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sábado, 24 de março de 2012

Maria do Rosário, a oportunista ou a prisão dos bandidos do SilvioKoerich.org

Dois dos "controladores" do site homofóbico, machista, racista e incitador da violência "SilvioKoerich.org", Marcelo Valle (em Brasília, e figura já conhecida da blogosfera e reincidente no crime) e Emerson Rodrigues (em Curitiba) foram presos depois de uma ampla campanha nas redes sociais e também de uma mobilização de ativistas e mesmo políticos (em especial de Jean Wyllys, que foi ameaçado de morte por vários perfis fakes controlados pela gangue) que foram até a Polícia Federal e à Polícia Civil abrir inquéritos e buscar justiça.

A Safernet recebeu quase 70 mil denúncias de perfis relacionados à gangue e também direamente do site criminoso. O ativista @Caribé realizou uma ampla pesquisa - que juntei ao inquérito que o MP abriu em meu nome na Polícia Civil contra o Marcelo Valle - coletando diversos perfis do Twitter ligados à gangue, ao passo que o pessoal do Anonymous realizou outra grande pesquisa e entregou os dados para o Jean Wyllys que acionou a Polícia Federal.

Só para se ter uma noção, po exemplo, do trabalho feito pelo @Caribe, ele conseguiu linkar os perfis @frontnacional, @JuTedesco, @psycl0n, @danihallac, @homofobiasim, @Anjooslava, entre outros, a perfis no Orkut e de outras redes.

Assim como o Jean, também fui ameaçado de morte por perfis ligados ao Valle e Rodrigues e vários outros blogueiros e ativistas sentiram o gosto das ameaças covardes do grupinho. Pode-se falar efetivamente em uma mobilização para caçar estes criminosos e agora temos de manter a pressão e levar todos os processos e inquéritos em frente.

Agora, depois das prisões efetuadas, a surpresa: A Ministra da SEDH resolveu surfar na ação da PF e tomar para si os louros da prisão dos dois bandidos racistas e homofóbicos.

Não há sequer como disfarçar que a intenção da Maria do Rosário é  de disfarçar a completa inércia de sua secretaria, em especial no combate à homofobia. Existe a possibilidade de a SEDH ter se movido minimamente depois de anos de denúncias na Safernet, na polícia e etc, vendo a oportunidade de fingir que combatem a homofobia? Claro. Mas nada disso muda o quadro geral, de homofobia institucionalizada e oficial no governo Dilma.

Aliás, se o blog SilvioKoerich.org pregasse o ódio apenas contra gays - como fazem milhares de sites de Marginais da Fé e seus trouxas fiéis  - nada aconteceria. Mas como há ódio contra mulheres, pedofilia e incitação clara à violência e assassinato, alguém teve de se mover.

Vejam alguns comentários no Twitter:

Como se vê, a maioria não é "psolista", como gostam os governistas de chamar quem se opõe ao governo ou a setores deste.

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Por orientação de meu advogado, retirarei do ar a Representação Criminal que havia postado.
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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Do ECAD ao Paulo Coelho: A saga do MinC continua ...

Por Reginna Sampaio, @BrazilPalestine, para o Blog do Tsavkko.

Já é normal a grande quantidade de acontecimentos estranhos vindos do MinC mas o que nos chama atenção agora é o Festival Europalia. Esse festival, já em sua 23.ª edição, é um megaevento cultural europeu que acontece na Bélgica ( que se estenderá por mais cinco países - Luxemburgo, Holanda, Alemanha e França - ) e que terá em 2011 o Brasil como tema.

A importância do Festival é tamanha que será aberto esse ano , dia 04 de outubro , pela Presidente Dilma.

Até ai tudo normal não fosse um curioso fato: O descontentamento dos organizadores belgas com as atrações culturais que serão levadas pelo Brasil ao evento. Esse descontentamento se daria porque as atrações culturais que estarão sendo levadas seriam de pouca expressividade .

Essa pouca expressividade, segundos os belgas, fica notória principalmente no tocante as atrações musicais e literárias. Esperava-se que o Brasil levasse à Bélgica grandes nomes da música popular brasileira o que não vai acontecer. Porém o que trouxe mais indignação aos organizadores do evento tem nome e sobrenome: Paulo Coelho .

Não é novidade alguma que Paulo Coelho é hoje a maior referência que se tem no exterior da produção cultural brasileira e exatamente por isso a organização do evento achava vital a presença dele no festival. Usando-se sabe lá quais critérios o MinC foi contra o que foi proposto pela organização do evento e decidiu não levar o escritor carioca ao festival.

A partir daí as relações entre a organização do festival e o MinC desandaram de vez. Declarou a Ministra Ana de Hollanda: "A visão dos belgas não é a mesma que a nossa, precisa haver um afinamento". Bem, a visão dos belgas é clara: levar ao festival os nomes mais expressivos da produção cultural e artística brasileira. Resta então a dúvida: Qual será a visão do MinC?

Diante toda essa celeuma entre os organizadores do festival e o MinC a curadora Flora Süssekind se posicionou da seguinte forma, referindo-se aos organizadores belgas: "São pessoas despropositadas que não tem informações sobre o que está acontecendo".

Apesar disso Flora Süssekind solicitou aos organizadores do festival a utilização do centro cultural Bozar, um dos mais importantes centros culturais europeus, tendo ouvido a seguinte resposta: "não podemos receber nesse espaço ninguém menos que o escritor Paulo Coelho" resposta essa baseada no fato de que apenas ele conseguiria lotar o espaço.

Então Flora Süssekind decidiu dispensar a utilização do espaço cultural Bozar pelo Brasil .

Ante todos esses fatos e somado ao fato de que o Brasil gastará nesse evento 30 milhões de reais, o mais caro projeto até agora realizado pelo MinC, ficam algumas questões:

1 - Quais os critérios utilizados pelo MinC na escolha daqueles que vão representar o Brasil em eventos nos quais são utilizados verbas públicas?

2 - Sendo o Festival Europalia o maior evento cultural da europa porque, e justamente no ano em que o Brasil será homenageado, decidiu o MinC levar atrações culturais de menor expressividade tanto no Brasil quanto no exterior?

3 - Será que não houve realmente um preconceito do MinC contra o escritor carioca Paulo Coelho como ele mesmo disse na rede social twitter (mas para usar a imagem do escritor como um dos propagandistas da Rio 2016 não houve qualquer preconceito. Dois pesos e duas medidas ? ). Links para tuítes do Paulo Coelho: 1, 2 e 3.  

4 - A produção artística e cultural brasileira, apesar da pouca expressividade das atrações, está realmente sendo bem representada no Festival Europalia? Se está então porque os produtores do evento ficaram tão chateados e segundo a própria Flora Süssekind estão demonstrando agora "total desinteresse"?

5 - Os 30 milhões que estão saindo dos cofres públicos estão sendo bem empregados ?

Com a palavra o MinC ....

Links pertinentes: "Barrado na Belgica", do blog do Paulo Coelho, Barrados na Bélgica, da Folha e matéria sobre como ana de Hollanda é amada.

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Faço alguns comentários:

É um assunto interessante. Quem são os artistas de "menor expressividade" convidados pelo MinC? Há, aí, alguma tentativade promover artistas menores ou é apenas jogo de cena do ministério?

A pergunta é pertinente, pois o que mais vemos são financiamentos sem qualquer propósito - relembrem o caso da bolada para um blog da Maria Bethânia - para medalhões, enquanto os verdadeiros promotores de cultura livre e alternativa ficam à mingua. O caso dos Pontos de Cultura são apenas um exemplo da exclusão ao alternativo e popular promovido por Ana de Hollanda, ministra da Cultura (de qual cultura não se sabe).

Não sou leitor do Paulo Coelho, não tenho grande interesse por seus temas, mas nutro alguma simpatia por sua defesa do compartilhamento livre de cultura, algo que o faz se chocar diretamente com o MinC. Paulo Coelho chegou a escrever para grandes jornais defendendo o que conhecemos por pirataria, enqunto o MinC sob a (falta de) gestão de ana de Hollanda se aproximou do ECAD, pôs um ponto final na discussão da cultura livre e até mesmo ensaiou aproximação com gravadoras e detentores de copyright.

Não surpreende, pois, se a questão toda não se basear apenas em briguinha pessoal da Ministra com Paulo Coelho, usando "artistas de menor expressão" como desculpa.

A idéia de levar artistas menores, mas bons, não é ruim. Ou não seria, se Ana de Holanda tivesse algum histórico de incentivar esta classe. Seus incentivos se limitam aos mais abonados e famosos, tanto via financiamentos gigantes a medalhões, como seu apoio ao ECAD.

Enfim, é pertinente questionar quais os critérios usados pelo MinC na seleção dos artistas e porque investir tanto dinheiro em um evento que, aparentemente, não receberá ou não recebe tanta atenção do ministério?

As ações de Ana de Hollanda como ministra contradizem qualquer boa vontade e tentativa de inovar e promover diversidade na questão do festival.
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quarta-feira, 11 de maio de 2011

Mais do mesmo: A Audiência com Ana de Hollanda na ALESP #ForaanadeHollanda #mobilizacultura

Um encontro tenso - ao menos pelo que foi possível acompanhar pelo péssimo streaming da TV ALESP - em que a Ministra Ana de Hollanda buscou escapar das perguntas incômodas e se fazer de desentendida.

Duramente questionada por muitos, Ana de Hollanda falou, mas não disse nada. Sobre falta de pagamento dos pontos de cultura se limitou a dizer que o orçamento do ministério está comprometido e que não pagou porque não tinha dinheiro.

Ponto.

Oras, fico me perguntando, se eu estiver sem dinheiro e não pagar minhas contas corro o risco de ficar sem luz, água, telefone e posso até perder meu imóvel, não é mesmo?Mas se o MinC não paga suas contas, o que acontece? Nada. A Ministra pede desculpas - ou nem isso, pois ela se justificou, mas não se desculpou, coisas diferentes - e fica tudo bem.... pra ela! Porque quem precisa pagar as contas fica no prejuízo sem nem a promessa de que será pago.

Sobre burocracia, Ana de Hollanda bateu de frente com o grande Zé Celso Martinez, que por várias vezes a interrompeu para criticá-la pelas besteiras, absurdos e mentiras que contava. O mesmo Zé Celso fez um excelente discurso, questionando a gestão da ministra e sua falta de realizações ou mesmo de interesse me ouvir a classe artística (segundo ele forma 4 meses tentando contato e nada de resposta).

Zé Celso ainda criticou o encontro da Ministra com um emissário dos EUA para discutir copyright (os EUA defendem uma lei ainda mais rígida na proteção dos direitos autorais e na máxima criminalização de quem quer apenas ter acesso à cultura), ao que ela desconversou afirmando ser o Brasil país soberano.

Esta visita se deu ao mesmo tempo que a de Obama, que resultou na vergonhosa prisão de 13 militantes e no pedido - acatado - de Obama a Dilma para que o Brasil condenasse o Irã.

A certeza é a de que a ministra teve uma excelente conversa com o representante dos EUA, mas podemos apenas conjecturar se foi esta conversa que motivou o abandono completo dos anos de discussão sobre a reforma da LDA (Lei de Direitos autorais) e a re-criação da mesma reforma de forma analógica e anti-democrática.

No evento de ontem Ana de Hollanda disse que a razão da nova consulta (e abandono da anterior) vem da reclamação de alguns "grupos" insatisfeitos, que não se sentiram contemplados. Nenhuma palavra sobre QUAIS grupos e quais foram as reclamações. Se pudesse apostar eu diria: Gravadoras, distribuidoras e EUA. Além dos medalhões da música que ganham alto e não querem compartilhar.

O IDEC questionou a nossa atual LDA, a quarta pior do mundo, e a resposta única foi a de que o MinC está preocupado com a questão. A proposta do MinC, aparentemente, é a de querer sair do quarto para o primeiro lugar.

Questionada sobre o ECAD, Ana de Hollanda falou que seria uma boa idéia e que é estudada uma "supervisão" ao organismo, mas, claro, disse que é preciso ter em mente os limites legais. Tradução: não faremos nada, mas vamos fingir que trabalhamos.

Confrontada com a carta do Mobiliza Cultura, com várias críticas à gestão do MinC, a ministra preferiu dizer que não era com ela - mas direcionadas à Dilma - e escapar do incômodo de responder. Zé Celso, mais uma vez, criticou a ministra duramente por isto. Não fez nenhuma diferença, a carta foi ignorada.

Um exemplo de democracia,a  reunião garantia dois minutos de fala para os críticos, mas deputados como Ênio Tatto e Telma de Souza falavam livremente - e puxavam o saco da Ministra.

Telma de souza, democrata nata que ameaçou processar o Eleitor 2010 por uma denúncia de que seu material de campanha atrapalhava o trânsito em Santos ao invés de dialogar e resolver o problema, tomou o microfone para usar e abusar de retórica stalinista, ameaçando claramente os críticos de Ana de Hollanda oa dizer que criticar a gestão do MinC é fazer coro à mídia e ir contra o governo.

Este expediente é antigo, usado mesmo por blogueiros fanáticos seja em períodos eleitorais ou apenas por costume, para calar a oposição. Coisas como "ou você está com Dilma ou com Serra" ou "não é hora de criticar pois a direita é forte" são faces do mesmo stalinismo que busca limitar o debate.

Minha cara Telma de Souza, criticar o MinC é criticar o... MinC e sua gestão desastrosa. Mas, se Dilma está efetivamente bancando esta gestão vergonhosa então sim, é criticar com toda propriedade a presidente que está dando um tiro no pé e contribuindo não só para afastar parte da militância como também contribuindo para destruir a cultura brasileira.

O que Telma de Souza tenta fazer é algo já conhecido, é o velho "cala-boca" stalinista internalizado por parte da esquerda - e da dita esquerda - brasileira.

Uma coisa é fato, Ana de Hollanda conta - ao menos publicamente - com total apoio das lideranças do PT. Desde o presidente do PT Rui Falcão até a presidente Dilma. Estes aparentemente não se importam com as críticas da militância, de muitos artistas e de quem está ligado à cultura digital.

Preferem continuar bancando uma figura que defende apenas os interesses de uma elite ligada à cultura e, pior, de gravadoras e grandes empresários, contra o grosso da população, que permanece alheia aos benefícios de uma cultura livre.

Não podemos compartilhar músicas, vídeos porque é crime, não podemos copiar livros para estudar porque é crime, não podemos nem cantar musicas em festinhas de aniversário, porque se não pagarmos ao ECAD, é crime. Todas as práticas culturais livres, o compartilhamento e a troca de cultura são consideradas ilegais e o MinC não dá mostras de que tentará mudar a situação.

Pelo contrário, a intenção é criminalizar ainda mais.
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"Uma bolinha de papel me acertou!"

Para completar, Ana de Hollanda - segundo o excelente blog Maria da Penha Neles - deve ter feito estágio com o Serra  no caso da Bolinha de Papel.

Ao se retirar do auditório da ALESP, Ana de Hollanda, sempre muito democrática, mandou a PM "afastar gentilmente" os jornalistas que esperavam do lado de fora e saiu com as mãos na cabeça, como se tivesse sido atingida por uma bolinha de papel ou simplesmente quisesse, como criminosa, esconder o rosto.

Mas, segundo fontes locais me informaram, não passou de um passarinho cantor que deu uma bela cagada defecada na cabeça da ministra, pois recebeu notificação do ECAD para só cantar suas músicas depois de pagar à organização mafiosa.
"Imprensa má, seus flashes me farão virar pó!"

Ana de Hollanda só permite fotos suas se passando por toda a burocracia do MinC e pagando direitos... Só pode!
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terça-feira, 19 de abril de 2011

Ana de Hollanda, você está fazendo isto errado!

A estupidez e a incapacidade de Ana de Hollanda de sair dos anos 70 impressiona. E o PT, infelizmente, parece não ter entendido a piada. Mesmo sem querer, Ana nos faz rir - especialmente de desespero.

A Ministra da Cultura falar em inclusão, ao mesmo tempo em que louva a indústria cultural (ela não consegue superar a indústria), é o mesmo que o Azeredo falar em liberdade. Simplesmente não combina.

Sua idéia de inclusão é a mesma que as grandes gravadoras tem: Vamos patrocinar shows do Luan Santana achando que é cultura ou da Ivete Sangalo... Ou melhor, vamos dar milhões pra um blog da Maria Bethânia e achar que, agora sim, a "cultura" irá se espalhar pelo país.

Não estou dizendo que os dois primeiros refugos artistas da lista não promovam ou sejam parte do que chamamos de cultura, mas sim que já há muito a "cultura" tem se resumido a eles e semelhantes. Tem se resumido a mega eventos de quem está longe de precisar de qualquer incentivo. Abandona-se o local, o tradicional e mesmo o original em troca do puramente midiático e supervalorizado.

Com o Vale Cultura, idéia inicialmente boa, a ministra deve esperar que quem ganha Bolsa Família compre um CD - no máximo, ainda faltando um pouco pra "inteirar", dois - da EMI ou da Sony todo mês. Não há qualquer iniciativa para fomento de cultura popular, de cultura genuinamente local, apenas incentivo aos que já tem dinheiro suficiente e capacidade para captá-lo sem necessidade de incentivo fiscal algum.

Privilegia-se eternamente a indústria e seus protegidos. A indústria que muitas vezes fabrica o artista e ao mesmo tempo o anula, impondo contratos que limitam a mínima capacidade criativa (dos que chegam a ter alguma).

Para Ana de Hollanda, incentivar cultura é dar ainda mais espaço pra artista que está todo domingo no Faustão. É vender ingresso de blockbuster, é financiar a indústria cultural, achando que isto significa incentivar a cultura. E está errada.

Curioso o papo da "inclusão" quando os Pontos de Cultura são ameaçados e tem de brigar ferozmente para receber o que lhes é devido. Difícil entender o que, em época de PNBL, se entende por cultura excluindo a Cultura Digital da jogada.

O MinC defende descaradamente a indústria, é contra o compartilhamento e se alinha com os EUA na busca por um endurecimento do direito autoral. Veja, aliás, o que diz um "amigo" da Ministra:
Eles [defensores do Creative Commons] nem sempre concordam com o que pregamos. E você está falando em democratizar a cultura, isso não está entre os nossos interesses. Realmente não é a minha seara.
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Sobre Creative Commons, aliás, recomendo este post. Vale também retomar o post sobre o caráter (ou a falta) da ministra, que se vale de capangas e jogo sujo para se manter no poder e destruir nossa cultura.
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Ana de Hollanda pensa unicamente em termos de consumo, consumo de bens. O Vale Cultura exigirá que o beneficiário tenha carteira assinada, logo, impedirá muitos brasileiros de terem acesso à cultura... E que cultura? CD's de grandes gravadoras, shows financiados com dinheiro público ou através da Lei Rouanet (que no fim também é dinheiro público através de isenção de impostos) de quem não precisa (os mesmos que vendem CD's pela indústria) e por aí vai...

Mas cultura popular, cultura digital, nem uma palavra. Ou melhor, o silêncio aparente esconde ações nos bastidores para destruir as conquistas alcançadas.

A ideia de promover cultura através do Vale-Cultura, com esse MinC, é a de dar dinheiro para cinemas caríssimos e muito acima do preço justo (sem explicar, com o preço absurdo das passagens do transporte público em diversas cidades, como as pessoas chegariam ao cinema, sem falar na ampla maioria das cidades que nem cinema tem!), é dar dinheiro para comprar CD's a 40 ou 50 reais da indústria predatória...

Mas o MinC promover cultura de graça, cinemas populares, artistas novos e alternativos que produzem a baixíssimo custo, cultura digital e etc...? Nem pensar!

O Ministério da Cultura representa a indústria. E apenas a indústria. O povo é apenas um detalhe.
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sábado, 2 de abril de 2011

Creative Commons, Controle da rede e os inocentes bem intencionados

Desde antes das eleições eu já havia notado - na verdade eu sempre soube - que o PT era um partido blindado por uma militância muitas vezes acrítica.

Parece, como bem comentou o @Caribe,que há uma tensão entre velha guarda e nova guarda, entre aqueles que se apegam ferrenhamente aos antigos modelos - de poder, de política, de compartilhamento, de modelo de gestão social - e os que são ligados às novas mídias, à flexibilidade de novos modelos e interessados em promover a cultura digital, o compartilhamento de cultura e conhecimento.

Eu iria além, para mim estamos diante de uma militância petista ligada efetivamente aos interesses populares e uma militância alienada, interessada apenas no poder e em pactuar com os antigos poderes, enfim, lucrar com a velha mídia - por mais que continuem a apanhar dela. Parte desta militância alienada é formada por aqueles que são como cães da direção petista: Repetem tudo e defendem as decisões desta direção com afinco... mesmo totalmente erradas.

Cheguei até mesmo a ter o desprazer de ler, em um grupo de e-mails, uma petista anunciar com orgulho ser uma solada obediente, que jamais criticaria nada do governo. Ou seja, uma seguidora cega e acrítica, pronta a se sacrificar sem pensar. O tipo de soldados que, no fim, acabam sendo mais uma propaganda negativa que motivo de orgulho para qualquer partido.

Claro que neste grupo existem também os que são simplesmente alienados, no sentido direto da palavra.

Repetem por desconhecimento, por inocência, por achar que a direção é divina e por aí vai. Mas continuam sendo nocivos.

E isto pode rachar o PT  - está já rachando a militância que, em pouco mais de um mês de governo Dilma ainda não viu uma única razão para comemorar. Pelo contrário.

Eu já comentei antes sobre a mania que muitos tem de achar que entendem o funcionamento da internet por simplesmente ter uma conta de e-mail, um perfil no Facebook e blogarem vez ou outra. Internet é muito mais do que isso. E não é tão simples de entender como parece. E deputados e senadores, daqueles que ainda lêem e-mails impressos pelas secretárias até alguns que já sabem usar o Twtitter, estão sempre prontos a pegar carona nas idéias dos pseudo-especialistas e tentar nos censurar.

Pedofilia, anonimato e tantas outras coisas que os vigilantes usam para atacar a internet e contam sempre com os bons inocentes para apoiar.

Este debate sobre o MinC ter retirado a licença Creative Commons de seu site é mais um dos casos em que esta militância acrítica e "canina" aparece. E uma outra parte da militância, que considera absurda a decisão, some. Poucos são os que realmente se insurgem.

O caso é simples e antigo, mas merece ser retomado, o Ministério da Cultura resolveu tirar do site do ministério a licença de compartilhamento do Creative Commons, sem qualquer explicação, em um claro retrocesso frente ao trabalho feito por Gil e Juca no ministério.

O debate vai além, aliás, e está opondo os defensores da mídia livre dos defensores dos antigos modelos proprietários em um debate que também junta questões relacionadas ao Ministério das Comunicações e políticas de controle social da mídia e regulação da mídia.

O fato é que há muita insatisfação com estes dois ministérios. E não de graça.

Se é fato que nossa legislação garante o compartilhamento de conteúdo, também o é que a licença Creative Commons garante estes mesmos direitos para o mundo inteiro, em uma linguagem universal e perfeitamente adaptada à rede. Isto para ficar em termos simples.

A utilização do CC elimina possíveis "poréns", como reclamações insensatas de direitos autorais e o surgimento de qualquer problema no compartilhamento. É a garantia de que um documento ou arquivo, ou mesmo vídeo, estará livre para ser compartilhado dentro das regras claras e diretas da organização (e da licença) e não através de regras confusas e cheias de subterfúgios em que defensores de direitos autorais podem dificultar nossa vida.

Críticas à atitude da ministra, Ana de Hollanda, não faltaram. Uma das mais contundentes feitas por Sérgio Amadeu, especialista na área, assim como por Renato Rovai, outro que, sem dúvida, entende mais do assunto que a própria ministra. No Trezentos há outro bom post.

Recomendo a leitura dos posts dos referidos especialistas para entender melhor a situação em si e também a relação que existe com o ECAD, prefiro me centrar no CC em si e em algumas falácias disseminadas pela rede:


Algo que vem sendo dito é que o Creative Commons não passa de uma ONG americana e, logo, responde aos interesses dos EUA:


CC não é uma ONG apenas e sim uma licença que tem uma ONG por trás para promovê-la e gerir as regras – como a ABNT gere as regras de publicações, por exemplo. Estamos falando de uma organização que apenas zela pelo funcionamento e pela criação de normas, mas o que importa é a licença em si, que tem validade e aceitação quase universal.

Esta idéia de que há uma conspiração americana é simplesmente ridícula e fruto de um ultra-esquerdismo que simplesmente não combina com o setor privatista que vem defendendo o fim do uso do CC. É simplesmente o empréstimo de um discurso totalmente diverso das práticas do grupo que defende ECAD e a indústria musical.

Aliás, convenientemente esquecem estes pseudo-especialistas que o Brasil também "está" no CC, temos representantes nacionais que também são responsáveis pelo uso das normas do CC.

Leis brasileiras de compartilhamento:

Não importa se as leis brasileiras permitem ou não o compartilhamento e sim que não estamos falando só do Brasil, mas da internet e de um mundo globalizado. O CC é aceito (quase) universalmente, logo, tem alcance MUITO maior que a legislação brasileira. Daí sua importância para o compartilhamento GLOBAL – e não local – de conteúdo. além da própria linguagem do CC ser adaptado à internet, coisa que nossa legislação não é.

Ignorância dos internautas versus "nerds iluminados"

Suposta ignorância dos brasileiros em relação ao CC não é justificativa para não usá-lo, não só pelo que já disse acima, mas também porque não se desiste de algo porque supostamente A ou B não vão entender, especialmente porque é possível usar um texto bem semelhante ao que o MinC está usando – que é permitido o compartilhamento – e ainda assim usar o CC.

Se ignorância for razão pra desistir do uso de algo então vamos desistir da nossa constituição, porque muitos pontos são obscuros pra franca maioria da população.

Ao invés de ensinar e promover o compartilhamento vamos defender o obscurantismo?

Os “nerds” entendem do assunto, oras, então estão errados? Vamos nivelar por baixo ao invés de ter a chance de evoluir? Isso me lembra um artigo que escrevi criticando esta mania que muitos tem de achar que entendem ou compreendem a rede, mas no fim estão redondamente enganados.

Insegurança jurídica

A reação do CC não foi prepotente e causa sim insegurança jurídica. Ao aceitar usar a licença você concorda que TODO material sob ela está livre para ser compartilhado (dentro dos termos) e não só no país, mas globalmente. Ao retirar a licença você cria dúvidas sobre novos conteúdos e sobre o compartilhamento global, pois se O CC funciona no mundo inteiro, a legislação brasileira não.

Qual tratamento será dado ao conteúdo antigo que estava sob CC? qual era? Como funciona agora?
Sim, causa insegurança.

O principal problema é que o governo continua achando que entende mais de internet do que os especialistas. Aliás, este é um problema de praticamente todos os governos. Estados pensam em termos de soberania, esta é limitada à regras, ao território, ao espaço, enquanto a internet não respeita estes limites.

Não importa que, no Brasil, valha a legisla de um ambiente global em que as regras de compartilhamento e fronteiras – assim como legislações estatais – são compreendidas e interporetretadas de maneiras diferentes e o CC é exatamente a tentativa de adequar o compartilhamento em um ambiente transfronteiriço e fluido.

Não é a invenção de uma suposta ONG dos EUA e sim a solução encontrada por ativistas, hackers e especialistas para propiciar compartilhamento global dentro de regras comuns.

Um exemplo de insegurança?

Você dizer que seu site permite compartilhamento e etc não vale muita coisa, porque você pode mudar de idéia. Ou qualquer outra pessoa. Não há segurança jurídica pra você ou pra quem usar o conteúdo.

Você pode mudar de idéia sobre os artigos em um blog serem livres de um dia pro outro e processar quem usou, afinal, não há nenhuma licença que garanta nada. O CC não perde a validade. Aquilo que foi compartilhado com CC continuará a estar regido sob a licença, mesmo que você mude de idéia sobre novos artigos (ou filmes, músicas e etc).

Por outro lado, um alemão que quiser usar um texto seu e não citar a fonte não sofrerá nada, porque a legislação brasileira não o atinge, mas com o CC você tem base legal para processá-lo mesmo na Alemanha.

E, se você escreveu 500 textos com CC e resolveu retirar do site a permissão e escreveu 5 novos, os antigos continuam valendo dentro da lógica do CC, pois conteúdo uma vez compartilhado com a licença fica perpetuamente obrigado. Só os novos que não.
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quinta-feira, 17 de março de 2011

Maria Bethânia, falência do MinC e a discussão do financiamento aos blogs

Muito já foi comentado sobre os absurdos milhões de reais que Maria Bethânia poderá captar para a criação de um blog, ou vlog, onde postará 365 vídeos dela declamando poesias diversas, mas acredito que muitos esqueceram um ponto muito importante, que é o financiamento público (ou mesmo através de captação de fontes privadas) de blogs, enfim, da blogosfera. Algo que foi discutido durante o primeiro BlogProg e em outros encontros e conversas paralelas. A questão se centra na distorção dos patrocínios, financiamentos e permissões.

Mas vamos por partes.

O Daniel Duende fez um extenso e excelente post sobre o caso, atentando para as inúmeras e imensas falhas do MinC e para a completa e definitiva guinada do Ministério que, agora, voltou a ser comandado por uma casta de artistas interessados em garantir seus benefícios e não em socializar, compartilhar e, enfim, se integrar na era da cultura digital:
O que está acontecendo agora é que, com a gestão da Dona Louca dos Hollanda, esta velha alta casta está voltando a se apoderar do ministério da cultura (com letras minúsculas. não merece mais a caixa alta, como não merecia nos tempos de Francisco Weffort). A destruição da nova política de direitos autorais e a ruptura com as políticas dos anos Lula são apenas a ponta do iceberg visível para quem não trabalha na área. O que está acontecendo lá no fundo é mais nefasto. É o desmantelamento completo de um Ministério, que pouco a pouco parece estar sendo revertido no que era nos tempos de Fernando Henrique Cardoso. É por essas e por outras que eu digo que Dilma Rousseff começa seu governo com o pé da direita.
Outro problema, apontado também pelo Duende e por outros é o do fato da Maria Bethânia simplesmente não precisar deste tipo de artifício para um blog ou para shows. Ela é artista consagrada que já chegou a conseguir 3 milhões de reais para uma turnê sem precisar de MinC para intermediar.

O problema, caso alguns ainda não tenham entendido, não é o uso de dinheiro público por ela, isso não acontece diretamente de fato, mas que as empresas e pessoas físicas que a patrocinarem receberão uma contrapartida significativa, que é a redução de tributos no Imposto de Renda, ou seja, incentivos fiscais.
@viniciusduarte: Autorizar a Bethânia a captar R$ 1,3 mi corresponde ao governo ABRIR MÃO de R$ 520 mil em impostos, no mínimo.
@viniciusduarte: No mínimo, porque ela pode captar 100% do valor com pessoas físicas (há mercado pra isso) e o valor sobe pra R$ 1,04 mi.
Como apontou o Mello, não há nada de ilegal nisso tudo. Mas há uma falta tremenda de responsabilidade (do ministério e da cantora) e de foco (do ministério) e demonstra a necessidade urgente de se reformar o arcabouço jurídico e de incentivos do MinC. Não nos esqueçamos, porém, que a ministra Ana de Hollanda jogou no lixo todos os anos de discussão, por exemplo, da Lei de Direitos Autorais, avisando que iria iniciar uma nova consulta que, sem dúvida, terá moldes muito menos participativos.
O problema não é o MinC injetar grana e influência para que Bethania possa se promover e fazer dinheiro. O problema é que Bethania não precisa dessa ajuda — ela é Maria Bethania,afinal! Todo mundo compra o que ela faz! — e os valores são muito elevados. Tá certo que custa caro fazer 365 filmes, mas o MinC precisa ajudar só pq uma velha tropicalista inventou que quer fazer 365 filmes e botar na internet? (…) E mais… a pergunta mais importante é… E se outras grandes vozes brasileiras que não são amigas dos Reis quiserem fazer o mesmo? Ou é só a Abelha Rainha que pode?
O Pabllo Villaça, por exemplo, aponta distorções absurdas na legislação:
Em primeiro lugar, há que se observar uma perversão do sistema representada pelo modo de captação em si: dos 1,3 milhão de reais aprovados, nada menos do que 130 mil reais (ou 10%) ficarão com a empresa responsável pela captação. É um valor ofensivo quando consideramos que é um dinheiro saído do bolso do contribuinte para, a rigor, apoiar um projeto de cunho cultural - não para enriquecer uma empresa (ou, em muitos casos, laranjas) que fez a intermediação do negócio. A porcentagem da comissão deveria ser bem menor - e deveria, também, ter um limite quanto aos números absolutos relativos a cada projeto. 130 mil reais é um valor indecente. (Update: há um teto - ainda absurdo - de 100 mil reais por projeto.)
Ele continua apontando que, do valor que sobra desta dedução, teríamos mais de 3 mil reais para cada vídeo de poucos minutos, o que dispensaria uma mega produção, afinal, a Bethânia vai apenas declamar poesias e não fazer uma série de curtas com efeitos especiais e explosões. Nada justifica um valor absurdo destes que, no fim, se refletirão nos nossos bolsos, via os incentivos que os patrocinadores receberão.

O problema central, enfim, apesar de todas as falhas na legislação, é da facilidade com que uma artista consagrada - e que claramente não precisaria destes meios - consegue aprovar projetos e conseguir financiamentos nababescos, enquanto milhares de pequenos artistas ficam a ver navios, pois não são - teoricamente - tão atraentes como os da elite.

Mesmo com todas estas distorções a ministra ainda quer apertar e dificultar a vida dos pontos de cultura que, com muito menos, realizam grandes projetos de inclusão. Como se vê, está tudo errado nesse ministério.

Concordo plenamente com o Marcos Bahé, do Acerto de Contas, quando este diz:
Não é por nada, não. Se Chico Buarque tivesse nascido filho único, o mundo não teria perdido nada.
A Ariane Fonseca, do "Diário de um repórter" fez interessante comentário:
Mas o grande problema desse assunto mesmo não é a Maria Bethânia em si e a sua ideia, são as leis do governo de incentivo à cultura, como a Lei Rouanet. Será que com R$ 1,3 milhão não daria para fazer um projeto bem mais útil para a sociedade? Essa verba não poderia ser destinada a artistas menos conhecidos, que têm muito a mostrar? Vídeos na internet costumam ter um investimento menor que para TV, contudo, exploram mais a criatividade. Custa ela pegar uma câmerazinha handcam e gravar? Talvez fizesse até mais sucesso!
E eu não poderia deixar de colocar ainda os sempre pertinentes comentários do Maurício Caleiro no Twitter:




Mas, chegamos ao que vejo como grande problema, que também é o somatório de todos os demais, em especial deste financiamento deslocado para medalhões em detrimento de financiamento aos pequenos, aos iniciantes e a quem tem muito o que mostrar e não encontra meios.

Vi gente depreciando os blogs, dizendo que blog não precisa de dinheiro quando, na verdade, o problema não é este. Sim, os blogs, ou melhor, nós, blogueiros, temos contas a pagar, temos muito o que fazer para manter nossos blogs que nem sempre são só hobbies, mas comprometimento social, militância, serviço público e etc.

Usar o falso argumento de que Bethânia quer fazer um blog e que, então, isso é interessante porque blogs precisam de dinheiro é estúpido. Nem isto vai abrir as portas para nós, blogueiros, e nem Behânia tem em si o interesse de virar uma blogueira, mas tão somente se aproveitar da frouxidão da lei pra criar um site e declamar poesias com dinheiro público.

Novamente, é o petismo radical e cego, incapaz de criticar qualquer coisa que venha do governo, mesmo os absurdos da Ana de Hollanda na frente do MinC. Ou estas pessoas recebem grana de alguém ou simplesmente não tem decência, porque é difícil de entender a defesa incondicional do MinC, da visita da Dilma à Folha, Ana Maria Braga, Hebe (ao PIG inteiro) e agora a defesa desta aberração?

É fato que o MinC já deu milhões pro Instituto FHC digitalizar arquivos sem nunca ter efetivamente feito isto, deu 3 milhões para a Globo montar site sobre movimento estudantil ou mesmo deu rios de dinheiro para o Cirque de Soleil, mas ao invés de colocar em comparação estes casos, devemos somá-los. Não é porque fizeram besteira no passado que justifica mais esta.

O valor milionário que permitiram à Bethânia captar é um absurdo em qualquer circunstância, mas eu não vejo problema em haver financiamento para blogueiros que efetivamente exerçam uma atividade social. Aliás, acho que deveria ter! Na verdade, a questão até escapa do valor em si, mas do foco. Uma artista consagrada recebendo milhões, enquanto tantos artistas não ganham nada.

Seria mais justo [o financiamento] para um poeta iniciante, com vontade e talento, querer patrocínio para fazer um trabalho colaborativo com algum cineasta na mesma situação e ter como, senão viver disso, ao menos não ter prejuízo e poder se dedicar e realizar um bom trabalho. Bethânia não precisa deste dinheiro, mas eu posso encontrar 100 blogueiros, músicos e artistas em geral que ficariam felizes em dividir esta bolada e promover verdadeiras revoluções culturais e estéticas.

Da mesma forma, acho absurdo financiamento público via incentivo ou direto para peças de teatro caríssimas ou para o Cirque de Soleil, que cobra uma fortuna. Novamente, o problema está na legislação e no foco daqueles aprovados para receber financiamento.

Oras, porque uma Veja ou uma Folha de São Paulo recebem financiamento via propaganda institucional sem que haja qualquer questionamento e um blogueiro, que muitas vezes é mais honesto e correto não pode receber nem um trocado? Sim, a fonte do investimento aqui é outra, mas é válido lembrar mais esta distorção.

Pode parecer corporativismo, ou que quero defender meu lado, mas a verdade é que blogar, em muitos casos, é sinônimo de jornalismo, tem função social, agrega algo à sociedade e deveria poder ser atividade minimamente remunerada, patrocinada.


Alguns estão discutindo deforma desfocada, o problema não é o financiamento aos blogs, mas sim a quem se destina e o absurdo do valor.

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A imagem que abre o post é do blog criado para "homenagear" a Maria Bethânia, o Blog da Bethânia - Um milhão de motivos para você acessar. Nem precisa comentar que o nome dela figurou entre os primeiros nos TT brasileiros o dia inteiro.

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