Mostrando postagens com marcador Egito. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Egito. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Julgamento de Mubarak e eleições acirram a tensão no Egito

O Aldo é amigo meu, estudamos juntos, nos formamos juntos e nos embriagamos juntos algumas vezes!=) 

Ligado aos movimentos sociais de São Paulo, ele está no Egito há alguns dias, cobrindo as manifestações e todo o processo de mudança no país e, enquanto torço (e torcemos todos os amigos)por sua segurança, fico esperando seus informes direto do front!
Cairo (Egito) - Mais de seis meses desde a queda do governo do presidente Hosni Mubarak, o processo revolucionário no Egito continua a todo vapor. Greves, manifestações, ocupações de espaços públicos e o afloramento de organizações de todos os tipos têm tomado conta do cenário político do país. Aquilo que até alguns meses atrás era um país com quase nenhuma vida política visível, hoje tornou-se um centro de agitação e propaganda das mais diferentes tendências políticas do mundo árabe.

Mesmo assim, as relações entre Estado e sociedade civil continuam bastante tensas no país. Apesar das conquistas da revolução, o Egito ainda é uma ditadura militar, e enquanto está claro que o atual momento histórico pode permitir grandes avanços sociais, poucos têm clareza de qual caminho o país esta seguindo.

O maior exemplo das tensões e contradições que têm tomado conta do Egito nas últimas semanas é o julgamento do ex-presidente Hosni Mubarak. Entre as acusações apresentadas contra Mubarak, além dos crimes de corrupção e diversas outras infrações penais de colarinho branco, está a acusação do homicídio de centenas de pessoas durante as manifestações que ocorreram pouco antes da queda de seu regime. Caso condenado, o todo poderoso ex-presidente pode ser mandado à forca. A grande duvida é se o Conselho Supremo das Forças Armadas ou SCAF (Supreme Council of the Armed Forces, em inglês), como a junta militar que hoje governa o país é conhecida, permitirá a aplicação de tal sentença.

A SCAF, cujos membros foram todos nomeados durante o governo Mubarak, é presidido pelo Marechal Mohamed Hussein Tantawi, ex-ministro da defesa e amigo próximo do presidente deposto. Enquanto a revolução democrática de 11 de fevereiro derrubou o presidente e seu vice, Omar Suleiman, a estrutura política do exército, que desde os anos 50 governa o país, se manteve intacta. É exatamente esta estrutura política que pode muito bem ir ao banco dos réus ao lado de Mubarak, algo que a SCAF quer impedir a todo custo.

O desenrolar do julgamento, que acontece na Academia da Policia Militar, ironicamente, o mesmo local onde Mubarak deu seu ultimo discurso público antes de ser derrubado pelo povo, tem visto cenas repetidas de tumulto nas ruas ao seu redor. Só segunda-feira, data da ultima sessão do julgamento, 34 pessoas ficaram feridas nos confrontos que aconteceram do lado de forma da academia.

As cenas de dois campos opostos, igualmente grandes atirando pedras uns contra os outros está bastante distante da realidade da conjuntura política do Cairo. Aqui, quase todos se declaram opositores de Mubarak. Segundo Menna Thabet, uma militante do movimento de juventude que esteve presente quase todos os dias nas manifestações na Praça Tahir, o debate atual do Egito não gira mais em torno de Mubarak “aqui, todos são contra Mubarak, sem exceções, a questão é se apóiam ou não a junta militar.”

Porem, é exatamente a integridade desta junta militar que pode estar em jogo com o julgamento do tirano, dai a centralidade e atualidade política do evento. Caso Mubarak seja condenado, o próprio general Tantawi, presidente de facto do país, pode também ser responsabilizado pelas mortes, ao lado de diversos outros membros de alta patente das forças armadas. Os advogados da acusação têm feito um esforço tremendo para garantir como que o atual presidente deponha no caso, algo que a SCAF tem trabalhado para impedir.

Utilizando como argumento a violência que vem ocorrendo do lado de fora do tribunal, o juiz Ahmed Rifaat, responsável pelo caso jurídico mais importante da historia do Egito, ordenou que se encerrassem a transmissão ao vivo do julgamento do ex-presidente. Soma-se ao argumento da violência, a questão de que a presença de câmeras ao vivo atrapalharia o andamento do caso, expondo depoimentos que deveriam ser, em tese, sigilosos. Por mais que os argumentos de Rifaat tenham algum fundo de verdade, e que a medida tenha recebido o apoio dos advogados das vitimas do ex-ditador, a ação gerou suspeita entre muitos no Egito. A idéia de que esta se iniciando uma operação para impedir como que Mubarak seja julgado de forma séria circula amplamente no país. Apesar da proibição da presença de câmeras de TV, o julgamento continua aberto para o publico e imprensa.
JUNTA MILITAR
Tem circulado na imprensa egípcia que a proibição da transmissão ao vivo do caso foi fruto de pressão da Arábia Saudita sobre o governo egípcio. Os monarcas árabes tem se mostrado particularmente preocupados com a possível condenação e exposição de seu ex-colega. A Arábia Saudita, assim como o Qatar e outros países do golfo, possuem uma profunda influência sobre a junta militar egípcia. Para alem da grande convergência ideológica entre os dois grupos, após a recusa da junta militar de receber ajuda financeira do FMI (algo visto por muitos como uma vitória da esquerda), os militares egípcios tiveram que buscar financiamento nos países árabes exportadores de petróleo. Tal fato aumentou ainda mais a influência direta dos sauditas sobre o cenário político egípcio. Alem da recusa a ajuda financeira do FMI, outra conquista do campo da esquerda tem sido a suspensão do processo de privatizações iniciado por Mubarak sob tutela do ocidente. Hoje, se fala muito em re-nacionalização das indústrias privatizadas.

O julgamento de Mubarak, porém, está longe de ser o único evento político que tem ocupado o dia-a-dia da vida política do país. Enquanto a data das eleições parlamentares continua sendo constantemente adiada pela junta militar, as organizações autônomas da classe trabalhadora estão aproveitando a atual conjuntura para construírem seus sindicatos livres. A luta dos trabalhadores egípcios esta em franco ascenso. Esta semana, os trabalhadores das ferrovias entraram em greve, paralizando o transporte público do país e exigindo maiores salários e liberdades políticas do governo.

Diversos setores da esquerda egípcia parecem estar menos preocupados com as eleições parlamentares e mais focados na organização da classe. Desde a greve dos operários da fabrica de tecidos Mahalla em 2006, o movimento operário tem passado por um grande período de mobilizações, catalisando ainda mais pela queda de Mubarak. De lá para cá, 260 novos sindicatos livres foram criados, e uma nova central independente, que já possui um milhão de trabalhadores em sua base, vem crescendo e se desenvolvendo no Egito.

Segundo Tamer Wageeh, dirigente do Partido da Aliança Popular Socialista, um dos principais partidos políticos de esquerda do Egito pós-Mubarak, a fase da revolução na qual a juventude ocupava o espaço de vanguarda se encerrou. “Agora cabe aos trabalhadores assumirem a rédea do processo”, alega o dirigente. Seu partido, segundo ele, está inteiramente voltado a isso.

A situação política no Egito parece profundamente fluida, cercada de incertezas e confusões de todos os tipos. E enquanto o exercito e a tropa de choque continuam ocupando a praça Tahir, impedindo assim a presença de novos protestos no espaço, a única certeza que se tem hoje no país é que a revolução iniciada no dia 25 de janeiro está longe de ter chego ao seu fim.

Aldo Sauda é formado em Relações Internacionais e faz pesquisa no Egito.
------

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Jornalixo da Folha ataca novamente!

Durante o último apagão, no nordeste, a preocupação da grande mídia não era nem de informar à população do nordeste o que acontecia, tampouco a população do resto do Brasil. Importante mesmo era o show - atrasado - da Ivete Sangalo. Função social para o jornalismo brasileiro não é uma ilusão, é um escárnio.

O jornalixo da mídia é aquele que tentou esconder por dias a fio o que acontecia no Egito, e que quando notou que seria impossível esconder, passou a tratar os manifestantes como baderneiros e Mubarak como presidente legítimo.


Mesmo nos derradeiros momentos da Ditadura egípcia, a grande mídia brasileira se lamentava. Caía um ditador amigo, amigo de seus interesses, dos interesses dos EUA - enfim, dos mesmos que controlam a mídia.

Mas até agora, ao menos, eu pensava que a grande mídia tinha a capacidade de compreender alguma coisa de geografia. Depois da Fox News fazer das suas (como representante da extrema-direita dos EUA é uma legítima incapaz), foi a vez da Folha, representante tupiniquim da extrema-direita, cometer seu absurdo.

Vejam bem o conhecimento primoroso de geografia da Folha. Não é um jogo de 7 erros, mas de 3 erros... grotescos!

------

sábado, 5 de fevereiro de 2011

A Palestina frente à crise egípcia e os Papéis Palestinos

A revelação dos Papéis Palestinos pela Al Jazeera, no atual momento, parecem mais importantes para os Palestinos que a crise no Egito e a deposição de Ben Ali na Tunísia, mas, juntos, dificultam a vida de Abbas e da Autoridade Palestina como um todo.

Os Papéis Palestinos, divulgados pela Al Jazeera no melhor estilo WikiLeaks, revelam as negociações secretas entre a Autoridade Palestina e Israel, que incluía a negação ao Direito de Retorno (apenas poucos milhares teriam permissão de voltar), a entrega de quase todos os territórios ocupados por Israel e a entrega de Jerusalém
Hoje, o canal em inglpaês da Al Jazeera lançou o primeiro de mais de 1.600 documentos internos [en] de uma década do Processo de Paz Israel-Palestina, conhecidos como os “Papéis Palestinos”. Os documentos divulgados hoje tornam público um número de negociações secretas entre o negociador- chefe da OLP, Saeb Erekat, e os israelenses, incluindo o que a Al Jazeera chamou [en] de “compromisso sem precedentes sobre a divisão de Jerusalém e dos lugares sagrados”.
O jornalista baseado em Doha (Catar) Blake Hounshell (@blakehounshell), reagindo às primeiras publicações, declarou [en]: “Eu acho que hoje pode ser lembrado como o dia em que a solução de dois Estados morreu #papéispalestinos”. 
O governo palestino foi humilhado e desmascarado em suas negociações com Israel que entregariam todos os direitos da Palestina em bandeja de ouro para os Sionistas.

É claro, é possível também dizer que os Papéis Palestinos comprovam a falta de vontade de Israel em chegar a uma solução para o conflito, visto que a Autoridade Palestina - comandada por Abbas e pelo negociador Saeb Erekat - praticamente desistiu de todos os direitos dos palestinos garantidos pelo direito internacional e mesmo pela decência humana.

A certeza, porém, é a de que a Autoridade Palestina - e em especial a Fatah, partido majoritário - teve sua imagem manchada de forma permanente. A questão agora é, frente à eleições locais que se aproximam, se haverá uma reação popular contra seus líderes.

O grande problema para os palestinos, porém, é a falta de alternativas. Notadamente laicos, sobra apenas o religioso Hamas, que não possui grande representação ou penetração na Cisjordânia (ao tempo em que controla Gaza). Os demais partidos, em geral, fazem parte do guarda-chuva da OLP (como os esquerdistas FPLP e FDLP) e são, em geral pequenos e pouco relevantes. Outra opção seria a Jihad Islâmica, grupo ainda mais radical que o Hamas, o que desagrada a muitos.

A situação é realmente complicada. E piora, ao menos para a Fatah, com a queda de Mubarak. Não a toa a Autoridade Palestina proibiu protestos pró-manifestantes egípcios na Cisjordânia.

Mubarak era um "parceiro" na resolução do conflito com Israel e não seria errado supor que sabia e fazia fé dos acordos entreguistas da Autoridade Palestina. Mas com o enfraquecimento e possível quedado Ditador, o Hamas se fortalece, tanto por suas ligações com a Irmandade Muçulmana (sua inspiração) quanto por ser a "alternativa", ainda que seja incerto este apoio, visto que o movimento egípcio (e o tunisiano) carece de ligações partidárias - é um movimento popular por primazia.

O Hamas, no entanto, está se beneficiando de imediato com a passagem de Rafah aberta, e o Irã comemora a possibilidade de enviar armas e o que mais for preciso para o grupo através deste caminho, mas se tudo isto resultará em efetivo apoio popular é incerto.

Os Palestinos vem vivendo em um gueto - Gaza - e a abertura da passagem pode até mesmo revoltar os próprios palestinos que vem sendo forçados a aceitar a imposição da Sharia e outros retrocessos desde que o Hamas tornou-se governante absoluto da região.

A situação é de pura incerteza. A Palestina vem sendo sufocada por Israel e, agora, enfrenta a traição de suas autoridades, além de crises em suas fronteiras que modem mudar todo o cenário internacional e local.

Na Jordânia, o não muito amigo dos Palestinos rei Abdullah II enfrenta protestos que o enfraquecem, no Líbano o Hezbollah surge como grande vencedor e possível força dominante e, claro, o Egito está pegando fogo. Tudo isto contribui para fortalecer o Hamas que tem apenas um problema para resolver: conquistar os Palestinos de forma definitiva. Se serão capazes, é outra história.

Em geral, a situação não está boa para os Palestinos, que vêem suas lideranças tradicionais desacreditadas e o fortalecimento do islamismo radical (ainda que o grupo tenha se tornado mais pragmático em relação à Israel e suas ações) que, aparentemente, sobrou como alternativa, mas não como opção real.

Enfim, resta esperar. As futuras eleições podem  servir como termômetro para entendermos a quantas anda o prestígio de Abbas e da Fatah - fiquemos de olho na abstenção também - e o futuro do Egito pode também ditar o futuro sucesso do Hamas em Gaza.

É muito difícil, agora, prever o que pode vir a acontecer.
---

Mais sobre os papéis palestinos e a reação nos territórios ocupados:

Israel/Palestina: Reagindo aos Papéis Palestinos 

Palestina: Internautas Reagem ao Primeiro Lote de “Papéis Palestinos”

Palestina: Raiva frente aos Papéis Palestinos

------

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A Revolução começa agora

A Revolução no Egito começa efetivamente agora, com a resposta de Mubarak nas ruas, com manifestações pró-governo (ainda que composta por capangas, agentes de segurança e pessoas pagas); começa agora com a certeza de que não será fácil, sem sangue ou suave.

De fato, os 29 dias de protestos na Tunísia foram relativamente pacíficos e passaram a idéia - errada - de que seria igual em todo o oriente médio.

O exército vem se limitando a cercar e, vez ou outra, separar os manifestantes pró e anti-Mubarak, o que deixa dúvidas sobre seu papel e sobre o que pensa a cúpula militar.

Ao se recusarem a atacar o povo passaram a idéia de que não seriam assim tão pró-Mubarak (ou ao menos que estariam barganhando por mais poder), mas ao também pouco fazer contra as turbas raivosas pagas pelo governo, deixa espaço para maiores conjecturas. Não irão derramar o sangue do povo, mas pouco irão fazer para evitar que outros matem o povo. Parece casar com a tática atual de Mubarak.

Aliás, algo deve ficar claro, estes manifestantes pró-Mubarak são, em geral, agentes da polícia a paisana, pessoas ligadas aos ministérios egípcios e pessoas pagas para criar confusão e não uma parcela da população em protesto legítimo.

Foram vários dias em que a população disputava espaços com a polícia e o saldo foi de mais de 100 mortos, porém, um número ínfimo se formos pensar que a população lutava contra uma ditadura de 30 anos e fortemente repressora. Mubarak - e seus aliados imediatos - não poderiam se dar ao luxo de ter sangue de civis nas mãos em grandes proporções, especialmente quando a onda revolucionária se espalhava por toda a região.

O temor era um isolamento regional e uma péssima reação do ocidente (mesmo dos aliados) que, frente aos acontecimentos, poderiam fingir nunca terem apoiado o regime e adotarem um discurso condenatório.

Sendo mais claro, não haveria justificativa política aceitável (para o ocidente) frente à morte de milhares de civis que se limitavam a protestar contra o governo, algo que volta e meia acontece mesmo nos EUA. Por mais que se trate de uma Ditadura, o Egito sempre foi blindado pela mídia ocidental, sempre foi tratado como o Estado imperfeito que, porém, luta contra os terríveis muçulmanos radicais (por mais que a Irmandade Muçulmana esteja longe disto).

Ou seja, era a Ditadura amiga que deveria existir para que a "democracia" ocidental sobreviesse. Que importam 80 milhões de Árabes em uma Ditadura se temos nossos brancos americanos livres (Tea Party à parte)?

O Mirgon Kayser fez, aliás, uma excelente postagem sobre o assunto no Jornalismo B, sobre a "ditadura do bem" do Egito e a mídia brasileira que, como a dos EUA, parece só ter visto agora que o Egito é uma Ditadura e, mesmo assim, não vê problemas nisso. O que importa é assegurar o direito (divido) dos EUA de controlarem o mundo. O Destino Manifesto nunca morre ou sai de moda.
Causou-me estranheza o comportamento de grandes emissoras como a Rede Globo, sempre tão prestativa na defesa da democracia, em silenciar sobre o comportamento das grandes potencias mundiais no que diz respeito ao Egito. Pelo contrário, as primeiras noticias veiculadas na grande imprensa davam conta apenas de protestos relacionados à crise econômico que o Egito está mergulhado e sobre como Mubarak poderia “restabelecer a ordem e dar estabilidade ao governo”.

Claro que minha estranheza tinha algo de cínico, sarcástico, já que eu jamais esperaria que a nossa grande imprensa fosse pedir a cabeça de Mubarak com a mesma energia com que pede a queda de ditaduras como a cubana, a iraniana ou norte-coreana. No fundo, o que importa são os interesses. Fosse o regime cubano “queridinho da América”, e nossa grande imprensa o defenderia ao limite extremo da falta de argumentos.

Enfim, a estratégia de Mubarak é a de manter a repressão, mas usando um artifício inteligente: O de usar terceiros que não podem ser oficialmente ligados a ele.

Com a eterna conivência da mídia ocidental (e as tentativas de bloquear as transmissões da Al Jazeera, simpática aos manifestantes), a idéia é fazer com que seus capangas pagos sejam tratados por "manifestantes pró-governo", legítimos. Se eles irão conseguir reverter o processo ou ao menos dar tempo para que Mubarak pense em outras saídas, é incerto, mas não há dúvida de que Mubarak espera algum sucesso com sua nova tática.

Neste momento os manifestantes estão sendo testados em sua vontade de levar o processo adiante. E, apenas superando este obstáculo - o primeiro, o medo, já foi superado - a revolução terá possibilidade de triunfar.
------

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Islamismo, o coadjuvante incômodo nos protesto egípcios

Os EUA e seus aliados - notadamente os comumente estridentes, mas atualmente silenciosos Israelenses - vem tentando fazer com que a opinião pública mundial olhe para os protestos no Egito não como uma Revolução Democrática em curso, contra a tirania - patrocinada por este mesmo EUA e aliados -, mas como uma cópia da Revolução Islâmica iraniana.

Nada poderia ser mais falso.

É fato que não podemos prever o futuro, o que sairá deste processo incontestavelmente revolucionário (sequer sabemos se Mubarak cairá, por mais que a torcida seja grande, mesmo dentro dos EUA), mas os indícios nos apontam para algo bem diferente do que ocorreu em 79 - e sem tomada de embaixada americana.

Os egípcios que protestam tem em comum com os iranianos de 79 apenas o fato de estarem lutando contra a opressão e a tirania e que, em ambos os casos, estes regimes foram (E são) apoiados pelos EUA. A partir daí, as histórias divergem.

Não há líder ou grupo por trás dos protestos egípcios. A Irmandade Muçulmana, tão temida pelos EUA - ainda que sem grandes fundamentos, explicarei adiante -, aderiu aos protestos dias após seu início e se boa parte da organização das manifestações (ou ao menos o início das marchas) se dá das mesquitas, é porque os protestos começam após a reza do meio-dia (a população é, afinal, majoritariamente muçulmana, ainda que os protestos contem com amplo apoio dos Coptas cristãos) e porque as mesquitas são um excelente ponto de encontro em que as forças de segurança não invadem ou batem, servindo como ponto neutro, seguro.

Não podemos esquecer que Mubarak, presidente/ditador egípcio instou os pregadores das mesquitas a discursar contra as manifestações. Apenas para constar.

Acreditar que, por várias manifestações começarem nas mesquitas, a revolução é "islâmica", é o mesmo que dizer queos EUA são uma teocracia cristão, já que todo presidente dos EUA usa deus em basicamente todos os seus discursos, na pose, em comunicados e etc.

Voltando à Irmandade Muçulmana, vale explicar brevemente o porque deste grupo dificilmente apresentar um "perigo islâmico". Em primeiro lugar - e mais importante - a Irmandade parece com o PT: Fragmentado, cheio de tendências e, assim como o partido brasileiro, tende a adotar posições mais brandas para e quando (se) chegar ao poder. Não necessariamente por esta ser uma vontade da população, mas pela própria organização interna conflituosa e diversa.

Existe na Irmandade mesmo aqueles que preferiam que o grupo sequer se apresentasse como partido. A caridade, os debates filosóficos e religiosos e a irmandade em si deveriam bastar.

Os protestos no Egito, enfim, são autenticamente populares. Não são influenciados - ao menos não de forma visível - por qualquer grupo, partido ou Estado. Mesmo a tentativa de El Baradei de se colocar como liderança esbarrou na desconfiança de muitos egípcios, que vem se organizando coletivamente para, por exemplo, distribuir comida, cuidar de feridos e proteger museus, casas e outros locais de importância.

Alguns já falam na Comuna do Cairo. Talvez uma precipitação, mas o fato é que muitos estão se auto-organizando e fazendo as vezes de Estado.

O medo do Islamismo também não se justifica na Tunísia, onde mesmo o líder do partido islamita local já declarou não defender imposição da sharia, se declara centrista e disse ainda não estar pronto para participar de eleições. Como se vê, bem diferente do perigo e terror pintados pelos EUA e pela mídia ocidental - esta que merece post a parte, em especial a ridícula e vergonhosa mídia tupiniquim.

Voltemos ao Irã: De fato a Revolução (que logo se tornaria Islâmica) era apoiada por diversos setores, desde comunistas a radicais islâmicos. Mas no país havia uma liderança clara, o Aiatolá. Havia um direcionamento, lideranças a seguir. No Egito a coisa parece ser mais ou menos autônoma e os partidos são marginais, meros espectadores em busca de espaço. Sejam eles de esquerda, direita ou religiosos.

O islamismo é apenas o perigo que aponta o ocidente para deslegitimar o anseio popular por liberdade. Estamos falando de um aliado importante dos EUA e de Israel, e não qualquer país insignificante, mas um colosso, o maior país Árabe (em população), um grande receptor de investimentos dos EUA e país estratégico em termos geográficos e políticos.

Não é pouca coisa. E a propaganda estadunidense não poderia deixar de agir.

Mas, enfim, as semelhanças com a Revolução Iraniana existem, mas não justificam o temor de uma repetição, ainda que, se se repetisse e fosse pela vontade da população, pouco poderia ser feito, ou mesmo deveria ser feito além de respeitar a vontade soberana do povo egípcio.

E os EUA, infelizmente, tem o terrível costume de jamais respeitar decisões de qualquer povo se estas forem diferentes da sua vontade, vide a vitória do Hamas na Palestina.
------

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Quando Obama lava as mãos...

...a CIA também lava?

O último discurso de Obama, ontem, trouxe novidades frente ao discurso anterior, mas ambos, em geral, foram fracos, óbvios e demonstram apenas o caráter dos EUA, o de um Estado apenas interessado em defender seus interesses e não o de efetivamente garantir democracia ao mundo.

Obama, no primeiro discurso, claramente buscava ainda manter Mubarak no poder, pedindo por uma saída pacífica do conflito e para o ditador que aceitasse realizar reformas amplas no governo e na forma de governar.

Este pedido foi aceito, ainda que a população pouco tenha se importando. Ditadores, aliás, parecem ser completamente tapados quando se trata de agradar à população. Mubarak nomeou para importante cargo (vice-presidência) o chefe do temido serviço secreto local - a Mukhabarat - Omar Suleiman. Não pode realmente esperar uma boa recepção por parte do povo. Se por um lado os militares são respeitados no Oriente Médio em geral, o mesmo não pode se dizer de chefes de centros de tortura.

Porém, com a recusa da população em se sentir satisfeita com as "reformas" - demissão de todo gabinete e promessa de mudanças políticas -, Obama mudou o discurso. E, novamente, conseguiu ser escutado por Mubarak. Este se comprometeu a não buscar a reeleição nas eleições de Setembro. Claro, isto pode perfeitamente significar que seu filho - odiado pelos egípcios, Gamal - concorra em sue lugar e, com todo aparato estatal nas mãos uma  fraude gigantesca não parece irreal.

O povo claramente quer a deposição de Mubarak e o fim do poder de seu partido, quer uma equipe ou governo de transição que organize eleições livres. Os EUA e Mubarak querem a perpetuação do regime.

Mas Obama não é besta - pode ser um péssimo presidente, mas burro não é -, e por mais que defenda pessoalmente a manutenção do status quo, buscou parecer um estadista que se importa com a população egípcia e com a democracia, por mais que todo o mundo saiba (se não sabia antes o WikiLeaks acabou com a ignorância) que o interesse dos EUA é sempre a de ter ditaduras amigas prontas a aceitar suas ordens sempre.

O discurso de Obama, de mais ou menos 5 minutos, serviu para informar que os EUA conversam com Mubarak e que o convenceram a deixar o cargo em setembro. Mas nenhuma palavra sobre o blecaute informacional, sobre os mortos na repressão (mais de 100), sobre a violência da polícia e de policiais à paisana saqueando a cidade e muito menos sobre a ditadura em si.

Parece aos EUA que Mubarak se trata de um presidente democraticamente eleito que passa apenas por problemas, e não um ditador há 30 anos no poder - com a eterna conivência dos EUA.

Dizer para a "transição começar", mas ainda sob o regime de Mubarak e seu partido é o mesmo que nada, que pedir para que fraudes aconteçam e o sucessor escolhido pelo ditador vença. Ou melhor, que os EUA vençam.

Os EUA jamais consideram "ditadura" aquele país que lhe é aliado. Não vêem problema em Mubarak ou no já deposto Ben Ali, mas não tolera Bashar Assad ou Ahmadinejad (que até as eleições passadas era o presidente democraticamente eleito). Qual o problema com a ditadura na Arábia Saudita ou na Jordânia? Afinal, são amigas!

Enfim, o discurso do Obama foi mais do mesmo. Mostrou-se "preocupado" com a situação, pediu respeito aos direitos humanos... E mais alguns blablablas.

Típico discurso Yankee tirando o seu da reta, fingindo que nunca apoiou o regime e pagando de defensor dos fracos e oprimidos. O pior? Tem gente que acredita.

E, pra terminar, esqueçamos o discurso de Obama, o que a CIA está fazendo? Quem irá matar, quem irá depor, quem irá colocar no poder?

------

sábado, 29 de janeiro de 2011

Protestos no Egito e Mobilização Popular: Superação do medo e a luta contra ditaduras

O Egito chega ao quarto dia ininterrupto de protestos, apelidado de Dia da Ira, em que milhares de manifestantes tomaram as principais ruas do país (como o Cairo, Alexandria e Suez) sem dar sinais de que irão recuar frente à polícia até que caia o regime de Hosni Mubarak, no poder há 30 anos.

Desde ontem a internet no Egito está praticamente inacessível e a população acusa o governo de - ilegalmente - ter "desligado" a internet. O Twitter e o Facebook já estavam inacessíveis e em alguns lugares as linhas de telefonia celular foram cortadas e mesmo a telefonia fixa passa por problemas. A transmissão via satélite do canal Al JAzeera foi cortado no Egito que pode se tornar um verdadeiro buraco negro informacional.

A repressão policial no Egito vem sendo brutal, os mortos são pelo menos 8, centenas de pessoas estão feridas ou foram presas pela polícia e encontram-se em paradeiros desconhecidos. O líder da oposição democrática, o ex-chefe da Agência Nuclear da ONU, Mohamed El Baradei encontra-se preso assim como diversos líderes da Irmandade Muçulmana e de outros partidos de oposição.

Jornalistas, em especial câmeras, são alvos preferenciais da polícia egípcia que tenta somar ampliar o blecaute informacional e proibir que imagens saiam do país.

Os protestos no Egito começaram depois que o líder da Tunísia, Zine el Abdine Ben Ali foi deposto depois de 29 dias de protestos contínuos no país. A queda de um antigo fitador Árabe - forte aliado dos EUA na região - serviu de gatilho para que a revolta se espalhasse para o Egito e mesmo para o Iêmen, onde milhares de manifestantes também exigem a saída de Saleh, no poder há 32 anos.

As imagens reproduzidas pela Al JAzeera e também pela BBC e por outras redes presentes no Egito são estarrecedoras. Frente à extrema violência policial a reação apaixonada e inebriada de milhares - talvez milhões - de egípcios que apenas pelo seu número conseguem forçar as forças de segurança a recuar.

O povo egípcio luta pela queda de Hosni Mubarak e de seu regime e não parecem estar dispostos a aceitar nada além. A mobilização na Tunísia, durante 29 dias, mostrou que o povo pode ter o poder nas mãos. Ou melhor, que o povo pode retomar o poder que ditadores usurparam.

O exército que foi mobilizado nas ruas, até agora, não deu mostras de conseguir conter os protestos e, felizmente, não usaram força total contra a população. É difícil prever o resultado - em termos de perdas humanas - de um envio de tropas do exército para conter as manifestações: Exércitos são treinados não para meramente conter, mas para destruir um inimigo.

Qual será a reação mundial - mesmo entre aliados próximos - se Mubarak decidisse matar a população para se manter no poder? Se isto não acontecer, é difícil que o regime se sustente apenas frente ao número avassalador de manifestantes e frente à crescente insatisfação popular que, finalmente, explodiu.

O grito de guerra dos manifestantes em Alexandria, no Egito, era "Ilegítimo", o que apenas demonstra que um governo - ou mesmo uma ditadura - só se sustentam enquanto povo considerá-lo(a) legítimo(a). Somente a legitimidade popular, ou frente ao povo, garantem a sobrevivência de um regime. 

Ao invés de legitimidade, porém, muitos governos escolhem o medo, a violência pura, a intimidação. Ou a aliança com Estados poderosos que o legitimem aos olhos da comunidade internacional.

Lembremo-nos da Revolução Islâmica no Irã. Apenas a pressão popular derrubou o Xá. Chega um momento em que a mera pressão da população, a desobediência civil e o descontrole causado pelo não funcionamento das estruturas mais básicas do Estado acabam por destruir as bases deste mesmo Estado.

Infelizmente em muitos casos a vontade da população não é tão forte, a mobilização não se sustenta e o medo toma conta.

O mais difícil de prever na atual situação é a posição não só do próprio governo egípcio - se reagirá com mais força  -, mas dos aliados europeus. Grande aliado da Tunísia, a França logo fez-se de desentendida sobre seu longo apoio ao regime ditatorial de Ben Ali, assim como os EUA se manifestaram frouxamente sobre a Revolução.

No caso egípcio, as "potências amigas" já pediram calma e para que Mubarak aceite fazer algumas concessões à população (ainda que estes dêem mostra de que não aceitarão nada além da deposição do ditador) sem, porém, retirarem seu apoio ao regime. A defesa da "democracia" mostra-se, como de costume, apenas uma fachada para que as potências mantenham sua influência em diversas partes do mundo.

O passo mais difícil na luta contra qualquer ditadura é superar o medo. É mobilizar o povo e, depois, manter a mobilização frente ao aumento da repressão. Esta barreira foi superada no Egito.

Mas uma vez mobilizado, é difícil parar o povo. Ou o governo cai ou se mantém derramando muito sangue. E assume as consequências políticas e sociais.

Publicado originalmente no Opera Mundi

------

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Tunísia e possibilidade de "contágio": Um novo Oriente Médio?

Muitos - tanto na grande mídia como na mídia cidadã - tem especulado sobre a possibilidade do ideal da revolução tunisiana se espalhar pelos demais países do Oriente Médio, notadamente o Egito e a Síria.

Não se pode negar a possibilidade de que eventos semelhantes ocorram - no egito um homem imolou-se no Cairo, repetindo o ato desesperado do jovem Mohamed Bouazizi, 26 anos, da cidade de Sidi Bouzid, "gatilho" para a revolução.

Os fatos por detrás do levante popular são conhecidos e vem sendo analisados exaustivamente pela mídia - aliás, recomendo a excelente cobertura que vem fazendo o pessoal do Global Voices - mas acredito que exista uma euforia um tanto quanto exagerada no que concerne o Oriente Médio como um todo.

Em primeiro lugar, sejamos francos, o povo efetivamente expulsou o ditador Ben Ali do país, mas o poder continua nas mãos de seus aliados. E exército ainda não tomou posição clara e o povo não está no poder ou sequer teve a oportunidade de votar - o que, também, não garante democracia.

Os protestos continuam no país, na busca de derrubar um governo de transição cujo controle está nas mãos dos mesmos que o povo derrubou, ou tentou derrubar. A revolução está ainda incompleta.

A situação atual é de anarquia, falta de controle e medo, apesar de ainda restar esperança.

A Tunísia é um país que dificilmente encontra paralelos na região. A Turquia talvez seja um dos raros países que poderiam servir como comparação - mas esta já é uma democracia, por mais que imperfeita.

Com um nível de laicismo semelhante talvez só a Síria, mas a agência oficial local sequer mencionou os recentes acontecimentos na tunísia e o blecaute informacional não deve cair tão cedo. E, diferentemente da Tunísia, a Síria pode invocar o inimigo externo (EUA e Israel) e mesmo um interno (a comunidade Curda no norte que já vive em situação perpétua de medo e sofrendo violações) na tentativa de repelir qualquer tipo de tentativa de desestabilização.


Isto significa que qualquer levante popular seria abafado ainda com mais veemência e brutalidade pela polícia -e provavelmente pelo exército -, sendo taxado de ação patrocinada pelos EUA - como tentou o governo iraniano acusar os "verdes" apoiadores de Moussavi.

O Irã, aliás, é um bom paralelo para a situação. O governo se manteve no poder, em parte, por conseguir unificar forças contra os manifestantes que, diziam, trabalhavam para os EUA. A tese do inimigo externo funcionou perfeitamente, ainda que não fosse inteiramente verdadeira. E, claro, trato aqui em termos simplistas, afinal seria preciso uma mobilização ainda mais forte para desestabilizar de forma efetiva o governo que tinha o exército e a Guarda Revolucionária ainda amplo apoio.


O governo da Tunísia, por outro lado, era aliado dos EUA, ou seja, não faria sentido em seus patrocinadores darem um golpe ou tramarem algo do tipo. Não que fosse impossível, mas ao menos não serve como desculpa para deslegitimar a população em revolta. A tese do inimigo externo caiu por terra e, por ser um país majoritariamente laico, pouco se podia dizer sobre um "perigo muçulmano".

Este apoio dos EUA e de seus aliados, aliás, se reflete nas parcas informações pré-revolução em comparação com a imensa cobertura dada pela mídia aos protestos no Irã. A mídia tem interesses e não esconde - ou tenta e acha que somos tolos. Isto, obviamente, não diminui nem a relevância da revolução tunisiana e nem os protestos no Irã.

O fato de ser fato consumado e de que a Tunísia se trata de um país muçulmano, mas majoritariamente laico, sem que nenhum grupo militante islâmico ameace a estabilidade, facilita a aceitação por parte da comunidade internacional de um novo governo, seja ele o escolhido pelo povo ou outra ditadura amiga.

O problema desta revolução se espalhar reside exatamente aí, na militância islâmica. No perigo islâmico, seja ele real ou não.

É neste ponto em que os mais entusiasmados com a possibilidade de revolução semelhante ocorrer no Egito, por exemplo, se perdem. Os recentes e constante ataques à população Copta colocam em xeque a idéia de que as comunidades religiosas vivem em paz e harmonia no país e de fato existe o perigo de uma islamização do Egito, o que seria péssimo para os interesses dos EUA na região e, obviamente, neste caso, é difícil não convergir até esta tese.

O governo de Hosni Mubarak é uma fachada, mas é laico. Um levante popular dificilmente manteria este caráter do Estado egípcio, o que faria a máquina americana se mover. O mesmo vale para boa parte dos países do norte da África, seja pela população em si, seja pela forte presença de grupos islâmicos militantes.

De qualquer forma, o fato é que todos os atuais ditadores devem estar tomando as medidas necessárias para evitar que algo semelhante aconteça: Tortura, prisões, leis restritivas, espionagem... E, no caso dos aliados dos EUA, deve já ter recebido ofertas de ajuda - entenda como quiser.

O caráter de um levante em países onde o laicismo não é forte ou o princípio básico, seria desde o começo diverso do Tunisiano: O objetivo não seria "democracia", mas a provável implantação de um regime islâmico, com aplicação da Sharia e etc. Não podemos deslegitimar o motor de descontentamento, mas a possibilidade de um governo laico vinda de processos revolucionários no Egito, por exemplo, é pequena.


Fica o dilema final, melhor um Estado ditatorial laico que impõe severas restrições ao seu povo ou uma "democracia" islâmica que também imporia severas restrições ao seu povo?
------

sábado, 28 de agosto de 2010

Egito e Proselitismo Religioso: O Brasileiro irresponsável

Leio no excelente Paulopes Weblog algo que, depois viria a ler exaustivamente nos diversos portais de internet: O caso do imbecil evangélico preso no Egito por fazer proselitismo.

Minha opinião? Deveria mofar na cadeia.

O Egito é, em média, mais aberto que os demais países árabes à discussão religiosa e possui uma significante população cristã (Copta), logo, para alguém ser preso por proselitismo é porque, sem dúvida, deve ter abusado. Existe população cristã? Sem dúvida, mas tudo tem limite.

A nação é francamente muçulmana e, se bem conhecemos "nossos" evangélicos, a figura deveria pregar aos berros em praça pública incomodando a todos e, não duvido, até sendo elogioso com os islamismo.

Todos conhecemos os neopentecostais, são francamente preconceituosos e não tem limites ou noção de respeito pelos demais, não me surpreenderia se, dentre os panfletos encontrados com a figura, constassem ofensas ao Islã. Pessoalmente, acredito que a pregação aos berros em praça pública, em um país não-cristão, já seja razão suficiente para um processo.

Liberdade religiosa é uma maravilha, quando você sabe usar e respeita o lugar onde se encontra. Quer juntar uns amigos e falar de religião? Problema seu, mas não vá em praça pública "evangelizar". Pena que os Trolls de Cristo não entendem o recado.

Obviamente estou fazendo conjecturas, mas não duvido que esteja certo.

O cara mora ha 6 anos no país, não virou evangélico semana passada e dificilmente começou a pregar no dia da prisão, aí tem coisa.

Eu sou totalmente favorável à liberdade religiosa, mas não tolero pregação no meio da rua ou tentativas de evangelizar, especialmente em um país cuja cultura destoa absolutamente da nossa.

Pois bem, ele está preso e será deportado, o Itamaraty tem total obrigação de ajudar neste processo, mas, uma vez no Brasil, a figura deveria arcar não só com as consequências pessoais, mas com as financeiras.

Não faz sentido que o contribuinte seja responsabilizado pelas atitudes - típicas - de um fanático religioso querendo causar confusão pelo mundo.

Art.2*:   Islam is the Religion of the State. Arabic is its official language, and the principal source of legislation is Islamic Jurisprudence (Sharia).

As leis egípcias são claras em proibir que evangélicos façam o que mais gostam: Encher o saco de qualquer um com uma pregação infinita e sem noção. Mas, bem, jesus deve tê-lo mandado se achar acima da lei e agir como um bom Trol de Cristo. Agora que aceite as consequências e pague por elas - não nós.

O Egito, neste ponto, acerta. O ouvido deles não é penico e lugar de crente é no templo, sem encher o saco de ninguém que não quer ouvir. Pena que o Brasil não copie esta idéia.
------

terça-feira, 2 de junho de 2009

O Estrangulamento de Gaza

The strangulation of Gaza

"The people of Gaza suffered immensely from the Israeli assault, which not only killed some 1,400 and injured 5,000 but destroyed or heavily damaged mosques, schools, hospitals, universities, and industrial and other business establishments, in addition to thousands of private homes. Dr. Marwan Sultan, who practices at Kamal Adwan Hospital in Beit Lahiya, told me his hospital was so damaged they had to send all patients to al-Shifa Hospital in Gaza City--which was itself damaged. The bombing of one school in Beit Lahiya killed about forty kids and injured a hundred, Sultan told me. He saw scenes of death and mutilation that still give him nightmares. Thousands are living in tent cities all over the Strip, and the entire population of Gaza is being strangled to this day by a blockade that is choking off any possibility of reconstruction or recovery. Make no mistake about it: the blockade, directly enforced by Israel and Egypt but conspired in by their superpower patron in Washington, is a continuing act of war against an entire civilian population of 1.5 million, a form of collective punishment and a crime against humanity."
Via The Angry Arab!
------