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sábado, 7 de março de 2015

Se avizinha uma aliança da #PatriaEducadora com o MAL MAIOR?

Muitos vem pensando que tanto a crise da água em São Paulo quanto o chamado Petrolão (e a crise energética que se avizinha) poderiam levar PT e PSDB, juntos, ao buraco de onde nunca deveriam ter saído.

A realidade, porém, pode nos pregar uma peça.

Avizinha-se uma aliança ampla entre PT e PSDB, incluindo um amplo aspecto de corruptos partidos, da direita à extrema-direita (esquerda? Faz-me rir) para, dentre outras, sufocar qualquer tipo de ação que possa colocar em perigo os interesses da elite que ambos partidos representam.

A presença de nomes de políticos graúdos de ambos os partidos na lista do procurador Janot pode ser o pontapé inicial para a aliança, que já é vista com desespero mesmo por destacados petistas - cuja análise está correta, pese vir de quem há tempos faz contorcionismos para justificar um governo francamente de direita.

Anastasia, aliado próximo de Aécio (que escapou de processo), e a penca de petistas graúdos como Gleisi Hoffman ou Palocci (aquele que para ser salvo anteriormente resultou em acordo para Dilma rifar direitos LGBTs)  podem facilitar uma aliança entre PT e PSDB para neutralizar os efeitos dessa onda.

O resultado de uma aliança dessas seria catastrófica, não apenas por jogar pra debaixo do tapete a corrupção assustadora de ambos os partidos e a total ineficiência de ambos em gerir o país, deixando São Paulo à beira do caos com a falta d'água (que pode vir a ser realidade também em Minas governada pelo PSDB e no Rio, governado pelo PTMDB) ou o país sem energia baseando o "desenvolvimento" do país no consumo desenfreado e desregrado (criminosos?) dos recursos naturais.

Uma aliança PT/PSDB/PMDB com outros partidos menores orbitando seria a pá de cal em processos e cassações de políticos corruptos e em efetiva investigação de seus crimes que vão além do "mero" roubo, mas chegam à beira de colocar todo o país no caos completo.

Primeiro ato, sem dúvida, de tal aliança, seria acabar de vez com qualquer tipo de investigação sobre suas malversações. O PSDB esqueceria os crimes do PT e o PT pararia de pressionar para uma ampliação de investigações que incluísse os crimes do PSDB. Segundo ato, sem duvida, seria acertar ponteiros localmente, e podemos dar adeus à imensa greve dos professores no Paraná.

Os petistas iriam rapidamente ser "convidados" pela direção a não apenas retirar apoio (e com isso CUT, UNE e afins iriam silenciosamente se afastar), mas também a criminalizar com gritos de "vandalismo" e "VAI PM", como já fazem de forma quase diária país afora.

A intenção de tal aliança é muito simples: Segurar a bomba da crise hídrica e elétrica e impedir que a república venha abaixo com o processo de mais e mais figuras-chave envolvidas em escândalos de corrupção. Com polícia nas mãos e centrais sindicais na coleira, PT e PSDB poderiam tirar imensos proveitos de tal aliança, algo que há muito tempo se desenha, mas apenas a seita neoPTcostal busca(va) negar.

A #PatriaEducadora e o MAL MAIOR são irmãos siameses, são o mesmo lado da mesma moeda, representam os mesmos interesses e são financiados pelos mesmos grupos. A única diferença paupável é que um grupo soube distribuir melhor as migalhas enquanto outro teve preferência maior pelos métodos mais visíveis de repressão - pese o grupo da migalha ter aprendido rápido que o porrete é o melhor amigo do poder.

No fim das contas, uma aliança entre PT e PSDB apenas os faria parar de perder tempo com briguinhas cosméticas quando tudo o que querem é sugar ao máximo o país - e o PMDB é um excelente professor e parceiro. Para nós, brasileiros, é um cenário terrível, mas talvez o único capaz de fazer finalmente s últimos dormentes acordarem para a realidade: PT e PSDB são nossos inimigos.
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quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Golpe: A cortina de fumaça do PT sempre que acuado

Sempre que o PT é pego em corrupção pesada ou fazendo alguma merda muito descarada ressurge (ou faz ressurgir) o tema do "GOLPE". Desde 2002, nunca falha.

O PT é pego de calças curtas ou teme ser pego nesta situação e precisa da "militância" e dos militontos para apoiá-lo e para justificar o que for necessário, então o tema do GOLPE  ressurge. E agrega.

Mas já inventaram TANTA história que parece que a criatividade acabou de vez. Agora espalham que o Toffoli - sim, o ex-advogado do PT e uma das indicações mais vergonhosas e descaradas que um partido já fez para o STF, junto com o risível, mas perigoso Gilmar Mendes - é o líder do GOLPE.

Botar o ex-advogado do partido para liderar o golpe? Risível, infame. Engana-trouxa. Mas são muitos os trouxas.

Parece roteiro de filme de baixíssimo orçamento, filme Z mesmo. Falta criatividade e ultrapassa os limites da canalhice total e do desespero mais primitivo. Inventam uma suposta revolta do Toffoli com uma indicação ao TSE, algo bastante tênue, quase indigente, par ajustificar a derrubada (sic) de um presidente (ou uma presidenta).
1. Na quinta-feira passada, dia 13, encerrou o mandato do Ministro Henrique Neves no TSE. Os ministros podem ser reconduzidos uma vez ao cargo. Presidente do TSE, Toffoli encaminhou uma lista tríplice à presidente Dilma Rousseff. Toffoli esperava que Neves fosse reconduzido ao cargo (http://tinyurl.com/pxpzg5y).2. Dilma estava fora do país e a recondução não foi automática. Descontente com a não nomeação, 14 horas depois do vencimento do mandato de Neves, Toffoli redistribuiu seus processos. Dentre milhares de processos, os dois principais - referentes às contas de campanha de Dilma - foram distribuídos para Gilmar Mendes. Foi o primeiro cheiro de golpe. Entre 7 juízes do TSE, a probabilidade dos dois principais processos de Neves caírem com Gilmar é de 2 para 100. Há todos os sinais de um arranjo montado por Toffoli.
Já que não podem mais criar inimigos entre ˜a direita˜, já que esta está praticamente toda aliada ao PT, porque não usar um laranja?

O PT chegou num ponto em que não quer nem mais tentar, inventa qualquer piada e conta com uma imensa militância (sic) para comprar, espalhar e tentar tocar o terror.

Claro, surfam também na estupidez da extrema-direita de impeachment - que não é golpe, pese ser ridículo. E não, impeachment não é golpe, o querido aliado Collor não sofreu golpe, nem o Fora FHC que o PT puxava nos anos 90 era golpe. Não virou golpe apenas porque querem usar contra o PT. Não importa o duplipensar que queiram usar/impor.

O "golpe" consistiria na reprovação das contas do PT. Toffoli teria cometido o crime de distribuir um processo, que teria caído no colo de Gilmar Mendes, que poderia reprovar as contas.

Esquecem de dizer os petistas que sorteio é sorteio, ter caído no colo de um cara que não gosta do PT era e é uma possibilidade, não um golpe programado, e esquecem ainda que é preciso efetivamente haver problemas nas contas para que Mendes possa "derrubar" o PT. O medo do PT seria o de saber que a conta não fecha? Oras, os amigos empreiteiros (que também são amigos do PSDB, claro) foram em cana, logo....
Com o poder de investigar as contas, Gilmar poderá se aferrar a qualquer detalhe para impugná-las. Impugnando-as, não haverá diplomação de Dilma no dia 18 de dezembro.

O golpe final - já planejado - consistirá em trabalhar um curioso conceito de Caixa 1. Gilmar alegará que algum financiamento oficial de campanha, isto é Caixa 1, tem alguma relação com os recursos denunciados pela Operação Lava Jato. Aproveitará o enorme alarido em torno da Operação para consumar o golpe.

Toffoli foi indicado para o cargo pelo ex-presidente Lula. Até o episódio atual, arriscava-se a passar para a história como um dos mais despreparados Ministros do STF.
Como forma de mascarar possíveis problemas nas contas, alianças criminosas e com criminosos, guinada imparável à direita, apelam para o GOLPE. Risível. O que será que o PT tem a esconder, do que tem medo?

Notem que não há nem processo. Muito menos condenação. Há apenas o medo primitivo do PT de ver suas conts sedo impugnadas. Ou o medo que as contas sejam efetivamente examinadas e dali saiam alguns esqueletos. Antes mesmo de qualquer conclusão ou investigação, já gritam incoerentes, possivelmente de medo. Pergunto novamente: Do que tem medo? Tem razões para ter medo?

Em tempo, é sempre necessário deixar claro, dada a imensa quantidade de gente mal intencionada, que eu NÃO apoio qualquer impeachment, penso que o PT precisa ser derrotado nas urnas e nas ruas, ideologicamente.

Os movimentos sociais precisam superar o PT como se supera um vício coalhado de overdoses, tem que derrotar o PT apresentando uma alternativa real, popular, de esquerda. "Derrubar" o PT para colocar qualquer um dos seus irmãos siameses não faz ou fará qualquer diferença.
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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Joaquim Barbosa e a "esquerda" racista

Parece ser assim, quando uma pessoa negra se destaca em alguma posição é necessário sacar a origem escravizada da algibeira para lembrar-lhe seu lugar social. E lançam mão de todo tipo de inversão de idéias e recursos de pirotecnia semântica para adjetivar negativamente qualquer negro que confronte o poder branco.

Cidinha da Silva, liderança do Movimento Negro, explicando o racismo de governistas contra Barbosa

Artigo completo: http://is.gd/sCIFsQ
A frase acima vem de postagem de uma líder do movimento negro, Cidinha da Silva, em resposta aos ataques contra Barbosa ao estilo "Capitão do Mato" que muitos governistas vem fazendo. Gente que apoia privatizações, mas se diz de esquerda e que, ainda por cima, é racista.

Sim, qualquer acusação/ofensa contra Barbosa que leve em consideração ou lembre vagamente sua cor/raça é racismo. Repito, É RACISMO.

Se Barbosa fosse branco, ele seria objeto de comparações baseadas em sua cor? Não. Ele seria "apenas" canalha, filho da puta (me perdoem as feministas), safado, boçal, etc, etc, etc...

Mas é negro, logo, ele é um negro filho da puta, um negro safado, um capitão do mato, um negro isso e aquilo. Sim, é racismo.

Meus queridos governistas, xinguem o Barbosa, critiquem o Barbosa, esperneiem, façam greve de fome, mas PAREM de usar a cor/raça dele como arma. Vocês já não tem razão, e conseguem perder o que nem tinham!

O pior dessa história é que o mero fato da concentração dos ataques no Barbosa já denunciam racismo.

Sim, pois se por um lado é fato que Barbosa foi o relator do processo do Mensalão e [e uma das figuras mais destacadas no processo, por outro ele não foi o único a condenar. Ele não colocou uma arma na cabeça dos outros 9 juízes que, por exemplo, condenaram Genoíno (incluindo aí o ex-advogado do PT Toffoli).

Ele não chantageou, sequestrou a família ou fez ameaças aos demais juízes para condenar os mensaleiros. Ele argumentou - podemos discutir se com classe ou sem classe, são outros 500 -, impôs sua visão e venceu. Venceu e convenceu outros juízes, a ampla maioria nomeada pelo próprio PT, como ele próprio, nomeado pelo Lula.

Longe de mim achar que o PT deveria nomear juízes comprometidos com o partido (apesar do Toffoli....), mas sem dúvida o PT deveria ter nomeado juízes comprometidos com o social, progressistas. E este era, em tese, o perfil do Barbosa.

O PT o nomeou, assim como a vários outros de seus "algozes", não tem do que reclamar. Não há nenhum complô, nenhum golpe por parte do judiciário cuja composição foi escolhida pelo partido do poder e nem há "presos políticos" do partido no poder!

O que há é racismo. O racismo de escolher como alvo o único negro dentre os juízes que condenaram os mensaleiros do PT. O racismo de atacá-lo com referências à sua cor/raça, com termos baixos, com preconceito descarado e nada mal disfarçado.

Não cabe às viúvas de Genoínos e Dirceus decidirem quem é ou quem deve ser modelo ou herói para os negros. Não cabe a brancos decidirem quem representa os negros e mais ainda, não cabe a brancos decidirem como deve ser o comportamento de negros e muito menos os tomarem por alvos em sua cruzada contra as condenações.

Isso é, senhoras e senhores, puro racismo. E não é preciso ter qualquer simpatia pelo Barbosa para constatar o óbvio. Denunciar o racismo praticado contra ele é ser coerente e não concordar com suas atitudes ou decisões.

Para os de estômago forte, mais inúmeros exemplos de racismo contra o Barbosa no Governismo.

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quinta-feira, 2 de maio de 2013

Desconstriuindo argumentos: PEC 33, mas pode chamar de golpismo.

"O senador Renan Calheiros pode pedir a prisão dos ministros Gilmar Mendes, Luiz Fux e Dias Toffoli porque atentam contra o Poder Legislativo. Porque atentaram contra a Constituição. Podemos chamar as Forças Armadas para proteger o Poder." Fonteles, Nazareno (PT-PI), autor da PEC33 do golpe contra o STF.
A PEC33 é flagrantemente inconstitucional, um golpe.

E não há discussão. Basta ver a gama de fanáticos  (não, não estou falando aqui só da Bancada Teocrata) que a está apoiando, como PHA, @Eduguim e tantos outros que fazem dessa PEC um projeto pessoal de vingança contra o STF por ter condenado Dirceu, Genoíno e cia (retomarei este ponto mais pra frente)...
Em outras palavras, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 33/11 é um verdadeiro golpe contra o judiciário, fruto apenas do desejo de vingança por parte do PT (pelo mensalão) e de seus aliados da Bancada Teocrática (que não aceita os avanços promovidos pelo STF em relação aos direitos LGBTs e das mulheres), com apoio entusiasmado do PSDB (para quem a Constituição sempre foi um detalhe, vide a reeleição fraudulenta de FHC), é uma tentativa de neutralizar o STF, intervindo no judiciário.

Trata-se de uma iniciativa que visa forçar que decisões do STF em relação a súmulas vinculantes, e declarações de inconstitucionalidade a emendas à Constituição propostas pelo Congresso passem por ele mesmo. Ou seja, o Congresso promove uma alteração inconstitucional, o STF barra e o mesmo Congresso passa por cima, dizendo que quem decide é ele.

Além disso, a PEC ainda propõe uma alteração ao quórum necessário para aprovar decisões no STF; não mais 7 de 11 votos, mas 9 de 11. Ou seja, uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) só será aprovada por 9x2! Isto se o presidente votar, o que nem sempre faz, aí teríamos 9x1!

A proposta foi apresentada pelo PT (Nazareno Fonteles) e relatada por um teocrata do PSDB (João Campos).
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Fiz uma análise da PEC para o Correio da Cidadania, vale a leitura.
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Mas deixei passar alguns detalhes que merecem comentários, assim como não posso deixar de comentar o lamentável artigo do Azenha no Vi o Mundo, aderindo ao golpismo contra o STF.

Em primeiro lugar, vamos deixar algo claro: Quem nomeou a maioria dos ministros do STF foi o PT. Ou seja, o PT é o último partido a ter algum direito a reclamar de um suposto "ativismo judiciário" por parte do STF.
“Se o STF é ~ golpista ~ a) o PT é golpista b) o PT escolhe não sabe escolher Ministro do STF não venha reclamar” via @ladyrasta
É a mesma desculpa com a mídia, a quem acusam de golpismo. O PT sustenta a mídia!

Ou seja, o PT financia seus supostos inimigos, até nomeia seus supostos inimigos e depois quer mudar as regras do jogo, quer dar um golpe na democracia passando por cima da constituição. Não seria mais fácil aprender a fazer política ao invés de implodí-la?

Algo que me tinha passado despercebido no texto da PEC33 é que, caso o STF considere uma PEC aprovada pelo congresso inconstitucional, esta voltaria ao congresso que então submeteria a consulta popular. Em outras palavras, o congresso iria perguntar ao povo se acha que algo é ou não constitucional! Estou esperando o Congresso aprovar a Cura Gay (aparentemente o aliado do PT, Marco Feliciano, está trabalhando nisso), a redução da maioridade penal, a pena de morte e outros temas lindos para passar por cima do STF e pedir ao povo que escolha a melhor opção.

Vamos começar a perguntar ao povo se devemos aprovar a pena de morte ou se devemos matar gays na rua se forem muito afeminados? Oras, é inconstitucional, mas não é o povo quem decide?

Quanto às alegações de governistas de que o "STF não tem voto", oras, o STF é indicado pelo executivo (eleito) e passa pelo crivo do senado (eleito). Seguindo esse raciocínio todo parlamentarismo (onde o Premier é indicado indiretamente pelos parlamentares eleitos) seria ilegal de início! E se vamos falar em não "tem voto", devemos abolir logo o judiciário, ou juízes são eleitos pelo povo? Talvez o judiciário esteja indevidamente se metendo na vida das pessoas, condenando-as por seus crimes!

Mas o foco é o STF, que condenou os "companheiros".

É um raciocínio semelhante que podemos fazer com os que defende a diminuição da maioridade penal no conforto de suas vidas de classe média: Se o filho deles for o assassino dá-se um jeitinho, que o diga Eike Batista. Quem vai preso é o pobre.

A indigência intelectual dos apoiadores desta PEC, aliada ao fanatismo e desejo de vingança, junto com a grande oportunidade vista pelos evangélicos revoltados com direitos LGBT's, células tronco e aborto de bebês anencéfalos, pode resultar em um golpe catastrófico para o país. Acaba-se a separação de poderes e as garantias constitucionais.



Outro argumento muito usado pelos fanáticos é a de que o STF estaria "intervindo" indevidamente no legislativo, como no caso da suspensão do projeto de lei que visa unicamente prejudicar a Marina e facilitar a eleição de Dilma. Oras, o STF não interviu magicamente suspendendo a discussão do projeto, ele foi PROVOCADO pelo legislativo, ou seja, é preciso que membro(s) do legislativo se manifestem e PEÇAM ao STF para intervir. Em outras palavras, não há nenhuma intervenção indevida e sim intervenção requerida.
Alguém por gentileza avise o Senador Renan Calheiros que propostas de emendas constitucionais tendentes a abolir cláusulas pétreas podem ter sua tramitação suspensa e, ao final, nulificada pelo STF (por analogia, também projetos de lei) tendo em vista que a Constituição diz que NÃO TRAMITARÁ projeto tendente a abolir cláusulas pétreas consoante disposto no artigo 60, §4º, da Constituição Federal, donde, caso esteja sendo deliberado algo do gênero, a consequência lógica é o poder-dever do STF suspender e depois nulificar essa tramitação...
Acredito que seja necessário tecer alguns comentários sobre o lamentável artigo do Azenha com reproduções de comentários do Nazareno Fonteles, o autor da PEC33.
Na Folha, por exemplo, a colunista Eliane Cantanhêde especulou que ele teria tramado uma dupla retaliação: contra a condenação dos réus do mensalão e a aprovação da união gay pelo STF.
Fonteles informou ao Viomundo que a PEC 33 tem dois anos de idade, ou seja, começou a tramitar muito antes das decisões mais recentes do STF.
Ou seja, a PEC que em outra situação seria descartada como projeto pessoal de um maluco golpista, acabou ganhando a atenção e apoio da Bancada Teocrata (o relator da PEC é o João Campos, do PSDB e líder da Bancada Teocrata) e dos governistas fanáticos que viram nela uma forma de se vingar do STF depois do Mensalão.

O projeto não foi *criado* como vingança pelo Mensalão, mas é usado hoje desta forma por petistas e seus apoiadores.

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Mas antes de mais nada é preciso situar o leitor, quem é Nazareno Fonteles?

Esta figura obscura é um deputado pelo Piauí que tem histórico de apresentar projetos esdrúxulos e, católico conservador, é próximo da Bancada Teocrática/Evangélica do Congresso, não surpreende que seu projeto tenha sido relatado pelo João Campos, líder de tal bancada - que em qualquer país sério seria abolida, assim como a presença de "pastores" no parlamento -, à revelia mesmo do PSDB, partido de Campos.

Outro projeto genial de Nazareno Fonteles é a "Poupança Fraterna":
O projeto de Nazareno estipulava o “limite máximo de consumo”.
Isto mesmo, na Democracia Nazarena você só poderia consumir o máximo estipulado pela Lei.
Segundo o Projeto Nazareno, “O Limite Máximo de Consumo fica definido como dez vezes o valor da renda per capita nacional, mensal, calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, em relação ao ano anterior”.
O “Limite Máximo de Consumo” é valor máximo que cada pessoa física residente no País poderá utilizar, mensalmente, para custear sua vida e as de seus dependentes.
O restante vai para uma caderneta de poupança apelidada de Poupança Fraterna
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Voltamos.

Reparem na virulência das declarações de alguns governistas, o claro tom de revanche contra o Mensalão. Quanto aos teocratas, "justiça" nunca foi algo que tenham buscado, quanto mais livres para cometer estelionato, melhor.

E a aliança de teocratas com o PT não surpreende. As classes mais baixas, mais sujeitas ao controle por  parte dos teocratas neopentecostais, tem tido uma certa ascensão social com o PT, ou seja, maior capacidade de engordar os cofres das seitas evangélicas, ao passo que o PT tem se submetido aos teocratas em diversos momentos, com significativos retrocessos na questão LGBT - que o STF tem combatido.
Ele admite, porém, que a PEC nasceu de uma tentativa de frear invasão do Judiciário nas atribuições do Congresso.
“O Judiciário está violando a Constituição e invadindo a função legislativa já há muitos anos”, afirmou.
Citou exemplos: fidelidade partidária, verticalização das eleições, número de vereadores, cotas, células tronco embrionárias, aborto de anencéfalos, união homoafetiva, royalties do petróleo e PEC dos precatórios.
Felizmente o STF se meteu em questões como as do aborto de anencéfalos, união homoafetiva, células tronco e etc, que foram deixadas de lado pelo governo, aliado aos teocratas. Felizmente o STF conseguiu promover direitos humanos enquanto o Congresso e o Governo promovem o atraso, remoções forçadas, medievalismo e genocídio indígena.

E exatamente porque o STF "se meteu" em assuntos de direitos humanos que o Nazareno Fonteles se insurgiu.

O Congresso ABDICOU de tratar de diversos assuntos, quando não propôs recuos vergonhosos em diversos temas. Frente a um congresso/governo omisso e por vezes retrógrado, felizmente o STF se mostrou presente (não que o STF seja o paraíso do progresso, também errou diversas vezes e cometeu excessos).
Mas, o que busca a PEC 33? Aumentar de seis para nove o número de votos necessários (entre onze ministros) para que o STF tome decisões sobre inconstitucionalidade, emendas constitucionais e súmulas vinculantes.
Praticamente a unanimidade dos juízes.
No caso de súmulas vinculantes, o Congresso teria 90 dias para analisar a decisão do STF; se discordar, a súmula do STF se mantém mas deixa de ser vinculante, ou seja, deixa de ser imposta a tribunais inferiores.
Quanto às súmulas em si, há muito debate entre juristas sobre sua validade, eficácia e eficiência. Ou seja, deve ficar entre juristas a questão e não nas mãos de um congresso homofóbico e interessado em ampliar seu poder a qualquer custo.
No caso de emenda constitucional, a decisão do STF seria analisada pelo Congresso por um prazo máximo de 90 dias; em caso de discórdia, a decisão seria levada a consulta popular.
Como comentei, passa ao povo a decisão sobre constitucionalidade de matérias. Imaginem só que lindo será. Sem falar me todo o processo para a consulta acontecer.
Reagindo, o deputado disse que isso demonstra “como o Senado tem sido negligente com um ministro desses, que tem a esposa trabalhando no escritório do [advogado] Sergio Bermudes”, numa referência à possibilidade de cassação de Gilmar Mendes.
Se o governo está insatisfeito com ministros que o executivo indicou (ainda que o Mendes tenha sido indicação anterior ao PT) e que o Senado referendou, façam uma seleção melhor no futuro ou mesmo usem a maioria no senado para cassá-lo. Mas tornar o STF um penduricalho inútil não é solução.
Fonteles disse que a PEC é uma forma de coibir a “ferocidade autoritária, quase fascista do Judiciário”, ao invadir a função legislativa.
Vindo de membro de governo que apóia genocídio indígena, remoções forçadas, que se nega a dialogar com movimentos sociais e trabalhadores, privatista e aliado de teocratas, é no mínimo ridículo falar em autoritarismo ou fascismo. A ferocidade autoritária com que o governo privatiza e criminaliza lutas, ao ponto de espionar trabalhadores e opositores, não deixa brecha para que esta acusação seja usada por nenhum petista.
Sobre a sugestão da colunista Cantanhêde de que, como “deputado cristão”, ele estaria se insurgindo contra decisões vistas como progressistas do STF — células tronco, aborto de anencéfalos e união homoafetiva, por exemplo –, o deputado disse que o STF é “um poder de origem monárquica”, que serve ao interesse conservador mas usa algumas de suas decisões para se apresentar como “moderno”.
Ao invés de explicar porque se insurgiu contra o STF preparando um golpe o deputado preferiu atacar as origens do STF. Realmente não esconde que sua intenção é acabar ou neutralizar com o órgão. Ao contrário do PT, o STF (lembre-se que a maioria dos ministros foi nomeada pelo PT) é conservador e toma decisões progressistas, já o PT paga de progressista, mas é absolutamente conservador.
Segundo o deputado, o STF decidiu sobre o uso de células tronco em pesquisas mas até hoje não se manifestou sobre os transgênicos, porque “mexe com os interesses da Monsanto”, a gigantesca transnacional do agronegócio.
Monsanto? A mesma para a qual o Vaccarezza (ex-líder do PT) trabalha e prepara projetos? Com a PEC do PT o STF não irá nem tratar da Monsanto, cujos interesses são ligados aos do PT e de seus aliados do agronegócio como Katia Abreu, e nem irá tratar sobre células tronco, já que os aliados tipo Marco Feliciano não deixam.
O STF, segundo o petista, funciona em função das “bancas ricas de advogados, que só os ricos podem bancar”.
Por isso Dilma nomeou o advogado do PT, Toffoli, pro STF? Pobres poderiam bancar os advogados de Dirceu e cia?
“Agora quer holofote? Vai atrás de voto, larga a magistratura, vai ser candidato, funda um partido e não se aproveite de uma conjuntura em que a mídia oligárquica que nós temos em boa parte deste país faz, junto com o Supremo, uma espécie de braço político auxiliar da oposição, que foi derrotada nas urnas”.
O ódio estampado nesta frase resume tudo.

O PT, enfim, está tentando dar um golpe no STF, não há o que acrescentar e não há outro raciocínio.

Ao invés de, por exemplo, DEMOCRATIZAR o judiciário, como fez Cristina Kirchner, o PT tenta moldar o STF para neutralizá-lo e facilitar que projetos inconstitucionais, retirada de direitos e vulnerações dos direitos humanos passem sem maiores problemas.
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Do outro lado, a cruzada evangélica conta com a simpatia de outros parlamentares, que também não gostaram muito de algumas decisões do Supremo. É o caso, por exemplo, das regras de fidelidade partidária, que a CCJ aprovou por unanimidade o relatório sobre a admissibilidade da PEC o STF deu seu parecer acerca do tema, o que causou certo desconforto em alguns. “O Judiciário tem legislado com frequência e isso não pode acontecer, é algo que fere o equilíbrio entre os Poderes”, diz o deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), autor da proposta.

Atualmente, a Constituição permite que Congresso tenha poder de sustar atos normativos do Executivo, quando forem considerados fora de sua atribuição normativa, mas não prevê o mesmo em relação ao Judiciário. Fonteles afirma que essa "lacuna" cria uma situação de desigualdade entre os Poderes. “O que o Supremo tem feito é interpretar a Constituição contra a própria Constituição. Se o STF legisla, ele fere a cláusula pétrea que impõe a separação entre os Poderes e, sem dúvida, coloca em risco o Legislativo”, afirma.
Como se pode ouvir na entrevista do Nazareno Fonteles linkada no Vi o Mundo, e no destaque acima, de 2012, as intenções por trás desta PEC são as piores possíveis.

E em uma entrevista Nazareno Fonteles deu a seguinte declaração:
Ele (Supremo) está defendendo interesses da minoria da oposição política, que foi derrotada nas urnas e foi derrotada no Congresso. E que fica tentando usar o Judiciário como seu braço auxiliar na política para derrotar a maioria. Se isso vira a moda, que é o que está acontecendo, como é que fica o estado democrático de direito.
O STF foi nomeado pelo PT e o PT quer derrubá-lo através de um golpe. Só isso precisa ser dito.
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Judicializar a política: Ficarão só os ratos?

O primeiro e mais relevante desses caminhos, como já comentamos antes, consiste naquilo que alguns autores estão chamando de judicialização da política, e eu prefiro chamar de criminalização da política e da ação dos partidos. A política e os partidos passam a ser julgados não mais pelo povo, mas por juízes que, no chamado processo do mensalão, se arrogaram o direito de mudar a natureza do crime cometido, desdenhar provas, atropelar a Constituição e os procedimentos legais instituídos e se colocar acima dos demais poderes republicanos. E se alguém pensa que o STF se contentará em dar um exemplo apenas com esse julgamento, talvez se engane redondamente. Tudo indica que o poder judiciário, sob a tutela da alta corte, se empenhará em substituir o Congresso com normas e leis que intensifiquem a criminalização da política e a paralisia do governo dirigido pelo PT, através do levantamento de novos casos de corrupção, reais ou forjados, que envolvam o ex-presidente Lula, a presidenta Dilma e o PT.
É curioso notar que, antes do PT chegar ao poder, seus militantes bradavam a nacessidade de se condenar os corruptos do PSDB (FHC em especial), da necessidade de se fazer algo contra a privataria tucana...

Mas, uma vez no poder, corrupto sendo julgado não pode. É "judicializar a política".

Oras, quem vai julgar os corruptos? O povo? Povo é juiz? E se for, foi juiz para livrar o PSDB da forca, mesmo que petistas continuem a reclamar - aqui, com razão - da necessidade de se julgar a privataria tucana, o mensalão tucano e etc?

Me lembro de quando o PT ainda não tinha se vendido pro Maluf e seus militantes comemoravam quando este era julgado e condenado e diziam que o povo não sabia votar, já que sempre o elegiam ou que, ao menos, eram influenciados negativamente pela grande mídia - que hoje é financiada em grande parte pelo governo federal.

FHC usou e abusou de meios ilegais para se reeleger, entao o povo o perdoou por isso, já que ele foi eleito? É isso mesmo, petistas? Oras, os roubos petistas não forma perdoados pelo povo que votou em massa no PT nas eleições passadas? Ou será que o povo vota em quem lhe promete mais, em quem lhe dá mais poder de consumo e deixemos questões legais para o judiciário?

Mensalão ou Caixa 2, pouco importa o nome: É corrupção. É crime. E felizmente temos o STF para, neste e em outros casos, nos defender. Ou vamos ficar nas mãos da governista bancada evangélica, ou nos governistas ruralistas ou mesmo nas governistas empreiteiras?

O STF erra, e erra muito, mas sem ele teríamos de deixar o Bispo de Guarulhos decidir se mulheres teriam de morrer com fetos inviáveis ou abortar. Dentre outros exemplos cabíveis. É justo reclamar de uma decisão, mas é ridículo e vergonhoso achar que a decisão está errada na base do "todos fazem" ou que "o povo nos perdôou".

Crime continua sendo crime, mesmo que todos achem que ele compensa e vale à pena.

Até Kassab hoje é aliado! Se ele se eleger novamente para algum cargo deixará de ser higienista? Terá sido "perdoado"? Aliás, o PT já o perdoou, já o adotou e periga apoiá-lo para o senado! E não faltarão governistas o apoiando e dizendo que nós somos ressentidos e revanchistas por não fazê-lo.

O PT entrou no jogo sujo da política com fome, com muita fome, mas não aceita ser condenado ou mesmo que apontem o dedo para sua falta de ética, para sua indecência com o dinheiro público e para o fato de terem rasgado sua história, se aliando a TODA a corja que diziam combater. Não falta muito estarão unidos ao PSDB - oras, em Minas eram aliados até poucos meses!

Serra é um empecilho e depois de FHC morto se abrem as portas para a aliança.

Mas o petista médio, e mesmo certas lideranças são incapazes de enxergar qualquer erro. A culpa é sempre dos outros, ou da política! Oras, a política é corrupta, logo, vamos todos nos refestelar com o dinheiro público e privatizar o que não nos interessa mais.

Não há um pingo de autocrítica.

Ou melhor, começam a surgir vozes dissidentes. Dois apoiadores entusiasmados do lulo-dilmismo se insurgiram recentemente, Mino Carta e Ricardo Kotscho, e forma alvo do ódio infantil e burro da militância fanática.

Escreveu Kotscho:
A bonita história do partido, que foi fundamental na redemocratização do país, e a dos milhões de militantes que ajudaram a levar o PT ao poder merecem que seus líderes venham a público, não só para responder a FHC e às denúncias sobre a Operação Porto Seguro publicadas diariamente na imprensa, mas para reconhecer os erros cometidos e devolver a esperança a quem acreditou em seu projeto político original, baseado na ética e na igualdade de oportunidades para todos.
Chegou a hora da verdade para Lula e o PT.
É preciso ter a grandeza de vir a público para tratar francamente tanto do caso do mensalão como do esquema de corrupção denunciado pela Operação Porto Seguro, a partir do escritório da Presidência da República em São Paulo, pois não podemos eternamente apenas culpar os adversários pelos males que nos afligem. Isso não resolve.
E escreveu Mino, de forma ainda mais dura, acusando o PT de traição:
O PT atual perdeu a linha, no sentido mais amplo. Demoliu seu passado honrado. Abandonou-se ao vírus da corrupção, agora a corroê-lo como se dá, desde sempre com absoluta naturalidade, com aqueles que partidos nunca foram. Seu maior líder, ao se tornar simplesmente Lula, fez um bom governo, e com justiça ganhou a condição de presidente mais popular da história do Brasil. Dilma segue-lhe os passos, com personalidade e firmeza. CartaCapital apoia a presidenta, bem como apoiou Lula. Entende, no entanto, que uma intervenção profunda e enérgica se faça necessária PT adentro.
[...]
O PT não é o que prometia ser. Foi envolvido antes por oportunistas audaciosos, depois por incompetentes covardes. Neste exato instante a exibição de velhacaria proporcionada pelo relator da CPI do Cachoeira, o deputado petista Odair Cunha, é algo magistral no seu gênero. Leiam nesta edição como se deu que ele entregasse a alma ao demônio da pusilanimidade. Ou ele não acredita mesmo no que faz, ou deveria fazer?
O professor Chico Bicudo, a quem tenho grande admiração, escreveu um longo e instigante texto em seu blog que recomendo a leitura, e seleciono trechos:
Mas, no poder, Lula ficou maior que o PT. E o lulismo - misto de medidas econômicas conservadoras, políticas sociais e de distribuição de renda, amplo arco de alianças políticas e base social sustentada pelos menos favorecidos da pirâmide - acabou rendendo-se e adaptando-se à real politik. Para o cientista político André Singer, "o lulismo existe sob o signo da contradição. Conservação e mudança, reprodução e superação, decepção e esperança num mesmo movimento". Nessa dinâmica pendular, em nome da governabilidade, o PT acomodou-se. Começou a gostar do jogo - de um jogo que toca a bola de lado, administrando resultados, sem ousadia e alegria. O PT conciliou. Conchavou. Aos poucos, muitas bandeiras de luta petistas foram ficando para trás, perdidas na estrada - a reforma agrária talvez seja o exemplo mais gritante e lamentável. A transformação radical das estruturas foi substituída pela premissa das reformas, suaves. O lulismo caiu nos braços do capitalismo. Como projeto político, assumiu viés messiânico, distribuindo ordens, passando tratores e impondo verdades, a sugerir infalibilidade, a fomentar e comemorar o culto à personalidade, como se fora do lulismo não houvesse salvação possível para a sociedade brasileira.  
[...]
Fagocitado gradativamente pelo lulismo, e provavelmente deslumbrado com as benesses agudas e sedutoras oferecidas pelo governo, picado pela mosquinha, o PT apequenou-se. Diante do dilema tensionar para avançar ou pactuar para consolidar-se como porto seguro, optou pelo segundo caminho.
[...]
A carnificina da mídia e os desvios do Supremo não isentam nem justificam os erros do PT. Gente grande no partido sujou as mãos. Cometeram crimes, que careciam de julgamento, à luz e sob o rigor das leis e do Direito, não dos perigosos exercícios de suposições, ilações e do "não é possível que não soubesse". Tal comportamento só faz enfraquecer a democracia e abre delicadíssimos precedentes.
[...]
Em minha análise, o que aconteceu foi caixa 2, arrecadação irregular de recursos para pagamento de dívidas de campanha, inclusive de partidos aliados. O que, novamente, não absolve o PT. Também não lhe dá o direito de alegar que "todos os partidos são assim, não foi exclusividade nossa, estamos pagando por aquilo que todos fazem, é do jogo político, foi assim desde sempre e ninguém foi punido". Se era (é) assim, o PT foi eleito para fazer diferente. E o financiamento público de campanhas, por exemplo, bandeira que o partido empunhava? Se havia fantasmas no armário, o PT chegou ao governo para exorcizá-los, não para esparramar novas assombrações. 
[...]
O pecado original: o PT e o governo Lula tiveram medo, não bancaram uma Lei de Meios, o controle social da informação - que, muito longe de estabelecer censura, garante o exercício responsável e plural do jornalismo, a definir deveres e direitos, e a proibir a propriedade cruzada dos veículos. Sequer o projeto chegou a ser encaminhado ao Congresso Nacional. Bem ao contrário, continuam a adular os mandarins da mídia, como chamaria Mino Carta, a abarrotar os cofres destas empresas com verbas públicas, por meio de campanhas de estatais e inserções publicitárias muito bem pagas. A vítima financia o algoz. Dorme com o inimigo. Que masoquismo é esse? Por fim, numa manobra covarde e lastimável, joelhos dobrados, o partido patrocinou a retirada do nome de Policarpo Junior, da Veja, do relatório final da CPI do Cachoeira, na semana que passou. 
São poucos exemplos, mas exemplos de peso.

Eu tenho imensa dificuldade em compreender quem ainda se mantém fiel, mesmo crítico, a este governo.

Respeito os que criticam, os que fazem autocrítica, mas não entendo porque não rompem de vez. Uns tem ligação afetiva, outros, não sei.

Claro que, do outro lado, há fanáticos como Eduardo Guimarães que investem em teorias conspiratórias de que a mídai financiada pelo governo/PT quer "derrotar" o Lula, como se fosse uma preocupação nacional "salvar" um ex-presidente que não detém qualquer cargo de um processo, caso chegue até isso, e caso haja motivos suficientes para que este processo exista

Cito trechos, tentem não rir:
Já faz muito tempo que Lula só aparece para o grande público de forma negativa, sendo associado a escândalos, julgamento no Supremo Tribunal Federal e, agora, até a infidelidade conjugal – conduta que, neste país latino, tampouco chega a ser execrada pela sociedade.

Só que Lula apanha e não se defende. E apesar de ter sido defendido por aliados e pela própria Dilma, há que perguntar até quando isso pode bastar.
[...]
Fora da Presidência, Lula não tem mais voz. Até porque, parece não querer. Isso, claro, porque sabe que qualquer coisa que diga será distorcida. Então ele apanha amarrado e amordaçado. Esse silêncio funcionou durante seu mandato e até recentemente, mas com o passar do tempo e a continuidade do bombardeio em algum momento o país quererá ouvir a sua versão dos fatos.

Segundo se sabe, porquanto não terminou o julgamento do mensalão Lula optou por não se manifestar sobre o atual quadro político. Vem sendo ventilado que ele teme agravar as penas do dito “núcleo político” da ação penal 470. Contudo, em algum momento ele terá que vir a público dar a sua versão sobre os ataques que tem sofrido.

Lula não precisa dos melhores argumentos ou de provas de que não cometeu crimes. Até porque, se não há provas de que os cometeu não precisa apresentar provas de que não os cometeu. Mas ele precisa falar ao país. É o maior líder político brasileiro e, se quiser se manter assim, terá que exercer sua liderança.
O desespero de governistas incapazes de compreender que Lula não é deus, que ele erra, que o PT erra e que, enfim, erraram, roubaram, corromperam, desviaram, é impressionante! Pior, são eles que colocam o Lula na reta, assumindo que a mídia, o terrível "PIG" quer derrubá-lo (sic)!

Lula não se manifestou sobre o Mensalão e não tem se manifestado sobre muito do que acontece, mas no desespero de fiéis esperando uma palavra de sua divindade, petistas e governistas precisam que Lula se manifeste e os guie em todos os aspectos. Não é apenas infantilidade, é fanatismo.

A recente votação (ou falta dela) sobre o PT reconhecer ou não o resultado do Mensalão (algo risível, claro) dá o tom de galhofa e de controle sobre cães de guarda fanatizados que precisam apenas ser mantidos ocupados e no ataque. O PT joga pra platéia. Fará vaquinha pra pagar a dívida dos mensaleiros, reclama da mídia, reclama do STF, diz que vai fazer e acontecer, mas na hora de realmente ir pra briga, recua, se acovarda, ou melhor, deixa claro que só tem bravatas disponíveis.

Mas incita a militância a protestar, a ir às ruas (mesmo que no fim não vá ninguém), a reclamar, enfim, criam um inimigo ou inimigos que, na verdade, são aliados sempre que necessário (vide o tal PIG, a mídia que o PT manda seus cães baterem, mas paga rios de dinheiro e adora sair na capa da Veja e afins).

Os fanáticos do PT precisam de um inimigo e à medida que todos os inimigos históricos do PT viram aliados (Bancos, Ruralistas, Malufistas, Colloridos, Krents, Privatistas, grande capital, etc), é preciso fabricar novos.

Sobra pra mídia, pro STF que, quando a direção precisa, voltam a ser aliados.

O fato é que, para mim, o PT não tem mais volta. Restarão apenas os fanáticos gritando contra a mídia que eles próprios financiam enquanto o Brasil se tinge de vermelho. Não o vermelho do PT, mas o vermelho do sangue dos mortos devido Às políticas (ou falta delas) do governo.
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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Mensalão: Jeitinho ou algo mais?

Passou o momento do clímax no julgamento do Mensalão.

Está, até o momento, comprovada a existência de um esquema criminoso para a compra de apoio político para ajudar o governo Lula a aprovar suas medidas. Resta saber quais e quantos criminosos serão efetivamente postos na cadeia. E se membros graúdos do PT irão acompanhar na cadeia os peixes-pequenos já condenados.

Dirceu, Delúbio e Genoíno caíram.

Mas, no fim, todo este julgamento pouco importa. Não importa que o PT passou todo o tempo tentando justificar que não era Mensalão, mas Caixa 2, como se esta prática não fosse igualmente crime, nem que meia dúzia de petistas e aliados seja preso.

A prática do mensalão/Caixa 2 está consagrada e se perpetua, vide a compra do PTN pelo Paes no Rio - não surpreende que o PT esteja envolvido, já que é aliado entusiasmado do Paes. E no fim nada fará diferença, nem a condenação de metade do PT, do PP e de demais aliados caso a população não se importe.

O jeitinho brasileiro parece falar mais alto, assim como também a falta crônica de quadros na política  brasileira, em conjunto com o péssimo modelo de financiamento de campanhas que deixam os políticos virarem sócios de empreiteiros e demais empresas. O problema é o modelo e a mentalidade.

Não temos oposição séria. Tirando um Freixo e outros candidatos espalhados pelo PSOL, PCB, PSTU e mesmo um ou outro resistente do PT, em quem votar? Vejam São Paulo, onde as opções vão entre o medíocre e o perigoso, com Haddad, Serra e Russomano mostrando a total falência da política paulista. Agora, no segundo turno, temos a competição entre aliado do Malafaia e aliado do Maluf.

Na prática, PSDB e PT dificilmente serão muito diferentes. Haddad é financiado pelas mesmas construtoras que o PSDB e o PSDB é o mesmo que sempre foi higienista e não deixará de sê-lo.

Hoje é o PSDB com Malafaia em São Paulo, mas este bandido está com Dilma, assim como o PRB de Russomano e tantos outros.

Um aviso antes de mais nada, Haddad ganhando não significa que o povo apoia o PT e sim que o temor pelo Russomano e o repúdio ao Serra são maiores, não é um voto de confiança no PT e sim um voto de desconfiança nos demais.

Estamos neste ponto em que votamos para evitar um mal e não porque concordamos com o candidato que "escolhemos" por livre e espontâneo desespero. O Mensalão não parece ter tocado o PT, e as razões, repito, são várias. Acredito ter alencado algumas. Não temos opção, o modelo é um lixo e "tirar vantagem" nem sempre é mal visto pela população.

População esta que mora em favela, ganha 291 reais, mas virou classe média.
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terça-feira, 4 de setembro de 2012

Judiciário de Cabresto, o verdadeiro Golpe contra a democracia

Dos 11 ministros que participaram do julgamento do mensaleiro João Paulo Cunha, 8 haviam sido nomeados pelo PT (Dilma e Lula).

JP Cunha foi condenado por 9 votos a 2. Desses 9 votos que o condenaram, nada menos que 6 (SEIS) foram dados por ministros nomeados pelo Lula ou pela Dilma. Os dois que votaram pela absolvição foram o ministros Ricardo Levandowski (nomeado pelo Lula/PT, mas que condenou, por exemplo, diretores do Banco Rural. Pelo visto, o problema é só quando condenam o PT diretamente) e pelo ministro Dias Toffoli que, não surpreende, foi advogado do PT.

Apenas 3 dos 9 votos contra JP Cunha foram dados por ministros indicados por não-petistas, ou seja, a absoluta minoria.

Mas, mesmo assim, a "blogosfera progressista" não parou de atacar os ministros, como se fossem vendidos, parte do "PIG" - aquela entidade mágica que vive elogiando o PT e colocando Dilma na capa de revistas, mas quando critica vira o grande satã - e, no fim, golpistas.
- Vocês sabem que mexeram com o PT, um golpe grande, que faz parte de uma ação daqueles que foram derrotados nas urnas três vezes. São esses conservadores que diziam que o Brasil não podia crescer mais de 3%, que não podia dar aumento de salário, que gerava inflação. São esses mesmos conservadores que, junto com os setores da grande mídia, perderam na urna e tentam nos derrotar por outros meios - disse Falcão, durante o lançamento da candidatura do substituto de João Paulo à prefeitura de Osasco, Jorge Lapas (PT).
Uma declaração destas mereceria por parte dos minitros do STF um belo processo. Mas além disso, as acusações torpes de que todo o STF (retirando dois ministros) seria "golpista" é uma ofensa contra a própria democracia brasileira e a balança de poderes da república: o judiciário é independente.

Não faltaram aqueles que, com espaço garantido dentre os "progressistas" reclamassem que Lula e Dilma deveriam mesmo é nomear apenas amigos de confiança para cargos do judiciário. Escolher a dedo quem nomear para garantir que, ao invés do respeito à lei e à constituição, tivéssemos o respeito ao PT. Um judiciário de cabresto.
O anterior Procurador Geral da Republica não foi sequer neutro. Ao classificar o grupo dos 40 do mensalão mostrou-se inimigo frontal de quem o indicou. Não pode funcionar um Pais que cria esse nivel de conflito institucional auto induzido pelo proprio Poder.
Frente a um PGR não-neutro, o famoso Engavetador Geral da República, a proposta é a de empossar outro igualmente não-neutro, mas do "nosso lado".
A Democracia é o menos ruim dos regimes, não é o ideal e nunca será, não é perfeito e precisa funcionar. O caminho do Supremo neste caso do mensalão é muito ruim, é inconsequente, age como se o Supremo estivesse em um vácuo e não inserido dentro de um sistema que tem que operar dentro de um minimo de harmonia.
O Supremo não pode desafiar o Governo em nome de principios que ele mesmo proclama. E neste processo está sendo criativo, o "garantismo" está sendo enterrado para abrir caminho para as condenações coletivas no modelo de Nuremberg.
Entendemos, pois, que o Supremo deve se curvar à vontade do partido governante e rasgar a constituição, tornando o peculato, a corrupção e o uso criminoso de dinheiro público "garantias constitucionais".

Estas ideias e declarações passam longe de qualquer noção mínima de democracia e são  a declarção definitiva de que a ditadura é o modelo ideal. Curiosamente, tais declarações vem de gente cujo partido foi grande responsável pela resistência à Ditadura Militar! Aparentemnte, o excesso de convivência com um regime ditatorial deixou marcas próximas às da Síndrome de Estocolmo. Para dizer o mínimo.
Existe uma enorme diferença entre considerar equivocada uma decisão do judiciário, de um ministro ou mesmo do colegiado. Isto faz parte da democracia. Mas é diferente quando acusamos frontalmente o judiciário de golpe quando não gostamos de uma decisão e nos consideramos acima da constituição.
Há tempos que dependemos do judiciário para evitar uma medievalização do pa´si nas mãos dos evangélicos - aliados de Dilma e do PT - que tentam jogar na fogueira - não duvidem se literalmente - gays, feministas e quaisquer minorias que apareçam na frente. Foi graças ao STF que gays garantiram direitos e mulheres garantiram direitos mínimos de abortar bebês que, enfim, já estão mortos, anencéfalos.

Pequenos passos que deveriam ter sido dados pelo governo e pelo congresso, mas estes foram no caminho contrário, propondo criminalizações e chegando ao ponto da presidente do país declarar que não faria "propaganda de opção sexual" frente aos pelos da comunidade LGBT que vem sendo massacrada.

Mas é óbvio que temos retrocessos, que temos equívocos e interpretações diferentes. Recentemente o ministro Ayres Britto - indicado pelo PT - permitiu que Belo Monte continuasse a ser construída. Apesar de considerar a decisão equivocada, não posso iniciar um movimento acusando-o de golpismo ou de apoiar o genocídio indígena iniciado e patrocinado pelo PT.

Exceções, porém, são dois casos especiais: Gilmar Mendes e Dias Toffoli. O primeiro, cria de Fernando Henrique, possui ligações claras com o PSDB e pode estar envolvido no Mensalão Mineiro e deixa clara sua antipatia perigosa em relação ao PT. Longe de ser um democrata, usa a toga para benefícios pessoais e de compadres. Já Dias Toffoli talvez seja o primeiro experimento da tese "progressista" de que precisamos colocar nossos amigos na corte. Ex-advogado e empregado do PT, não se sabe se tem ou terá a independência necessária do partido. Sua posição no julgamento do Mensalão mostra que temos motivos para duvidar.

Ambos os minitros possuem ligações com partidos políticos falsamente antagonistas em termos ideológicos, mas que sedegladiam em nível federal (ainda quese aliam a nível local costumeiramente).

Enfim, declarações desastrosas e beirando a incitação à revolta como as seguintes, proferidas pelo presidente do PT são um verdadeiro perigo à democracia.
- Essa elite suja, reacionária, não tolera que um operário tenha mudado o país. Não tolera que uma mulher dê continuidade a esse projeto (...) E isso, para quem mantinha o povo subjulgado, é inaceitável. E quando eles são derrotados nas urnas, eles lançam mão dos instrumentos de poder que ainda dispõe, desde a mídia conservadora, passando pelo Judiciário, para tentar nos derrotar.
E o discurso é mero engodo para a platéia, pois a "elite suja", composta pela elite ruralista da aliada Katia Abreu, por Eike Batista, pelo empresariado da indústria pesada, construtoras e etc está INTEIRAMENTE ligada, aliada e financiando o PT. Ao passo que a "mídia conservadora" rasga elogios às privatizações dilmistas e à forma como ela trata grevistas: Na porrada.
Além disso, se não tivemos ainda um processo de democratização das comunicações - única forma de combater a tal mídia conservadora - é porque o PT não teve a menor vontade/intenção de dar o primeiro passo. Apesar disso, fanáticos não deixam de repetir incessantemente os mesmos mantras para a platéia.

Agora, acusar o judiciário de tentar "derrotar" o PT, quando a maior parte do judiciário foi NOMEADO pelo PT é, no mínimo, ridículo. É, na verdade, um golpe contra a democracia.O PT já deu um golpe em sua história, em sua militância e em sua ideologia, que não dê nenhum passo mais em direção ao abismo, levando o país junto.
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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Não é preciso ser gay para ser HUMANO! #UniaoHomoafetiva

Escrevo ainda inebriado de alegria pela esmagadora vitória de 10 a 0 (a ZERO) no STF a favor da União Homoafetiva, dos direitos civis garantidos aos casais homossexuais.

Enquanto escrevia, ontem de noite, as tags #UniaoHomoafetiva e #ChupaMalafaia estavam liderando os TT's brasileiros (a tag #UniaoHomoafetiva em primeiro mundial).

De uma tacada só, a garantia dos direitos das minorias, o respeito aos direitos humanos de TODOS e TODAS @s brasileir@s e uma resposta à homofobia persistente de lideranças criminosas evangélicas, como Silas Malafaia e Marco Feliciano e de setores da Igreja Católica, em especial da CNBB, com seu advogado que dificilmente passaria num teste anti-drogas (dentre MUITOS outros, lembremo-nos de Bolsonaro e sua famiglia).

É momento para comemorar, mas também para manter a mobilização, na verdade de tomarmos consciência do poder de nossa militância - sejamos gays, héteros ou o que for - e pressionar com ainda mais força pela aprovação do PLC 122 que não só garante direitos aos homossexuais, como ainda CRIMINALIZA a homofobia, criminaliza aqueles que tentam retirar ou impedir acesso de significativa parcela da população à seus direitos.

Não basta apenas garantir direitos, mas também evitar, proibir que se incite o ódio, que se pregue contra a humanidade. Somos todos humanos, somos todos iguais, independentemente de raça, de orientação, de gostos, opiniões...

Não é preciso ser gay para se comemorar este momento, basta ser humano. Basta respeitar, basta saber o que é amar, o que é sentir afeto por outro ou pelo outro.

Todos temos direito à felicidade. O importante é amar, é sentir prazer, é viver bem consigo mesmo e com os demais.

O Brasil é um Estado Laico. Cabe aos fanáticos aceitar ou, como recomendaram no Twitter, se mudar pra Uganda.
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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Blogosfera Censurada e os Barões da Mídia: Liberdade de Empresa!

A blogosfera brasileira foi sacudida no dia  17 de junho por uma flagrante tentativa de censura contra o blog "Os Amigos do Presidente Lula" por parte do Ministério Público Eleitoral que teria pedido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a retirada do ar do referido blog por ter noticiado um relatório público e por ter feito supostas ofensas ao candidato da oposição, José Serra.

Outro blog na mesma situação também é partidário da candidatura de Dilma Rouseff, sucessora de Lula. Trata-se do "Blog da Dilma", que é acusado de enaltecer a candidata e de pedir ajuda financeira para a campanha, ao que o blog responde e deixa claro em sua página inicial que não tem qualquer ligação com a candidata, apenas simpatia e declarado apoio.

O @cesaraovivo comenta:
A lei eleitoral brasileira é bizarra, por acreditar (como queriam seus redatores, os serviçais da ditadura 1964-1985) que é possível marcar início e fim da atividade político-eleitoral. A criação destas “datas de corte” da atividade política (não confundam com a atividade eleitoral!) não faz sentido numa democracia e faz menos sentido ainda na era da internet.
E está coberto de razão. Não temos a liberdade de nos manifestar? Declarar apoio é propaganda eleitoral ou simplesmente exercício de nossa liberdade de expressão? A justiça (sic) brasileira é aquela piada que conhecemos, Gilmar Mendes, Pelusos da vida... A nossa justiça (sic) acha até que é legal (em todos os sentidos) torturar no país! Como levar à sério?

Dilma foi multada (Lula, na verdade), por aparecer em propaganda de seu próprio partido em Minas. Serra apareceu nas campanhas do PPS e do DEM no Ceará e em nível nacional e não sofreu nada. Onde está a justiça? Uma pessoa não pode aparecer na propaganda de seu próprio partido porque isso seria campanha antecipada, mas outra pode na de outros partidos que sequer são o seu? Como funciona isso?

Mas, na verdade, a questão transcende estes detalhes. Estamos falando da ação de simpatizantes, de pessoas comuns, que acharam na internet, nos blogs, uma forma de se expressar e de expressar apoio. Quem a justiça (sic) eleitoral pensa que é para proibir a liberdade de expressão de alguém? Não pode haver debate político porque ainda não está na hora? Aliás, que hora? Só podemos debater nos períodos delimitados pela justiça (sic)?

Depois reclamam que brasileiro não discute política, não se interessa.. Pudera, se tentam debater, defender e demonstrar apoio são punidos! Quer dizer, apenas se forem anti-DemoTucanos!

O Anti-tucano acerta em cheio:
Quando se tem poder – econômico (caso dos empresários) ou econômico-midiático (caso dos barões da mídia) – em um curto espaço de tempo é possível criar ou desfazer, candidaturas e realidades. Num telefonema é possível fazer e acontecer.
Assim, proibir que pessoas comuns façam campanha para seus candidatos na internet, reservando-lhes apenas o curto espaço de tempo que a legislação permite, favorece o ‘mais forte’. Pois ‘os fracos’ precisam de tempo e, mesmo assim, para conseguir um poder de influência muito pequeno, horizontal.

Ele ainda continua corretamente citando a Veja e a mídia, seus milhões de exemplares vendidos, grande penetração... Contra nós, blogueiros que, salvem poucas exceções como o PHA ou o Azenha, nos contentamos com poucas centenas de acessos por dia - se muito! - para divulgar nossas opiniões. Considerando que também existem blogueiros de direita, a luta é dura por corações e mentes.

Mas ainda assim os barões tem medo! E o medo vem da falta de controle. São ricos, poderosos, acostumados a controlar, a comandar, a mandar em tudo e todos, não toleram ver nem um pingo de liberdade que não seja a liberdade deles, ou seja, a empresarial, a de manipular, a de mascarar.

Lá vão os barões usar seu poder contra os pequenos, contra os que abusam do direito que lhes foi outorgado pelo poder: O de serem apenas gado, de assistirem a novela da Globo e de se revoltarem apenas no sofá assistindo ao Jornal Nacional.

Me uno ao @emerluis:
Poste o apoio ao seu candidato no seu blog.
Não deixe que as mentes atrasadas, a falta de aproximação com a realidade da rede, e o vazio de compreensão das novas formas de comunicação o impeçam de defender seu candidato.
Desde já declaro quem apóio, a quem este blog apóia: Plínio de Arruda Sampaio para presidente do Brasil, por um programa Socialista e contra o DemoTucanato.

Deixo claro que me oponho aos DemoTucanos, ao PPS, ao Serra, à Marina, aos Neopentecostais, às máfias midiáticas, ao PIG.

Diferente do @emerluis meu blog não é wordpress, não está nos EUA, então que venha a justiça (sic) brasileira. Podem tentar censurar, mas nunca irão conseguir me calar. Nunca irão calar a blogosfera, não importa o quanto tentem.

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sexta-feira, 30 de abril de 2010

A Anistia e a vergonha de ser brasileiro

Supremo Tribunal Federal (STF) considerou, por sete votos a dois, improcedente a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 153 contra a Lei da Anistia e a interpretação de que o perdão se estende aos que tenham cometidos crimes comuns como sequestro, tortura, estupro e homicídio contra presos políticos da época da ditadura militar (1964-1985).

O entendimento que prevaleceu no STF foi o de que a Lei da Anistia faz parte da “construção constitucional” que se ergueu para a redemocratização do país e foi incorporada pela ordem constitucional vigente no chamado “Estado de Direito”, após a Carta de 1988.
O Supremo tribunal Federal do Brasil informa: É permitido torturar, perseguir e matar no país desde que depois seja criada uma lei para legalizar tudo.

A Lei da Anistia foi mantida inalterada. A lei criada pelos torturadores para justificar seus crimes e para livrar suas caras está agora acima de qualquer suspeita. É legítimo e correto torturar e depois esquecer - ou fingir que esqueceu.

Agora, a tortura praticada diariamente pela Polícia Militar está legitimada. Em alguns anos qualquer um pode propor uma lei para simplesmente apagar estes crimes. Ainda que, convenhamos, a Lei da Anistia e seus efeitos pareçam permear nossa realidade atual. A Anistia parece estar acima da própria constituição pois é na primeira que as forças de segurança pautam suas ações enquanto a segunda fica esquecida.

Somos uma terra sei leis em que ministros do Supremo justificam à sua maneira tortura e esquecimento. Para alguns, isto é  a base da democracia! Eu chamo de IMPUNIDADE.

Esta democracia desigual, caciquil, coronelista e personalista que se recusa a rever o passado, que mantém uma política carcerária vergonhosa, que mantém forças de segurança que torturam e matam diariamente, de impunidade é, para o STF a verdadeira democracia.

Para as vítimas de tortura, para os que perderam filhos e filhas, amigos e amigas, para os que foram traumatizados, para as crianças que foram surradas, para a memória dos mortos, resta engolir a triste verdade de que, no Brasil, eles são os errados, o estorvo, o que deve ser apagado, esquecido.

O Brasil é o país em que a idéia de condenar criminosos é chamada de Revanchismo! Se for revanchismo então vamos abolir as cadeias, vamos abolir o código penal! Se condenar quem torturou e matou há 20 anos é revanche, o que dizer de quem matou, estuprou ou roubou na semana passada?

Ao Estado tudo! Ele pode torturar e matar, pode adotar políticas repressivas, pode censurar, pode causar danos irremediáveis ao povo. Mas querer rever estes crimes é revanche!

Para piorar, àqueles que resistiram são claramente discriminados, atacados. A resistência legítima à uma ditadura - fossem quais fossem as armas ou a ideologia por detrás - é considerada um crime, é deturpada, revista. No país dos torturadores, o cirminoso é a vítima, é o que luta contra. Ontem e hoje, permanece o mesmo.

O STF é desprezível. Nossa memória vai para o lixo. Os direitos Humanos não são nada, apenas letra morta. As Convenções Internacionais estão lá par serem desrespeitadas, ignoradas.

Somos a vergonha da América Latina. Nossos vizinhos condenaram seus algozes, colocaram detrás das grades os que roubaram seus filhos, os que mataram seu povo, os que torturaram sua cidadania. Argentina, Chile, Uruguai... E nós? Somos a escória da América Latina. Aqui se tortura, aqui NÃO se paga.

O Brasil é o país sem lei, o país sem memória, dos mortos e desaparecidos sem reparação. É um país envergonhado.

Sinto vergonha desta "justiça" brasileira, sinto vergonha deste governo que se escondeu e não exigiu que a verdade viesse à tona - pior, escondeu ainda mais a verdade, se recusou a abrir arquivos! - sinto vergonha, enfim, de ser brasileiro.

Brasil: Aqui se tortura. É legítimo e legal torturar.

Veja aqui o resumo do dia no STF e a defesa da Ditadura e da repressão.

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quarta-feira, 1 de abril de 2009

Lei da Imprensa...

"Após dois votos pela extinção da Lei de Imprensa, STF adia julgamento para o dia 15"


Antes de mais nada, me impressiona a capacidade que o STF tem de fazer pausas - Almoço, cafézinho, banheiro, troca de figurinhas, lanchinho da tarde, bate-papo ameno, tempo para o xixi e etc - e de levar eras para julgar qualquer coisa.

Começam hoje, adiam pro mês que vem, adiam de novo pro ano que vem e daí passa uma década e nada...

Porque esses prolíficos senhores simplesmente não dizem "sim" ou "não" e escrevem um livro com suas opiniões desnecessárias de 6 horas e nos poupam da lenga-lenga inútil?

Uma coisa é fato, a necessidade dos "nobres" senhores de aparecer e de se mostrarem conhecedores das leis, do direito, defensores perpétuos de tudo que é justo em discursos longos, tediosos, rebuscados e enfadonhos é simplesmente absurda!

Mas, indo ao ponto, espero que os demais ministros sigam a tendência e acabem abolindo de vez a Lei da Imprensa, em sua totalidade.

Mas, claro, até que o STF, em sua velocidade habitual, termine de votar tudo, eu já estarei aposentado.
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