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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

A vitória de Dilma e as lições do Rio de Janeiro

Sabido o resultado das eleições presidenciais, vitória de Dilma, é o momento das análises.

Dilma foi eleita com pouco menos de 52% dos votos (mais de 54 milhões de votos frente a pouco mais de 51 milhões de Aécio) uma diferença de mais ou menos 3 milhões de votos frente a Aécio. Os votos nulos e brancos passaram dos 7 milhões, enquanto a abstenção foi alta, chegando perto dos 30 milhões, totalizando cerca de 37 milhões de pessoas que não queriam nem um e nem outro.

Dilma foi eleita, mas em um país dividido. O PT perdeu porcentagem significativa de eleitores, sobreviveu mais do que qualquer coisa. É uma vitória, não podemos negar, mas não veio fácil.

Quase metade da população votou em seu adversário, e outros milhões não quiseram sequer votar nos dois candidatos que disputavam o segundo turno. Dilma foi eleita, mas nem de longe pela maioria da população. É preciso, então, responsabilidade e reavaliações.

Mudanças
 
Dilma ensaiou uma revolta contra a Veja/Abril, irá levar adiante não apenas um processo contra a revista e a editora, mas também imporá a discussão real de uma reforma da mídia? Irá rever a forma pela qual o governo injeta rios de dinheiro na grande mídia e, claro, o PT irá rever a verba que paga (admita ou não) à mídia amiga que no fim é apenas a Veja de sinal trocado?

Dilma irá manter sua política francamente criminosa nas comunicações, privilegiando sempre as teles e prejudicando o compartilhamento de conhecimento? O mesmo vale, por exemplo, para a Cultura, assim como precisamos de mudanças profundas na capacidade e vontade do governo dialogar com populações indígenas, nos direitos LGBTs (e nos recuos e submissão frente ao atraso fundamentalista), das mulheres e no trato à questões relacionadas ao meio ambiente e grandes obras de infraestrutura.

Com Dilma foram 4 anos de inexistência de diálogo e de imposição de pautas. Imposição de obras, de eventos, mesmo a tal constituinte por uma reforma política foi uma imposição sem que as ruas tivessem sido consultadas, uma imposição do PT em conjunto com seus movimentos cooptados, como a UNE.

Teremos ainda um ministro como o Cardozo oferecendo tropas federais para brutalizar ativistas, manifestantes e até grevistas, como no caso da greve do metrô este ano?

Irão continuar os gritos fanáticos e dementes de figuras como #Stanley, Eduardo Guimarães, PHA e outros, tidos como arautos por quem se dedica diariamente a espalhar ódio e desinformação ou o PT irá buscar construir uma relação de verdade com a esquerda baseada em respeito e colaboração?

O sentimento de mudança está mais claro do que nunca. Ainda que este sentimento seja difuso. Encontra-se à direita e à esquerda, e mesmo dentre o eleitorado que voltou criticamente em Dilma. É preciso contar que destes votos de Dilma uma parcela quiçá significativa foi de votos críticos. Se assumirmos que a maior parte dos votos de Luciana migraram para Dilma, ao menos 1,5 milhão de votos foram absolutamente críticas, contra o "mal maior". E eram votos que exigiam e exigem mudanças.

Como comentou o professor Pablo Ortellado:
Espero honestamente que o PT entenda que essa vitória só foi conseguida com uma união e engajamento sem precedentes da esquerda para evitar a volta do neoliberalismo. Espero também que esse reconhecimento se reverta numa ação mais progressista, sobretudo na cultura, na comunicação e no meio ambiente.
Superar o ódio e ir para a esquerda?
 
Este é o ponto. Durante as eleições era comum ver militantes petistas, especialmente nas redes, exigindo que a esquerda votasse em Dilma sem exigir nada. Era "obrigação" nossa votar no PT contra o "mal maior" e qualquer recusa era suficiente para xingamentos de fascista, coxinha e etc.

Se é verdade que o PT precisa entender que não apenas venceu por pouco, mas que a esquerda crítica foi crucial para a vitória, por outra o partido terá o trabalho de domar a militância raivosa e suja que criou e manteve nos últimos 12 anos.

E precisa, obviamente, guinar à esquerda.

A esquerda (ou setores dela) não apenas a apoiou criticamente, mas muitos fizeram campanha, empenharam sua credibilidade por Dilma, indo além de repudiar Aécio, mas efetivamente endossando a candidatura do PT. Isto, aliás, poderá inclusive criar rusgas dentro da própria esquerda, mas este é outro assunto.

Pessoalmente não acredito que isso acontecerá. Se a governabilidade foi usada indiscriminadamente por 12 anos para garantir, legitimar e justificar todo retrocesso petista (inclusive projetos nascidos do PT, ou seja, sequer projetos impostos por aliados incômodos que o partido tinha de lidar), o que esperar agora que o congresso eleito é ainda mais conservador? E é preciso também lembrar que é mais conservador também por obra do PT que se engajou em campanhas de fascistas como Collor, Katia Abreu, dentre outros.

E a contar pelo discurso da Dilma após a vitória, não veremos qualquer mudança substancial do primeiro para o segundo governo. Discurso de conciliação, de diálogo (que nunca existiu com as ruas e com as minorias, e ela afirma que fará com "as forças produtivas"), de "paz". Nenhuma ponta de autocrítica, mas a manutenção do caminho já traçado.

Dilma se manteve aferrada à piada da Reforma Política como solução pros problemas (seria uma solução, mas não dentro dos moldes propostos, muito menos após uma vitória apertada), pregando o diálogo com setores específicos, citando mulheres, negros e jovens, "esquecendo" de citar Indígenas e LGBTs, em um palanque onde o que faltava era gente de esquerda.

Pelo discurso podemos imaginar que a guinada à direita se aprofundará, pese o apoio crucial da esquerda à sua vitória.

Os próximos 4 anos

O PT não apenas terá de lidar com um congresso mais conservador, como é também responsável pela eleição de muitos desses conservadores. Tendo isto em mente, fica difícil imaginar um governo mais à esquerda. Espero estar errado, mas acho muito difícil que esteja.

Os próximos 4 anos serão difíceis. Dilma foi, como comentei, eleita por margem estreita, não chegou a 4 milhões de votos sua vantagem. No geral, a maior parte do país não votou em Dilma, logo, o governo terá de trabalhar muito para garantir sua legitimidade, precisará realizar mudanças profundas e, acima de tudo, realizar uma autocrítica que está atrasada pelo menos uma década.

A continuidade das baixarias patrocinadas pelos MAVs, pelos "militantes" virtuais, pela mídia "amiga" acrítica e suja poderá dificultar a vida de Dilma, ampliando o ódio que já vimos se espalhar pelas ruas que virá junto com gritos contra a frágil legitimidade eleitoral conseguida pelo PT.

Como comentou o Maurício Caleiro no Twitter, é importante ter em mente 
Essa eleição coloca uma grande questão ao Brasil: como fazer com q as disputas se deem em torno de programas e não de ataques baixos.

Serão 4 anos duros, independentemente do caminho que o PT escolher trilhar, mais do que nunca precisamos de uma esquerda forte e atuante, que se reinvente.

O exemplo do Rio para a esquerda

A votação do Tarcísio no Rio, assim como de Freixo, Jean, dentre outros, demonstra que há espaço para o crescimento da esquerda e daí precisamos tirar forças e lições.

Aliás, a eleição no Rio é emblemática. Os votos Nulo/Branco/Abstenção, somados, VENCERAM Pezão que foi eleito em absoluta minoria. Ele recebeu 4.343.298 votos enquanto o chamado "não-voto" recebeu 4.348.950, ou seja, perdeu por 5.652 votos. É uma situação bastante interessante e mostra que Junho teve um papel relevante nas eleições do Rio. E é bom lembrar que muitos votaram em Pezão apenas para evitar a vitória de Crivella e da IURD.

Pezão tem legitimidade bastante limitada e o Rio pode voltar a ver manifestações no ano que vem.

Cabe à esquerda ter a capacidade de superar diferenças pontuais e se unir, cerrando fileiras e as ampliando, buscando criar um polo alternativo à PT e PSDB (e eventualmente à Marina, que não é uma opção e saiu bastante queimada dessas eleições) para que em 2018 não se veja novamente numa encruzilhada e apoiando novamente a continuidade do PT, jogando no lixo projetos e militância.

Jean terá a responsabilidade de cobrar as promessas feitas a ele por Dilma, assim como outras figuras do partido terão de pressionar fortemente por pautas progressistas. Mas todos tem que tomar cuidado para não cair no canto do PT e não afrouxarem na construção de uma alternativa e de se fazer presente nas ruas e no parlamento como uma voz alternativa, de esquerda.

Dois tuítes de Luciana Genro, no fim, me dão esperança:
Venceu o PT contra o retrocesso. Menos mal. Mas é a esquerda que abandonou suas bandeiras que abriu espaço para o PSDB crescer tanto. Por isso não abrimos mão de ser oposição e construir uma esquerda coerente.Nossas lutas não são decididas nas urnas mas sim nas ruas!A elas!
Vamos à luta!

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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Sem querer, Black Bloc ajuda direita antidemocrática?

Li com atenção ao texto do cientista político Marcio Saraiva publicado pelo Vi o Mundo e, apesar de concordar com alguns argumentos, me sinto forçado a expressar minha discordância com a tese central e alguns pontos mais.

Saraiva alencou 6 pontos ou eixos centrais em seu raciocínio, e gostaria de inicialmente comentá-los (sempre em vermelho):

1. Até agora não apresentaram nenhum projeto de poder popular. Simplesmente adotam uma violência quase romântica – pois não são guerrilheiros organizados em torno de um programa revolucionário – com paus, pedras, coquetéis, fogos de artifícios e marretas.
Os Black Blocs não são um movimento ou um grupo organizado aos moldes tradicionais de coletivos e partidos, são uma ideia, um método. São indivíduos que podem ter algum tipo de organização primitiva (normalmente via redes sociais) que se juntam durante manifestações para servir como escudo para o movimento social.

Como já escrevi antes, são uma arma defensiva útil e necessária em tempos de imensa brutalidade policial. Não à toa, foram elogiados pelos professores do Rio em greve. 

A função dos Black Blocs não é a de fazer a revolução, mas a de proteger o movimento social.E usam para este fim as "armas" que podem.

Ao meu ver não é papel dos Black Blocs se preocupar em primeiro lugar com marketing pessoal, senão que agir em defesa daqueles que vão às ruas (também é válida a discussão sobre ações ofensivas e defensivas).

Tampouco é produtiva a briga de egos entre grupos que se vêem na vanguarda e se sentem acuados frente a perda de protagonismo para os Black Blocs. Um sentimento até mesmo burro, visto que partido/movimento social é diferente de Black Bloc e não disputam o(s) mesmo(s) espaço(s).

2. As imagens de destruição, lixos queimados e rostos escondidos que os Black Bloc apresentam mais assustam a população em geral do que ganham a adesão das massas.
Depende. Se dependermos da Globo para nos informar, sem dúvida a imagem é negativa, mas a imagem dos professores em greve ou de qualquer movimento social organizado é igualmente negativa pelo prisma da grande mídia, salvo em ocasiões específicas onde apoiar um movimento social ou uma pauta possa ser do interesse da mídia no ataque a inimigos selecionados em momentos bem específicos.

O que vemos são professores agradecendo aos Black Blocs por sua proteção. São milhares de pessoas que saem às ruas vendo que os Black Blocs funcionam como uma linha de defesa - ainda que fraca - frente à violência e brutalidade policiais.

No fim das contas, "assustar" ou mesmo não ser do agrado da "população em geral" não é definidor de moralidade, utilidade ou viabilidade, pois precisamos compreender por qual prisma essa "população em geral" tem acesso à informação.

Quem está nas ruas lutando sabe do papel dos Black Blocs. 

Além disso é preciso também te em mente o papel desinformador e mesmo criminosos de quem fica em casa gritando contra o "PIG", mas fazendo coro a ele durante manifestações, criminalizando professores, Black Blocs e movimentos sociais que se insurgem contra os governos a que estes fanáticos são simpáticos.
 
3. Os Black Bloc não somente atuam na defesa dos movimentos sociais – o que é positivo – mas acabam provocando os policiais, criando o clima propício para a ação repressiva. Como eles não tem número suficiente e nem organização para enfrentar os aparatos repressivos, o saldo final é de frustração e aparente vitória da polícia que, para o senso comum, começa a se transformar em “heróis da ordem”.
Uma discussão válida é o papel defensivo versus o ofensivo dos Black Blocs (já declarei neste blog posição contrária a ações ofensivas enquanto em manifestações, ainda que não descarte o uso da violência revolucionária em casos e momentos específicos), mas JAMAIS culpar a autodefesa popular pela ação policial. E digo ação e não reação por um simples motivo: Na ampla maioria das vezes a PM começa com provocações e violência, esta respondida pelos Black blocs.

A mera presença de pessoas nas ruas é uma provocação para a PM e para o Estado. 

Em junho a presença de Black Blocs era mínima, especialmente nas primeiras manifestações - que também foram as mais violentas, como em São Paulo -, mas a repressão vinha invariavelmente.

Esta tese quase marilenachauiana de "provocação Black Bloc" não procede. Na verdade é uma falácia tremenda. A PM bate, não importa a presença de resistência organizada. 

E, mais uma vez, não compartilho da visão do autor de "vitória dos heróis da ordem", visto que o repúdio pela violência policial é sempre uma constante, MESMO com as acusações midiáticas e governistas aos Black Blocs.

Mesmo junto à grande mídia, há crítica à ação policial, mesmo que esta divida espaço com a crítica à autodefesa popular.
 
4. A visão antipolítica dos Black Bloc pode favorecer um clima fascista que generaliza todos os políticos eleitos e todos os partidos políticos como “instrumentos do capital”. Com essa generalização simplista, cria-se um clima favorável para ideias do tipo “fim do Congresso Nacional” e regimes de força, bem ao contrário do anarquismo clássico que prega uma ideologia de fim do Estado e autogoverno popular.
Autodefesa popular não pode jamais ser vista como "antipolítica", assim como o repúdio por parte de alguns elementos que formam as linhas Black Blocs dos partidos tradicionais, não é antipolítica. O Anarquismo professado pela provável maioria dos que formam esta linha autodefensiva não é, jamais, antipolítico. 

O autor confunde o repúdio às instituições carcomidas do Estado e críticas localizadas à atuação partidária (em especial do PT, PMDB e PSDB, todos que se declaram falsamente de esquerda) com uma crítica generalizada à política. Nada poderia ser mais incorreto e distante da realidade.

É inegável, porém, que grupos se apropriem deste discurso e o transformem naquilo que teme o autor, num discurso esvaziado e de tons fascistas, mas estes grupos não estão nas ruas (estiveram em algum momento em junho, mas já voltaram para suas casas, para seus grupelhos de galinhas verdes e similares), não representam a maioria daqueles que saem para a luta.

Um grupo não pode ser responsabilizado pela apropriação que outro faz de suas teses, ideias e pensamentos (e ações), assim como o pensamento Black Bloc não pode ser responsabilizado pelo fascismo que uns buscam impor à ideologia.

5. Incentivar ações contra a polícia e focar nisso é não perceber que os aparatos repressivos são do Estado. O Estado é repressor, policiais são usados para isso. A despeito da mediocridade do argumento de que “estamos apenas cumprindo ordens”, ele encerra algo de verdadeiro. A PM não é o alvo, e sim o Estado, seus gestores.
Concordo com o autor da precariedade da ação Black Bloc e que não é a PM o alvo prioritário, mas não vejo como isto eliminaria a PM de ser um dos alvos. A PM é a linha de defesa do Estado contra seu próprio povo e é, então, alvo legítimo - e de certa forma um dos únicos palpáveis.

Ademais, em uma manifestação, os Black Blocs visam defender o povo do Estado, representado ali pela PM, que ataca e mata o povo.

Mas como escrevi antes, acredito na ampliação das ações, não apenas Black Bloc, mas organizadas contra o Estado e seus asseclas. 

6. Sem um projeto ético-político objetivo que dê um sentido mais amplo para suas ações, os Black Bloc acabam se resumindo em movimento jovem de indignação, revolta e ódio, sem nenhum processamento político possível. Afinal, queimar lixos não contribui para nenhuma revolução, em sentido marxista.
Cabe aos movimentos organizados, aos partidos e movimentos sociais compreender a tática Black Bloc e, ao invés de subirem em pedestais ideológicos e lamberem as feridas da vanguarda perdida, buscar abrir um canal de diálogo com aqueles mais afeitos a isto, criando táticas conjuntas e buscando aprimorar a autodefesa popular.

O que temos hoje são Black Blocs numa ponta, e partidos/movimentos em outra, empedernidos, incapazes do diálogo e da compreensão. Oras, temos uma infinidade de grupos e tendências de esquerda que sequer conseguem sentar numa mesa e dialogar, que o diga quando surge algo mais radicalizado e absolutamente fora de suas órbitas de controle (ou mesmo compreensão).

A SEPE, sindicato dos professores em greve no Rio, foi a única organização capaz de compreender até o momento o que são e como agem os Black Blocs. A SEPE abriu diálogo, homenageou e foi defendida pelos Black Blocs.

PSOL e PSTU preferem permanecer na posição de falsa-vanguarda, enquanto o PT, parte do Estado repressor e aliado de primeira grandeza dos políticos responsáveis pela repressão no Rio, permanece na pura e boçal criminalização (não só dos Black Blocs, mas de todo o movimento social e grevista).

Por mais que "queimar lixos" não contribua para nenhuma revolução, é um primeiro passo para a radicalização do movimento social. Mais produtivo buscar dialogar e entender que simplesmente criminalizar.
 
É nesse ponto que as ações violentas dos Black Bloc, mesmo sem o desejarem, acabam ajudando o governo Cabral e Eduardo Paes a se colocarem como os “arautos da ordem” e defensores do povo contra o “vandalismo dos mascarados”.
Pelos índices de popularidade de ambos e pela reação popular às suas medidas a tática não tem sido bem sucedida.
 
Não somente isso. A tática – sem estratégia – dos Black Bloc fornecem as imagens e os argumentos que as forças mais reacionárias da direita precisam para legitimar a repressão estúpida e brutal contra os movimentos de greve e protestos dos estudantes e das classes trabalhadoras.
Entramos em um looping, onde os Black Blocs surgem contra a violência estatal, mas são usados pelo Estado para legitimar a violência anterior e posterior. Como resolver?
 
A conta final disso tudo é que a grande mídia burguesa retira o foco na vitória dos profissionais da educação que mobilizaram 50 mil pessoas no Rio de Janeiro, em plena segunda-feira, com frio e chuva, para protestarem contra a reforma educacional privatista da dupla Paes/Costin.
Não apenas a "mídia burguesa", mas aqueles ligados ao partido que financiam esta mídia. Discurso afinado.
 
Tal reforma autoritária foi imposta, com a subserviência da Câmara de Vereadores, sem diálogo autêntico com o Sindicato (SEPE) e nem com a Comissão de Educação da Câmara presidida pelo vereador Reimont (PT) que abandonou a base governista.
Falta de diálogo anterior sequer à implantação dos Black Blocs no país. Nada mudou.

Ao contrário, a grande mídia burguesa valoriza as imagens de quebra-quebra, espalha o medo entre os cariocas e apelam, como na época da ditadura militar (1964-1985), para a “necessária ação contra o vandalismo” e o “terrorismo”.
Com apoio total da militância online petista.

Conclusão disso. Os profissionais da educação – que estão dando um exemplo de mobilização, resistência e luta contra seus opressores que desejam enterrar a educação pública, gratuita e de qualidade – acabam ficando ofuscados pelas ações violentas dos Black Bloc.
Há alguma verdade nisso, mas da mesma forma viria a violência policial contra os professores que AO MENOS encontram alguma proteção nos Black Blocs, como eles próprios reconheceram.

O grande erro do autor é colocar toda a culpa do diversionismo da mídia nos Black Blocs, acreditando que sem eles seria diferente. Não seria. Os professores apanhariam da mesma forma (e até mais), os jornais iriam culpar o movimento social da mesma forma pela violência que sofreram. Oras, a mídia está escolada em defender brutalidade policial quando manifestantes param o trânsito!

A mídia não discute os erros desse plano nefasto do prefeito Eduardo Paes, mas jogam luzes no “vandalismo”, escondendo da população as reais matrizes da atual crise.
A mídia jamais discutiu ou discutiria qualquer plano nefasto de Paes ou Cabral.
 
Por isso mesmo, a despeito das boas intenções dos jovens militantes do Black Bloc, eles ajudam a mídia burguesa e os aparatos repressivos a se legitimarem na opinião pública, dão fôlego para Cabral e Eduardo Paes, alimentam o medo no senso comum e desmobilizam diversos profissionais da educação que temem participar das próximas passeatas.
Houvesse uma unidade entre as esquerdas no sentido de dar um direcionamento à violência Black Bloc e a passar por cima da grande mídia, a coisa seria diferente. Por outro lado a informação da desmobilização de professores não procede, pelo contrário, a cada manifestação o movimento cresce. 

A violência policial é uma constante, os professores sabem, e os Black Blocs não a ampliam, mas tão somente a tornam mais midiática.

São essas as consequências não-intencionais da ação racional que a Ciência Política nos esclarece tão bem e que os Black Bloc precisam aprender, se é que desejam se tornar uma braço político eficaz do anarquismo e contribuir para o avanço das lutas populares e sindicais.
Caso contrário, os Black Bloc, mesmo sem querer isso, funcionarão como linha auxiliar da direita mais antidemocrática. Cabral, Paes, Costin, os aparatos repressivos e a grande mídia burguesa os adoram, pois legitimam seus interesses.

A única linha auxiliar da direita no Rio de Janeiro chama-se Partido dos Trabalhadores, cuja maioria de eleitos vota junto com Paes e Cabral e cuja direção está ligada carnalmente ao PMDB e, ainda, cuja militância em peso silencia ou mesmo APLAUDE ações violentas da PM contra a população.

Culpar os Black Blocs por responderem à violência que invariavelmente viria por parte do Estado é culpar a vítima pela agressão sofrida.

Sim, os Black Blocs precisam de direcionamento, precisam de maior organização, mas não podem, jamais, ser culpados pela violência do Estado.

O Estado é repressor e chegou a hora de alguém se levantar contra isto.
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segunda-feira, 25 de março de 2013

GV - Aldeia Maracanã se atravessa no caminho da Copa: Indígenas expulsos com violência

O acampamento indígena da Aldeia Maracanã, no antigo Museu do Índio no Rio de Janeiro, foi desocupado com violência por policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar no dia 22 de março. Situado ao lado do famoso estádio do Maracanã, o edifício se atravessa no caminho das obras para a Copa do Mundo de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016.

O cerco do Batalhão de Choque aos indígenas e seus apoiantes na área da Aldeia Maracanã começou na madrugada de 21 para 22 de março. Os indígenas montaram barricadas durante a madrugada para resistir, mas a invasão acabou por acontecer por volta do meio dia.

A ativista Paula Kossatz postou um vídeo no Facebook mostrando agressões mesmo antes da invasão, pela manhã, e o coletivo Diário Liberdade informou que os cerca de cem elementos da polícia entraram equipados “com balas de borracha, gás de pimenta e cacetetes”:
Ao que parece, segundo as primeiras informações, houve moradores da Aldeia Maracanã feridos na sequência da invasão. Entre eles, um menino de quatro anos que sofreu as consequências do gás pimenta policial. Ainda, uma mulher grávida foi reprimida violentamente e presa.
Foto de Norbert Suchanek. Usada com permissão.
Foto de Norbert Suchanek. Usada com permissão.
O Global Voices cobriu a primeira tentativa de expulsão, a 12 de janeiro, das cerca de vinte e três famílias que ocupam há 6 anos o prédio de grande importância histórica no Brasil. A altura, o cerco ao “museu vivo” do índio, como a Aldeia Maracanã é hoje chamada por muitos, foi feito sem aviso prévio nem mandado judicial pela polícia militar, reforçada com tropas de choque, e mobilizou indígenas e manifestantes que conseguiriam evitar a demolição.

Pouco mais de um mês depois, o Governador do Rio, Sérgio Cabral, anunciou que o edifício viraria museu do Comitê Olímpico Brasileiro. Eliomar Coelho, vereador do PSOL no Rio, propôs o tombamento da área, porém a proposta foi derrotada a 14 de março em votação na Câmara dos Vereadores da cidade.

Artigo completo no Global Voices Online
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terça-feira, 19 de março de 2013

Dilma: "O problema é que, muitas vezes, as pessoas não querem sair "

Eu mandei sair, povo burro!
Novamente o Rio é atingido por chuvas fortes e, como todos esperavam, novamente começam as mortes, os deslizamentos, multiplicam-se os desabrigados e velhas desculpas são recicliadas para mascarar a incompetência e o desleixo de governantes. Cabral é aliado da Dilma, logo, ela tinha que sair em sua defesa.

Como?

Culpando as vítimas.

"O problema é que, muitas vezes, as pessoas não querem sair "

Realmente, Dilma, "mó legal" morar na rua!

Afinal, as pessoas em áreas de risco tem que sair de suas casas e viver nas ruas, já que sabemos que os governos estadual e municipais não irão se importar com elas e não lhes darão nova casa. Claro que elas podem simplesmente abandonar suas casas e COMPRAR uma nova, porque de graça não terão nada.

Muito justo.

As pessoas inclusive vão morar em áreas de risco porque QUEREM. Não é porque são empurradas para estas áreas, dentre outras, pela pobreza que você diz erradicar e pela especulação imobiliária daquela galerinha boa que financia tuas campanhas.

Mas seus programas maravilhosos, como redução de IPI, ajudam muito. Por exemplo, as pessoas em áreas de risco podem, se não quiserem viver na rua, morar dentro daquele carro ) que compraram com o IPI reduzido, ou mesmo morar dentro da geladeira com IPI zerado. Moradia digna, água, esgoto, vida digna e etc são só detalhes, você não lida com isso, só com "economia" e lucros dos bancos.

E a humanidade de Dilma chega ao nível mais baixo desde o "não farei propaganda de opção sexual".
— A nossa prevenção não estava com nenhum tipo de problema. O problema é que, muitas vezes, as pessoas não querem sair. Acho que vão ter de ser tomadas medidas mais drásticas para que as pessoas não fiquem nas regiões em que não podem ficar — disse a presidente. — Não tem prevenção que dê conta se você ficar num determinado lugar mesmo sabendo que tem que sair.
A prevenção do governo não tinha problema algum, as pessoas que morreram e os deslizamentos foram culpa de deus (vai ver por isso Dilma é tão amiga dos krents ao ponto de dar a eles tudo que pedem, como cancelar Kit Anti-Homofobia, cancelar Kit Anti-AIDS ou entregar a CDH pro Feliciano) e não da incompetência sua e de seus aliados, nem a corrupção de seu partio e do de seus aliados.
É uma questão de conscientizar. O homem não tem condições de impedir desastre. Ele pode impedir a consequência do desastre, e é isso que a gente tem lutado para fazer no Brasil. Seja através dos sistemas de satélite, dos pluviômetros, e articulação de todas as defesas civis do Brasil.
A culpa é também do povo, sem dúvida, mas tão somente porque o povo elegeu a você, sue partido e a seus aliados. Sem dúvida é culpa do povo que, de boa fé, pensou ter eleito pessoas que poderiam resolver seus problemas e não pedir para que saiam de casa e vivam na rua, desamparados.

Você já se perguntou onde estava o Cabral? Porque está tudo acontecendo de novo? Porque as pessoas continuam em áreas de risco? Uma dica, não é porque elas são burras.

As pessoas sabem que tem que sair, Dilma, não são imbecis, apesar de talvez terem votado em você, em Cabral e cia, mas sair pra onde?

Que tal você sair do seu palácio e viver na rua lado a lado com eles, longe das "áreas de risco"?

Claro que seria mais fácil apenas dar casas a quem precisa, mas sabemos que as coisas não funcionam assim. Onde ficaria o lucro dos financiadores das tuas campahas e das campanhas dos teus aliados?

Construtoras, imobiliárias, empresas de transporte e tantas outras...

Eles tem que lucrar. E você tem que lavar as mãos. Afinal, as pessoas estão em áreas de risco porque querem. São ignorantes, burras. São masoquistas.

Certo?

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Atualização: Será que Dilma também acha que é culpa do povo até área do Minha Casa, Minha Vida ter alagado? Ou será que a culpa é dos amigos dela, que financiam sua campanha? A certeza é a de que ela não se importa.
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terça-feira, 2 de outubro de 2012

50 motivos para votar em Freixo: "Para que a luta social não se renda ao consumismo" #FechocomFreixo

O sol sempre nasce no novo dia, e com ele, vem a esperança de que a luta poderá continuar. E deve continuar. A eleição não é um fim em si mesmo, mas uma etapa, um processo para o crescimento dos movimentos sociais que, hoje, empunham suas bandeiras em apoio a Marcelo Freixo. Ele representa a união destes movimentos, dos anseios e sonhos dos cariocas por mudança. Representa, enfim, a esperança de que a luta não será em vão e de que podemos seguir caminhando. De sol a sol, dia após dia, buscando não apenas eleger um homem, mas colocar no poder um projeto, um movimento unido, uma ideologia.

Já disseram que a história acabou, que as ideologias morreram e que, por fim, o PT no poder teria sepultado as esperanças dos movimentos sociais e do povo por uma efetiva mudança social. Estamos todos felizes, em nossas universidades de péssima qualidade, com nossos carros do ano financiados a perder de vista, com crédito infinito nos bancos que nunca lucraram tanto na história e… consumindo.

Consumo, esse deus supremo da sociedade capitalista. Mas a história sempre nos surpreende e mostra que não morreu. Resiste!

Resiste e grita que aqueles oprimidos, vítimas do sistema, da sociedade injusta, não serão calados e continuarão a lutar por dignidade

Não será um carro – ou uma TV de plasma – que irá calar o povo, que irá acabar com todas as lutas. A esperança ainda permanece viva, na mudança, na caminhada da sociedade. Marcelo Freixo, hoje, encarna esta esperança e cabe aos movimentos sociais, à sociedade organizada empurrá-lo e apoiá-lo. O sol voltará a nascer amanhã.

Link original

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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Os ataques contra o PSOL: Babá e a bandeira de Israel

Causou certa comoção - especialmente entre os fanáticos petistas - um vídeo em que o Babá, candidato a vereador pelo PSOL no Rio, queima, junto com uma multidão, uma bandeira de Israel. O título do vídeo? "PSOL de Freixo e Babá queimam nossa bandeira de Israel", uma clara tentativa de ligar uma ação individual ao partido e ao Freixo, que sequer estava por lá, ou ao menos não é visto nas imagens.

E, aliás, ligar fatos antigos a uma eleição atual e também tornar a luta contra o Estado NaziSionsita de Israel algo errado ou criminoso, quando é uma OBRIGAÇÃO de quem se diz de esquerda.

O vídeo segue abaixo.
O vídeo foi postado por um tal de Ari Samuel, cuja identidade não pode ser comprovada e cujo canal de vídeos no Youtube conta com apenas 3 vídeos, todos atacando Freixo.

O canal, aliás, foi criado no dia 24 de agosto e é consistente com os perfis falsos e grupos criados por petistas pagos, em sua maioria, para atacar o Freixo e sua candidatura e vem junto com o crescimento a olhos vistos da militância petista anti-Freixo.
Fanatismo petista agindo

Vejam, por exemplo, o perfil falso criado por militantes petistas contra Freixo no Facebook ou o site anônimo (costa um nome falsa como criador do site) atacando o Freixo com argumentos que o PSDB sempre usou contra o próprio PT. O absurdo deste último é tanto que mesmo o Acerto de Contas sentiu necessidade de rebater tanta calhordice.

Mas, voltando ao vídeo em questão, pude pesquisar e sei que ele ocorreu no dia 8 de janeiro de 2009, na cinelândia (Rio de Janeiro) e contou com a presença de DIVERSOS partidos e grupos de esquerda.

O site da LER-QI, na época, comentou:
O ato foi realizado na Cinelândia (região central do Rio) que seguiu em passeata até o Consulado Americano onde se realizou um “sapataço” , retornando à Cinelândia para finalizar o ato. Contou com mais de 600 presentes e foi convocado pelo Comitê de Solidariedade com o Povo Palestino ’ RJ. Estiveram presentes neste ato além de organizações da comunidade árabe, partidos e organizações políticas como PSTU, PSOL, PCB, PT, PCdoB, Coletivo Marxista, nós da LER-QI e diversas outras organizações, sindicatos, centrais sindicais como CUT, CTB, Intersindical e Conlutas e ainda movimentos sociais como MST e MTD.
E deixando explícita a queima das bandeiras de Israel e dos EUA, a Agência Carta Maior informou:
Na quinta-feira, cerca de mil pessoas participaram de um ato público na Cinelândia, no centro do Rio. Da Cinelândia, os manifestantes saíram em passeata até a porta do Consulado dos Estados Unidos. Em protesto, jogaram sapatos nas paredes do consulado, num gesto simbólico de repúdio à política do governo norte-americano. Bandeiras dos EUA e de Israel foram queimadas. O ato no Rio reuniu representantes de sindicatos, entidades humanitárias, movimentos sociais, partidos políticos (PT, PCdoB, PSTU, PCB e P-SOL) e centrais sindicais (CUT, Intersindical, Conlutas e CTB). O Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino do Rio de Janeiro convocou o ato que também contou com a presença da Sociedade Brasileira Muçulmana.
E o site do Inverta, do PCLM, arrematou:
Em seguida, por volta das 17 horas, o ato deu início com uma caminhada até o Consulado dos Estados Unidos da América, onde foram queimadas bandeiras de Israel e dos EUA por manifestantes, e em seguida foram jogados dezenas de sapatos sobre uma foto do presidente norte americano George W. Bush, colocada em frente a sede da diplomacia dos EUA no Rio. Os guardas do Consulado contactaram a tropa de choque da Polícia Militar, causando uma certa tensão no local. Sob palavras de ordem que foram cantadas pelas pessoas que estavam na manifestação, o choque acompanhou a passeata até o fim, a partir dos “atentados” com as sapatadas.
Em outro vídeo mais longo e completo do ato (acima) postado por "fmauro64", que parece ser milico ou chegado aos fascistas de farda, podemos ver, por exemplo, a bandeira do PCdoB na manifestação (0:45), do PSTU (0:18, 0:25, 0:32), da MEPR e ILPS (0:21), PCB (0:23, 0:32) e por aí vai. E, segundo fontes (Carta Maior, por exemplo), o PT estava representado no ato.

Representando ou não os "partidos", o ato representou a militância e, não posso negar, me representou.

Representou a militância do PSOL, do PT, do PCdoB, do PCB, PSTU e etc. Ou ao menos, no caso de PT e PCdoB, represenTAVA.

Usar este evento de 3 anos atrás não é apenas canalha, como é podre. Demonstra o nível a que militontos e milicianos podem chegar na luta contra o Freixo, o único candidato de esquerda nas eleições do Rio.

Participaram do ato partidos que hoje se aliam ao que há de mais podre no país - Dudu Paes, Maluf, Katia Abreu e cia - e que em momento algum repudiaram ou condenaram o genocídio israelense contra os palestinos e, pior, promovem um genocídio aqui mesmo, contra os Guarani-Kaiowá.

Quem divulga este(s) vídeo(s) não merece respeito, não merece ser tratado como esquerda, mas como escória que abandona seus princípios - se é que já tiveram - para atacar cegamente.
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

2012 será longo: Começa o ano, começam os abusos

O ano nem bem começou e já temos motivos demais para lamentar que ele ainda será longo.

2011 foi um ano recheado de desgraças na área social. Dilma, eleita  sob a bandeira dos direitos humanos e que reforçou a vocação em discurso, se mostrou uma das maiores inimigas aos direitos humanos no Brasil.

Impôs Belo Monte pese condenação internacional e repúdio mundial, e nada parece fazê-la parar. a Homofobia chegou a níveis alarmantes, assim como os assassinatos motivados pelo ódio a gays e a presidente se limitou a declarar que não faria "propaganda de opções sexuais" e, hoje, não consigo mais reclamar de quem a chama diretamente de homofóbica.


As ações - ou falta delas - do governo na área dos direitos LGBT's demonstram que se Dilma não é homofóbica, então ela é simplesmente uma estúpida mau intencionada. Ou, outra possibilidade que não necessariamente elimina as anteriores, se vendeu aos Marginais da Fé que, ano começado, já mostraram sua força e o quanto vão colocar em perigo o país, com total conivência do governo federal.

Qual o problema se agora tem pastor tirando o "capeta" do corpo de um gay... E que o "capeta" é a homossexualidade?não podemos nos meter nas opções religiosas - aí sim OPÇÕES - dessa cambada de criminosos, não é, presidentA?


O ano começa ainda em meio à discussão sobre o Cadastro de Úteros proposto pelo Ministro Padilha, que de tanto se explicar tem apenas se complicado. A MP, imposta - como de costume neste governo que se recusa a ouvir os movimentos sociais ou, se uve, ignora, vide PNBL entregue às Teles e etc -, não paenas cria um cadastro absurdo, para a alegria dos Marginais da Fé, como também garante DIREITOS a FETOS. Isso mesmo, garante direitos a fetos em pé de igualdade aos das mães.

O ministro tenta tergiversar, mas tudo que consegue dizer é que "não é bem assim" e não dá nenhum argumento que faça qualquer ativista sério ou advogado mover o pé. Tem até governista fanático estranhando a história!

Mas não só de desgraças passada gira o Brasil, fabricamos novas, ou melhor, governos fabricam ou conseguem se enrolar ao ponto de parecer responsáveis - e normalmente são, de forma direta ou indireta.

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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Fanatismo sem limites, de patológico a criminoso: É possível piorar?

Alguns governistas começaram agora a acusar o PSOL de estar "aliado" com a Globo...

Só rindo!

Não está, obviamente, mas tem quem sonhe com isso! Afinal, é mais fácil atacar o inimigo para esconder seus problemas do que, oras, resolver seus problemas!

Usam a possível aliança do PSOL com o PV de Gabeira para tentar criar um factóide simplesmente lamentável.Uma aliança que, aliás, desagrada à maioria dos militantes e simpatizantes!

A verdade é que eles queriam que a Globo e a mídia em geral fizesse silêncio sobre o Freixo, afinal, eles apoiam o midiático Paes, chefe de milícia, e torcem pro Freixo morrer. O engraçado é que comemoram quando Dilma vai dar entrevista no JN, vai na festa da Folha... E o governo deles, obviamente, financia a mídia que tanto odeiam.

Mas é mais fácil criar um inimigo para justificar a corrupção, as privatizações, as criminalizações de greves e todas as demais mazelas do governo Dilma.

Mídia só pra eles, o resto não presta.

E as acusações de que o PSOL está aliado com o PSDB e o DEM? Aí quando a gente lembra que o PT é aliado do PSDB-MG e do DEM-MA eles se calam...

Se calam por alguns momentos, claro, depois o disco volta ao ponto inicial e continuam com a carga.

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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Marcelo Freixo: Entre o fanatismo e o.... assassinato desejado?

Marcelo Freixo, deputado estadual de destaque na luta contra as milícias está na Europa com sua família a pedido/convite da Anistia Internacional e da Front Line Defenders por 2 razões: Para dar palestras e para readequar sua segurança após as 7 ameaças de morte descobertas em menos de um mês contra ele.

A mídia - e jornalistas ligados à "blogosfera progressista" (que a cada dia mais vira uma blogosfera fanática petista, com raras exceções) - disseram que ele estaria se auto-exilando à convite da AI.
Enquanto Freixo segue para o exílio forçado, milicianos que trabalham a mando e sob os cuidados de políticos fluminenses, seguem dominando bairros e comunidades inteiras da Zona Oeste da cidade, numa microrreprodução do que ocorre em países como a Colômbia, onde as Farc e grupos paramilitares dominam grandes regiões nacionais – as quais não têm representatividade política oficial. Não obstante, o governo Cabral se gaba por sua política de segurança pública.
Marcelo Freixo, porém, JAMAIS afirmou que estaria se exilando, e sim que a AI há algum tempo insiste para que ele "saia desse foco", ou seja, o convite para palestras foi, também, uma forma de preservá-lo.

Mas a palavra "exílio", em momento algum saiu de sua boca. Este termo foi usado pela mídia e por jornalistas ligados aos "progressistas".

Ele afirmou que se ausentaria para reorganizar sua vida, para readequar sua segurança e que logo voltaria.
"Vou deixar o país, mas é por pouco tempo. Recebi um convite da Anistia Internacional e em função das várias ameaças e da pressão que isso envolve estou aceitando o convite. Só nesse último mês foram sete ameaças de morte. Mas volto antes de dezembro"
O blogueiro Marcos Pedlowski acerta:
Há quem veja na saída de cena do deputado Marcelo Freixo um ato de fraqueza pessoal. Em suma, Marcelo Freixo seria, na verdade, um frouxo. Mas como o conheço um pouco, sei que Freixo de frouxo não tem nada. Se está indo para a Europa a convite da Anistia Internacional é quase certo que algumas coisas o tenham levado a essa saída momentânea da cena política fluminense. Uma delas, e a mais evidente, é a incapacidade e até mesmo a falta de vontade política do governador Sérgio Cabral em igualar as milícias aos grupos narcotraficantes tradicionais. Uma evidência disto é que ao contrário dos narcotraficantes tradicionais, os líderes das milícias continuam presos em locais de onde saem pela porta da frente ou que quando dentro deles podem promover festas homéricas regadas a álcool e outras coisas mais.
O que fica claro é que o governo e a prefeitura do Rio não estão nem aí para investigar as ameaças contra Freixo, que comprovou inclusive com documentos o descaso do governo. Basta lembrar o caso da juíza Patrícia Acioli, que pediu proteção à justiça e ao governo, não recebeu, e foi morta pela mesma milícia que tenta matar o Freixo (ou milícias)
Aliás, o próprio Paes pode falar em nome das milícias.


De qualquer forma, a insegurança do Freixo é justificável. Ainda que ele tenha, novamente, declarado, que tenha resistido a sair, pois ele tme uma função pública a exercer e que não pode demonstrar fraqueza frente às milícias.

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quarta-feira, 6 de julho de 2011

Os bueiros da Light: Empresário ri e o Rio explode.

Os bueiros não param de explodir no Rio. E não vem de hoje, mas ha 7 (SETE) anos ocorrem episódios do tipo que já causaram prejuízos materiais e deixaram feridos. Foram mais de QUARENTA explosões desde 2004! E a Ligh NUNCA teve que sequer se explicar.
A estudante Sara Nicole Lowry, de 28 anos, teve 80% do corpo queimados e passou quase dois meses hospitalizada. Já o marido dela, David McLaugheim, teve queimaduras em 35% do corpo. Segundo testemunhas, Sara foi arremessada a uma distância de cerca de oito metros pela força do estouro.
Neste meio tempo a ANEEL, a piada de agência regulatória criada por FHC depois das privatizações não fez absolutamente nada. E nem vai fazer. Se limitou a 'pedir esclarecimentos e fazer exigências' que todos sabemos jamais serão cumpridas. Eduardo Paes vai entrar com processo... Grande! É tudo que o prefeito do Rio pode fazer contra uma empresa que tenta matar cariocas!

E isto tudo porque estão explodindo bueiros em Copacabana, Ipanema, no centro... Se fosse em Irajá, Olaria ou em Bangu alguém acha que teria metade dessa repercussão?

O problema dos bueiros do Rio  nada mais é que o reflexo das privatizações dos mais diversos setores estratégicos, como energia e telefonia (sem falar nos bancos estaduais, na Vale e etc). Com a privatização veio a completa desregulamentação de todos os setores doados vendidos à iniciativa privada e a total falta de fiscalização.

Não faz muito a ANEEL "descobriu" que havia nos passado a perna e ajudado as empresas de energia a lucrar mais de 7 bilhões além do devido, aprovando preços acima do devido. Resultado? A ANEEL não se importou, não nos devolveu um centavo e ainda permitiu reajustes para diversas empresas. Pagávamos muito, pagaremos e pagamos mais ainda, enfim, somos descarada e reconhecidamente roubados com a total conivência do governo federal.

Mas não é possível só culpar a ANEEL. Devemos chegar na raiz do problema, que são as privatizações. Em si um crime, ainda mais quando tudo é permitido e não existem regras, ou se existem, não são respeitadas e as multas são irrisórias, não fazendo a direção da empresa sequer piscar.

Pra que gastar rios de dinheiro cumprindo a lei se o valor das multas é menor e normalmente sequer são pagas?

Não surpreende que o poder público tenha levado 7 anos para se mexer no caso dos bueiros do Rio (a ANEEL até agora não abriu a boca, quanto será que seus membros levam de propina todo mês? <<A ANEEL fez uma declaração, "prometeu" que vai apertar a fiscalização"...>>), existe uma conivência explícita entre os governantes e os donos da empresas, que lhes financiam campanhas eleitorais e pagam outras benesses "por fora".

Mas o pior de tudo é que, quando alguém age, parece que é pedindo desculpas antecipadamente por molestar as sagradas empresas privadas. Nós é que estamos errados. Temos de PEDIR PERMISSÃO para que as empresas cumpram a lei, para que trabalhem por qualidade e com um mínimo de respeito pelo consumidor.

Vejam o título da notícia do Globo:

Light aceita pagar R$ 100 mil por bueiro que explodir na cidade provocando danos, feridos ou mortos

E o começo da matéria (grifo meu):
A Light aceitou contraproposta da redação do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) apresentada na última sexta-feira pelos Promotores de Justiça de Defesa do Consumidor Rodrigo Terra e Pedro Rubim. Segundo o Ministério Público, o documento será assinado nesta quarta-feira. Isto significa que a concessionária aceitou pagar multa de R$ 100 mil por cada explosão de bueiro registrada na cidade. Na reunião da semana passada, a empresa só aceitava a previsão de multa para cada explosão de bueiro que ocasionasse morte ou lesão corporal (grave ou gravíssima). Agora, a multa poderá ser aplicada mediante explosão de bueiro que cause também dano ao patrimônio público ou privado.
Em resumo, tivemos de PEDIR permissão para multar, dentro de um valor que eles aceitaram, ou seja, a Light negociou o valor que queria pagar! E só pras futuras ocorrências! A proposta original da Light (acreditem, nesse país criminoso faz proposta!) conseguia ser mais ridícula! Pode explodir bueiro, mas a gente só paga uns trocados se ferir, matar...

Me perdoem, mas em que raios de país estamos onde bueiros explodem podendo matar pessoas, causar sérios danos, e temos de negociar com o responsável ou a empresa responsável SE e COMO irão responder?

Trata-se de crime contra o patrimônio e tentativa de homicídio. A direção da empresa, que não investiu em qualidade e segurança deveria estar na cadeia, responsabilizada pelos danos e pelos feridos. Respeitar empresa privada que pode matar gente por falta de capacidade de prestar serviço? Só nesse país mesmo!

Onde está ANEEL, governo federal, governo do Rio....? Aliás, multas não são a solução, repito, a solução é repensar finalmente a própria idéia de privatização que vem junto com completa desregulamentação e vazio legal.

Mas o governo federal - respondendo à minha pergunta anterior - está atento... e conivente. Não só não questiona o modelo privatizador como se propõe a privatizar aeroportos (duplipensar petista diz que é concessão, só que esquece que é concessão do patrimônio dos brasileiros sem consulta entregues a preço de banana sem garantia alguma para nós) como ainda aplaude as afirmativas destas empresas de que não prestam serviço com qualidade e nem fazem questão de começar, vide o PNBL, aquela piada do governo federal em que as empresas entregarão um serviço mais caro do que já oferecem hoje e sem qualquer meta de qualidade.

É a permissão explícita do governo para que se faça um serviço de porco e, diferentemente das teles, com a Light pode matar.

Mas não achem que a Light já não foi multada, ela recebeu 13 multas pelos bueiros que explodiram nos últimos dias... o valor? R$ 10.282,80. SOMADAS! Realmente, uma multa que vai levar a Light a falência e a fará gastar 50 vezes mais para garantir que não aconteçam novas explosões...

Se o governo do Rio fosse sério multava não em 100 mil, mas em UM MILHÃO CADA bueiro que explodisse e se tocasse em algo ou alguém, 10 milhões. Já o governo federal e dona Dilma, se fossem igualmente sérios, repensavam e reviam TODAS as privatizações que até hoje custam caro ao Brasil e aos brasileiros e tentavam tomar ao menos uma única decisão acertada, a primeira de todo esse desastroso governo.

Enquanto isso bueiros explodem, cariocas e turistas podem morrer e tudo que o governo (em todos os níveis) faz é aceitar o valor que a Light quer pagar de multa e fica por isso mesmo.

Nos gabamos de ser potência internacional, de sermos respeitados lá fora, mas não conseguimos sequer fazer uma empresa privada respeitar os brasileiros.

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terça-feira, 12 de abril de 2011

Massacre de Realengo e o eterno oportunismo dos fanáticos cristãos - Parte 2

Quando há uma desgraça os evangélicos fanáticos agem como urubus atrás de carniça, envergonhando aqueles que não são adeptos deste fanatismo. Mais absurdo e sensacionalista que qualquer matéria da grande mídia, o portal Gnotícias destaca: "Atirador que matou crianças em Realengo seria radical islâmico. Este seria primeiro atentado terrorista no Brasil".
Selecionando apenas as primeiras linhas da carta, de forma vergonhosa e oportunista, escondem a referência do atirador a Jesus, reforçando o boato absurdo de que ele seria muçulmano e que sua ação foi típico terrorismo islâmico!
O jovem atirador, Wellington Menezes de Oliveira de 24 anos, teria conhecido o islamismo através da internet e estava desaparecido a oito meses. Dentre as vítimas a maioria eram meninas, assassinadas com um tiro na cabeça. As mulheres são consideradas por alguns fundamentalista islâmicos como sujas e abaixo dos homens.
Estudiosos afirmam que possivelmente Wellington era novo convertido ao Islamismo, já que em outros pontos da carta misturaria coisas relacionadas ao cristianismo, sua religião anterior. Seu desaparecimento teria sido para ser treinado por alguma célula radical islâmica no Rio de Janeiro, fato ainda não confirmado.
Populares acreditam que o jovem tinha problemas comportamentas e mentais.
A matéria é de um primor jornalístico. A idade de Wellington está errada. Ele não estava "desaparecido" há 8 meses, sua irmão é que não o via ha 7, diz o Uol, o veículo que também informa como 24 anos a idade de Wellington (coincidência?). Como alguém que fica na internet, mantendo contato virtual com outros internautas, pode ser considerado desaparecido?

Não há a informação de que as meninas tenham sido mortas "com um tiro na cabeça", e sim que muitas das vítimas morreram com tiros na cabeça e no tórax.

Estes "estudiosos" que afirmam o islamismo de Wellington não existem, isto é a mais pura invenção do portal. Apenas a irmã da figura fez esta "acusação" e o excelente jornalismo brasileiro comprou sem questionar.

Logo depois, o portal tenta justificar de forma tosca o porque da citação a Jesus na carta e, por tudo que é mais sagrado, célula islâmica no Rio de Janeiro????

Pra coroar, a importante opinião de "populares" que nunca haviam visto o rapaz na vida!

Este tipo de "notícia" covarde, mentirosa e desrespeitosa deveria ser crime. Além de plagio, pois a parte final, em que reproduz fala de líder da comunidade muçulmana, foi retirada da Agência Brasil sem qualquer crédito.

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Proponho repassar o link deste post via Twitter, assim como tuítes indignados ao @gospelmais, responsável por esta calhordice! E, se algum advogado se dispuser, vale um processo.
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Nojo é pouco frente a tantos absurdos juntos. Fanáticos que querem construir um Estado medieval baseado na bíblia, impondo o ensino religioso nas escolas, impondo leis esdrúxulas que servem apenas aos seus propósitos e se opondo aos direitos das minorias, dos gays, das mulheres, sem nenhum respeito pela diversidade, pelos que pensam diferente. Agora incitam abertamente o ódio a outras religiões. Aonde vamos parar?

E, infelizmente, o que antes parecia teoria da conspiração, o documento da embaixada dos EUA vazado pelo WikiLeaks no qual havia a determinação de "engajar o Brasil na difamação de religiões", se torna cada vez mais real. Durante as eleições Serra insistiu em impor a discussão em termos religiosos dos mais fundamentalistas, e agora isto.

A mídia tem sua imensa parcela de responsabilidade. Agem na mesma lógica que os fanáticos ao não apurar e acreditar piamente em tudo que surge pela frente. Ao entrevistar a irmã do assassino, que deixou claro não o ver há meses, fizeram o possível para que ela soltasse alguma informação escandalosa - mesmo que falsa. E conseguiram, ele é muçulmano!

Sem nenhuma apuração, sem procurarem alguma mesquita na região ou qualquer liderança religiosa, ou mesmo vasculharem os traços do assassino na rede, decidiram que era verdade e criaram uma farsa que, mesmo com sua carta divulgada citando claramente jesus, martírio e deus, não cede, não cai.

Segundo fanáticos cristãos, o martírio é tipicamente muçulmano, oras, então os mártires cristãos eram espiões de Maomé? Mesmo aqueles mortos pelo Império Romano antes de existir um muçulmano sequer na terra?
Os islâmicos respeitam e acreditam em jesus, fato, mas daí a citá-lo em uma carta de suicídio e não mencionar nem de raspão Maomé? Usar "deus" e não "Alá"? Este último até podemos discutir, mas não faz sentido um muçulmano colocar a figura de jesus não como profeta, mas como alguém que vai retornar para levá-lo é totalmente cristão.

Não importa a verdade, os fanáticos da mídia criaram seu factóide e os fanáticos da igreja adotaram o discurso e nada os fará recuar. No máximo dirão que ele ainda era gay, tinha HIV e que era ateu ao mesmo tempo... opa, mas disseram tudo isso!

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Com vocês, Julio Severo:
E os pais e mães que estão sofrendo nunca mais poderão recuperar seus filhos queridos. Não porque simplesmente a escola estava sem proteção, mas porque o Brasil está entregue a uma covarde ideologia politicamente correta, que ordena a saída das escolas de Deus e seus valores e introduz uma tolerância que traz homossexualismo, em nome da diversidade sexual; islamismo, em nome da diversidade religiosa; e bruxaria africana, em nome da diversidade cultural. Tira-se Deus, e entra todo tipo de ideologia de tolerância para o mal. Entra o próprio demônio. 
Dispensa comentários.

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sábado, 9 de abril de 2011

Massacre de Realengo e o eterno oportunismo dos fanáticos cristãos - Parte 1



Como não poderia faltar, teve espaço até para o canalha Marco Feliciano, Pastor Homofóbico e Racista, fazer das suas no caso do Massacre de Realengo. Não há limites para o fanatismo e para o absurdo. Mesmo em um caso tão terrível quanto este. Nem a morte de crianças inocentes é suficiente para esta figura oportunista e seus comparsas.

Em seu site, o pastor criminoso liga o ateísmo ou a falta de deus a atitude criminosa, ao assassinato, o que me faz lembrar do episódio do Datena que lhe rendeu processo por parte de organizações ateístas há alguns meses.

Diz Marco Feliciano:
Em 1960 os EUA sofreram um ataque tão devastador quanto os que ocorreram em 11 de Setembro 2001. A Senhora Madalyn Mays, também conhecida como Madalyn O’Hair Murray, fundadora e presidente da AMERICAN ATHEISTS, entrou com uma ação contra a cidade de Baltimore e seu Sistema Público de Ensino, no qual ela afirmava que era inconstitucional seus filhos participarem das leituras bíblicas promovidas na escola. Neste processo ela afirmou que seus filhos por se recusarem a participarem nas leituras da Bíblia resultou em bullying sendo dirigido contra eles pelos colegas. A ação atingiu a Suprema Corte dos Estados Unidos em 1963. O tribunal votou 8-1 a favor de Madalyn, que PROIBIU A ORAÇÃO E RECITAR VERSOS DA BIBLIA em escolas públicas nos Estados Unidos.
Após este triste episódio, as escolas americanas começaram a “colher” o que “plantaram”.  
Por colher o que plantaram, o safado fala de diversos atentados em escolas. Um em 1966 e o segundo só em 1998, além d outros posteriores. Feliciano toma estes atentados como motivados pelo ateísmo, confundindo com o Estado Laico.


Seu oportunismo é vergonhoso.
O ciclo acima citado mostra que um país de primeiro mundo, fundamentando suas leis na palavra inconstitucionalidade, retirou o ensino religoso de suas escolas públicas, e proibiu suas crianças de orarem AO PAPAI DO CÉU. Sofreram as conseqüência de seus atos! Pois o ensino do livro retirado da pauta escolar, em consequência, tambem tiraram seus ensinamentos  da mente e dos corações das crianças, ou seja a bíblia,  onde encontram-se ensinos como: não devemos matar, não devemos roubar, e devemos amar o nosso próximo como a nós mesmos.
De forma oportunista, Feliciano finge que proibir proselitismo na escola significa proibir a religiosidade. E ainda mente ao afirmar que cristãos não matam, oras, os EUA são um país cristão, e grandes terroristas. A Igreja Catolica matou milhões durante boa parte de sua história e - acreditem, existe - o Partido Republicano Teocrata Cristão, de orientação evangélica, defende claramente a pena de morte em seu programa.

Ah, não matam pessoas de bem. Ateus e criminosos não importam, não são gente. É este o pensamento dos fanáticos. Se você não pensa como eles, não merece ser respeitado ou tratado como ser humano. Ok você ser gay, só não pode praticar, porque aí te queimam na fogueira. Tudo bem você não ser crente, mas via ter que estudar a bíblia e seguir a lei deles da mesma forma! Senão... te queimam!

A tentativa dos cristãos fanáticos de querer impor sua visão de mundo e sua religião beira o grotesco.
O ensino religiso não é para promover o proselitismo, e tem sim como expectativa, reconduzir o homem à sua origem moral, iluminar seu caminho presente tirando-o das trevas provocadas por uma libertinagem desenfreada e moldar o seu futuro, para que este seja longe do Crack, longe da prostituição, longe da violência, longe de uma vida a beira da mediocridade!
Ensino religioso não é proselitismo, mas "reconduzir o homem..." ao que? Ao medievalismo onde homossexuais devem ser mortos, a escravidão é legal, negros não tem alma e se usa palmatória como método eficaz de ensino?

Marco Feliciano é um criminoso oportunista, que se aproveita da dor das vítimas e de seus pais para fazer proselitismo, para pregar o ódio contra os que não tem religião e para impor sua visão medieval ao mundo.

Para seu pesar, o responsável pelo massacre, ao que tudo indica, era cristão. Então "eles" não matam?
Na tentativa de garantir e atrair mais fiéis lucros, Marco Feliciano tripudia da própria noção de humanidade.  

Mas não é o único.

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O  WikiLeaks vazou documento da Embaixada dos EUA que trata da "difamação de religiões como estratégia diplomática", visando constranger o país por seu apoio ao Irã e outros países islâmicos em organismos internacionais (apoio que, agora, parece ter chegado ao fim):
Aumentar a atividade pela mídia e o alcance das comunidades religiosas parceiras: Até agora, nenhum grupo religioso no Brasil assumiu a defesa da difamação de religiões. Mas o Brasil é sociedade multirreligiosa e multiétnica, que valoriza a liberdade de religião. Um esforço para difundir a consciência sobre os danos que podem advir de se proibir a difamação das religiões pode render bons dividendos. Grandes veículos de imprensa, como O Estado de S. Paulo e O Globo, além da revista Veja, podem dedicar-se a informar sobre os riscos que podem advir de punir-se quem difame religiões, sobretudo entre a elite do país. Essa embaixada tem obtido significativo sucesso em implantar entrevistas encomendadas a jornalistas, com altos funcionários do governo dos EUA e intelectuais respeitados. Visitas ao Brasil, de altos funcionários do governo dos EUA seriam excelente oportunidade para pautar a questão para a imprensa brasileira. [...] Essa campanha também deve ser orientada às comunidades religiosas que parecem ter influência sobre o governo do Brasil, quando se opuseram à visita ao Brasil do presidente Ahmadinejad do Irã, em novembro. Particularmente os Bahab e a comunidade judaica, expandidos para incluir católicos e evangélicos e até grupos indígenas e muçulmanos moderados interessados em proteger quem difame religiões [sic]. [assina] KUBISKE 
Sem dúvida, a campanha parece estar dando certo, com a mais completa conivência dos fanáticos evangélicos de sempre e da mídia:
O sheikh Jihad Hassan Hammadeh contou, agora há pouco, no programa Sem Censura, da TV Brasil, que sua mulher sofreu agressões verbais no trânsito no Rio de Janeiro por estar usando trajes islâmicos.
Presidente do conselho de ética da União Nacional das Entidades Islâmicas, o sheikh atribuiu o fato à propagação, pela mídia, de que o atirador de Realengo tinha ligações com a religião:
- É preciso que a mídia deixe claro que esta tragédia não teve nada a ver com nenhuma religião. Ou então estará colaborando para o movimento mundial de desconstrução da religião muçulmana.
A senhora Hammadeh, uma médica e acadêmica, ainda desceu de seu carro e tentou anotar a placa do carro do agressor, que ao vê-la de véu gritou que ela deveria morrer.
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sexta-feira, 8 de abril de 2011

O Massacre de Realengo e a falência do jornalismo brasileiro

Em meio a tragédia que se abateu sobre a escola Escola Municipal Tasso da Silveira no bairro de Realengo, no Rio de Janeiro, caos informativo e notícias desencontradas.

As manchetes dos principais veículos de imprensa destoavam. Não se sabia o número de vítimas e houve ainda grande especulação até mesmo sobre a motivação do assassino, enquanto as redes de TV e jornais buscavam os melhores ângulos para mostrar de forma mais crua a tragédia. Sangue, choro e desespero foram mostrados incansavelmente pela grande mídia, cada uma tentando ir mais além, numa competição que beira a desumanidade.

Em pleno dia do jornalista, o que vimos foram estes dando palpites, chutes, repassando a notícia sem qualquer apuração, pior, sem nenhuma responsabilidade.

A comparação feita por muitos com Columbine, escola dos EUA onde 15 pessoas foram mortas em 1999 (incluindo os dois responsáveis pelo massacre), funciona como paralelo não só pelo evento de similar mortandade, mas também pela cobertura midiática inconsequente. Nos EUA os culpados foram logo encontrados: Jogos violentos de videogame e Marilyn Manson.

Os dois rapazes responsáveis pelos massacres jogavam Counter Strike e ouviam o cantor. Estava resolvido.

Tudo sem grandes questionamentos sobre a sociedade em si, sobre o modelo de ensino e mesmo sobre o irrestrito porte de armas. Nos EUA as chacinas se repetem e, da mesma forma, pouco é questionado sobre os reais motivos, sobre a estrutura da sociedade e sobre algo que hoje finalmente vem sendo tratado como um problema generalizado, o bullying.

Diz a Frô:
Infelizmente, a violência contra as crianças e adolescentes não é rara no país. Existem diferentes formas de violência, adolescentes, meninos, negros são os mais vitimados. Uma pequena busca aqui no Blog mostrará alguns vídeos de policiais atirando em adolescente em Manaus, policiais espancando adolescente em Feira de Santana e tantas outras formas de se propagar a violência.
Prática comum e que muitos pensavam restrita aos EUA, começou a ser olhada mais profundamente no Brasil depois de vários casos de violência nos colégios do país. Mas a prática foi tomada como um fim em si mesma, não como o reflexo de uma sociedade doente.

Acertou Alex Haubrich, do Jornalismo B:
Além disso, os debates fundamentais não serão feitos: de que forma a lógica da Educação brasileira estimula e dá base para que situações assim ocorram? Como se dá e como se pode evitar a violência nas escolas? De que forma a valorização dos professores a o aperfeiçoamento das escolas podem modificar essa lógica? Sim, porque esse não é um caso isolado, é apenas o mais chocante das diárias manifestações nas escolas da violência social como um todo. Mais: por que tantas armas nas mãos das pessoas? Por que fábricas de armas patrocinam campanhas eleitorais? De que forma a própria mídia estimula a resolução violenta e individual dos conflitos sociais?
Em Realengo, o atentado provocou 11 vítimas fatais (nove meninas, um menino – com idades entre 12 e 14 anos – além do atirador) e outras 13 pessoas ficaram feridas, mas até se chegar a este número a mídia teorizou 17 mortos, 13 mortos, cada site de veículo noticioso chutava o número que melhor lhes parecia. O número de feridos variava igualmente, passando dos 20 para alguns veículos. A velocidade da internet atropelou o jornalismo. Na tentativa de serem mais rápidos que a concorrência, jogavam notícias nos portais sem qualquer confirmação.

Quanto mais sensacionalista a cobertura, melhor. E sucessivas "teses" foram levantadas pela mídia, cada uma sendo desmentida com o passar do dia. O mote era o da novelização da tragédia, a cada minuto, um novo capítulo.

Na TV, assumiram que o assassino, chamado Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, era ateu. No Uol e na Folha de São Paulo, informam que, segundo sua irmã, ele seria muçulmano (apesar de, em sua carta de suicídio, se mostrar claramente cristão). Durante toda a manhã estava aberta a temporada de construção de estereótipos.

A grande mídia deu amplo destaque também ao fato dele ser supostamente portador de HIV, como se, com isso, tivessem encontrado o motivo para o massacre, mesmo antes de ter conhecimento sobre o conteúdo da carta que ele havia deixado e que só a polícia tinha noção do conteúdo.

O Mello acertou em cheio:
Emissoras de rádio e TV e portais de grandes grupos da mídia partem para uma cobertura sensacionalista do fato (fato), entrevistando pais e mães (de preferência estas) desesperados (fato) para conquistarem audiência (fato) e aumentarem market share (meta).

O povo (essa entidade que sempre joga o verbo para a terceira pessoa, pois nunca nos inclui) gosta disso (fato?). Pelo menos é o que alegam responsáveis pela cobertura. "Se não dermos, a concorrência dá", argumentam.

Mas a exposição sensacionalista de um fato, sua transformação em espetáculo midiático, pode estimular a reprodução dos fatos, como ocorre nos Estados Unidos (fato).

A mídia vai encarar a suposição como uma possibilidade de mercado (fato) que talvez aumente market share (meta).

Outros vão morrer (fato), mas a grande mídia se importa com tudo, exceto os fatos (fato).

Nas primeiras horas após o ataque cada veículo informava a seu bel prazer sobre se Wellington seria ex-aluno, pai de aluno ou apenas um transeunte transtornado. A sensação era a de que chutavam, esperando ter a sorte de acertar e dar o furo. Um verdadeiro show de sensacionalismo e desrespeito, coroado pelas tentativas de jornalista de espremer o máximo de drama das vítimas, de pais e crianças que estiveram presentes ou próximos.

Novamente a Frô:
Há uma imensa especulação na mídia televisiva e impressa sobre o perfil do atirador: desde que se tratava de um ‘extremista islâmico’, de que era ‘filho adotivo’, ‘viciado em internet’, jovem de ‘poucos amigos’,  ’portador do HIV’…
Esse é um momento perigoso, onde empresas jornalísticas em busca de audiência exploram como podem esta imensa tragédia: islamismo, adoção, internet e portadores de HIV tornam-se explicações fáceis para nossas mentes bestificadas diante do absurdo que é crianças serem mortas dentro da escola.
Nas redes sociais, o Estado de São Paulo convidava seus leitores a assistir a um vídeo com familiares das vítimas em desespero. Na Record, jornalista forçando ao ponto de fazer uma criança chorar e dizer que achou que ia morrer. Em geral, cada rede de TV buscava as melhores entrevistas com vítimas e testemunhas, o choro delas era apenas um bônus.

Ao invés do mínimo de respeito pelas vítimas, o jornalismo brasileiro deu um show de irresponsabilidade.

Sobrou até para a internet. Se religião, fundamentalismo e terrorismo islâmico soariam pesado demais para o público tupiniquim (já basta terem importado dos EUA o paralelo com Columbine), a solução foi culpar a internet, pois o responsável pelo massacre supostamente era uma pessoa isolada e que passava muitas horas na internet.

Assim que descobrirem sua banda ou cantor favoritos, a mídia terá outro alvo, outro assunto para analisar profundamente em todos os horários possíveis.
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