Mostrando postagens com marcador Cristãos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cristãos. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 29 de março de 2012

Onde estão os cristãos para condenar o estupro de crianças referendado pelo STJ?

O STJ absolveu um homem acusado de estuprar uma criança, uma menina de 12 anos (na verdade, mais de uma criança).

A desculpa? Ela seria prostituta, ou seja, vendeu seu corpo aos 12 anos. A justiça (sic) não viu problema nem na idade da criança e nem no fato dela se prostituir. Ela se prostituiu e ponto, fez por livre e espontânea vontade e está certo usar de seu corpo infantil e pagar pro isso.

Sem pagar não pode, é crime (a legislação brasileira considera estupro o sexo com menores de 14 anos), mas se a criança "escolher" se vender... Aí pode!
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) divulgou nesta terça-feira a absolvição de um homem acusado de estuprar três meninas de 12 anos. Segundo a relatora do caso, ministra Maria Thereza de Assis Moura, não se pode considerar crime o ato que não viola o bem jurídico tutelado - no caso, a liberdade sexual - porque as meninas se prostituíam na época dos supostos crimes.
Uma decisão surpreendente e grotesca (surpreendente pela canalhice dos juízes ser tão explícita, e não em si por defenderem tal absurdo, dessa "justiça" não espero nada), reparem nas palavras da relatora "[...]as vítimas, à época dos fatos, lamentavelmente, já estavam longe de serem inocentes, ingênuas, inconscientes e desinformadas a respeito do sexo.".

A juíza Maria Thereza de Assis Moura ainda acrescenta que o direito não deve ser estático, logo, que se hoje menores de 14 anos transarem é algo "normal", então também deve ser se prostituir. Ou seja, em momento algum se coloca em questão a vulnerabilidade de uma criança se vendendo, nem o que a levou a tal situação, nem os fatores sociais ou mesmo psicológicos da vítima - que não é vítima, disse a juíza. O estuprador, homem feito e consciente de suas ações, nada sofre. Na verdade tem referendado seu "direito" a estuprar prostitutas-mirins.

------

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Sonhos da noruega: O terror e o terrorismo da direita brasileira

Anders Behring Brivik, o terrorista de olhos azuis e nórdico era cristão e de extrema-direita. Isto é um fato.Mas talvez isto não seja tão claro apra parte considerável da direita brasileira (e de cristãos brasileiros).

A reação dessa corja foi rápida e veio com força. Claro desespero para descolarem suas idéias das do terrorista, pese a notável semelhança entre elas. Na europa, alguns elementos da extrema-direita não conseguiram se segurar e aplaudiram o terrorista. Deixaram claro não defender a violência (e n[ós fingimos acreditar), masderam total apoio ao seu manifesto, especialmente no que toca a "necessidade" de xpulsar os muçulmanos e de que o multiculturalismo chegou ao fim - tese esta defendida mesmo por "moderados" como Angela Merkel e Sarkozy.

Aqui no Brasil, cristãos e direitistas vem fazendo seu contorcionismo para tentar disfarçar a satisfação que sentem ou para fingir que suas idéias não pdoem ser responsáveis por tamanhas atrocidades.

Reinaldo Azevedo, escrevendo sobre o Terrorista Cristão fez o possível para ligá-lo até com o PT, tentnado "provar" que ele não era de direita, não era um fanático, mas apenas um maluco que poderia ser comunista. Azevedo prefer,e em seu texto risível, acusar Zizek de defender o terrorismo e fala que o terrorista cristão, de extrema-direita, não pdoeria ser enquadrado como tal, pois esta categoria está superada...

Entendeu?

Nem o Azevedo, provavelmente.

No artigo que escrevi sobre o assunto para o Observatório da Imprensa, alguns comentários de cristãos surgiram para me acusar de ser desonesto, porque é óbvio que o Breivik não pode ser um "verdadeiro cristão"!

Vejam as pérolas:
Rubens Alves
Enviado em: 26/07/2011 18:38:07
O artigo exagera... No caso do norueguês (ou em outro caso qualquer), existiu algum LIDER CRISTÃO (um bispo, qualquer um com controle de multidões) incentivando o uso da violencia e ate treinando terroristas?... No caso do Islam, ha varios líderes religiosos, inclusive lideres de países, incentivando o uso do terror em nome da religiao. Existem lideres catolicos assim? Quais? O noruegues era catolico, mas ele encontrou lideres catolicos pelo mundo concordando e corroborando as ideias dele?... Acredito que nao. É mais um caso isolado, do que a representacao (ou o modus operanti) de alguma facção do catolicismo em si.

Max Suel
Enviado em: 27/07/2011 10:15:18
NÃO, esse demente assassino norueguês pode ser tudo menos CRISTÃO. O verdadeiro Cristão segue os preceitos do Cristo: Amar ao próximo como a ti mesmo .... amar vosso inimigo .... É uma tremenda estupidez ou má-fé dizer que o maluco é Cristão. (Max)

Tércio Oliveira
Enviado em: 27/07/2011 12:40:12
Caro Raphael, todos estamos sujeitos ao erro. E é difícil reconhecer quando nós somos a parte errada. Não digo isso para explicar o estado de estouvamento da mass midia. Mas sim, sem ousar considerar-me superior, queria direcionar algumas considerações a teu texto. A impressão que senti (e existe a possibilidade de que haja sido apenas uma interpretação particular e errônea- ou correta) é que mais que buscar uma reforma, necessária e desejada dos meios de comunicação, ou simplesmente fazer uma crítica, tu usaste teu texto para impor tua cosmovisão de mundo. Senti que para defender a imagem a islâmica foi necessário atacar o cristianismo. E sabe, eu sou cristão. E me senti atacado. Mas o que me deixou triste não foi isso. Senão que os nomes "cristão", "cristianismo"... derivam do Nome de um Amigo meu: Cristo. E se alguma vez você tiver a oportunidade de ter uma Bíblia em mãos, como bom jornalista investigativo que tu és, estuda a vida de Cristo e verás que de forma alguma os atos do Anders Behring Breivik tem relação com o cristianismo. Aqui cabe um sincero pedido de desculpa da parte dos que invocamos o Nome de Cristo, porque hemos manchado seu Nome. Indo um poco mais longe, analisa o Manifesto que o Anders Breivik escreveu e você verá que ele foi motivado por outra filosofia. Transcrevo algumas partes aqui: “Marriage is not a ‘conspiracy to oppress women’, it’s the reason why we’re here. And it’s not a religious thing, either. According to strict, atheist Darwinism, the purpose of life is to reproduce.” “Nevertheless, people who are very short sighted will consider these policies quite cynical or darwinistic. However, long term, it is the most humanistic and responsible approach.” "‘Logic’ and rationalist thought (a certain degree of national Darwinism) should be the fundament [sic] of our societies.” Lendo as declarações dele pensaria que- a menos ele padeça alguma grau de esquizofrenia, oligofrenia, outra psicose ou alguma patologia que desestabilize sua função mental- que nem mesmo ele se consideraria um cristão (pra fazer o que ele fez, acho que ele tá enfermo). E, Raphael, me pareceu que usaste o texto como plataforma para defender os direitos homossexuais, a cambio de atacar os cristãos. Me parece mui digno defender os direitos de todos. Mas se para defender os meus necessito inferiorizar o outro, atacá-lo, desejar destruí-lo... sou mais um norueguês loiro e com idéias que necessitam reformas urgentes. Digo isso porque o cristianismo, como tal, não tem nada parecido com perseguição. Olha a história e verás que os verdadeiros cristãos foram perseguidos (valdenses, albigenses, entre outros). Outro sim, como cidadão, deve ser dado direito ao cristão, como ao homossexual de defender seu ponto de vista. Liberdade inerente dada não pela constituição, mas pelo próprio Deus. E visto que as duas cosmovisões não se harmonizam, pois desde já são contrárias, devem encontrar uma solução prática para a convivência sem que haja opressão de uma parte ou outra. Muito utópico que isso passe num mundo de pecado. Por isso Jesus, o Cristo da Cruz, vai voltar. E Raphael, com todo o amor que Ele tem, Ele também vai julgar os atos de todos os homens. Por isso devemos viver sob Sua jurisdição, Sua Lei.
Ao que respondi:
Max, Tércio e Rubens: O Terrorista se declara cristão. Diz agir em nome do cristianismo. Se é a visão deturpada dele do cristianismo ou não, são outros quinhentos. O engraçado é que quando um muçulmano mata, logo o islamismo é apontado como culpado. Mas se um cristão mata por sua religião ( ou visão deturpada dela), ele deixa de ser cristão porque "não segue o verdadeiro cristianismo"? E desde quando homens-bomba muçulmanos seguem o verdadeiro islamismo? A crítica aqui não é sobre o cristianismo, mas sobre a discrepância no tratamento dado pela mídia que esconde o fato dele ser não só cristão, como dizer estar numa cruzada enquanto templário, mas não tem constrangimentos em apontar o dedo em direção ao islamismo quando lhe convém. Quanto ao cristianismo dele não ser o "verdadeiro", bem, cada um tem sua visão, mas não vejo grande diferença dos escritos dele para o de muitos fundamentalistas - inclusive deputados federais - aqui mesmo no Brasil.
E recebi a tréplica revoltada:
Max Suel
Enviado em: 28/07/2011 11:54:17
Sr. Raphael Garcia: parece que o Sr. ainda não entende bem o que seja um CRISTÃO. Um verdadeiro Cristão não quer o mal e não faz o mal para nenhuma pessoa. Pode ser realmente difícil encontrarmos um verdadeiro cristão, tendo em vista nossas imperfeições; porem, a doutrina do Cristo prega o amor entre as pessoas. Esse maluco terrorista não pode ser considerado um verdadeiro cristão pelos atos que praticou. Não sei se os terroristas do mundo árabe são verdadeiros muçulmanos (acho que não) porque não conheço os fundamentos do Islamismo; mas pelos testemunhos de muitos muçulmanos não acretido que sua doutrina pregue a violência contra a humanidade. Concluindo e voltando: o demente terrorista norueguês não pode ser considerado cristão, mesmo que ele afirme ser cristão, pois como disse , um cristão verdadeiro não faz o que ele fez.
Os cristãos parecem não compreender que POUCO IMPORTA a visão DELES de cristianismo, e sim que o terrorista tinha a sua própria e que, nem de longe, é deslocada ou isolada.

Se seguirmos o raciocínio dos que dizem professar o (ou este) "verdadeiro cristianismo", as Cruzadas e a Inquisição não eram instrumentos cristãos de dominação e terror. Mas curiosamente, uma boa parte de cristãos não vê problemas ou falseamento na defesa da homofobia e do preconceito, ainda que muitos tenham horror ao racismo e escravidão, esquecendo que a Igreja Católica o defendia ativamente por séculos.

Me passaram por e-mail um blog chamado Janer Cristaldo, em que o autor de um risível texto afirma que os ataques na Noruega favoreceriam o "obscurantismo das esquerdas européias". O autor deixa claro concordar com basicamente TODAS as afirmações do terrorista (em especial que os muçulmanos deveriam ser expulsos da europa), mas para não se comprometer, o chama de louco por ter escrito um manifesto de 1500 páginas. Ok, se fosse menor seria mais aceitável?

A direita e muitos cristãos ficaram perdidos, vendidos com os atentatods na Noruega, pois foram feitos sobre uma ideologia e sobre idéias que defendem e professam. Triste para estes "escapistas" é que outros admitem, com tristeza, a verdade.

Já a mídia tradicional, claramente alinhada com interesses conservadores da pior espécie, preferiram em grande parte nem dar conversa e esconder referências claras do atirador ao seu cristianismo e à sua ideologia tão próxima da de "expoentes" tupiniquins.

Só precisa esconder ou falsear a realidade aqueles que tem pontos demais em comum com o terrorista, cristão e de extrema-direita.

Alguma dúvida?
------

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Atentados na Noruega - Uma questão de preferência ou Amy Winehouse, a pauta cômoda

Anders Behring Breivik é jovem, loiro, alto, de olhos azuis, nórdico e cristão. Ainda, um fundamentalista de extrema-direita. E com profundo ódio por muçulmanos e pelo multiculturalismo...

Nem de longe o conjunto de características preferidas pela mídia para designar o típico terrorista.
Apesar das primeiras notícias e teorias envolvendo os atentados quase simultâneos na Noruega – a explosão em frente ao edifício do primeiro-ministro que levou à morte de pelo menos sete pessoas e o tiroteio no acampamento de jovens do Partido Trabalhista na ilha de Utoya, que deixou mais de 80 mortos – de que o terrorista seria muçulmano, a verdade logo se mostrou o mais absoluto oposto.

Na ilha de Utoya, centenas de jovens haviam feito, no dia anterior, um ato em defesa da Palestina, pedindo ao primeiro-ministro do país que reconhecesse o novo Estado Palestino que logo será declarado. Em Oslo, uma bomba no parlamento com a intenção de atacar a principal instituição do país, o centro de poder, e a figura central da política local, o primeiro-ministro Jens Stoltenberg.

Sensacionalismo melodramático
 
O terrorista, Anders Breivik, que foi bem-sucedido em seu ataque aos estudantes mas não ao primeiro-ministro, deixou abaladas as estruturas norueguesas. No entanto, o terrorista recebeu uma ajuda inesperada, da mídia internacional e da brasileira, para tornar memoráveis seus atos ao mesmo tempo em que suas motivações e seu fanatismo eram escondidos. A mídia internacional se apressou em apontar os culpados, os “terroristas islâmicos”. A mesma pressa de sempre em apontar culpados fáceis e, por que não, convenientes. A brasileira, por sua vez, se contentou em esconder as verdadeiras motivações de Breivik. Ele odiava o multiculturalismo, mas pouco se falou sobre seu fanatizado cristianismo.

No dia seguinte aos atentados, morreu a famosa cantora Amy Winehouse, possivelmente de overdose, e a mídia encontrou o tema principal do fim de semana. Muito mais cômodo e sensacionalista tratar da morte de uma grande cantora do que se aventurar no espinhoso terreno do terrorismo... cristão.

Manchetes de jornal por todo o país, online e offline, lembravam do atentado cometido pelo norueguês alto e loiro, mas escondiam e relegavam às letras miúdas e rodapés suas motivações: ódio visceral ao islamismo e fundamentalismo cristão militante. O termo “terrorista cristão” não foi empregado em momento algum, muito menos virou uma única expressão, como acontece com o termo “terrorismo islâmico”. Ora, para a mídia, a palavra “terrorismo” precisa de um qualificado e não faz sentido se este não for “islâmico”. O termo, então, foi pouco usado.

No Jornal Nacional do sábado (23/7), o primeiro bloco, de 10 minutos, foi inteiramente dedicado à morte de Amy Winehouse, enquanto seis minutos do segundo bloco foram dedicados aos atentados/massacres na Noruega. No terceiro bloco, mais 12 longos minutos de Amy Winehouse. Vinte e dois minutos de jornal para Amy Winehoyse, seis minutos para a crise na Noruega. No Fantástico do domingo, também da Rede Globo, menos de quatro minutos dedicados aos atentados na Noruega – mas com o mesmo melodrama típico dos domingos à noite, em que a notícia dá lugar ao sensacionalismo melodramático de novelas mexicanas.

Suaviza-se a realidade

O entretenimento venceu o jornalismo. Ou talvez as tradicionais concepções de jornalismo estejam ultrapassadas. Fosse islâmico, baixinho, barbudo e com semblante do Oriente Médio, qual seria a reação do jornalismo mundial? Como se daria a cobertura de mais um atentado de um discípulo de Bin Laden (que, mesmo morto, parece continuar a comandar uma rede internacional mais poderosa que muitos Estados, na visão sempre sensacionalista da mídia)?

O jornalismo foi substituído por um misto de hipocrisia e melodrama. Um terrorista cristão não serve aos propósitos midiáticos. Não é um inimigo fácil e se parece demais com muitos articulistas de grande revista semanal ou de diários conceituados.

A extrema-direita fundamentalista se parece, não importa o país, e o Brasil vem sendo vítima de uma onda fundamentalista cristã que busca perseguir a comunidade LGBT tanto através da via política (bancada evangélica, tentativas de deslegitimar o Judiciário e de vetar qualquer lei contra a homofobia), quanto através da violência nas ruas mesmo contra um pai que abraça seu filho e são “confundidos” com um casal gay, como se a possibilidade de que fossem efetivamente gays pudesse mudar o sentido ou o significado da violência.

Extrema-direita cristã, fundamentalista, se vê na Fox News, canal de grande audiência dos EUA. A mesma ideologia se nota nos programas evangélicos das madrugadas (e até dos horários nobres) de muitas redes de TV brasileiras ou em revistas e jornais de grande circulação. Ou seja, é incômodo classificar os atos terroristas de Andres Breivik como “terrorismo cristão”.

Para escapar do “problema”, foca-se em outros assuntos e suaviza-se a realidade. Maior foco na reação do primeiro-ministro norueguês, maior foco no salvamento das vítimas de Utoya e mesmo na morte de Amy Winehouse, a melhor desculpa que poderia ter caído no colo dos tubarões da mídia neste momento.

----
Artigo publicado originalmente na edição 652 do Observatório da Imprensa (que deu destaque ao artigo, com direito até a cartum na capa!)
------

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Quando confunde-se religião com práticas

É possível afirmar, como o fez Amâncio Siqueira em artigo recente no Amálgama, que o Irã é uma teocracia islâmica e, ao mesmo tempo, que é uma ditadura com diversos aspectos que merecem nosso franco repúdio.
Não há problema nisso.

Problema há quando ligam ditadura e repressão ao islamismo. Quando a ideia de “ditadura repressiva” passa a estar intimamente ligada ao islamismo, quando estamos diante não do islamismo, mas de uma leitura que, em geral, envergonha a maior parte daqueles que professam a religião.

Ditaduras independem de religião. São políticas. Feitas por homens que encontram uma desculpa para manter seu poder e perpetuar a repressão. Pode ser o Islamismo, Cristianismo ou até o Pastafarianismo – basta acreditar. Pessoas matam e morrem em nome de grandes ou de pequenas religiões. Entregam todo seu dinheiro para templos evangélicos. Trata-se de leituras deturpadas.

Obviamente a religião em si abre portas para o fanatismo, mas não pode ser totalmente responsável pelas leituras mais radicais que são feitas. Senão todos os crentes seriam fanáticos por princípio.

Imagino que nenhum cristão se vanglorie dos milhões de mortos durante as Cruzadas ou defenda a Inquisição, ou mesmo reconheça estes dois exemplos como base ou resultados do “Cristianismo”, mas apenas faces de uma igreja ou mesmo uma interpretação absurda da “palavra” de seu deus.

Quem já leu o Corão ou ao menos conhece muçulmanos o suficiente para ter uma ideia de seus costumes e práticas, vê que o suposto islamismo pregado por aqueles fanáticos nada mais é que uma versão fascista e deturpada de suas crenças. É a leitura crua, sem atualização ou interpretação honesta. É a politização de uma crença levada ao mundo estatocêntrico com o intuito de garantir a alguns o poder sobre os demais.

Seria, em paralelo, o mesmo que o Comunismo (sic) nas mãos de Stalin. O Comunismo seria naturalmente ruim pela interpretação genocida de alguns. Assim como as religiões, as teses marxistas foram usadas por milhões da pior forma possível. O problema não está na religião/ideologia, mas na prática desta, na apropriação e leituras feitas a posteriori por quem tinha claros interesses em desvirtuar aquilo que milhões seguem ou acreditam. Da mesma forma que você precisa interpretar e atualizar os escritos de Marx, que não têm nem 300 anos, você precisa interpretar e atualizar aquilo que foi escrito a 1500 ou 2 mil anos.

A própria gênese de muitas religiões se baseia apenas no interesse de um ou uns dominarem um grupo através do medo ou de promessas de benesses eternas. É bom ter isto em mente, porém: o neopentecostalismo, como tal, é nocivo desde seu princípio e por base.

Não estou aqui falando que o Islamismo ou mesmo o Cristianismo sejam “puros” — imagino já ter deixado isto claro –, que mesmo em seus ensinamentos não exista algo recriminável, longe disso, o problema na verdade são as interpretações ou, mais ainda, a insistência dos mais puristas em evoluir a si mesmos e à própria religião. No fim das contas, o problema surge quando, de apoio, religião passa a ser a razão da vida.

Post completo no Amálgama
------

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O "Dia Internacional para Queimar o Alcorão" como representação dos EUA

Está marcado para 11 de setembro o chamado "Dia Internacional para Queimar o Alcorão", idéia estúpida que só poderia ter saído da cabeça de um pastor estadunidense fundamentalista.
---
Ninguém sabe, aliás, se vai haver a queima ou não, o Pastor não se decide.
---

Mas o que surpreende não é a data em si, não é a estupidez, a intolerância e a ignorância típica de evangélicos fundamentalistas - que se aproximam perigosamente do fundamentalismo islâmico -, mas a reação do governo dos EUA.

Obviamente, o governo censurou a idéia, comentou que era idiota e perigosa, se indignou... Mas, por detrás de todo este bom-mocismo se esconde o único e real motivo para que o governo tenha se "indignado": As tropas. A imagem sagradados EUA no mundo - algo que somente eles acreditam que tenham, claro.

Robert Gibbs, Pota-Voz da Casa Branca:
"O anúncio da queima do Alcorão coloca nossas tropas em um caminho perigoso, qualquer tipo de atividade como essa será uma preocupação para este governo."
General David Petraeus:
"Estou muito preocupado com as possíveis repercussões de queimar exemplares do Alcorão. Só o boato de que isso poderia acontecer já provocou manifestações. Se de fato ocorrer, a segurança dos nossos soldados e civis seria colocada em risco e cumprimento da missão seria muito mais difícil" "É justamente esse o tipo de ação que o Talibã usa e poderia causar problemas significativos. Não apenas aqui, mas em todo o mundo onde estamos comprometidos com a comunidade islâmica"
E mais:
As polícias locais e o FBI também levam a sério a atitude radical da igreja, que é uma potencial ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos.
Obama também resolveu apelar:
"Espero que ele entenda que este é um ato destrutivo", que pode colocar nossos jovens soldados em perigo. Se ele estiver ouvindo, espero que entenda que o que está propondo é completamente contrário aos valores americanos".

"Isso é uma fonte de recrutamento para a al-Qaeda. Você pode ter sérios problemas de violência em lugares como Paquistão ou Afeganistão. Isso pode aumentar o recrutamento de indivíduos que podem querer se explodir em cidades americanas ou europeias"

A preocupação não é com o absurdo de se aceitar as declarações ensandecidas de um fanático religioso que colocam todos os mais de 1 bilhão de muçulmanos no mesmo saco - quando na verdade os fundamentalistas são apenas uma pequena parcela, igualmente presente no seio das igrejas cristãs - mas, como sempre, apenas consigo, com os EUA e seus soldados assassinos e invasores.

A questão não passa pelos direitos humanos, pela tolerância religiosa ou mesmo pelo respeito aos próprios muçulmanos dos EUA - seria demais esperar que o governo dos EUA se preocupasse com alguém além de suas fronteiras - mas apenas pela hipocrisia egoísta estadunidense de que o ato deste fanático irá pôr suas tropas em perigo, irá fazer crescer o ódio - já imenso - contra os EUA nos países invadidos e brutalizados por este país amante da democracia (sim, ironia total).

O pior, aliás, é acreditar que esta atitude isolada -significativa, mas limitada - seria o único e decisivo fator de desestabilização no mundo muçulmano que comprometeria "todo o trabalho" dos EUA. Como se vê, a arrogância dos EUA permanece intacta. Não importa o quão atolados e desacreditados estejam, ainda se consideram acima do bem e do mal.

Inegavalmente, este ato isolado pode ter consequências terríveis, dezenas de protestos já tiveram lugar no Paquistão e Afeganistão, contra a possível queima do Corão, mas é preciso analisar o quadro amplo: Esta pode ser a gota d'água., o ponto culminante de um processo que não é novo. Ou pode, também, ser apenas mais uma gota no mar de indignação - não só islâmica, mas mundial - às ações criminosas dos EUA, semelhantes aos atos de fanatismo fundamentalista de certas lideranças evangélicas.

A queima do Corão simboliza, pode-se dizer, as motivações dos EUA nos países islâmicos invadidos, o de mostrar o islamismo como um mal a ser exterminado. Ou, por outro lado, o de reforçar o papel dos EUA de nação cristã, numa cruzada para impor seus valores "democráticos" que, sem dúvida, vão em conjunto com a noção de "cristandade". O simbolismo, sem dúvida, é significativo. Uma representação crua daquilo que é os EUA no Oriente Médio.

------

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Beijo Gay do PSOL, Homofobia Criminosa e a Liberdade para Todos

Reproduzi no blog o Beijo Gay mostrado na propaganda do candidato à Governador de São Paulo pelo PSOL Paulo Bufalo. Um beijo que ocupa menos de 5 segundos do já mínimo espaço dado ao candidato na bela democracia brasileira. Mas 5 segundos que a direita religiosa, que o atraso evangélico, transformaram em polêmica: Um libelo da homofobia.

Lideranças do atraso, ops, cristãos, em especial evangélicos - como de costume, representam o que há de pior em qualquer sociedade - se levantaram contra o que consideram um absurdo, uma ofensa: O direito dos gays serem considerados gente, cidadãos, humanos.

Deu no IG:
O primeiro beijo gay da campanha eleitoral, apresentado no vídeo acima, do PSol, no horário eleitoral gratuito de São Paulo, já começou a criar polêmica.
Relator do conselho político da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil, Lelis Washington Marinhos está defendendo que os partidos adversários e até mesmo o Ministério Público entrem com uma ação no Tribunal Regional Eleitoral pedindo a retirada da cena do ar.
– O que eles fizeram é uma provocação à sociedade brasileira. É uma situação deplorável, a grande maioria condenaria um ato desse, que antes era considerado atentado ao pudor pela lei. Para o bem da família, cenas como essa deveriam ser proibidas na televisão, ainda mais em horário eleitoral, que é acessível e estimulado.
No momento em que escrevo, 198 pessoas comentaram a notícia no site: A franca maioria citando passagens da Bíblia, destilando ódio e citando a palavra que parece resumir toda a questão, a "família".

Os cristãos se investiram no direito de definir, para toda a sociedade, o que é a "família". Não aceitam contestação, não toleram opinião contrária ou uma compreensão democrática e humana do conceito. Família, enfim, é o casal hétero com seus 18 filhos (afinal, cristão não pode usar camisinha, sexo só pra procriar) vivendo de acordo com conceitos pré-medievais.

Sexo, prazer, direitos civis, Estado Laico e etc são coisa proibida. Pedofilia, lavagem de dinheiro, lavagem cerebral, conservadorimos criminoso devem, então, ser coisa tolerada e incentivada, dada a profundidade e alcance de tais atos e idéias.

A estes cristão e suas lideranças o respeito ao Estado Laico não existe. O respeito ao próximo (algo que até mesmo seu livro de contos de fadas considera válido - é inexistente. Existe apenas a imposição de valores.

No trecho publicado pelo IG, o fanático religioso de nome Lelis Marinhos não se constrange em cobrar dízimos, mas sente saudade do tempo em que homossexualidade era crime, doença. A igreja universal não se constrange em abrir concurso público pra pastor, pago com o dinheiro roubado de fiéis idiotizados, mas a mera existência da homossexualidade lhes parece absurdo.

O site Athosgls acrescenta ainda:
O programa eleitoral do PSOL que exibiu o beijo gay entre dois jovens foi, de longe, o assunto mais comentado nessa primeira semana eleitoral em São Paulo. Apesar do beijo ter menos de cinco segundos, foi suficiente para escandalizar várias pessoas. Conforme o iG já adiantou, a primeira manifestação pública contrária ao filme veio do relator do conselho político da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, Lelis Washington Marinhos. Ele defende que o Ministério Público e os partidos adversários entrem com ação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP), proibindo novas veiculações do programa e punindo o PSOL. O evangélico chama a peça de “deplorável” e “grande provocação à sociedade brasileira”.
No meio político, por exemplo, o candidato à Presidência da República José Maria Eymael, do Partido Social Democrata Cristão (PSDC), chamou a atitude do PSOL de escandalosa. “Foi um mal momento do PSOL. Embora nós respeitemos a opção sexual de cada um, não podemos aceitar uma atitude que fere os valores da família brasileira. O horário político deve ser utilizado para apresentar propostas, não com atitudes que possam constranger a maior parte das famílias”, afirmou.
Por conta da polêmica, a direção da campanha de Paulo Búfalo ainda avalia se produzirá novos programas na mesma linha. O diretor de programas do PSOL diz que, por hora, avalia-se apenas a possibilidade de repetir o filme em algum momento da campanha na tv, que está apenas começando e vai até 30 de setembro.
Eu me pergunto se este cristãos acham deplorável a pedofilia praticada por seus padres e pastores, se acham que a lavagem cerebral de fiéis é algo moralmente aceitável. Esta corja religiosa acumula o dinheiro de pobres tolos e toma de assalto a TV, ocupam canais e faixas de horário, vendendo sua fé, vendendo curas milagrosas e pregando o atraso em horário nobre. Não vêem qualquer problema em ler e divulgar idéias medievais, não tem problema algum em ensinar à crianças conceitos ultrapassados - de um livro que respinga sangue - e não sentem qualquer constrangimento em ensinar o ódio, mas não toleram que os seres humanos façam escolhas diferentes ou vivam diferente, sejam diferentes.

O Estado Laico ficou pra trás, nem entra em discussão. Somos bombardeados na campanha política por Missionários, Apóstolos e Pastores, prontos a pregar para suas "ovelhas" em claro desacordo com a Constituição, mas a defesa dos Direitos civis e Humanos do povo é tachado de desrespeito à "família". Respeito é entregar seu filho aos abusos de padres: Esta é a família que defendem.

Me surpreende, porém, que possam ser preconceituosos, homofóbicos e criminosos desta forma. Nada acontece. Quem lhes deu o direito sagrado e divino de ofender a todos e a tudo que não concordam de tal forma sem serem punidos? Se existe liberdade religiosa, esta tem limite, e o limite está no respeito à diversidade, aos que não concordam com seus dogmas, enfim, aos Direitos Humanos e à Constituição brasileira, que prega o Estado Laico, onde religião deve ser mantida no foro privado e não respingar no Estado.

A Democracia é algo maravilhoso, ela não exclui, ela protege as minorias da maioria e inclui a todos, mas, acredito eu, deve ser estendida aos que a respeitam.Democracia não significa votar e ser votado ou na maioria governar em detrimento de uma minoria, mas numa balança em que a maioria governa, mas os direitos da minoria estão e são garantidos. O problema é que estes grupos religiosos não entendem o que significa democracia: Abusam desta e a defendem até o ponto em que a liberdade é a deles e não a dos outros.

Não enxergam problema em apresentar shows de tragicomédia religiosa onde falam mal de tudo e de todos que deles discordem, não compreendem o que está errado em explorar a fé do povo e realizar "curas milagrosas" - e completamente falsas - na TV em qualquer horário. Mas não toleram que os outros possam igualmente usufruir da democracia e de sua liberdade para defender o respeito à diversidade e às minorias.

Os evangélicos e cristãos fanáticos podem agir como quiserem. Podem ser pedófilos, podem chutar santas, podem pregar que o homossexual deve ir pro inferno, deve ser criminalizado... Mas o contrário é abuso. É a democracia de mão única.

A disseminação do ódio é vedada aos neonazistas, porque é permitida aos que usam a desculpa da religião para pregar contra os Direitos Humanos? A liberdade deve ser irrestrita aos que defendem a liberdade e o respeito e não aos que defendem apenas para si o direito divino de estarem corretos.

A liberdade está na diversidade e a democracia serve para garantir direitos e não eliminar.

------