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sábado, 19 de março de 2011

Crise no Bahrein: Intervenção estrangeira e protestos populares

Tropas da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos entraram em território barenita na última segunda-feira 14, supostamente a pedido do Rei do Bahrein, Hamad bin Isa Al Khalifa, para conter os protestos que vem paralisando o país há um mês, desde o dia 14 de fevereiro, inspirados nos protestos que depuseram os ditadores da Tunísia, Zine Abdine Ben Ali, e do Egito, Hosni Mubarak.

Enquanto o mundo se voltava para a situação na Líbia, onde os rebeldes começam a recuar frente às forças do Coronel Khadafi, ao menos mil soldados sauditas e 500 policiais dos Emirados Árabes Unidos chegaram ao Bahrein. Segundo fontes internacionais, trata-se de tropas do Conselho de Cooperação do Golfo, organização supra-estatal composta por seis países da região (Bahrein, Arábia Saudita, Omã, Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos).

O Bahrein vem sendo sacudido por protestos diários, especialmente em torno da Rotatória Pérola, no centro de Manama, capital do país, mas também em outras cidades e vilas. Na semana passada uma manifestação em Manama reuniu pelo menos 100 mil pessoas, ou um quinto da população de todo reino, demonstrando o nível da insatisfação da população com os rumos do país.

Milhares de xiitas (que compõem cerca de 70% da população) demandam reformas políticas e sociais profundas no país dominado por 30% de sunitas. Os xiitas se sentem excluídos e não tem acesso aos melhores cargos e mais relevantes postos da administração e a insatisfação explodiu tendo como modelo as revoltas que se espalham pelo Oriente Médio e Norte da África.

Com a escalada de violência a posição dos manifestantes se radicalizou. Das exigências iniciais que incluíam uma reforma na legislação do país e a demissão do governo, comandado por Khalifa bin Salman al-Khalifa, tio do Rei, os manifestantes passaram a exigir que o Bahrein se transformasse em uma monarquia constitucional, mas agora são ouvidos gritos contra a monarquia como um todo.

A chegada de tropas sauditas foi encarada como uma invasão pela oposição Xiita do Bahrein e recebida com preocupação pela ONU.

A invasão, porém, tem precedentes, assim como os levantes contra a monarquia. Em 1994 tropas Sauditas invadiram o Bahrein para garantir a segurança do Rei frente a um protesto de xiitas. Obviamente, as manifestações de hoje diferem das anteriores não só em número, mas se colocando em conjunto e em sintonia com protestos por toda a região. Não se trata de um processo isolado e unicamente doméstico, mas em um processo que se espalha por todo o Oriente Médio e pode vir a ter grandes consequências no futuro.

Apesar do aparente convite às tropas estrangeiras, é incerta a capacidade de ação das tropas e o efeito jurídico a longo prazo, assim como possíveis responsabilizações pelas mortes de civis barenitas que possam vir a ocorrer. Segundo analistas, em caso de violência das tropas estrangeiras, caberia intervenção da ONU e ações no Tribunal Penal Internacional (TPI). Ademais, dada a correlação de forças, qualquer tipo de “convite” que porventura tenha sido feito sempre poderá ser interpretado apenas como resultado de pressão bem colocada por um país muito mais forte frente à sua periferia imediata.

A oposição xiita chama de ocupação ilegal a chegada de tropas estrangeiras e de uma conspiração contra civis desarmados  e teme o aumento da repressão e das mortes. Oficiais da ONU vêem com apreensão a movimentação de tropas e a possibilidade de, senão uma guerra civil, um banho de sangue desproporcional. No dia seguinte à chegada das tropas estrangeiras, pelo menos 5 barenitas foram mortos e centenas ficaram feridos em confrontos pela capital, numa escalada significativa da violência no país.

A situação geral no Bahrein é de apreensão, segundo a ativista Doreen Al Assad, baseada em Manama, balas de borrracha e gás lacrimogêneo são atirados a todo momento contra manifestantes e que boa parte das ruas estão bloqueadas por tropas.

Escolas e universidades permanecem fechadas, exceto em caso de intervenção governamental, para tentar passar uma imagem de normalidade. Conflitos esporádicos acontecem em diversas partes de cidade e boa parte das pessoas não consegue chegar ao trabalho.

A população, temendo o pior, começou a estocar alimentos, água e bebidas, enquanto a mídia estatal tenta esconder o óbvio e elogiando a intervenção, veiculando imagens da chegada das tropas sauditas acenando para o público e fazendo sinais de paz.

Outro motivo de apreensão é o possível papel do Irã em meio à uma intervenção Saudita. O Bahrein faz fronteira e é ligado fisicamente através de uma ponte à Arábia Saudita, mas a maior parte da população é religiosamente ligada ao Irã, ambos são países de maioria Xiita, o que pode ajudar a desequilibrar ainda mais uma situação já complicada. Apesar de persas, os Iranianos consideram o Bahrein, árabe, como sua área de influência natural.

Mesmo na Arábia Saudita começaram protestos, em diversas regiões, de sua minoria Xiita, que  se rebela contra a situação de exclusão que encontra amplo paralelo com a barenita.

Segundo a jornalista e ativista barenita Amira Al Hussaini, a rede de TV estatal, depois da chegada das tropas estrangeiras,  se limita a repetir clipes de danças e músicas patrióticas enquanto a internet tem sido severamente limitada e sua velocidade foi reduzida ao ponto de quase impossibilitar a navegação. A mesma ativista teve a vida ameaçada por uma célula terrorista local na tarde  da quinta-feira, despertando preocupações de outros interesses estariam em jogo na crise do Bahrein.

A tensão é palpável no Bahrein enquanto manifestantes reunidos na Rotatória Pérola – epicentro dos protestos no país, nos mesmos moldes que a Praça Tahrir, no Cairo – pedem a suas mulheres e crianças para irem para casa, pois sentem o perigo se aproximando. Segundo Al Assad, os manifestantes estão prontos a resistir, mesmo que sejam alvos de tiros e de violência por parte das tropas estrangeiras. O temor generalizado é o da possibilidade de um genocídio patrocinado pelo Rei do Bahrein e pelas tropas estrangeiras, que podem agir impunemente no território.

Postos de gasolina estão fechados, há o perigo de cortes de energia e do fornecimento de petróleo. Pessoas que se aproximam de tanques ou policiais correm o risco de serem baleados, assim como quem sai em grupo durante a noite.

Desde terça-feira (15) um toque de recolher foi imposto pelo regime, válido das 4 da tarde às 4 da manhã, ainda que esta atitude não tenha servido para evitar novos e violentos confrontos na capital. Enquanto isto, a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, denuncia a tomada dos hospitais do país por militares, que desta forma impedem que manifestantes feridos recebam ajuda médica, em clara ofensa ao direito internacional.

Na quinta, dia 17, seis importantes líderes da oposição (cinco xiitas e um sunita) foram presos durante a madrugada e há o temor de que os prisioneiros sejam torturados e de que novas prisões ocorram enquanto vigorar a lei marcial no país.

Enquanto isto os EUA permanecem silenciosos. Casa da poderosa quinta frota americana e importante base dos EUA na região, além de grande produtor de petróleo e localizado em uma área de interesse os EUA, próximo à fronteira iraniana, o Bahrein enfrenta uma crise sem precedentes e não seria surpresa que a chegada de “reforços” estrangeiros tenha ligação com a importância estratégica do país para os EUA.

Artigo publicado originalmente no site da revista Carta Capital.
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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Invasões Americanas no Mundo


Interessante lista que recebi por e-mail listando todas as invasões estadunidenses em países estrangeiros ao longo de sua história. Contei cerca de 90 operações - nem é preciso discutir a legalidade da maioria delas - contra Estados Soberanos.

Em todas o claro Destino Manifesto e a tentativa de levar democracia aos países do mundo. A democracia dos EUA, a única que importa, a que prega a submissão de todos ao Império.

INVASÕES AMERICANAS NO MUNDO

Organizado por Alberto da Silva Jones (professor da UFSC):


Entre as várias INVASÕES das forças armadas dos Estados Unidos fizeram nos séculos XIX, XX e XXI, podemos citar:



1846 - 1848 - MÉXICO - Por causa da anexação, pelos EUA, da República do Texas

1890 - ARGENTINA - Tropas americanas desembarcam em Buenos Aires para defender interesses econômicos americanos.

1891 - CHILE - Fuzileiros Navais esmagam forças rebeldes nacionalistas.

1891 - HAITI - Tropas americanas debelam a revolta de operários negros na ilha de Navassa, reclamada pelos EUA.

1893 - HAWAI - Marinha enviada para suprimir o reinado independente anexar o Hawaí aos EUA.

1894 - NICARÁGUA - Tropas ocupam Bluefields, cidade do mar do Caribe, durante um mês.

1894 - 1895 - CHINA - Marinha, Exército e Fuzileiros desembarcam no país durante a guerra sino-japonesa.

1894 - 1896 - CORÉIA - Tropas permanecem em Seul durante a guerra.

1895 - PANAMÁ - Tropas desembarcam no porto de Corinto, província Colombiana.

1898 - 1900 - CHINA - Tropas dos Estados Unidos ocupam a China durante a Rebelião Boxer.

1898 - 1910 - FILIPINAS - As Filipinas lutam pela independência do país, dominado pelos EUA (Massacres realizados por tropas americanas em Balangica, Samar, Filipinas - 27/09/1901 e Bud Bagsak, Sulu, Filipinas

11/15/1913) - 600.000 filipinos mortos.

1898 - 1902 - CUBA - Tropas sitiaram Cuba durante a guerra hispano-americana.

1898 - Presente - PORTO RICO - Tropas sitiaram Porto Rico na guerra hispano-americana, hoje 'Estado Livre Associado' dos Estados Unidos.

1898 - ILHA DE GUAM - Marinha americana desembarca na ilha e a mantêm como base naval até hoje.

1898 - ESPANHA - Guerra Hispano-Americana - Desencadeada pela misteriosa explosão do encouraçado Maine, em 15 de fevereiro, na Baía de Havana. Esta guerra marca o surgimento dos EUA como potência capitalista e militar mundial.

1898 - NICARÁGUA - Fuzileiros Navais invadem o porto de San Juan del Sur.

1899 - ILHA DE SAMOA - Tropas desembarcam e invadem a Ilha em conseqüência de conflito pela sucessão do trono de Samoa.

1899 - NICARÁGUA - Tropas desembarcam no porto de Bluefields e invadem a Nicarágua (2ª vez).

1901 - 1914 - PANAMÁ - Marinha apóia a revolução quando o Panamá reclamou independência da Colômbia; tropas americanas ocupam o canal em 1901, quando teve início sua construção.

1903 - HONDURAS - Fuzileiros Navais americanos desembarcam em Honduras e intervêm na revolução do povo hondurenho.

1903 - 1904 - REPÚBLICA DOMINICANA - Tropas norte americanas atacaram e invadiram o território dominicano para proteger interesses do capital americano durante a revolução.

1904 - 1905 - CORÉIA - Fuzileiros Navais dos Estados Unidos desembarcaram no território coreano durante a guerra russo-japonesa.

1906 - 1909 - CUBA -Tropas dos Estados Unidos invadem Cuba e lutam contra o povo cubano durante período de eleições.

1907 - NICARÁGUA - Tropas americanas invadem e impõem a criação de um protetorado, sobre o território livre da Nicarágua.

1907 - HONDURAS - Fuzileiros Navais americanos desembarcam e ocupam Honduras durante a guerra de Honduras com a Nicarágua.

1908 - PANAMÁ - Fuzileiros Navais dos Estados Unidos invadem o Panamá durante período de eleições.

1910 - NICARÁGUA - Fuzileiros navais norte americanos desembarcam e invadem pela 3ª vez Bluefields e Corinto, na Nicarágua.

1911 - HONDURAS - Tropas americanas enviadas para proteger interesses americanos durante a guerra civil, invadem Honduras.

1911 - 1941 - CHINA - Forças do exército e marinha dos Estados Unidos invadem mais uma vez a China durante período de lutas internas repetidas.

1912 - CUBA - Tropas americanas invadem Cuba com a desculpa de proteger interesses americanos em Havana.

1912 - PANAMÁ - Fuzileiros navais americanos invadem novamente o Panamá e ocupam o país durante eleições presidenciais.

1912 - HONDURAS - Tropas norte americanas mais uma vez invadem Honduras para proteger interesses do capital americano.

1912 - 1933 - NICARÁGUA - Tropas dos Estados Unidos com a desculpa de combaterem guerrilheiros invadem e ocupam o país durante 20 anos.

1913 - MÉXICO - Fuzileiros da Marinha americana invadem o México com a desculpa de evacuar cidadãos americanos durante a revolução.

1913 - MÉXICO - Durante a Revolução mexicana, os Estados Unidos bloqueiam as fronteiras mexicanas em apoio aos revolucionários.

1914 - 1918 - PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL - Os EUA entram no conflito em 6 de abril de 1917 declarando guerra à Alemanha. As perdas americanas chegaram a 114 mil homens.

1914 - REPÚBLICA DOMINICANA - Fuzileiros navais da Marinha dos Estados invadem o solo dominicano e interferem na revolução do povo dominicano em Santo Domingo.

1914 - 1918 - MÉXICO - Marinha e exército dos Estados Unidos invadem o território mexicano e interferem na luta contra nacionalistas.

1915 - 1934 - HAITI- Tropas americanas desembarcam no Haiti, em 28 de julho, e transformam o país numa colônia americana, permanecendo lá durante 19 anos.

1916 - 1924 - REPÚBLICA DOMINICANA - Os EUA invadem e estabelecem um governo militar na República Dominicana, em 29 de novembro, ocupando o país durante oito anos.

1917 - 1933 - CUBA - Tropas americanas desembarcam em Cuba, e transformam o país num protetorado econômico americano, permanecendo essa ocupação por 16 anos.

1918 - 1922 - RÚSSIA - Marinha e tropas americanas enviadas para combater a revolução Bolchevista. O Exército realizou cinco desembarques, sendo derrotado pelos russos em todos eles.

1919 - HONDURAS - Fuzileiros norte americanos desembarcam e invadem mais uma vez o país durante eleições, colocando no poder um governo a seu serviço.

1918 - IUGOSLÁVIA - Tropas dos Estados Unidos invadem a Iugoslávia e intervêm ao lado da Itália contra os sérvios na Dalmácia.

1920 - GUATEMALA - Tropas americanas invadem e ocupam o país durante greve operária do povo da Guatemala.

1922 - TURQUIA - Tropas norte americanas invadem e combatem nacionalistas turcos em Smirna.

1922 - 1927 - CHINA - Marinha e Exército americano mais uma vez invadem a China durante revolta nacionalista.

1924 - 1925 - HONDURAS - Tropas dos Estados Unidos desembarcam e invadem Honduras duas vezes durante eleição nacional.

1925 - PANAMÁ - Tropas americanas invadem o Panamá para debelar greve geral dos trabalhadores panamenhos.

1927 - 1934 - CHINA - Mil fuzileiros americanos desembarcam na China durante a guerra civil local e permanecem durante sete anos, ocupando o território chinês.

1932 - EL SALVADOR - Navios de Guerra dos Estados Unidos são deslocados durante a revolução das Forças do Movimento de Libertação Nacional - FMLN -

comandadas por Marti.

1939 - 1945 - SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - Os EUA declaram guerra ao Japão em 8 de dezembro de 1941 e depois a Alemanha e Itália, invadindo o Norte da África, a Ásia e a Europa, culminando com o lançamento das bombas atômicas sobre as cidades desmilitarizadas de Iroshima e Nagasaki.

1946 - IRÃ - Marinha americana ameaça usar artefatos nucleares contra tropas soviéticas caso as mesmas não abandonem a fronteira norte do Irã.

1946 - IUGOSLÁVIA - Presença da marinha americana ameaçando invadir a zona costeira da Iugoslávia em resposta a um avião espião dos Estados Unidos abatido pelos soviéticos.

1947 - 1949 - GRÉCIA - Operação de invasão de Comandos dos EUA garantem vitória da extrema direita nas "eleições" do povo grego.

1947 - VENEZUELA - Em um acordo feito com militares locais, os EUA invadem e derrubam o presidente eleito Rómulo Gallegos, como castigo por ter aumentado o preço do petróleo exportado, colocando um ditador no poder.

1948 - 1949 - CHINA - Fuzileiros americanos invadem pela ultima vez o território chinês para evacuar cidadãos americanos antes da vitória comunista.

1950 - PORTO RICO - Comandos militares dos Estados Unidos ajudam a esmagar a revolução pela independência de Porto Rico, em Ponce.

1951 - 1953 - CORÉIA - Início do conflito entre a República Democrática da Coréia (Norte) e República da Coréia (Sul), na qual cerca de 3 milhões de pessoas morreram. Os Estados Unidos são um dos principais

protagonistas da invasão usando como pano de fundo a recém criada Nações Unidas, ao lado dos sul-coreanos. A guerra termina em julho de 1953 sem vencedores e com dois estados polarizados: comunistas ao norte e um governo pró-americano no sul. Os EUA perderam 33 mil homens e mantém até hoje base militar e aero-naval na Coréia do Sul.

1954 - GUATEMALA - Comandos americanos, sob controle da CIA, derrubam o presidente Arbenz, democraticamente eleito, e impõem uma ditadura militar no país. Jacobo Arbenz havia nacionalizado a empresa United Fruit e impulsionado a Reforma Agrária.

1956 - EGITO - O presidente Nasser nacionaliza o canal de Suez. Tropas americanas se envolvem durante os combates no Canal de Suez sustentados pela Sexta Frota dos EUA. As forças egípcias obrigam a coalizão franco-israelense-britânica, a retirar-se do canal.

1958 - LÍBANO - Forças da Marinha americana invadem apóiam o exército de ocupação do Líbano durante sua guerra civil.

1958 - PANAMÁ - Tropas dos Estados Unidos invadem e combatem manifestantes nacionalistas panamenhos.

1961 - 1975 - VIETNÃ. Aliados ao sul-vietnamitas, o governo americano invade o Vietnã e tenta impedir, sem sucesso, a formação de um estado comunista, unindo o sul e o norte do país. Inicialmente a participação americana se restringe a ajuda econômica e militar (conselheiros e material bélico). Em agosto de 1964, o congresso americano autoriza o presidente a lançar os EUA em guerra. Os Estados Unidos deixam de ser simples consultores do exército do Vietnã do Sul e entram num conflito traumático,

que afetaria toda a política militar dali para frente. A morte de quase 60 mil jovens americanos e a humilhação imposta pela derrota do Sul em 1975, dois anos depois da retirada dos Estados Unidos, moldou a estratégia futura de evitar guerras que impusessem um custo muito alto de vidas americanas e nas quais houvesse inimigos difíceis de derrotar de forma convencional, como os vietcongues e suas táticas de guerrilhas.

1962 - LAOS - Militares americanos invadem e ocupam o Laos durante guerra civil contra guerrilhas do Pathet Lao.

1964 - PANAMÁ - Militares americanos invadiram mais uma vez o Panamá e mataram 20 estudantes, ao reprimirem a manifestação em que os jovens queriam trocar, na zona do canal, a bandeira americana pela bandeira e seu país.

1965 - 1966 - REPÚBLICA DOMINICANA - Trinta mil fuzileiros e pára-quedistas norte americanos desembarcaram na capital do país São Domingo para impedir a nacionalistas panamenhos de chegarem ao poder. A CIA conduz Joaquín Balaguer à presidência, consumando um golpe de estado que depôs o presidente eleito Juan Bosch. O país já fora ocupado pelos americanos de 1916 a 1924.

1966 - 1967 - GUATEMALA - Boinas Verdes e marines americanos invadem o país para combater movimento revolucionário contrario aos interesses econômicos do capital americano.

1969 - 1975 - CAMBOJA - Militares americanos enviados depois que a Guerra do Vietnã invadem e ocupam o Camboja.

1971 - 1975 - LAOS - EUA dirigem a invasão sul-vietnamita bombardeando o território do vizinho Laos, justificando que o país apoiava o povo vietnamita em sua luta contra a invasão americana.

1975 - CAMBOJA - 28 marines americanos são mortos na tentativa de resgatar a tripulação do petroleiro estadunidense Mayaquez.

1980 - IRÃ - Na inauguração do estado islâmico formado pelo Aiatolá Khomeini, estudantes que haviam participado da Revolução Islâmica do Irã ocuparam a embaixada americana em Teerã e fizeram 60 reféns. O governo americano preparou uma operação militar surpresa para executar o resgate, frustrada por tempestades de areia e falhas em equipamentos. Em meio à frustrada operação, oito militares americanos morreram no choque entre um helicóptero e um avião. Os reféns só seriam libertados um ano depois do seqüestro, o que enfraqueceu o então presidente Jimmy Carter e elegeu Ronald Reagan, que conseguiu aprovar o maior orçamento militar em época de paz até então.*

1982 - 1984 - LÍBANO - Os Estados Unidos invadiram o Líbano e se envolveram nos conflitos do Líbano logo após a invasão do país por Israel - e acabaram envolvidos na guerra civil que dividiu o país. Em 1980, os americanos supervisionaram a retirada da Organização pela Libertação da Palestina de Beirute. Na segunda intervenção, 1.800 soldados integraram uma força conjunta de vários países, que deveriam restaurar a ordem após o massacre de refugiados palestinos por libaneses aliados a Israel. O custo para os americanos foi a morte 241 fuzileiros navais, quando os libaneses explodiram um carro bomba perto de um quartel das forças americanas.

1983 - 1984 - ILHA DE GRANADA - Após um bloqueio econômico de quatro anos a CIA coordena esforços que resultam no assassinato do 1º Ministro Maurice Bishop. Seguindo a política de intervenção externa de Ronald Reagan, os Estados Unidos invadiram a ilha caribenha de Granada alegando prestar proteção a 600 estudantes americanos que estavam no país, as tropas eliminaram a influência de Cuba e da União Soviética sobre a política da ilha.

1983 - 1989 - HONDURAS - Tropas americanas enviadas para construir bases em regiões próximas à fronteira, invadem o Honduras

1986 - BOLÍVIA - Exército americano invade o território boliviano na justificativa de auxiliar tropas bolivianas em incursões nas áreas de cocaína.

1989 - ILHAS VIRGENS - Tropas americanas desembarcam e invadem as ilhas durante revolta do povo do país contra o governo pró-americano.

1989 - PANAMÁ - Batizada de Operação Causa Justa, a intervenção americana no Panamá foi provavelmente a maior batida policial de todos os tempos: 27 mil soldados ocuparam a ilha para prender o presidente panamenho, Manuel Noriega, antigo ditador aliado do governo americano. Os Estados Unidos justificaram a operação como sendo fundamental para proteger o Canal do Panamá, defender 35 mil americanos que viviam no país, promover a democracia e interromper o tráfico de drogas, que teria em Noriega seu líder na América Central. O ex-presidente cumpre prisão perpétua nos Estados Unidos.

1990 - LIBÉRIA - Tropas americanas invadem a Libéria justificando a evacuação de estrangeiros durante guerra civil.

1990 - 1991 - IRAQUE - Após a invasão do Iraque ao Kuwait, em 2 de agosto de 1990, os Estados Unidos com o apoio de seus aliados da Otan, decidem impor um embargo econômico ao país, seguido de uma coalizão anti-Iraque (reunindo além dos países europeus membros da Otan, o Egito e outros países árabes) que ganhou o título de "Operação Tempestade no Deserto". As hostilidades começaram em 16 de janeiro de 1991, um dia depois do fim do prazo dado ao Iraque para retirar tropas do Kuwait. Para expulsar as forças iraquianas do Kuwait, o então presidente George Bush destacou mais de 500 mil soldados americanos para a Guerra do Golfo.

1990 - 1991 - ARÁBIA** SAUDITA - Tropas americanas destacadas para ocupar a Arábia Saudita que era base militar na guerra contra Iraque.

1992 - 1994 - SOMÁLIA - Tropas americanas, num total de 25 mil soldados, invadem a Somália como parte de uma missão da ONU para distribuir mantimentos para a população esfomeada. Em dezembro, forças militares norte-americanas (comando Delta e Rangers) chegam a Somália para intervir numa guerra entre as facções do então presidente Ali Mahdi Muhammad e tropas do general rebelde Farah Aidib. Sofrem uma fragorosa derrota militar nas ruas da capital do país.

1993 - IRAQUE -No início do governo Clinton, é lançado um ataque contra instalações militares iraquianas, em retaliação a um suposto atentado, não concretizado, contra o ex-presidente Bush, em visita ao Kuwait.

1994 - 1999 - HAITI - Enviadas pelo presidente Bill Clinton, tropas americanas ocuparam o Haiti na justificativa de devolver o poder ao presidente eleito Jean-Betrand Aristide, derrubado por um golpe, mas o

que a operação visava era evitar que o conflito interno provocasse uma onda de refugiados haitianos nos Estados Unidos.

1996 - 1997 - ZAIRE (EX REPÚBLICA DO CONGO) - Fuzileiros Navais americanos são enviados para invadir a área dos campos de refugiados Hutus onde a revolução congolesa ?Marines evacuam civis? iniciou.

1997 - LIBÉRIA - Tropas dos Estados Unidos invadem a Libéria justificando a necessidade de evacuar estrangeiros durante guerra civil sob fogo dos rebeldes.

1997 - ALBÂNIA - Tropas americanas invadem a Albânia para evacuarem estrangeiros.

2000 - COLÔMBIA - Marines e "assessores especiais" dos EUA iniciam o Plano Colômbia, que inclui o bombardeamento da floresta com um fungo transgênico fusarium axyporum (o "gás verde").

2001 - AFEGANISTÃO - Os EUA bombardeiam várias cidades afegãs, em resposta ao ataque terrorista ao World Trade Center em 11 de setembro de 2001. Invadem depois o Afeganistão onde estão até hoje.

2003 - IRAQUE - Sob a alegação de Saddam Hussein esconder armas de destruição e financiar terroristas, os EUA iniciam intensos ataques ao Iraque. É batizada pelos EUA de "Operação Liberdade do Iraque" e por Saddam de "A Última Batalha", a guerra começa com o apoio apenas da Grã-Bretanha, sem o endosso da ONU e sob protestos de manifestantes e de governos no mundo inteiro. As forças invasoras americanas até hoje estão no território iraquiano, onde a violência aumentou mais do que nunca.



Na América Latina, África e Ásia, os Estados Unidos invadiam países ou para depor governos democraticamente eleitos pelo povo, ou para dar apoio a ditaduras criadas e montadas pelos Estados Unidos, tudo em nome da "democracia" (deles).
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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

MST e a Plantação de Laranjas [Update 2]

O MST lança em boa hora um esclarecimento sobre suas ações na plantação de laranjas que revoltou a classe média e foi manchete no PIG nacional.

O que a mídia "esqueceu" de avisar, ao mostrar o vídeo dos tratores destruindo o latifúndio de laranjas foi que a fazenda era resultado de grilagem e era terra da Cutrale, um monopólio gigantesco e nocivo à causa agrária.

A Classe Mé[r]dia ficou em polvorosa, gritando por punição aos criminosos (sic), a criminosa - esta sim - Kátia Abreu exige CPI, Polícia, Exército e o diabo para acabar com o movimento e os DemoTucanos se agitam, esperando a chance de acabar com o MST.

Não passarão!

A desinformação patrocinada pela mídia é tanta que até pessoas que costumam ser simpáticas ao movimento o criticaram. Mas o MST novamente expõe a verdade dos fatos. Podemos até considerar que era desnecessária a destruição dos pés de laranja, faz sentido, mas também devemos considerar que a destruição das plantas é uma forma de protesto, de manifestação, denuncia a monocultura, a grilagem e o crime ambiental.

Todo apóio à luta dos Sem Terra!

Todo apoio ao MST!
Cutrale usa terras griladas em São Paulo

6 de outubro de 2009

Cerca de 250 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) permanecem acampadas desde a semana passada (28/09), na fazenda Capim, que abrange os municípios de Iaras, Lençóis Paulista e Borebi, região central do Estado de São Paulo. A área possui mais de 2,7 mil hectares, utilizadas ilegalmente pela Sucocítrico Cutrale para a monocultura de laranja - o que demonstra o aumento da concentração de terras no país, como apontou recentemente o censo agropecuário do IBGE.

A área da fazenda Capim faz parte do chamado Núcleo Monções, um complexo de 30 mil hectares divididos em várias fazendas e de posse legal da União. É nessa região que está localizada a fazenda da Cutrale, e onde estão localizadas cerca de 10 mil hectares de terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas, além de 15 mil hectares de terras improdutivas.

A ocupação tem como objetivo denunciar que a empresa está sediada em terras do governo federal, ou seja, são terras da União utilizadas de forma irregular pela produtora de sucos. Além disso, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já teria se manifestado em relação ao conhecimento de que as terras são realmente da União, de acordo com representantes dos Sem Terra em Iaras.

Como forma de legitimar a grilagem, a Cutrale realizou irregularmente o plantio de laranja em terras da União. A produtividade da área não pode esconder que a Cutrale grilou terras públicas, que estão sendo utilizadas de forma ilegal, sendo que, neste caso, a laranja é o símbolo da irregularidade. A derrubada dos pés de laranja pretende questionar a grilagem de terras públicas, uma prática comum feita por grandes empresas monocultoras em terras brasileiras como a Aracruz (ES), Stora Enzo (RS), entre outras.

O local já foi ocupado diversas vezes, no intuito de denunciar a ação ilegal de grilagem da Cutrale. Além da utilização indevida das terras, a empresa está sendo investigada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo pela formação de cartel no ramo da produção de sucos, prejudicando assim os pequenos produtores. A empresa também já foi autuada inúmeras vezes por causar impactos ao ecossistema, poluindo o meio ambiente ao despejar esgoto sem tratamento em diversos rios. No entanto, nenhuma atitude foi tomada em relação a esta questão.

Há um pedido de reintegração de posse, no entanto as famílias deverão permanecer na fazenda até que seja marcada uma reunião com o superintendente do Incra, assim exigindo que as terras griladas sejam destinadas para a Reforma Agrária. Com isso, cerca de 400 famílias acampadas seriam assentadas na região. Há hoje, em todo o estado de São Paulo, 1,6 mil famílias acampadas lutando pela terra. No Brasil, são 90 mil famílias vivendo embaixo de lonas pretas.

Direção Estadual do MST-SP

http://www.mst.org.br/node/8283
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Update:

Recebido por e-mail.

Data: Quarta-feira, 7 de Outubro de 2009, 11:29
Na região de Capivari, interior de São Paulo, quando alguém exagera, tem uma expressão que diz: "Pare de Show"!
É patético ver Senadores(as), Deputados(as) e outros tantos "ilustres" se revezarem nos microfones em defesa das laranjas da Cutrale. Muitos destes, possivelmente, já foram beneficiados com os "sucos" da empresa para suas campanhas, ou estão de olho para obter as "vitaminas" no próximo pleito. Mas nenhum deles levantou uma folha para denunciar o grande grilo do complexo Monsões.  AS LARANJAS, e não poderia ter planta melhor, SÃO A TENTATIVA DE JUSTIFICAR O GRILO  da Cutrale e outras empresas na região. PASSAR POR CIMA DAS LARANJAS, É PASSAR POR CIMA DO GRILO E DA CORRUPÇÃO QUE MANTÉM ESTA SITUAÇÃO A TANTO TEMPO.
Não é a primeira vez que ocupamos este latifundio. Eu mesmo ajudei a fazer a primeira ocupação na região em 1995 para denunciar o grilo e pedir ao Estado providências na arrecadação das terras para a Reforma Agrária.  Passados quase 10 anos, algumas áreas foram arrecadadas e hoje são assentamentos, mas a maioria das terras continua sob o domínio de grandes grupos econômicos. E mais. a Cutrale instalou-se lá a 4 ou 5 anos, sabendo que as terras eram griladas e, portanto, com claro interesse na regularização das terras a seu favor. Para tal, plantou "laranjas"! Aliás, paresse ter "plantado um laranjal no Congresso Nacional e nos meios de comunicação". O que não é nenhuma novidade!
Durante a nossa marcha Campinas-São Paulo em agosto, um acidente provocou a morte da companheira Maria Cícera, uma senhora que estava acampada a 09 anos lutando para ter o seu pedaço de terra e morreu sem tê-la. Esta senhora estava acampada na região do grilo, mas nenhum dos "ilustres" defensores das laranjas pediu a palavra para denunciar a situação. Nenhum dos ilustres, fez críticas para denunciar a inoperância do Estado, seja executivo, judiciário..., em arrecadar as terras que são da União para resolver o problema da Dona Cícera e das centenas de famílias que lutam por um pedaço de terra naquela região, e das milhares  no País. Poucos no Congresso Nacional levatam a voz, pra não dizer outra coisa, para garantir que sejam aplicadas as leis da Constituição que fala da FUNÇÃO SOCIAL DA TERRA: a) Produzir na terra; b) Respeitar a legislação ambiental e c) Respeitar a legislação trabalhista. Não preciso delongas para dizer que a Constituição de 88 não foi cumprida. E falam de Estado Democrático de Direito! Pra quem? Com certeza eles só vêem o artigo que defende a propriedade a qualquer custo. Este Estado Democrático de Direito para alguns poucos, é o Estado garantidor da propriedade, da concentração de terras e riquezas, de repressão e criminalização para para os Movimentos sociais e a maioria do povo.
Para aqueles que se sustentam na/da "pequena política", com microfones disponíveis em rede nacional, e acreditam que a história terminou, de fato, encontram nestes episódios a matéria prima para o gozo pessoal e, com isso, só explicitam a sua pobreza subjetiva. E para eles, é certo, a história terminou. Mas para a grande maioria, que acredita que a história continua, que o melhor da história se quer começou, fazem da sua luta cotidiana espaço de debate e construção de uma sociedade mais justa. Acreditam ser possível dar função social a terra e a todos os recursos produzidos pala sociedade. Lutam para termos uma agricultura que proiduza alimentos saudáveis em benefício dos seres humanos sem devastação ambiental. Querem e, com certeza terão, um mundo que planeje, sob outros paradigmas que não o do lucro e da mercadoria, a utilização das terras e dos recursos naturais para que as futuras gerações possam, melhor que hoje, viver em armonia com o meio ambiente  e sem os graves problemas socias.  
A grande política exige grandes homens/mulheres, não os diminutos políticos (Não no sentido do porte físico) da atualidade; a grande política exige grandes projetos e uma subjetividade rica (não no sentido material) que permita planejar o futuro plantando as sementes aqui e agora. Por mais otimista que somos, é pouco provável visualizar que "laranjas" possam fazer isso. Aliás, é nas crises, é nos conflitos que se diferenciam homens de ratos, ou, laranjas de homens.

Gilmar Mauro
(membro da Coordenação Nacional do MST)
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Update 2:

Nota da CPT sobre o MST:

Mais uma vez mídia e ruralistas investem contra o MST


A Coordenação Nacional da CPT vem a público para manifestar sua estranheza diante do “requentamento” por toda a grande mídia de um fato ocorrido na segunda feira da semana passada, 28 de setembro, e que foi noticiado naquela ocasião, mas que voltou com maior destaque, uma semana depois, a partir do dia 5 de outubro até hoje.
Trata-se do seguinte: no dia 28 de setembro, integrantes do MST ocuparam a Fazenda Capim, que abrange os municípios de Iaras, Lençóis Paulista e Borebi, região central do estado de São Paulo. A área faz parte do chamado Núcleo Monções, um complexo de 30 mil hectares divididos em várias fazendas e que pertencem à União. A fazenda Capim, com mais de 2,7 mil hectares, foi grilada pela Sucocítrico Cutrale, uma das maiores empresas produtora de suco de laranja do mundo, para a monocultura de laranja. O MST destruiu dois hectares de laranjeiras para neles plantar alimentos básicos. A ação tinha por objetivo chamar a atenção para o fato de uma terra pública ter sido grilada por uma grande empresa e pressionar o judiciário, já que, há anos, o Incra entrou com ação para ser imitido na posse destas terras que são da União.
As primeiras ocupações na região aconteceram em 1995. Passados mais de 10 anos, algumas áreas foram arrecadadas e hoje são assentamentos. A maioria das terras, porém, ainda está nas mãos de grandes grupos econômicos. A Cutrale instalou-se há poucos anos, 4 ou 5 mais ou menos. Sabia que as terras eram griladas, mas esperava, porém, que houvesse regularização fundiária a seu favor.
As imagens da televisão, feitas de helicóptero, mostram um trator destruindo as plantas. As reações, depois da notícia ser novamente colocada em pauta, vieram inclusive de pessoas do governo, mas, sobretudo, de membros da bancada ruralista que acusam o movimento de criminoso e terrorista.
A quem interessa a repetição da notícia, uma semana depois?
No mesmo dia da ação dos sem-terra foi entregue aos presidentes do Senado e da Câmara, um Manifesto, assinado por mais de 4.000 pessoas, entre as quais muitas personalidades nacionais e internacionais, declarando seu apoio ao MST, diante da tentativa de instalação de uma CPMI para investigar os repasses de recursos públicos a entidades ligadas ao Movimento. Logo no dia 30, foi lido em plenário o requerimento para sua instalação, que acabou frustrada porque mais de 40 deputados retiraram seu nome e com isso não atingiu o número regimental necessário. A bancada ruralista se enfureceu.
A ação do MST do dia 28, que ao ser divulgada pela primeira vez não provocara muita reação, poderia dar a munição necessária para novamente se propor uma CPI contra o MST. E numa ação articulada entre os interesses da grande mídia, da bancada ruralista do Congresso e dos defensores do agronegócio, se lançaram novamente as imagens da ocupação da fazenda da Cutrale.
A ação do MST, por mais radical que possa parecer, escancara aos olhos da nação a realidade brasileira. Enquanto milhares de famílias sem terra continuam acampadas Brasil afora, grandes empresas praticam a grilagem e ainda conseguem a cobertura do poder público.
Algumas perguntam martelam nossa consciência:
Por que a imprensa não dá destaque à grilagem da Cutrale?
Por que a bancada ruralista se empenha tanto em querer destruir os movimentos dos trabalhadores rurais? Por que não se propõe uma grande investigação parlamentar sobre os recursos repassados às entidades do agronegócio, ao perdão rotineiro das dívidas dos grandes produtores que não honram seus compromissos com as instituições financeiras?
Por que a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), declarou, nas eleições ao Senado em 2006, o valor de menos de oito reais o hectare de uma área de sua propriedade em Campos Lindos, Tocantins? Por que por um lado, o agronegócio alardeia os ganhos de produtividade no campo, o que é uma realidade, e se opõe com unhas e dentes á atualização dos índices de produtividade? Por que a PEC 438, que propõe o confisco de terras onde for flagrado o trabalho escravo nunca é votada? E por fim, por que o presidente Lula que em agosto prometeu em 15 dias assinar a portaria com os novos índices de produtividade, até agora, mais de um mês e meio depois, não o fez?
São perguntas que a Coordenação Nacional da CPT gostaria de ver respondidas.
Goiânia, 7 de outubro de 2009
Coordenação Nacional da CPT
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domingo, 23 de agosto de 2009

Bil'in Weekly Protest - This is Zionism!

Dozen were suffocated at the weekly demonstration in Bil’in
Friday, 21 \ 8 \ 2009


Participants of the demonstration were people of the village, international activists and Israeli peace movement’s members. Demonstrators raised Palestinian flags and banners calling for ending the occupation, stopping wall and settlements constructions, land confiscation, night raids and arrests. Participants, walked in Bil’in streets, chanting slogans and calling for national unity. Demonstrators walked toward the wall and when they get close to the gate, the occupation soldiers started firing tear gas, causing suffocation.

On the other hand, the Israeli army force raided the village of Bil'in today’s morning and arrested Mohammed Ibrahim Abu Rahma (48 years) a member of the People's Committee Against the Wall - Vice President of the village council - where he was taken to the Ofer prison. Thus this raid is targeting the members of the People's Committee in order to stop their resistance against the occupation.

Although the occupation forces released yesterday, Basil Naim Bernat, this release was after spending 39 days at the prison and after paying 7,000 NIS as a penalty, and the have released the child Nashmi Mohammed Abu Rahma after paying 5,000 NIS as a penalty, thus he has spent five days at the prison. As well as, they have released before a couple of days Muhammad al-Khatib; member of the Popular committee after spending two weeks at the prison, although he has paid 10,000 NIS as a penalty, in addition to conditions includes not participating at the weekly demonstrations, and to leave Bili’n on Fridays from 12:00 am to 17:00 pm, as he has to be at the nearest Israeli police center in the mentioned period.

For more information, please contact:

Abdullah Abu Rahama- the popular committee against the wall coordinator\ Bil’in

0547258210 أو 0599107069

e-mail – lumalayan@yahoo. com

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Israeli forces conduct night arrest raids, continue to target the leadership of Palestinian non-violent resistance

20 August 2009: Once again the night in Bil'in was disrupted by a raid ending with the arrest of one the members of the Village’s Popular Committee Against the Wall and Settlements. This occurred the night after the childrens demonstration where the children had chanted slogans like "We want to sleep," "Stop the night raids".

The house of Bil'in Popular Committee member and vice president of the Bil’in village council, Mohammad Abu Rahma, (age 48), known by his friends as Abu Nizar, was raided shortly before 2am on Thursday morning. About 25 soldiers with their faces painted in black had come to the village on foot.

The soldiers broke into Abu Nizar’s home and forcefully took him from his bed where he and his wife were sleeping. They then beat and dragged him to the Annexation Wall where jeeps were waiting to pick them up. During the arrest, the soldiers where confronted by international solidarity activists who live in the village and Haitham Khatib the village’s camera man. As Haithem was filming the arrest, one soldier hit him, broke his camera and hit two of the activists.

Abu Nizar’s son Nashmi Mohammed Ibrahim Abu Rahma (age 14) had been arrested 5 days ago. To date, Israeli forces have arrested 28 people (most of which are under 18). Nineteen residents of Bil'in remain in Israeli detention. Through Israel’s interrogation and intimidation tactics, some of arrested youth have ‘confessed’ that the Bil’in Popular Committee urges the demonstrators to throw stones. With such ‘confessions’, Israeli forces then proceed to arrest leaders of the non violent struggle in the community.

The Palestinian village of Bil’in has become an international symbol of the Palestinian popular struggle. For almost 5 years, its residents have been continuously struggling against the de facto annexation of more than 50% of their farmlands via the construction of the Apartheid Wall. Magda abu Rahme , 17 , sister to Nashmi and daughter to Mohammad who are both currently in Israeli military prison stated; "These crimes, these armed invasions, breaking into homes where women sleep, these will only make us stronger and more steadfast. We remain samideen - steadfast - and will not back down. The strategy is to fragment our families and community and create distrust, and this will fail, we remain strong and we are immovable."

Another leading Bil’in non-violent activist, Adeeb Abu Rahme, remains in detention since his arrest during a non-violent demonstration on July 10th (see report & video: http://palsolidarit y.org/2009/ 07/7652. Adib Abu Rahme aa well as Mohammad Khatib from Bil’in’s popular committee have been charged with “incitement to damage the security of the area.” Mohammad Khatib, was recently released on bail after his lawyer proved that a picture the military prosecution claimed was of him throwing stones that was accompanied by a confession form one of the arrested youth recognizing Mohammad, was taken while Mohammad was out of the country.

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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Mais invasões noturnas e abusos na Palestina [Bil'in Village] [Update]

Major night invasion in Bil'in 03.08.2009

At 3am, the occupation forces invaded the village of Bil'in. A total of some 200 soldiers with combat paint in their faces and masks entered the village on foot at several points of entry. 5 homes were raided and a total of 8 people were arrested, 7 Palestinians and one international activist from the United States.

The arrested Palestinians are: the three brothers Khaled Show gut Abd-Alrazic al-Khateeb (age 23), Mustafa Show gut Abd-Alrazic al-Khateeb (age18), and Mohammed Show gut Abd-Alrazic al-Khateeb (age 16); Abdullah Ahmad Yassen (age 18); Abdullah Mohammed Ali Yassen (age 16); Issa Mahmoud Issa Abu Rahma (age 40); Mohammed Abdulkarim Mustafa Khatib (age 35). One of the the popular committee leaders.



The occupation forces threw sound bombs to disperse the villagers who were coming into the streets at day-break throwing rocks at the arriving Jeeps and the soldiers that were still partly disguised from the night. The Jeeps then parked at various locations with their engines running until the end of the operation at 6:45am.

The Popular Committee of Bil'in has asked the Human Rights Committee to assist with both the release of the arrested people and the request that the Israeli Army stop the night raids.

For more information, please contact:

Abdullah Abu Rahama- the popular committee against the wall coordinator\ Bil’in

0547258210 أو 0599107069

e-mail – lumalayan@yahoo. com

www.bilin-village. org
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Bil'in Weekly Prortest - This is Zionism [Update]

Hundreds Protest the Wall in Bil’in’s Weekly Demonstration

Friday 31\7\2009

Several dozen demonstrators suffered tear gas inhalation during their participation at the weekly demonstration in Bil’in against the wall, where the Israeli Occupation Forces opened their guns toward the demonstrators, as the whole area was covered with the tear gas fog, which caused tens of suffocation cases.

For the fifth year, Bili’n citizens, international supporters and Israeli peace activists participated in the weekly demonstration, raised the Palestinian flag, and banners condemning confiscating the Palestinian lands, and building the wall and the settlements.

Demonstrators have walked in the village streets, chanting slogans for national unity and calling for the immediate release for all detainees. Upon the demonstrators’ arrival at the wall gate, some of them tried to open it to enter their lands behind the wall, while the Israeli soldiers also began spraying the demonstrators with a green - colored water contaminated by waste animal manure and chemicals, resulting in the vomiting by many others. Some reports mentioned that the Israeli are using the skunk smell, which is very strong and can’t be removed from clothes. This colored water is one of the newly tested weapons that the Israelis are using against the demonstrators in Bil’in. The demonstrators dressed in plastic dresses, hats, gloves, and masks in order not to be affect by the chemical water and its noxious smell that the Israeli are using now against them.,

When the demonstrators arrived at the gate, Salih Ra’fat, the leader of Fda Party, spoke about Palestinians’ need for peace and their desire for it without Israeli’s policy of settlements and the wall. And Fabio, an Italian activist present today, called for solidarity with the Palestinian people to remove the Israeli occupation from Palestinian lands. After that, Gur, from Gosh Shalom (an Israeli Peace Party), issued a speech to the soldiers across the wall, asking them to withdraw from Palestinian lands and leave it for the Palestinian farmers who are the rightful owners.

In other news, dozens of Bil’in citizens, Israeli peace activists and International supporters, gathered Wednesday, night in a demonstration against the Israeli raids, invasions and night arrests. Demonstrators walked in the village streets, close to the wall area, holding lights, and chanting slogans against the occupation and the Israeli oppressive procedures against the Palestinians.

For more information, please contact:

Abdullah Abu Rahama- the popular committee against the wall coordinator\ Bil’in

0547258210 أو 0599107069

e-mail – lumalayan@yahoo. com

www.bilin-village. org

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Update:

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sábado, 1 de agosto de 2009

Protestos em Bil'in contra invasões noturnas do Exército de Israel

Bil’in Demonstrates Against the IDF’s Nightly Raids – At Night! – Again

On Wednesday night, July 29, one hundred villagers of Bil’in along with their International and Israeli supporters conducted a Protest March against the IDF’s nightly raids and detaining of Palestinian villagers.



The protest march began in the village of Bil’in, but buoyed by peace songs, chants, and flashlight-lit containers with peace messages written on them in over a dozen languages, the enthusiastic marchers walked down to the Separation Fence and where a 15-minute rally was held.

The lights and chanting attracted several Israeli military vehicles who launched several night flares (inducing exuberant cheering and vigorous waving of the Palestinian flags carried by several members) as the landscape brightened. It was reported that one tear gas canister was fired in the vicinity of the demonstrators, but no one was injured, fortunately.


Bil’in has been conducting regular protest marches against the illegal wall’s incursion into its farmland every Friday noon since 2005. Wednesday’s protest was the second weekly nighttime demonstration created by the Bil’in Popular Committee members. Their common purpose is to ‘take the message to the perpetrators’….that the wall’s location is illegal, that Israeli’s occupation of Palestine is wrong and harmful to the Palestinian people, and that the IDF’s night-time incursions into Bil’in’s peaceful village (arresting its youth and leadership) will be resisted with a wide variety of peaceful methods until justice is done.

For more information, please contact:

Abdullah Abu Rahama- the popular committee against the wall coordinator\ Bil’in

0547258210 أو 0599107069

e-mail – lumalayan@yahoo. com

www.bilin-village. org

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A night in Bilin

July 31, 2009

source : Electronic Intifada

by Jody McIntyre

Over the last few weeks, the residents of Bilin have been subjected to constant night raids by the Israeli military, in retaliation to their weekly nonviolent demonstrations, now in their fifth year, against the Apartheid Wall, which has stolen over half of their land. So far, 17 youths have been arrested, some as young as 16 years of age, usually for their participation in the demonstrations. Many of the boys will not see their family again for months. With the situation getting critical, local activists of the Bilin Popular Committee called for a night demonstration to protest against the raids.
bilin night

The village has become somewhat of a symbol of the Palestinian resistance, but they have often paid a heavy price for their spirit and resolve — the Israeli army respond to their non-violent actions with brutal force; tear gas, rubber-coated bullets, and live ammunition, in April of this year resulting in the death of Bassem Abu Rahma, a local resident.

Mohammed Khatib, a member of the Committee, explained the motivation behind the decision to have a demonstration at night, stating that, “No-one goes to sleep before four or five in the morning.” He added that, “We stay awake all night, observing the movements of the Israeli military, fearing that we may be the next person to be kidnapped and thrown in jail. Now it is time for us to seize the initiative.”

As we gathered in the center of the village, with the clock approaching midnight, there was a perceptible atmosphere of tension. This was the first attempt at a night demonstration, and I for one do not trust a teenage Israeli soldier with his finger on the trigger shooting in the dark. Nevertheless, we were determined to make our message clear — the night raids must end.

“We don’t want confrontation with the army… this is a peaceful demonstration!” announced Abdullah Abu Rahma, another member of the Popular Committee.


With a group of around 120 Palestinian, Israeli and international activists waving torches in the air, making our presence clear, we marched down toward the Wall, turning left before we reached it in order to avoid provoking the military. All the way chanting:

“No, no to the Wall!”

From there, the path got tougher, my wheelchair grinding over gravel as we continued forging our way through the dark. The whole time we had one eye over our shoulder — considering the tear gas, sound bombs and other weapons we are usually greeted with, God knows how they would respond to this new development.

We reached an open area, and climbed up onto the grassy bank, looking down at the soldiers now frantically patrolling the Wall. We proudly waved our Palestinian flags, and lit bonfires to mimic the “camp-fires” the Israeli army set up every night, presumably to keep the people of Bilin on edge.

Sarah, an Egyptian activist attending the demonstration, told me about the affect of the raids on family life. She explained that, “It’s terrible… even the children can’t sleep. They are being deprived of one of their most fundamental human rights.”

As we stood around our make-shift fires, I was filled with feelings of both relief, that we had not been shot at, and of achievement, that we had managed to seize the initiative from the occupying forces. After many sleepless nights waiting and searching for invading soldiers, it was a great release of frustration to show that we would not stand for this injustice any longer.

The army clearly didn’t have a clue how to respond, firing flares into the sky to get a better look at our activities. The result was magnificent views of incredible beauty — you could see for miles!

“Thank you very much,” said Haitham al-Katib, Bilin’s resident film-maker.

The people of Bilin responded with trademark humor, a nearby family firing flares of their own, as an impromptu firework display emanated from the house, prompting cheers all round.

After more uphill marching, by which time my wheelchair was struggling but assisted by the pushing of Palestinian friends, we returned to the village unscathed.

Everyone agreed that the action was a success — we had really turned the tables on the Israeli army, and we vowed to integrate the new tactic into our ongoing campaign of nonviolent resistance.

So it looks like there will be more sleepless nights for Bilin, but for a completely different reason.

Jody McIntyre is a journalist from the United Kingdom, currently living in the occupied West Bank village of Bilin. Jody has cerebral palsy, and travels in a wheelchair. He writes a blog for Ctrl.Alt.Shift, entitled “Life on Wheels,” which can be found at www.ctrlaltshift.co.uk. He can be reached at jody.mcintyre (at) gmail (dot) com.
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sábado, 20 de junho de 2009

USP Invadida: PM sairá da USP

A reitora finalmente entendeu que PM não USP não dá. Os grevistas suspenderão os piquetes nos dias de negociação e a reitora resolve deixar um pouco da truculência de lado e negociar. É um começo.

Espera-se, porém, que a negociação seja de duas vias, que a reitora aceite as reivindicações, ou então os piquetes serão retomados e a situação voltará à estaca zero. A reitoria e o governo tem que deixar a intransigência de lado e colocar as opções na mesa, dialogar, conversar e aprender a ceder, caso queira que as aulas e o clima voltem ao normal.

A reitora realmente espera manter-se no cargo baixo sua intransigência? Serra realmente acha que será presidente com diversas batalhas campais às suas costas (USP, PM versus Civil, etc)? Realmente o vampiro anêmico acha que seu passado de "grande negociador" não virá à tona?

Veio do blog do Joildo:

Decisão foi tomada após funcionários grevistas decidirem suspender os piquetes, pelo menos em dias de negociação

Saída dos policiais militares, no entanto, pode não ser definitiva, mas dependerá do andamento das negociações, que começam na segunda

TALITA BEDINELLI
DA REPORTAGEM LOCAL

A reitoria da USP afirmou ontem que a Polícia Militar deixará, na segunda-feira, a Cidade Universitária (zona oeste de SP). A decisão foi tomada depois que funcionários, em greve desde 5 de maio, decidiram suspender os piquetes -que tinham como objetivo fechar as portas de oito prédios da USP, incluindo o da reitoria.
A saída dos policiais, no entanto, pode não ser definitiva, já que os manifestantes dizem que os piquetes só serão suspensos em dias de negociação.
“Se a negociação for segunda e quarta, por exemplo, na terça faremos o piquete”, disse Magno de Carvalho, diretor de base do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP).
Os piquetes eram o último impasse para a retomada das negociações entre grevistas de USP, Unesp e Unicamp e as reitorias das três universidades.
Por causa dos bloqueios aos prédios, a PM ocupa a USP desde o começo do mês para cumprir um mandado de reintegração de posse pedido pela reitora Suely Vilela. Em resposta à entrada da PM, parte dos professores e estudantes da USP decidiu aderir à greve em 5 de junho. Eles pedem ainda que a reitora deixe o cargo.
As negociações haviam chegado a um impasse: os grevistas afirmavam que não as retomariam enquanto a PM estivesse no campus; a reitora dizia que os policiais só sairiam quando os piquetes terminassem.
No dia 9, após um ato na USP, PMs entraram em confronto com alunos e servidores, deixando dez feridos.
Ontem, o Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) confirmou que a negociação com o Fórum das Seis -entidade que representa alunos, funcionários e professores das três universidades- está marcada para segunda, às 14h.

Reivindicações
Entre as reivindicações dos grevistas, estão reajuste salarial maior e a readmissão do sindicalista Claudionor Brandão.
O diretor de base do sindicato voltou ontem a defender os piquetes, dizendo que eles são necessários para evitar que os trabalhadores em greve sejam obrigados pelos chefes a retornar ao serviço. “Eles ligam ameaçando, dizendo que o prédio está aberto e que, se os trabalhadores não voltarem, podem sofrer consequências.”
A assessoria de imprensa da reitoria afirmou que não há como verificar a veracidade das informações, porque não há nenhuma reclamação de trabalhadores em greve contra os supostos assédios dos patrões.
Com a presença da PM no campus -pela primeira vez no dia 1º de junho e permanentemente a partir do dia 3-, os manifestantes iam até as portas dos prédios diariamente, mas não conseguiam bloqueá-las.
O Sintusp afirmava, no entanto, que, no momento em que os policias saíssem, as portas seriam bloqueadas de novo.
Para segunda-feira, dia da negociação, os grevistas da USP marcaram um novo ato em frente à reitoria. A manifestação deve contar também com a presença de grevistas da Unesp e da Unicamp.

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quinta-feira, 18 de junho de 2009

USP Invadida: Vergonha na Paulista

Não, apesar do título dar a entender, minha crítica não é ao protesto, que por sinal apóio incondicionalmente!

A crítica vai à vergonha que foi o episódio - ou episódios - de intransigência, desrespeito, violência (e quais outros adjetivos couberem para descrever o comportamento imbecil dos que são contra a greve ou sequer sabem o que acontece) contra os manifestantes na Paulista.

Podem reclamar de barulho, podem reclamar do trânsito, da confusão, do que quiser, mas é direito legítimo o protesto, a manifestação, a passeata.

5 mil pessoas, entre estudantes, professores e funcionários fizeram uma bela manifestação na Paulista, legítima, democrática, ordeira, e foram covardemente atacados por algum imbecil - sim, porque não tem nome melhor, não dá pra "pegar leve" - com ovos, cubos de gelo e, pasmem, garrafas de vidro!

Como pode um ser jogar garrafas de vidro do décimo segundo andar de um prédio contra estudantes! Contra seres humanos!

Será que este ser, este imbecil, não sabia que poderia causar a morte de alguém? Ou seria sua intenção, a maneira da direita "protestar", com violência?

Este energúmeno deve ser prontamente identificado, processado e preso, por tentativa de homicídio pois sua atitude demonstra que era essa a intenção, pois pessoas normais não jogam garrafas de vidro sobre pessoas que protestam pacificamente - nem que não fosse um protesto pacífico!

Uma estudante de Ciências Sociais de 22 anos foi atingida por uma pedra de gelo, nos informa o G1. Menos mal que não foi uma garrafa, mas, ainda, o autor tem que ser processado e preso, da mesma maneira, pois cometeu um crime, uma agressão, uma tentativa de homicídio clara.

Isso me faz lembrar de algo que ocorreu na PUC, nas assembléias pré-invasão da reitoria, onde os mauricinhos do prédio em frente ao TUCA começaram a jogar pedras e ovos em quem estava na assembléia, com centenas de estudantes reunidos.

Atitude lamentável, repressora, violenta e criminosa. Mas não se pode esperar muito em um país onde impera o autoritarismo, o coronelismo e a bandalha geral. Onde Sarneys são defendidos pelo antigo líder da Esquerda e atual presidente, em uma demonstração de que não existe peroba na política federal, onde Paloccis são inocentados e etc, etc, etc....
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terça-feira, 16 de junho de 2009

USP Invadida: Ato dia 18/06, 12h, MASP! [2]


Apenas para acrescentar mais informação ao post original e trazê-lo "para cima".

FORA SUELY, FORA PM PELA IMEDIATA REABERTURA DAS NEGOCIAÇÕES, PELA IMEDIATA INCORPORAÇÃO DO BRANDÃO, CONTRA A UNIVESP!
Todos ao ATO
quinta-feira
18 junho | meio-dia
no MASP
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Update:

USP: diálogo ou monólogo?

CAIO VASCONCELLOS e ILAN LAPYDA


A reitoria fechou os canais de negociação. Isso expressa seu caráter autoritário e é coerente com a estrutura de poder da USP, infelizmente

APÓS MAIS de uma semana de presença da Polícia Militar no campus da USP, a política repressiva da reitora Suely Vilela culminou na batalha campal de 9 de junho.
O conflito que se deu depois do fim da manifestação pela retirada da PM não se limitou ao portão principal, mas se estendeu até a parte central do campus, algo que não se via desde a ditadura militar: bombas de gás e de concussão, balas de borracha, prisões e um saldo de policiais, estudantes, professores e funcionários agredidos e feridos. É fundamental, pois, avançarmos no debate sobre a questão.
A reitoria fechou os canais de negociação com os movimentos da USP, deslegitimando a política como esfera de solução de conflitos e recorrendo a uma força externa de repressão.
Essa opção, que expressa seu caráter autoritário, infelizmente coerente com a estrutura de poder da USP, possui a especificidade de ser uma reação às atuais pressões externas e internas por democracia.
A USP tem enorme concentração de poder: apenas os professores titulares são elegíveis ao cargo de reitor, e este é eleito praticamente só por professores titulares. O colégio eleitoral do segundo turno, que de fato elege o reitor, restringe-se a cerca de 300 membros, dos quais 85% são professores (desses, mais de 90% são titulares), menos de 15% estudantes e apenas 1% funcionários.
Além disso, os membros do Conselho Universitário, instância máxima de decisão da USP e presidido pelo reitor, são em sua maioria professores titulares (cerca de 75%), muitos dos quais diretores de unidade -e, portanto, escolhidos pela reitoria.
As decisões mais importantes da universidade ficam concentradas nas mãos desses professores, que, segundo dados da USP, somam menos de 1% da comunidade universitária.
São números que relativizam as críticas de quem questiona a legitimidade das assembleias da Adusp (Associação dos Docentes da USP), do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) e do movimento estudantil para se furtar ao debate político.
Além do fator estrutural, há um movimento crescente de autoritarismo que torna mais opacas as decisões políticas na USP.
Desde maio de 2008, as reuniões do Conselho Universitário não têm ocorrido em seu devido local, no prédio da reitoria, mas no Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares), área com proteção militar e não pertencente à USP.
Ao todo, cinco reuniões foram realizadas no Ipen. Em duas delas, os representantes estudantis e dos funcionários não foram avisados da mudança de local, o que resultou na aprovação do orçamento para 2009 e na reforma do estatuto da USP sem as suas presenças, além de outros graves problemas procedimentais na votação.
Tais ilegalidades estão sendo contestadas na Justiça, por meio de um mandado de segurança articulado pela Associação dos Pós-Graduandos da USP-Capital e impetrado por alguns representantes discentes (processo 053.09.012697-4). Ou seja, estamos "explorando a legislação vigente", ao contrário do que sugeriu o professor José Arthur Giannotti neste espaço na última quinta-feira.
Fatos dessa gravidade, aliados a outras formas de obstrução da já reduzida participação dos representantes discentes (RDs) nos conselhos decisórios, explicitam o que são as "vias institucionais" da USP.
Além de dispensar tratamento de segunda classe aos RDs, a Secretaria-Geral da USP, desde o início do ano e após seis pedidos formais de homologação, recusa-se a empossar os representantes da pós-graduação, baseando-se em uma nova interpretação "sui generis" e descabida do regimento interno da universidade.
Assim, depreende-se facilmente a falácia do conceito da reitora de "diálogo" e "convivência social pacífica".
Não seria a reitora, bem como o grupo do Conselho Universitário que legitima suas medidas por meio de "resoluções", o pivô da violência e da violação -das instituições, da democracia e da política-, ao se esconder em área militarizada e militarizando o campus para não se abrir ao debate?
Como a reitora, com a conivência da maior parte do Conselho Universitário, orquestra votação de temas fundamentais impedindo a presença da representação estudantil?
O atual clima de horror é incompatível com as funções de reflexão crítica e produção científica independente. A USP deveria ser o espaço do diálogo efetivo, e é ele que deve mediar os legítimos conflitos políticos.
Se a democracia está travada e a violência parte da reitoria, ao se furtar ao debate e recorrer à repressão policial, fica claro que Suely Vilela não possui condições nem competência de se manter no cargo e que a atual estrutura de poder tem de ser radicalmente transformada.

CAIO VASCONCELLOS, 27, e ILAN LAPYDA, 25, formados em ciências sociais, são mestrandos em sociologia na USP e coordenadores da Associação de Pós-Graduandos da USP-Capital, que ratifica este texto.

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USP Invadida: Ato dia 18/06, 12h, MASP! [Update]

FORA SUELY, FORA PM PELA IMEDIATA REABERTURA DAS NEGOCIAÇÕES, PELA IMEDIATA INCORPORAÇÃO DO BRANDÃO, CONTRA A UNIVESP!
Todos ao ATO
quinta-feira
18 junho | meio-dia
no MASP
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Update:

USP: diálogo ou monólogo?

CAIO VASCONCELLOS e ILAN LAPYDA


A reitoria fechou os canais de negociação. Isso expressa seu caráter autoritário e é coerente com a estrutura de poder da USP, infelizmente

APÓS MAIS de uma semana de presença da Polícia Militar no campus da USP, a política repressiva da reitora Suely Vilela culminou na batalha campal de 9 de junho.
O conflito que se deu depois do fim da manifestação pela retirada da PM não se limitou ao portão principal, mas se estendeu até a parte central do campus, algo que não se via desde a ditadura militar: bombas de gás e de concussão, balas de borracha, prisões e um saldo de policiais, estudantes, professores e funcionários agredidos e feridos. É fundamental, pois, avançarmos no debate sobre a questão.
A reitoria fechou os canais de negociação com os movimentos da USP, deslegitimando a política como esfera de solução de conflitos e recorrendo a uma força externa de repressão.
Essa opção, que expressa seu caráter autoritário, infelizmente coerente com a estrutura de poder da USP, possui a especificidade de ser uma reação às atuais pressões externas e internas por democracia.
A USP tem enorme concentração de poder: apenas os professores titulares são elegíveis ao cargo de reitor, e este é eleito praticamente só por professores titulares. O colégio eleitoral do segundo turno, que de fato elege o reitor, restringe-se a cerca de 300 membros, dos quais 85% são professores (desses, mais de 90% são titulares), menos de 15% estudantes e apenas 1% funcionários.
Além disso, os membros do Conselho Universitário, instância máxima de decisão da USP e presidido pelo reitor, são em sua maioria professores titulares (cerca de 75%), muitos dos quais diretores de unidade -e, portanto, escolhidos pela reitoria.
As decisões mais importantes da universidade ficam concentradas nas mãos desses professores, que, segundo dados da USP, somam menos de 1% da comunidade universitária.
São números que relativizam as críticas de quem questiona a legitimidade das assembleias da Adusp (Associação dos Docentes da USP), do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) e do movimento estudantil para se furtar ao debate político.
Além do fator estrutural, há um movimento crescente de autoritarismo que torna mais opacas as decisões políticas na USP.
Desde maio de 2008, as reuniões do Conselho Universitário não têm ocorrido em seu devido local, no prédio da reitoria, mas no Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares), área com proteção militar e não pertencente à USP.
Ao todo, cinco reuniões foram realizadas no Ipen. Em duas delas, os representantes estudantis e dos funcionários não foram avisados da mudança de local, o que resultou na aprovação do orçamento para 2009 e na reforma do estatuto da USP sem as suas presenças, além de outros graves problemas procedimentais na votação.
Tais ilegalidades estão sendo contestadas na Justiça, por meio de um mandado de segurança articulado pela Associação dos Pós-Graduandos da USP-Capital e impetrado por alguns representantes discentes (processo 053.09.012697-4). Ou seja, estamos "explorando a legislação vigente", ao contrário do que sugeriu o professor José Arthur Giannotti neste espaço na última quinta-feira.
Fatos dessa gravidade, aliados a outras formas de obstrução da já reduzida participação dos representantes discentes (RDs) nos conselhos decisórios, explicitam o que são as "vias institucionais" da USP.
Além de dispensar tratamento de segunda classe aos RDs, a Secretaria-Geral da USP, desde o início do ano e após seis pedidos formais de homologação, recusa-se a empossar os representantes da pós-graduação, baseando-se em uma nova interpretação "sui generis" e descabida do regimento interno da universidade.
Assim, depreende-se facilmente a falácia do conceito da reitora de "diálogo" e "convivência social pacífica".
Não seria a reitora, bem como o grupo do Conselho Universitário que legitima suas medidas por meio de "resoluções", o pivô da violência e da violação -das instituições, da democracia e da política-, ao se esconder em área militarizada e militarizando o campus para não se abrir ao debate?
Como a reitora, com a conivência da maior parte do Conselho Universitário, orquestra votação de temas fundamentais impedindo a presença da representação estudantil?
O atual clima de horror é incompatível com as funções de reflexão crítica e produção científica independente. A USP deveria ser o espaço do diálogo efetivo, e é ele que deve mediar os legítimos conflitos políticos.
Se a democracia está travada e a violência parte da reitoria, ao se furtar ao debate e recorrer à repressão policial, fica claro que Suely Vilela não possui condições nem competência de se manter no cargo e que a atual estrutura de poder tem de ser radicalmente transformada.


CAIO VASCONCELLOS, 27, e ILAN LAPYDA, 25, formados em ciências sociais, são mestrandos em sociologia na USP e coordenadores da Associação de Pós-Graduandos da USP-Capital, que ratifica este texto.

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