contra a Ditadura para defender repressão é pior que lixo, não merece o ar que respira, merece apenas desprezo e ostracismo.
Cobrir o rosto não é apenas uma forma de proteger a identidade, ainda que faça parte. Temos relatos de manifestantes sendo perseguidos pela PM até em casa, sendo ameaçados. Os governistas enchem a boca para defender a brutalidade da PM, que eles tem mesmo que bater em quem usa máscara, mas não gastam um só segundo para questionar as ameaças e intimidações que quem não cobre o rosto se depara.
Mas, como disse, cobrir o rosto não é apenas para proteção, mas é parte da estética do anonimato e do coletivo em torno da tática Black Bloc. E o princípio é muito semelhante ao do Anonymous. A máscara do Guy Fawkes não é um mero adereço divertido, e sim uma forma de centenas, milhares de ativistas agirem como um só, como uma só ideia, tendo na máscara a imagem do coletivo.
A cada dia que passa os governistas se enterram mais e mais. Não passam de fascistas. A criminalização dos Black Blocs é apenas a criminalização das ruas, dos movimentos sociais, da luta social. Não é fazer o "jogo da direita" é ser a própria direita.
230 presos em São Paulo...
No sábado, dia 22, ao menos 230 pessoas foram presas pela PM. Acusação? Serem Black Blocs.
A manifestação, segundo a PM, contava com 1000 pessoas. Manifestantes falavam em 2000. Seja como for, a PM prender entre 10 e 20% das pessoas que estavam na rua! Nem na Venezuela, com confrontos violentíssimos, chegou-se perto dessa cifra. Em uma semana o número não chegou perto dos 230 da PM paulista.
Inclusive foram detidos ao menos 5 jornalistas, chegando ao ponto da polícia anunciar que Black Blocs estariam usando crachás de imprensa para escapar da prisão. Seria risível se não fosse o reconhecimento de que a polícia brasileira é vergonha mundial.
Vejam a foto abaixo:
A maioria das pessoas de vermelho. Ou seja, nenhum deles pode ser chamado de Black Bloc. Mesmo os de preto não necessariamente o são. Pouco importa.
Vale a criminalização, a violência e a brutalidade contra manifestantes, jornalistas e advogados. Tudo com a torcida entusiasmada de petistas em geral.
Estamos perigosamente nos aproximando de um Estado fascista.
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Venezuela: Separar o golpismo do legítimo protesto das ruas
Seja no Brasil, onde os governos do PT e PSDB tentam sufocar as manifestações chamando a todos de terroristas e vândalos, seja na Venezuela, onde o discurso não é muito diferente.
Mas há uma diferença fundamental entre os manifestantes de lá e daqui: A Venezuela sofreu um golpe em 2002 e vive constantemente ameaçada pelos EUA e aliados. Há um clima de golpe pairando sobre a Venezuela desde que Chávez foi eleito e a falta de habilidade de Maduro na condução do país, que tem sofrido com altíssimos índices de violência, inflação e escassez de produtos básicos, tem aberto as portas para os brios golpistas de setores da sociedade.
Mas não podemos, de início, compreendendo a situação social e econômica do país, apontar o dedo e aplaudir a repressão.
A Venezuela é um país armado, um país coalhado por tensão entre classes e absurdamente polarizado entre dois espectros políticos, tornando muito difícil o surgimento ou mesmo a manifestação de uma terceira via.
Declarar, de início, em um país em grave crise social, que estamos diante de um golpe é um erro. Mas é um erro ainda maior não ficar vigilante.
Mas uma coisa fica clara: A repressão serve apenas para incitar tanto o público interno quanto, especialmente, o externo. A mídia internacional, qual abutres, se refestela com o sangue que corre pelas ruas da Venezuela. Arregala os olhos na esperança de poderem transmitir cenas de violência e, claro, de poder transmitir em primeira mão a queda do regime.
Sabemos por experiência própria que violência gera apenas mais violência e que repressão às ruas gera apenas maiores e mais radicais manifestações. Dois lados exaltados e sem disposição para qualquer diálogo levam à fratura social. E estamos vendo acontecer de camarote. No Brasil o movimento social ainda estende a mão, pede diálogo, mas o governo responde apenas com mais e mais violência, com manipulações e criminalização.
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| Censura estatal |
Na Venezuela o governo impede transmissões, censura meios de comunicação... Mas não podemos inocentar o outro lado, a oposição, que difunde pelas redes sociais imagens falsas de violência e pintam o governo como se fosse um carniceiro, quando a verdade é bem outra.
Não há santos na Venezuela, mas há um lado que vez fazendo o possível, mesmo com erros, para tentar livrar o país da crise. Caberia ao governo e àqueles que ainda pensam, buscar entender as ruas, e separar aqueles que legitimamente cansaram das privações, dos que se aproveitam disso para impor sua agenda.
Caberia, é verdade, aos manifestantes nas ruas denunciar as armações feitas, mesmo que supostamente com a intenção de beneficiá-los, assim como fazem os movimentos sociais no Brasil, denunciando toda e qualquer manipulação, não importando de que lado venha.
No Brasil, aliás, a manipulação vem da situação, do governo e dos governistas, buscando criminalizar as ruas. É triste constatar, mas os métodos do governo e dos governistas brasileiros são os mesmos da oposição fascista venezuelana que se apropria do legítimo clamor das ruas para impor sua agenda golpista.
E, no meio tempo, setores golpistas da oposição se aproveitam para atacar a televisão estatal venezuelana e jornalistas que não noticiam a versão enviesada da oposição - igual faz a PM no Brasil.
Não é uma tarefa fácil separar a manifestação legítima do golpismo puro, mas é necessário, sob pena de mais derramamento de sangue e nova crise generalizada. E cabe à esquerda brasileira que está nas ruas ter a cabeça fria para analisar os fatos e atos e compreender o papel de seu discurso na sua própria criminalização.
Podemos discordar de quem está nas ruas da Venezuela (e eu discordo), mas não podemos negar-lhes o direito à se manifestar e, no fim, a repressão apenas facilita que os descontentes sejam influenciados e mesmo manipulados pelos verdadeiros golpistas.
O Chavismo - ainda que sem Chávez - precisa avançar, impor mudanças, mas ao mesmo tempo precisa estar aberto a dialogar com amplos setores sociais insatisfeitos, confusos e que não podem ser simplesmente reduzidos a simples golpistas (ainda que estes existam, sejam muitos e estejam também nas ruas).
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Espancaram o coronel... tá com pena? Leva pra casa*
Eu o conhecia, aliás, praticamente todo jornalista de São Paulo com o costume de cobrir manifestações o conhecia. Calmo, sempre na dele e, em muitos casos, disposto a se meter no meio da confusão para segurar seus soldados e evitar maiores conflitos (ao menos presenciei cena semelhante um par de vezes).
Sim, esta é a imagem que muitos temos dele.
Eu mesmo fui "salvo" por ele ainda num dos primeiros protestos de junho quando um de seus gorilas veio me atacar e ele evitou que eu levasse a segunda porrada. Ele ainda me pediu desculpas.
Mas, apesar disso não podemos nos esquecer, ele era o comandante da tropa que agrediu milhares, que cegou jornalistas e que respondeu com bombas e balas protestos pacíficos levando à sua radicalização.
Sim, os Black Blocs são uma reação à violência da PM e do Estado. Querer por um segundo sequer afirmar que a violência da PM é que é resposta à "violência" das ruas é afirmar que a tortura é legítima e que a PM não atira, mas joga rosas no povo (Amarildo que o diga!).
A violência das ruas, dos Black Blocs e daqueles que não aguentam mais apanhar da PM é, obviamente, resposta à violência da PM diária. Nas favelas, nas UPPS, nas desocupações, nas abordagens criminosas, enfim, é uma resposta do oprimido à violência do opressor.
Não compreender isto é fazer coro aos opressores. É reforçar o papel de submissão da população frente a quem lhes oprime.
Mas enfim, não fiquei feliz com a violência sofrida pelo Reynaldo. Não consigo ficar feliz com agressões, seja do lado que for. Mas eu posso compreender perfeitamente as razões pelas quais tudo isso aconteceu. E "feliz" não seria o termo. Uma coisa é aceitar a resposta violenta do oprimido, outra é ficar feliz ou alegre pela necessidade de seu uso.
O Coronel não era burro
Vamos lembrar da brutalidade da PM em apenas UM dos protestos em São Paulo (sob comando total ou parcial do coronel Reynaldo, aliás):
Brutalidade da PM/Choque na Consolação http://www.youtube.com/watch?v=INbRznbgMZM
Brutalidade policial na Praça Roosevelt e Rua Augusta http://www.youtube.com/watch?v=yZ6HfSWsIvk
Brutalidade na Rua Augusta até a Paulista http://www.youtube.com/watch?v=bmcgKrqJe_U
Violência e brutalidade da PM na Paulista http://www.youtube.com/watch?v=ifXTX-HDb0o
O coronel controlava uma tropa de assassinos e, na frente das câmeras ou junto aos jornalistas, se mostrava calmo e ponderado. Mas 10 passos adiante acontecia a barbárie. Podemos culpá-lo por tudo? Não.
Mas era o comandante de soldados que não pensam, mas cumprem ordens. Pensar era o papel do coronel.
No dia em que sofreu a agressão, segundo relatos, saiu sozinho no meio de um grupo de pessoas, algumas encapuzadas, para efetuar uma prisão, além de, até aquele momento, estar agindo com truculência na revista de pessoas e exigir RG de qualquer um que passava perto da área onde estava.
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| Vândalo militar revistando manifestante. Mas isso NÃO é violência. |
Oras, era de se esperar que frente a uma prisão aparentemente abusiva houvesse reação. Os Black Blocs vem reagindo contra a repressão de homens armados, do Choque, como o coronel achou que iriam ficar quietos quando um só homem agia com truculência no meio deles?
Veio a reação.
eu estava pouco antes desse momento, tentando falar com o coronel, arrogante. Ele estava pegando o RG e anotando c outro soldado de todos os manifestantes q passavam, quem chegava perto só pra perguntar o q estava acontecendo ou p quem perguntava pq tinham detido uma menina q nao estava fazendo nada: qq manifestante era "fichado" por eles. Apresentei-me como advogada e perguntei o motivo e finalidade desse fichamento. O coronel foi debochado e recusou-se a responder. Insisti e logo em seguida ele largou os RGs e partiu para cima de um garoto vestido de black bloc q passava segurando um mastro, tipo pau de bandeira. Avançou pra cima do garoto e começou a bater, mas acho q nao contava q todos q estavam em volta se revoltassem e partissem p cima dele pra ele largar o garoto. Depois disso nao vi mais pq estourou a confusão e saí de perto, mas creio q as imagens sejam do vídeo. Fica uma pergunta: repúdio a conduta de quem? Cade o repudio à violencia policial e o apoio federal aos manifestantes reprimidos pela nova ditadura em epocas de governo de uma ex-militante "terrorista"? Justificar um erro pelo outro nao, mas aonde estamos querendo chegar repudiando apenas esse fato isolado e q teve um contexto? Nao vamos refletir q se essa repressão surda às reivindicações nao parar entraremos numa guerra? Q violência so esta gerando mais violência? Quem sera culpado ou inocente? Quem está certo ou errado nisso tudo? Legítimo ou ilegítimo? Nao acho q o espancamento (q foi bem menos agressivo q as diversas balas no olho de manifestantes, q outras pessoas espancadas e ameaçadas de morte se denunciassem) do coronel seja um ato "bonito", louvável, mas nao sou moralista hipócrita de repudiar ou de ignorar todo o contexto revoltante q estamos vivendo para tecer críticas diretamente do sofá.... "Nao confunda REAÇÃO do oprimido, com violência do opressor". O vândalo culpado disso tudo é o estado q só sabe armar-se e construir uma maquina de repressão para calar a luta social. Isso sim é repudiável!!! Melhoras ao coronel, de saúde e de conduta. Tabatha Alves, no FacebookImagino que o coronel tenha agido sem pensar, tenha perdido a paciência a cabeça... Mas não importa, não justifica. Sua ação pensada ou impensada resultou na resposta de quem já estava cansado de apanhar.
E, lembremos, nas fotos e vídeos da presença, ao lado do Coronel, de um homem armado, PM, sem uniforme. Seria um P2? Um infiltrado? Teria tido ele papel em incitar o quase linchamento contra o coronel? Onde foi parar a arma .40 do coronel supostamente roubada por manifestantes? O "assunto" foi esquecido?
De qualquer maneira, a partir deste ponto a violência da PM provavelmente sofrerá uma escalada, para a alegria dos petistas e governistas dispostos a verem pessoas mortas para satisfazer sua sede de poder, e para a tristeza da sociedade me geral.
Mas cedo ou tarde algo assim aconteceria.
Movimento global e a farsa do direito ao protesto
Como disse o @roteirodecinema no Twitter:
"A difícil verdade é que a Polícia perdeu legitimidade no monopólio da violência e perde as batalhas na rua. Não é de hoje. Não é só aqui. De Oaxaca a Clichy-sous-Bois; de Sidi Bouzid a Oakland ao Rio as ruas ardem. Não são fenômeno locais, não devem ser analisados isoladamente. E a resposta aos insurrectos é mais repressão, mais bombas de gás, mais helicópteros, mais lei anti-terror, mais supressão de direitos."Estamos diante de um movimento global de resistência à opressão e à repressão. Os Black Blocs não são um fenômeno local, nem novo, mas apenas a forma atual de resistência popular frente ao estado de exceção que se impôs no Brasil.
Sim, nós podemos reclamar, mas em casa, sem atrapalhar o trânsito senão a PM cega e espanca. Sim, podemos votar, mas apenas no jogo de cartas marcadas em que os políticos criam as regras que os elegem e onde estelionato eleitoral não causa qualquer problema.
Podemos votar, mas não temos nenhuma ingerência sobre quem votamos, sobre as alianças, sobre as políticas adotadas. Um candidato pode prometer A e, no poder, fazer B e, no caso do PT, ainda terá uma tropa de choque de fanáticos, de fakes e de elementos bem pagos para realizar o trabalho sujo e a propaganda.
Um trabalho sujo que consiste em pregar a violência estatal e comemorar as baixas do povo.
Amarildo é reflexo direto desta política. As UPPs são o modelo que vem desta política. A manutenção da PM enquanto aparelho repressor é a consolidação dessa política,
Não importam os professores espancados, a criminalização dos protestos, as revistas vexatórias, a violência do Estado nua e crua - e diária.
Serve apenas a defesa cega do Estado sempre que este esteja sob o controle dos seus.
Este episódio do Coronel serve para mostrar que a revolta popular chegou ao seu auge momentâneo, ao passo que o Estado é incapaz de compreender o que levou às ruas a chegar neste ponto. E a corja fanatizada se limita a bradar por mais violência estatal para calar qualquer voz dissidente de seu projeto de poder e, com isto, legitima a resposta violenta e será responsável pelas mortes que possam vir a acontecer - e no que depender da polícia, haverá mortes.
Em Tempo: Um comentário do Rudá Ricci no Facebook que deveria fazer muito petista/governista dormir e nunca mais acordar de tanta vergonha. Aplaudo de pé.
Então, vamos tentar analisar os dados: a) é fundamento da democracia existir oposição. Mas não apenas existir, mas existir a convivência entre situação e oposição; b) se o lulismo acertou do ponto de vista social e econômico, errou profundamente do ponto de vista político porque destila a rejeição e ódio a qualquer oposição, como princípio; c) a pior situação é quando há defecção no bloco lulista, já que o ex-lulista é tido como traidor da pátria; d) há profunda confusão no campo lulista entre governo e Estado e, muitos, ainda aumentam a confusão criando uma tríade santa: governo-estado-nação; e) a tese de Marcos Nobre, da Unicamp (que acaba de lançar um belo livro intitulado "Imobilismo em Movimento" (Cia das Letras) sugere que o lulismo (e mais ainda no governo Dilma) é uma expressão do peemedebismo, um Centrão marcado pelo governismo (estar sempre no governo para poder sobreviver), pela produção de supermaiorias legislativas (nem sempre forjadas por políticas transparentes ou eticamente aceitáveis, apartando parlamento de eleitor), sistema hierarquizado de vetor e de contorno de vetos e bloqueio de qualquer oposição nos bastidores, evitando confrontos públicos. Ora, o lulismo/governismo se constitui numa anestesia política e tutela social. Sinceramente, almas inquietas não conseguem conviver com algo tão acachapante. Daí compreender claramente as defecções de militantes históricos, que se construíram nas lutas sociais e não nos gabinetes e conchavos governamentais. É mais que natural. O que não entendo é como os lulistas se incomodam tanto com gente que não se vê traído pela mudança de lógica, ideário e prática do PT.
*Obs: O título é irônico.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Três rápidos pensamentos sobre a relação entre Black Blocs, Zapatistas e Israel
Os Zapatistas cobrem o rosto. Não se sabe nem a identidade do Subcomandante Marcos! Criminosos!, bradaria @edugoldenberg ou @brsamba e depois os delataria à PM (ou a seu equivalente mexicano).
E é bom lembrar que os mesmos que criticam os Black Blocs por cobrir o rosto (com a PM violenta que temos alguns provavelmente apareceriam mortos em suas casas, e já temos relatos de gente sendo presa em casa) nunca critica a PM por fazer o mesmo.
Mas é a PM do Cabral, do PT... aí pode.
Cobrir o rosto na chique Itália não tem problema. Protestar mascarado na Europa não pega nada. O problema é querer fazer o mesmo no Brasil! Que absurdo o desplante desses fascistas ousarem querer protestar e não permitir que os identifiquemos para depois mandar a PM os visitar em casa!
Pensamento 2: Dizem os petistas de boca cheia que somos uma democracia. Sim, uma perfeita democracia, linda e maravilhosa. Alguns ensaiam um tom mais conciliatório, que não é perfeita, mas, oras, podemos votar, podemos protestar, podemos reclamar.
Pergunto: Israel é uma democracia?
Oras, por lá as pessoas votam, podem protestar, porem reclamar. Mas se você for um Palestino você será preso ou morto por protestar e o governo fará de tudo para que você não possa votar.
Que bela democracia!
Mas levando em conta que petistas passaram semanas DEFENDENDO Israel apenas para atacar a um membro do PSOL (Babá), nada surpreende mais.
Democracia para poucos não é democracia. Democracia das armas, não é democracia. Democracia em que poucos mantém um exército para agredir e matar qualquer um que ouse discordar não é democracia.
Aprendam governistas, coerência é algo difícil de sustentar. Logo, desistam.
Pensamento 3 (e este vale também para a esquerda): Quem transformou a PM em vítima depois da "agressão" ao Coronel Reynaldo foi a mídia, não os Black Blocs.
Esse argumento legitimador da violência policial é canalha - pra dizer o mínimo.
Então vamos condenar o MST quando seus membros acabaram com a plantação da Cutrale, afinal, a mídia falou mal e isso ferrou o movimento, certo? Em junho a mesma coisa, SEM Black Blocs a mídia nos chamava a todos de vândalos por atrapalhar o trânsito, vamos parar então, senão vamos prejudicar nossas lutas!
Da direita (PSDB, PMDB, PT e afins) não espero nada, mas setores do PSOL e o PSTU ficarem de #mimimi por temerem perder o posto de SUPOSTA vanguarda frente aos Black Blocs (que sequer grupo são) é ridículo e é fazer o jogo de quem quer criminalizar todo o movimento social.
Por fim, recomendo o artigo que escrevi para o Amálgama sobre os Black Blocs, buscando desconstruir mitos e mentiras.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Fotos e vídeos da repressão contra o 3º protesto do Movimento Passe Livre
Seleção de fotos no Flickr .
O início da marcha:
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Bahrein, a aceitação da repressão e o gás lacrimogêneo "made in Brazil"
As primeiras denúncias sobre a procedência destas armas ditas "não-letais" veio pelo Twitter, através do cartunista Carlos Latuff e, logo depois, se espalhou, sendo notícia na Época, no Opera Mundi e na Al Jazeera.
Não é preciso nem dizer a vergonha que devemos sentir, nós, brasileiros, ao saber que uma fábrica de nosso país está contribuindo para o assassinato e a repressão de milhares de civis no Bahrein, país que, aliás, a franca maioria da população brasileira sequer já deve ter ouvido falar.
Me recordo ter escrito certa vez sobre estas armas não-letais:
Balas de borracha, bombas de gas lacrimogêneo eufemísticamente chamadas de "bombas de efeito moral", sprays de pimenta concentrada e mesmo armas de choque são armas potencialmente letais, usadas de forma indiscriminada por policiais sem qualquer tipo de treinamento, e pior, com vontade de causar o máximo de dano que puderem.As informações que chegam do Bahrein são as de que as bombas de gás são disparadas tendo os civis como mira e muitas vezes à queima-roupa, com a intenção clara de ferir e matar. Médicos que atendem os feridos são presos, enfermeiro(a)s são ameaçados e a população civil é morta. Revolucionários, da maioria xiita, contra um governo sunita bancado pela Arábia Saudita e, como não poderia deixar de ser, pelos EUA.
Caso matem a vítima com estas armas "não-letais", poderão dar a desculpa de que foi sem querer ou de que cumpriam ordens.
Estas armas são basicamente instrumentos de tortura em massa com selo de aprovação governamental.
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Explico melhor neste artigo para a Carta Capital a gênese do conflito no Bahrein e seus primeiros desdobramentos;
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Ainda mais grave que saber do uso de armas fabricadas no Brasil lá no Bahrein, que potencialmente matam, é saber que a revolta gerada será pequena. Oras, se nossa polícia usa as mesmas armas em nossos civis - em nós - qual o problema exportar?
Qual o problema em exportar terror, violência e dor?
Mas de fato, o problema em si sequer é a "exportação", mas a mera utilização de armas deste tipo, que matam sempre que o atirador tem a vontade de tirar uma vida e sabe mirar, contra uma população civil que tem total e absoluto direito de protestar.
É a internalização, a aceitação de uma pseudo-normalidade em se reprimir.
É inaceitável que civis desarmados sejam vítimas de tamanha brutalidade, como receberem balas de borracha e gás pelo mero fato de estarem pacificamente demonstrando insatisfação com alguma coisa.
E pensar que este mesmo modelo repressivo e assassino está sendo exportado com total conivência de nosso governo é ainda mais intolerável.
Não nos contentamos mais em reprimir com violência os nossos, agora ajudamos exércitos assassinos a reprimir outros povos.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
USP: Qualquer semelhança com a época da ditadura militar NÃO é mera coincidência.
Deixei absolutamente claro que não apoiei a ocupação da reitoria, especialmente da forma como foi feita, à revelia da maior parte dos estudantes reunidos em assembleia, que, junto com o DCE, votaram contra a ocupação, acreditando - corretamente - ser contra producente para o movimento.
Mas a rebelião não surpreendeu, na verdade era algo até lógico de acontecer em meio a um movimento estudantil fragmentado em diversas pequenas correntes, umas mais radicais, outras mais coerentes.
Dois pontos, porém, precisam ser rapidamente debatidos e denunciados, pois foram usados de forma incessante pela grande mídia e por muitos "cidadãos de bem" para tentar deslegitimar não apenas a ocupação - equivocada -, mas toda a resistência legítima feita contra a presença da PM no campus e a luta contra a ditadura imposta pelo reitor Rodas
Maconha e riqueza
O primeiro ponto é a questão da maconha, o segundo, a suposta riqueza dos manifestantes.
Estopim da mais recente revolta, a maconha acabou como vilã de um processo já longo de contestação da presença da PM no campus. Quando três estudantes foram presos por fumar, a revolta estourou sem, no entanto, a questão central ser o direito de fumar e a luta contra a criminalização das drogas.
Pouco antes da prisão dos três estudantes fumando maconha, a PM já havia assediado, revistado e intimidado estudantes em frente à biblioteca da FFLCH. Depois de uma situação como estas, a prisão de estudantes só poderia levar à revolta.
Fico sempre curioso para perguntar se boa parte dos hoje revoltados cidadãos de bem classe-medianos, assim como governantes costumeiramente truculentos (ou ex-governantes, como Serra, que foi presidente da UNE) nunca fumaram maconha, nunca transgrediram e sempre se limitaram a ir à universidade assistir aulas.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
O Movimento Social se revolta (#PNDH-3)
Chega uma hora em que não é mais possível aguentar sem se manifestar, mesmo que a pena seja o Batalhão de Choque, balas e bombas, como aconteceu na Zona Sul, numa das inúmeras favelas e áreas pobres alagadas em São Paulo. Por lá, aliás, os protestos foram de grandes proporções.
E, como é de se esperar, àqueles que protestam são criminalizados e assediados.
Moradores do Jardim Romano, na Zona Leste, região alagada há mais de um mês e vítima do sanitarismo do prefeito Aquassab e de seu pai, Zé Alagão e suposto governador desta nau à deriva.
Hoje, por volta das 11h da manhã, os Movimentos Terra Livre e MULP- Movimento de Urbanização e Legalização do Pantanal, invadiram a sede da Subprefeitura de São Migual Paulista, na Zona Leste de São Paulo para exigir uma ação concreta do governo em relação ao estado de verdadeira calamidade em que se encontra a região do Jardim Romano e entorno.
São pelo menos 48 dias de alagamento sem que nenhuma solução seja encontrada - na verdade, os responsáveis tanto pelo alagamento inicial quanto a persistência do mesmo tem nome e sobrenome - ou sequer tentada. Comportas prontas para alagar a região de pantanal, bombas que poderiam melhorar a situação desligadas, nenhum tipo de drenagem ou limpeza no local e apenas algumas visitas do prefeito - vaiado e quase atacado - e só.
Situação de mais completo abandono e descaso.
Mas agora a reação popular se fez presente e, mesmo sem nenhuma atenção da mídia, resolveu se manifestar e realizar primeiro bloqueios e agora invadir um dos centros de poder na tentativa de se fazerem ouvidos e de serem considerados cidadãos, independentemente de sua classe ou condição social.
A política de isolamento e confronto do governo municipal e estadual é claro. Na linguagem comum seria o "mandar os baianos de volta pras suas terras", expulsar a população pobre e, no lugar, criar empreendimentos para as elites, parques e afins.
Retomo o que disse em post anterior e que causou certa polêmica: Nos preocupamos com o Haiti e nos esquecemos completamente de que nossos vizinhos sofrem da mesma forma. Precisamos ajudar o Haiti, mas também precisamos olhar para o lado e não permitir que milhares de pessoas sejam vítimas de punição coletiva por parte dos governos (sic) regional e local.
Moradores protestam contra alagamentos na Zona Leste de SP
Informe: Há 48 dias que o Pantanal da Zona Leste da cidade de São Paulo
está inundado. 26-01-2010 - Terra Livre/SP
A inundação não teve causa natural, ocorreu por ação do governo Serra. Entre os dias 08 e 10/12/2009 as comportas da barragem da Penha foram fechadas inundando com esgoto todas as Vilas acima da barragem, atingindo cerca de 5.000 famílias.
Agora em 24/01/2010 cerca de 8.000 famílias tiveram suas casas inundadas e perderam quase tudo, graças à abertura das comportas das barragens do Alto Tietê. Estas inundações fazem parte da
estratégia de Serra para desocupar a várzea e construir "O maior Parque Linear do Mundo". Nesse período, os moradores vêm fazendo manifestações e exigindo providências por parte do governo. Serra e Kassab oferecem uma bolsa aluguel de R$ 300,00 por 6 meses, o que é rejeitado pelos moradores. O Terra Livre e o MULP- Movimento de Urbanização e Legalização do Pantanal entraram com reclamação no Ministério Público Estadual e na Defensoria Pública contra o governo do estado e contra a prefeitura.
Hoje 26/01/2010 foram bloqueadas duas avenidas, uma no Jd. Pantanal e outra na Chácara Três Meninas. Em ambas as manifestações a quantidade de policiais foi enorme. Na primeira, dois companheiros nossos foram detidos e 3 horas depois foram liberados. Ontem no Jd. Romano houve manifestação com
bloqueio de ruas, à noite a polícia agrediu 4 jovens que preparavam a manifestação de hoje. Entenda a situação A várzea do Tietê começou sua ocupação pelas empresas Nitroquímica, Matarazzo e etc, logo após veio o Estado com as vias férreas, Rodovia Airton Sena, Estação de Tratamento de Esgoto, bairro Jd. Lapena. Por volta de 1986 começou a ocupação por moradia de baixa renda. Hoje o Pantanal é uma ocupação com cerca de 20.000 famílias. O governo Serra anunciou no início de 2009 a construção
de um parque linear com a construção de vias marginais de São Paulo a Salesópolis. Para isso retiraria cerca de 5.000 famílias.
Na época, houve resistência e manifestações por parte da população. Todos segmentos
do movimento popular da região uniram-se para resistir aos ataques do governo, sendo elaborada uma pauta comum, que trazia como exigência: a construção de uma moradia, antes da retirada de outra moradia, sem custos às famílias. Agora, aproveitando o período de chuvas, o governo programou a inundação de toda a área matando cerca de 10 pessoas,causando dor e sofrimento a milhares de famílias.
Marzeni e Thais - Militantes do Terra Livre/SP e MULP [Movimento de Legalização e
Urbanização do Pantanal da Zona Leste]
TERRA LIVRE - movimento popular do campo e da cidade
Conatos: secretaria@terralivre.org e sp@terralivre.org
www.terralivre.org
blog.terralire.org
***
Cabe, ainda no espírito, reforçar a denúncia feita pelo MST da prisão de nove militantes do movimento em Iaras, interior de São Paulo.
Estas atitudes de franca criminalização dos movimentos sociais demonstram a necessidade ainda mais urgente de se defender integralmente e em caráter de urgência o PNDH-3, que nada mais é que o maior avanço que os movimentos conseguiram até hoje, depois de anos de luta.
O governo precisa sem pressionado fortemente, pois já andou para trás em casos chave como a Comissão da Verdade que foi mutilada em um de seus principais princípios, o da justiça, e agora a ameaça de retrocesso na questão do aborto, que revolta não só às feministas mas à todos que compreendem como direito da mulher o uso de seu corpo da forma como bem entenderem.
As pressões da direita, de ruralistas, da igreja, dos falsos moralistas que apenas se escondem sobre este manto se fazem ouvir através da mídia, dos jornalões, dos canais de TV e da maioria do congresso. Enfim, cabe à sociedade e aos movimentos sociais pressionar e se fazer ouvir pelo governo que vive uma eterna disputa, que vive eternamente infiltrado por elementos da direita mais reacionária.
Se esperarmos unicamente pela boa vontade do governo, o resultado será o retrocesso dos pontos mais polêmicos e mais relevantes do PNDH-3 e a continuação da violência e da repressão, como no exemplo abaixo, das prisões absurdas dos membros do MST pela sua luta por terra.e dignidade.
Foi convocada uma reunião para discutir a recente repressão.
A reunião chamada inicialmente pela CPT e engrossada por várias entidades acontecerá amanhã, dia 29, sexta-feira, às 15h, na Pastoral Operária - rua Venceslau Braz, 78 - centro - próximo à praça da Sé, em SP.
No dia 3 de fevereiro, acontecerá audiência pública na Câmara Municipal de Bauru.
NOTA URGENTE DO MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM-TERRA DE SÃO PAULO (MST-SP)
CRIMINALIZAÇÃO
Nove militantes do MST são presos em Iaras-SP
MST-SP
26/01/2010
Na manhã desta terça-feira (26/01) recebemos, com extrema preocupação, a informação de que desde o final da tarde de ontem a polícia está fazendo cercos aos assentamentos e acampamentos da reforma agrária na região de Iaras-SP, portando mandados de “busca, apreensão e prisão”, com o intuito de intimidar, reprimir e prender militantes do MST. Neste momento já estão confirmadas a detenção de 9 militantes assentados e acampados do MST, os quais se encontram na Delegacia de Bauru-SP. No entanto, há a possibilidade de mais prisões e outros tipos de repressão.
Os relatos vindos da região, bastante nervosos e apreensivos, apontam que os policiais além de cercarem casas e barracos, prenderem pessoas e promoverem o terror em algumas comunidades, também têm apreendido pertences pessoais de muitos militantes – exigindo notas fiscais e outros documentos para forjar acusações de roubos e crimes afins. A situação é gravíssima, o cerco às casas continua neste momento (já durando quase um dia inteiro), e as informações que nos chegam é que ele se manterá por mais dias.
Nossos advogados estão tentando, com muita dificuldade, acompanhar a situação e obter informações sobre os processos – pois a polícia não tem assegurado plenamente o direito constitucional às partes da informação sobre os autos e, principalmente, sobre as prisões . No entanto, é urgente que outros apoiadores Políticos, Organizações de Direitos Humanos e Jornalistas comprometidos com a luta pela reforma agrária e com a luta do povo brasileiro divulguem amplamente e acompanhem mais de perto toda a urgente situação. A começar pelas pessoas que vivem na região de Iaras-SP, Bauru-SP e Promissão-SP.
Situações como esta apenas reforçam a urgência da criação de novos mecanismos de mediação prévia antes da concessão de liminares de reintegração de posse, e de mandados de prisão no meio rural brasileiro – conforme previsto no Programa Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH-3) -, com o intuito de diminuir a violência contra trabalhadores rurais.
No caso específico e emergencial de Iaras-SP, tal repressão é o aprofundamento de todo um processo de criminalização e repressão que foi acelerado a partir da repercussão exagerada e dos desdobramentos políticos ocorridos na regional de Iaras-SP por ocasião da ocupação da Fazenda-Indústria Cutrale, em outubro de 2009. O MST reivindica há anos para a reforma agrária aquelas áreas do Complexo Monções, comprovadamente griladas da União por esta poderosa transnacional do agronegócio. Ao invés de se acelerar o processo de reforma agrária e a democratização do uso da terra, sabendo-se que naquela região do estado de São Paulo há milhares de famílias de trabalhadores rurais que precisam de um pedaço de chão para sobreviver e produzir alimentos, o que obtemos como “resposta” é ainda mais arbitrariedade, repressão e violência .
O MST-SP reforça o pedido de solidariedade a todos os lutadores e lutadoras do povo brasileiro comprometidos com a transformação do país numa sociedade mais justa e democrática, e de todos os cidadãos e cidadãs indignadas com a crescente criminalização da população pobre e de nossos movimentos sociais pelo país. Não podemos nos intimidar nem nos calar diante de tamanho absurdo!
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Não irão nos calar jamais!
Criminosos encapuzados - o que na Espanha respondem pelo nome de "policiais" - prenderam durante a madrugada aproximadamente 34 jovens independentistas em pelo menos 92 locais diferentes em uma noite de prisões, repressão e absurdo.
"34 jovens independentistas foram detidos numa macro-operação levada a cabo esta madrugada por 650 agentes da Polícia espanhola e da Guarda Civil em Gipuzkoa, Nafarroa, Araba e Bizkaia contra a organização Segi, por ordem do juiz Fernando Grande Marlaska. As forças policiais inspeccionaram 92 habitações, gaztetxes, herriko tabernas e associações de moradores, de acordo com o Ministério do Interior."
Este é mais um passo no processo iniciado pelo PSE-EE, braço Basco do partido SocioFascista PSOE composto por SocioFascistas e por ex-militantes da ETA que resolveram mudar de lado e trair sua pátria.
Ares, Rubalcaba, López e outros criminosos do PSE, PP e UPN se regorgizam neste momento, provavelmente tramando como irão financiar próximos ataques contra os Abertzales, seja pela via "legal" - de manipulação judiciária e utilização da "lei" espanhola contra o povo Basco - seja pelo apóio À grupos Fascistas como a recém-nascida Falange y Tradición, aos mesmos moldes dos GAL, BVE e outros grupos assassinos financiados pelos ditos Socialistas.
O termo "vingança repressiva" proposto pelo Eusko Blog não está longe da realidade. O amplo respaldo encontrado junto à população do último documento do Batasuna em prol de uma negociação é claro e as lideranças fascistas não podem tolerar, respondem com mais repressão tentando calar agora a juventude nacionalista!
Leo en Gara que el documento de debate en la izquierda abertzale se ha descargado unas 250.000 veces, contando los datos registrados en la página web de ese periódico y los de ezkerabertzalea.info, datos estos últimos limitados al primer fin de semana de su publicación.
Estamos diante de uma das mais perigosas escaladas de violência contra a cidadania Basca e urge uma manifestação de repúdio mundial à situação absurda em que se encontra Euskal Herria.250.000 descargas de un documento que, por otra parte, incumple casi todos los principios de un “texto de difusión masiva”. Es largo, emplea conceptos políticos supuestamente no usados en la vida cotidiana, es complejo, abarca aspectos muy diversos; es lo que, en otras circunstancias, mucha gente habría definido como un ladrillo. Sin embargo, el éxito de este texto, del que las 250.000 descargas son un síntoma pero no el único, está, obviamente en sus contenido, pero también en la capacidad para despertar curiosidad, interés e ilusión.
Fue una auténtica «noche de cuchillos largos» por su dimensión, aunque esta vez quienes irrumpieron armados a la vez en decenas de domicilios no buscaban liquidar a la oposición interna -como hizo Hitler en 1934-, sino atacar la iniciativa política de su enemigo: la izquierda abertzale. Nada menos que 34 jóvenes independentistas han pasado la noche en calabozos de la Policía española y la Guardia Civil tras la mayor redada producida en muchos años en Euskal Herria. Para encontrar tantos arrestos simultáneos y en régimen de incomunicación hay que remontarse probablemente a las razzias contra los refugiados vascos de mitades de los años 80.
O Gara, como sempre, acerta em cheio ao chamar o episódio de "revival" da Noite das Facas Longas. A atitude do "governo" Basco contra a cidadania Basca é simplesmente e francamente nazista.
Neste caso tratava-se de desarticular supostos membros do grupo Segi, legítimo representante da juventude nacionalista e, como demais partidos e grupos, perseguido e ilegalizado.
A operação dirige-se «contra o processo de reforço da estrutura organizativa da Segi, que pretendia incrementar o número de militantes», bem como «potenciar os processos de formação, para poder concretizar as linhas de actuação estabelecidas pela ETA».
Excelente post de um Basco revoltado com a situação:
Me llega por medio de una fuente la criba que hizo ayer el gobierno fascista invasor, deteneniendo a más de 30 hermanos por diversos pueblos y ciudades de Euskal Herria. El delito cometido es el de todos, ser vascos y amar a su país.Diversas organizações demonstraram seu repúdio pelas prisões arbitrárias dos jovens bascos, dentre elas a FPG Galega, Regüelta de Cantábria, Coordinadora d’Assembleesde Joves de l’Esquerra Independentista (CAJEI) de Catalunya, Corriente Roja da Espanha, Nación Andaluza, da Andaluzia, BRIGA de Galiza, Jaleo de Andaluziae Ogra Shinn Fein da Irlanda.
De nuevo siento la indignación que me causa estas injusticias, estos ataques contra nuestro pueblo por parte de un gobierno sin entrañas, un gobierno terrorista, invasor, criminal y asesino.
Abaixo, declaração da Esquerda Abertzale frente à repressão:
DECLARACIÓN DE LA IZQUIERDA ABERTZALE ANTE LA DETENCIÓN DE 34 JOVENES INDEPENDENTISTAS VASCOS
En primer lugar, la izquierda abertzale quiere mostrar su solidaridad a los jóvenes detenidos así como a sus familiares y amigos. Una vez más, la juventud a sido el objetivo de la represión española. Una vez más, bajo la acusación de trabajar organizados por Euskal Herria, policías extranjeros se han llevado detenidos a jóvenes vascos. Queremos mostrar nuestra preocupación por el trato que los y las detenidas puedan recibir de manos de las fuerzas policiales. Asimismo, exigimos su inmediata liberación.
Actualmente la izquierda abertzale esta inmersa en un profundo debate.
Estamos trabajando para diseñar una estrategia eficaz que nos permita construir un escenario democrático y llevar a Euskal Herria al cambio político, y esta claro que el Estado español le tiene miedo a esto. Era evidente que el Estado iba a desarrollar operaciones policiales de este tipo para condicionar este debate y la iniciativa política de la izquierda abertzale, y es que la represión es la única herramienta con la que cuenta el Estado español.
El Estado le tiene un miedo atroz al debate, ya que no tiene argumentos políticos que justifiquen ni la negación de Euskal Herria ni la negación del derecho a decidir de la ciudadanía vasca. El PSOE quiere cerrar todas las vías a la solución mediante la fuerza. El PSOE quiere seguir imponiendo por la fuerza de las armas el proyecto de España.
La semana pasada se cumplieron 25 y 20 años de los asesinatos por orden del PSOE de Santi Brouard y Josu Muguruza. Anoche, han detenido a decenas de jóvenes vascos. Que no se crean que son demostraciones de fuerza, solo un Estado débil y temeroso del debate político necesita llevar a cabo este tipo de acciones para hacer frente a su enemigo político.
Pese a los ataques, la izquierda abertzale ratifica su compromiso con los contenidos del documento presentado en Altsasu. Ningún ataque represivo nos sacará de este camino. Aunque ladren, no nos desviaran de nuestra decisión de iniciar y desarrollar un Proceso Democrático. La izquierda abertzale esta preparada para la confrontación política con el Estado, y tiene la mano tendida a los agentes políticos, sociales y sindicales para ello.
Por ultimo, queremos realizar un llamamiento a participar en todas las movilizaciones que se lleven a cabo en denuncia de esta operación político-policial y en solidaridad con las personas detenidas.
Ezker Abertzalea,
2009ko azaroak 24
domingo, 25 de outubro de 2009
Marighella Vive
Companheira/os,
No dia 4 de novembro farão 40 anos do assassinato de Carlos Marighella.
Cremos que é importante relembrar seu significado e honrar o legado de sua luta histórica. Para isso, estão sendo programadas várias atividades nesta data, dentre elas, a divulgação do Manifesto Em Memória de Carlos Marighella, cuja adesão pode ser feita, via internet neste site: http://www.PetitionOnline.com/19692009/petition.html
Comissão Organizadora 1969 2009 - 40 anos - Marighella Vive
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EM MEMÓRIA DE CARLOS MARIGHELLA
Carlos Marighella tombou na noite de 4 de novembro de 1969, em São Paulo, numa emboscada chefiada pelo mais notório torturador do regime militar. Revolucionário destemido, morreu lutando pela democracia, pela soberania nacional e pela justiça social.
Da juventude rebelde, como estudante de Engenharia, em Salvador, às brutais torturas sofridas nos cárceres do Estado Novo; da militância partidária disciplinada, às poesias exaltando a liberdade; da firme intervenção parlamentar como deputado comunista na Constituinte de 1946, à convocação para a resistência armada, toda a sua vida esteve pautada por um compromisso inabalável com as lutas do nosso povo.
Decorridos quarenta anos, deixamos para trás o período do medo e do terror. A Constituição Cidadã de 1988 garantiu a plenitude do sistema representativo, concluindo uma longa luta de resistência ao regime ditatorial. Nesta caminhada histórica, os mais diferentes credos, partidos, movimentos e instituições somaram forças.
O Brasil rompeu o século 21 assumindo novos desafios. Prepara-se para realizar sua vocação histórica para a soberania, para a liberdade e para a superação das inúmeras iniqüidades ainda existentes. Por outros caminhos e novos calendários, abre-se a possibilidade real do nosso País realizar o sonho que custou a vida de Marighella e de inúmeros outros heróis da resistência. Garantida a nossa liberdade institucional, agora precisamos conquistar a igualdade econômica e social, verdadeiros pilares da democracia.
A América Latina está superando um longo e penoso ciclo histórico onde ocupou o lugar de quintal da superpotência imperial. Mais uma vez, estratégias distintas se combinam e se complementam para conquistar um mesmo anseio histórico: independência, soberania, distribuição das riquezas, crescimento econômico, respeito aos direitos indígenas, reforma agrária, ampla participação política da cidadania. Os velhos coronéis do mandonismo, responsáveis pelas chacinas e pelos massacres impunes em cada canto do nosso continente, estão sendo varridos pela história e seu lugar está sendo ocupado por representantes da liberdade, como Bolívar, Martí, Sandino, Guevara e Salvador Allende.
E o nome de Carlos Marighella está inscrito nessa honrosa galeria de libertadores. A passagem dos quarenta anos do seu assassinato coincide com um momento inteiramente novo da vida nacional. A secular submissão está sendo substituída pelos sentimentos revolucionários de esperança, confiança no futuro, determinação para enfrentar todos os privilégios e erradicar todas as formas de dominação.
O novo está emergindo, mas ainda enfrenta tenaz resistência das forças reacionárias e conservadoras que não se deixam alijar do poder. Presentes em todos os níveis dos três poderes da República, estas forças conspiram contra os avanços democráticos. Votam contra os direitos sociais. Criminalizam movimentos populares e garantem impunidade aos criminosos de colarinho branco. Continuam chacinando lideranças indígenas e militantes da luta pela terra. Desqualificam qualquer agenda ambiental. Atacam com virulência os programas de combate à fome. Proferem sentenças eivadas de preconceito contra segmentos sociais vulneráveis. Ressuscitam teses racistas para combater as ações afirmativas. Usam os seus jornais, televisões e rádios para pregar o enfraquecimento do Estado. Querem o retorno dos tempos em que o deus mercado era adorado como o organizador supremo da Nação.
Não admitimos retrocessos. Nem ao passado recente do neoliberalismo e do alinhamento com a política externa norte-americana, nem aos sombrios tempos da ditadura, que a duras penas conseguimos superar.
A homenagem que prestamos a Carlos Marighella soma-se à nossa reivindicação de que sejam apuradas, com rigor, todas as violações dos Direitos Humanos ocorridas nos vinte e um anos de ditadura. Já não é mais possível interditar o debate retardando o necessário ajuste dos brasileiros com a sua história. Exigimos a abertura de todos os arquivos e a divulgação pública de todas as informações sobre os crimes, bem como sobre a identidade dos torturadores e assassinos, seus mandantes e seus financiadores.
Precisamos enfrentar as forças reacionárias e conservadoras que defendem como legítima uma lei de auto-anistia que a ditadura impôs, em 1979, sob chantagens e ameaças. Sustentando a legalidade de leis que foram impostas pela força das baionetas, ignoram que um regime nascido da violação frontal da Constituição padece, desde o nascimento, de qualquer legitimidade. E procuram encobrir que eram ilegais todas as leis de um regime ilegal.
Sentindo-se ameaçadas, estas forças renegam as serenas formulações e sentenças da ONU e da OEA indicando que as torturas constituem crime contra a própria humanidade, não sendo passíveis de anistia, indulto ou prescrição. E se esforçam para encobrir que, no preâmbulo da Declaração Universal que a ONU formulou, em 10 de dezembro de 1948, está reafirmado com todas as letras o direito dos povos recorrerem à rebelião contra a tirania e a opressão.
Por tudo isso, celebrar a memória de Carlos Marighella, nestes quarenta anos que nos separam da sua covarde execução, é reafirmar o compromisso com a marcha do Brasil e da Nuestra America rumo à realização da nossa vocação histórica para a liberdade, para a igualdade social e para a solidariedade entre os povos.
Celebrando a memória de Carlos Marighella, abrimos o diálogo com as novas gerações garantindo-lhes o resgate da verdade histórica. Reverenciando seu nome e sua luta, afirmamos nosso desejo de que nunca mais a violência dos opressores possa se realimentar da impunidade. Carlos Marighella está vivo na nossa memória e nas nossas lutas.
Brasil, 4 de novembro de 2009.
Assine a Petição.
sábado, 8 de agosto de 2009
Protestos em Bil'in contra o Muro do Apartheid e prisões [Update]

Bil’in demonstrates against Apartheid Wall and Israeli arrest campaign
Tens were suffocated with tear gas, fired by Israeli soldiers at Bili’n’s weekly demonstration. Where Bil’in citizens, Israeli and International peace activists demonstrated after the Friday prayers, waving Palestinian flags and banners with slogans calling for the release of the popular leaders, Muhammad al-Khatib and Adib Abu Rahma, and the rest of the other detainees, and calling for ending raids and prosecution of activists and members of the People’s Committee against the wall. Demonstrators has walked in Bil’in streets chanting slogans calling for national unity, and continuation of the popular committee resistance, and events without the fear of the terrorist policy carried out by the Israeli army against Palestinians in general and the people of Bil’in in particularOnce the demonstrators arrived at the wall gat, the Israeli soldiers has fired them strongly with different kinds of gases; some of them were invasive bomb fired by hand, other fired by gun and some of them were fired from the front of military vehicles, as this one has thrown fifty bombs at one time, which covered an area of more than ten donems with gas, causing tens of cases of suffocation.
The soldiers also began spraying the demonstrators with a green – colored water contaminated by waste animal manure and chemicals, resulting in the vomiting by many others. Some reports mentioned that the Israeli are using the skunk smell, which is very strong and can’t be removed from clothes. This colored water is one of the newly tested weapons that the Israelis are using against the demonstrators in Bil’in. The demonstrators dressed in plastic dresses, hats, gloves, and masks in order not to be affect by the chemical water and its noxious smell that the Israeli are using now against them.
On the other hand, the People’s Committee against the Wall in Bil’in called for immediate release of all detainees from the village of Bil’in, including the leaders Muhammad al-Khatib and Adib Abu Rahma. As the charges that they are facing are illegal, thus what the people of Bil’in are doing is legal and legitimate, since it guaranteed by all international conventions and even the Israeli courts themselves, as well as international and Israeli participation in the activities of Bil’in, the Committee considered that the threat against the committee members is unacceptable, and they will continue in their struggle and the threats will not stop them, as they are all being targeted, however everyone has involved in the events has become a target by the occupation. Therefore the Committee calls all the human rights organizations, friends and supporters of the village of Bil’in and the Palestinian issue to the immediate intervention for the release of prisoners and stop the terrorist against the village.
On the other hand, the People’s Committee condolences the death of the two leaders Samir Ghosheh the General Secretary of the Palestinian Struggle Front and and Shafiq Al Hout the member of the Palestine Liberation Organization.
At another level the People’s Committee called in its letter to the participants at “Fateh sixth conference” for having the popular resistance in their future programs and strategies in resisting the occupation.
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Bil’in’s Mohammad Khatib arrested
In the early morning hours on Monday, Israeli military forces wearing combat paint and masks invaded the West Bank village of Bil’in.
Israeli soldiers raided several homes, arresting two Palestinian children and five Palestinians adults including Mohammad Khatib from the Bil’in Popular Committee Against the Wall and Settlements.
In June 2009 Mohammed Khatib traveled to Canada to testify in a historic lawsuit launched by Bil’in village against two Quebec-based companies, Green Park International and Green Mount International, both involved in constructing illegal Israeli-only settlements on the lands of the Palestinian village of Bil’in.
Palestinian activist Mohammed Khatib also spoke to Canada’s major media outlets and publicly in eleven Canadian cities with Emily Schaeffer, an Israeli lawyer representing the village of Bil’in, connecting with hundreds of people across Canada.
At present time Mohammed Khatib remains in Israeli custody although no charges have been brought against Khatib or the other Palestinians arrested, including the children.
“Mohmmad Khatib and Adib Abu Rahme along with other leaders of the Palestinian popular struggle are being targeted because the mobilize Palestinians to resist non- violently,” outlines Abdullah Abu Rahme, coordinator of Bil’in’s popular committee, “the fact is that the Apartheid Wall and the settlements built on Palestinian land are illegal under international law, in the case of our village even the biased Israeli court declared the route illegal, yet Israel is prosecuting us as criminals because we struggle non-violently for our freedom.”
Monday’s night-time raid is another in a series of many that Israeli forces have carried out in Bil’in since June 2009, raids that commenced in tandem to the commencement of legal proceedings in Canada.
Israeli forces have arrested 25 people from Bil’in village in the last month, most under 18. Israeli forces have been using interrogation techniques to pressure the arrested youth to give statements against Bil’in community leaders.
























