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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

José Genoino e a "elite carcerária": Os pobres continuam na entrada de serviço

Apesar de duas juntas de médicos terem declarado que Genoíno não tem razão para pedir aposentadoria da Câmara e nem teria direito a regalias como prisão domiciliar por não padecer da doença grave que alega ter, eis que surge uma entrevista emocionante (ironia mode on) com Miruna, sua filha.
Preso desde o dia 15 de novembro, Genoino tem alegado problemas graves de saúde. Para a filha, ele não vai durar na prisão por muito tempo, já que tem piorado. “Quando as pessoas falam que ele vai ficar alguns meses no semiaberto e depois já pode pedir progressão da pena, penso que não sei como ele vai chegar. Em uma semana eu vi como ele piorou, como eu vou pensar em meses? Oito meses? Ele não vai durar isso na prisão. Não vai”, disse.
Estamos falando de regime semiaberto, ou seja, Genoíno não ficará ou sequer está em uma ala comum, com outros presos, desde assaltantes de galinha a assassinos perigosos, visto que a cadeia brasileira não é pensada para ressocializar, mas sim para servir de escola do crime. Enfim, Genoino não é um preso comum. Não porque seria "preso políticos", isso não passa de #mimimi de fanáticos pagos para gritar, mas sim porque não é tratado como um preso comum: Preto, Pobre, sem dignidade, sem direito a justiça. Ele é tratado a pão de ló, com regalias, com direito a visita a hospital particular, a junta de médicos para o avaliarem, com direito a receber respostas sempre que as faz.

Para o pobre preso, resta calar a boca e tentar sobreviver. Não tem entrevista com a filha, com a mãe ou com ninguém. Ele cala a boca e espera. Reza.

O preso comum, o pobre, o geralmente preto, não tem "regime semiaberto", tem a brutalidade, tem a violência dos carcereiros e de outros presos, tem as celas superlotadas, tem o medo, o desespero e tem que "aprender" a ser pior para sobreviver.

Genoíno não passará por nada disso.

Aliás nem sua filha passará pelo que outras filhas são submetidas. Revistas vexatórias e humilhantes, ameaças, descaso... Não, a filha do Genoíno entra e sai numa boa, não precisa tirar a roupa e se abaixar na frente de um espalho na frente de dezenas de pessoas para descobrirem se carrega algo enfiado em seu ânus.

Não, este tipo de tratamento dispensamos aos pobres, aos pretos, aos menos importantes.
Parentes dos presos do presídio da Papuda, na maioria mulheres, protestam contra os privilégios da gente diferençada que ali recém-chegou em decorrência das sentenças do STF no processo do mensalão. Os visitantes dos novos presidiários estão imunes às demoras e humilhações a que são regularmente submetidos os visitantes dos outros presos, especialmente mães, irmãs, esposas ou companheiras. Todas tratadas como suspeitas, revistadas, examinadas, fiscalizadas, além do martírio da longa espera, que começa de madrugada nas filas intermináveis.
Genóino pode ainda receber caravanas de deputados petistas, o pobre tem sorte se conseguir chegar vivo à área de visitas.

O pior de tudo é que, pese o "medo" da filha de Genoíno pela vida de seu pai, ela ainda comente que o crime compensa.
"se esse é o preço que tem que pagar para que o projeto do governo Lula e Dilma funcione, ele paga".
Realmente, como sentir qualquer pingo de simpatia?

Não acho que o tratamento dado ao Genoíno e sua família seja errado, pelo contrário. Errado é o tratamento dado a TODOS os demais. Errada é a exclusividade dada ao preso-celebridade em detrimento dos direitos humanos de milhares de outros.

Quantos estão presos sem julgamentos? Quantos estão realmente doentes, a ponto e morrer em cadeias por falta de atendimento e de condições mínimas de se viver em buracos superlotados e abandonados?

Mas não, abrimos espaço na mídia para a lamentação do 1%, que tem orgulho de seus crimes, de comprar votos, de financiar privatizações e crimes de lesa-pátria, mas ainda reclama do sabor do caviar.

Genoíno teve uma "crise de pessão alta", mas  pobre não tem isso. Se tem, morre, não vai pra hospital de luxo ser atendido.

Esta talvez fosse a oportunidade de se discutir mais seriamente o sistema carcerário brasileiro, mas sabemos que isto não acontecerá. Genoíno, Dirceu e outros são responsáveis pela manutenção desse sistema assassino. Não moveram uma palha, e agora são vítimas (sic) desse mesmo sistema. E reclamam, com razão, pese estarem em uma situação muito melhor que seus pares menos ou nada famosos.

Este episódio, porém, não servirá para nada. Nada será alterado no sistema penal/carcerário, da mesma forma que o PT não aprendeu nada com os protestos de junho (e os demais partidos) e mantém as mesmas práticas e o mesmo desrespeito pela população de sempre.

Não derramo uma única lágrima por Genoíno, por Dirceu e por outros que tem o máximo orgulho de terem roubado e corrompido para impor um projeto privatista e lesa-pátria do PT e que reclamam de barriga cheia, reclamam enquanto são tratados como príncipes frente ao resto do populacho que morre nas cadeias sem poder dizer um ai.
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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Joaquim Barbosa e a "esquerda" racista

Parece ser assim, quando uma pessoa negra se destaca em alguma posição é necessário sacar a origem escravizada da algibeira para lembrar-lhe seu lugar social. E lançam mão de todo tipo de inversão de idéias e recursos de pirotecnia semântica para adjetivar negativamente qualquer negro que confronte o poder branco.

Cidinha da Silva, liderança do Movimento Negro, explicando o racismo de governistas contra Barbosa

Artigo completo: http://is.gd/sCIFsQ
A frase acima vem de postagem de uma líder do movimento negro, Cidinha da Silva, em resposta aos ataques contra Barbosa ao estilo "Capitão do Mato" que muitos governistas vem fazendo. Gente que apoia privatizações, mas se diz de esquerda e que, ainda por cima, é racista.

Sim, qualquer acusação/ofensa contra Barbosa que leve em consideração ou lembre vagamente sua cor/raça é racismo. Repito, É RACISMO.

Se Barbosa fosse branco, ele seria objeto de comparações baseadas em sua cor? Não. Ele seria "apenas" canalha, filho da puta (me perdoem as feministas), safado, boçal, etc, etc, etc...

Mas é negro, logo, ele é um negro filho da puta, um negro safado, um capitão do mato, um negro isso e aquilo. Sim, é racismo.

Meus queridos governistas, xinguem o Barbosa, critiquem o Barbosa, esperneiem, façam greve de fome, mas PAREM de usar a cor/raça dele como arma. Vocês já não tem razão, e conseguem perder o que nem tinham!

O pior dessa história é que o mero fato da concentração dos ataques no Barbosa já denunciam racismo.

Sim, pois se por um lado é fato que Barbosa foi o relator do processo do Mensalão e [e uma das figuras mais destacadas no processo, por outro ele não foi o único a condenar. Ele não colocou uma arma na cabeça dos outros 9 juízes que, por exemplo, condenaram Genoíno (incluindo aí o ex-advogado do PT Toffoli).

Ele não chantageou, sequestrou a família ou fez ameaças aos demais juízes para condenar os mensaleiros. Ele argumentou - podemos discutir se com classe ou sem classe, são outros 500 -, impôs sua visão e venceu. Venceu e convenceu outros juízes, a ampla maioria nomeada pelo próprio PT, como ele próprio, nomeado pelo Lula.

Longe de mim achar que o PT deveria nomear juízes comprometidos com o partido (apesar do Toffoli....), mas sem dúvida o PT deveria ter nomeado juízes comprometidos com o social, progressistas. E este era, em tese, o perfil do Barbosa.

O PT o nomeou, assim como a vários outros de seus "algozes", não tem do que reclamar. Não há nenhum complô, nenhum golpe por parte do judiciário cuja composição foi escolhida pelo partido do poder e nem há "presos políticos" do partido no poder!

O que há é racismo. O racismo de escolher como alvo o único negro dentre os juízes que condenaram os mensaleiros do PT. O racismo de atacá-lo com referências à sua cor/raça, com termos baixos, com preconceito descarado e nada mal disfarçado.

Não cabe às viúvas de Genoínos e Dirceus decidirem quem é ou quem deve ser modelo ou herói para os negros. Não cabe a brancos decidirem quem representa os negros e mais ainda, não cabe a brancos decidirem como deve ser o comportamento de negros e muito menos os tomarem por alvos em sua cruzada contra as condenações.

Isso é, senhoras e senhores, puro racismo. E não é preciso ter qualquer simpatia pelo Barbosa para constatar o óbvio. Denunciar o racismo praticado contra ele é ser coerente e não concordar com suas atitudes ou decisões.

Para os de estômago forte, mais inúmeros exemplos de racismo contra o Barbosa no Governismo.

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Lula, Valério e o inútil #mimimi Governista

Apenas um pensamento rápido que me ocorreu depois de ver a postagem acima feita por um jornalista sério e que nunca demonstrou veia governista fanática.

Não seria mais fácil simplesmente exigir que a PF investigue as denúncias do que ficar fazendo essa palhaçada midiática em defesa do Lula? Se for mentira, pronto, Valério vai mofar na cadeia, mas e se não for?

Dilma é presidente pra que? Ela faz figuração apenas ou nem ela se preocupa com Lula ou com as denúncias de Valério?

Que ela mande a PF fazer seu trabalho, oras! Qualquer policial consegue rastrear a grana que Valério disse ter passado a assessor do Lula para despesas pessoais do ex-presidente em dois tempos e acaba com a palhaçada.  Mas porque a Polícia Federal não se mexe e porque Dilma não entra em cena com a delicadeza típica que guarda para os momentos em que viola os direitos humanos das minorias?

Muito melhor a militância que ainda se mantém governista (inacreditável, mas...) pressionar para que o governo faça seu trabalho e mande a PF trabalhar que ficar louvando Lula, o que não resolve nada.

Aliás, não apenas não resolve como consegue aumentar ainda mais o ódio de vários setores e o ressentimento de outros.

Vale lembrar que, seguindo o raciocínio governista, se o Mensalão não existiu, então Valério não é culpado de nada. Porque o tratam como bandido então?

Pra dar porrada em índio, pra reintegrar posse de empresas e para fazer o trabalho sujo do governo a Polícia Federal, Força Nacional e o escambau estão prontas sempre, mas para fazer um trabalho simples e rápido e livrar a cara do Lula (ou condená-lo) levam uma eternidade?

Alguém explica?

Governistas fanáticos, tentem sair da bolha e usar o pouco de cérebro que lhes resta (se é que resta) e parem de louvar Lula como se fosse deus e pressionem uma vez na vida o governo a se mexer.

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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Judicializar a política: Ficarão só os ratos?

O primeiro e mais relevante desses caminhos, como já comentamos antes, consiste naquilo que alguns autores estão chamando de judicialização da política, e eu prefiro chamar de criminalização da política e da ação dos partidos. A política e os partidos passam a ser julgados não mais pelo povo, mas por juízes que, no chamado processo do mensalão, se arrogaram o direito de mudar a natureza do crime cometido, desdenhar provas, atropelar a Constituição e os procedimentos legais instituídos e se colocar acima dos demais poderes republicanos. E se alguém pensa que o STF se contentará em dar um exemplo apenas com esse julgamento, talvez se engane redondamente. Tudo indica que o poder judiciário, sob a tutela da alta corte, se empenhará em substituir o Congresso com normas e leis que intensifiquem a criminalização da política e a paralisia do governo dirigido pelo PT, através do levantamento de novos casos de corrupção, reais ou forjados, que envolvam o ex-presidente Lula, a presidenta Dilma e o PT.
É curioso notar que, antes do PT chegar ao poder, seus militantes bradavam a nacessidade de se condenar os corruptos do PSDB (FHC em especial), da necessidade de se fazer algo contra a privataria tucana...

Mas, uma vez no poder, corrupto sendo julgado não pode. É "judicializar a política".

Oras, quem vai julgar os corruptos? O povo? Povo é juiz? E se for, foi juiz para livrar o PSDB da forca, mesmo que petistas continuem a reclamar - aqui, com razão - da necessidade de se julgar a privataria tucana, o mensalão tucano e etc?

Me lembro de quando o PT ainda não tinha se vendido pro Maluf e seus militantes comemoravam quando este era julgado e condenado e diziam que o povo não sabia votar, já que sempre o elegiam ou que, ao menos, eram influenciados negativamente pela grande mídia - que hoje é financiada em grande parte pelo governo federal.

FHC usou e abusou de meios ilegais para se reeleger, entao o povo o perdoou por isso, já que ele foi eleito? É isso mesmo, petistas? Oras, os roubos petistas não forma perdoados pelo povo que votou em massa no PT nas eleições passadas? Ou será que o povo vota em quem lhe promete mais, em quem lhe dá mais poder de consumo e deixemos questões legais para o judiciário?

Mensalão ou Caixa 2, pouco importa o nome: É corrupção. É crime. E felizmente temos o STF para, neste e em outros casos, nos defender. Ou vamos ficar nas mãos da governista bancada evangélica, ou nos governistas ruralistas ou mesmo nas governistas empreiteiras?

O STF erra, e erra muito, mas sem ele teríamos de deixar o Bispo de Guarulhos decidir se mulheres teriam de morrer com fetos inviáveis ou abortar. Dentre outros exemplos cabíveis. É justo reclamar de uma decisão, mas é ridículo e vergonhoso achar que a decisão está errada na base do "todos fazem" ou que "o povo nos perdôou".

Crime continua sendo crime, mesmo que todos achem que ele compensa e vale à pena.

Até Kassab hoje é aliado! Se ele se eleger novamente para algum cargo deixará de ser higienista? Terá sido "perdoado"? Aliás, o PT já o perdoou, já o adotou e periga apoiá-lo para o senado! E não faltarão governistas o apoiando e dizendo que nós somos ressentidos e revanchistas por não fazê-lo.

O PT entrou no jogo sujo da política com fome, com muita fome, mas não aceita ser condenado ou mesmo que apontem o dedo para sua falta de ética, para sua indecência com o dinheiro público e para o fato de terem rasgado sua história, se aliando a TODA a corja que diziam combater. Não falta muito estarão unidos ao PSDB - oras, em Minas eram aliados até poucos meses!

Serra é um empecilho e depois de FHC morto se abrem as portas para a aliança.

Mas o petista médio, e mesmo certas lideranças são incapazes de enxergar qualquer erro. A culpa é sempre dos outros, ou da política! Oras, a política é corrupta, logo, vamos todos nos refestelar com o dinheiro público e privatizar o que não nos interessa mais.

Não há um pingo de autocrítica.

Ou melhor, começam a surgir vozes dissidentes. Dois apoiadores entusiasmados do lulo-dilmismo se insurgiram recentemente, Mino Carta e Ricardo Kotscho, e forma alvo do ódio infantil e burro da militância fanática.

Escreveu Kotscho:
A bonita história do partido, que foi fundamental na redemocratização do país, e a dos milhões de militantes que ajudaram a levar o PT ao poder merecem que seus líderes venham a público, não só para responder a FHC e às denúncias sobre a Operação Porto Seguro publicadas diariamente na imprensa, mas para reconhecer os erros cometidos e devolver a esperança a quem acreditou em seu projeto político original, baseado na ética e na igualdade de oportunidades para todos.
Chegou a hora da verdade para Lula e o PT.
É preciso ter a grandeza de vir a público para tratar francamente tanto do caso do mensalão como do esquema de corrupção denunciado pela Operação Porto Seguro, a partir do escritório da Presidência da República em São Paulo, pois não podemos eternamente apenas culpar os adversários pelos males que nos afligem. Isso não resolve.
E escreveu Mino, de forma ainda mais dura, acusando o PT de traição:
O PT atual perdeu a linha, no sentido mais amplo. Demoliu seu passado honrado. Abandonou-se ao vírus da corrupção, agora a corroê-lo como se dá, desde sempre com absoluta naturalidade, com aqueles que partidos nunca foram. Seu maior líder, ao se tornar simplesmente Lula, fez um bom governo, e com justiça ganhou a condição de presidente mais popular da história do Brasil. Dilma segue-lhe os passos, com personalidade e firmeza. CartaCapital apoia a presidenta, bem como apoiou Lula. Entende, no entanto, que uma intervenção profunda e enérgica se faça necessária PT adentro.
[...]
O PT não é o que prometia ser. Foi envolvido antes por oportunistas audaciosos, depois por incompetentes covardes. Neste exato instante a exibição de velhacaria proporcionada pelo relator da CPI do Cachoeira, o deputado petista Odair Cunha, é algo magistral no seu gênero. Leiam nesta edição como se deu que ele entregasse a alma ao demônio da pusilanimidade. Ou ele não acredita mesmo no que faz, ou deveria fazer?
O professor Chico Bicudo, a quem tenho grande admiração, escreveu um longo e instigante texto em seu blog que recomendo a leitura, e seleciono trechos:
Mas, no poder, Lula ficou maior que o PT. E o lulismo - misto de medidas econômicas conservadoras, políticas sociais e de distribuição de renda, amplo arco de alianças políticas e base social sustentada pelos menos favorecidos da pirâmide - acabou rendendo-se e adaptando-se à real politik. Para o cientista político André Singer, "o lulismo existe sob o signo da contradição. Conservação e mudança, reprodução e superação, decepção e esperança num mesmo movimento". Nessa dinâmica pendular, em nome da governabilidade, o PT acomodou-se. Começou a gostar do jogo - de um jogo que toca a bola de lado, administrando resultados, sem ousadia e alegria. O PT conciliou. Conchavou. Aos poucos, muitas bandeiras de luta petistas foram ficando para trás, perdidas na estrada - a reforma agrária talvez seja o exemplo mais gritante e lamentável. A transformação radical das estruturas foi substituída pela premissa das reformas, suaves. O lulismo caiu nos braços do capitalismo. Como projeto político, assumiu viés messiânico, distribuindo ordens, passando tratores e impondo verdades, a sugerir infalibilidade, a fomentar e comemorar o culto à personalidade, como se fora do lulismo não houvesse salvação possível para a sociedade brasileira.  
[...]
Fagocitado gradativamente pelo lulismo, e provavelmente deslumbrado com as benesses agudas e sedutoras oferecidas pelo governo, picado pela mosquinha, o PT apequenou-se. Diante do dilema tensionar para avançar ou pactuar para consolidar-se como porto seguro, optou pelo segundo caminho.
[...]
A carnificina da mídia e os desvios do Supremo não isentam nem justificam os erros do PT. Gente grande no partido sujou as mãos. Cometeram crimes, que careciam de julgamento, à luz e sob o rigor das leis e do Direito, não dos perigosos exercícios de suposições, ilações e do "não é possível que não soubesse". Tal comportamento só faz enfraquecer a democracia e abre delicadíssimos precedentes.
[...]
Em minha análise, o que aconteceu foi caixa 2, arrecadação irregular de recursos para pagamento de dívidas de campanha, inclusive de partidos aliados. O que, novamente, não absolve o PT. Também não lhe dá o direito de alegar que "todos os partidos são assim, não foi exclusividade nossa, estamos pagando por aquilo que todos fazem, é do jogo político, foi assim desde sempre e ninguém foi punido". Se era (é) assim, o PT foi eleito para fazer diferente. E o financiamento público de campanhas, por exemplo, bandeira que o partido empunhava? Se havia fantasmas no armário, o PT chegou ao governo para exorcizá-los, não para esparramar novas assombrações. 
[...]
O pecado original: o PT e o governo Lula tiveram medo, não bancaram uma Lei de Meios, o controle social da informação - que, muito longe de estabelecer censura, garante o exercício responsável e plural do jornalismo, a definir deveres e direitos, e a proibir a propriedade cruzada dos veículos. Sequer o projeto chegou a ser encaminhado ao Congresso Nacional. Bem ao contrário, continuam a adular os mandarins da mídia, como chamaria Mino Carta, a abarrotar os cofres destas empresas com verbas públicas, por meio de campanhas de estatais e inserções publicitárias muito bem pagas. A vítima financia o algoz. Dorme com o inimigo. Que masoquismo é esse? Por fim, numa manobra covarde e lastimável, joelhos dobrados, o partido patrocinou a retirada do nome de Policarpo Junior, da Veja, do relatório final da CPI do Cachoeira, na semana que passou. 
São poucos exemplos, mas exemplos de peso.

Eu tenho imensa dificuldade em compreender quem ainda se mantém fiel, mesmo crítico, a este governo.

Respeito os que criticam, os que fazem autocrítica, mas não entendo porque não rompem de vez. Uns tem ligação afetiva, outros, não sei.

Claro que, do outro lado, há fanáticos como Eduardo Guimarães que investem em teorias conspiratórias de que a mídai financiada pelo governo/PT quer "derrotar" o Lula, como se fosse uma preocupação nacional "salvar" um ex-presidente que não detém qualquer cargo de um processo, caso chegue até isso, e caso haja motivos suficientes para que este processo exista

Cito trechos, tentem não rir:
Já faz muito tempo que Lula só aparece para o grande público de forma negativa, sendo associado a escândalos, julgamento no Supremo Tribunal Federal e, agora, até a infidelidade conjugal – conduta que, neste país latino, tampouco chega a ser execrada pela sociedade.

Só que Lula apanha e não se defende. E apesar de ter sido defendido por aliados e pela própria Dilma, há que perguntar até quando isso pode bastar.
[...]
Fora da Presidência, Lula não tem mais voz. Até porque, parece não querer. Isso, claro, porque sabe que qualquer coisa que diga será distorcida. Então ele apanha amarrado e amordaçado. Esse silêncio funcionou durante seu mandato e até recentemente, mas com o passar do tempo e a continuidade do bombardeio em algum momento o país quererá ouvir a sua versão dos fatos.

Segundo se sabe, porquanto não terminou o julgamento do mensalão Lula optou por não se manifestar sobre o atual quadro político. Vem sendo ventilado que ele teme agravar as penas do dito “núcleo político” da ação penal 470. Contudo, em algum momento ele terá que vir a público dar a sua versão sobre os ataques que tem sofrido.

Lula não precisa dos melhores argumentos ou de provas de que não cometeu crimes. Até porque, se não há provas de que os cometeu não precisa apresentar provas de que não os cometeu. Mas ele precisa falar ao país. É o maior líder político brasileiro e, se quiser se manter assim, terá que exercer sua liderança.
O desespero de governistas incapazes de compreender que Lula não é deus, que ele erra, que o PT erra e que, enfim, erraram, roubaram, corromperam, desviaram, é impressionante! Pior, são eles que colocam o Lula na reta, assumindo que a mídia, o terrível "PIG" quer derrubá-lo (sic)!

Lula não se manifestou sobre o Mensalão e não tem se manifestado sobre muito do que acontece, mas no desespero de fiéis esperando uma palavra de sua divindade, petistas e governistas precisam que Lula se manifeste e os guie em todos os aspectos. Não é apenas infantilidade, é fanatismo.

A recente votação (ou falta dela) sobre o PT reconhecer ou não o resultado do Mensalão (algo risível, claro) dá o tom de galhofa e de controle sobre cães de guarda fanatizados que precisam apenas ser mantidos ocupados e no ataque. O PT joga pra platéia. Fará vaquinha pra pagar a dívida dos mensaleiros, reclama da mídia, reclama do STF, diz que vai fazer e acontecer, mas na hora de realmente ir pra briga, recua, se acovarda, ou melhor, deixa claro que só tem bravatas disponíveis.

Mas incita a militância a protestar, a ir às ruas (mesmo que no fim não vá ninguém), a reclamar, enfim, criam um inimigo ou inimigos que, na verdade, são aliados sempre que necessário (vide o tal PIG, a mídia que o PT manda seus cães baterem, mas paga rios de dinheiro e adora sair na capa da Veja e afins).

Os fanáticos do PT precisam de um inimigo e à medida que todos os inimigos históricos do PT viram aliados (Bancos, Ruralistas, Malufistas, Colloridos, Krents, Privatistas, grande capital, etc), é preciso fabricar novos.

Sobra pra mídia, pro STF que, quando a direção precisa, voltam a ser aliados.

O fato é que, para mim, o PT não tem mais volta. Restarão apenas os fanáticos gritando contra a mídia que eles próprios financiam enquanto o Brasil se tinge de vermelho. Não o vermelho do PT, mas o vermelho do sangue dos mortos devido Às políticas (ou falta delas) do governo.
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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Mensalão: Jeitinho ou algo mais?

Passou o momento do clímax no julgamento do Mensalão.

Está, até o momento, comprovada a existência de um esquema criminoso para a compra de apoio político para ajudar o governo Lula a aprovar suas medidas. Resta saber quais e quantos criminosos serão efetivamente postos na cadeia. E se membros graúdos do PT irão acompanhar na cadeia os peixes-pequenos já condenados.

Dirceu, Delúbio e Genoíno caíram.

Mas, no fim, todo este julgamento pouco importa. Não importa que o PT passou todo o tempo tentando justificar que não era Mensalão, mas Caixa 2, como se esta prática não fosse igualmente crime, nem que meia dúzia de petistas e aliados seja preso.

A prática do mensalão/Caixa 2 está consagrada e se perpetua, vide a compra do PTN pelo Paes no Rio - não surpreende que o PT esteja envolvido, já que é aliado entusiasmado do Paes. E no fim nada fará diferença, nem a condenação de metade do PT, do PP e de demais aliados caso a população não se importe.

O jeitinho brasileiro parece falar mais alto, assim como também a falta crônica de quadros na política  brasileira, em conjunto com o péssimo modelo de financiamento de campanhas que deixam os políticos virarem sócios de empreiteiros e demais empresas. O problema é o modelo e a mentalidade.

Não temos oposição séria. Tirando um Freixo e outros candidatos espalhados pelo PSOL, PCB, PSTU e mesmo um ou outro resistente do PT, em quem votar? Vejam São Paulo, onde as opções vão entre o medíocre e o perigoso, com Haddad, Serra e Russomano mostrando a total falência da política paulista. Agora, no segundo turno, temos a competição entre aliado do Malafaia e aliado do Maluf.

Na prática, PSDB e PT dificilmente serão muito diferentes. Haddad é financiado pelas mesmas construtoras que o PSDB e o PSDB é o mesmo que sempre foi higienista e não deixará de sê-lo.

Hoje é o PSDB com Malafaia em São Paulo, mas este bandido está com Dilma, assim como o PRB de Russomano e tantos outros.

Um aviso antes de mais nada, Haddad ganhando não significa que o povo apoia o PT e sim que o temor pelo Russomano e o repúdio ao Serra são maiores, não é um voto de confiança no PT e sim um voto de desconfiança nos demais.

Estamos neste ponto em que votamos para evitar um mal e não porque concordamos com o candidato que "escolhemos" por livre e espontâneo desespero. O Mensalão não parece ter tocado o PT, e as razões, repito, são várias. Acredito ter alencado algumas. Não temos opção, o modelo é um lixo e "tirar vantagem" nem sempre é mal visto pela população.

População esta que mora em favela, ganha 291 reais, mas virou classe média.
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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Mensalão versus Caixa 2, a teoria de vários crimes

Eu compreendo que possa haver diferenças entre "Mensalão" e "Caixa 2", mas o que não entra na minha cabeça é que quem pratica Caixa 2 seja menos bandido que o "Mensaleiro".

Não importa se um crime ou o outro prescreveram, os militares afirmam terem ou prescrito seus crimesou terem a proteção da Anistia, o que não quer dizer que sejam menos bandidos e menos torturadores por isso.

Se houve Mensalão - pagamento mensal de propina, com dinheiro público, para comprar votos de aliados - ou Caixa 2, não importa, quem pratica qualquer um dos dois CRIMES é, enfim, um criminoso.

A defesa apaixonada de criminosos - seja por qualquer um dos dois crimes - torna o defensor apenas um igual, um cúmplice feliz dos sabidos crimes de seus defendidos. E não importa qual das duas teses prevaleça, não importa de que lado esteja a mídia e, pior ainda, não cola a desculpa do "todo mundo faz".

Gostaria então que, com a mesma alegria de sempre, os que defendem a tese do "todo mundo faz", se aliem logo ao Maluf - já que todos roubam mesmo -, ao Sarney - já que coronel somso todos quando temos a chance - e à Kátia Abreu - oras, ruralistas são legais, todos precisamos (sic) comer.

Bem, ironias à parte, acredito terem entendido meu ponto com o parágrafo anterior.

Não há mais ética. Apenas uma disputa tosca entre quem é menos pior, se o PT ou PSDB, pois no fim ambos são adeptos de alianças duvidosas, ambos passam por cima dos direitos humanos sem pestanejar, ambos criminalizam greves e grevistas e, enfim, ambos roubam com a cara mais dura possível, com as desculpas mais toscas e privatizam nosso patrimônio com a mesma desfaçatez.

Talvez a grande diferença entre PT e PSDB esteja na militância: O PSDB nunca teve uma digna de nota, ao passo que o PT se esforça em destruir a que sempre teve - a criminalizando -, enquanto fanatiza os mais suscetíveis, criando uma tropa de choque acrítica que apenas repete o que a direção lhes manda.

Não vejo qualqeur diferença entre um tucano que defenda com afinco as privatizações de FHC e um petista que faça o mesmo com as privatizações de Dilma. São a mesma coisa, mas com nomes diferentes. A prática de vender nosso patrimônio (mesmo que fingindo ser por um período limitado que é renovado indefinidamente sem qualquer consulta) não mudou de FHC para cá, apenas os entusiastas de tais absurdos é que mudaram, ou melhor, cresceram em número.

Nenhum questionamento das renovações, por exemplo, das "concessões" - que os petistas chamavam de privatização - da telefonia que serão feitas em 1-2 anos por Dilma, assim como nenhum questionamento aos aeroportos, estradas e portos que foram e serão entregues por Dilma. E eu me lembro como se fosse ontem (foi ontem) dos petistas esbravejando contra as concessões feitas por Serra das estradas de São Paulo. Chamavam, corretamente, de privatização. Mas quando é o PT, é diferente. Mesmo que não seja.

E o que falar da violência da PM do DF (governado pelo PT) contra o MST e grevistas? Ou os elogios da mídia e do PSDB à forma violenta, boçal e criminosa pela qual Dilma vem tratando os funcionários públicos e professores em greve? Pior que isso apenas a defesa da "militância", dos milicianos governistas, com argumentos que fariam o PSDB corar - ou cobrar pelo direito autoral.

PT e PSDB são basciamente a mesma coisa. Aguardam apenas Serra morrer para se fundirem.

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terça-feira, 4 de setembro de 2012

Judiciário de Cabresto, o verdadeiro Golpe contra a democracia

Dos 11 ministros que participaram do julgamento do mensaleiro João Paulo Cunha, 8 haviam sido nomeados pelo PT (Dilma e Lula).

JP Cunha foi condenado por 9 votos a 2. Desses 9 votos que o condenaram, nada menos que 6 (SEIS) foram dados por ministros nomeados pelo Lula ou pela Dilma. Os dois que votaram pela absolvição foram o ministros Ricardo Levandowski (nomeado pelo Lula/PT, mas que condenou, por exemplo, diretores do Banco Rural. Pelo visto, o problema é só quando condenam o PT diretamente) e pelo ministro Dias Toffoli que, não surpreende, foi advogado do PT.

Apenas 3 dos 9 votos contra JP Cunha foram dados por ministros indicados por não-petistas, ou seja, a absoluta minoria.

Mas, mesmo assim, a "blogosfera progressista" não parou de atacar os ministros, como se fossem vendidos, parte do "PIG" - aquela entidade mágica que vive elogiando o PT e colocando Dilma na capa de revistas, mas quando critica vira o grande satã - e, no fim, golpistas.
- Vocês sabem que mexeram com o PT, um golpe grande, que faz parte de uma ação daqueles que foram derrotados nas urnas três vezes. São esses conservadores que diziam que o Brasil não podia crescer mais de 3%, que não podia dar aumento de salário, que gerava inflação. São esses mesmos conservadores que, junto com os setores da grande mídia, perderam na urna e tentam nos derrotar por outros meios - disse Falcão, durante o lançamento da candidatura do substituto de João Paulo à prefeitura de Osasco, Jorge Lapas (PT).
Uma declaração destas mereceria por parte dos minitros do STF um belo processo. Mas além disso, as acusações torpes de que todo o STF (retirando dois ministros) seria "golpista" é uma ofensa contra a própria democracia brasileira e a balança de poderes da república: o judiciário é independente.

Não faltaram aqueles que, com espaço garantido dentre os "progressistas" reclamassem que Lula e Dilma deveriam mesmo é nomear apenas amigos de confiança para cargos do judiciário. Escolher a dedo quem nomear para garantir que, ao invés do respeito à lei e à constituição, tivéssemos o respeito ao PT. Um judiciário de cabresto.
O anterior Procurador Geral da Republica não foi sequer neutro. Ao classificar o grupo dos 40 do mensalão mostrou-se inimigo frontal de quem o indicou. Não pode funcionar um Pais que cria esse nivel de conflito institucional auto induzido pelo proprio Poder.
Frente a um PGR não-neutro, o famoso Engavetador Geral da República, a proposta é a de empossar outro igualmente não-neutro, mas do "nosso lado".
A Democracia é o menos ruim dos regimes, não é o ideal e nunca será, não é perfeito e precisa funcionar. O caminho do Supremo neste caso do mensalão é muito ruim, é inconsequente, age como se o Supremo estivesse em um vácuo e não inserido dentro de um sistema que tem que operar dentro de um minimo de harmonia.
O Supremo não pode desafiar o Governo em nome de principios que ele mesmo proclama. E neste processo está sendo criativo, o "garantismo" está sendo enterrado para abrir caminho para as condenações coletivas no modelo de Nuremberg.
Entendemos, pois, que o Supremo deve se curvar à vontade do partido governante e rasgar a constituição, tornando o peculato, a corrupção e o uso criminoso de dinheiro público "garantias constitucionais".

Estas ideias e declarações passam longe de qualquer noção mínima de democracia e são  a declarção definitiva de que a ditadura é o modelo ideal. Curiosamente, tais declarações vem de gente cujo partido foi grande responsável pela resistência à Ditadura Militar! Aparentemnte, o excesso de convivência com um regime ditatorial deixou marcas próximas às da Síndrome de Estocolmo. Para dizer o mínimo.
Existe uma enorme diferença entre considerar equivocada uma decisão do judiciário, de um ministro ou mesmo do colegiado. Isto faz parte da democracia. Mas é diferente quando acusamos frontalmente o judiciário de golpe quando não gostamos de uma decisão e nos consideramos acima da constituição.
Há tempos que dependemos do judiciário para evitar uma medievalização do pa´si nas mãos dos evangélicos - aliados de Dilma e do PT - que tentam jogar na fogueira - não duvidem se literalmente - gays, feministas e quaisquer minorias que apareçam na frente. Foi graças ao STF que gays garantiram direitos e mulheres garantiram direitos mínimos de abortar bebês que, enfim, já estão mortos, anencéfalos.

Pequenos passos que deveriam ter sido dados pelo governo e pelo congresso, mas estes foram no caminho contrário, propondo criminalizações e chegando ao ponto da presidente do país declarar que não faria "propaganda de opção sexual" frente aos pelos da comunidade LGBT que vem sendo massacrada.

Mas é óbvio que temos retrocessos, que temos equívocos e interpretações diferentes. Recentemente o ministro Ayres Britto - indicado pelo PT - permitiu que Belo Monte continuasse a ser construída. Apesar de considerar a decisão equivocada, não posso iniciar um movimento acusando-o de golpismo ou de apoiar o genocídio indígena iniciado e patrocinado pelo PT.

Exceções, porém, são dois casos especiais: Gilmar Mendes e Dias Toffoli. O primeiro, cria de Fernando Henrique, possui ligações claras com o PSDB e pode estar envolvido no Mensalão Mineiro e deixa clara sua antipatia perigosa em relação ao PT. Longe de ser um democrata, usa a toga para benefícios pessoais e de compadres. Já Dias Toffoli talvez seja o primeiro experimento da tese "progressista" de que precisamos colocar nossos amigos na corte. Ex-advogado e empregado do PT, não se sabe se tem ou terá a independência necessária do partido. Sua posição no julgamento do Mensalão mostra que temos motivos para duvidar.

Ambos os minitros possuem ligações com partidos políticos falsamente antagonistas em termos ideológicos, mas que sedegladiam em nível federal (ainda quese aliam a nível local costumeiramente).

Enfim, declarações desastrosas e beirando a incitação à revolta como as seguintes, proferidas pelo presidente do PT são um verdadeiro perigo à democracia.
- Essa elite suja, reacionária, não tolera que um operário tenha mudado o país. Não tolera que uma mulher dê continuidade a esse projeto (...) E isso, para quem mantinha o povo subjulgado, é inaceitável. E quando eles são derrotados nas urnas, eles lançam mão dos instrumentos de poder que ainda dispõe, desde a mídia conservadora, passando pelo Judiciário, para tentar nos derrotar.
E o discurso é mero engodo para a platéia, pois a "elite suja", composta pela elite ruralista da aliada Katia Abreu, por Eike Batista, pelo empresariado da indústria pesada, construtoras e etc está INTEIRAMENTE ligada, aliada e financiando o PT. Ao passo que a "mídia conservadora" rasga elogios às privatizações dilmistas e à forma como ela trata grevistas: Na porrada.
Além disso, se não tivemos ainda um processo de democratização das comunicações - única forma de combater a tal mídia conservadora - é porque o PT não teve a menor vontade/intenção de dar o primeiro passo. Apesar disso, fanáticos não deixam de repetir incessantemente os mesmos mantras para a platéia.

Agora, acusar o judiciário de tentar "derrotar" o PT, quando a maior parte do judiciário foi NOMEADO pelo PT é, no mínimo, ridículo. É, na verdade, um golpe contra a democracia.O PT já deu um golpe em sua história, em sua militância e em sua ideologia, que não dê nenhum passo mais em direção ao abismo, levando o país junto.
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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Lula, Gilmar e cia - Quem grita mais alto?

Eu não tinha a intenção de me meter na briga entre petistas e a Veja, pois estes vivem uma relação de amor e ódio e sabemos que não devemos nos meter em brigas de casal, mas cabe uma pequena nota.

Acredito que todos estejam sabendo (ainda que não necessariamente entendendo) da confusão entre Gilmar Mendes, Jobim, Lula e a Veja. Um dizendo que o outro falou A ou B, todos desmentindo... De concreto apenas que Lula e Gilmar Mendes/Jobim se encontraram. Mas não se sabe o que falaram, aí entra a Veja jogando m* no ventilador.

Não preciso deixar mais claro que não tenho qualquer confiança em nada que escreve a Veja, quem costuma aplaudir a revista são os petistas quando esta coloca Dilma na capa, mas da mesma forma, não confio no Lula. Não digo que são iguais, mas suas opiniões são, para mim, igualmente irrelevantes.

Não boto minha mão no fogo por um ou por outro.

Seria bom o Lula esclarecer o que foi falar com Jobim e Mendes - e com outros ministros do STF em outras reuniões. As razões para a conversa são críveis, mesmo que a fonte seja a risível Veja. O jogo é quem grita mais alto, se a Veja/Mendes/Jobim ou o Lula/Petistas e nesta gritaria a verdade não vai surgir nunca.

Na verdade a política brasileira há muito tem virado isso, um jogo de gritos. Uma militância fanática (paga?) que tenta gritar mais alto para abafar qualquer coisa, uma direita raivosa e sem projeto e um PT aliado da pior corja possível e de extremíssima direita. Neste bolo, não é o povo que ganha - ao menos nada além de paliativos.

Mas falemos de hipóteses.

O Lula tem interesse em melar o julgamento do Mensalão? Claro que tem. Se ele pressiona o Joaquim Barbosa - relator - não consegue nada pois ele é (em tese) incorruptível, mas se tenta se aproximar dos que são mais "fáceis" e, como o Mendes, mais próximo do PSDB, consegue um acordo para ou adiar o processo ou para um toma-lá-dá-cá livrando a cara do PSDB da atual CPMI.

E Lula procurar o Mendes faz sentido, já que o (suposto) acordo com o Lula livraria não apenas o PT, mas também o PSDB dadegola.
 
Sim, é absolutamente crível, pro mais que os fanáticos petistas tentem dizer que não.Se é VERDADE aí são outros 500 e não vai ser no grito que chegaremos até ela. Aliás, nem numa CP(M)I chegaríamso a lugar nenhum, pois sabemos que tudo sempre acaba em pizza.

Não tivemos CPI da privataria por uma razão simples: O Pt hoje privbatiza igual FHC, logo, seria dar munição apra a oposição investigar no futuro. A atual CPI do Cachoeira dificilmente dará em algo, já que não faltam petistas e aliados envolvidos em falcatruas. Vaccarezza já deixou claro que prefere melar tudo a colocar o Cabral (ou o Agnello) na fogueira.

Tem horas em que a lealdade é apenas pano de fundo para a canalhice.

O questionamento do Bob Fernandes é correto:
Estranhíssimo que um ministro do Supremo Tribunal Federal e ex-presidente do mesmo STF vaze conversa reservada com um ex-presidente da República. Muito mais estranho: se a conversa teve tal gravidade, por que Gilmar Mendes não reuniu o tribunal no dia seguinte e não denunciou o fato? Por que não fez uma representação contra Lula? Era o seu dever. Por que esperou um mês para se dizer indignado?
E a pergunta é de mão-dupla: Porque Lula, acusado, não processa Gilmar? Porque não processa a Veja? Porue passou 8 anos trocando afagos e farpas com a mídia sem dar um passo sequer no caminho da democratização da mídia e da imposição de regras éticas para a mesma?

Espero que a verdade apareça, por mais que eu duvide que isso aconteça.

E vale ainda lembrar que todo esse #mimimi do Lula e aliados poderia ser facilmente evitável caso Dilma tivesse a honestidade e a coragem de propor e pressionar sua querida Base Aliada a aprovar uma regulação das comunicações, um amplo processo de demcoratização. Sabemos que isto JAMAIS vai acontecer, especialmente em um governo que, ao contrário, privilegia as Teles, vide PNBL.

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Uma nota: Acho burro da parte do PSOL se meter tão prontamente nesta briga de comadres. Por mais que seja necessário investigar tudo e todos, é precipitado tentar sair na frente desta forma com o assunto ainda tão mal explicado e cuja principal denunciante é apenas a Veja.
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NOTA DE LULA DA SILVA:
Sobre a reportagem da revista "Veja" publicada nesse final de semana, que apresenta uma versão atribuída ao ministro do STF Gilmar Mendes sobre um encontro com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 26 de abril, no escritório e na presença do ex-ministro Nelson Jobim, informamos o seguinte:
1. No dia 26 de abril, o ex-presidente Lula visitou o ex-ministro Nelson Jobim em seu escritório, onde também se encontrava o ministro Gilmar Mendes. A reunião existiu, mas a versão da Veja sobre o teor da conversa é inverídica. "Meu sentimento é de indignação", disse o ex-presidente, sobre a reportagem.
2. Luiz Inácio Lula da Silva jamais interferiu ou tentou interferir nas decisões do Supremo ou da Procuradoria-Geral da República em relação a ação penal do chamado mensalão, ou a qualquer outro assunto da alçada do Judiciário ou do Ministério Público, nos oito anos em que foi presidente da República.
3. "O procurador Antonio Fernando de Souza apresentou a denúncia do chamado Mensalão ao STF e depois disso foi reconduzido ao cargo. Eu indiquei oito ministros do Supremo e nenhum deles pode registrar qualquer pressão ou injunção minha em favor de quem quer que seja", afirmou Lula.
4. A autonomia e independência do Judiciário e do Ministério Público sempre foram rigorosamente respeitadas nos seus dois mandatos. O comportamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o mesmo, agora que não ocupa nenhum cargo público.
Assessoria de imprensa do Instituto Lula
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