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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Fotos e vídeo da Marcha pelo Estado Laico - #EstadoLaicoJa

O Brasil é um Estado Laico, isso é, um Estado sem religião oficial, que não prega nenhuma religião, sendo esta de livre escolha de seus cidadãos. O termo laico remete-nos, obrigatoriamente, à idéia de neutralidade, indiferença.
O grande problema é que recentemente a religião tem interferido na política e em outras areas de uma forma assustadora. Recentemente o juíz de Goiás Jeronymo Pedro Villas Boas anulou uma união estável entre pessoas do mesmo sexo e disse que “agiu por deus”. Outro caso que chama a atenção também é um projeto de Lei criado pelo prefeito Eduardo Paes no qual torna o ensino religioso algo obrigatório em cerca de 1.063 escolas municipais da cidade do Rio de Janeiro, o que poderia fazer alunos de religiões minoritárias serem discriminados, já que possivelmente só iriam ministrar aulas de cristianismo.
Discussões sobre aborto, liberdade religiosa, união civil entre pessoas do mesmo sexo, descriminalização da maconha e etc deveriam, dentro desse contexto de laicidade, ser discutidos sem a argumentação embasada em escrituras religiosas. Por isso convocamos pessoas de todas as religiões a manifestar o nosso desejo de um Estado Laico de fato.
Judeus, Budistas, Umbandistas, Católicos, Evangélicos, Espíritas e pessoas de todas as outras religiões estão convocados, assim como ateus, agnósticos a marchar por um Brasil Laico de fato.
Éramos entre 200 e 300 manifestantes numa gélida tarde de domingo na Av. Paulista marchando pelo Estado Laico, pelo nosso direito de não sermos bombardeados por propaganda e pregação religiosa na TV, nas escolas, nos locais públicos e, acima de tudo, pelo nosso direito de professar a religião que quisermos, ou mesmo de não termos religião alguma e de não termos nossos comportamentos, orientações ou costumes pautados pelo que medievalistas pensam ou acham.

A marcha serviu também para denunciar o uso de verba pública na promoção do proselitismo cristão e na imposição do cristianismo nas escolas e locais públicos, como tribunais e repartições.
Munidos com bexigas pretas e cartazes que exortavam o avanço das ideias fundamentalistas na sociedade e nos parlamentos ao redor do Brasil, os ativistas ocuparam a Avenida Paulista por volta das 16h30. Estavam presentes ativistas do movimento LGBT, feministas da Marcha Mundial das Mulheres, representantes de religiões afros e anarko punks.

Os manifestantes protestaram contra o uso de canais de televisão pelas igrejas. Na opinião dos ativistas, o uso desses canais serve para "disseminar ódio e preconceito" e que tal fato deveria ser banido, visto que o canal de televisão é uma concessão pública. Já as feministas pediram para decidirem sobre o seu corpo e o direito de abortar.
Era um movimento plural, reunindo desde membros do movimento LGBT, passando por ateus, até feministas e membros de religiões não-cristãs constantemente atacadas especialmente pelo fanatismo evangélico, como as religiões afro.

Éramos 300 na Paulista, mas éramos milhares nas redes sociais. Quase 20 mil apoiando a marcha no Facebook, outras marchas acontecendo pelo Brasil e, no Twitter, alcançamos os trending topics com a tag #EstadoLaicoJa, com mais de 15 mil tuitadas.

Ao som de "Não é Mole Não, Estado Laico Tá na Constituição" e "Menos Religião, Mais Educação", entre outros "gritos de guerra", a marcha seguiu por toda a Paulista. 

Um sucesso, sem duvida, devidamente ignorado pela maior parte da grande mídia, mancomunada com igrejas e templos ou mesmo parte do mesmo grupo francamente empresarial.

Fotos do protesto:








E o vídeo que fiz com os discursos durante a concentração para a Marcha:

Recomendo também o vídeo postado pelo Bule Voador:
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sábado, 28 de maio de 2011

Pastor Marco Feliciano: Seriam os filhos de Jesus... os X-Men?

Quando você recebe um tuíte desses, o que faz? Se for do @Paiva_Thiago, ABRAM! Eu não podia esperar para o que viria, um choque!
Melhor que isto, apenas a "explicação" absolutamente científica para a sandice da figura (e eu pensando que esse povo era criacionista, odiasse biologia, não acreditasse na gravidade porque é coisa do capeta e etc...):

O pastor Marco Feliciano lançou uma enquete em seu Twitter ensinando aos internautas que se Jesus Cristo houvesse casado, poderia ter nascido uma raça superior.
O deputado federal tentava explicar que, como Cristo não era filho só de humanos, se Ele tivesse um filho seria uma outra raça. “Possivelmente o envolvimento carnal dele com uma mulher poderia culminar com o nascimento de um outro ser, que teria um DNA diferente do normal,” escreveu.
Aos seus seguidores ele explicou que o cromossomo Y vem do macho e o X da fêmea, como Jesus Cristo nasceu de Maria, o cromossomo X veio dela e o Y de Deus.
“Portanto o DNA de Jesus não era como o nosso. Ele tinha cromossomos X, todavia os cromossomos Y não eram humanos. Ele era em si Homem e Deus!”
As primeiras reações no Twitter eram esperadas:






Mas, apesar de toda a graça da situação, NÓS sabemos o quão imbecil é tal declaração, por "n" motivos, a começar pelo uso deturpado da ciência, pela ignorância de acreditar que Jesus - se existiu - nasceu de uma virgem (mas aí que os teólogos percam seu tempo) e, finalmente, algo que me pareceu absurdo, considerar que deus - pros que acreditam - teria DNA! Como assim?

E, pior de tudo não é a piada involuntária desta figura grotesca, deste marginal da fé, homofóbico, racista e ladrão, e sim que ele tem seguidores! Tem milhares de pessoas que caem na lábia deste infeliz e que, inclusive, o elegeram deputado apenas para que ele possa escarnecer da nossa constituição, pregando ilegalmente um Estado religioso medieval!

Podemos rir, mas logo depois devemos é nos desesperar.;
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A menção ao Pastor Zangieff (ou Pastor Pilão) se deve a este vídeo que é inteiramente hilário, mas fica melhor a partir dos 2 minutos.


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domingo, 22 de maio de 2011

Sobre religiões, práticas e tolerância, uma tentativa de diálogo

No começo de fevereiro, escrevi para o Amálgama o post “Quando confunde-se religião com práticas” em resposta a outro artigo, de Amâncio Siqueira, sobre as práticas religiosas e, em especial, sobre o Islamismo.
Considero ainda hoje as análises feitas sobre o Islamismo extremamente “orientalistas”, para citar Said. O cristianismo acaba sendo criticado, mas de forma mais branda, afinal, somos herdeiros desta cultura, a conhecemos muito bem. Mas já aquilo que desconhecemos sempre parece mais radical, mais terrível, mais grotesco e perigoso. Nada mais falso.

Minha resposta foi dada, enfim.
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Recomendo vídeo postado no Bule Voador sobre as interpretações incorretas no Corão e o preconceito que existe contra muçulmanos e sua religião.
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Mas eis que, em 20 de março, Eli Vieira escreve um post para o excelente blog ateísta Bule Voador rebatendo minha posição e, em conjunto, criticando também a posição de Bruno Cava sobre o assunto.
Um post muito bom, mas, em minha opinião, ainda impregnado do mesmo orientalismo de outro ator e, finalmente, com os mesmos preconceitos comuns a muitos ateus – admito também ter alguns, obviamente – quando o assunto é a religião e suas práticas.

Concordo que a religião, em si, deva ser fruto dos interesses de uns dominarem os demais, mas passados séculos e milênios, ela adota características próprias e se descola mesmo da figura de líderes ou liderança, passando a permear as vidas dos indivíduos. Mais que combater, é preciso conscientizar. Não estigmatizar, mas matizar. Em muitos casos falamos do norte, do elemento norteador, do fundador da moral e mesmo pai da ética dos seres humanos, algo que vai muito além da mera religião, do mero ato de se respeitar a um superior supostamente emissário ou intermediário de um deus.

Religião é muito mais um instrumento nas mãos de homens, mas também o cimento que deu origem às bases da sociedade – não sem críticas, não sem evolução, oposição e mesmo subversões.
Enfim, eis minha resposta ao Eli:

Muito interessante, mas ao menos para a “minha” parte, reafirmo o que havia dito antes. Em primeiro lugar, “livros sagrados” são nada mais que passíveis de interpretação. São livros feitos em determinada época, com linguagem e intenções de época que devem, enfim, ser interpretados continuamente. Oras, se existem muçulmanos moderados (penso que a maioria), que discordam da interpretação de radicais, logo, estamos diante de um livro em que um grupo de pessoas interpreta da forma A, e da forma B.

A questão como eu havia dito, volta à interpretação feita, à leitura feita. É possível apontar passagens da bíblia (especialmente no Antigo Testamento)  em que o teor e conteúdo são muito semelhantes aos do Corão, lembrando que o Corão bebe da fonte judaico-cristã diretamente e jamais foi negado o fato.

Mas, quantos cristãos efetivamente seguem estes preceitos “atrasados” encontrados na Bíblia? Temos até nosso grupo de fanáticos católicos da Opus Dei que se martiriza e mesmo pastores charlatões que interpretam a bíblia de sua forma deturpada e roubam dos fiéis, vide IURD, Silas Malafaia e cia. Interpretam da forma que querem, assim como muitos fundamentalistas islâmicos.

Religião em si é supremacia. Se você acreditam no deus A, logo, o deus B, C e D são inferiores, ou melhor, nem existem. Você está certo, é superior. Esta é premissa básica de qualquer religião, logo, não é estranho haver referências a como tratar infiéis em livros sagrados, mas, devemos nos lembrar, livros escritos em um período muito diferente do nosso.

Mas, na verdade, melhor exemplo para se tratar do Islamismo e das deturpações feitas é lembrar da era de iluminação islâmica, que durou até pelo menos a Reconquista. Se hoje temos ciência, alfabeto, medicina, enfim, boa parte da nossa base de pensamento, é porque os muçulmanos conservaram e desenvolveram pensamentos complexos e os espalharam pelo mundo.

Os “infiéis” eram tratados com respeito e apenas sofriam penalidades se desrespeitassem as leis que, como dentre os cristãos, estavam subordinadas à religião. Mas, em geral, judeus e cristãos viviam em perfeita harmonia com muçulmanos dentro de reinos islâmicos.

Estamos, enfim, diante de interpretações literais que se tornam deturpadas quando simplesmente apresentamos a realidade, o momento histórico, a própria história do desenvolvimento desta mesma religião e o que esta representou no passado e pode ainda representar.

Sobre a sharia, é importante lembrar que, como o próprio Corão, é passível de interpretações. Trata-se de um código legal, logo, não pode, nem deve ser interpretado ao pé da letra e, tampouco é universalmente aceito entre todos os muçulmanos como válido.

Mas algumas comparações são interessantes:

O Islã tem uma lei própria, a lei da Sharia, que explicitamente recomenda a morte como pena contra a apostasia, e é devidamente aplicada em alguns países islâmicos.

Ora, os EUA, em sua legislação, mandam para a morte pessoas com deficiência mental. A China tem punições exemplares para ladrões – a morte – enquanto países como a Arábia Saudita lhes cortam a mão. Pergunte a um texano médio sua opinião sobre e ele  defenderá a pena de morte com fervor quase religioso.
Mesmo em países islâmicos sob forte presença da Sharia existem os que se opõem à sua aplicação de forma literal, pois entendem que este não é o caminho.

Lembremo-nos então da Inquisição, da aplicação de preceitos “cristãos” que incluíam a tortura, a fogueira, a danação eterna… Algo que os EUA repetem hoje, com torturas e execuções de prisioneiros. E pior, sequer tendo uma legislação para apoiar tais ações!

É terrível que ateus sejam perseguidos em países muçulmanos, mas também é terrível que ateus sejam vítimas de preconceito no ocidente, nos EUA, mesmo no Brasil, por apenas quererem ter o direito de não acreditar.
Gays também são perseguidos no Brasil, no Irã, na Arábia Saudita e na maior parte do mundo. Independentemente da religião dominante.

Difere a punição, permanece o mesmo tipo de preconceito.

Há séculos o cristianismo também era indissociável da sociedade, da política, das leis e, com o tempo, evoluímos. não sem conflitos, dor e mortes. Durante boa parte desta época, ao menos da pior das épocas, os islâmicos viviam num período de ouro.

É necessário não confundir religiões com práticas, mas é verdade, as religiões são reflexo de suas práticas, mas não necessariamente das práticas radicais e intolerantes de alguns. Definiremos o Hinduísmo pelos fanáticos do partido Bharatiya Janata ou por Gandhi, por exemplo? Os islamismo é melhor representado por Ahmadinejad ou pelos jovens laicos que protestaram contra ele – e foram mortos por isto?

Trata-se com desconhecimento e temor a Ummah, que nada mais é que uma relação identitária de pertencimento a um grupo. Oras, os cristãos católicos sentem-se parte de uma comunidade ligada através do Vaticano. Os Ortodoxos de uma comunidade ligada a sua sé, em Moscou. Todo presidente dos EUA encerra seus discursos louvando não só a deus, mas àquilo que ele considera como uma comunidade cristão e, falando em EUA, é esta comunidade com valores cristãos indissociáveis que oprime afegãos, iraquianos, líbios, e mais meio mundo.

Mas esta ideologia de ódio e conquista, caso dos EUA, é compartilhada por todos? Ou mesmo, quantos Ateus não votam no Tea Party, nos Republicanos ou mesmo em Democratas que promovem a guerra e o ódio?

Trata-se o muçulmano como terrorista maluco e religioso fanático por explodir as torres gêmeas, mas os cristãos no comando dos EUA não sofrem qualquer tipo de reprovação quando explodem casas com mulheres e crianças no Afeganistão. Ou os judeus israelenses quando massacram os Palestinos.

A passagem: “Que atualmente haja mais muçulmanos obedecendo às passagens belicosas do que cristãos é tanto acidente histórico quanto maior insistência e clareza do Corão nesta mensagem de ódio, além de no ocidente a maior laicidade ter sido uma conquista dos valores seculares promovidos concomitantemente à revolução científica que nos levou de uma expectativa de vida de 30 anos para uma de 70.” É incorreta.

Não se trata de maior ou menor clareza, mas sim de transformações históricas, que passam pelas Cruzadas e especialmente pela Reconquista, por uma interpretação de alguns líderes muçulmanos de que as derrotas eram culpa de um afastamento de Allah. Tudo isto culmina com o fim do Império Otomano, a derrota final dos islâmicos frente aos cristãos que, não contentes em destruir seu Império, ainda os desmembra em fronteiras artificiais, incitando ódios tribais e desrespeitando as tradições locais.

Durante a idade das trevas no ocidente, o oriente vivia seu iluminismo.

Uma parte considerável de cristãos não se importa que se faça troça com o Papa, mas outra se importa. Uma parte dos cristãos não se importa com a prática do Aborto, até a defenda, mas uma minoria estridente não se limita a protestar, mas chega ao ponto de matar – vide casos documentados nos EUA.

Muitos muçulmanos – conheço vários – não deram a mínima para os desenhos de maomé, até riram! Não são fanáticos. Lembre-se dos protestos feitos por vários grupos cristãos contra exposições de imagens de Cristo ou de Nossa Senhora em poses não-ortodoxas ou em situações constrangedoras. Muitos não ligaram, outros tantos protestaram e até conseguiram proibir exposições.

Vamos dar uma olhada nas seitas cristãos que levam centenas e até milhares à morte. Jim Jones, os fanáticos do Reverendo Moon e tantas outras seitas, até tupiniquins, como as do bispo Macedo, que enganam e roubam milhões não só no Brasil, mas na África, nos EUA…

Mas, ainda assim, a maioria é laica, a maioria talvez seja até progressista em diversos aspectos. Mas, mesmo dentre os conservadoras, uma imensa parcela nem se importa com religião, mas com a base fundacional da sociedade como eles enxergam, permeados por valores – ora filosofia – que vem de fonte religiosa. Oras, temos ateus criminosos, ateus conservadores, ateus progressistas,… Culpar a religião em si pelos males do mundo é o mesmo que culpar a não-religião pelos ateus que cometem crimes, por exemplo.

Devemos, pois, entender a religião como um pano de fundo, mas são as práticas, o USO desta religião que, trazem os problemas. Assim como o uso de ideologias por grupos assassinos, por pessoas mal intencionadas.
Religião, ideologia, filosofia, são todas ferramentas de fanáticos. Basta algum querer usá-las. Religião ou filosofia, uma idéia na cabeça, um dogma ou uma certeza, todos são possíveis instrumentos para ódio, guerras e dor. Escolham.

As práticas dizem muito sobre a religião, mas devemos ter claro quais práticas estamos olhando.

O fanatismo independe de religião ou mesmo de ideologia. Mas é potencializado por ambas, conjunta ou individualmente.

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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Resposta: Evangélicos e gays: a velha rixa de sempre

Fábio Peres comentou bastante em meu post "Egito e Proselitismo Religioso: O Brasileiro irresponsável" e, como consequência, escreveu um post em seu blog para discutir alguns pontos.

Como é bom o debate, copio abaixo o post do Fábio e, logo depois, a minha resposta.
Evangélicos e gays: a velha rixa de sempre
No Paulopes Weblog, uma notícia interessante: um evangélico foi preso no Egito por distribuir panfletos cristãos, conseguindo o apoio do Itamaraty para retornar ao país; e não me espanta que tal situação aconteça, considerando-se que nos piores lugares do mundo para um cristão estar os missionários geralmente adotam outras profissões para manter a vida, ou as aparências, enquanto agem por debaixo dos panos para falar de Cristo num contexto de extrema pressão e risco.
O que me espantou, profundamente, foi ver esse comentário, do blog do Rafael Tsavkko, a respeito do assunto; e não sei até agora dizer se me sinto indignado por ver alguém demonstrar o desejo de alguém ser punido por fazer o que lá se chama “proselitismo religioso” (e que os cristãos chamam de evangelismo) ou se me ponho constrangido, pelas inúmeras atitudes de caráter preconceituoso que os evangélicos tomam quando o assunto é garantir os direitos dos homossexuais no Brasil, entre eles os 78 direitos negados a casais gays por falta de regras sobre o assunto.
É constrangedor notar que foi um partido político, o PSOL, que deu o direito aos homossexuais de ver o primeiro beijo gay exibido em horário nobre, e que foram entidades evangélicas as que mais protestaram contra tal situação; contudo, é bom que se diga que há muito se tenta fazer com que role um beijo entre dois homens ou duas mulheres em uma novela e ele não ocorre, mais por pressão do público conservador que oposição dos evangélicos, que estão também na lata do lixo quando o assunto é opinião pública nacional.
O fato é que os protestantes, até pelo amor que tem a todos aqueles que necessitam de voltar para os braços do Pai, tratam os homossexuais como gente que precisa de orientação, mais ou menos como aquele que precisa de um tratamento para uma doença grave mas que se nega a adotar hábitos saudáveis e agir conforme o médico mandou. A única diferença, nesse caso, é que o médico das almas para os cristãos protestantes se chama Jesus Cristo, e que ele condena atitudes erradas, não as pessoas (é o “condenar o pecado, não o pecador”, que tanto se houve nas Igrejas por aí).
Nesse processo, cometemos muitos erros, e o principal é não “pensar fora da caixa”, não entender que há pessoas do outro lado que podem se sentir ofendidas por nossos pensamentos e que não vamos ser ouvidos se não soubermos respeitar o outro lado – contudo, quem tem mais respeito, quem age pelo amor ou quem age pelo ódio? Quem incomoda, com versículos bíblicos, ou quem age com violência?
Ou, mais diretamente: quem realmente quer o bem dos gays, quem tenta trazê-los para o caminho de Deus ou quem os ofende, persegue e mata?
E a minha resposta:
O "evangelismo" que os cristãos fazem tem "apenas" dois problemas: É ilegal em muitos países e, mesmo assim, estes cristãos se acham superiores e desrespeitam a lei da mesma forma e, claro, incomoda. Mas, da mesma forma, não se importam, pois se acham acima da verdade.

Porque os cristãos fanáticos simplesmente não conseguem entender que NINGUÉM quer aguentar pregação? Religião é algo pessoal, não é pra ser imposto ou gritado aos quatro ventos. Ninguém quer ser importunado e, esmo assim, continuam.

O que é "missão" pra uns, é desrespeito para outros. E, no caso específico do imbeciélico que foi ao Egito pregar, é crime.

Quanto aos gays, novamente, não são doentes. Não são problemáticos. Apenas não são iguais a Adão e Eva, o que não passa de uma lenda. A homossexualidade é um comportamento comum tanto para homens quanto para animais, mas deu o "azar" de ser considerado pecado num livro. Ainda que, fato, tenha sido prática comum em dezenas de culturas e até mesmo por cristãos dos primórdios.

Um gay não quer ser chamado de doente por um cristão. Ou o cristão aceita que existem diferenças e RESPEITA, ou será apenas mais um homofóbico, mas travestido de falsas boas intenções. Um criminoso como qualquer outro.

Da mesma forma que não faz sentido - é racismo - dizer que um negro está errado ou doente por ser negro e não branco, está errado - e é homofobia - dizer que um gay está doente ou comete pecado por ser quem ele é: gay.

"trazer para o caminho de deus" significa curar. Curar uma doença que não existe, logo, condenar os gays à inferioridade, ao status de "doentes". É atitude criminosa da mesma forma.

A bíblia manda matar infiéis, manda queimar, destruir... Mas estas parte são - hoje, pelo menos - convenientemente esquecidas. Só se lembram do que interessa, da parte do preconceito. 

Como você mesmo disse, está na hora de "pensar fora da caixa", de compreender que a bíblia, em muitos casos, é um retrato de sua época - ou das épocas, pois sabemos que os livros que dão origem à ela foram compilados em um período bem largo de tempo -, logo, carregada de interesses. E estes interesses ditam a narrativa.

"Pensar fora da caixa" é compreender que a bíblia é histórica e não a-histórica, ela tem preconceitos típicos da época, da sociedade ou mesmo de quem escreveu ou editou. Outro ponto válido para se ter em mente, também, é que a humanidade evolui. Mas os preconceitos religiosos não. enquanto estes não mudarem, serão apenas crime.
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sábado, 28 de agosto de 2010

Egito e Proselitismo Religioso: O Brasileiro irresponsável

Leio no excelente Paulopes Weblog algo que, depois viria a ler exaustivamente nos diversos portais de internet: O caso do imbecil evangélico preso no Egito por fazer proselitismo.

Minha opinião? Deveria mofar na cadeia.

O Egito é, em média, mais aberto que os demais países árabes à discussão religiosa e possui uma significante população cristã (Copta), logo, para alguém ser preso por proselitismo é porque, sem dúvida, deve ter abusado. Existe população cristã? Sem dúvida, mas tudo tem limite.

A nação é francamente muçulmana e, se bem conhecemos "nossos" evangélicos, a figura deveria pregar aos berros em praça pública incomodando a todos e, não duvido, até sendo elogioso com os islamismo.

Todos conhecemos os neopentecostais, são francamente preconceituosos e não tem limites ou noção de respeito pelos demais, não me surpreenderia se, dentre os panfletos encontrados com a figura, constassem ofensas ao Islã. Pessoalmente, acredito que a pregação aos berros em praça pública, em um país não-cristão, já seja razão suficiente para um processo.

Liberdade religiosa é uma maravilha, quando você sabe usar e respeita o lugar onde se encontra. Quer juntar uns amigos e falar de religião? Problema seu, mas não vá em praça pública "evangelizar". Pena que os Trolls de Cristo não entendem o recado.

Obviamente estou fazendo conjecturas, mas não duvido que esteja certo.

O cara mora ha 6 anos no país, não virou evangélico semana passada e dificilmente começou a pregar no dia da prisão, aí tem coisa.

Eu sou totalmente favorável à liberdade religiosa, mas não tolero pregação no meio da rua ou tentativas de evangelizar, especialmente em um país cuja cultura destoa absolutamente da nossa.

Pois bem, ele está preso e será deportado, o Itamaraty tem total obrigação de ajudar neste processo, mas, uma vez no Brasil, a figura deveria arcar não só com as consequências pessoais, mas com as financeiras.

Não faz sentido que o contribuinte seja responsabilizado pelas atitudes - típicas - de um fanático religioso querendo causar confusão pelo mundo.

Art.2*:   Islam is the Religion of the State. Arabic is its official language, and the principal source of legislation is Islamic Jurisprudence (Sharia).

As leis egípcias são claras em proibir que evangélicos façam o que mais gostam: Encher o saco de qualquer um com uma pregação infinita e sem noção. Mas, bem, jesus deve tê-lo mandado se achar acima da lei e agir como um bom Trol de Cristo. Agora que aceite as consequências e pague por elas - não nós.

O Egito, neste ponto, acerta. O ouvido deles não é penico e lugar de crente é no templo, sem encher o saco de ninguém que não quer ouvir. Pena que o Brasil não copie esta idéia.
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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Estamos numa guerra. Religiosos x Humanistas. Qual o seu lado?

Depois do inesperado sucesso do meu post sobre o beijo gay na propaganda do PSOL, no qual eu criticava o comportamento absurdo e homofóbico dos vários grupos cristãos - em particular da corja evangélica neopentecostal -, recebi uma boa quantidade de comentários ofensivos - prontamente deletados e não aceitos - e de ameaças, seja no Twitter, seja nos comentários de um post de um blog do Ig.

Em comum a homofobia e a crença de que, por citar um livrinho de contos de fada que, ao longo da história, causou apenas morte, dor e sofrimento e continua criando fanáticos por todo o mundo, estão livros para xingar, ofender e humilhar quem pensa diferente.

Para estes fanáticos, ser gay é crime. E, graças à bancada evangélica e à pressão destes grupos de fanáticos, a homofobia continua a ser algo permitido e socialmente aceito.

Citando passagens da Bíblia, como se valesse de alguma coisa em um Estado Laico, os fanáticos desfilam homofobia que, em qualquer país sério e não dominado por um grupo vergonhoso conhecido como "Bancada Evangélica", seria crime inafiançável.

Os fanáticos vão do mais simples, de considerar "pecado" a homossexualidade, até as ofensas abertas, acusações vis, descabidas e abertamente criminosas, chegando ao ponto de ofender, humilhar e, não raro, de agredir fisicamente a casais e indivíduos homossexuais na rua.
Marinelia: Eu acho que os valores morais não são mais respeitados
as pessoas esqueceram do criador
a Biblia diiz a mulher foi feita para o homem.
fora isso é abominação aos olhos de Deus.
Que Deus tenha misericordia destas vidas

zé: Na bíblia em gênesis ao criar o homem e a mulher citou assim : macho e fêmea os criou e disse crescei e multiplicai -vos e encham a terra . me digam como isso será possível com dois machos ? isto nada mais é do que uma estratégia do diabo para dizimar a raça humana criando um mundo gay onde muitas doenças surgiriam dessa depravação { Aids} veja na bíblia o exemplo de sodoma e gomorra que Deus destruiu por causa da imoralidade e sodomia que é o sexo anal entre homens, e muitas outras passagens bíblicas condenam a relação homem com homem e mulher com mulher . veja ex: romanos capitulo 1 versículo 18 até o 32 medite pois a palavra de Deus é verdadeira e fiél .

Graziela Levezo: Para o bem da família, seres como o senhor elis Washington Marinhos deveriam ser execrados da vida pública. Ele que vá cuidar da família dele, ignorante preconceituoso travestido de pseudo servo de Deus.

Sonia Silva: Eu acho que essa turma esta necessitando ler um pouco mais a BIBLIA, e procurar
seguir um pouco mais os mandamentos do SENHOR
 
Jorge Carvalheira: um partido politico ao utilizar esse tipo de recurso ,naõ merece o meu voto,Deus é bem claro na biblia ,quando afirma em Hebraico e traduzido para o portugues,macho e femea,o resto é invençaõ do fruto de uma mente carnal. Parabéns a Assembleá de Deus pela iniciativa.
 
Ricardo: quem acha normal ensine seu fliho(a) a beijar na boca do amiguinho(a), pimenta nos olhos dos outros é refresco. é Imoral sim! os homosexuais querem empurrar qüela abaixo da gente que isso é normal. normal é: mulher com homem o resto é imoral.

patrick: Deus abomina o pecado e não o pecador. Os Homossexuais precisam entender que o que praticam é contra a natureza humana e pagarão um alto preço por isso, que é a condenação eterna. Acreditem ou não, mas, vocês só descubrirão se a bíblia fala a verdade depois da morte, ou na hora do arrebatamento da igreja, aí, vai ser tarde demais. Jorge: È deploravel a situação a que chegamos no mundo. Pessoas do mesmo sexo beijando-se e a sociedade acha normal, isso tudo é culpa da REDE GLOBO que sempre poem o homossexualismo na televisão para que nos acustumemos a isso, mais eu digo que não, isso é errado e breve quem pratica isso terá que se explicar ao nosso Deus, e se não se arrependerem logo serão jogados no fogo do inferno, pois lá estará todos que apoiam isso, rede globo e etc, juntos ao diabo! Iara: ainda bem que eu ñ assisti essa cena , que coisa feia o que eles queriam mostrar com isso? essas duas aberrações, que orror. isso foi orrivel duas criaturas diabólicas querendo mostrar que podem faser orgias …. tudo isso é muito nojento, para sociedade ás familias ñ aguentam mais isso. quando eles estiverem no inferno ai será tarde demais. feio…muito feio…..aberrações. etc…

E acreditem, existem comentários ainda piores. As ignorâncias e erros crassos de português são de responsabilidade dos crentes.

No Twitter, veio uma figura, obviamente um fake, me ameaçar de processo. Abriu uma conta só pra isso! Por favor, abra logo o tal processo, será divertido ver meia dúzia de homofóbicos citando a bíblia pra me condenar! Serão logo lembrados do Estado Laico e sairei sorrindo!

A intolerância deste povo beira a loucura, na verdade ultrapassa o aceitável. Tentam impor sua visão medieval de sociedade e família e não toleram o pensamento livre, democrático, laico. Se escondem atrás de um livrinho, de pastores ladrões e padres pedófilos para exercer seu "direito divino" de serem homofóbicos, preconceituosos, ofensivos, enfim, criminosos.

Mas, ao mesmo tempo, não aceitam qualquer crítica ao seu comportamento.A bíblia lhes dá o direito (sic) de serem racistas, homofóbicos, machistas... Tudo que se opõe a isto está errado.
Curiosas são as desculpas que encontram para defender seus padres pedófilos, seus pastores ladrões e muitos de seus líderes religiosos que, no privado, são tão gays quanto qualquer outro. Não cabe a um grupelho de fanáticos querer dizer como a sociedade deve viver, como o Estado deve agir e legislar. Precisamos urgentemente passar por cima de bancadas evangélicas e instituições criminosas religiosas e ampliar os direitos civis da população.

Aborto, Casamento e Adoção por casais de mesmo sexo, Pesquisa com Células Tronco e etc não podem ser proibidos ou limitados pela vontade de grupelhos de fanáticos inconsequentes que gritam de forma incoerente.

Chegou a hora do Estado agir, tomar uma atitude. @Pablovillaca, no Twitter, ao dar RT a um tuíte que citava meu post, deu a melhor definição possível sobre a situação:
É de fato uma guerra. Os religiosos se apoderaram da TV, são donos de canais e horários dos mais diversos, desfilam seus preconceitos e conceitos medievais 24 horas por dia, enquanto somos vítimas de ataques e, eles esperam, ficamos calados, reféns.

Os fanáticos falam em "ditadura gay"... Querem ter o direito de serem homofóbicos. Mas não falam em ditadura religiosa quando nos proíbem de criticá-los.

Marina Silva é a ponta de lança deste movimento de evangélicos que visa ter mais e mais poder. Suas posições casam perfeitamente com o atraso que sua religião representa. É contra casamento gay, contra aborto, contra basicamente tudo que significa dar direitos aos que precisam.
“Prefiro que o movimento gay olhe para mim e diga: ‘a Marina nesse aspecto não pensa igual a mim’”, disse, admitindo que pode perder votos com as declarações. Ela reconheceu que as opiniões se devem a sua religião – Marina é fiel da Assembleia de Deus –, mas garantiu que, se eleita, não usará o governo para “fazer proselitismo religioso”. Disse ainda considerar “legítimas” as reivindicações do movimento GLBT.
A pré-candidata voltou a se declarar contrária à descriminação do aborto e da maconha. Propôs, contudo, a realização de plebiscitos sobre ambos os assuntos.
Suas posições religiosas se opõe ao Estado Laico e ao Estado de Direito e expõem o perigo que suas crenças representam. Como de costume, os evangélicos colocam suas crenças na frente da sociedade e buscam impor sua visão atrasada de mundo ao coletivo.

Para terminar, mais um pequeno exemplo da fanatismo:

Estamos, efetivamente, num momento decisivo. Ou combatemos ou seremos engolidos e dominados por este bando.

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quinta-feira, 6 de maio de 2010

Serra não odeia só os Nordestinos, ele também odeia os Ateus

Há alguns dias postei sobre a infeliz frase de José Serra que demonstrava seu mais profundo desrespeito pelos Nordestinos:

"Eu estava na escola pública e convivia com eles numa total normalidade”.
"Eles" são os nordestinos.

Esta semana, outra vez, Serra demonstrou o quão preconceituoso pode ser. Novamente uma frase infeliz e doentia, desta vez com uma imensa carga de ignorância:
 "a pessoa que fuma sabe que o cigarro vai fazer mal, mas continua assim mesmo. Depois, adoece e mesmo assim continua fumando. Assim é uma pessoa sem Deus. Sabe que Ele está ali, mas não o procura." 
Preconceito explícito contra os Ateus e máxima demonstração de ignorância em relação à eles (nós).

A ATEA, em nota, respondeu à altura:
A Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea) vem a público protestar contra a declaração do pré-candidato José Serra que compara ateus a fumantes. Ao participar de evento religioso em Santa Catarina, o ex-governador afirmou que "a pessoa que fuma sabe que o cigarro vai fazer mal, mas continua assim mesmo. Depois, adoece e mesmo assim continua fumando. Assim é uma pessoa sem Deus. Sabe que Ele está ali, mas não o procura. A manifestação de Serra é infeliz e inapropriada em diversos níveis.

Em primeiro lugar, a frase revela desinformação, pois ao contrário do que Serra imagina, os ateus não "sabem" que o deus do monoteísmo ocidental "está ali": somos ateus precisamente porque analisamos as evidências e argumentos em favor de sua existência, entendemos que eles não se sustentam. Afirmar que em verdade somos teístas é zombar de nossas convicções pessoais que resultaram de análise profunda e cuidadosa. Significa menosprezar quem somos e como nos definimos, negando a própria existência dos ateus.

A frase ainda é insultuosa porque iguala uma convicção filosófica a uma doença. Para Serra, não apenas somos incompetentes e contraditórios como ateus, mas somos como doentes: indivíduos que precisam de tratamento e de leis que protejam os demais contra a influência perniciosa de nossas atividades.

Por fim, a declaração também é preconceituosa por fazer uma generalização negativa que atinge rigorosamente a todos os ateus e avilta o caráter laico da república que ele pretende governar. Se ganhar a eleição, Serra será presidente tanto de teístas como de ateus e agnósticos, e não parece haver nele qualquer disposição de reconhecer ateus e agnósticos em pé de igualdade com seus compatriotas teístas. Aparentemente, seremos cidadãos de segunda categoria, nada mais do que teístas envergonhados e birrentos.

A afirmação de Serra não apenas denigre a todos os ateus. Recebemos a rejeição absoluta que é a negação de nossa própria existência. Esse tipo de comportamento é inadmissível em qualquer cidadão civilizado, quanto mais de um pretendente ao cargo mais alto da nação. O contexto sugere que Serra teria feito esse tipo de declaração para satisfazer uma plateia que ele aparentemente imaginava ser tão preconceituosa quanto ele, o que é ainda mais embaraçoso.

A Atea é uma associação civil sem fins lucrativos com mais de mil membros que tem entre seus objetivos a luta contra o preconceito e a desinformação a respeito do ateísmo e do agnosticismo, dos ateus e dos agnósticos. O IBGE se recusa a divulgar dados referentes ao ateísmo no país, mas de acordo com diversas pesquisas particulares, sabe-se que representamos aproximadamente de 2% da população, ou cerca de 4 milhões de brasileiros. A declaração de Serra exige reparo amplo e imediato em respeito a esses milhões de ateus brasileiros e às centenas de milhões de ateus no mundo.
É este homem, transbordando de preconceitos e de ignorância que quer governar o país. E, pior, em conjunto com hordas neopentecostais!

Aliás, esta declaração foi feita em uma festa onde NOSSO dinheiro foi empregado. Dinheiro público para Serra falar suas besteiras. Dinheiro público pra financiar campanha e evento religioso... Lamentável!
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Segundo O Globo, Serra negou ter dito tal frase... O PIG é famoso por inventar e colocar palavras na boca de quem não lhes agrada, mas na de seu próprio candidato?

A frase teria sido:
- A pessoa que fuma sabe que o cigarro vai fazer mal, mas continua assim mesmo. Depois, adoece e mesmo assim continua fumando. Assim é uma pessoa sem Deus. Sabe que Ele está ali, mas não o procura.
O blog Bule Voador foi atrás do jornalista responsável por divulgar a frase:
É lógico que não há justificativa para tamanho estrago. A frase publicada em minha reportagem em nada se parece com a verdadeira fala do pré-candidato. Não vi o discurso do Serra ao público de 10 mil pessoas. Somente parte de minha equipe, formada por um cinegrafista e um fotógrafo. Cai na bobeira de perguntar a eles o que o Serra havia dito de interessante. Com base no que me foi dito por eles, construí aquela citação vergonhosa e que manchou a imagem do jornal e acabou com a reputação do meu nome. Quem trabalha comigo sabe que eu não sou leviano e nem mentiroso, muito menos partidário político.
Felizmente, o jornal destinou o mesmo espaço para corrigir o meu erro. Ficou a lição e a lembrança de que jamais poderei confiar na apuração de ninguém. Somente na minha.
Att,
Raffael do Prado
Repórter
Grupo RBS – Sucursal de Itajaí
raffael.prado@santa.com.br
(47) 3249-8620 / (47) 9148-2059
Rua Brusque, nº 25, Centro, 88302-000
Itajaí – SC
Em que você acredita? Pelo histórico e até que apareça uma gravação, fico com a certeza de que Serra é um preconceituoso de marca maior e que a RBS arranjou um bode expiatório para segurar o rojão.

Vejam a comparação entre o que foi dito e o que os portais alliados do Serra agora colocaram, via Cloaca News:
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quarta-feira, 15 de julho de 2009

Brasil: Estado Laico? [2]


Mais um absurdo atentado contra o Estado Laico brasileiro. Neste caso a violência, a brutalidade não vão apenas contra a laicidade do Estado mas também contra a liberdade de expressão, contra a constituição, o bom senso, a decência e o respeito.

A Assembléia dos Deputados da Paraíba irá impor a leitura diária da bíblia antes das sessões. Quem não for cristão será FORÇADO a ouvir a leitura da bíblia. Em um prédio PÚBLICO a leitura de um livro religioso -em prejuízo aos demais - será lido para 'inspirar" os deputados.

Quem sabe, ao ler o velho testamento, os "nobres" parlamentares não roubem menos... Na verdade vão apenas passar a matar logo, diretamente, sem intermediário algum. Serão bem inspirados pela violência e intolerância do "livro sagrado".

É interessante notar que sob o manto do discurso de intolerância religiosa os religiosos passam eles a serem os intolerantes. Impõem sua visão única, forçam todos a aceitar e sequer aventam a possibilidade de que um ateu, um muçulmano, judeu e etc se sintam ofendidos com a imposição da leitura do livro de uma religião.

Acima disto está o desrespeito à constituição. A aprovação desta lei - e por unanimidade, pasmem! - demonstra por a mais b que nossos parlamentares simplesmente não fazem idéia do porque foram eleitos. Não tem qualquer preparação, não sabem o que é legislar. Ou legislam em causa própria ou legislam para "jesus". Neste meio tempo, roubam. Achincalham com os brasileiros.

Esta notícia surge exatamente na hora em que Lula chama os senadores de "pizzaiolos" e, de troco:
"Primeiro efeito da declaração de Lula: o Senado acaba de rejeitar por 30 votos contra 20 a indicação feita pelo governo de Bruno Pagnoccheschi para diretor da Agência Nacional de Águas.

Os senadores estão baixando o pau em Lula. Até mesmo senadores governistas."

Apenas uma correção ao caro Noblat, que nos traz a notícia, quem levou o troco não foi o presidente, foi o Brasil, fomos nós, brasileiros, que elegemos os canalhas para votar com a consciência - como se tivessem - e não por vingança à um ou outro.

O voto da "base aliada", o bom e velho fogo amigo, demonstra apenas o caráter das alianças espúrias do governo, do PT. Não importa a aliança, não importa a relevância, o interesse da nação. Importa a vingança, o lucro, a safadeza e o estúpido "troco".

Coisa de criança birrenta que quebra o carrinho do colega porque este não lhe permitiu brincar com ele.

Lamentável, este país não é sério! É uma piada de mal gosto!

Enfim, eis a vergonhosa notícia do estupro do Estado Laico, via G1, com comentários ao longo da mesma, não resisti:

"Lei obrigará deputados da Paraíba a 'refletir' sobre a Bíblia antes das sessões

Começa interessante "obrigará". Sejam religiosos, leiam a bíblia, temam jesus. Vocês são obrigados!

Autor de proposta acredita que decisão vai melhorar 'ânimo' no plenário.
Para deputado, decisão deveria ser adotada também pelo Senado.

É, respeitar a constituição e o povo não é bem um costume por lá, uma a mais ou uma a menos não faria muita diferença.

Um projeto aprovado pelos deputados da Assembleia Legislativa da Paraíba fará com que antes de cada sessão os parlamentares tenham cinco minutos para "refletir sobre a Bíblia".

Autor da proposta, o deputado Nivaldo Manoel (PPS) acredita que “a palavra de Deus ajudará a melhorar os ânimos” dos colegas para enfrentar os problemas no plenário.

Crise de consciência por roubar? Hmmm, não, isto eles não tem. Vai ver que serão alguns minutos para pensar nos próximos golpes e os problemas que enfrentarão se forem pegos... Mas, bem, no fim do túnel há sempre um Gilmar Mendes esperando por eles. Do jeito que brasileiro é daqui ha pouco fundam uma igreja em louvor ao Mendes, por ter salvo tanta gente!

“Às vezes são sessões acirradas, muito violentas, com muitas discussões pesadas. Então, acredito que a palavra de Deus possa melhorar um pouco os problemas que existem aqui no plenário”, diz o deputado, que já havia aprovado antes um projeto para que todas as sessões fossem abertas em nome de Deus e iniciadas com a leitura de um versículo bíblico.

É, ler a bíblia serviu muito,ao longo da história, para apaziguar ânimos... Normalmente apaziguava quando alguém de outra religião já estava morto mas... outra história!

O deputado calcula que serão usados sete minutos de cada sessão para leitura e reflexão sobre a Bíblia - feitos por ele mesmo - assim que o projeto, aprovado por unanimidade, for publicado no “Diário Oficial” da Casa. Neste tempo, afirma, os deputados “permanecerão da forma que eles quiserem”, mas pedirá silêncio.

Faltou especificar que só de terça à quinta, os dias em que eles trabalham! O que são 7 minutos em dias tão corridos de trabalho duro?

“Sou evangélico de uma igreja como a Assembleia de Deus, muito rígida, de mais titularidade à obediência da Bíblia. [...] Tenho essa vantagem e a coragem de fazer isso. E vou fazer em nome de Jesus essa reflexão pregando a palavra sem nenhum constrangimento, como se estivesse no púlpito de uma igreja”, afirma o deputado, que disse não ser pastor.

Ou seja, o crápula é evangélico, logo, vai impor sua visão pessoal ferindo à constituição e problema de quem não gostar.

Religiosos são engraçados, se eles acreditam pouco importa que o resto do mundo discorde ou não acredite também, só importa que jesus está com ele!

Manoel acredita que a reflexão poderia ser adotada também no Senado, como forma de melhorar “a atitude dos parlamentares”.

“Se tem um evangélico lá, deveria ter um seguimento bíblico para que haja maior tranquilidade e equilíbrio no plenário.”

Esta frase, em si, deveria levar à cassação sumária. Parlamentar tem que legislar para o POVO e não para os Evangélicos ou como um Evangélico. O Estado, cáspita, é LAICO... Bem, deveria ser.

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Finalmente, o nome do canalha: Nivaldo Manoel (PPS-PB)

Seu site: Link

Seu e-mail: nivaldo.manoel@al.pb.gov.br

Envio de mensagens: Link

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Não é de surpreender. O indivíduo legisla apenas em causa própria, para sua amada religião evangélica, em prejuízo e detrimento das demais religiõe,s do Estado Laico, enfim, do Brasil.

O deputado esqueceu apenas de lembrar que as igrejas, ao chegar a qualquer lugar, levam alienação, degradam o entorno, criam uma absurda poluição sonora, perturbam a paz... Meros detalhes. Isso para não citar o claro roubo do dinheiro dos pobres no famigerado dízimo.

Obrighado ao Andrehp, via Twitter, pelo link.

Nivaldo homenageia pastores evangélicos da Paraiba

O dia do Pastor foi comemorado no ultimo domingo(14), os Pastores são os responsáveis pelas igrejas evangélicas, cabe a eles a pregação, auxilio aos fiéis e administração dos templos religiosos.

O deputado Nivaldo Manoel (PPS) apresentou esta semana Votos de Aplausos na Assembléia Legislativa a Associação dos Pastores Evangélico da Paraíba (APEP) e a Ordem dos Ministros Evangélicos do Brasil (OMEB-PB) louvando estas instituições que representam os pastores evangélicos de todo estado.

Para Nivaldo Manoel os pastores evangélicos têm realizado um verdadeiro auxilio ao governo, ao promoverem em suas igrejas obras sociais como capacitação profissional, alfabetização, atendimento médico e odontológico, corte de cabelo, distribuição de alimentos e incentivo a cultura com seus grupos musicais, de teatro e expressão corporal. “Uma igreja evangélica chega em um bairro ou cidade, ela leva uma mensagem que liberta o homem do pecado mas também benefícios para comunidade local.” disse.

Fonte: Écliton Monteiro

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quinta-feira, 9 de julho de 2009

Brasil: Estado Laico?


Antes de mais nada, definamos Estado Laico como àquele que não professa qualquer religião, que não tem qualquer ligação oficial com religião ou igreja, seja qual for e pressupõe neutralidade do Estado frente à qualquer religião. Em panos limpos, o Estado não pode privilegiar nenhuma religião nem "ajudar" qualquer uma que seja. A lei vale para todos de maneira igual, sem privilégios e sem, por outro lado, qualquer perseguição.

Dito isto, já começo a estranhar a quantidade de feriados católicos no Brasil. Sendo Laico não me parece concebível que o Estado proponha e mantenha feriados que claramente beneficiam ou fazem menção à uma religião específica. Mas, bem, é o Brasil, terra do jeitinho.

Indo além, é simplesmente bárbaro (no sentido de barbarismo mesmo, não é gíria) que existe uma "Bancada Evangélica" ou sequer que algum parlamentar possa votar contra direitos das minorias (como os Gays e toda comunidade LGBT) ou contra uma questão de saúde pública (Aborto) tendo por base uma religião.

Religião e Estado não se misturam, não podem se misturar e o Estado não pode privilegiar ou sequer permitir que se legisle para alguma denominação ou credo e que algum grupo social seja prejudicado por posições religiosas.

Se um deputado ou parlamentar que seja usar "Deus", "Jesus", ou qualquer elemento de religião que seja para justificar voto ou posição deveria ser retirado imediatamente do cargo.

Nem vou entrar na questão dos crucifixos nos tribunais e repartições, que deveriam ser (são?) proibidos e são uma afronta ao Estado Laico. Será que não haveria reclamação caso um tribunal contivesse um Crescente, uma Estrela de David ou ainda uma frase atéia? A resposta é óbvia.

Todo este périplo tem por objetivo preparar o terreno para mais um absurdo do Estado pseudo-laico brasileiro:
"A prova do novo Exame Nacional do Ensino Médio 2009 (Enem) terá esquema especial para os estudantes que forem participantes de religiões em que o sábado deve ser guardado, como os adventistas de sétimo dia e os judeus. O exame do dia 3 de outubro, para estes candidatos, será aplicado no fim do dia. O esquema especial foi divulgado nesta quinta pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep)."
Resumindo: Quem for Judeu ou Adventista do Sétimo Dia terá privilégios e direitos especiais, devido às suas religiões, em detrimento de todos os demais estudantes do país.

Estes e apenas estes farão as provas em horário diferente, causando um transtorno a mais para o Estado que terá que criar um esquema especial.

É simplesmente um absurdo, é abusivo que por motivos religiosos o Estado tenha que se desdobrar para que meia dúzia fiquem felizes. E, não, mesmo que os privilégios fossem para a maioria não importaria, religião não interessa ao Estado. Ao Estado cabe manter as liberdades e o respeito, evitar preconceito, violência e jamais censurar ou proibir (desde que não ocorram abusos, como flagelação e etc) mas não cabe ao Estado criar esquemas especiais para privilegiar uma ou outra religião ou grupo religioso.

É inconcebível que o Estado tenha que se desdobrar para alegrar a alguns religiosos que se recusam a seguir as regras do jogo.

A coisa é simples: a prova é sábado de tal a tal hora. Ponto final. Quer fazer compareça no horário, quer rezar vais ficar fora da universidade. Simples assim.

Quando membros da Seita do Monstro de Espaguete Voador pleitear folga ou privilégios pela religião o Estado vai ver a maravilha de palco que montou.
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quinta-feira, 2 de julho de 2009

O Futebol tem seus próprios deuses

Hoje o Estadão noticiou algo bem interessante.

A FIFA não está gostando nada das demonstrações dos jogadores do Brasil, ou melhor, não está gostando do proselitismo religioso da seleção brasileira.

Cá entre nós, nem eu.

A FIFA repreendeu o Brasil, pedindo moderação mas não descartando punição no futuro, pelas atitudes religiosas de alguns jogadores - como Kaká e sua camisa "I belong to Jesus" e a roda de oração no centro do campo - que vem incomodando outras federações, como a Dinamarquesa, que exigiu posição firme da FIFA.

Este tipo de atitude não é comum só à seleção brasileira, mas também vemos constantemente demonstrações de zelo religioso nos campeonatos regionais e nacionais (BR e Copa), com jogadores dando entrevista berrando que quem fez o gol foi Deus, que só Jesus salva, ou então levantando os uniformes e mostrando inscrições religiosas nas camisas de baixo.

Isto deve ser permitido?

Não.

Futebol não é palco para pregação, para proselitismo. Ninguém é obrigado a ficar lendo e ouvindo pregação e frases de efeito religiosas sem querer. Além disso, imagine se o "outro lado" resolver também aderir à moda e, como disse o Tulio Vianna, aparecer com uma camisa com “Deus um delírio”?

O que acontecerá se Ateus resolverem negar os preceitos da religião dos outros, ou ainda se judeus, muçulmanos, budistas e afins começarem a também fazerem proselitismo? Acaba o futebol e começa a igreja.
"O medonho espetáculo dos jogadores do Brasil ajoelhados, de olhos fechados e cenho franzido, gritando uma oração em círculo, manchou a beleza do jogo que lhes deu o título da Copa da Confederações. Não por causa da crença em si - como eu disse, cada um acredite no que quiser -, mas pelo oportunismo egoísta e pelo sinal assustador de que algo muito ruim pode estar no ventre da sociedade. Um ovo da serpente, quem sabe."
Religião é algo privado. Você acredita? Bom para você, mas não force os demais a também acreditar. Da mesma forma que ninguém quer ficar escutando - forçado - um culto da Universal, uma missa ou um sacrifício satânico - há regulamentações, limites, horários e lugares para cada coisa - ninguém quer também ter que, durante um jogo, ficar lendo slogans religiosos ou ver demonstrações como as constantemente vistas nos gramados brasileiros.

Será que a Bispa Sônia está pagando à seleção brasileira pela propaganda - indireta - de Kaká? Ou será que as igrejas evangélicas (e em alguns casos a católica) estão pagando pelo espaço aos clubes e à seleção pela propaganda? Ainda que esta não seja a questão principal, é ainda um argumento válido. Fica também outra questão, será que, num país majoritariamente cristão, manifestações de minorias religiosas seriam toleradas e levadas tão "numa boa" quanto às cristãs?

Imaginem um jogador muçulmano com uma camisa "Allah é o único Deus", será que os demais não se sentiriam ofendidos, da mesma maneira que este se sente ofendido com o proselitismo cristão?

Daqui ha pouco veremos o Kaká com uma camisa "Vote na Bispa Sônia para Deputada"ou algum outro jogador com camisas pedindo voto para seu cunhado ou irmão pelos campos do país.

Isto precisa ser proibido lo mais rápido possível para evitar a baderna e também nos poupar de proselitismo.
"A religião não tem lugar no futebol", afirmou Jim Stjerne Hansen, diretor da Associação Dinamarquesa. Para ele, a oração promovida pelos brasileiros em campo foi "exagerada". "Misturar religião e esporte daquela maneira foi quase criar um evento religioso em si. Da mesma forma que não podemos deixar a política entrar no futebol, a religião também precisa ficar fora", disse o dirigente ao jornal Politiken, da Dinamarca.
Enfim, o futebol tem seus reis e deuses, não precisa de"empréstimos" ou influencias. Está bem servido e completo sem precisar da religião para manchar o espetáculo.
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