Mostrando postagens com marcador PMDB. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador PMDB. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Brasil, país onde partido que diz ter sofrido golpe vota nos partidos que defenderam golpe

Resumo da situação:

-O PT puxou voto pra Marcelo Castro, do ~golpista~ PMDB pra derrotar o Cunha (do mesmo PMDB).

-O candidato de Cunha era Rogério Rosso (PSD, o partido que Dilma encomendou pro Kassab por influência do Mercadante pra desidratar o PMDB do... Cunha)

-O PSeudoB, no primeiro turno, lançou o Orlando Silva, o canalha que em 2013 defendia abertamente repressão. O PT por sua vez lançou Maria do Rosário, mas ela não teve apoio nem do Rui Falcão e retirou sua candidatura-farsa. Erundina concorria pela esquerda e com uma bancada de 6, fez 22 votos.

-Nas redes sociais petistas justificavam o voto no PMDB golpista, era pra combater o PMDB golpista. Não busquem lógica. E também já arrumavam desculpas pra apoiar o outro candidato com chances, o Rodrigo Maia do... DEM!

O Samuel Braun resumiu:
 OLHA O GOLPE!
- A favor da redução da maioridade penal.
- A favor de "tratar" doentes psiquiátricos em manicômios..
- Considera homossexualidade distúrbio (determinismo genético)
- Deputado do PMDB, minimiza relevância do SUS.

Estas são as credenciais políticas do candidato que o PT vai apoiar para presidência da Câmara.
 - O candidato petista, Castro, perdeu. O que ele fez? Passou a apoiar o candidato do Cunha. Pois é. Parece que o "ser PMDB" estava no sangue, no DNA.

A situação desde uma perspectiva neoPTcostal: "Vejam só, escolhemos o PMDB e fomos golpeados pelo PMDB. O que faremos? Votaremos no PMDB para nos vingar do golpe do PMDB!"

- Segundo turno entre Rosso (pró-Cunha e Temer) versus Rodrigo Maia (aparentemente só pró-Temer, aparentemente, vejam bem). O Bruno Maia comentou:
O episódio lembra muito a contrarreforma política de Eduardo Cunha, quando a "ex-querda" que morre de medo da ascensão do PSOL, votou com sorriso no rosto medidas cirúrgicas contra nós, como nos retirar dos debates e dificultar nosso acesso aos parlamentos.
-O PSeudoB fecha com o DEM (o que não surpreende, quem conhece as táticas, fraudes e intimidações da juventude do PseudoB, a UJS, sabe que são capazes de vender a própria mãe por um espaço no poder), o PT tenta driblar a má sorte e libera o voto - sabendo que seus deputados tenderiam ao DEM, mas não queriam que ficasse feio na fita. Too late.

- Vence o candidato do DEM (e do PseudoB, do PT, etc) e uma ala do congresso (a ala onde estavam vários deputados do PT, segundo a Cristiana Lobo) começa a gritar contra o Cunha.

- Novo dia e o que acontece? Declaração de Rodrigo Maia:

"O novo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não definiu prazo para a votação final do processo de cassação do ex-presidente das Casa deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Perguntado sobre o caso, Maia elogiou a gestão de Cunha, disse que ajudou a elegê-lo e ponderou que o desfecho do processo deve ocorrer “dentro das regras da Casa” e quando houver “quórum adequado”." 

Como disse o Pedro Munhoz:
-Rodrigo Maia, na bancada do Arena, já foi um dos mais próximos de Eduardo Cunha. Andam um pouco afastados, nada que dois dedos de prosa não resolvam.
-A antiga oposição (DEM-PSDB) se fortalece. O Democratas, que era um cadáver insepulto, volta à evidência e o faz agradecendo pela confiança de Afonso Florence e Orlando Silva. Temer poderia mandar um beijo para ambos também.
-Afinal, ganhou a velha direita, a direita de berço, a direita que usa abotoaduras, que arranha um francês, escuta Schubert e que comete crime contra o sistema financeiro. Para Michel Miguel, é mais vantajoso ter com eles do que com os arrivistas do baixo clero, deselegantes, pidões, adeptos da extorsão descarada, da criminalidade mais ostensiva, menos sutil.
-E o PT? Segue gritando que foi pelo mal menor. O PT ajudou a fortalecer o DEM, a direita mais fisiológica do congresso, o mesmo partido que Lula disse há algum tempo que queria extirpar.

Pois eu digo, quem tem que ser extirpado, pelo bem da esquerda, é o PT. Partido corrupto, fisiológico, traidor e que impõe uma narrativa fracassada de "golpe" quando, no fim, apoia e se alia aos mesmos golpistas de sempre. Golpe é o PT.
------

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Quando o PSOL largará o osso e fará oposição real ao PT?

Comenta um amigo:

Assisti ao programa do PSOL ontem. Gostei muito. Mostrou bem o descalabro em que deixaram o país estes treze anos e meio de governo do PMDB.
Ironia, creio, clara. 

O programa do PSOL passou minutos arengando contra o PMDB, partido que pese merecer todas as críticas, foi sócio do PT por menos da metade dos 13 anos do partido no poder. No caso do Rio, o PMDB governa, mas não sem o imenso apoio e sustentação dados por PT e PseudoB.

O problema é que o discurso do PSOL é eternamente o de "ah, o PT não é tão mal assim, dá até pra gente compor com eles". Não larga o osso. Parece que o PSOL não quer jamais andar sozinho, com as próprias pernas, precisa ter o irmão mais velho sempre ali, vigilante, aprovando, dando tapinha nas costas ou dando umas palmadas de vez em quando. O PT governa o país há 13 anos, governa o Rio com o PMDB há década, mas conseguem atacar o PMDB esquecendo o PT? Isso não é tática, estratégia, não é nada, é só covardia.

É medo de alienar a turminha "mais amor por favor" que pode acabar votando num candidato do PSOL diante de alguma eventualidade. Parece cachorro tomando porrada, mas voltando pra lamber a mão do dono esperando ganhar biscoito. No final o PSOL sempre embarca no voto critico e ajuda a sustentar governos PIORES do que os que se opõe de forma mais radical.


É possível compreender (ainda que não aceitar) que o PSOL dispute parte da base do PT, que tente se aproximar daqueles insatisfeitos, mas que ainda não estão dispostos a largar o PT. Mas fica aquela questão: Tantos anos investindo nessa tática renderam frutos? O país melhorou? O PT foi pra esquerda ou o PSOL teve um crescimento que justifique a insistência? Adianto a resposta a todas as perguntas: Não. 

E fica a dica, quem colocou Temer no poder (como vice) foi o PT, e com votos e campanha do PSOL. 

E eu sinto informar, mas um partido que passa seus dias na base do morde e assopra não inspira confiança. Não vai atrair eleitores petistas e periga perder até apoio dentre sua base tradicional pra partidos que sejam capazes de sustentar críticas sem afinar algumas horas depois.
Nas eleições cariocas, em que Freixo e Molon (Rede) foram tirar fotos com Jandira - que jura de pé junto não ter nada a ver com a falência do Rio ou com todos os crimes do PMDB que ela apoiava -  fiquei com uma dúvida: 

Se a Jandira chegar no segundo turno e o Freixo não, o PSOL vai apoiá-la? Eu já sei a resposta, mas... Perguntar não ofende. Vai ter Jean de joelhos chorando e a chamando de Jandiramãe e o Freixo dizendo que é pelo bem do Rio - como fez com a Dilma?

E não me venham com "ain, você é anti-petista" porque sim, eu sou. Já assumi publicamente e não há problema algum nisso. É como ser anti-tucano ou antifascista, uma obrigação.
------

sexta-feira, 13 de março de 2015

Nem dia 13, nem dia 15, chega de falsa polarização!

Ato em defesa da Petrobrás nada mais é que um ato em defesa do PT e, por consequência, de seu "direito" de dilapidar a empresa porque, claro, com o PSDB seria pior.

E acreditando nisso (ou sendo financiado para acreditar) movimentos como MST, MAB (?), CUT, UNE, dentre outros, se mobilizaram para ir às ruas defender a Petrobrás (sic). Trata-se da mais explícita defesa das ações do PT não apenas na empresa, mas das ações criminosas do partido contra o país, como corte de direitos trabalhistas, cortes na educação e desmandos sem fim.

O governo Dilma chegou ao limite mal tendo começado seu segundo mandato. Isolado no congresso, repudiado pelos mesmos aliados que escolheu e deu poder (e verba), e acuado busca nas ruas dar uma resposta aos críticos - pese o PT ter "oficialmente" se desmarcado dos protestos.

Das duas uma, ou o governo por debaixo dos panos move as engrenagens de movimentos cooptados para protestar por si e demonstrar suposta força (que não tem), ou movimentos cooptados resolveram à revelia da direção mostrar esta mesma força em solidariedade. Em ambos os casos, é um tiro no pé.

Chegamos ao ponto do surrealismo do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) apoiar manifestação pró-PT. O MST que tem sido tratado como lixo apoia o PT e usa sua base como figurantes para sustentar Katia Abreu e o latifúndio. A UNE se apresenta para apoiar o governo que cortou bilhões da educação e que deixa bolsistas perigarem passar fome e a CUT, a organização pelega por excelência, sai às ruas para defender o governo que cortou direitos trabalhistas e previdenciários e que adotou política econômica que aumentará o desemprego.

Se isto não é surreal, nada mais é.

Remoções forçadas para grandes obras, criminalização de todo tipo de manifestação aos gritos de VAI PM por parte da "militância que cada dia mais se transforma em seita, corrupção endêmica, estelionato eleitoral descarado e reconhecido, aliança com o que há de pior na política nacional, medievalização e retrocessos grotescos nos direitos humanos, crescimento do agronegócio (transgênicos, agrotóxicos, desmatamento e todo o pacote), continuidade do genocídio de negros nas favelas (mas em troca de algumas cotas movimentos se calam e seguem adiante no apoio), privatização de estradas, aeroportos e mesmo de parte da Petrobrás e do pré-sal... Este é um resumo rápido das realizações de Dilma e do PT nos últimos anos.
Os capos do Governo Federal e do PT querem nos impor esta nova chantagem / armadilha: nos defendam, mais uma vez, das ratazanas e dos porcos que nós alimentamos ao longo desses 12 anos, confundindo-se conosco (como se fôssemos a mesma coisa) para "salvar a Democracia e a Esquerda do país".
Ora, quem vem fortalecendo políticos fascistas e uma sociedade cada vez mais fascista ao longo dos últimos anos é o Governo Federal comandado pelo PT... Quantos Bilhões entraram nos cofres da Rede Globo de Televisão, ao longo dos últimos anos, esta Rede de Televisão que hoje articula e comanda o Golpismo do Impeachment da Extrema-Direita?! Agora nos digam quanto foi investido e fortalecido em meios de comunicação, jornais, revistas, TVs ou rádios verdadeiramente populares e comunitárias?!
Vamos agora sair às ruas para defendê-los, Mandatários do PT et caterva, nos confundindo mais uma vez com vocês, para vocês seguirem governando com os Joaquim Levys, Temers, Renans, Cunhas, Sarneys, Marinhos, Kassabs, Kátias, Andres Sanchez e companhia?! Até quando acham que podem fazer esta chantagem e este jogo perverso com o nosso povo, e os nossos anseios legítimos - sempre deixados em segundo plano por vocês?!


E, ainda assim, há movimentos que bancam tudo isso e gritam que a direita quer derrubar o governo de esquerda. A triste verdade é que a esquerda foi derrotada pelo próprio PT, na verdade, sequer chegou ao poder.

Este protesto hoje, dia 13, "em defesa da Petrobrás", ou na verdade em defesa descarada do PT é simplesmente vergonhoso. Envergonha a história da esquerda brasileira e deveria envergonhar seus participantes. Ou, mais ainda, poderia significar uma virada da esquerda, demonstrar de vez a necessidade dos movimentos não-cooptados de se unir buscando alternativas.

Nada disto, porém, justifica ou dá razão ao outro protesto convocado para o dia 15. Não vou dizer "convocado pela direita" porque no fim o protesto de hoje também é a defesa da direita, de políticas de direita que seriam aplicadas, por exemplo, por Aécio, caso tivesse sido eleito.

O que temos são dois protestos (ou duas convocações de protesto) de direita. Em defesa de políticas e políticos de direita. Tampouco diria que se trata, no dia 15, de uma manifestação "golpista". Impeachment não é golpe, não importa o quanto gritem os petistas. Collor não foi vítima de golpe e não importa que hoje ele seja melhor amigo do PT, a história não será reescrita para caber nos devaneios dessa turma.

Mas o protesto do dia 15, no entanto, é um balaio de gatos perigoso. De apoiadores de Eduardo Jorge a neofascistas e integralistas. De PSDB a Revoltados Online, um caldo que vai da direita "light" à mais extremada direita que pede (esta sim) golpe e volta dos militares.

Antes de mais nada, o conteúdo "light" exigido pela "direita" é ridículo. Impeachment. Para que? Para Temer assumir? O que mudará? Não passa de demonstração de força de grupelhos radicalizados com apoio de um PSDB ferido querendo se vingar do PT, mesmo que não chegue ao poder graças à esta manobra.

É igualmente um protesto vergonhoso. E, bom lembrar, protestos CONTRA o PT pedindo impeachment apenas FORTALECEM o PT. A inteligência daqueles que odeiam o PT é realmente artigo em falta.

E a polarização - pelos motivos colocados acima - é falsa. E, pior ainda, acaba jogando pra debaixo do tapete problemas reais do país, o fato de que tanto PT quanto PSDB se beneficiaram e se beneficiam da corrupção da Petrobrás, como o PSDB se beneficia da corrupção do Cartel Tucano no metrô, como o PT se beneficiou do Mensalão, como todos os partidos satélites igualmente tem se beneficiado... E, claro, cria artificialmente diferenças ideológicas e práticas entre PT e PSDB que efetivamente não existem.

PT e PSDB ativamente defendem a repressão de movimentos populares que saem às ruas, ambos partidos fecham os olhos (quando não incentivam) chacinas e assassinatos contra pobres e negros, ambos privilegiam o agronegócio, privilegiam os bancos, o capital financeiro, desprezam educação pública... Sair às ruas dia 13 ou dia 15 significa a mesma coisa: A defesa de políticas de austeridade, da direita, de políticas contra a população.

Nem 13, Nem 15, Nem 45! Nem PT, nem PMDB, nem PSDB!
------

segunda-feira, 10 de março de 2014

A vitória dos Garis e a analogia do futebol

Reparem num detalhe fundamental: O grito de "É Campeão" dos garis.

O pobre foi ensinado a gritar gol. A comemorar gol e depois voltar pra casa quieto, num trânsito de merda, num transporte público de merda... Para voltar pra favela, pra periferia, pros extremos. Alegria é (era) o futebol, o título, o gol.

Não mais.

Os garis representam uma das classes mais exploradas e humilhadas. São considerados sujos, quando não lixo. São invisíveis, ou motivo para cruzar a rua.

Não mais.

Deram uma lição a todos os movimentos, sindicatos, partidos... Uma lição de que a luta muda, de que quem luta vence.

Precisamos aprender com os garis, que nos ensinaram uma grande lição. A luta foi deles. Sem sindicatos, sozinhos. Começaram na raça e foram angariando apoio, mas foram ELES que lutaram e conquistaram o que lhes é de direito.

Dignidade.

Não ganharam só salário e benefícios, mas ganharam dignidade, visibilidade, respeito.

Obrigado garis! E parabéns!

"Garis Unidos JAMAIS SERÃO VENCIDOS" ! Lindo demais.

Vocês tem noção que uma das classes mais exploradas,tratadas como lixo, das mais mal pagas e "baixas" DERROTOU O PTMDB?

Que lição pro país! Lição pra movimentos, sindicatos, partidos, pra todos e todas! Só a luta muda a vida!

OOOOOOHHHHH O GARI ACORDOU!

E acordou o Brasil todo! Pras ruas!
------

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Sem querer, Black Bloc ajuda direita antidemocrática?

Li com atenção ao texto do cientista político Marcio Saraiva publicado pelo Vi o Mundo e, apesar de concordar com alguns argumentos, me sinto forçado a expressar minha discordância com a tese central e alguns pontos mais.

Saraiva alencou 6 pontos ou eixos centrais em seu raciocínio, e gostaria de inicialmente comentá-los (sempre em vermelho):

1. Até agora não apresentaram nenhum projeto de poder popular. Simplesmente adotam uma violência quase romântica – pois não são guerrilheiros organizados em torno de um programa revolucionário – com paus, pedras, coquetéis, fogos de artifícios e marretas.
Os Black Blocs não são um movimento ou um grupo organizado aos moldes tradicionais de coletivos e partidos, são uma ideia, um método. São indivíduos que podem ter algum tipo de organização primitiva (normalmente via redes sociais) que se juntam durante manifestações para servir como escudo para o movimento social.

Como já escrevi antes, são uma arma defensiva útil e necessária em tempos de imensa brutalidade policial. Não à toa, foram elogiados pelos professores do Rio em greve. 

A função dos Black Blocs não é a de fazer a revolução, mas a de proteger o movimento social.E usam para este fim as "armas" que podem.

Ao meu ver não é papel dos Black Blocs se preocupar em primeiro lugar com marketing pessoal, senão que agir em defesa daqueles que vão às ruas (também é válida a discussão sobre ações ofensivas e defensivas).

Tampouco é produtiva a briga de egos entre grupos que se vêem na vanguarda e se sentem acuados frente a perda de protagonismo para os Black Blocs. Um sentimento até mesmo burro, visto que partido/movimento social é diferente de Black Bloc e não disputam o(s) mesmo(s) espaço(s).

2. As imagens de destruição, lixos queimados e rostos escondidos que os Black Bloc apresentam mais assustam a população em geral do que ganham a adesão das massas.
Depende. Se dependermos da Globo para nos informar, sem dúvida a imagem é negativa, mas a imagem dos professores em greve ou de qualquer movimento social organizado é igualmente negativa pelo prisma da grande mídia, salvo em ocasiões específicas onde apoiar um movimento social ou uma pauta possa ser do interesse da mídia no ataque a inimigos selecionados em momentos bem específicos.

O que vemos são professores agradecendo aos Black Blocs por sua proteção. São milhares de pessoas que saem às ruas vendo que os Black Blocs funcionam como uma linha de defesa - ainda que fraca - frente à violência e brutalidade policiais.

No fim das contas, "assustar" ou mesmo não ser do agrado da "população em geral" não é definidor de moralidade, utilidade ou viabilidade, pois precisamos compreender por qual prisma essa "população em geral" tem acesso à informação.

Quem está nas ruas lutando sabe do papel dos Black Blocs. 

Além disso é preciso também te em mente o papel desinformador e mesmo criminosos de quem fica em casa gritando contra o "PIG", mas fazendo coro a ele durante manifestações, criminalizando professores, Black Blocs e movimentos sociais que se insurgem contra os governos a que estes fanáticos são simpáticos.
 
3. Os Black Bloc não somente atuam na defesa dos movimentos sociais – o que é positivo – mas acabam provocando os policiais, criando o clima propício para a ação repressiva. Como eles não tem número suficiente e nem organização para enfrentar os aparatos repressivos, o saldo final é de frustração e aparente vitória da polícia que, para o senso comum, começa a se transformar em “heróis da ordem”.
Uma discussão válida é o papel defensivo versus o ofensivo dos Black Blocs (já declarei neste blog posição contrária a ações ofensivas enquanto em manifestações, ainda que não descarte o uso da violência revolucionária em casos e momentos específicos), mas JAMAIS culpar a autodefesa popular pela ação policial. E digo ação e não reação por um simples motivo: Na ampla maioria das vezes a PM começa com provocações e violência, esta respondida pelos Black blocs.

A mera presença de pessoas nas ruas é uma provocação para a PM e para o Estado. 

Em junho a presença de Black Blocs era mínima, especialmente nas primeiras manifestações - que também foram as mais violentas, como em São Paulo -, mas a repressão vinha invariavelmente.

Esta tese quase marilenachauiana de "provocação Black Bloc" não procede. Na verdade é uma falácia tremenda. A PM bate, não importa a presença de resistência organizada. 

E, mais uma vez, não compartilho da visão do autor de "vitória dos heróis da ordem", visto que o repúdio pela violência policial é sempre uma constante, MESMO com as acusações midiáticas e governistas aos Black Blocs.

Mesmo junto à grande mídia, há crítica à ação policial, mesmo que esta divida espaço com a crítica à autodefesa popular.
 
4. A visão antipolítica dos Black Bloc pode favorecer um clima fascista que generaliza todos os políticos eleitos e todos os partidos políticos como “instrumentos do capital”. Com essa generalização simplista, cria-se um clima favorável para ideias do tipo “fim do Congresso Nacional” e regimes de força, bem ao contrário do anarquismo clássico que prega uma ideologia de fim do Estado e autogoverno popular.
Autodefesa popular não pode jamais ser vista como "antipolítica", assim como o repúdio por parte de alguns elementos que formam as linhas Black Blocs dos partidos tradicionais, não é antipolítica. O Anarquismo professado pela provável maioria dos que formam esta linha autodefensiva não é, jamais, antipolítico. 

O autor confunde o repúdio às instituições carcomidas do Estado e críticas localizadas à atuação partidária (em especial do PT, PMDB e PSDB, todos que se declaram falsamente de esquerda) com uma crítica generalizada à política. Nada poderia ser mais incorreto e distante da realidade.

É inegável, porém, que grupos se apropriem deste discurso e o transformem naquilo que teme o autor, num discurso esvaziado e de tons fascistas, mas estes grupos não estão nas ruas (estiveram em algum momento em junho, mas já voltaram para suas casas, para seus grupelhos de galinhas verdes e similares), não representam a maioria daqueles que saem para a luta.

Um grupo não pode ser responsabilizado pela apropriação que outro faz de suas teses, ideias e pensamentos (e ações), assim como o pensamento Black Bloc não pode ser responsabilizado pelo fascismo que uns buscam impor à ideologia.

5. Incentivar ações contra a polícia e focar nisso é não perceber que os aparatos repressivos são do Estado. O Estado é repressor, policiais são usados para isso. A despeito da mediocridade do argumento de que “estamos apenas cumprindo ordens”, ele encerra algo de verdadeiro. A PM não é o alvo, e sim o Estado, seus gestores.
Concordo com o autor da precariedade da ação Black Bloc e que não é a PM o alvo prioritário, mas não vejo como isto eliminaria a PM de ser um dos alvos. A PM é a linha de defesa do Estado contra seu próprio povo e é, então, alvo legítimo - e de certa forma um dos únicos palpáveis.

Ademais, em uma manifestação, os Black Blocs visam defender o povo do Estado, representado ali pela PM, que ataca e mata o povo.

Mas como escrevi antes, acredito na ampliação das ações, não apenas Black Bloc, mas organizadas contra o Estado e seus asseclas. 

6. Sem um projeto ético-político objetivo que dê um sentido mais amplo para suas ações, os Black Bloc acabam se resumindo em movimento jovem de indignação, revolta e ódio, sem nenhum processamento político possível. Afinal, queimar lixos não contribui para nenhuma revolução, em sentido marxista.
Cabe aos movimentos organizados, aos partidos e movimentos sociais compreender a tática Black Bloc e, ao invés de subirem em pedestais ideológicos e lamberem as feridas da vanguarda perdida, buscar abrir um canal de diálogo com aqueles mais afeitos a isto, criando táticas conjuntas e buscando aprimorar a autodefesa popular.

O que temos hoje são Black Blocs numa ponta, e partidos/movimentos em outra, empedernidos, incapazes do diálogo e da compreensão. Oras, temos uma infinidade de grupos e tendências de esquerda que sequer conseguem sentar numa mesa e dialogar, que o diga quando surge algo mais radicalizado e absolutamente fora de suas órbitas de controle (ou mesmo compreensão).

A SEPE, sindicato dos professores em greve no Rio, foi a única organização capaz de compreender até o momento o que são e como agem os Black Blocs. A SEPE abriu diálogo, homenageou e foi defendida pelos Black Blocs.

PSOL e PSTU preferem permanecer na posição de falsa-vanguarda, enquanto o PT, parte do Estado repressor e aliado de primeira grandeza dos políticos responsáveis pela repressão no Rio, permanece na pura e boçal criminalização (não só dos Black Blocs, mas de todo o movimento social e grevista).

Por mais que "queimar lixos" não contribua para nenhuma revolução, é um primeiro passo para a radicalização do movimento social. Mais produtivo buscar dialogar e entender que simplesmente criminalizar.
 
É nesse ponto que as ações violentas dos Black Bloc, mesmo sem o desejarem, acabam ajudando o governo Cabral e Eduardo Paes a se colocarem como os “arautos da ordem” e defensores do povo contra o “vandalismo dos mascarados”.
Pelos índices de popularidade de ambos e pela reação popular às suas medidas a tática não tem sido bem sucedida.
 
Não somente isso. A tática – sem estratégia – dos Black Bloc fornecem as imagens e os argumentos que as forças mais reacionárias da direita precisam para legitimar a repressão estúpida e brutal contra os movimentos de greve e protestos dos estudantes e das classes trabalhadoras.
Entramos em um looping, onde os Black Blocs surgem contra a violência estatal, mas são usados pelo Estado para legitimar a violência anterior e posterior. Como resolver?
 
A conta final disso tudo é que a grande mídia burguesa retira o foco na vitória dos profissionais da educação que mobilizaram 50 mil pessoas no Rio de Janeiro, em plena segunda-feira, com frio e chuva, para protestarem contra a reforma educacional privatista da dupla Paes/Costin.
Não apenas a "mídia burguesa", mas aqueles ligados ao partido que financiam esta mídia. Discurso afinado.
 
Tal reforma autoritária foi imposta, com a subserviência da Câmara de Vereadores, sem diálogo autêntico com o Sindicato (SEPE) e nem com a Comissão de Educação da Câmara presidida pelo vereador Reimont (PT) que abandonou a base governista.
Falta de diálogo anterior sequer à implantação dos Black Blocs no país. Nada mudou.

Ao contrário, a grande mídia burguesa valoriza as imagens de quebra-quebra, espalha o medo entre os cariocas e apelam, como na época da ditadura militar (1964-1985), para a “necessária ação contra o vandalismo” e o “terrorismo”.
Com apoio total da militância online petista.

Conclusão disso. Os profissionais da educação – que estão dando um exemplo de mobilização, resistência e luta contra seus opressores que desejam enterrar a educação pública, gratuita e de qualidade – acabam ficando ofuscados pelas ações violentas dos Black Bloc.
Há alguma verdade nisso, mas da mesma forma viria a violência policial contra os professores que AO MENOS encontram alguma proteção nos Black Blocs, como eles próprios reconheceram.

O grande erro do autor é colocar toda a culpa do diversionismo da mídia nos Black Blocs, acreditando que sem eles seria diferente. Não seria. Os professores apanhariam da mesma forma (e até mais), os jornais iriam culpar o movimento social da mesma forma pela violência que sofreram. Oras, a mídia está escolada em defender brutalidade policial quando manifestantes param o trânsito!

A mídia não discute os erros desse plano nefasto do prefeito Eduardo Paes, mas jogam luzes no “vandalismo”, escondendo da população as reais matrizes da atual crise.
A mídia jamais discutiu ou discutiria qualquer plano nefasto de Paes ou Cabral.
 
Por isso mesmo, a despeito das boas intenções dos jovens militantes do Black Bloc, eles ajudam a mídia burguesa e os aparatos repressivos a se legitimarem na opinião pública, dão fôlego para Cabral e Eduardo Paes, alimentam o medo no senso comum e desmobilizam diversos profissionais da educação que temem participar das próximas passeatas.
Houvesse uma unidade entre as esquerdas no sentido de dar um direcionamento à violência Black Bloc e a passar por cima da grande mídia, a coisa seria diferente. Por outro lado a informação da desmobilização de professores não procede, pelo contrário, a cada manifestação o movimento cresce. 

A violência policial é uma constante, os professores sabem, e os Black Blocs não a ampliam, mas tão somente a tornam mais midiática.

São essas as consequências não-intencionais da ação racional que a Ciência Política nos esclarece tão bem e que os Black Bloc precisam aprender, se é que desejam se tornar uma braço político eficaz do anarquismo e contribuir para o avanço das lutas populares e sindicais.
Caso contrário, os Black Bloc, mesmo sem querer isso, funcionarão como linha auxiliar da direita mais antidemocrática. Cabral, Paes, Costin, os aparatos repressivos e a grande mídia burguesa os adoram, pois legitimam seus interesses.

A única linha auxiliar da direita no Rio de Janeiro chama-se Partido dos Trabalhadores, cuja maioria de eleitos vota junto com Paes e Cabral e cuja direção está ligada carnalmente ao PMDB e, ainda, cuja militância em peso silencia ou mesmo APLAUDE ações violentas da PM contra a população.

Culpar os Black Blocs por responderem à violência que invariavelmente viria por parte do Estado é culpar a vítima pela agressão sofrida.

Sim, os Black Blocs precisam de direcionamento, precisam de maior organização, mas não podem, jamais, ser culpados pela violência do Estado.

O Estado é repressor e chegou a hora de alguém se levantar contra isto.
------

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Existirá um Brasil depois de 2016?

O Brasil, aparentemente, não existirá depois de 2014-16. 

Do jeito que Dilma vem privatizando o país começo a acreditar que logo não teremos "presidente", e sim "gestor". No fim das contas já é o serviço da Dilma, gerir o capitalismo nacional a fim de maximizar lucros de seus financiadores de campanha através da ampliação do consumo. 

Depois de 2016 a gente entrega o Rio pro Eike, negocia São Paulo e o resto do país pro "investidor" que der mais e seremos felizes pra sempre, morando em favelas, sem saneamento e morrendo nas mãos da polícia, sofrendo racismo, homofobia, mas com carro do ano na garagem, diploma de uniesquina e com sub-emprego. 

Mas felizes.
Como irrita ouvir que tudo o que o se está fazendo no Brasil nas cidades sede tem como objetivo a Copa ou as Olimpíadas. Porque diabos a limpeza da Bahia de Guanabara tem que ter a ver com as Olimpíadas? Isso não era importante antes? Depois de passar a Olimpíada vão sujá-la de novo? E o esquema de segurança que estão montando pro Rio de Janeiro, com direito à caça das forças armadas e tudo? E aquele centro de segurança ridículo? Sério, continuamos com a mesma merda de mente colonizada de sempre, tudo o que fazemos é pra agradar os de fora. Até hoje esse país não conseguiu se voltar para si, pensar em si próprio, levantar a cabeça. Ficam dizendo que Lula reposicionou o Brasil no mundo. Pode até ser em vários aspectos (incluindo esse sub-imperialismo nojento, que está virando imperialismo mesmo). Mas o principal, obviamente esse governo não fez, não nos fez sairmos dessa merda de posição de colonizados. Funcionamos para suprir as expectativas do estrangeiro. Sério, isso é lamentável. Quando vamos conseguir nos emancipar disso? Não com essa merda de projeto neodesenvolvimentista estúpido, míope e genocida (Mariana Parra).
O que acontecerá se, em 2016, não tivermos concluído as obras programadas? As despoluições, as inovações, as obras, as mudanças...? Nada.

Aliás, o mais provável é que NADA fique pronto até o fim da Copa e das Olimpíadas. Obras de mobilidade já foram alteradas, canceladas e prometidas mil vezes, sem que os prazos tenham sequer a possibilidade de serem cumpridos. 

E é óbvio que não importam os prazos, as obras custarão pelo menos o dobro. O dobro que virá dos nossos bolsos para, após os eventos, serem entregues para a "iniciativa privada". Em outras palavras, Dilma e o PT privatizarão tudo que for possível após (ou mesmo antes, caso do Maracanã, atual Cabralzão) os "grandes eventos" programados para esta década. 

Estádios que se transformarão em elefantes brancos estão sendo pagos pelos nossos bolsos e nós sustentaremos o enorme e inútil gasto por anos a fio. Isto se os estádios não desabarem, como o Engenhão, construído ha menos de uma década e já caindo aos pedaços. 

Seria interessante que o responsável pelos estádios, como o ministro Aldo Rebelo, fossem pessoalmente resonsabilizados por quaisquer prejuízos posteriores. Oras, ele não garantiu diversas vezes em entrevistas que estádioscomo os do Amazonas não serão elefantes brancos após a Copa? Se tem tanta certeza que banque de seu bolso e de seu partido caso o óbvio aconteça e nós tenhamos de pagar mais uma conta no final.

Mas o que irá acontecer? Nada. 

Pagaremos calados, felizes, enquanto a Globo mostra as belezas dos estádios, das cidades, dos eventos... Um verdadeiro e terrível "PIG". 

Hoje (ontem) eram cosntantes as imagens do novo Maracanão, o Cabralzão, durante o jogo da selecinha, para mostrar como estava "lindo", apesar de ter perdido sua alma e de parecer apenas um estádio europeu acanhado.

Mas a Globo achou lindo, o governo achou lindo. O Eike achou ainda mais lindo, já que é dono do Cabralzão sem pagar quase nada. Oras, ele prestou valiosos serviços ao PT e ao PMDB, sem dúvida merece um "prêmio" com valor de mais de 1.2 bilhão.

Enquanto acompanhava um jogo da Série C pela TV Brasil (pese a péssima qualidade de transmissão e imagem), um comentarista louvou o Cabralzão ao ponto de dizer que os brasileiros deveriam aprender a torcer de uma nova forma. Oras, o país que mais ganhou copas, admirado em todo o mundo terá de se anular e aprender a torcer como europeu?

Teremos de deixar nossa cultura, nossas tradições e história de lado para seguir as ordens vindas de baixo pra cima da FIFA e do governo? Não é só absurdo, chega a ser criminoso.

Mas tudo vale no Brasil 2014-16. O depois a gente pensa quando chegar.

Em 2016 provavelmente não teremos mais índios no que depender de Dilma. Dependemos do STF para que gays tenham direitos, e no que depender do PT viraremos uma republiqueta medieval de aluguel, com krents lucrando, o povo "educado" em uniesquinas, professores tratados como lixo, mas todos consumindo felizes.

Iremos da igreja/templo ao shopping, e torceremos sentadinhos e quietos em estádios, consumindo alimentos venenosos e banhados em sangue indígena.

Isso se chegarmos a 2016. Porque o depois parece cada vez mais distante e pior.

Eu não acho válida a pergunta "Imagina na Copa" simplesmente porque me preocupo mais com o que virá depois, como a conta, como o ônus, como a dívida. É possível que tudo funciona às mil maravilhas na Copa - para o gringo.

Polícia entrará em acordo com o tráfico para que o segundo venda numa boa e não atrapalhe a festa (para que a garanta, na verdade), os aeroportos irão funcionar provisoriamente e com mil gambiarras, mas a pleno vapor, teremos feriados nos dias de jogo para evitar que o gringo tenha qualquer transtorno.... Mas para nós, brasileiros...

A meta do milênio do PT parece ser a Copa e as Olimpíadas, o depois a gente pensa depois.
 
------

segunda-feira, 25 de março de 2013

GV - Aldeia Maracanã se atravessa no caminho da Copa: Indígenas expulsos com violência

O acampamento indígena da Aldeia Maracanã, no antigo Museu do Índio no Rio de Janeiro, foi desocupado com violência por policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar no dia 22 de março. Situado ao lado do famoso estádio do Maracanã, o edifício se atravessa no caminho das obras para a Copa do Mundo de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016.

O cerco do Batalhão de Choque aos indígenas e seus apoiantes na área da Aldeia Maracanã começou na madrugada de 21 para 22 de março. Os indígenas montaram barricadas durante a madrugada para resistir, mas a invasão acabou por acontecer por volta do meio dia.

A ativista Paula Kossatz postou um vídeo no Facebook mostrando agressões mesmo antes da invasão, pela manhã, e o coletivo Diário Liberdade informou que os cerca de cem elementos da polícia entraram equipados “com balas de borracha, gás de pimenta e cacetetes”:
Ao que parece, segundo as primeiras informações, houve moradores da Aldeia Maracanã feridos na sequência da invasão. Entre eles, um menino de quatro anos que sofreu as consequências do gás pimenta policial. Ainda, uma mulher grávida foi reprimida violentamente e presa.
Foto de Norbert Suchanek. Usada com permissão.
Foto de Norbert Suchanek. Usada com permissão.
O Global Voices cobriu a primeira tentativa de expulsão, a 12 de janeiro, das cerca de vinte e três famílias que ocupam há 6 anos o prédio de grande importância histórica no Brasil. A altura, o cerco ao “museu vivo” do índio, como a Aldeia Maracanã é hoje chamada por muitos, foi feito sem aviso prévio nem mandado judicial pela polícia militar, reforçada com tropas de choque, e mobilizou indígenas e manifestantes que conseguiriam evitar a demolição.

Pouco mais de um mês depois, o Governador do Rio, Sérgio Cabral, anunciou que o edifício viraria museu do Comitê Olímpico Brasileiro. Eliomar Coelho, vereador do PSOL no Rio, propôs o tombamento da área, porém a proposta foi derrotada a 14 de março em votação na Câmara dos Vereadores da cidade.

Artigo completo no Global Voices Online
------

terça-feira, 19 de março de 2013

Dilma: "O problema é que, muitas vezes, as pessoas não querem sair "

Eu mandei sair, povo burro!
Novamente o Rio é atingido por chuvas fortes e, como todos esperavam, novamente começam as mortes, os deslizamentos, multiplicam-se os desabrigados e velhas desculpas são recicliadas para mascarar a incompetência e o desleixo de governantes. Cabral é aliado da Dilma, logo, ela tinha que sair em sua defesa.

Como?

Culpando as vítimas.

"O problema é que, muitas vezes, as pessoas não querem sair "

Realmente, Dilma, "mó legal" morar na rua!

Afinal, as pessoas em áreas de risco tem que sair de suas casas e viver nas ruas, já que sabemos que os governos estadual e municipais não irão se importar com elas e não lhes darão nova casa. Claro que elas podem simplesmente abandonar suas casas e COMPRAR uma nova, porque de graça não terão nada.

Muito justo.

As pessoas inclusive vão morar em áreas de risco porque QUEREM. Não é porque são empurradas para estas áreas, dentre outras, pela pobreza que você diz erradicar e pela especulação imobiliária daquela galerinha boa que financia tuas campanhas.

Mas seus programas maravilhosos, como redução de IPI, ajudam muito. Por exemplo, as pessoas em áreas de risco podem, se não quiserem viver na rua, morar dentro daquele carro ) que compraram com o IPI reduzido, ou mesmo morar dentro da geladeira com IPI zerado. Moradia digna, água, esgoto, vida digna e etc são só detalhes, você não lida com isso, só com "economia" e lucros dos bancos.

E a humanidade de Dilma chega ao nível mais baixo desde o "não farei propaganda de opção sexual".
— A nossa prevenção não estava com nenhum tipo de problema. O problema é que, muitas vezes, as pessoas não querem sair. Acho que vão ter de ser tomadas medidas mais drásticas para que as pessoas não fiquem nas regiões em que não podem ficar — disse a presidente. — Não tem prevenção que dê conta se você ficar num determinado lugar mesmo sabendo que tem que sair.
A prevenção do governo não tinha problema algum, as pessoas que morreram e os deslizamentos foram culpa de deus (vai ver por isso Dilma é tão amiga dos krents ao ponto de dar a eles tudo que pedem, como cancelar Kit Anti-Homofobia, cancelar Kit Anti-AIDS ou entregar a CDH pro Feliciano) e não da incompetência sua e de seus aliados, nem a corrupção de seu partio e do de seus aliados.
É uma questão de conscientizar. O homem não tem condições de impedir desastre. Ele pode impedir a consequência do desastre, e é isso que a gente tem lutado para fazer no Brasil. Seja através dos sistemas de satélite, dos pluviômetros, e articulação de todas as defesas civis do Brasil.
A culpa é também do povo, sem dúvida, mas tão somente porque o povo elegeu a você, sue partido e a seus aliados. Sem dúvida é culpa do povo que, de boa fé, pensou ter eleito pessoas que poderiam resolver seus problemas e não pedir para que saiam de casa e vivam na rua, desamparados.

Você já se perguntou onde estava o Cabral? Porque está tudo acontecendo de novo? Porque as pessoas continuam em áreas de risco? Uma dica, não é porque elas são burras.

As pessoas sabem que tem que sair, Dilma, não são imbecis, apesar de talvez terem votado em você, em Cabral e cia, mas sair pra onde?

Que tal você sair do seu palácio e viver na rua lado a lado com eles, longe das "áreas de risco"?

Claro que seria mais fácil apenas dar casas a quem precisa, mas sabemos que as coisas não funcionam assim. Onde ficaria o lucro dos financiadores das tuas campahas e das campanhas dos teus aliados?

Construtoras, imobiliárias, empresas de transporte e tantas outras...

Eles tem que lucrar. E você tem que lavar as mãos. Afinal, as pessoas estão em áreas de risco porque querem. São ignorantes, burras. São masoquistas.

Certo?

---
Atualização: Será que Dilma também acha que é culpa do povo até área do Minha Casa, Minha Vida ter alagado? Ou será que a culpa é dos amigos dela, que financiam sua campanha? A certeza é a de que ela não se importa.
------

segunda-feira, 11 de março de 2013

A esquerda continua não precisando aprender nada com os evangélicos

Escrevi ha exatamente um ano, no Amálgama, o texto "A esquerda não deve aprender nada com os evangélicos", como resposta a um texto do militante petista [ele não é militante, como o próprio me informou, perdão pelo equívoco] @Senshosp e, após todo este tempo, não mudo uma única vírgula, mas me sinto na obrigação de ampliar algumas ideias e o debate.

Eu disse então:
A esquerda não prega “salvação”, e nem diz ser caminho fácil. E uma ampla parte da direita pode ser nociva, mas não é a TFP ou a Opus Dei. É preciso ainda lembrar da quase neutralização da Teologia da Libertação que, pese críticas, era um movimento mais aberto e que, mesmo com preconceitos, buscava dialogar e não impor sua vontade.Ainda que religioso, ligado à Igreja, era um respiro que possibilitava o diálogo. O marginal da fé diz que basta rezar e… pronto. Paraíso terreno e além.
Ao invés de combater isso, cobrando impostos e legislando, o governo preferiu se aliar/perpetuar a farra dessa corja. O crescimento dela não se deve só a seus feitos, mas à inação de governo após governo e, agora, à aliança do governo com esses tipos. É óbvio que o crescimento vertiginoso dessas igrejas caça-níquel não se deve ao PT, mas tem sido ajudado, agora, pela clara aliança e troca de favores que existe.
No momento em que Marco Feliciano assume a presidência da Comissão de Direitos Humanos com apoio, via omissão, da direção do PT - que tinha "outros projetos" e cujos militantes acham que "questões comportamentais" não são importante - e que Malafaia passa a ser estrela desfilando homofobia - contando com o apoio, por exemplo, também via omissão, de Paulo Paim, relator do PLC 122, é preciso rediscutir o papel das seitas neopentecostais que professam a "Teologia da Prosperidade" - e incluo aí Malafaia e Feliciano, que são da Assembléia de Deus, em tese, Pentecostais e não NEO pentecostais - e também o papel do partido do e no poder, o PT, que não apenas se aliou, como deu forças a estes grupelhos radicais e, de fato, deixou de ser esquerda há muito tempo, adotando uma agenda tucana de privatizações e compensações deixando apenas migalhas aos pobres e, muitas vezes, migalhas de qualidade duvidosa (vide UniEsquinas, por exemplo).

A esquerda não deve, mantenho, aprender NADA com os Evangélicos, a não ser aprender a não copia-los, ou seja, aprender a não cometerem crimes como estelionato, curandeirismo e semelhantes. E repito, quando me refiro a "evangélicos", não generalizo todas as dezenas (centenas?) de denominações tradicionais, como Batistas, Calvinistas, Luteranos que, apesar de merecerem críticas tanto por discursos deslocados e conservadores quanto por não reagirem à invasão neopentecostal, são sérias e não tem o estelionato como prática cotidiana e única base de sustentação.

Basta observar, por exemplo, o abaixo assinado de uma rede evangélica que reúne igrejas tradicionais e pentecostais que se opõem ao fanático Feliciano. É preciso separar as NEOpentecostais acrescidas das dissidências da Assembléia de Deus (Feliciano, Malafaia...) das demais.

É óbvio que, retomando o texto original, a esquerda não deve aprender nada com os evangélicos, mas deve sim aprender com suas próprias falhas e erros, sair do mundinho hermético da linguagem marxista-acadêmica, das brigas de diretórios e chegar efetivamente no povo, no movimento social e CONQUISTAR estas pessoas com um discurso coerente e possível.

Não adianta chegar para quem tem fome e dizer que na Revolução tudo será resolvido. A revolução não virá amanhã e nem depois, logo, o discurso acaba frouxo, deslocado e não é atrativo. E é aí que os evangélicos ganham a jogada: Oferecem o "sucesso" rápido. Seja material, afetivo, psicológico (em geral material, o que levaria ao resto), eles oferecem um pacote de maravilhas desde que você siga certas "regrinhas" que, descontextualizadas e interpretadas da forma mais conveniente ao pastor, apóstolo, profeta ou bispo(a), acabam por combinar com preconceitos emraizados e até adormecidos ou "domesticados" e está feita a desgraça, está conquistado o "fiel" desesperado por melhoras em suas condições e disposto a aceitar/dar tudo pelo "sucesso", pela "vitória em Cristo"!

Compreender, porém, como se dá a "conquista" no campo evangélico é difernete de dizer que devemos copiar ou mesmo aprender com eles, pelo contrário, devemos ter um discurso e um conjunto de práticas estruturadas para COMBATER este discurso e, ao menos tempo, renovar o nosso.

Voltando ao "presente", vejam qualquer vídeo de Feliciano e seu "Stanley comunista e nazista" ou Malafaia querendo "funicar" alguém, ou Bispos, Bispas, Apóstolos e profetas de seitas maiores ou menores prometendo curar tetraplégicos, cegos, surdos e doentes de todos os tipos com apenas uma simbólica doação de mil reais, ou através da compra de uma "toalhinha ungida" ou de um tijolo de plástico por 500 reais.

E não tem problema se você não tiver dinheiro, basta pagar parcelado ou, para os mais corajosos, ENTREGAR o cartão de crédito ao honesto pastor (mas não esqueça de dar a senha!).

Parece engraçado - não deixa de ser - mas são perigosos.

Buscam especialmente entre as camadas mais pobres da população por aquele sem desespero, em situação financeira ou psicológica complicada, vulneráveis. E com o crescimento do poder aquisitivo da população - que não vem acompanhado de educação de qualidade, cultura, lazer e etc - os Marginais da Fé, pastores caça-dízimo, encontraram terreno fértil e propício para lucrar.
Estamos falando de, talvez, 20% da população – não há ainda dados conclusivos divulgados pelo IBGE que sustente esse número. E estes 20% têm pautado os demais 80%. Temos tido retrocessos gigantescos em áreas onde 20% dita as regras contra o resto da população e contra outras minorias igualmente significativas. Dilma mente ao dizer que governa para todos, quando na verdade vemos claramente que governa para e comandada por uma minoria em detrimento do resto da população. E dizer que “o brasileiro médio é conservador” não justifica recuos que contrariam as noções mais básicas de direitos humanos, marco sob o qual devem ser fundadas todas as relações humanas e entre o Estado e seus cidadãos.
Conseguiram uma população altamente consumista via investimentos estatais, mas ainda vulnerável social e psicologicamente às suas investidas. Não são 300 reais que alterarão a condição social e de classe e, muito menos, os fatores psicológicos que os levam à "necessidade" de buscar refúgio no obsurantismo neopentecostal.

É óbvio que o discurso neopentecostal dos Marginais da Fé não vem do nada, ele se alimenta dos preconceitos da própria sociedade, mas o potencializa, canaliza, dá forma a um ódio abstrato, por vezes guardado e apenas liberado em expressões populares, dizeres, mas que apesar de terem efeito imediato em alimentar o preconceito, tem alcance limitado em termos práticos, como na alteração de políticas públicas ou, como com Dilma, na aniquilação de políticas até consagradas, como no combate a AIDS junto à população LGBT.

O abandono do PNDH3, os recuos vergonhosos no programa Escola Sem Homofobia (o famoso Kit Gay) e outros retrocessos visíveis e mesmo a proibição sequer de uma ministra das mulheres de falar sobre o Aborto são a cara da influência evangélica nociva junto ao Estado.
As ações do governo para privilegiar uma casta religiosa conservadora, rica e que chegou lá por meios extremamente obscuros, como os vetos a toda e qualquer campanha para o público LGBT, ou pelo tratamento da questão do aborto como problema de saúde pública, dentre outras, denunciam a escolha feita pelo governo e não o fim das disputas e dos combates em busca de um Estado Laico.
Malafaia hoje se alia com políticos (com o PMDB do Rio, por exemplo) e influi em eleições. A IURD fundou partido e hoje integra a base do PT e tem até Ministro (Crivella, na Pesca, o que não deixa de ser irônico). Valdomiro mexe pauzinhos nas eleições. A Renascer deixa claro quem apoia e diversas denominações lançam - e elegem - candidatos para formar a medievalista Bancada Evangélica (inclusive o PT está no bolo). O PSC é basicament eum partido formado por pastores, pastoras e... profetas! E temos o minúsculo PEN que paga de ecologista, mas não passa de legenda de aluguel para krents.

Em suma, pastores e líderes de seitas de tamanhos variados usam e abusam do espaço que tem na mídia, com a compra de TV's, rádios, jornais e revistas - tudo com o dinheiro roubado de "fiéis", pessoas em geral vulneráveis e influenciáveis - para influenciar também eleições, políticos e governos.

Mas, como não são burros, mais fácil que influenciar políticos é serem políticos e usar toda sua força - leia-se voto de cabresto - para conquistar vagas e ter força suficiente para influenciar nas decisões dos grandes partidos.

É pernicioso e mesmo desnecessário tentar discutir se os evangélicos conservadores e nocivos são fruto da sociedade ou se acabam moldando a sociedade usando de preconceitos por vezes adormecidos ou amortecidos, transformando causas que em muitos casos passariam despercebidas em cruzadas morais.

Possivelmente há um pouco de cada coisa.
Temos de combater este estado de coisas, e, acreditem em mim, não faltam religiosos, mesmo do campo evangélico, que seriam aliados de primeira ordem, que são laicos e se opõem de forma veemente a estes que prometem os céus mediante pagamento no cartão em suaves prestações e que, no meio tempo, pregam o ódio e usam o povo como instrumento de sua vingança contra a humanidade.
Da mesma forma é absurdo dizer que os pastores e outros krents e Marginais da Fé são eleitos, logo, são legítimos representantes, pois isto significa esquecer que há voto de cabresto, que seitas cristãs usam e abusam do dinheiro que roubam de fiéis vulneráveis, que estas seitas se aproveitam de rádios e TVs que conseguem com o dinheiro que roubam e por aí vai....

O fato é que são poderosos, influenciam políticos e hoje são políticos. E isto é inaceitável.

Neopentecostalismo não é cristianismo, é uma seita (ou conjunto de seitas) de bandidos que usam o cristianismo para atrair e saquear. Usam e abusam de discurso messiânico e curandeirismo usando sua lábia e influência (e uma dose gigantesca de medo) em populações vulneráveis, mas que vem ascendendo socialmente (mesmo que timidamente) e garantindo uma constante engorda nos bolsos de lideranças.

E o medo é o principal combustível destas seitas, medo do inferno, medo da sexualidade e medo dos diferentes, dos que não compartilham do mesmo modo de vida hipócrita de submissão e obediência cega.

Em termos de soluções ou ao menos de um possível caminho para neutralizar a onda neopentecostal medievalista que toma conta do país com apoio e entusiasmo porp arte do governo do PT, as apresentei ha algum tempo:
Uma democratização das comunicações, com o fim de concessões a igrejas e pastores, a proibição de programas de tele-evangelização (a venda de horário de concessões públicas em si é contra a lei, logo, vender horário para igrejas não deveria ser tolerado) e a ampliação da internet (e não a piada do PNBL entregue para as teles lucrarem com serviço pior que o que já oferecem), seria de grande ajuda, mas nada foi feito. Ampliar o alcance e a qualidade da educação pública, melhorando salários de professores e os preparando melhor para a profissão seria outro passo importante, assim como dar dignidade à população que, muitas vezes, recorre a esses marginais da fé por puro desespero de suas condições sociais e econômicas.
São ações iniciais.

É preciso cortar o mal pela raiz. Acabar com espaço em rádios e TVs de curandeiros e estelionatários, mas acima de tudo, é preciso impor a taxação - e taxação pesada - sobre estas organizações mafiosas. A partir do momento em que Malafaias da vida precisarem declarar impostos, as coisas começarão a mudar.

Mas nem as ações básicas são levadas a cabo pelo governo, pelo contrário. A homofobia é promovida pelo governo e pessoalmente pela presidente Dilma, que não esconde seu preconceito e desprezo pela população LGBT, os direitos das mulheres são penhorados em troca do apoio dos conservadores e isto sem sequer mencionar os massacres contra índios, remoções forçadas de populações que são chamadas de Classe C, mas não tem sequer a segurança de que terão um teto no fim do dia, e a política do pão e circo foi institucionalizada.

A luta contra o neopentecostalismo e o medievalismo, que são irmãos, é, para usarmos termo caro ao governo e seus apoiadores, a luta pelo progresso. Mas não apenas o progresso econômico que mascara nossa desigualdade e problemas crônicos, e sim o progresso social. Um povo educado torna-se menos vulnerável às investidas de engravatados com bíblias debaixo do braço e tem a capacidade de discernir religião de ódio, charlatanismo e estelionato.

A esquerda não deve, enfim, aprender nada com os evangélicos - neopentecostais -, mas deve combatê-los, com unhas e dentes, lutando pelos direitos das minorias, pelo Estado Laico, pelo direito à educação, cultura, lazer e condições sociais decentes para toda a população, ou seja, a esquerda deve se manter como esquerda, garantindo o respeito às suas bandeiras históricas e não cedendo em nome de uma suposta governabilidade que, no fim, serve apenas aos propósitos de krents, banqueiros, ricos e aproveitadores de todos os tipos.
----
Agradecimentos ao futuro pastor e amigo @Paiva_thiago pela consultoria inestimável e eterna paciência!
----
Atualização:

Declaração de Crivella, da IURD e MINISTRO do governo, sobre sua querida presidente:
"A nossa presidenta e o presidente Lula fizeram a gente crescer porque apoiaram os pobres. E o que nos sustenta são dízimos e ofertas de pessoas simples e humildes", disse Crivella durante um evento da Convenção Nacional das Assembleias de Deus - Ministério Madureira, em São Paulo. "Com a presidenta Dilma, os juros baixaram. Quem paga juros é pobre. Com menos juros, mais dízimo e mais oferta."
Precisa dizer mais alguma coisa?
------

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Royalties do Petróleo, mais uma conversa pra boi dormir

 O imbróglio com os royalties do petróleo do pré-sal não chegou ao fim. Longe disso.

Dilma vetou artigo polêmico - e inconstitucional - do projeto aprovado pelos parlamentares e, para competar, editará uma MP revertendo todo o lucro de futuras explorações para a educação.

Parece bom, mas não é.

Em primeiro lugar, duas questões práticas: O Congresso não tem nenhuma obrigação de aprovar a MP e tampouco de manter o veto da presidente. Pode reverter ambos. E mesmo parlamentares do PT já demonstraram que irão vetar - que o diga os dos demais partidos fisiológicos agora que, aparentemente, secou a fonte do mensalão.

E, outra questão, quem garante que a MP que Dilma promete editar (repare bem no "promete", não se confia em Dilma para nada) não terá brechas intencionais para, como com a DRU, desviar esse dinheiro para, quem sabe, assassinar índios via apoio ao agronegócio?

Sem segundo lugar, há o problema da exploração do pré-sal. Porque explorar? Há alguns anos Lula fez propagandas mil anunciando que éramos autosuficientes (sem que isso, porém, evitasse aumentos abusivos na gasolina, por exemplo. Um discurso vazio e apenas propagandístico que, na prática, não serve para nada), então qual a razão para explorar o pré-sal?

E aí temos nossa terceira questão. O lobby das multinacionais que pagam os roylaties mais baixos do mundo (15% e não a média mundial de 70%) contra o monopólio da Petrobrás e pela privatização dos poços de petróleo que os funcionários da Petrobrás e especialistas denunciam há décadas, mas um processo de venda de nosso patrimôneo que foi mantido por Lula e será reforçado por Dilma.

Agora cabe também entender porque Dilma subtmente resolveu pensar na educação, algo que nunca foi prioridade dela, vide a criminalização dos professores das federais em greve, os salários ridículos que paga e etc...

O projeto dos parlamentares é inconstitucional. Este é o primeiro ponto. Eles não tinham como mexer nos poços já em exploração e cujos royalties já iam para o Rio, Espírito Santo e etc. O STF iria causar mais uma dor de cabeça pra generala. Segundo ponto é a perda de capital político que ela teria junto ao PMDB, causando enorme prejuízo à imagem de Cabral e Paes (não, Linbergh pe a putima de suas preocupações hoje, ainda que ele também fosse ser prejudicado), e o PMDB tem se mostrado cada vez mais rebelde (a fonte deve estar secando....).

Outro ponto deve ser lembrado também: Petróleo acaba, mas a educação, em tese, precisa ser constantemente "alimentada". Como ficará a educação quando o poço secar (literalmente)? Estamso falando de um recurso finito frente a necessidades infinitas. Não vou nem entrar na questão da poluição, do absurdo que é, ao invés de investir em recursos renováveis, continuar na exploração do petróleo, ainda mais baseado em privatização e lobby. O professor Alexandre Costa dá o recado nessa questão.

Por fim, quem garante que mais dinheiro de uma fonte duvidável necessariamente trará melhorias à educação e não será apenas mais uma fonte de corrupção e de desvio de verbas -de forma legítima ou ilegal?

Dinheiro no país não falta. Apenas para Belo Monte o governo está passando a mão em dinheiro do trabalhador na ordem de mais de 20 bilhões. Imaginem o que não poderia ser feito com essa grana se fosse aplicada na educação e não na destruição da Amazônia e no engordamento de bolsos privados!?

Vejam Macaé, uma das caitais do petróleo no país. O que mudou por lá, além da explosão demográfica e do acirramento de conflitos sociais e de disparidades - assim como Altamira, canteiro de obras de Belo Monte? Apenas dinheiro não resolve o problema da educação, como não resolveu de Macaé ou de outras cidades que recebem rios de dinheiro dos royalties. Nem do Rio de Cabral, que recebe bilhões e ao invés de investir em educação, quer derrubar colégio-modelo.

Não há absolutamente nada a comemorar na decisão política e interessada de Dilma, que não visa o social, que não tem como objetivo melhorar a educação e tão somente evitar mais uma disputa no STF e a perda de capital político de seus aliados.
------

sexta-feira, 16 de março de 2012

São Paulo e eleições: Vai melhorar com Haddad?

Comentário (ampliado) que fiz em post sobre a pane mais recente do metrô de São Paulo:

Só me pergunto uma coisa: Mudaria o que com gestão petista? Mudaria mesmo? Vão reestatizar a Linha Amarela? Agora que o PT entrou na onda das privatizações... Vão re-estatizar as estradas "concedidas" pelo tucanato - lembrando que o PT também "concede" rodovia?

Cadê o plano do Haddad (ainda que o metrõ seja alçada estadual, mas eleição municipal se aproxima)? Ele agora "reclama" e "acusa" que Kassab é criado Pitta e Maluf, oras, mas não era ele quem conversava com o Kassab pra ganhar seu apoio?

Kassab é um crápula, mas o PT o queria como aliado na sua vibe de "tudo pelo poder". Numa semana ele vai como convidado de honra para festa de aniversário do PT, na outra ele volta a ser canalha?

Sobre os "planos" de Haddad, que de concreto apenas anunciou uma medida absolutamente hipócrita e de socialização dos prejuízos de acabar com a taxa de inspeção veicular, que pdoe ser prenúncio da continuidade do incentivo/investimento em transporte individual:

Haddad irá suspender e enterrar a Nova Luz? Vai dar dignidade aos coitados tratados como lixo da Cracolândia? Vai propor a Tarifa Zero pro transporte público ou ao menos suspender aumento de tarifas abusivas (3 reais é dose) e até reduzir o que pagamos no meio tempo?

Vai amplair transporte público? Garantir salário digno pros professores municipais? Enquadrar a violentíssima GCM e não usar força para desalojar ocupações? Vai acabar com a farra da GCM armada, mesmo que com armas "não-letais"?

Será que Haddad vai fazer alguma coisa contra as enchentes constantes e comuns na cidade sempre que chove por 30 segundos?

Ou, no fim, vai fazer como o governo federal e cortar "despesas" com o social e com o necessário para fazer caixa e esbanjar na propaganda - como o quase-aliado Kassab faz? Haddad vai prometer, prometer - como fez Dilma - pra no fim se aliar com fundamentalistas e aprovar de vez o "Dia do Orgulho Hétero" na cidade? Tudo com direito a uma tropa de choque de milicianos fanáticos justificando todo e cada recuo.

E os albergues fechados pelo Kassab, serão reabertos e terão qualidade? A população em situação de rua será tratada como gente?

Faço todas essas perguntas porque naquilo que São Paulo tem em comum com outras cidades e mesmo estados governados pelo PT ou aliados, NADA melhorou. Taí professor tendo ponto cortado em PE/Recife do PSB/PT, professor com PIOR salário no RS do PT, estudante apanhando da PM em protesto contra tarifas absurdas no PI de aliado do PT...

Aliás, o que vi até agora em termos de "plano de governo" ou propostas sérias se resume a petistas dizendo que vale tudo pra vencer e fazer ponte pra tirar o PSDB do governo estadual com a máquna da cidade.

Que me desculpem, mas tirar o PSDB pra colocar o PSDBdoB (um PT com projeto semelhante ou igual ao do PSDB/PSD ou o diabo que governa São Paulo hoje) faz diferença?
------

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Governo Dilma e corrupção, a inocência dos tolos

E lá se vai mais um ministro do governo Dilma. Se demitiu para não ser demitido. A causa? Corrupção. Caiu Wagner Rossi da Agricultura e do honestíssimo PMDB.

Antes dele, por corrupção, claro, já tinha rodado o Alfredo Nascimento, do também digno e honesto PR do defensor do Estado Laico, Valdemar da Costa Neto, e do também defensor da ética e da justiça, Magno Malta.

Palocci rodou. Corrupção, claro. O Jobim, neste meio, acaba sendo um exemplo. Não caiu por corrupção, ou ao menos caiu antes que descobrissem seus podres, pois já notaram que algo fede nas Forças Armadas e tem general no meio.

Jajá cai o do Turismo. Causa? Corrupção. E logo cairão outros.

Mas alguns irão se sustentar, com ou sem denúncias, afinal, Dilma precisa colocar gente do PR, do PMDB e de toda a sopa de letrinhas aliada em algum lugar (e não no DEVIDO lugar, para a "casa do carvalho", como diria o Marcos Bagno) que, não precisa ser gênio, vai continuar a garantir ampla distribuição de renda... para seus parentes e aliados.

O engraçado é que tem muita gente (e muito petista, claro) que fecha os olhos. Alguns até ensaiam uma pequena revolta, dizendo que o PMDB tem mesmo gente ruim, o PR também, mas pela governabilidade alianças são necessárias. O que não falta é "progressista" publicando a carta de despedida (que já vai tarde) do ex-ministro da agricultura como se o pulha merecesse qualquer respeito.

---
Apenas um raciocínio rápido: Se estamos tratando de um partido supstsamente dos trabalhadores, o que justifica tanto "patrão" nas mais altas esferas de poder? Cadê os cargos (e não falo de terceiro escalão ou cargo simbólico, mas cargos decisórios, com poder efetivo) pra lideranças dos movimentos sociais? Ah, tão nas mãos do PMDB, do PR e de toda a corja "aliada" - enquanto tiver dinheiro.

Os movimentos sociais precisarem fazer as MESMAS manifestações que faziam com FHC deveria ser suficiente pra exemplificar o caráter deste governo.
---

Outros ainda apontam o dedo pra um suposto moralismo, afinal, TODOS roubam, né?

Ah, a "governabilidade"! A palavra não tem as treze letras do Zagallo, vai ver que por isto é maldita.

A estes que bradam "Moralismo" eu pergunto, roubar não seria imoral (se aceitarmos a idéia de "moral" para a discussão, termo que repudio) e algo imoral seria naturalmente ruim?? Ou a história ficou de ponta-cabeça e agora o cool é ser imoral, assim como ser ambientalista de shopping, estilo Marina Silva?

Se "moralismo", com a conotação carregada de ódio e rancor que alguns petistas usam, é denunciar a corrupção, roubar seria o que? Legítimo? Necessário? Ou talvez justificável?

Afinal, é preciso compor alianças custe o que custar. Claro, vamos passara borracha no comportamento do PT quando era oposição, quantas denúncias de corrupção não fez! Mas hoje não pode.

E as alianças custam caro.

Eu me divirto com o grupo que repete ferozmente que Dilma se equivocou, que "escolheu errado". Oras, errar é humano, errar 4 vezes (até agora) também deve ser... Será?

Estamos mesmo falando em constantes e eternos... erros? Nomeações feitas por Michel Temer, nomeações feitas pra contentar partidos fisiológicos... Mas, realmente, apenas "erros".

Claro, não faltou quem dsisesse: "Mas o Wagner Rossi é da cota do Michel Temer"! Justo, mas quem é mesmo a presidente? Quem é que manda nessa brincadeira?

E, antes que me esqueça, existe um outro grupo, o que aponta o dedo para a mídia. Tudo é culpa do PIG. Sim, tem até jornalista e "progressista" dizendo que quem demitiu o Rossi foi o Serra!

Mas, admito, muita coisa é culpa do PIG, de manipulação descarada. E este PIG não tem caráter, acusa hoje aqueles que no governo retrasado (FHC) eram seus amigos e aliados. Questão é saber quem traiu primeiro, se estes políticos que se debandaram para a suposta esquerda ou a mídia, que os acusa de seus crimes, que antes acobertava. Não há mesmo honra entre ladrões.

Sejamos honestos, TUDO é culpa do PIG? Um ministro honesto se demitiria porque o PIG quer? Jobim foi demitido porque o PIG quis? Alfredo Nascimento é tão honesto que mesmo assim a pressão do PIG fez seu trabalho e ele não passa de um pobre-coitado inocente?

Eu deixo logo claro: Parto do princípio, sempre, de que quem se filia a DEM, PSDB, PR, PMDB e semelhantes não tem, desde o princípio, intenção de ser exatamente honesto ou muito menos ter preocupação com o social, com o povo... Claro, que, para provar a regra, sempre aparece um ou outro, mas caso raro, digno de nota. Um raro antigo militante do PMDB histórico anti-Ditadura, por exemplo.

Me lembro do saudoso Fausto Wolff - de quem deveria falar mais, citar mais, pois devo muito às leituras de seus textos boa parte de meu senso crítico - que costumava chamar a corrupção o maior dos males. Coitado, hoje estaria sendo acusado de moralista e até de coisa pior!

Era o Fausto quem gostava de comparar o político corrupto com o assassino, e assino embaixo:
"E, entretanto, eu lhes pergunto: qual a diferença entre assassino que mata a vítima num assalto e o político corrupto que manda um milhão de dólares para o exterior sabendo que está condenando centenas de crianças à morte pela fome? A diferença é que o bandido que sempre foi tratado como cachorro louco e acaba reagindo como tal é ignorante e arrisca a vida; o assassino de colarinho branco o máximo que arrisca (os mensaleiros com exceção de três já estão em campanha eleitoral) é a perda do mandato."
Pois é. É em grande parte culpa do político corrupto os piores males da sociedade. Se não há dinheiro para obras sociais (mentira, o dinheiro existe, só não chega a qem deveria), se não há dinheiro para escolas, para a educação e para se educar o povo, ao invés de deixá-lo apático em frente à Rede Globo, a culpa é toda do político corrupto.

Mas não se enganem, a culpa também é de quem dá poderes ao político corrupto. Não dá pra dizer que todo funcionário corrupto seja de responsabilidade da chefia, mas todo funcionário/subordinado INDICADO/NOMEADO pela chefia que rouba é sim da responsabilidade do andar de cima.

Fazer "faxina" depois que a farra com o dinheiro público já foi feita, pra disfarçar, é muito fácil.

-----
Neste meio tempo a educação brasileira fica entregue às moscas. Incentivos para UniEsquinas não faltam, mas dinheiro para as universidades públicas, federais? Este não existe. As novas universidades federais já nascem precarizadas, contratação de professores só como temporários. Os salários são uma miséria, uma vergonha.

E, em alguns casos, as universidades e Isntitutos Federais chegam ao ponto de não ter sequer banheiros. Vejam a denúncia estarrecedora feita por funcionários e professores do Instituto Federal de Alagoas (IFAL), em Murici:




Carta_de_Murici IFAL
------