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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Primeiras nomeações/propostas de Haddad na prefeitura de São Paulo: Pontos positivos e negativos

Haddad acabou de assumir, mas já podemos, pelas suas primeiras ações e atos políticos, além de suas nomeações, tirar quais seriam os pontos positivos e negativos iniciais.

Pontos Positivos

Criação da Secretaria de Igualdade Racial. Iniciativa progressista, porém neutralizada com a nomeação de Netinho de Paula.

Criação da Controladoria Geral do Município. Ela já existia desde Marta, mas agora ganhou status de secretaria (obrigado ao @danieldocei pela dica). Uma excelente inciativa para trabalhar em conjunto com o TCU, isto se o órgão for realmente independente, e outro acerto na nomeação de Mário Vinícius Claussen Spinelli para o cargo.

Fim da militarização das subprefeituras e colocação de funcionários de carreira no lugar de coronéis da PM. A melhor iniciativa de Haddad quando assumiu o cargo de prefeito.

Foco em combater a miséria na cidade. Retoma ou apenas continua com os projetos federais nesta áera. Esperamos que traga novidades e sua aplicação seja efetiva.

Tentativa de rever dívida da cidade junto ao governo federal. Importante passo para sanar as dívudas reais ou supostas da prefeitura e ter como investir em áreas estratégicas.

Cultura com Juca Ferreira e Rodrigo Savazoni. Outra grande iniciativa buscando retomar o excelente trabalho que Juca e Gil realizaram no MinC e com a ajuda do Savazoni, que entende como ninguém da área. É a secretaria de onde podem sair os melhores projetos.

Fim da taxa de inspeção veicular. Algo esperado e necessário. Motivo de confusão revolta e, claro, corrupção, durante o governo (sic) Kassab. Nota: O fim da taxa é bom não pro ela em si, mas por ter acabado com um verdadeiro ralo de corrupção. É preciso repensar o modelo.

08/01/13 Nomeação de Leda Paulani para secretaria de Palnejamento (dica do @paduafernandes).

08/01/13 Criação da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres (via @Mairakubik)

09/01/13 Obrigação (ordem do dia 3 de janeiro) do uso de uniforme por guardas da GCM que não pdoem mais atacar a população a paisana.

Pontos Negativos

Netinho de Paula na Secretaria da Igualdade Racial. Netinho de Paula é um espancador de mulheres que pouco contribuiu em sua história para a causa negra além de servir de garoto propaganda.

Discurso pela manutenção das OS. Privatização branca da saúde com aval e entusiasmo do PT que quando é oposição critica, mas no poder apoia.

Provável aumento das passagens e nenhuma discussão sobre o Passe Livre. As passagens irão aumentar, basta saber para quanto irão. Hoje milhões de paulistanos não tem condições de usar o transporte "público", a situação irá apenas se agravar. Como paliativo e propaganda enganosa pode vir o Bilhete Único Mensal, que dará desconto pífio e não melhorará a situação geral.

Programa pífio contra enchentes que não faz mais do que demonstrar boa vontad. A carta divulgada por Haddad com as primeiras iniciativas não difere das "boas" intenções do PSD e do PSDB nas gestões anteriores. Não traz nada de novo ou prático, como investimento pesado nas áreas mais críticas ou soluções emergenciais para áreas onde sempre enchem, como na região próxima a USP Leste.

Aliança com Maluf, PP, PSD e corja semelhante. Não precisa nem de comentários. Uma coisa é precisar de maioria para governar - o que não é sempre verdade, já que se pode buscar apoio e pressão popular sempre que necessário através de conselhos locais e etc, como o próprio PT acreditava e defendia - outra é entregar cargos-chave, garantir rios de dinheiro e se lambuzar no chiqueiro de gente como Maluf, Kassab e cia.

Aliás, o PT passou TODA sua história atacando Maluf para aparecer em foto carinhosa com ela e a campanha de Haddad foi em grande parte pautada pelas denúncias de higienismo contra Kassab, para agora estar aliado com o bandido.

Manutenção do projeto criminoso da Nova Luz, apenas com a promessa - vazia? - de "maior diálogo", passando por cima do caráter higienista que permeia a proposta como um todo. Não se pode aceitar absolutamente nada do projeto que foi feito sem nenhuma discussão com a população interessada e apenas voltada aos interesses das empreiteiras e da especulação imobiliária - estas que deram rios de dinheiro ao próprio Haddad.

Kassab permanece com poder sobre o governo e secretários. Homens (e mulheres) de Kassab permanecem no governo, como na SPTuris. O turismo virará feudo de Kassab e aliados. A aproximação entre PSD e PT, visando apoio do PSD nacional a Dilma, passa por cima dos interesses de São Paulo, que são os de ENTERRAR Kassab e seu partido criminoso e higienista. Mas, infelizmente, não acontecerá. Kassab ainda conseguiu emplacar o secretári-adjunto da Secretaria do Trabalho e o novo secretário-adjunto de Esportes. O pior prefeito que São Paulo já teve, como pintava a campanha de Haddad - e com razão - não é ruim na hora de manter seus tentáculos na administração...

Secretaria de Habitação e empresas subordinadas nas mãos do PP/Maluf. Dispensa comentários. Chave do cofre para os maiores bandidos do país que já são donos do Ministério das Cidades. Movimentos sociais se mobilizaram e foram traídos por Haddad antes mesmo da posse quando ele preferiu cumprir promessas feitas ao PP que as feitas ao povo e aos movimentos próximos ao PT.

Um dos maiores problemas de São Paulo é a falta de moradias, a demora na entrega de apartamentos populares e o crescimento exponencial da população em situação de rua que é, por sua vez, fortemente  criminalizada e entregar a Habitação ao PP beira o ato criminoso. Os movimentos populares por moradia não ficaram satisfeitos e não tem nada a comemorar com a vitória de Haddad.

Mudança no prazo para inspeção veicular. Com as mudanças propostas por Haddad, por mais que acerte com o fim da taxa, erra na permissividade dos prazos para a inspeção, facilitando a vida de poluidores e prejudicando o meio-ambiente.

Histórico do PT nacional de criminalização das greves do funcionalismo público. Apenas uma suposição, mas depois de Dilma é impossível acreditar que Haddad tratará os funcionários públicos que vem recebendo aumentos (sic) de menos de 1% com Kassab sejam tratados corretamente. E a posse já mostrou que a questão será problemática.

Nenhuma palavra sobre aumento de salários para professores municipais. Pode ser cedo, mas é questão crucial. Nenhuma palavra até o momento. O PT enche a boca para falar em educação e em valorizar professores e etc, mas na prática faz o contrário.

Julian Rodrigues indicado para a CADS, Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual da prefeitura. Uam figura nefasta, sem trânsito com diversos setores, que coloca interesses partidários na frente de agressões homofóbicas, do PLC122 e etc não tem a capacidade para assumir qualquer cargo na administração paulista.

Garantiu, com suas nomeações para secretarias e com alianças espúrias do PT, que assumissem cargos de vereador gente da laia de Wadih Mutran, Coronel Camilo e.... Marquito (não totalmente sua culpa no caso do Coronel Camilo, mas culpa das alianças esdrúxulas do PT com a direita)!
- Vereador Coronel Camilo (PSD) assumiu em vaga deixada pelo vereador Antonio Carlos Rodrigues, que foi para o Senado.

- Vereador Wadih Mutran (PP) ocupou vaga do vereador Donato (PT), que assumiu Secretaria de Governo na Prefeitura de São Paulo.

- Vereador Alessandro Guedes (PT) ocupou vaga de Eliseu Gabriel (PSB), que foi para a Secretaria Municipal do Trabalho e do Empreendedorismo.

- Vereador Marquito (PTB) ocupou vaga de Celso Jatene (PTB), que foi para a Secretaria Municipal dos Esportes.

- Vereador Abou Anni (PV) ocupou o lugar de Ricardo Teixeira (PV), que foi para a Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente.

- Vereador Orlando Silva (PCdoB) ocupou a vaga de Netinho de Paula (PCdoB), que foi para a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial.
 Enfim, sugestões, comentários, reclamações e etc são bem vindas.

Deixo calro fazer oposição de esquerda ao PT federal e ao Haddad, mas não posso fingir não ver avanços em discursos, nomeações e propostas, mas tenho a obrigação de criticar aquilo que vejo como absurdo e abusivo. Apenas criticar ou apenas elogiar é coisa pra fanático governista.



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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Bikes e ciclofaixas, uma vitória?

Não tenho a intenção de ser um estraga-prazeres, mas me pergunto se a ciclofaixa da Av. Paulista é mesmo uma vitória.

Os ativistas que acreditam na bike como uma alternativa de transporte - por mais que eu pessoalmente não tenha a menor intenção de usar bike para nada, nem se fosse algo comum e corriqueiro - tem um ponto válido e merecem ser oubidos. Acredito que a bike é sim uma opção que muitos podem aderir e que oturos já aderiram, ainda que eu não acredite que seja uma "solução" e sim apenas mais uma modalidade de transporte.

Enfim, eu não consigo entender como estes ativistas possam considerar a ciclofaixa na Paulsita como vitória mais do que como um pequeno avanço ainda muito distante dos objetivos justos. A lógica da ciclofaixa, que funciona apenas aos domingos de 7 da manhã até as 16h é a de que bike só serve para recreação. A ciclofaixa funciona apenas num dia não-util e no mais não-util de todos, o domingo e em um horário ingrato, de manhã cedo num domingo até a metade da tarde.

Sua função é puramente recreativa. Não há intenção de msotrar a bike como meio de transporte, mas apenas como meio de se divertir aos fins-de-semana. De certa forma acaba jogando até mesmo contra os ativistas ao passar esta ideia de lúdico e não de útil (não que o lúdico não possa ser útil).

Posso estar enganado, mas é esta a ideia que me passa.

E, não sejamos tolos de achar que a ciclofaixa foi uma vitória de qualquer grupo além do grupinho que tenta garantir a eleição de Serra. Kassab, sua cria - e convidado de honra do PT que depois resolveu trair o partido - não teve a mirabolante ideia de uma ciclofaixa às vésperas da eleição de graça.

Os ativistas pelo uso de bikes como meio de transporte podem não formar um grupo gigantesco, mas é um grupo político como qualquer outro e "merece" ser contentado em troca de alguns votos. É relevante e tem o direito de ser ouvido.

Questão é, foram contentados? Se contentam com tão pouco?
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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Haddad e Kassab: Carta na Folha e a revolta governista

Leiam a seguir carta que publiquei no Painel do Leitor da Folha:
Por mais que eu concorde com as críticas de Fernando Haddad a Kassab ("Haddad diz que Kassab é o 'pior prefeito do país'", "Poder", ontem), não posso deixar de lembrar que, há apenas poucos meses, ambos eram aliados de primeira ordem, melhores amigos, com Kassab sendo convidado de honra para a festa de aniversário do PT e, então, aliado garantido do partido. Não são as coisas que mudam em poucos meses, é a hipocrisia de políticos que continua sempre a mesma.
Raphael Tsavkko Garcia (São Paulo, SP)
O engraçado é que minha carta à Folha não ataca o Haddad, mas tão somente traz à tona um fato relevante e conhecido: Kassab foi aliado do PT por algumas semanas. Foi convidado de honra da festa do PT. Mas deu uma lição de engenho político no Lula ao se bandear de volta pro lado do Serra - ainda que, no nível federal seu PSD permaneça na base aliada.

O problema na verdade é que os petistas tem medo de uma coisinha muito simples: História. Eles não querem ter memória (talvez daí venha a conivência de dilma com os milicos torturadores e a piada da Comissão da Verdade que não fará metade do que deveria) e se limitam a xingar aqueles que não se forçam a esquecer do passado (recente).

Memória, história, lembrança... São armas contra o PT e seus fanáticos de guerra. Petista corre da história/memória como pastor evangélico corre do imposto de renda.

Começamos com uma série de ataques de um perfil fake petista. Irrelevante, para dizer o mínimo. Mas foi daí que a corja fanática passou a também atacar.

"Fui comunista..." Na verdade eu nunca fui Comunista, e sim sou socialista, coisa que o PT não pode se declarar ha muito.

Reinaldo Azevedo? Aquele cara da revista que anda elogiando sem aprar as privatizações do PT?

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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Pedágio Urbano: O lucro sem fim da prefeitura de São Paulo

Muito interessante o artigo de Marcelo Cardinale Branco na Folha de sábado, em especial quando este critica a "cultura rodoviarista" do Brasil em uma cidade onde o transporte público vai do péssimo ao precário. Falar em investimento público nos transportes é mais fácil do que efeivamente fazer alguma coisa, e isto nós que vivemos em São Paulo sabemos muito bem.

Em alguns momentos cheguei a gargalhar, tamanho o absurdo do discurso do capacho do Kassab:
A discussão sobre limitação de tráfego nas cidades deve ser realista e objetiva. 
Já começou errado. Com Kassab, PSD, PSDB e cia isso não é possível.
Para minimizar os custos associados à circulação de veículos individuais, o caminho mais efetivo é favorecer a utilização do espaço pelo transporte público, aperfeiçoar e ampliar o transporte de massa, disciplinar e restringir o tráfego, inclusive com cobrança de pedágio urbano, e retirar da região central os veículos de cargas pesadas. 
Sem dúvida a intenção é SEMPRE a de minimizar os custos para o Estado, repassá-los ao povo e garantir o lucro da iniciativa privada. Nisto se encaixam as estradas privatizadas (ok, concedidas) do estado, nos aeroportos concedidos (novamente a novilingua do PSDB/PT) por Dilma e por aí vai. Em que momento o povo lucrará com tais ações? Nunca.

Continuamos a pagar impostos para melhoria das estradas, mesmo as privadas e o dinheiro das "concessões" nunca ninguém viu (a não ser os donos de meia dúzia de contas na suíça e afins) e, no caso dos aeroportos, o Estado arcará com uma parte imensa do valor das concessões, perderemos controle sobre importante aspecto de nossa soberania e, de quebra, poderemos enfrentar subida de preços nas taxas praticadas.

É um jogo em que nós sempre perdemos.
Isso levará à redução dos congestionamentos, o que tornará o transporte por ônibus mais atrativo, com maior oferta de lugares, velocidade e conforto.
Nesta parte eu até engasguei. De fato, sem carros o congestionamento será menor, não é preciso ser gênio, mas notem: MENOR. Nada garante que acabe(m). Mas NADA nesse mundo tornará atrativo o transporte de ônibus da forma como ele é hoje. Pagamos absurdos 3 reais mesmo que para andar 500 metros (e hoje sabemos que 500 metros pode levar até 2 horas a depender da hora) e os ônibus estão constantemente lotados. Sem carros a tendência (uma obviedade que só "administradores" públicos com motorista particular não notam) é a de que os ônibus fiquem MAIS cheios, tornando o que hoje é insuportável, um calvário com direito à momentos de puro desespero.

A parte do conforto eu nem levo em conta, vou fingir que de tanto rir e engasgar estava com os olhos cheios de lágrimas e não li tamanho absurdo. E quanto ao aumento de oferta, mais uma piada de péssimo gosto.

O que está por trás disto é simples: Lucro para patrocinadores dos políticos ligados ao Kassab, PSDB e, claro, PT - wannabe aliado de Kassab.

O lucro para os amigos do rei com os pedágios nem precisa ser analisado. São milhões, até bilhões em benesses eternas, sem grandes custos ou exigências, uma verdadeira farra. O Estado passa a economizar com fiscalização, manutenção de ruas e etc e isto o digníssimo secretário nem fez questão de esconder:
Em São Paulo, por décadas, os recursos públicos para manter as ferrovias ou investir no transporte de massa e nos corredores de ônibus foram inexistentes ou escassos. Pareceu sempre mais econômico abrir e ampliar estradas e avenidas e deixar que os interessados procurassem os meios de locomoção.
E sejamos honestos, os investimentos em transporte público continuarão escassos. Mera questão de observação.

Voltando aos lucros, os donos de estacionamentos irão prosperar como nunca, assim como a prefeitura e amigos que pode ter seus laranjas dominando redes de estacionamentos e, claro, é sempre possível criar, no entorno das áreas de pedágio, uma imensa área azul, garantindo mais alguns bilhões à pobre prefeitura paulistana.

É mais dinheiro para corrupção, para os amigos e aspones em geral.

Teremos pedágios privados para garantir o lucro de empresários e o entupimento final dos parcos serviços públicos à nossa disposição, com metrô e ônibus na casa dos três reais (e logo virão novos aumentos injustificáveis), quanto sairá o pedágio?

Quem mora mais longe do centro terá de pegar seu garro, gastando gasolina e demais custos do mesmo, estacionar perto de alguma praça de pedágio onde acredita-se haverá acesso a transporte público e então chegar ao trabalho. Pagará pelo carro e pelo transporte público e pelo estacionamento ou área azul para deixar seu carro. Ou então pagará o pedágio e dada a qualidade (sic) do transporte coletivo, muitos preferirão pagar, para a alegria da prefeitura e seus quarenta ladrões, que lucrará como nunca.

Nem vale entrar também num ponto óbvio, que é o seguinte: Porque a prefeitura e seus aspones ficam colocando a culpa no transporte individual para investir no coletivo? É preciso TIRAR carros da rua para que a prefeitura e demais governos invistam em ônibus e metrô? Não seria mais inteligente investir em qualidade e conforto no coletivo para que, assim, as pessoas tivessem motivos para largar o individual?

Claro que tem gente que simplesmente quer ter seu carro e dane-se o mundo, e os constantes incentivos federais à indústria de carros - que parece ser nossa única - pioram a situação das grandes cidades, as entupindo ainda mais, mas será que uma parcela IMENSA não estaria disposta a usar o transporte coletivo se este tivesse o mínimo de qualidade?

Mas é mais fácil, muito mais fácil buscar formas de nos roubar para fingir que estão investido em qualidade de vida e transporte coletivo. ao invés de buscar limitar à força o uso do transporte individual, que tal tornar o coletivo atraente?

Às vezes só podemos rir da incompetência e desfaçatez de nossas "administradores" públicos

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Atualização:

Qual não foi minha surpresa ao descobrir que Dilma acaba de aprovar lei que prevê pedágios urbanos pelo país como forma de incentivar o transporte público. Como se vê, a estupidez Kassabiana é contagiosa. Ao inv´s de investir em transporte público de qualidade para servir como incentivo à troca do transporte individual pelo coletivo, faz-se o contrário, proíbe-se o individual para superlotar o já lotado, saturado e péssimo transporte coletivo.
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sexta-feira, 16 de março de 2012

São Paulo e eleições: Vai melhorar com Haddad?

Comentário (ampliado) que fiz em post sobre a pane mais recente do metrô de São Paulo:

Só me pergunto uma coisa: Mudaria o que com gestão petista? Mudaria mesmo? Vão reestatizar a Linha Amarela? Agora que o PT entrou na onda das privatizações... Vão re-estatizar as estradas "concedidas" pelo tucanato - lembrando que o PT também "concede" rodovia?

Cadê o plano do Haddad (ainda que o metrõ seja alçada estadual, mas eleição municipal se aproxima)? Ele agora "reclama" e "acusa" que Kassab é criado Pitta e Maluf, oras, mas não era ele quem conversava com o Kassab pra ganhar seu apoio?

Kassab é um crápula, mas o PT o queria como aliado na sua vibe de "tudo pelo poder". Numa semana ele vai como convidado de honra para festa de aniversário do PT, na outra ele volta a ser canalha?

Sobre os "planos" de Haddad, que de concreto apenas anunciou uma medida absolutamente hipócrita e de socialização dos prejuízos de acabar com a taxa de inspeção veicular, que pdoe ser prenúncio da continuidade do incentivo/investimento em transporte individual:

Haddad irá suspender e enterrar a Nova Luz? Vai dar dignidade aos coitados tratados como lixo da Cracolândia? Vai propor a Tarifa Zero pro transporte público ou ao menos suspender aumento de tarifas abusivas (3 reais é dose) e até reduzir o que pagamos no meio tempo?

Vai amplair transporte público? Garantir salário digno pros professores municipais? Enquadrar a violentíssima GCM e não usar força para desalojar ocupações? Vai acabar com a farra da GCM armada, mesmo que com armas "não-letais"?

Será que Haddad vai fazer alguma coisa contra as enchentes constantes e comuns na cidade sempre que chove por 30 segundos?

Ou, no fim, vai fazer como o governo federal e cortar "despesas" com o social e com o necessário para fazer caixa e esbanjar na propaganda - como o quase-aliado Kassab faz? Haddad vai prometer, prometer - como fez Dilma - pra no fim se aliar com fundamentalistas e aprovar de vez o "Dia do Orgulho Hétero" na cidade? Tudo com direito a uma tropa de choque de milicianos fanáticos justificando todo e cada recuo.

E os albergues fechados pelo Kassab, serão reabertos e terão qualidade? A população em situação de rua será tratada como gente?

Faço todas essas perguntas porque naquilo que São Paulo tem em comum com outras cidades e mesmo estados governados pelo PT ou aliados, NADA melhorou. Taí professor tendo ponto cortado em PE/Recife do PSB/PT, professor com PIOR salário no RS do PT, estudante apanhando da PM em protesto contra tarifas absurdas no PI de aliado do PT...

Aliás, o que vi até agora em termos de "plano de governo" ou propostas sérias se resume a petistas dizendo que vale tudo pra vencer e fazer ponte pra tirar o PSDB do governo estadual com a máquna da cidade.

Que me desculpem, mas tirar o PSDB pra colocar o PSDBdoB (um PT com projeto semelhante ou igual ao do PSDB/PSD ou o diabo que governa São Paulo hoje) faz diferença?
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Massacre do Pinheirinho: É preciso espalhar pelo mundo!

Acredito que estes sejam os melhores (se é que podemos chamar a filmagem de atos de cruel selvageria de 'melhores") vídeos sobre o Massacre do Pinheirinho e que devem ser vistos e divulgados pelo mundo para que não passe em branco. Tentemos identificar os policiais, seus nomes, o que fizeram e vamos denunciar.

Hoje deve sair uma posição das Nações Unidas sobre o caso e é preciso denunciar o governo de são Paulo e a Prefeitura de são José dos Campos em todos os órgãos internacionais possíveis, assim como o governo brasileiro por sua omissão clara, cujo ministro da justiça se frtou em sua obrigação de fazer a AGU se mover, a ministra de direitos humanos não deu as caras no local e a presidente fez um mea culpa grotesco em reunião fechada... em Porto Alegre.

Isto depois de estar em São Paulo no dia 25, aniversário da cidade, recebendo prêmio de Kassab, ao lado de Alckmin, FHC, do juiz e de outras "autoridades" e não fazer nenhum comentário enquanto abraçava e elogiava Kassab... Enquanto apanhávamos da PM na Sé, com presença maciça do movimento social e notável ausência da militância governista.

Aproveito e trago o link da minha postagem sobre visita ao Pinheirinho, com vídeos efotos da violência policial. E também o post do Global Voices, já com versão em inglês, para ser espalhado.




Está circulando uma petição pelo impeachment do Alckmin, recomendo que assinem! E repassem incansavelmente os vídeos e posts sobre o Pinheirinho para todos que você conhece, no Brasil ou fora! Precisamos criar um constrangimento internacional!
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Protesto na Sé: Kassab, Alckmin Dilma e a política do"Pau e Circo"

Kassab e Dilma ao lado de Alckmin e um grupo cheio de gente boa! Que lindo o sorriso da presidente enquanto o povo levava porrada lá fora!
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Update:
Difícil não se emocionar com a demonstração de carinho e afeto presentes nesta foto....
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São Paulo vem se tornando a capital da repressão. Ou melhor, vem apenas se reafirmando inconteste como capital da repressão e da violência contra o povo. Não bastasse a operação na Cracolândia, criminosa e higienista e a violenta repressão no Pinheirinho, Kassab e Alckmin (que cancelou sua participação na missa na Sé, talvez prevendo que iria ocorrer um protesto) resolveram chutar o pau da barraca e brutalizar por qualquer coisa, a qualquer momento.

Cerca de mil manifestantes se reuníram ontem em torno da Catedral da Sé, onde o prefeito assistia à missa em comemoração do aniversário da cidade - o governador fugiu - e protestaram durante a atabalhoada saída de Kassab, pelos fundos, como um rato acuado, jogando ovos contra ele e sua comitiva de bandidos autoridades.

Antes da saída do prefeito, porém, a PM empurrava e intimidava os presentes, que se aglomeravam em volta dos carros estacionados na saída da catedral que aguardavam os bandidos as autoridades.

PM's prontos para a briga empurravam e usavam os cacetetes para machucar quem tentava se aproximar, mesmo que para gravar uma imagem ou tirar uma foto e o empurra-empurra era grande.
Higienista se esconde dos ovos jogados pelo povo. Pena que não eram pedras tiradas das paredes demolidas das casas da Cracolândia.

Quando Kassab saiu da igreja os ovos começaram a voar, assim como garrafas d'água, que logo se transformaram em pedaços de pau, bandeiras e até uma lixeira quando a PM respondeu com cacetadas, spray de pimenta e, quando os manifestantes começavam a se afastar e a situação aprecia estar sob controle, com bombas de efeito moral que acabaram ferindo várias pessoas.

Um rapaz saiu com o rosto ensanguentado, rasgado pelos estilhaços, um amigo que estava comigo teve o braço ferido e eu acabei com uma ferida (leve) causada por estilhaços na perna e uma pancada forte na base da coluna causada por um pedaço de alguma bomba desgovernada que causou um pequeno inchaço, mas acho que conseguirei manter o movimento das pernas (sim, foi brincadeira, mas doeu por horas).
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Aliás, alguns de meus tuítes foram reproduzidos pelo Terra.
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Resultado da ação da polícia de Alckmin e Kassab. Dilma, ao saber do que acontecia, deve ter dito "Ah tá".

Depois dessa demonstração insensata de violência, em que a PM demonstrava estar gostando do exercício de crueldade, Kassab conseguiu escapar para se reunir com sua futura aliada, Dilma, e Alckmin na prefeitura.

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Cracolândia, uma experiência única em meio a inúmeros contrastes

"E que eu por ti, se torturado for, possa feliz, indiferente à dor, morrer sorrindo a murmurar teu nome LIBERDADE". Carlos Marighella
Dor, sofrimento, um ambiente caótico e completamente fora da realidade - ou de uma suposta realidade - junto com meu próprio sentimento de irrealidade, de surpresa, de desalento.

É o que posso resumir do Churrascão da Gente diferenciada que aconteceu na Luz, na famigerada Cracolândia, onde pude ver - porem sem ainda acreditar - onde centenas de pessoas vivem como animais, como se não fossem gente.

De um lado da rua prédios e moradias normais, um salão de beleza, bares... Como se estivéssemos em qualquer bairro de classe trabalhadora de são Paulo ou  de outras grandes cidades. Do outro, um edifício semi-demolido, com janelas emparedadas, totalmente pixado e, claramente assustador.

A "city cracko", como diz uma pixação logo em sua entrada. Uma casa de dor e sofrimento que não precisava da PM para ampliar sentimentos e sensações tão comuns àquele local.

A visão tão estranha de uma aparente normalidade de um lado da rua para a completa degradação humana loco na frente me chocou. Admito que, na hora, pouco pensei sobre, mas ao contrário do normal, não consegui gravar muito ou tirar muitas fotos. fiquei apenas ali, encontrando com amigos e conhecidos e num estado meio de torpor, salpicado pelo medo de uma ação violenta da PM, que rondava com cara de poucos amigos e que, à medida que o tempo passava, aumentava seu efetivo e às vezes até faia um showzinho com viaturas em alta velocidade circulando pelas ruas que iam esvaziando.

Os que ficavam diziam que temiam uma "resposta" violenta da PM frente à nossa manifestação, como se quem já não tinha nada e vive em meio às drogas e a miséria merecessem ser castigados por mais alguma coisa.

É difícil pensar em humanidade ou mesmo em sociedade quando nos deparamos com a Cracolândia, com que vive lá, com que sofre lá. O ódio contra "autoridades" que tratam aquelas pessoas pior do que tratam animais peçonhentos apenas cresce, transborda. O fascismo de um governo (municipal, estadual e federal) que se recusa a tratar com humanidade pessoas que não perderam a sua, que amam, que sofrem e, contra tudo que foi dito, raciocinam e tem plena capacidade de argumentar e acima de tudo, de entender e lamentar sua situação, me deixa sem palavras.

Ou melhor, me deixa com mais ódio ao ponto dep recisar moderar as palavras que me surgem e tentam transbordar. Acredito que deveria ser obrigação de todos e todas que sobem no pedestal para dizer que quem está na Cracolândia deve ser FORÇADO a se "tratar" ou que deve ser tratado como animal, fazer uma visitinha ao local e conversar com quem vive lá. É uma verdadeira mudança de vida, na forma como se enxerga o outro.

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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Audiência Pública sobre a situação na Cracolândia

No dia 11 de janero estive na Câmara Municipal de São Paulo para acompanhar uma audiência pública sobre o que vem ocorrendo na chamada Cracolândia, na região da Luz. Muito blablabla, muitap resença de "autoridades", muito pouco espaço para os movimentos sociais se expressarem, acusações, disputas e quase nada de soluções, mas apenas promessas de boa vontade da parte dos vereadores e deputados estaduais presentes.

No início, o auditório Júlio Prestes estava lotado, inclusive com a presença da mídia - que provavelmente não citou sequer o evento em seus jornais -, mas dada a lenga-lenga típica de políticos (Jamil Murad conseguiu dar uma aula de como ser um anfitrião tedioso, sempre disposto a comentar por mais tempo que os discursos oficiais), aos poucos o local foi esvaziando e, como de costume, os movimentos sociais falaram quase que só para eles.

O assunto é de máxima importância e, no entanto, pouco ou nada ficou resolvido, mas ao menos pudemos ter acesso a algumas informações importantes, como as do presidente do Sindicato dos Guardas Municipais (GCM), Clóvis (vídeo 10), que denunciou o comando da GCM pela incitação clara à violência e anunciou a existência de uma "Ordem de Serviço 01" que obrigava todo GCM a retirar dos espaços públicos todo e qualquer sem-teto, não importando como. Ou seja, basicamente dando carta branca, ou melhor, obrigando ao uso da violência.

O Padre Júlio Lancelotti descreveu um cenário de pânico e terror onde ele mesmo foi abordado por policiais nada amistosos que se fazem isso com uma figura pública e um padre conhecido na região, imaginem com os "nóias", que não são sequer gente para a PM e para boa parte da população paulista (em especial elementos da elite racista e da classe mérdia).

Anderson, do Movimento Nacional de População de Rua traçou um panorama assustador da situação dos moradores de rua e da cracolândia, cobrando uma ação efetiva e não-policial, mas com saúde, educação, lazer e, enfim, respeito e dignidade.

O Desembargador Antônio Carlos Malheiro e o Presidente da AJD, Luis Fernando Vidal, fizeram seus discursos tendo em mente a necessidade de ação da justiça. Cumpriram seus papéis sem grandes necessidades de comentários.

Carlos Weiss, da Defensoria Pública de São Paulo "resumiu longamente" o trabalho feito pela defensoria na região ao passo que o Deputado Estadual Major Olímpio, para surpresa de muitos - e minha em especial - fez um excelente discurso criticando a ação da polícia no local e exigindo respeito e dignidade para a população em situação de rua. Saiu bastante aplaudido.
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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Movimento Estudantil Ocupa, a PM Ameaça e Agride

É quase sempre na base da ação e reação: Os estudantes se mobilizam e a PM desce o cacete.

Comandados por Alckmin e Kassab, dão uma 'lição" aos estudantes universitários. Gente despreparada, violenta, criminosa com armas na mão e pseudo-autoridade que lhes foi dada por uma elite corrupta com a única intenção de "controlar" as classes mais baixas ou aqueles que desviem do padrão normativo desta elite, ou seja, qualquer um que seja preto, pobre, favelado ou mesmo branco, ams que resolva contestar a ordem vigente.


Será que impressiona que o ÚNICO negro no local tenha sido o alvo do ataque do PM, que saca a arma brevemente para ameaçá-lo?

Nada em comum com a paixão que a PM tem por agredir e matar negros? Será apenas uma coincidência que o PM, cercado de estudantes brancos, caminhe agressivamente em direção ao único negro no local, possivelmente duvidando que um negro - "estes inferiores"! - seja estudante da USP e não apenas mais um "provocador" no lugar errado?

Não se pode deduzir mais nada. Em meio a alunos brancos, possivelmente de classe média, o PM teve a necessidade de colocar pra fora todo o seu ódio insensato contra a humanidade. Mirou o negro, perguntou "delicadamente" se era aluno da USP - local onde negros não deveriam frequentar, segundo pensamento da figura fardada - mandou mostrar a carteiria e, diante da justa recusa, sacou sua arma para mostrar quem mandava ali.

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sábado, 3 de dezembro de 2011

Eleição do Conselho Municipal de Habitação de São Paulo

Do blog O Palco e o Mundo, do meu amigo Pádua Fernandes:
Escrevi no mês passado sobre a manobra que a Prefeitura de São Paulo resolveu fazer decolar no Conselho Municipal de Habitação (CMH): restringir o direito de voto, exigindo pré-cadastramento em um período curtíssimo de três dias. O raciocínio parece ser este: quando menos eleitores, menos popular será o futuro Conselho, que trabalhará no estratégico ano que vem. Em 2012, teremos um ano que será eleitoral para os Municípios e eleitoreiro para os prefeitos.
Não sei se a manobra da prefeitura de Kassab decolou, eis que houve um esforço de cadastramento. A eleição será no dia quatro de dezembro, próximo domingo. Para quem tem dúvida em que chapa votar, recebi a seguinte mensagem do militante da União dos Movimentos de Moradia de São Paulo (UMMSP), advogado e conselheiro do CMH, Benedito Barbosa:
Dia 4/12 - Vote Chapa Unidade Popular
CMH SP N° 88

Leve documento com foto - RG

Neste dia 04 de dezembro das 8 as 17 horas nas Subprefeituras ocorrerá eleição do Conselho Municipal de Habitação - CMH SP. Participe!!

Vote 88

em defesa do mutirão com autogestão
em defesa da moradia na area area central
contra os despejos e remoções
em defesa da moradia para pessoa idosa
em defesa da moradia para mulheres chefes de familia
em defesa da regularização fundiaria
em defesa da urbanização de favelas
em defessa da recuperação e regularização dos conjuntos
por acesso a terra urbanizada e financiamento para moradia digna

Contatos e informações 36672309 - UMMSP
Veja que se trata de bandeiras não exatamente (ou nem um pouco) defendidas pela atual gestão municipal, o que é mais um sinal da importância da representação popular nesses órgãos.
O Estatuto da Cidade (lei 10257 de 2001), que completou dez anos, tenta expressar o princípio democrático e diversas vezes refere-se à participação popular. Ela será tão mais efetiva quanto mais organizada. Como diretriz geral da política urbana, encontramos, no artigo segundo, esta previsão: "II – gestão democrática por meio da participação da população e de associações representativas dos vários segmentos da comunidade na formulação, execução e acompanhamento de planos, programas e projetos de desenvolvimento urbano;"
Trata-se de uma exigência constitucional. A relativa decepção desta primeira década de experiência do Estatuto da Cidade decorre, em parte, da timidez ou, de acordo com o Município, da inexistência dessa participação. Não basta que ela esteja prevista em lei: é preciso que esse direito decorra da prática.
No entanto, ele abriu um canal, que se deve explorar, e que antes estava, em geral, fechado. Lembro do antigo GEAP, Grupo Executivo de Assentamentos Populares, do Município do Rio de Janeiro, criado em 1993. Ele havia sido previsto pelo Decreto n. 12205 de 13 de agosto de 1993; nele, dispunha-se que o futuro estatuto regulamentaria a participação popular no órgão. Isso ocorreu no primeiro governo de Cesar Maia, que criou, no ano seguinte, a Secretaria Municipal de Habitação.
Alguns programas habitacionais foram planejados pelo GEAP, dos quais o mais famoso ficou sendo o Favela-Bairro, que foi financiado com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A Prefeitura cumpriu todas as exigências legais do BID.
O mesmo não ocorreu no tocante às exigências para com a população: o Prefeito (e seu sucessor, Luiz Paulo Conde) jamais editou aquele estatuto, pelo que a participação popular na formulação das políticas de habitação ficou impedida pela falta de regulamentação - velho truque dos legisladores que gostam de prever o direito de forma que ele não possa ser exercido.
No próximo dia 4, há um direito a exercer no Município de São Paulo. Essa é uma das práticas de que depende a cidade.
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A eleição foi ADIADA!!
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domingo, 23 de outubro de 2011

Desbloqueando a cidade: Conselho Municipal de Habitação e cidadania express

Post chupado do blog "O Palco e o Mundo", do professor @Paduafernandes. Assunto de máxima importância para todos os paulistanos (e não paulsitanos moradores da cidade, como eu) que foi escondido pela Prefeitura de São Paulo. Mais uma das "brincadeiras" do Kassab.

Em resumo, haverá eleição para o Conselho Municipal de Habitação e a prefeitura não só escondeu o local de cadastramento para poder votar (neste link) como apenas nos concedeu 3 dias para fazer tal cadastramento (e o prazo se encerra HOJE, à meia noite).

Absurdo é pouco! Qual a intenção da prefeitura de esconder o cadastramento e, de quebra, impor um prazo infame? Aliás, não são estes os únicos problemas, mas também um cadastramento unicamente online, escondido em algum lugar do site da prefeitura. Não está clara a tentativa de alienar as classes populares - principais interessadas - do processo?

A internet é um veículo fantástico, potencialmente revolucionário, mas a idéia de um cadastramento unicamente online em meio à toda exclusão digital que temos e, de quebra, com divulgação mínima ou inexistente, é um prato cheio para canalhices kassabianas típicas.

Repassem, denunciem e, acima de tudo, se cadastrem e VOTEM!
Por meio do Fórum Centro Vivo, descobri que a Prefeitura de São Paulo está a realizar algo que, talvez curiosamente, se assemelha ao cerceamento da participação popular no Conselho Municipal de Habitação.
O cadastramento foi anunciado neste edital de 19 de setembro de 2011 e deve ser realizado aqui:
http://www3.prefeitura.sp.gov.br/sd2114_internet/Forms/frmManterCadastro.aspx
A eleição, segundo o edital, ocorrerá em 4 de dezembro deste ano:
IV- Publicação da relação dos eleitores cadastrados no
Diário Oficial da Cidade:
Ao término do período de cadastramento será publicada no
Diário Oficial da Cidade uma relação contendo os Nomes dos
Eleitores, os Números de Títulos de Eleitor, seus Locais de Votação
e respectivos Números dos Protocolos para os eleitores
que tiveram seus cadastramentos realizados com sucesso.
V- Como proceder para VOTAR:
No dia da realização das eleições, ou seja, em 04/12/2011,
o eleitor que se cadastrou previamente com sucesso
deverá comparecer pessoalmente ao local de votação para
depositar seu voto na urna eletrônica do Tribunal Regional
Eleitoral de São Paulo, munido de seu título de eleitor e de um
documento com foto .
As urnas eletrônicas estarão parametrizadas pelo Tribunal Regional
Eleitoral de São Paulo para aceitar os votos dos eleitores
que se cadastraram, previamente, nos locais escolhidos no
momento do cadastramento.
O pleito será realizado das 8:00 horas às 17:00 horas do
dia 04/12/2011 Excedentes de eleitores cadastrados presentes
neste horário receberão senhas, que garantirão seu direito ao
voto.
O cadastramento começou no dia 21 de outubro e encerra-se dois dias depois, em 23. Um caso notável de cidadania express, voltada para os que têm acesso ao mundo virtual.
A comissão eleitoral que decidiu o pré-cadastro foi escolhida pela Portaria n° 194/11/SEHAB: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/chamadas/portaria_194_11_sehab_doc_07_7_11_pg_19_1316616804.pdf
Na ata da 6ª reunião ordinária da Comissão executiva do Conselho, a conselheira Violêta S. Kubrusly, representante da Secretaria Municipal de Habitação, tratou do processo eleitoral e expressou preocupação com a participação do eleitorado:
Vamos falar de eleição. Esse é um ano eleitoral, a gente vai aí mais uma vez para um ano eleitoral no CMH para os movimentos populares e para as vagas que se apresentam com maior demanda do que vagas na sociedade civil, isso já aconteceu também outras vezes, hoje eu tentei que esta noticia já tivesse com mais conteúdo, mas eu estou indo agora saindo daqui, a gente vai para o TER (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo) nosso parceiro desde 2005. Para realização dessas eleições, que elas como vocês sabem e tantos de vocês já foram eleitos várias vezes, passamos por vários formatos, mais do bom disso é que apesar de que a gente tem uma ação que está correndo aí, que a gente tem respondido que o conselheiro Dito impetrou aí no ministério público e a gente tem respondido na medida de todas as demandas que a gente têm a Dra Vera acompanha também este caso nós tivemos um saudável incremento de mais do dobro dos votantes entre uma eleição e outra, então vamos ver pelo lado positivo de que esse é um conselho ativo que os movimentos populares se interessam por ele e a sociedade civil também está aqui presente ativa. Então a gente apesar do revés, e tem revés sempre. É positivo que a gente tenha o dobro de votantes e com isso a gente quer incrementar e que mais pessoas conheçam o CMH.

Essa representante da Prefeitura mostrou bem a preocupação institucional com a participação popular nas eleições, "resolvida" agora por meio da restrição do pré-cadastramento. Na reunião da Comissão Eleitoral em 8 de agosto deste ano, a mesma representante defendeu o modelo de pré-cadastramento, que foi aprovado:
Eu queria defender que o pré-cadastramento não é restritivo. Ele só organizaria melhor o nosso modo de operação. Nem os Movimentos têm de fazer essa gestão, nem a PRODAM teria, nem a Prefeitura de São Paulo, um exército de 18.000 pessoas só para estarem de pé junto de cada urna dessas. Ao passo que com o pré-cadastramento, dada toda a publicidade necessária, o meu desejo era que fosse ao site do TRE, mas eles não aceitaram postar, então será no site oficial da Prefeitura de São Paulo, que é um site sério.
Sim, a situação é séria. A publicidade não é suficiente e o prazo para o pré-cadastramento é curtíssimo.
Antônio L. Abad, da Empresa de Tecnologia do Município, foi claro nessa reunião a respeito das intenções da Prefeitura: "Sou gerente de relacionamento da PRODAM. O ano passado efetuou uma eleição com pré-cadastramento e dos 9 milhões, somente 43.000 se cadastraram. Dos 43.000, 7.000 votaram." Obviamente, a intenção é de restringir o acesso.

A conselheira Maria da Graça Jesus Xavier Vieira protestou: "Nós do Movimento achamos que não é democrático. A molecada vai mesmo no Orkut, no Facebook mas esse não é o nosso público, tem molecada na favela sendo despejada, pai de família, mãe de família, esse público que são os que vão votar."

A questão é, de fato, o público. As regras impuseram uma barreira de classe, a mesma lei da segregação que governa a cidade de São Paulo. Falta saber se essa restrição é lícita, à luz do princípio democrático na gestão da cidade e da tipificação como improbidade administrativa do impedimento à participação popular, segundo o Estatuto da Cidade, que completou dez anos em julho de 2011 sem muita festa.

Outra questão: a restrição a esse exercício dos direitos políticos não é um problema relativo ao direito eleitoral, e não ao de direito administrativo? E, sendo assim, não é inconstitucional que o Município institua esse pré-cadastramento de eleitores, tendo em vista que a União Federal possui competência privativa para legislar sobre direito eleitoral (art. 22, I)?
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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Praça Roosevelt - Polo Cultural: Até quando?




Depois de anos se falando na tão aguardada e desacreditada reforma da Praça Roosevelt, no centro de São Paulo, eis que nos deparamos com o "lado b" da situação, o lado ruim e, enfim, o lado capitalista.

Nada vem de graça. Os comerciantes e moradores da Praça passaram anos exigindo que algo fosse feito para revitalizar a área, para garantir a segurança e permitir que se caminhasse sem medo de ser vítima de violência no entorno.

A reforma, enfim, saiu. Para alegria de todos. Mas apenas por um tempo.

A Praça está, com boa vontade, na metade da obra. Tudo demolido e apenas começando a construir os canteiros e a estrutura básica de suporte para as obras que ainda virão, como o posto da GCM, da PM, floriculturas, espaços para árvores e etc. Mas desde já a especulação imobiliáia faz vítimas

A HQ Mix, livraria já famosa na Praça deixará o local. Os teatros estão ameaçados (exceto o Parlapetões, que é dono do imóvel) e até o tradicional PPP (Papo, Pinga e Petisco), bar sempre lotado, está ameaçado de despejo. Arazão? A sanha capitalista dos donos dos imóveis que preferem passar meses com o local desocupado à procura de quem pague os preços exorbitantes pedidos pelo aluguel a manter os negócios abertos.

Longe de se tratar de uma defesa dos comerciantes em si, a defesa da manutenção dos negócios abertos - teatros, bares, livraria e etc - é a defesa da vida da Praça. Foram os teatros e os bares quem, inicialmente, começaram o processo de revitalização de um local que era perigoso e sem vida.

Saindo a razão da vida que garante movimento de dia e de noite, trazendo segurança, fama e mesmo diversão ao local, os moradores ficarão novamente reféns andando por ruas escuras e pouco movimentadas.

Achar que base da PM ou da GCM garantem segurança é colocar demais fé em duas organizações que sequer deveriam existir. A Praça manteve, por anos, uma delegacia na sua ponta que liga à Consolação e nem por isso havia garantia de segurança.

Presenciei um assassinato na Roosevelt em que a PM praticamente colaborou com o assassianto de um mendigo, negando socorro à vítima que sangrava no chão.
A igreja contratou um segurança e colocou um rottweiler nos fundos. A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras afirma que dez guardas particulares fazem a segurança da praça. E a Polícia Militar diz que há policiamento 24 horas, duas câmeras e que, nos últimos três meses, não houve nenhuma ocorrência na Roosevelt.
Eu NUNCA vi mais de um segurança durante a noite, caminhando vez ou outra pela praça e só. E não há nenhum policiamento por parte da PM, apenas durante a noite e só nos fins-de-semana, quando o movimento é maior. Mas uma mentira da PM não é novidade.

No vídeo que abre o post, o Mario Bortolotto, que foi baleado dentro do Parlapatões (e a tal delegacia na esquina da Praça estava lá), comenta com conhecimento de causa: De que adianta a prefeitura trazer árvore e banquinho pra praça se o comércio fechar?

A Praça reformada é pra trazer vida pra região e não afastar aquilo que traz o movimento e a animação. Muito preocupante! Até os teatros tão ameaçados pela especulação, ou seja, aquilo que fez a Praça voltar a ter vida e sentido.
Os teatros, no entanto, temem que a obra eleve demais os aluguéis. Dos sete que estão na praça, o grupo Parlapatões, que no ano passado atraiu uma plateia de 30 mil pessoas, é o único proprietário do imóvel que ocupa.
Esta especulação imobiliária sem sentido, criminosa, que alguns chamam de "livre mercado" não pode ficar impune, ou melhor, os donos de imóveis, canalhas, deveriam ser interpelados e forçados a respeitar a comunidade da Praça.
"Já houve muitos projetos. Agora, eu só acredito vendo. Se não houver zeladoria, a área vai continuar abandonada", afirma a aposentada Bartira Cataldi Rocha, 68, que cresceu na região.
O mais assutador é ver que d polo cultura, a Roosevelt pode virar apenas um local de passagme pra quem quer cortar o cabelo:
Até quem passou por maus bocados pensa em voltar. É o caso do salão Jacques Janine, que funcionava ali na década de 1990. "Chegou uma hora em que os clientes não queriam ir até a praça. Agora, temos uma linha popular e penso em abrir uma unidade ali", diz Thony Rodrigues, sócio-proprietário da nova marca, a Basic Beauty.
Já existem dois salões, um deles que vive às moscas, ao lado da HQ Mix. A Praça realmente precisa de um terceiro concorrente (contando que na rua de trás, Nestor Pestana, há ainda outros 2 salões)?
O barulho e a movimentação até altas horas são as principais reclamações de quem vive nos prédios. "Algumas pessoas esquecem que há gente nos andares de cima. Esperamos que o bom-senso predomine e se chegue a um meio termo. Tenho janela antirruído e, mesmo assim, muitas vezes ainda escuto o barulho", diz Fábio de Siqueira Branco.
Pese as críticas que existem ao modelo de reurbanização do centro, é inegável o relativo sucesso do retorno à vida da Praça Roosevelt e a necessidade da manutenção deste polo cutural. Apesar de alguns insatisfeitos, a grande maioria não quer a volta da terra de ninguém anterior. Um pouco de barulho compensa.

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Algumas fotos da reforma da Praça:
Como ela era
Começo da demolição
Demolição caminhando
Como está hoje

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Em tempo, pirateio reproduzo aqui a matéria completa da Folha, que foi capa de sua revista dominicial:

A praça é nova
Ainda envolta em tapumes, obra milionária na Roosevelt já causa impactos na vida de moradores e comerciantes


Filipe Redondo/Folhapress

Operário caminha sobre a antiga estrutura da praça

NATÁLIA ZONTA No fim da tarde, o entra e sai de caminhões termina e as calçadas da praça Roosevelt, no centro, começam a ficar cheias. O "happy hour" no boteco La Barca reúne engravatados, jovens atores e um travesti. Comum nos dias de hoje, essa cena era rara em 2000, quando o primeiro teatro chegou ao endereço para disputar espaço com traficantes e prostitutas. Vivendo mais altos do que baixos desde então, a praça está prestes a mudar novamente.

Há quase um ano, a prefeitura está reformando o local, com um orçamento de R$ 38,6 milhões (85% serão fornecidos pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento). A grande estrutura de concreto apelidada de "pentágono" já foi demolida, e, mesmo envolta em tapumes, a obra, prevista para acabar em agosto de 2012, já provoca efeitos na vizinhança.

Um dos primeiros a sentir o impacto foi Gualberto Costa, dono da livraria HQ Mix. Por causa do aumento do aluguel, de R$ 1.700 para R$ 4.000, ele se prepara para deixar o ponto em novembro. "É um preço que não posso pagar. Estou de mudança e procuro espaços na Vila Madalena", diz.

O dono do imóvel foi um dos primeiros moradores a apostar na região. "Quando cheguei, há 14 anos, tudo era muito barato e me achavam excêntrico por viver aqui. Havia venda de crack e eu tinha medo de dormir próximo à janela, já que vivo em um andar baixo", afirma o funcionário público Fábio de Siqueira Branco, 57.

Em 2004, quando a HQ Mix abriu, ele diz ter alugado o local por um valor mais baixo para ajudar Gualberto. "Hoje, tenho de cobrar um preço mais real. Era uma situação válida quando não tinha interessados. Agora, há."

A disputa por imóvel atinge a vizinhança. No mês passado, a Brookfield lançou na rua Augusta, onde até 2009 estava o hotel Ca'd'Oro, um complexo com duas torres que vão abrigar 375 apartamentos, 387 salas comercias e um hotel. Tudo foi vendido em quatro dias por a partir de R$ 9.000 o metro quadrado. O valor médio em Pinheiros, segundo a Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio, é de R$ 9.520,93.

Até quem passou por maus bocados pensa em voltar. É o caso do salão Jacques Janine, que funcionava ali na década de 1990. "Chegou uma hora em que os clientes não queriam ir até a praça. Agora, temos uma linha popular e penso em abrir uma unidade ali", diz Thony Rodrigues, sócio-proprietário da nova marca, a Basic Beauty.

Toda essa movimentação, segundo Valter Caldana, diretor da Faculdade de Arquitetura do Mackenzie, tende a melhorar a região. "São Paulo vai ganhar uma praça em um lugar estratégico que irá agregar pessoas. Isso reforça o fato de que grandes intervenções são necessárias para mudar a região central."

Os teatros, no entanto, temem que a obra eleve demais os aluguéis. Dos sete que estão na praça, o grupo Parlapatões, que no ano passado atraiu uma plateia de 30 mil pessoas, é o único proprietário do imóvel que ocupa.

A Ação Local da Roosevelt, entidade que une moradores e comerciantes, analisa uma maneira de impedir a debandada dos artistas. "A beleza dessa praça é a boemia", diz Luis Cuza, presidente da organização.

Novas questões
O processo de revitalização trouxe novas questões também para a igreja da Consolação. Apesar da sensação de segurança entre os moradores, a igreja está sofrendo com furtos. No mês passado, o para-raios foi levado, um dos vitrais, quebrado, e até um botijão sumiu. "A visibilidade é pouca com os tapumes. Os seguranças da obra não dão conta de vigiar toda a praça", se queixa o padre José Roberto Pereira.

A igreja contratou um segurança e colocou um rottweiler nos fundos. A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras afirma que dez guardas particulares fazem a segurança da praça. E a Polícia Militar diz que há policiamento 24 horas, duas câmeras e que, nos últimos três meses, não houve nenhuma ocorrência na Roosevelt.

As novidades dividem a opinião dos moradores. A psicóloga Martina Rillo Otero, 35, que há seis anos vive ali, anseia pela área verde para passear com os filhos. "Nosso único espaço de lazer é o térreo do Copan, sem nenhum verde. A praça vai integrar mais. Será um local de convivência, não apenas de passagem", diz. Há os que veem as intervenções com desconfiança. "Já houve muitos projetos. Agora, eu só acredito vendo. Se não houver zeladoria, a área vai continuar abandonada", afirma a aposentada Bartira Cataldi Rocha, 68, que cresceu na região.

Preocupado com o futuro da Roosevelt, o servidor público João Carlos dos Santos, 55, participa de todas as reuniões entre os moradores e a prefeitura. "Ainda estamos negociando mais benefícios, como a melhoria das calçadas, para acabar com as barreiras que prejudicam o acesso de quem usa cadeira de rodas, como eu." A praça, garante, não será abandonada. "Nós vamos cuidar muito bem dela."

Altos e baixos
A pior fase da região foi entre o fim dos anos 1990 e o início da década seguinte, quando os teatros começaram a se instalar ali. A chegada mais marcante foi a do grupo Os Satyros, em 2000. Antes deles, desde 1997 já funcionava na praça o Studio 184.

"A praça estava destruída. A rotina com os traficantes era muito difícil. Eles quebravam as luzes das calçadas e ninguém queria passar por aqui", conta Rodolfo García Vázquez, um dos fundadores do grupo. "O primeiro período foi heroico. Ninguém que frequentava a região aceitava a gente."

Para Rodolfo, a virada ocorreu entre 2003 e 2005. "Foi uma época louca. Era uma mistura de todos os tipos de público, os espetáculos começaram a fazer sucesso. Em 2005, recebemos a última ameaça de traficantes." Nesse período, a região foi descoberta pela dramaturga Dea Loher, que levou aos palcos do Brasil e da Europa a peça "A Vida na Praça Roosevelt", na qual ela contava histórias de figuras típicas dali, como travestis e policiais.

Desde então, a vida cultural passou a atrair a atenção do poder público, do mercado imobiliário e dos vizinhos. "A gente revitaliza e depois o aluguel dispara. Também há pressão de alguns moradores para que as salas deixem o endereço", afirma Hugo Possolo, do Parlapatões.

O barulho e a movimentação até altas horas são as principais reclamações de quem vive nos prédios. "Algumas pessoas esquecem que há gente nos andares de cima. Esperamos que o bom-senso predomine e se chegue a um meio termo. Tenho janela antirruído e, mesmo assim, muitas vezes ainda escuto o barulho", diz Fábio de Siqueira Branco.

Gente das antigas
A vocação boêmia não é novidade. Nos anos 1960, a praça abrigava boates por onde circulavam artistas. No bar Papo, Pinga e Petisco, o famoso PPP, há 15 anos ali, Esdras Vassalo, 78, orgulha-se de o imóvel fazer parte do passado da Roosevelt. "Elis Regina fez seu primeiro show em São Paulo neste salão. Era a década de 1960 e aqui funcionava a boate Djalma's."

"A Roosevelt era uma comunidade. Na ditadura, fizemos daqui o nosso reduto. Todas as pessoas ligadas à arte vinham aqui. Com a construção da praça, em 1970, a região foi decaindo", lembra Dulce Muniz, 64, atriz e diretora do teatro Studio 184.

Nessa época, a travesti cubana Phedra D. Córdoba, 72, já era um rosto conhecido. Desde 2000 nos Satyros, ela fez sua primeira visita à praça nos anos 1950. "Tinha cafés, agito, parecia a Europa." Durante a conversa em frente ao La Barca são poucos os momentos em que Phedra não é interrompida por alguém.

O mesmo ocorre com o dramaturgo Mário Bortolotto, 49, que, em 2009, levou três tiros durante um assalto ao bar do Espaço Parlapatões. Quando se recuperou, voltou a frequentar os mesmos bares e teatros. "A minha maior contribuição não foram as peças. Foi trazer gente de outras áreas para cá." Sem traumas do passado, ele, assim como as outras figuras do entorno, espera uma nova vida na praça Roosevelt.

6 décadas de Roosevelt
1950
Depois de desapropriações, surge uma área livre atrás da igreja da Consolação. O espaço vira um estacionamento para 700 carros. O teatro Cultura Artística é aberto

1960
A região onde depois seria construída a praça vive sua fase áurea. São inaugurados cinemas de arte, como o Bijou, e boates frequentadas por artistas

1970
Com pouco do que previa o projeto original, a praça é inaugurada em 25 de janeiro com o nome de Franklin Roosevelt

1971
O elevado Costa e Silva, o Minhocão, é inaugurado em 25 de janeiro. As críticas à praça começam a aparecer

1980
O perfil da praça começa a mudar e muitas das casas de show deixam o endereço. A região é descoberta pelos skatistas

1997
O Studio 184 abre as portas em fevereiro. A prefeitura anuncia a demolição da praça no ano seguinte

2000
É anunciada uma nova obra que promete demolir a estrutura chamada de "pentágono". A companhia Os Satyros abre um teatro na praça, em 1o de dezembro

2005
Os Satyros abrem seu segundo espaço na praça. A Emurb apresenta um projeto preliminar de revitalização da Roosevelt

2006
Os Parlapatões inauguram a sua sede na Roosevelt, em 11 de setembro

2008
A prefeitura anuncia que até o fim daquele ano começaria a reforma na praça. O teatro Cultura Artística é destruído por um incêndio em 17 de agosto

2009
Em dezembro, o dramaturgo Mário Bortolotto leva três tiros durante um assalto ao bar do Espaço Parlapatões

2010
Em outubro, começa a reforma na praça

a reforma
Veja como a praça vai ficar com a obra, prevista para acabar em 2012

- Um batalhão da Polícia Militar

- 223 árvores (37 tiveram de ser removidas temporariamente para a reforma e 48 novas mudas serão plantadas)

- Duas floriculturas

- Um "cachorródromo"

- A igreja da Consolação também planeja construir dentro de sua área um espaço de convivência, com aparelhos de ginástica e brinquedos para crianças

- Um posto da Guarda Civil Metropolitana

o subsolo
Embaixo da praça haverá um estacionamento com 556 vagas distribuídas em dois andares. Um elevador será instalado para facilitar o acesso

as mudanças no entorno
- Os imóveis desta esquina devem ser demolidos (um deles é a boate Kilt) para construção de uma rotatória que vai facilitar o acesso ao teatro Cultura Artística e ao estacionamento da praça. Por conta desse projeto, foi criada uma nova entrada do teatro, ainda sem data para reabrir

- A Escola Estadual Caetano de Campos já está sendo restaurada. O investimento é de R$ 3 milhões

- Dois edifícios da rua João Guimarães Rosa devem ser recuperados. Uma das possibilidades é a volta da EMEI Patrícia Galvão, que ocupava parte das estruturas demolidas

- Os imóveis dessa esquina estão sendo desapropriados. A ideia é derrubá-los para integrar o prédio do Instituto Clemente Ferreira à praça

- As calçadas da rua Nestor Pestana devem ser alargadas. Estima-se que todas as mudanças viárias custem R$ 17 milhões**

Fontes: Ação Local da Roosevelt, Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, Secretaria Municipal de Educação e Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras
** Valor não inclui os custos das desapropriações
25.100 m2
é o tamanho da praça

R$ 38,6 milhões
é quanto vai custar o projeto

10.600 m3
é a quantidade de entulho que foi reciclado para virar base para o asfalto da cidade

os vizinhos
7 teatros
6 bares
1 livraria
2 salões de beleza
12 prédios residenciais
3 prédios comerciais (um deles vazio)
1 igreja
1 escola
1 "pet shop"
1 mercado
1 minimercado
1 armarinho
1 autoescola
1 papelaria
1 chaveiro
2.000 pessoas em 825 apartamentos

a capa
A ilustração da capa foi feita, a pedido da sãopaulo, pelo quadrinista Rafael Coutinho, 31. "Busquei mostrar esse sujeito paulistano que participa das mudanças da metrópole com um olhar desconfiado", explica ele, que frequenta na praça a livraria HQ Mix e os teatros.
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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Da série: Isso é esquerda?

Eu não consigo mais me surpreender com os caminhos trilhados pela neo-esquerda governista. E digo "esquerda" apenas em honra ao passado militante de muitos, porque  ter no Sarney, no Collor, e agora na Bancada Evangélica, aliados de primeira ordem não me parece muito como atitudes de esquerda e sim de oportunistas que tentam atodo custo se manter no poder.

Mas tudo bem, vamos aceitar por um momento que a "governabilidade" valha a pena, me pergunto: Até que ponto?

Qual o limite que podemos chegar?

Na "Base Aliada" do governo temos Jaqueline Roriz, Inocêncio de Oliveira, Garotinho, Magno Malta e muitos "progressistas" e governistas parecem não ver problemas nisso. Em teoria, essa base é necessária para aprovar projetos para o povo. Mas que projetos? Tudo que sempre ouvimos é denúncias de corrupção, ministros caindo, deputados pegos mas inocentados por seus pares e insurgências na base.

Pra que garantir a aprovação do PLC 122 se você pode simplesmente garantir o apoio dos evangélicos e rifar os direitos LGBT's? Pra que servem os LGBT's afinal, não é mesmo? O problema hoje é a heterofobia, já diz o Bolsonaro (que faz parte de partido da base aliada, diga-se de passagem).

Mas estes aliados não são suficientes para se garantir o poder apenas pelo poder, é preciso ampliar a base até abarcar tudo e todos.

Aí chega o PSD, com o higienista Kassab, com a escravista Katia Abreu... Serão recebidos de braços abertos pelo governo de... esquerda?

E quando me falam que é preciso ter base ampla para avançar nos direitos dos trabalhadores eu me pergunto: Que direitos?

Professores de Institutos Federais estão em greve e os das federais receberam 4% (míseros 4%) de aumento para não pararem.

Os direitos humanos dos indígenas são desrespeitados com Belo Monte, com o genocídio contra os Guarani Kaiowá que o govenro federal não toma conhecimento no Centro-Oeste. As greves pipocam nas obras da copa e até trabalho escravo é descoberto nas obras do PAC e tudo que o governo faz (ou um dos membros do governo, na figura nefasta do Paulinho da Força) é dizer que o problema é a falta de prostitutas pra amansar o trabalhador revoltoso.

Os direitos LGBT's já não são mais pauta. Educação de qualidade nem pensar, a idéia é precarizar a mão de obra do professor e investir pesado no ensino de UniEsquinas sem exigir nada, raciocínio igual para o PNBL e para todo o setor das telecomunicações, onde não há nenhuma competição e somos reféns de preços altos e qualidade zero. Mas o governo está satisfeito.

Na saúde, o mesmo caos de sempre, mas agora com a desculpa de que sem a CPMF não há o que se fazer (engraçado, com a CPMF o SUS continuava sendo péssimo!), mas nem uma palavra sobre taxar grandes riquezas ou mesmo controlar a farra dos bancos. Pelo contrário, os bancos lucram como nunca, roubam como nunca e nos exploram como sempre.

E, por fim (apenas para não passar o dia enumerando absurdos), não haverá qualquer controle da mídia.

Nem o PT exige mais isso.

Ah, não posso esquecer da Reforma Agrária. Não sairá do papel, aliás, nem está no papel, o PT e o governo abandonaram qualquer projeto no sentido, preferiram aprovar Código Florestal e afagar ruralistas.

Não à toa, Katia Abreu agora é governista!
De forma surpreendente, a senadora ruralista Kátia Abreu (sem partido-TO) passou a ser queridinha no Palácio do Planalto nos últimos meses. Depois de uma atuação fortemente oposicionista nos dois mandatos do governo Lula, a senadora agora já é listada como parceira do governo Dilma. A rápida mudança de posição chama a atenção de antigos aliados da oposição e dos novos parceiros governistas. Kátia já anunciou sua filiação ao PSD, o partido ainda em fase de criação.
E, mesmo assim, querem me fazer acreditar que este é um governo de esquerda? E pior, a militância internalizou o discurso - ou afalta de discurso.

Progressistas que agem igual ou pior que o PIG, escondendo lutas populares ou apoiando a destruição de modos de vida, mentindo e mantendo a mentira pese a verdade estar escancarada...

Belo Monte foi combatido por décadas pela esquerda que hoje apoia o projeto. O que mudou? A esquerda.

Qualquer um que queira se aliar é aceito. E um preço é sempre pago com prazer, não importa qul seja. O preço já foi a reofrma agrária, a educação de qualidade, a internet de qualidade, a dignidade dos LGBT's e por aí vai. E não para.

Kassab se prepara para, com partido formado e legal, virar governista. O que mais a esquerda terá de abrir mão para contentar o novo aliado?

E os demais aliados que virão, até que não existe mais oposição e também não exista mais esquerda?

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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Kassab proíbe celulares em bancos, mas nós podemos aproveitar!

O Brasil é um país engraçado. E qualquer lugar governato por DemoTucanos e semelhantes torna-se um verdadeiro circo. O problema é que os palhaços são o povo e quem ri está no poder. E os palhaços são semrpe entregues aos leões.

Um dos grandes problemas de todo o país é o da violência. E aí entram os assaltos a banco. Mas problema ainda maior é a fórmula encontrada pelo governo para diminuir com os assaltos a banco: Criminalizar o cliente.

Pois é.

Passou a valer desde segunda-feira (29/08) uma lei que gera multa pelo uso de celular dentro de agências bancárias. Ao menos a multa vai para o banco, mas não diminui o absurdo:
A partir desta segunda-feira (29), está proibido o uso de celulares em agências e postos bancários na cidade de São Paulo.
A medida, que visa diminuir o número de ocorrências da chamada “saidinha de banco” --crime no qual a vítima é escolhida dentro do banco e abordada fora da instituição após ter feito saque-- foi sancionada pelo prefeito Gilberto Kassab e publicada na edição do último dia 27 do Diário Oficial.

Multa

De acordo com a prefeitura, fica proibido fazer e receber ligações, bem como mensagens de voz e texto.
A multa para a instituição que não respeitar a medida será de R$ 2.500. Entretanto, haverá um prazo, ainda a ser definido, para adaptação das agências bancárias.
A nova lei prevê ainda que os bancos fixem cartazes sobre a restrição, em lugares visíveis, para informar os clientes.
Não duvido de seguranças muitos simpáticos tentando "conscientizar" os clientes a não usar celulares dentro das agências - notem a ironia pura. Pouco importa se o cliente tem a necessidade de usar o celular quando nas longas e intermináveis filas do caixa, ou muito menos se recebe uma ligação importante enquanto aguarda sua vez no caixa eletrônico.

É a mania em um país onde os políticos são tão ou mais perigosos que um bandido comum, a de criminalizar quem não tem nada a ver com isso.

Ao invés de investirem segurança pública - começando pela completa e irrestrita abolição da Polícia Militar -, de elevarem salários de policiais (civis) e delegados, de investir em treinamento e equipamentos, a solução encontrada na capital do estado com um dos piores e mais vergonhosos salários para delegados é a de simplesmente proibir a comodidade tecnológica de um celular.

É impensável e absolutamente estúpido.

É o Estado lavando as mãos sobre o problema da segurança e passando aos bancos a responsabilidade por constranger clientes e para o cliente por forçá-lo a ficar sem a comodiade - e muitas vezes a necessidade - do celular por minutos ou mesmo horas.

Uma coisa é fato, exercitarei meu sagrado direito à desobediência civil e não há a mais remota possibilidade de desligar meu telefone celular ou não usá-lo dentro de agências. Não vou ser cobaia de um governo ineficiente que prefere me tornar criminoso - sem crime cometido - para mascarar sua incapacidade e desinteresse.

Governos DemoTucanos tem a capacidade de serem socialistas, mas apenas na hora de coletivizar/socializar os prejuízos.

Mas não deixemos passar um dado importante. A proibição recai sobre nós, usuários/clientes, mas a multa é paga pelo banco. Mais uma razão para a desobediência civil. Não só usamos o celular e fazemos uma manifestação política, mas também obrigamos os bancos a pagar ao menos um pouco daquilo que nos roubam diariamente.

Aliás, um adendo, o Brasil é um país engraçado em que a desobediência civil (ou alguma forma tosca disso) é algo corriqueiro, ainda que quase sem querer. É o pais das leis que não colam. São tantas leis estúpidas propostas e aprovadas por nossos ainda mais estúpidos legisladores que nem o povo e nem os fiscais (polícia e etc) dão a mínima para boa parte do que deveria ser punido de uma forma ou de outra.

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E a obviedade:

Sindicato entende como inócua lei que proíbe celulares nos bancos

O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região vem a público repudiar a medida do prefeito Gilberto Kassab ao sancionar a lei nº 15.429 que coíbe o uso de aparelhos celulares nas agências bancárias e no auto-atendimento.
A entidade considera que, além de inócua, a medida irá ferir um direito do cidadão e do trabalhador de se comunicar enquanto está no interior das agências.
O Sindicato enviou uma carta à Prefeitura, em 5 de agosto de 2011, mas sequer teve o pedido de audiência com o prefeito atendido. Considera a “saidinha de banco” um grave problema que precisa ser combatido com a seriedade que merece.
Para isso, tem proposto que sejam adotados mecanismos que impeçam a visão das operações que os clientes realizam nas agências e no autoatendimento, como é o caso dos biombos, e a isenção de tarifas para transações como TED e DOC, com o objetivo de evitar saques de grandes valores.
A entidade reforça ainda que a fiscalização pelo uso de celulares dentro das agências não pode ser transferida aos trabalhadores e que os bancos têm de tomar as medidas necessárias para garantir a integridade da população em seus estabelecimentos.
Juvandia Moreira
Presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região
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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Chalita/PMDB e o possível apoio do PT em 2012

Apesar da grande distância que ainda nos separa das eleições para a prefeitura de são Paulo ano que vem, os bastidores fervilham em possibilidades, apostas e quase certezas. Até agora, porém, nenhuma boa notícia.

A tradicional aliança PT/PCdoB está à perigo, e isto já vem de algum tempo. Desde a discussão no PCdoB sobre um possível apoio ao Kassab até agora, com o lançamento da pré-candidatura de Netinho "Espancador de mulheres" de Paula, a certeza de que o PT terá de enfrentar um antigo aliado.

Netinho é um nome forte, apesar de seu passado e de claramente nunca ter sido comunista na vida (mas até aí, Roberto Freire nunca havia lido Marx direito na vida e presidiu o PCB antes de destruí-lo) e não se sabe se PSB/PDT irão apoiar o partido e dar mais musculatura à candidatura. Aliás, vale lembrar que o PCdoB vem se mostrando tão consistente que Protógenes aceitaria qualquer proposta para concorrer à prefeitura, não importa de que partido.

Quanto ao PSB, aliás, há de se lembrar do propulsor do Socialismo Empresarial, o Paulo Skaf.

Do lado do PSDB, incerteza. O partido foi duramente atingido pela fundação do PSD de Kassab e perdeu uma boa quantidade de vereadores (ao menos 7) e força. alguns especulam até que Serra poderia ser o candidato, mas esta possibilidade parece mais com uma brincadeira de mal gosto de Alckmin do que uma possibilidade real.

O DEM está em crise profunda e dificilmente fará muita diferença nas eleições vindouras enquanto seu racha, o PSD pode surgir como uma força média e incomodar os partidos mais tradicionais. Não se sabe ainda se irão lançar algum nome forte ou apoiar alguma candidatura visando cargos e benesses. O Partido Sem Decência, por breve período o Partido da Boquinha, já declarou não ser de direita, esquerda ou centro, muito pelo contrário! E está pronto a se prostituir pelo melhor valor.

Restou ao PT dar força a um PMDB enfraquecido localmente - que tem apenas um vereador na Câmara Municipal, e a mesma força de potências como o PSC e o PRB. Tarefa ingrata.

Buscando se reerguer o PMDB convidou o Deputado Federal do PSB Gabriel Chalita (aquele mesmo, amigo dos padres e pastores e total incapaz, escritor de auto-ajuda, o que dispensa comentários) para ser seu candidato à Prefeitura e este parece ter gostado da idéia (quem nasceu pra se vender não cansa nunca).

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Sobre Chalita, sua trajetória e sua migração para o PMDB, recomendo a leitura do post "Sucessão Paulistana: Chalita no PMDB" do sempre excelente Descurvo, do camarada puquiano Hugo Albuqueque.
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O problema nisso tudo é que o PT parece ter gostado também da idéia e pode indicar o vice do Chalita e aceitar uma chapa com o PMDB! Claro, não podemos descartar uma aliança do PT com o PSD que, segundo o vereador Jamil Murad, foi criado com apoio e aval da Dilma para ser da base aliada.
O presidente do PT-SP, o deputado estadual Edinho Silva, defendeu que o partido defina seu candidato até o fim de 2011, seja qual for a decisão do tucano.
Edinho disse ser contrário a realização de prévias no PT. "Vou trabalhar para não ter prévia. Para entrar numa disputa acirrada como essa, o ideal é que o PT se unifique."
O petista sinalizou que deve buscar uma aproximação com o atual prefeito da capital, Gilberto Kassab (PSD).
"O movimento do Kassab de criar um partido de sustentação ao governo Dilma tem de ser aplaudido por nós. No momento em que ele vem para a base de apoio da Dilma, nós não podemos ser contra. Temos de elogiar", disse Edinho.  
O doloroso de toda essa história é ver o apoio de alguns petistas a este absurdo.


PT com PMDB, PT com PSD, tudo em nome de uma suposta governabilidade federal. A mesma que garantiu o Maranhão mais 4 anos no atraso e mergulhado em corrupção e canalhice com Roseana Sarney. Não importou a recusa do diretório e da militância nem a greve de fome de membros históricos, Roseana recebeu o apoio do partido que por anos a combateu. Foi uma traição de níveis estratosféricos. Em minas, a mesma história e, felizmente, a derrota do Hélio Costa.

O que muitos não conseguem notar é que a questão não é apenas estar no poder - mesmo que como apêndice, referendando canalhas -, mas matar a oposição. Com Kassab, Alckmin, Serra e cia no poder a coisa é péssima, mas nada garante que com o PMDB no poder algo mudará. E não vai mudar. O partido é da mesma escola fisiológica que PSDB/DEM e a única diferença notável será a morte da crítica e da oposição, com o PT enquadrado e a militância forçada a dizer "amém".

É o que vemos no MinC com Ana de Hollanda. Apesar da gestão ser desastrosa, beirando a criminosa, e vir destruindo TUDO que o governo Lula construíu durante 8 anos, o fato de ser governo faz com que parte considerável da militância se sinta ou constrangida em criticar ou simplesmente a apoie de forma acrítica, apenas por ser PT ou do governo do PT. Temos uma gestão péssima e uma oposição mínima enquanto o grosso permanece alienado, conivente ou sem ação.

O que alguns petistas parecem não enxergar é uma diferença básica entre a situação do governo federal e casos como os do PMDB em Minas, Maranhão e talvez aqui em São Paulo: A cabeça da chapa, quem manda, não será do PT, que ficará a reboque.

Uma coisa é você supostamente ter as rédeas do processo, outra é ficar a reboque. Uma coisa é a busca da governabilidade (ainda que com limites) quando você manda, outra é você querer o poder pelo poder e aceitar se submeter ao fisiologismo puro.

Já me perguntei várias vezes, qual o limite entre a prostituição ideológica e a manutenção das bandeiras históricas. O que e até quanto você deve/pode abrir mão em troca de governabilidade? O PT caminha para se tornar um PMDB, um não vive sem o outro, ou melhor, o PMDB não vive sem o PT enquanto este tiver o poder. Foi assim como o PSDB/DEM durante décadas.

Dada a musculatura do PMDB em São Paulo, uma aliança do PT sem sequer encabeçar a chapa soa como fisiologismo puro. Depois das experiências em Minas e Maranhão, parece apenas escárnio.

Fica a pergunta: Qual é o limite das alianças? PMDB, Sarneys, Hélio Costa, PSD do Kassab... Chalita? O que mais? Até onde? 

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Recomendo a leitura deste post antigo sobre o PMDB e sua aliança com o PT. Continua atualíssimo.
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Apesar de achar uma certa viagem uma aliança carnal PCdoB/PP, o @FlavioSousa pode ter um ponto:
Mas imaginar que o ego do Chalita permita que ele seja vice?
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