O imbróglio com os royalties do petróleo do pré-sal não chegou ao fim. Longe disso.
Dilma vetou artigo polêmico - e inconstitucional - do projeto aprovado pelos parlamentares e, para competar, editará uma MP revertendo todo o lucro de futuras explorações para a educação.
Parece bom, mas não é.
Em primeiro lugar, duas questões práticas: O Congresso não tem nenhuma obrigação de aprovar a MP e tampouco de manter o veto da presidente. Pode reverter ambos. E mesmo parlamentares do PT já demonstraram que irão vetar - que o diga os dos demais partidos fisiológicos agora que, aparentemente, secou a fonte do mensalão.
E, outra questão, quem garante que a MP que Dilma promete editar (repare bem no "promete", não se confia em Dilma para nada) não terá brechas intencionais para, como com a DRU, desviar esse dinheiro para, quem sabe, assassinar índios via apoio ao agronegócio?
Sem segundo lugar, há o problema da exploração do pré-sal. Porque explorar? Há alguns anos Lula fez propagandas mil anunciando que éramos autosuficientes (sem que isso, porém, evitasse aumentos abusivos na gasolina, por exemplo. Um discurso vazio e apenas propagandístico que, na prática, não serve para nada), então qual a razão para explorar o pré-sal?
E aí temos nossa terceira questão. O lobby das multinacionais que pagam os roylaties mais baixos do mundo (15% e não a média mundial de 70%) contra o monopólio da Petrobrás e pela privatização dos poços de petróleo que os funcionários da Petrobrás e especialistas denunciam há décadas, mas um processo de venda de nosso patrimôneo que foi mantido por Lula e será reforçado por Dilma.
Agora cabe também entender porque Dilma subtmente resolveu pensar na educação, algo que nunca foi prioridade dela, vide a criminalização dos professores das federais em greve, os salários ridículos que paga e etc...
O projeto dos parlamentares é inconstitucional. Este é o primeiro ponto. Eles não tinham como mexer nos poços já em exploração e cujos royalties já iam para o Rio, Espírito Santo e etc. O STF iria causar mais uma dor de cabeça pra generala. Segundo ponto é a perda de capital político que ela teria junto ao PMDB, causando enorme prejuízo à imagem de Cabral e Paes (não, Linbergh pe a putima de suas preocupações hoje, ainda que ele também fosse ser prejudicado), e o PMDB tem se mostrado cada vez mais rebelde (a fonte deve estar secando....).
Outro ponto deve ser lembrado também: Petróleo acaba, mas a educação, em tese, precisa ser constantemente "alimentada". Como ficará a educação quando o poço secar (literalmente)? Estamso falando de um recurso finito frente a necessidades infinitas. Não vou nem entrar na questão da poluição, do absurdo que é, ao invés de investir em recursos renováveis, continuar na exploração do petróleo, ainda mais baseado em privatização e lobby. O professor Alexandre Costa dá o recado nessa questão.
Por fim, quem garante que mais dinheiro de uma fonte duvidável necessariamente trará melhorias à educação e não será apenas mais uma fonte de corrupção e de desvio de verbas -de forma legítima ou ilegal?
Dinheiro no país não falta. Apenas para Belo Monte o governo está passando a mão em dinheiro do trabalhador na ordem de mais de 20 bilhões. Imaginem o que não poderia ser feito com essa grana se fosse aplicada na educação e não na destruição da Amazônia e no engordamento de bolsos privados!?
Vejam Macaé, uma das caitais do petróleo no país. O que mudou por lá, além da explosão demográfica e do acirramento de conflitos sociais e de disparidades - assim como Altamira, canteiro de obras de Belo Monte? Apenas dinheiro não resolve o problema da educação, como não resolveu de Macaé ou de outras cidades que recebem rios de dinheiro dos royalties. Nem do Rio de Cabral, que recebe bilhões e ao invés de investir em educação, quer derrubar colégio-modelo.
Não há absolutamente nada a comemorar na decisão política e interessada de Dilma, que não visa o social, que não tem como objetivo melhorar a educação e tão somente evitar mais uma disputa no STF e a perda de capital político de seus aliados.
Blog de comentários sobre política, relações internacionais, direitos humanos, nacionalismo basco e divagações em geral... Nome descaradamente baseado no The Angry Arab
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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Royalties do Petróleo, mais uma conversa pra boi dormir
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Raphael Tsavkko Garcia
às
10:30
Royalties do Petróleo, mais uma conversa pra boi dormir
2012-12-05T10:30:00-02:00
Raphael Tsavkko Garcia
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sexta-feira, 4 de maio de 2012
Blogagem Coletiva: Dilma Dará Veto ao Novo Código Florestal?
No dia 25 de abril de 2012, o novo Código Florestal foi aprovado no Congresso Nacional brasileiro, com 274 votos a favor e 184 contra. O Futuro das Florestas está agora nas mãos da presidente Dilma que pode ou não vetar o projeto de lei durante o mês de maio.
De um lado prevalece a lógica de que o agronegócio é entravado pelo atual Código Florestal, e que o Brasil está a perder oportunidades para um maior desenvolvimento econômico. Do outro lado ativistas ambientais apelam por um projeto lei de “desmatamento zero” em nome da preservação da biodiversidade, da conservação de processos ecológicos e do abrandamento das mudanças climáticas.
E você, de que lado está?
Escreva sobre a polêmica em torno do novo Código Florestal no seu blog entre os dias 7 e 13 de maio. O Global Voices em Português irá trazer as opiniões da blogosfera brasileira e divulgá-las para o resto do mundo.
Não faltarão perspetivas a relatar! Os trâmites do novo Código Florestal estabelecem novos parâmetros para a gestão de florestas e de áreas de proteção ambiental em todos os 6 biomas do Brasil: Caatinga, Cerrado, Pampas, Mata Atlântica, Pantanal e a Amazônia. Na região alargada da floresta Amazônica, o desmatamento atinge cerca de 30 milhões de pessoas e 350 grupos indígenas e étnicos. As florestas estão se tornando cenário de causalidades civilizacionais e de crimes de desmatamento, aos quais o novo código dá anistia.
O que fazemos: O Global Voices é uma comunidade internacional de blogueiros que reportam sobre como os cidadãos usam a Internet e as mídias sociais para tornar suas vozes ouvidas.
Veja as nossas páginas de cobertura especial Floresta em Foco: Amazônia e Dossiê Belo Monte.
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De um lado prevalece a lógica de que o agronegócio é entravado pelo atual Código Florestal, e que o Brasil está a perder oportunidades para um maior desenvolvimento econômico. Do outro lado ativistas ambientais apelam por um projeto lei de “desmatamento zero” em nome da preservação da biodiversidade, da conservação de processos ecológicos e do abrandamento das mudanças climáticas.
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Cronograma
- Divulgação da convocatória: de 4 a 6 de maio de 2012
- Abertura da participação: de 7 a 13 de maio de 2012
- Seleção e elaboração de um artigo com resumo das participações: 14 a 17 de maio de 2012
- Publicação do resumo no Global Voices em Português: 17 de maio de 2012
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
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20:00
Blogagem Coletiva: Dilma Dará Veto ao Novo Código Florestal?
2012-05-04T20:00:00-03:00
Raphael Tsavkko Garcia
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sexta-feira, 26 de agosto de 2011
MPF pede suspensão da construção de Belo Monte. Governo finge que não ouviu.
"O objeto desta Ação é impedir a construção do Aproveitamento Hidrelétrico (AHE) BELO MONTE, em virtude da inevitável remoção de povos indígenas, do direito das futuras gerações e da natureza; ou a indenização aos povos indígenas JURUNA e ARARA, e ribeirinhos da Volta Grande do Xingu, pelos impactos e perda da biodiversidade."
"AÇÃO CIVIL PÚBLICA AMBIENTAL com Pedido de Liminar em face de: Norte Energia S/A (NESA) – concessionária de Uso de Bem Público para exploração da UHE Belo Monte, CNPJ/MF 12.300.288/0001-07, com sede no Setor Bancário Norte, Quadra 02, Bloco F, Lote 12, salas 706/708 (parte), Edifício Via Capital, Brasília/DF, CEP 70.041- 906."
Relatório do MPF comprova o que todos já sabiam, mas o governo insiste em MENTIR e ESCONDER: Belo Monte causará danos irreparáveis ao Rio e às populações ribeirinhas e indígenas, queserão deslocados e perderão seus modos de vida.
Governo de esquerda? Dos trabalhadores? Respeitador dos direitos humanos? Não este governo.
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Raphael Tsavkko Garcia
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10:30
MPF pede suspensão da construção de Belo Monte. Governo finge que não ouviu.
2011-08-26T10:30:00-03:00
Raphael Tsavkko Garcia
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segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Uma aula sobre Belo Monte
Em um post de 18 de abril -"Belo Monte: "Mas são só 200 índios!"" - iniciou-se uma discussão tardia entre o leitor Lucas e a ativista membro do #Eblog @Mayroses sobre algusn aspectosmais técnicos de Belo Monte e, dada não só a importância do debate, mas também os excelentes argumentos e o nível dos mesmos, acredito merecer um post para garantir maior visibilidade.
O post é longo, mas recomendo a leitura cuidadosa para que seja possível formar uma opinião sobre Belo Monte e o crime que esta hidroelétrica representa para a humanidade.
@Mayroses, ainda em abril:
O post é longo, mas recomendo a leitura cuidadosa para que seja possível formar uma opinião sobre Belo Monte e o crime que esta hidroelétrica representa para a humanidade.
@Mayroses, ainda em abril:
É difícil debater Belo Monte, não por falta de argumento, pois isso temos de sobra, mas por ser absolutamente desgastante travar um debate contra mentiras vendidas e compradas de modo tão barato. As vezes tenho a sensação de estar discutindo num idioma completamente diferente e olha que não falta esforço p/ ir além das questões socioambientais. Qualquer pessoa que tenha estudado a sério o projeto de Belo Monte e o processo de licenciamento sabe que esse trambolho é inviável não apenas na perspectiva social e ambiental, mas também na econômica.Lucas, em 4 de agosto:
Não aceito a justificativa repugnante de que são apenas alguns poucos índios impactados. Se fossem apenas 200 ainda faríamos barulho, mas essa conversa de que são poucos afetados é uma enorme MENTIRA. Existem 24 etnias nas Terras Indígenas na bacia do Xingu que serão direta ou indiretamente afetadas pela obra. Além disso, mais de 20 mil famílias de moradores da periferia de Altamira e da área rural de Vitória do Xingu serão remanejadas e cerca de 350 famílias ribeirinhas que vivem em áreas de reservas extrativistas. Isso parece pouco? Pra quem está bem longe da região é fácil dizer que são apenas alguns gatos pingados, né? Não é sua vida que está em jogo. A vida dessas pessoas está correndo risco, pois o volume de água do Rio Xingu será reduzido drasticamente e essas populações dependem diretamente da pesca, da pequena agricultura, enfim...do convívio com o rio e de seu equilibro. Ah...outro “detalhe” para os povos indígenas a terra tem sentido. Eles não podem ser simplesmente deslocados e está tudo certo...mas quem se importa, né?
Também existe um papo sobre o tamanho do lago. Não canso de ver gente dizendo que reduziu muito dos tempos da ditadura para cá e ficou de um tamanho bem razoável. Atualmente, estimasse que serão alagados cerca de 640km2...p/ quem tiver dificuldade de imaginar esse tamanho é tipo assim maior que a cidade de Curitiba, por exemplo. É modesto, né? Bom, a verdade é que os estudos de impacto ambiental foram feitos de supetão. Foi muita pressão sobre órgãos como o IBAMA, o que resultou inclusive na demissão de funcionários e no quase desmonte desse órgão. Aproveito p/ citar a matéria pertinente sobre esse desmantelo aqui >> O TCU tenta salvar o que ainda resta do IBAMA http://migre.me/4h8jg
Essa é a democracia defendida?...ou você cala ou sofre represália. As grandes obras como as usinas do complexo do Madeira, a Transposição das Águas dos São Francisco e Belo monte estão sendo realizadas sobre uma série de desmandos, sem consultas públicas legítimas, sem licenciamentos e estudos ambientais sérios e à custa do desmonte dos órgãos ambientais desse país. Isso não é e nunca foi democracia. E tudo isso com o objetivo de beneficiar a quem? Alguém acha mesmo que essa energia vem p/ iluminar sua cozinha ou manter seu notebook funcionando? Antes mesmo de perguntar se essa energia é necessária, pergunte para quem ela é necessária. A energia de Belo Monte será destinada as indústrias eletrointensivas que estão ou vão se instalar no PA. “As empresas de alumínio utilizam 8% de toda a energia elétrica do país e cerca de 2% no mundo. Se falarmos em alternativas energéticas, não existe uma alternativa para uma grande fábrica de alumínio. Isso é uma coisa estrutural no modelo de desenvolvimento do país, que elimina a possibilidade de outras alternativas de desenvolvimento” Glenn
É difícil entender que no final estamos apenas exportando água em forma de energia para gerar um dinheiro que não ficará por aqui? O que as populações atingidas ganharão com a obra? O que você aí no sul ou sudeste do país ganhará com a obra? tsc tsc tsc....todos nós perderemos, pois podemos não nos beneficiar com a energia gerada, mas certamente pagaremos a conta dela, afinal a maior parte dos investimentos será realizada via BNDES.
Essa é uma realidade comum a todos os grandes projetos. No caso da transposição não foi diferente. A água não vai matar a sede de um único nordestino da região semi-árida. O curso das águas da transposição no Ceará, por exemplo, vai pra região do Jaguaribe...que já tem água, mas o agronegócio que suga a região precisa de mais...muito mais. Até quando vamos ficar fazendo papel de idiotas exportadores de água e solo? É esse o modelo de desenvolvimento em curso hoje. Um modelo que privilegia uma – agora sim podemos usar sem medo a palavra – MINORIA em detrimento da maioria da população.
Prezado Tsavkko,@Mayroses, em 5 de agosto:
Gostaria de começar perguntando-lhe de forma provocativa, se este tipo de análise que estás fazendo está baseada em que tipo de documento ou projeto? Chegaste a analisar os atuais projetos da Usina ou estás fazendo o que todos os ambientalistas gostam de fazer, que é criticar o atual projeto com base nos problemas que existiam no projeto antigo? Ou ao menos conheces pessoalmente o Pará e a região de Altamira? Chegaste a ver com os próprios olhos as condições de vida da maioria da população daquela região?
Para começar, nenhum metro quadrado de terra indígena será inundado no projeto atual. A barragem que inundaria uma área de mais de 1200km2, terá seu tamanho reduzido para uma área de cerca de 400km2, sendo que mais da metade disto é a área de alagamento normal do próprio rio.
Isso terá um custo, a Usina não vai poder gerar toda a capacidade máxima instalada durante o ano todo, mas foi o único meio encontrado para reduzir o impacto potencial causado pela inundação de pequenos trechos de áreas indígenas. Seria muito mais interessante, dar aos indígenas o dobro da área de terras inundadas, com terras em áreas próximas, aumentando a reserva deles em troca daqueles pequenos trechos inundados, mas os ambientalistas e indigenistas bloquearam qualquer possibilidade de negociação. Mesmo assim, será a maior usina em capacidade instalada do país, a terceira maior do mundo (perdendo apenas para a de Três Gargantas e para a binacional Itaipu), suficiente para sustentar o crescimento de atividades industriais em toda a região Norte do Brasil para as próximas décadas. Vale lembrar que o desenvolvimento industrial é vital para ajudar a preservar a floresta Amazônica. Basta comparar os índices de desmatamento do estado do Amazonas, que priorizou projetos de desenvolvimento urbano e industrial, com estados como o Pará, que tradicionalmente optou por projetos de desenvolvimento agrícolas e pecuários... Onde a floresta está preservada? onde houve urbanização, onde as pessoas saíram do campo e foram trabalhar nas cidades, onde há indústrias que pagam salários bem melhores do que os oferecidos pelas madeireiras ou pelos criadores de gado...
Tudo indica que é realmente muito fácil criticar Belo Monte, sem conhecer a realidade do povo daquela região, onde a maioria não tem acesso nenhum a nenhuma forma de desenvolvimento: a maioria não tem eletricidade, saneamento básico - água e esgoto encanado - nem empregos descentes. O padrão de consumo de energia de uma região, país, cidade ou comunidade, está diretamente correlacionado com todos os outros indicadores sociais mais importantes: IDH, renda, taxa de analfabetismo, de mortalidade infantil, de escolaridade, de expectativa de vida e de acesso a outras formas de infraestrutura básica como água encanada e esgoto. Pode não ser a variável causal, mas a correlação é muito clara em todos os níveis de análise (global, regional, nacional, local). Sem energia abundante e barata, a região Norte do Brasil nunca vai ser desenvolver adequadamente. Sem erradicar a miséria, sem gerar emprego e distribuir renda na região Norte, nunca acabaremos com o desmatamento e com a violência no campo desta vasta porção do Brasil.
É imperioso desenvolver a Amazônia de forma sustentável e Belo Monte pode nos ajudar a alcançar este objetivo, pois a energia elétrica produzida por usinas hidrelétricas ainda é a mais barata que existe entre as fontes de energia renováveis, e as barragens hidrelétricas viabilizam a construção de hidrovias em rios de planalto, ou seja, podem permitir que toda aquela região tenha acesso ao meio de transporte mais barato e menos poluente que existe, o hidroviário, digo isto, porque o atual projeto de Belo Monte, autorizado com base nos atuais relatórios de impacto ambiental (2008-2009) causará impacto ambiental mínimo, vai inundar basicamente a área de inundação regular do próprio rio no período de cheias e algumas áreas que atualmente são utilizadas pela pecuária, ou aéreas já extensamente alteradas pela atividade humana. Nenhuma terra indígena será inundada. No trecho de 100km posterior à usina, o que vai acontecer é que a população dessa área não vai mais sofrer com as inundações periódicas e descontroladas, nem com as secas esporádicas, pois vai ser possível regularizar a vazão do rio Xingu.
Acrescentaria ainda que as hidrelétricas têm mais uma vantagem em relação à outras formas de geração de energia: criam uma imensa reserva de água potável ou facilmente tratável para consumo humano. Isso é absolutamente fundamental em regiões como a Amazônia, com um clima que é tipicamente afetado de forma regular por secas prolongadas ao menos uma vez por década... Água esta que pode abastecer cidades de forma regular, em uma região onde a maior parte da população não tem acesso regular a água potável. Água esta que pode, além de gerar energia e servir de meio de transporte, pode sustentar a irrigação da agricultura familiar de produtos típicos da Amazônia ou a piscicultura de peixes típicos...
Tudo depende de lutarmos para construir um projeto mais sustentável....ou seja, lutar para modificar o "como" as coisas serão feitas... porque ficar apenas brigando "contra", não resolverá nada, e pode deixar o projeto ainda mais estéril... Afinal, já temos ONGs ambientalistas defendendo que Belo Monte não deve ter eclusa nem canais para viabilizar a hidrovia do Xingu, pois isso vai causar "impacto"... Como se outros meios de gerar energia ou transportes pudessem ser menos impactantes em termos ambientais ou sociais. Como se a produção de óxidos de silício para painéis fotovoltaicos, ou baterias de lítio para carros elétricos, não fossem alguns dos processos industriais de maior impacto ambiental que a humanidade já criou, resultando em quantidades incalculáveis de resíduos de metais pesados... como se existisse alguma forma de energia realmente limpa. Acontece que não existem formas de geração de energia realmente limpas... todas causam impactos ambientais e sociais. Por isso, devemos nos perguntar como poderemos fazer para aumentar a qualidade de vida da população de países como o Brasil, ou grande parte do terceiro mundo, da forma mais sustentável que for possível em termos sociais e ambientais... e me parece que o aproveitamento de recursos hídricos para a geração de energia hidrelétrica e para o transporte hidroviário é, ainda hoje, fundamental.
Prezado Lucas,
Fiquei impressionada com a pujança que vc defendeu o projeto de Belo Monte questionando o conhecimento de causa daqueles/as que se opõem ao projeto, por isso resolvi responder o comentário. Antes de começar quero só lembrar que não são “só” os ambientalistas (esse que os defensores dos mega-projetos insistem em caricaturar) que constroem a crítica a Belo Monte. Não há falta de conhecimento de causa como vc afirma, pois todas as contestações construídas estão baseadas em estudos sólidos realizados por pesquisadores e especialistas das mais diversas áreas de conhecimento (pode deixar q/ no final eu passo os links de uma pequena amostra dos documentos já construídos p/ você). Por isso, a história de que as críticas são feitas sobre o projeto antigo é simplesmente estapafúrdia.
Bom, não quero dar muitas voltas, portanto, vou pegar algumas das questões que você aponta p/ explicar pq somos contra Belo Monte.
1 – A confusão em relação à área de impacto do projeto. É verdade que o tamanho oficial foi reduzido, o que não quer dizer que os 640km2 previstos atualmente sejam pouca coisa, né? Bom, mas a grande confusão começa quando se fala sobre os impactos sobre as populações indígenas e ribeirinhas. Inclusive esse é um dos vários pontos falhos do EIA/RIMA do projeto que se caracteriza por um enorme subdimensionamento da área afetada. A metodologia desses estudos considera como área diretamente afetada somente aquelas em que estão as obras de engenharia e áreas de inundação. Todas as áreas que estão fora dessa caracterização, mas q/ tb sofrerão impactos ambientais cumulativos, foram consideradas áreas de influência direta ou indireta apenas. Obviamente, isso faz parecer que os impactos serão menores – o que não é verdade. É por conta dessa caracterização tosca que muita gente pensa que terras indígenas não serão afetadas. Nesse modelo, das 9 comunidades indígenas consideradas pelo EIA, apenas duas estão na chamada “área de influência direta” e as outras na chamada “área de influência indireta”. A metodologia, portanto, desconsidera terras indígenas que vão sofrer com o barramento e desvio do rio por causa da redução dramática do volume de água, como áreas de influência direta. Também não leva em consideração que existem populações indígenas vivendo as margens do rio no perímetro urbano e que, segundo o próprio EIA, serão removidas, mas é que “esqueceram” de contar como indígenas.
Outra coisa violentamente absurda na sua defesa é dizer que bastava dar para os índios mais terras p/ eles saírem dos locais. Eu não sei se você algum dia teve qualquer proximidade com povos indígenas, mas no dia que você tiver, pode ser que entenda que o modo de vida deles possui uma estreita relação com o território enquanto espaço de vida. Não se trata apenas de um pedaço de terra, mas de toda a teia simbólica e construção sócio-cultural nos territórios habitados. Não existe essa de “pega os índios aqui e leva p/ acolá”. E ninguém colocou isso na cabeça deles, como você sugere. São eles que não querem sair dos lugares que são seus por direito. Agora vamos para os números gerais de pessoas impactadas pra gente ver se é pouco. Com informações numéricas do próprio Estudo de Impacto Ambiental:
- 50% da área urbana de Altamira será alagada e/ou desocupada. Esta área abrange 12 bairros distintos.
- Na área rural serão total ou parcialmente inundados cerca de mil imóveis rurais de três municípios a maioria pertencente ao INCRA.
- 11 municípios foram definidos como área de influência de Belo Monte, totalizando mais de 25 milhões ha. Cerca de 70% desta área consiste em áreas protegidas, incluindo unidades de conservação, terras indígenas, terras quilombolas , etc.
- 24 etnias que ocupam 30 Terras Indígenas (TIs) na Bacia do Xingu serão diretamente afetadas, pois esse povo vive ao longo da bacia do Xingu e depende diretamente da relação com ele, portanto, impactar diretamente um rio é impactar diretamente suas vidas.
- Entre 20 e 40 mil pessoas serão removidas pela obra. 350 famílias de ribeirinhos que vivem em Reservas Extrativistas e 21 comunidades quilombolas da região seriam afetados também.
2 – O segundo ponto que eu gostaria de tocar é sobre o mito da energia para o crescimento do país. É verdade que o povo brasileiro vai bancar, via BNDES, a instalação de BM, mas essa energia ficará concentrada no Pará e terá uma finalidade bem específica que é atender a demanda energética das multinacionais eletrointensivas da mineração que lá estão instaladas ou em vias de instalação. Não entendo como alguém pode chamar isso de desenvolvimento. Essas indústrias extraem, sobretudo, alumínio que serve p/ ser exportado p/ fazer quinquilharia no exterior. Não sei como um ser humano consegue dizer que a instalação de indústrias altamente poluidoras e que oneram socioambientalmente de forma absurda o país é um grande negócio...só se for negócio da China msm. Além disso, eu quero só colocar aqui os dados de impactos que estão previstos no próprio RIMA e que nem de longe cheiram a melhoria de vida das populações atingidas:
- O projeto implica em um fluxo migratório que poderá dobrar a população da
região em menos de uma década (RIMA). Dá p/ imaginar todos os impactos decorrentes desse inchaço ou eu tenho que desenhar?
- A maior parte dos empregos diretos gerados teriam duração de menos de
cinco anos, resultando no aumento da massa de desempregados e
subempregados na região (RIMA). Precisa comentar?
3 – O mito da viabilidade econômica – O tão aclamado “novo modelo” de BM que os defensores insistem em dizer que é muito melhor que o anterior é uma falácia, pois não tem condições de garantir a energia que se propõe. A redução no tamanho do projeto original impossibilitaria a viabilidade econômica da Usina caso não sejam construídas as barragens que estavam previstas no projeto anterior. Abaixo eu colocarei os links para os laudos técnicos que apontam a impossibilidade de funcionamento das turbinas no período de baixa do rio. Não vou colocar aqui p/ não deixar o texto gigante e cheio de números, mas é só conferir lá pra perceber que depois de BM construída vão “descobrir” que a única forma de compensar a baixa capacidade de geração de energia será a construção de barragens adicionais rio acima. Essas muito mais impactantes e graves para os povos do Xingu, mas diante do investimento que já terá sido feito em Belo monte, alguém duvida que possam ser liberadas? Portanto, o projeto atual é um embuste.
Sobre as violações de direitos humanos indico:
RELATORIA NACIONAL DO DIREITO HUMANO AO MEIO AMBIENTE - Violações de Direitos Humanos no Licenciamento da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.
- Regulamentação pelo Estado brasileiro dos procedimentos de consulta junto aos povos indígenas e demais populações afetadas, em conformidade com o estabelecido na Convenção 169 da OIT” (abril de 2011).
- No que diz respeito ao cumprimento das condicionantes, o Conselho Nacional de Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), órgão consultivo do governo, relatou à ministra da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), uma situação de crise política e de violação de direitos sintetizada na frase "ausência absoluta do Estado” (13 de abril de 2011, veja)
- Situação similar foi constatada em Diligência realizada pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal - na cidade de Altamira, em 16 de abril de 2011, em cujo relatório há denuncias de abuso de autoridade, invasão de propriedade, além de situações de insegurança e tensão
- Igualmente, a Associação Brasileira de Antropologia divulgou a ocorrência de graves conflitos e tensões que, associados ao modo como vem se processando o licenciamento, implicam o deslocamento compulsório de povos tradicionais, alheio a qualquer programa ou política de compensação; e ameaça de morte a lideranças indígenas (maio de 2011).
Para informações técnicas indico:
- Análise Crítica do Estudo de Impacto Ambiental do Aproveitamento Hidrelétrico de Belo Monte (pdf)
- Mega-projeto, Mega-riscos: Análise de Riscos para Investidores no Complexo Hidrelétrico Belo Monte (pdf)
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Raphael Tsavkko Garcia
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Uma aula sobre Belo Monte
2011-08-08T10:30:00-03:00
Raphael Tsavkko Garcia
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sexta-feira, 27 de maio de 2011
MAIS GRAVE QUE O JÁ GRAVÍSSIMO: Ruralistas vaiam anúncio de morte, por Alípio Freire
O texto abaixo é do companheiro e grande lutador Alípio Freire que, para muitos, dispensa apresentações.
Ex-guerrilheiro da ala Vermelha, fundador do PT e jornalista dos bons, enviou por e-mail e me autorizou a publicar.
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Segue abaixo, no entanto, algo que não poderia adiar, pois não vi veiculado em nenhum veículo, seja da grande mídia comercial, seja do que chamamos de mídia popular e/ou independente: sem dúvida é intolerável que, além de seus pares terem mandado assassinar o casal Cláudio-Maria no Pará, os senhores ruralistas, depois de anunciado o crime no plenário da Câmara Federal, tenham se manifestado com vaias.
Por muito menos (incomparavelmente menos, apesar dedeplorável), a deputada do Partido dos Trabalhadores e ex-prefeita de São José dos Campos, senhora Ângela Moraes Guadagnin, teve seu mandato cassado por falta de decoro parlamentar, em conseqüência do episódio que ficou conhecido como “A Dança da Pizza” – cena que até hoje pode ser encontrada no Google.
Ou seja, não devemos apenas divulgar amplamente mais este crime (vaia) dos ruralistas, mas exigir junto aos senhores deputados (especialmente aqueles do Partido dos Trabalhadores e da suposta “base aliada”), a investigação rigorosa do episódio, e a cassação dos mandatos dos autores da manifestação.
Quando representantes de um dos poderes da República aplaudem um crime (e o fazem oficialmente, pois no plenário da Câmara Federal), ultrapassamos todos os limites. E, acreditem, ainda não é o que se costuma dizer “o fundo do poço”. Até porque esse poço não tem fundo, exceto se tivermos força para colocar um.
Peço a tod@ companheir@ que tenha acesso a deputados, que pressionem seus representantes nesse sentido, bem como aqueles que tenham contatos junto ao Executivo (sobretudo a ministros) que façam o mesmo.
Da minha parte, procurarei faze-lo.
A ausência de medidas punitivas é cimplicidade.
É ser cúmplice da legitimação e legalização da iniqüidade, é trasformar (escancaradamente e sem volta) que o Brasil não tem um Câmara Federal, mas um clube de celerados.
Putabraço para tod@s,
Alipio Freire
Instituto Humanitas UNISINOS
http://t.co/jCohXdP via @addthis
25/5/2011
Ruralistas vaiam anúncio de morte
Era perto das 16h quando uma cena grotesca aconteceu no plenário da Câmara dos Deputados. O líder do Partido Verde, José Sarney Filho, lia uma reportagem sobre o extrativista José Cláudio Ribeiro da Silva, brutalmente assassinado pela manhã no Pará, junto com sua mulher Maria do Espírito Santo da Silva, também uma liderança amazônica. Ao dizer que o casal que procurava defender os recursos naturais havia morrido em uma emboscada, ouviu-se uma vaia. Vinha das galerias e também de alguns deputados ruralistas.
A indignidade foi contada no Twitter e muito replicada. "Foi um absurdo o que aconteceu", diz Tasso Rezende de Azevedo, ex-diretor geral do Serviço Florestal Brasileiro. "Ficamos estarrecidos".
A reportagem é de Daniela Chiaretti e publicada pelo jornal Valor, 25-05-2011.
O assassinato de Zé Claudio, como era conhecido, e de Maria do Espírito Santo aconteceu às 7h da manhã, a 50 km de Nova Ipixuna, sudeste do Estado, na comunidade de Maçaranduba. "Eles vinham no carro deles, indo para a cidade. Tinha uma ponte meio danificada no igarapé. Ele desceu para ver e ali foi a emboscada", conta Atanagildo Matos, diretor da regional Belém do Conselho Nacional das Populações Extrativistas, o ex-Conselho Nacional dos Seringueiros. Zé Claudio foi morto fora do carro, Maria foi baleada dentro do veículo. Uma orelha foi arrancada pelos pistoleiros, conta Atanagildo, o primeiro a ser avisado por Clara Santos, sobrinha de Zé Claudio.
O casal vinha sofrendo ameaças desde 2008. "É um área muito tensa, que vinha sofrendo muita pressão de madeireiros e carvoeiros", conta Atanagildo. "Era a última área da região com potencial florestal muito bom. Zé Claudio e Maria resistiam muito ao desmatamento." Os dois viviam em Nova Ipixuna há 24 anos, em um terreno de 20 hectares no Projeto de Assentamento Agroextrativista (Paex) Praialta- Piranheira, às margens do lago de Tucuruí. Extraíam óleo de andiroba e castanha. Em palestra em novembro, no evento TEDx Amazônia, Zé Claudio denunciava o desmate. "É um desastre para quem vive do extrativismo como eu, que sou castanheiro desde os 7 anos da idade, vivo da floresta e protejo ela de todo jeito. Por isso, vivo com a bala na cabeça, a qualquer hora".
Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência estava no Fórum Interconselhos quando um dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) deu a notícia. Foi ao Palácio, relatou à presidente Dilma Rousseff e ela determinou ao ministro da Justiça José Eduardo Cardozo que a Polícia Federal apure o assassinato dos sindicalistas.
Ex-guerrilheiro da ala Vermelha, fundador do PT e jornalista dos bons, enviou por e-mail e me autorizou a publicar.
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Segue abaixo, no entanto, algo que não poderia adiar, pois não vi veiculado em nenhum veículo, seja da grande mídia comercial, seja do que chamamos de mídia popular e/ou independente: sem dúvida é intolerável que, além de seus pares terem mandado assassinar o casal Cláudio-Maria no Pará, os senhores ruralistas, depois de anunciado o crime no plenário da Câmara Federal, tenham se manifestado com vaias.
Por muito menos (incomparavelmente menos, apesar dedeplorável), a deputada do Partido dos Trabalhadores e ex-prefeita de São José dos Campos, senhora Ângela Moraes Guadagnin, teve seu mandato cassado por falta de decoro parlamentar, em conseqüência do episódio que ficou conhecido como “A Dança da Pizza” – cena que até hoje pode ser encontrada no Google.
Ou seja, não devemos apenas divulgar amplamente mais este crime (vaia) dos ruralistas, mas exigir junto aos senhores deputados (especialmente aqueles do Partido dos Trabalhadores e da suposta “base aliada”), a investigação rigorosa do episódio, e a cassação dos mandatos dos autores da manifestação.
Quando representantes de um dos poderes da República aplaudem um crime (e o fazem oficialmente, pois no plenário da Câmara Federal), ultrapassamos todos os limites. E, acreditem, ainda não é o que se costuma dizer “o fundo do poço”. Até porque esse poço não tem fundo, exceto se tivermos força para colocar um.
Peço a tod@ companheir@ que tenha acesso a deputados, que pressionem seus representantes nesse sentido, bem como aqueles que tenham contatos junto ao Executivo (sobretudo a ministros) que façam o mesmo.
Da minha parte, procurarei faze-lo.
A ausência de medidas punitivas é cimplicidade.
É ser cúmplice da legitimação e legalização da iniqüidade, é trasformar (escancaradamente e sem volta) que o Brasil não tem um Câmara Federal, mas um clube de celerados.
Putabraço para tod@s,
Alipio Freire
Instituto Humanitas UNISINOS
http://t.co/jCohXdP via @addthis
25/5/2011
Ruralistas vaiam anúncio de morte
Era perto das 16h quando uma cena grotesca aconteceu no plenário da Câmara dos Deputados. O líder do Partido Verde, José Sarney Filho, lia uma reportagem sobre o extrativista José Cláudio Ribeiro da Silva, brutalmente assassinado pela manhã no Pará, junto com sua mulher Maria do Espírito Santo da Silva, também uma liderança amazônica. Ao dizer que o casal que procurava defender os recursos naturais havia morrido em uma emboscada, ouviu-se uma vaia. Vinha das galerias e também de alguns deputados ruralistas.
A indignidade foi contada no Twitter e muito replicada. "Foi um absurdo o que aconteceu", diz Tasso Rezende de Azevedo, ex-diretor geral do Serviço Florestal Brasileiro. "Ficamos estarrecidos".
A reportagem é de Daniela Chiaretti e publicada pelo jornal Valor, 25-05-2011.
O assassinato de Zé Claudio, como era conhecido, e de Maria do Espírito Santo aconteceu às 7h da manhã, a 50 km de Nova Ipixuna, sudeste do Estado, na comunidade de Maçaranduba. "Eles vinham no carro deles, indo para a cidade. Tinha uma ponte meio danificada no igarapé. Ele desceu para ver e ali foi a emboscada", conta Atanagildo Matos, diretor da regional Belém do Conselho Nacional das Populações Extrativistas, o ex-Conselho Nacional dos Seringueiros. Zé Claudio foi morto fora do carro, Maria foi baleada dentro do veículo. Uma orelha foi arrancada pelos pistoleiros, conta Atanagildo, o primeiro a ser avisado por Clara Santos, sobrinha de Zé Claudio.
O casal vinha sofrendo ameaças desde 2008. "É um área muito tensa, que vinha sofrendo muita pressão de madeireiros e carvoeiros", conta Atanagildo. "Era a última área da região com potencial florestal muito bom. Zé Claudio e Maria resistiam muito ao desmatamento." Os dois viviam em Nova Ipixuna há 24 anos, em um terreno de 20 hectares no Projeto de Assentamento Agroextrativista (Paex) Praialta- Piranheira, às margens do lago de Tucuruí. Extraíam óleo de andiroba e castanha. Em palestra em novembro, no evento TEDx Amazônia, Zé Claudio denunciava o desmate. "É um desastre para quem vive do extrativismo como eu, que sou castanheiro desde os 7 anos da idade, vivo da floresta e protejo ela de todo jeito. Por isso, vivo com a bala na cabeça, a qualquer hora".
Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência estava no Fórum Interconselhos quando um dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) deu a notícia. Foi ao Palácio, relatou à presidente Dilma Rousseff e ela determinou ao ministro da Justiça José Eduardo Cardozo que a Polícia Federal apure o assassinato dos sindicalistas.
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
10:30
MAIS GRAVE QUE O JÁ GRAVÍSSIMO: Ruralistas vaiam anúncio de morte, por Alípio Freire
2011-05-27T10:30:00-03:00
Raphael Tsavkko Garcia
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segunda-feira, 18 de abril de 2011
Belo Monte: "Mas são só 200 índios!"
Argumento recorrente dos defensores de Belo Monte é a de que "só 200 índios" seriam afetados pela obra.
Esquecem de contar os ribeirinhos, os efeitos na cidade de Altamira e, claro, pouco se importam com os cemitérios indígenas que seriam atingidos.
Eles completam acusando os opositores do projeto de pregarem uma "ditadura da minoria", algo que me lembra bastante a bancada evangélica quando fala sobre o PLC 122 que condena a homofobia.
Sempre que conversamos com os pró-Belo Monte, o argumento é de que todo o processo é democrático.
Oras, quando pergunto se a opção de Belo Monte não existir está em discussão, desconversam. Voltam ao papo da "ditadura da minoria".
Mas, oras, democracia pressupõe todas as opções concorrendo em igualdade, ou não? Se eu defendo A eu devo ter o mesmo direito que B em defender minha tese, em discutí-la. Mas na democracia de alguns petistas amantes do governo, a opção de construir é a única que existe. No máximo - e olhe lá - falam em compensações ou ajustes no projeto.
Que me desculpem, mas isto NÃO é democracia.
Faço paralelo com o caso basco, que tanto escrevo e estudo. A Espanha se diz uma democracia, diz debater todas as questões com os Bascos (nem vou entrar no caso das ilegalizações, tortura e prisões políticas), mas quando perguntada se aceitaria um plebiscito ou mesmo discutir a opção da independência, o tempo fecha.
JAMAIS! É impensável discutir a separação de território espanhol!
É ou não é uma bela democracia? As opções são apenas aquelas que um dos lados dá ou quer dar, mesmo que de má vontade. Aos bascos - e aos opositores de Belo Monte - resta aceitar um jogo em que já entram derrotados.
E notem que, em um possível plebiscito, quem votaria seria os habitantes da região e não de todo o país. Os atingidos e os interessados.
Quem decide seu futuro é quem tem relação com o caso. O mesmo vale para Belo Monte. Porque não uma votação entre quem será afetado diretamente? População ribeirinha, de Altamira, indígenas.... Mas não, os termos da democracia só valem se forem as do Estado opressor.
O engraçado sobre Belo Monte é que o projeto original foi duramente combatido por esta mesma esquerda (ou pseudo) que hoje aplaude de forma entusiasmada o projeto. Tanto os soldadinhos disciplinados quanto os mais ou menos aplaudem e comemoram.
O projeto, para quem não sabe, é da Ditadura. Isto mesmo, da Ditadura.
E foi duramente combatido - e derrotado - pelos indígenas da região e, acho que muitos vão lembrar, com imensa propaganda internacional através do Sting e do Cacique Raoni. Alguns podem até rir hoje, mas a pressão funcionou.
A esquerda barrou o projeto da Ditadura, mas a própria esquerda (sic) o retomou. Afinal, são só 200 índios e precisamos crescer a qualquer custo. Desenvolvimento é só um detalhe.
Isto me lembra outros momentos interessantes. Como já comentei, me lembra da Bancada Evangélica e criminosos drelacionados dizendo que direito pra gay não serve porque são minoria, é ditadura gay, ditadura da minoria...
Vai ver é o raciocínio do Kassab quando quer "limpar" o centro: Afinal, são só uns 10 mil mendigos e São Paulo tem milhões de pessoas. Porque não jogá-los pros extremos da Zona Leste, escondê-los...?
Eu até pensei em outro exemplo, mas Godwin não me permitiria ir adiante. Mas pra bom entendedor - e pros judeus...
Me lembrei, aliás, de mais uma justificativa dos pró-Belo Monte: A idéia de que o governo foi eleito, logo, suas decisões são automaticamente justas e democráticas. Errado. O fato do governo ter sido eleito não torna suas ações legítimas ou justas, nem vale então falar em democráticas.
Se assim fosse deveríamos todos aplaudir as privatizações do governo FHC.
Pois é, isto é Belo Monte. Você tem o direito de aceitar calado e receber miçangas em troca. Matamos índios ha 500 anos, destruímos sua cultura e seu modo de vida há 500 anos, porque parar agora?
Esquecem de contar os ribeirinhos, os efeitos na cidade de Altamira e, claro, pouco se importam com os cemitérios indígenas que seriam atingidos.
Eles completam acusando os opositores do projeto de pregarem uma "ditadura da minoria", algo que me lembra bastante a bancada evangélica quando fala sobre o PLC 122 que condena a homofobia.
Sempre que conversamos com os pró-Belo Monte, o argumento é de que todo o processo é democrático.
Oras, quando pergunto se a opção de Belo Monte não existir está em discussão, desconversam. Voltam ao papo da "ditadura da minoria".
Mas, oras, democracia pressupõe todas as opções concorrendo em igualdade, ou não? Se eu defendo A eu devo ter o mesmo direito que B em defender minha tese, em discutí-la. Mas na democracia de alguns petistas amantes do governo, a opção de construir é a única que existe. No máximo - e olhe lá - falam em compensações ou ajustes no projeto.
Que me desculpem, mas isto NÃO é democracia.
Faço paralelo com o caso basco, que tanto escrevo e estudo. A Espanha se diz uma democracia, diz debater todas as questões com os Bascos (nem vou entrar no caso das ilegalizações, tortura e prisões políticas), mas quando perguntada se aceitaria um plebiscito ou mesmo discutir a opção da independência, o tempo fecha.
JAMAIS! É impensável discutir a separação de território espanhol!
É ou não é uma bela democracia? As opções são apenas aquelas que um dos lados dá ou quer dar, mesmo que de má vontade. Aos bascos - e aos opositores de Belo Monte - resta aceitar um jogo em que já entram derrotados.
E notem que, em um possível plebiscito, quem votaria seria os habitantes da região e não de todo o país. Os atingidos e os interessados.
Quem decide seu futuro é quem tem relação com o caso. O mesmo vale para Belo Monte. Porque não uma votação entre quem será afetado diretamente? População ribeirinha, de Altamira, indígenas.... Mas não, os termos da democracia só valem se forem as do Estado opressor.
O engraçado sobre Belo Monte é que o projeto original foi duramente combatido por esta mesma esquerda (ou pseudo) que hoje aplaude de forma entusiasmada o projeto. Tanto os soldadinhos disciplinados quanto os mais ou menos aplaudem e comemoram.
O projeto, para quem não sabe, é da Ditadura. Isto mesmo, da Ditadura.
E foi duramente combatido - e derrotado - pelos indígenas da região e, acho que muitos vão lembrar, com imensa propaganda internacional através do Sting e do Cacique Raoni. Alguns podem até rir hoje, mas a pressão funcionou.
A esquerda barrou o projeto da Ditadura, mas a própria esquerda (sic) o retomou. Afinal, são só 200 índios e precisamos crescer a qualquer custo. Desenvolvimento é só um detalhe.
Isto me lembra outros momentos interessantes. Como já comentei, me lembra da Bancada Evangélica e criminosos drelacionados dizendo que direito pra gay não serve porque são minoria, é ditadura gay, ditadura da minoria...
Vai ver é o raciocínio do Kassab quando quer "limpar" o centro: Afinal, são só uns 10 mil mendigos e São Paulo tem milhões de pessoas. Porque não jogá-los pros extremos da Zona Leste, escondê-los...?
Eu até pensei em outro exemplo, mas Godwin não me permitiria ir adiante. Mas pra bom entendedor - e pros judeus...
Me lembrei, aliás, de mais uma justificativa dos pró-Belo Monte: A idéia de que o governo foi eleito, logo, suas decisões são automaticamente justas e democráticas. Errado. O fato do governo ter sido eleito não torna suas ações legítimas ou justas, nem vale então falar em democráticas.
Se assim fosse deveríamos todos aplaudir as privatizações do governo FHC.
Pois é, isto é Belo Monte. Você tem o direito de aceitar calado e receber miçangas em troca. Matamos índios ha 500 anos, destruímos sua cultura e seu modo de vida há 500 anos, porque parar agora?
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
10:30
Belo Monte: "Mas são só 200 índios!"
2011-04-18T10:30:00-03:00
Raphael Tsavkko Garcia
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sexta-feira, 4 de março de 2011
Balanço Inicial do Governo Dilma: Meio Ambiente, Economia
Dando continuidade à série de postagens sobre os primeiros meses do governo Dila, trato agora de Belo Monte e dos primeiros desacertos da economia.
As postagens serão interrompidas até quinta-feira após o carnaval.
Meio Ambiente (Belo Monte)
Impossível falar de meio ambiente sem falar do maior crime ambiental que um país pode promover: Belo Monte.
Leonardo Sakamoto é direto:
O governo Dilma mal chegou e, como primeira medida na economia, aumentou de cara os juros. Tudo isto como pano de fundo para cortes de gastos - medidas que fazem os privatistas e os papas do FMI darem pulinhos de alegria.
De fato, haverá cortes no orçamento das universidades federais (isto porque Dilma iria privilegiar o ensino em seu governo) e o turismo pode ter cortes de 84% e o Minha Casa Minha Vida também terá cortes.
Dilma MENTIU ao afirmar várias vezes que não cortaria verbas do PAC. Cortou 40% do Minha Casa Minha Vida, ou seja, PAC. além disso o orçamento pro Esporte e Turismo, às vésperas de Copa do Mundo, Olimpíada e mais outros eventos esportivos só pode ser piada de mal gosto.
Mas não para por aí, como mostra Altamiro Borges:
O Brasil não só volto a ter a maior taxa de juros do mundo, como ainda transferiu 15 bi em títulos da dívida para credores. Cortamos 50 bi do orçamento, mas pagamos até agora quase 200 bi em dívida só contanto 2010 e 2011.
O governo Dilma conseguiu numa pancada só ser chamada de populista pela mídia ao elevar o Bolsa Família, ser xingada pelas centrais por não ter elevado o mínimo o quanto deveria e acabou recebendo elogios apenas dos grandes investidores, dos tubarões financeiro, que continuarão a ter lucros monstros.
Desta forma, o Brasil retrai a economia, segura investimentos, faz cortes em setores já deficitários e desagrada o conjunto da população, quem elegeu Dilma pra CONTINUAR o governo Lula e não para virar um FHC parte 2 e promover uma política econômica neoliberal que acreditávamos ter nos livrado. Ou deveríamos.
As postagens serão interrompidas até quinta-feira após o carnaval.
Meio Ambiente (Belo Monte)
Impossível falar de meio ambiente sem falar do maior crime ambiental que um país pode promover: Belo Monte.
A liberação das obras de Belo Monte, assinada nessa quarta, 26, pelo Ibama, é o primeiro grande crime de responsabilidade do governo federal neste ano que nem bem começou.Sem nenhum respeito pelos movimentos sociais e pela população local, o governo dá sinais de que não freará a construção deste monstro ou de que levará opinião alguma em conta, senão a sua própria dentro deste sonho neo-desenvolvimentista datado.
Foi dado sinal verde para que um enorme predador se instale às margens do Xingu para devorar a mata, matar o rio e destruir nossas casas, plantações e vidas, atraindo centenas de milhares de iludidos, que este mesmo governo não consegue tirar da miséria. Em busca de trabalho, que poucos encontrarão, eles chegarão a uma região sem saneamento, saúde, segurança e escolas.
Denunciamos esta obra, que quer se esparramar sobre nossas propriedades, terras indígenas e a recém reconhecida área de índios isolados, como um projeto genocida. Denunciamos essa obra como um projeto de aceleração da miséria, do desmatamento, de doenças e da violação desmedida das leis que deveriam nos proteger. Denunciamos que toda essa miséria, violência e destruição será financiada com dinheiro público dos contribuintes, através do BNDES
Leonardo Sakamoto é direto:
Belo Monte será um grande gerador de impactos sociais e ambientais. Por exemplo, o Ministério Púbnlico Federal avalia em cerca de 40 mil o total de atingidos – incluindo populações tradicionais e indígenas.O perigo que traz Belo Monte é descartado pelo governo sem qualquer tipo de discussão. Um verdadeiro crime contra a natureza e a humanidade está em curso.
Como já disse aqui em um post dias atrás, não adianta o governo federal elevar a questão dos direitos humanos nas relações internacionais e não executar o mesmo internamente. Se quiser fazer valer os direitos humanos em regiões rurais, a presidenta Dilma Rousseff terá que comprar brigas com áreas que lhe são importantes, como o setor elétrico. Coisa que, acredito, não vá fazer, muito pelo contrário. Incluída no PAC e no Plano Decenal de Energia (2007-2016), Belo Monte está planejada para ter uma potência máxima de 11,1 mil MW, mas a produção média estimada pela Eletrobrás é de 4.796 MW.
Lutou-se na ditadura não apenas por liberdade civis e políticas, mas por direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais. Desse ponto de vista, como justificar diferenças entre o discurso de uma época em que abríamos grandes estradas em rito sumário para o momento em que construímos gigantescas hidrelétricas em rito sumário, xingando os opositores de “arautos do atraso”?
Por trás desse discurso oficial de “normalidade” criado pelo governo, pessoas organizadas em movimentos sociais e ambientais vêm construindo, desde a década de 1970, sua própria história de resistência à construção de Belo Monte. São elas índios e ribeirinhos, cujos modos de vida e meios de sobrevivência atuais sofrerão um impacto desastroso com a construção da usina.Economia
O governo Dilma mal chegou e, como primeira medida na economia, aumentou de cara os juros. Tudo isto como pano de fundo para cortes de gastos - medidas que fazem os privatistas e os papas do FMI darem pulinhos de alegria.
Depois de elevar a taxa básica de juro da economia (a Selic) em 0,5 ponto percentual, o Banco Central (BC) passou a ser bombardeado por críticas de dirigentes sindicais, de políticos ligados ao PT e de integrantes da chamada “ala desenvolvimentista” do governo. O bombardeio ainda não atingiu a intensidade observada em passado recente, mas já há sinais de uma luta surda nos bastidores em torno da condução da política econômica. A retomada desse embate talvez resulte do primeiro erro cometido pelo governo Dilma, ao adiar o anúncio do corte de gastos para a obtenção do superávit primário deste ano.Obras do PAC podem ser atingidas pelos cortes (por mais que ministros tentem negar) e diversos setores podem sofrer dos cortes. Um governo que basicamente se sustentou - e fugiu da crise - através de medidas artificiais de promoção do consumo não pdoe se dar ao luxo de, de um dia pro outro, defender cortes.
De fato, haverá cortes no orçamento das universidades federais (isto porque Dilma iria privilegiar o ensino em seu governo) e o turismo pode ter cortes de 84% e o Minha Casa Minha Vida também terá cortes.
Dilma MENTIU ao afirmar várias vezes que não cortaria verbas do PAC. Cortou 40% do Minha Casa Minha Vida, ou seja, PAC. além disso o orçamento pro Esporte e Turismo, às vésperas de Copa do Mundo, Olimpíada e mais outros eventos esportivos só pode ser piada de mal gosto.
Mas não para por aí, como mostra Altamiro Borges:
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central aprovou, nesta quarta-feira (2), mais um aumento de 0,5% na taxa básica de juros. A mídia corporativa, que mantém sólidos vínculos com o capital financeiro, já havia cantado a bola de que isto iria ocorrer. Na verdade, ele utilizou as duas últimas semanas para criar o clima neste sentido – com manchetes sobre o fantasma da inflação e queixas contra as medidas “tímidas” de cortes do Orçamento da União (e olha que foram R$ 50 bilhões de cortes!).
O Brasil não só volto a ter a maior taxa de juros do mundo, como ainda transferiu 15 bi em títulos da dívida para credores. Cortamos 50 bi do orçamento, mas pagamos até agora quase 200 bi em dívida só contanto 2010 e 2011.
O governo Dilma conseguiu numa pancada só ser chamada de populista pela mídia ao elevar o Bolsa Família, ser xingada pelas centrais por não ter elevado o mínimo o quanto deveria e acabou recebendo elogios apenas dos grandes investidores, dos tubarões financeiro, que continuarão a ter lucros monstros.
Desta forma, o Brasil retrai a economia, segura investimentos, faz cortes em setores já deficitários e desagrada o conjunto da população, quem elegeu Dilma pra CONTINUAR o governo Lula e não para virar um FHC parte 2 e promover uma política econômica neoliberal que acreditávamos ter nos livrado. Ou deveríamos.
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
10:30
Balanço Inicial do Governo Dilma: Meio Ambiente, Economia
2011-03-04T10:30:00-03:00
Raphael Tsavkko Garcia
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terça-feira, 2 de junho de 2009
Frase do dia, da semana, do mês...

Admito certo ceticismo quando da nomeação de Carlos Minc para o Ministério do Meio Ambiente.
A Marina silva já havia sido uma tremenda decepção - não pôde trabalhar mas também pouco fez para se impor - e esperava que o Mic, com seu jeito de bicheiro, também fosse ser um fracasso retumbante.
Nem tanto! Não acompanho muito questões ambientais exceto quando passam à questão agrária e, neste quesito, ele vem dando um show ao peitar a ridícula Bancada Ruralista - bando criminoso latifundiário - e a Senadora Katia Abreu - quem teve a coragem de votar numa figura medonha dessas? - e merece meu reconhecimento e o de todos.
Além de tudo, Minc chamou os ruralistas de "vigaristas". Não sei do que eles reclamam, a crítica foi até branda. Vigaristas, criminosos, escória, podres, todas se aplicam e muito mais.
"Ao que me conste, o Brasil é comandado pelo presidente Lula e não pelos ruralistas. Aliás, se fosse pelos ruralistas, não haveria o Bolsa Família e, sim, o Bolsa Latifundiário." Carlos Minc, Ministro do Meio Ambiente
""Eu não sou a patroa dele. Se fosse, você ia ver o que eu ia fazer," disse a senadora Katia Abreu (DEM-TO), presidente da CNA, insinuando que o demitiria. Para ela, é "inadmissível" o ministro continuar no cargo após suas recentes declarações e a sua postura "sem isenção" a frente da pasta."Me pergunto, como seria um ministro do Meio Ambiente "isento"? A função óbvia do indivíduo é lutar pela preservação do meio ambiente, que "isenção" a vigarista - nas palavras do ministro - espera, no trato com ruralistas latifundiários?
Vale, aliás, um complemento:
"A representação mostra que o ministro teria atentado contra "a dignidade e a honra" dos ruralistas. Atualmente, há 76 deputados e 16 senadores com uma quantidade relevante de terras rurais, de acordo com levantamento da Transparência Brasil.A pergunta que não quer calar: Quantos desses deputados e senadores compraram suas terras com o nosso dinheiro, com desvios, ilegalmente ou cinicamente nos dando uma banana? Se a resposta não for "todos" então será "a franca maioria".
O número é maior quando é levada em conta toda a Frente Parlamentar da Agropecuária, composto por deputados e senadores ligados a questões do médio e grande produtor mas que não possuem terras necessariamente. Ela é composta hoje por 208 deputados federais e 35 senadores."
Em tempo, "dignididade"? Pffff!
E vai a notícia de onde "chupei" a frase:
Ministro Carlos Minc diz que ruralistas não vão conseguir tirá-lo do governo
Luana LourençoO ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que os ruralistas não vão conseguir tirá-lo do governo. Minc fez a afirmação ao comentar a denúncia por crime de responsabilidade protocolada contra ele hoje (2) pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) na Comissão de Ética Pública da Presidência da República e na Procuradoria Geral da República.
Da Agência BrasilRuralistas pedem saída de Carlos Minc
A CNA (Confederação Nacional da Agricultura e da Pecuária do Brasil) formalizou dois pedidos pela saída do ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) do cargo. No último dia 27, o ministro chamou os integrantes da bancada ruralista de "vigaristas" e disse que "os ruralistas encolheram o rabinho de capeta e agora fingem defender a agricultura familiar
"Os ruralistas estão desesperados querem me tirar do governo. Podem me insultar e continuar pedindo a minha cabeça, mas eu vou continuar governando", afirmou.
"Ao que me conste, o Brasil é comandado pelo presidente Lula e não pelos ruralistas. Aliás, se fosse pelos ruralistas, não haveria o Bolsa Família e, sim, o Bolsa Latifundiário."
Para Minc, a ofensiva dos ruralistas é uma resposta ao "pacto" firmado entre a área ambiental e a agricultura familiar. Segundo ele, durante anos os grandes agricultores aterrorizaram os pequenos em relação às exigências ambientais.
"Isso [o pacto entre ambientalistas e agricultura familiar] foi uma derrota para os ruralistas", disse Minc durante entrevista coletiva para comentar os dados sobre o desmatamento divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
"A senadora Kátia Abreu, inclusive, é uma pessoa muito simpática, muito agradável. A única grande derrota dela foi essa o que talvez a tenha tirado do sério", disse o ministro.
O ministro voltou a afirmar que os ruralistas estão usando os agricultores familiares como "massa de manobra" para defender interesses próprios na discussão de mudanças no Código Florestal.
Ele disse que pretende firmar um pacto com a grande agricultura, mas mantendo a diferenciação entre pequenos e grandes produtores.
"Reconhecemos que o setor tem grande importância para o país, com as exportações, com os empregos, mas é claro que tem que ser tratado de forma diferente dos pequenos produtores."
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
19:14
Frase do dia, da semana, do mês...
2009-06-02T19:14:00-03:00
Raphael Tsavkko Garcia
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