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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O que significa o "desenvolvimento sustentável" e o "crescimento acelerado de nossa economia"

Dilma declarou recentemente no Fórum Social Mundial que o objetivo de seu governo é meramente distribuir renda através do crescimento acelerado da economia, significado, para ela, de desenvolvimento sustentável.
No meu governo, quando falamos de desenvolvimento sustentável, eu quero dizer aqui de forma clara no que estamos falando. Para nós desenvolvimento sustentável significa crescimento acelerado de nossa economia para poder distribuir riqueza. Significa criação de empregos formais e expansão da renda dos trabalhadores. Significa distribuição de renda [...]
É bom saber do que falamos e do que pensa nossos inimigos - sim, considero Dilma uma inimiga.

O que podemos interpretar de tal declaração?

Em primeiro lugar que Dilma fala em desenvolvimento sustentável, mas parece não saber o que isto significa.

Foi o melhor termo que ela e sua equipe encontraram para tentar agregar diferentes setores em torno do seu projeto de desenvolvimento. Sim, só desenvolvimento, e mesmo quanto a isso pairam inúmeras dúvidas.

Especialmente na questão do "desenvolvimento para quem"?

Como bem apelidou o Eduardo Viveiros de Castro, Dilma nada mais é que uma "altercapitalista". Teve a cara de pau de em pleno FSM declarar que o "outro mundo possível" é este mesmo, o do capitalismo.

Mas talvez um [capitalismo] mais "humano". Bonzinho, porque não?

Não sei o que ela e o Eike Batista andam fumando, mas sem duvida é algo que eu não tenho condições de comprar pra viajar da mesma maneira e com tanto gosto. Infelizmente eu só poderia (não posso, é ilegal, né gente?) comprar uma maconha vagabunda na esquina e comemorar os 3 minutos de "prazer" e o resto de dor de cabeça.
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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Crise grega: Papandreou é o Jânio Quadros que deu certo?

O primeiro-ministro grego, Giorgos Papandreou, venceu mais uma no seu teatrinho grego perfeitamente encenado. Conseguiu sua esperada aprovação no parlamento, que reafirmou mais uma vez sua confiança no governante. Uma vitória para ele, para a União Européia e, principalmente, para os bancos.

Há alguns dias Papandreou surpreendeu o mundo com o anúncio de que iria realizar um referendo para que a população decidisse se a Grécia iria aceitar os termos impostos pela UE para o salvamento (sic) do país.

Revolta de um lado, surpresa do outro, muita confusão... Mas, no fim, uma farsa muito bem ensaiada. Papandreou é o Jânio Quadros que quase deu certo.

Suas bravatas, ao contrário das do ex-presidente brasileiro, foram engolidas. Não pelo povo, mas pelo parlamento, o que escancara que tipo de democracia a Europa adotou para resolver seus problemas.


Primeiro ato

Sua tentativa-farsa de um referendo para que a população decidisse o futuro da Grécia, o pagamento das dívidas feitas e a aceitação de novos "pacotes" financeiros lembrava em muito os referendos feitos na Islândia em que a população soberanamente decidiu que não iria aceitar pagar pelas dívidas contraídas por seus bancos.

Os islandeses se recusaram a permitir que o governo pagasse, com dinheiro do povo, o rombo que seus bancos causaram. Os bancos eram os responsáveis e não cabia à população pagar pelos prejuízos que especialmente o Reino Unido e a Irlanda tiveram. E as "terríveis conseqüências" anunciadas por estes e outros países, até o momento, não se concretizaram.

Hoje, a Islândia está em franca expansão, com uma constituição escrita colaborativamente pela população e experimentando os benefícios da democracia participativa, e não a "democracia" dos bancos e das organizações financeiras internacionais.

Uma derrota doída para o mercado que, obviamente, não podia permitir uma repetição que se tornasse a regra.

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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Cidadania ou a eterna necessidade de consumir

Assistindo ao programa de entrevistas do Rodrigo Vianna na Record News com o Plínio de Arruda Sampaio e o Igor Fuser (os três são pessoas pelas quais nutro grande admiração), pude ter uma verdadeira aula sobre crise do capitalismo e, claro, a visível crise da esquerda, incapaz de se re-inventar e tomar a frente nos vários protestos que surgem pelo mundo.


Nos países árabes lideranças despontavam por todos os lados, localizadas, específicas, mas incapazes de guiar os rumos de uma massa que queria mudanças, mas não inha programa.

Na Inglaterra vê-se uma total falta de organização. Protestos legítimos e insatisfação explosiva se misturando com atos reprováveis devandalismo (mesmo que frente ao vandalismo do governo na entrega de dinheiro público aos bancos e na violência injustificável da polícia contra o povo) e uma esquerda que não existe.

Conservadores, liderados por Tatcher dilapidaram o Estado inglês e todo o processo foi aprofundado ou ao menos continuado por Blair e os trabalhistas que de esquerda não tinham nada. Hoje a direita permanece no poder, apenas mudou o partido, e a esquerda não sabe o que fazer.

Na Espanha, os indignados demonstram a mais completa insatisfação com a política tradicional e com os partidos, onde PP e PSOE são faces da mesma moeda. Partidos neoliberais, privatizantes e dispostos a fazer de tudo para salvar os bancos - mas não o povo. Na falta de uma alternativa viável, resta a indignação que dificilmente evitará uma vitória acachapante do PP nas eleições de novembro. PP ou PSOE são a mesma coisa e nenhuma alternativa parece estar sendo criada e nenhum outro grupo ou partido conseguiu capitalizar a insatisfação popular.

No Chile a situação é um pouco diferente, a politização (mesmo partidarização) da população é imensa, mas ainda não se sabe que reflexos os protestos trarão em termos eleitorais ou se haverá real mudança no quadro político e mesmo social chileno.

E aqui no Brasil, vemos movimentos aparelhados, CUT demonstra insatisfação contra o governo apenas nas páginas de jornais, a UNE faz o mesmo, discordâncias pontuais não passam de notinhas e reclamações inócuas, no resto do tempo o mesmo apoio cego e inconsequente de sempre.

Parte da esquerda está disposta a apoiar tudo em nome de um governo francamente de direita, mas com um verniz avermelhado pelas políticas sociais que escondem intenções não tão nobres.

Políticas compensatorias, quando emergenciais, são corretas, mas no governo Lula/Dilma viraram perpétuas, pois não há qualquer planejamento para se ir além. E nem haverá qualquer lanejamento sério, pois, como analisou Plínio no programa,  o governo prefere manter o povo amarrado e fiel, não quer emancipá-lo, coisa ue demanda trabalho, demanda dinheiro, tempo e paciência e, acima de tudo, demanda peitar interesses poderosos.

O governo mantém o povo refém de suas políticas compensatórias ao tempo em que garante lucros históricos ao empresariado. Se é verdade que o poder aquisitivo melhorou, muita gente saiu da miséria, por outro o fosso entre mais ricos e mais pobres continua igual ou maior.

E as políticas compensatórias do governo tem apenas a intenção de manter esta realidade. Basta fazer o cálculo. Você dá uma especialização mínima ao povo, manda para uma UnieEquina e entrega funcionários baratos para indústria.

Deixo claro, eu sou a favor de Bolsa Família, de ProUni, mas, como já exaustivamente escrevi sobre neste blog, garantindo emancipação popular, garantindo saídas, garantindo cidadania.

O modelo atual é perfeito para a perpetuação do capitalismo, porque no meio tempo você "insere" via consumo a população mais pobre, incutindo a "necessidade de consumir" como se isso fosse cidadania. E parte da esquerda aplaude, achando que isso é uma revolução.

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Aos que estranham a ausência de postagens, informo que estou num período de muito trabalho no mestrado, com entrega de artigos, relatório parcial pra FAPESP (agência de financiamento) e futura viagem para Recife para apresentar trabalho na Intercom.
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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Cinema e Novela como instrumentos de mudança: Carne, Osso & Amor e Revolução

Não sou um crítico de cinema, de novelas ou de qualquer coisa do tipo. Assisto ao máximo de filmes que posso, especialmente os políticos. Mas me sinto na obrigação de recomendar um excelente documentário, que concorre ao prêmio na Competição Brasileira do É Tudo Verdade de 2011.

"Carne, Osso", produzido pela ONG Repórter Brasil - coordenada pelo Leonardo Sakamoto, que muitos devem conhecer - é um soco no estômago.
Na esteira do aumento do consumo de carne e frango no País e da exportação alcançada pelos frigoríficos brasileiros, as jornadas de seus trabalhadores vêm se tornando cada vez mais estafantes, penosas e perigosas. A exigência de um rendimento crescente nas linhas de produção obriga os funcionários a uma rotina progressivamente mais rápida, implicando a realização de diversos movimentos repetitivos por minuto, o que vêm levando a inúmeros problemas de saúde. Tendinites, dores, artroses, atrofias de nervos, problemas de juntas e de coluna integram o quadro de doenças profissionais do setor, muitas vezes responsáveis pela incapacitação de diversos empregados – alguns deles, não só para funções no mercado dos frigoríficos, mas para todo e qualquer trabalho, em faixas etárias relativamente jovens.
R: CAIO CAVECHINI | DF: LUCAS BARRETO | C: LUCAS BARRETO | SD: CARLOS JULIANO BARROS | M: CAIO CAVECHINI | Mu: ANDRÉ CAMPOS | P: MAURÍCIO HASHIZUME | PE: CARLOS JULIANO BARROS | CP: ONG REPÓRTER BRASIL | 

A descrição não consegue descrever perfeitamente o filme. Só assistindo aos depoimentos de quem passou anos trabalhando na indústria, nos frigoríficos, e perdeu o movimento dos membros, se feriu gravemente, perdeu membros e sofreu profundos danos psicológicos para compreender a situação.

Ao invés da tradicional ótica sobre o alimento em si, dos vários filmes e documentários que tratam da situação pela ótica do animal, ou melhor, pela forma que a ave, o bovino e etc são tratados na hora do abate e antes, uma visão sobre o ser humanos, sobre quem processa, prepara o alimento.

Longas horas de trabalho em ambiente inóspito, gelado, sem condições de segurança. Pressão por metas desumanas, com poucos segundos para a execução de intermináveis movimentos repetitivos, nenhum tempo sequer para ir ao banheiro, conivência de médicos das empresas... São apenas alguns pontos tratados pelo filme, cuja base é a entrevista com vítimas, ex-trabalhadores, agentes e fiscais do trabalho e juízes, tudo intercalado por imagens do interior das fábricas, do serviço desumano.

Mas além do valor como documentário, o filme tem valor artístico, com uma gravação primorosa e uma fluidez ímpar.

Segundo o Sakamoto me disse, o filme será disponibilizado na rede assim que participar de mais dois festivais - internacionais - de documentários. Recomendo que todos fiquem de olho e divulguem esta produção fantástica.

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Mas se não sou crítico de cinema, o que falar de novelas. A última que assisti deve ter sido ha mais de 15 anos. Não gosto da linguagem, da atuação e nem da obrigação diária, do comprometimento de estar todo dia disposto e livre para assistir.

Mas resolvi topar o desafio dar uma chance à nova novela do SBT, Amor e Revolução. E tive uma grata surpresa.

De fato, em geral algumas atuações sofríveis (especialmente entre o elenco jovem), uma linguagem que não me agrada muito, mas o tema - a Ditadura Militar - e a música (Chico, Milton, sucessos da MPB anti-Ditadura) me deixaram grudados na TV.

Se por um lado é verdade que as novela são o veículo preferencial do Capital vender seus produtos e passar sua mensagem, por outro, também podem ter uma função social (as novelas comprovadamente ajudaram a reduzir a taxa de natalidade no país durante muitos anos), e sem dúvida, mostrar a verdade sobre os "Anos de Chumbo", a tortura, os desaparecimentos e perseguições se encaixa neste quesito.

A novela não só mostrou de forma nua e crua a realidade do período, como ainda terminou o capítulo com o depoimento emocionante de Amélia Telles, presa, torturada em frente aos seus filhos, pela Ditadura.

A direita e os milicos de pijama (além do Bolsonaro) devem estar espumando de ódio. Isso é excelente!

Já as conjecturas de muitos, sobre os reais motivos para o SBT do malufista Sílvio Santos produzir uma novela de esquerda pouco importam. Se é para agradar o PT ou não (que salvou o Sílvio há algum tempo), a verdade é que desagrada a direita e resgata a nossa história, sem cortes, sem suavizar.

É disso que precisamos agora. Criar o debate, fazer o povo comentar, se indignar, questionar o porque da não-punição até hoje, da impunidade. Quem sabe - não custa sonhar - a novela crie interesse mesmo sobre a própria esquerda, sua ideologia, ideais...?

Pelo que vi, o IBOPE do primeiro capítulo foi, para os padrões do SBT, excelente. Terceiro lugar em São Paulo, segundo em Minhas e DF...

A novela, sem dúvida, pode e vai gerar debate na sociedade e pode contribuir para acelerar a criação da Comissão da Verdade e para que se abram os arquivos da Ditadura, se seguir pelo caminho que apontou no primeiro capítulo.
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segunda-feira, 28 de junho de 2010

Skaf e o Socialismo Empresarial ou Porque Pagar pela USP

Político brasileiros costumam procurar caminhos mais fáceis para tudo. Raramente atacam problemas, mas dão a volta, esperando que o problema se resolva "naturalmente" ou, ao menos, que este seja esquecido.

Medidas paliativas são diferentes de medidas que visam apenas esconder as desigualdades.

Cotas para negros são paliativos emergenciais que devem ter prazo de validade, o problema real é a exclusão social. Outro problema é o da educação de base, é um paliativo garantir aos poucos que conseguiram terminar a escola um lugar na universidade, mas o problema principal está na escola básica.

Deve-se, no longo prazo, investir no ensino básico, em política de inclusão desde a infância, em inclusão social, em renda... De fato, o governo atual vem dando alguns passos - ainda que tímidos - nesta direção.

No geral, o governo Lula já fez mais do que qualquer outro governo anterior. Mas é pouco. Falta ainda um projeto de longo prazo que busque efetivamente diminuir as desigualdades mais profundas.

Não deveria surpreender à ninguém que um empresário voraz como Paulo Skaf defenda que até mesmo uma universidade pública seja paga. Os DemoTucanos defendem o mesmo desde sempre. Assim é a direita, só estuda quem pode pagar. Aos pobres cabe a resignação. Que trabalhem duro para saírem da merda!

Como Skaf está no PSB, um partido que, ao menos no nome, é Socialista - o que não quer dizer muita coisa, vide o PPS -, resolveu amenizar o discurso: Tem que pagar pra estudar, mas só quem pode pagar.
O empresário Paulo Skaf disse, na convenção do PSB paulista que oficializa sua candidatura ao governo de São Paulo, que pretende fazer com que alunos da USP (Universidade de São Paulo) que tiverem condição financeira, paguem para cursar a universidade.

"Na hora de entrar na USP, quem estuda? Filho de rico ou filho de pobre? Quem pode pagar, deve pagar sim", afirmou.
A idéia inicial é ridícula, mas denuncia uma característica comum nas universidades públicas: De fato, a maior parte dos que nela estudam são os que vieram de escolas particulares, são da classe média e, em teoria, poderiam pagar por uma universidade particular. Salvo algumas exceções, as públicas são, de fato, as melhores.

Mas, Skaf ataca apenas o problema momentâneo, o agora. E, obviamente, não resolve problema algum.

Se é verdade que os mais ricos por vezes são os que tem maior acesso às universidades públicas, também é verdade que cobrá-los não vai fazer diferença ALGUMA aos que não tiveram condições de chegar lá. No que cobrar quem pode pagar fará com que quem não pode chegue até a universidade?

Fazer com que os ricos e os nem tão ricos paguem - já temos outro problema, quem irá pagar? Qual o critério? - apenas resolve o problema posto por um capitalista voraz: O de teoricamente fazer o Estado não ter "prejuízos" ao dar algo de graça: Educação. É o Estado mínimo de uma forma ou de outra.

No fim das contas, os filhos dos ricos continuam no mesmo lugar, os pobres idem. Os pobres continuam fora da universidade, mas os ricos passam a pagar por ela. É a mais pura lógica capitalista: Manutenção das eternas desigualdades e Estado sem qualquer responsabilidade, sem qualquer presença. É o primeiro passo para a privatização final do ensino.

Os ricos permanecem usufruindo da qualidade superior de ensino, não dão "prejuízo" ao Estado, e os pobres continuam no limbo, de onde jamais deveriam ter saído. Mas, quem sabe, não ganhem uma vaguinha cativa nas empresas ligadas à FIESP?

Uma idéia tão inteligente só poderia ter vindo do mais novo socialista da praça, o mais novo adepto do Socialismo Empresarial, algo tão tosco que só poderia ter vindo do casamento entre um líder do empresariado e um partido cujo "Socialismo", pelo visto, fica só no nome.

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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Quando privatizarão o ar?

Dentro em pouco o ar que respiramos será privatizado. Cada respiração equivalerá a 1 centavo a ser pago mensalmente ao primeiro que convencer o governo a vendê-lo por um preço que encha o bolso de nossos parlamentares.

Ao menos, dentro em pouco, o nome "ar" será patenteado por algum espertinho e os EUA, em troca de algum favor ou soma, aceitará avalisar esta piada - ora, depois de apoiar Israel acredito em qualquer coisa daquele povo.

Parece loucura? Bem, talvez, mas aqui no Brasil o nosso Congresso pode proibir que palavras como "patrocínio", "olimpíada", "jogos olímpicos" e, pasmem", "2016" ou "medalha" sejam usadas sem que royalties sejam pagos ao Comitê Olimpico Brasileiro.

O absurdo está explicado no site do Congresso em Foco, neste link, e todos podemos rir enquanto isto também não for privatizado!
Isso é o que acontecerá se for aprovada a proposta do presidente das duas entidades, Carlos Arthur Nuzman. No final do ano passado, de forma discreta, ele enviou ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), sugestões para alterar duas leis que regularão os jogos para assegurar direitos de exclusividade para todas as expressões diretamente relacionadas com as Olimpíadas de 2016.

Se as autorizações sugeridas por Nuzman forem acatadas, será necessária autorização dele para utilizar, até o encerramento dos Jogos de 2016, expressões que estão incorporadas à cultura ocidental há milênios, como “Olimpíadas”, “Jogos”, “Olímpicos”, “medalhas”. A restrição vai além. Atinge até o numeral “2016”. Mais do que isso: poderá ser necessária a aprovação de Nuzman para usar o nome da cidade do Rio de Janeiro – sob pena de responder a processo judicial por perdas e danos e concorrência desleal –, já que a palavra “Rio” também consta na lista de restrições do COB. Até mesmo o termo “patrocinador”, usado por um sem número de diferentes atividades comerciais, está na lista.
Eu, como carioca, terei de pagar ao digníssimo Nuzman para usar o nome da minha cidade!

Claro, não cheguemos ao exageiro, mas um radicalismo boçal como o proposto exige o combate mais radical possível - e comparações idem.

O pior de tudo não é a sanha patenteadora do COB e dos comparsas parlamentares, mas a surdina. A tentativa de, sem qualquer publicidade, tornar privado nomes e símbolos brasileiros e mundiais. Sem que o povo sequer ficasse sabendo, tornar privado bens imateriais, nomes, símbolos do país e de todo o mundo.

Mas não surpreende, nada disto surpreende em um mundo em que até mesmo códigos genéticos são patenteados por empresas atrás de lucro.
No ofício (2890/09) expedido em caráter de urgência pelo CORio 2016, no último dia 14 de dezembro, Nuzman justifica o seu pedido para ampliar as exigências do Ato Olímpico para “melhor proteger as marcas, símbolos e as designações relativas aos Jogos Rio 2016”. Em março deste ano, em outra carta-ofício (550/2010), o dirigente esportivo reitera que o pedido é urgente. As alterações sugeridas pelo cartola demonstram o aparente intuito de controlar a produção acadêmica e cultural de pesquisadores, escritores e especialistas dedicados ao movimento olímpico. E aí se encontra outro ponto controverso.
Nas cartas, Nuzman solicita a Sarney a supressão da parte final do parágrafo segundo do artigo 15 da Lei Pelé, “de modo que nenhuma entidade em território nacional possa fazer uso das expressões ‘Olímpica’ e ‘Olimpíada’ e suas variações, ainda quando se tratar de eventos vinculados ao desporto educacional e de participação”. E a recente derrota sofrida por Carlos Nuzman na Justiça pode ajudar a entender sua atitude. 
Os jogos olímpicos, que começaram com o ideal de superar fronteiras, conflitos de todo tipo e que até param guerras - ou deveriam - foram substituídos pelo mercado, pelos interesses de grupos em lucrar com o evento. Não mais a união dos povos em uma competição saudável, mas a competição pura e simples do mercado, de mercados, por lucros.

Carlos Arhtur Nuzman enterrou de vez o Espírito Olímpico, ou melhor, está disposto a vendê-lo pelo melhor preço.


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segunda-feira, 16 de março de 2009

Corporate Genocide

"Corporate genocide is the mass cooperation of a business-led military invasion, where a population is sacrificed for the economic profit of the invader. A corporate genocide goes beyond blind hate and killing innocent civilians to gain power and territory. In pursuing its economic strategies, the US has caused the death and injury, deliberate or not, of millions of Iraqis."

Via The Angry Arab


"Rape, indiscriminate killings and torture are all elements of genocide, but the situation in Iraq goes beyond that, fitting the description of something that is more 21st-century - a corporate genocide.

In stating that Iraq's genocide is distinct, the point is not to reduce the relevance of previous genocides or leave similar slaughters in other regions unacknowledged.

Rather, it is to recognise that while the perception of genocide in Iraq is not new, the extent to which it is now a valid belief is.

Corporate genocide is the mass cooperation of a business-led military invasion, where a population is sacrificed for the economic profit of the invader. A corporate genocide goes beyond blind hate and killing innocent civilians to gain power and territory.

In pursuing its economic strategies, the US has caused the death and injury, deliberate or not, of millions of Iraqis."

Via Al Jazeera


Interessante conceito. Aplicabilidade em todo mundo e em qualquer lugar que possamos imaginar... Não é preciso ficar só com o conceito de "invasão militar", vários países cometem este tipo de ato contra seus próprios, usando seu próprio exército na tentativa de abrir mais espaço (limpeza social) para as empresas multinacionais explorarem recursos naturais...


É extremamente comum.



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