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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O relatório da Funai e o "progressismo" vergonhoso

Li pela blogosfera petista governista progressista a repercussão do "relatório" pífio da Funai. Um relatório feito em três dias, onde só UMA pessoa é entrevistada e os técnicos sequer entram nas terras dos Awá pra verificar alguma coisa pode ser levado a sério? Aparentemente, pode - aliás, nem a própria FUNAI, a verdadeira, não o arremedo Sarneyzista, levou a sério, pois mandará uma equipe de verdade ao local.

Como disse o Rogério Tomaz Jr:
[...] a Funai afirmou enfaticamente que a denúncia não passou de uma mentira, desqualificou aqueles que a divulgaram (citaram alguns trechos do meu desabafo* que ganhou bastante repercussão) e ofereceu para a sociedade um relatório ilustra muito bem o significado do termo embromação.
Desejo – com todas as minhas forças – que o crime não tenha realmente acontecido e que tudo não passe de uma grande confusão informativa.
Entretanto, com esse relatório da Funai, que é também um atestado de negligência, fica difícil crer que a denúncia feita e confirmada por vários indígenas seja um mero boato.
Ler o perfil do Facebook do Emir Sader - que um dia respeitei como intelectual, mas hoje penso em jogar seus livros no lixo  (Pelo menos o FHC teve a decência [sic] de dizer pra esquecerem o que ele escreveu) - ou o blog da Maria Frô - que por vezes tem lampejos de independência, mas em outras demonstra uma cegueira atroz - com o tom de "tirem suas próprias conclusões" é um exercício de paciência e tolerância.

Esta última me falta absurdamente quando o assunto é o genocídio contra os povos indígenas que vem ocorrendo no país.

Será que surpreende que o relatório tenha resultado em uma afirmação tão semelhante com a de famoso blogueiro progressista, o Azenha, que afirmou se tratar de um boato? Falou com a elegância de um mamute, praticamente chamando o blogueiro Rogério Tomaz Jr de mentiroso safado.

Exagero? Talvez, mas qual a sensação que se tem depois de uma séria denúncia ser tratado como espalhador de boatos?

Mas, ao menos, pós-relatório divulgado, o Azenha fez uma mea culpa em que acha tudo "muito estranho".

Diante de um relatório desses, com palavras duras, com acusações diretas contra a blogosfera e palavras que francamente não cabem em um relatório que se preza minimaente científico ou oficial, nada menos que revolta e ultraje são aceitáveis.

O relatório da Funai, aliás, deve ser analisado não apenas pelo conteúdo - parco e pífio -, mas também pela forma. Português macarrônico, tom e veemência descabidos para um relatório oficial, além da investigação ridículamente curta e superficial cujos técnicos SEQUER entraram nas terras Awá. Sério, como alguém pode dizer que investigou um assassinato praticado contra uma tribo isolada sem sequer entrar no território e verificar, mas simplesmente confiando no desmentido de UM índio e deixando tudo mais pra lá?

Gente, levar esse "relatório" a sério é carimbar na testa um atestado de estupidez patológica e irreversível.

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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Genocídio inígena em curso no país... E a Funai conivente.

Não costumo dar publicidade aos meus posts no Global Voices Online aqui no blog, mas desta vez acho importante para denunciar o genocídio silencioso que vem ocorrendo no Brasil contra as populações indígenas que tem patrocínio e incentivo estatal:
As ameaças ao povo Awá por madeireiros, garimpeiros e agricultores interessados em tomar suas terras não são novidade, assim como contra outras etnias do Maranhão, como os Canela e os Krikati. As comunidades convivem há muito tempo com ameaças de morte e com o medo. Em 2008 uma criança Guajajara de 7 anos de idade foi assassinada com um tiro por um motoqueiro na cidade de Arame, e indígenas de outras etnias foram também vítimas de violência semelhante, além de estupros, na região.
A violência contra a população indígena, no Brasil, tem se espalhado e tomado proporções alarmantes. O genocídio em curso contra os Guarani-Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, vem recebendo crescente atenção na mídia alternativa, notadamente na blogosfera, mas ainda é um assunto proibido na grande mídia. O governo federal brasileiro tampouco tem tomado medidas para dar publicidade aos crimes e, especialmente, para evitar novas mortes.
Outras populações tradicionais também são vítimas de violência, em grande parte cometida pelo próprio governo federal, que usa as forças armadas para intimidar Quilombolas - populações negras tradicionais - e expulsá-los de suas terras. A construção da Usina de Belo Monte é outra grave ameaça à sobrevivência de comunidades indígenas inteiras na região amazônica.
Outro perigo que se apresenta para as populações indígenas e tradicionais do Brasil é a possível aprovação do novo Código Florestal, apresentado pelo político comunista Aldo Rebelo em conjunto com a ruralista Kátia Abreu, e que é objeto de contestação por parte de ambientalistas e ativistas das mais diferentes áreas.
Há pouco mais de um ano publiquei um artigo sobre o genocídio contra os Guarani-Kaiowá no Mato Grosso do Sul e há pouco mais outro post foi publicado no GV sobre o mesmo tema. Impressiona como mesmo com um ano de diferença, ambos sejam semelhantes e pudessem ter sido escritos em qualquer época.

Belo Monte, tão amplamente dsicutido, é outro passo rumo ao extermínio de indígenas. Apontar uma arma para a cabeça dos índios não é a única forma de abreviar suas vidas, mas a pressão sobre eles e suas terras os levam ao suicídio - muito comum entre os Guarani-Kaiowá - e nada é feito para conter o avanço deste mal, muito pelo contrário, cada vez mais os índiossão tratados como lixo.

Belo Monte é, hoje, o exemplo máximo, pois trata-se de uma ação direta e deliberada do Governo Federal.

Como disse o @Luckaz, o slogan do governo federal deveria ser "País rico é país sem criança indígena", especialmente quando soubemos do assassinato cruel de uma criança Awá-Gwajá no Maranhão, queimada viva por madeireiros em conluio com a Funai que, de forma tosca, disse que ali nada havia acontecido.

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quinta-feira, 28 de abril de 2011

Preço Justo Já e a falta de crítica da classe média #PrecoJusto

Felipe Neto é um camarada que faz sucesso na internet ao postar vídeos em que, com linguagem carregada de palavrões, mas não sem certa inteligência, critica a tudo e a todos (e sem precisar de milhões em incentivos, viu Maria Bethânia?).

No vídeo que virou a campanha #Precojusto ele corretamente protesta contra os impostos abusivos que pagamos por basicamente tudo, sem recebermos absolutamente nada em troca. Nossa saúde é uma lástima, nossa educação pública é uma piada, segurança é risível (e segurança é encarada como "bater em pobre" apenas).... Concordo com ele na crítica à imbecil campanha contra a pirataria promovida pelo governo. Mas não só pelo preço dos produtos devido aos impostos, mas como crítica à indústria em si.

Tudo correto. Revolta correta - ele ainda, no começo, comenta que a única coisa que "fazemos" é protestar no Twitter. Bingo! Realmente, o estilo classe-média de protesto é achar que sentar no sofá e xingar nas redes sociais muda o mundo.

O grande problema do vídeo, porém, é a ampla generalização dos políticos, colocados todos no mesmo grupo: corruptos e canalhas. E, claro, o de se basear na noção divina do "direito ao consumo", sem qualquer tipo de crítica.

Os protestos classe-medianos tem, todos, uma configuração muito semelhante, não importam as intenções: Colocam a política institucional num limbo completo. Não presta, não serve.

Há, entre a juventude, a idéia firme de que partidos políticos são o mal para o país, são o problema único. Na verdade, boa parte do problema é que este distanciamento acaba por abrir exatamente o espaço que estes partidos precisam para fazer das suas. É exatamente essa ojeriza por grande parte da juventude, os afastando da política institucional, que facilita aos partidos com elementos corruptos roubar descaradamente.

E, ao mesmo tempo, cria-se a aura de que política e política institucional são a mesma coisa. Trata-se de uma juventude classe-mediana facilmente manipulável e óbvia.

Não acreditam na política institucional e, como consequência, se afastam de toda e qualquer política, tornando-se presas fáceis para manipuladores experientes.

Me lembra muito absurdos como o #ForaSarney, de 2009, em que pseudo-celebridades resolveram protestar contra o Sarney, como se ele tivesse aparecido para a política apenas naquele ano. A manipulação midiática sobre o "protesto" era clara. Adolescentes alienados que em sua maioria nunca haviam ouvido falar em Sarney foram levados por sub-celebridades da estirpe de Tico Santa Cruz (quem?) a protestar Sarney não nasceu em 2009, não nasceu aliado de Lula.

Não lembro do DEM ou da Veja apoiarem protestos contra Sarney quando este era aliado de FHC. Isso diz tudo. Semelhanças com o Cansei não são coincidência.

Caso semelhante foi o da quantidade imensa de votos de Marina Silva nas últimas eleições. Tradicionalmente alheios à política tradicional (e em muitos casos qualquer política), foram seduzidos pelo discurso pseudo-ambientalista tão em moda da candidata, legítima representante do atraso (neo)pentecostal.

Trate-se, enfim, de modismo, de ser "hype", de estar ligado ao assunto do momento. A classe média, vazia politicamente, precisa encontrar um tema, um grupo, algo para se destacar e ao mesmo tempo fazer parte de um grupo, uma comunidade. E, facilmente manipuláveis, estes jovens são atraídos pelas idéias e pessoas que brilham mais, que conseguem fazê-los pensar que podem ser "legais" sem mudar nada em suas vidas.

É o velho "fique rico sem fazer esforço", mas neste caso ao invés de rico, você fica "popular".

No fim das contas, o que poderia ser uma reclamação justa e honesta contra os impostos e contra a péssima qualidade dos serviços prestados pelo Estado (aí também entram os péssimos serviços prestados pelas empresas que foram privatizadas, mas neste ponto a classe média não toca), acaba se tornando uma besteira tremenda.

E, lembrando, não toca no ponto principal, que não são os impostos em si o problema, mas sim a "socialização" dos impostos. Rico não paga imposto no país. O problema não é a classe média pagar imposto, mas pagar demais enquanto os ricos não pagam quase nada e, no fim, pouco lhes importa a carga tributária, pois ou ganham o suficiente para não se preocupar com isso ou simplesmente sonegam.

A grande questão a ser debatida não é em si a carga tributária, mas QUEM paga.. E, claro, nem pensar na "campanha" tocar em outros problemas, como o valor dos salários, a precarização do trabalho que também influem na questão.

Segundo Felipe Neto, o problema não é do povo, a culpa não é do povo, mas dos políticos.

Errado.

A culpa também é do povo que vota nos políticos canalhas - em muitos casos SABENDO disso, ou Maluf não seria eleito - e do povo que não fiscaliza, que não participa e mesmo dos que não votam não por ideologia, mas por achar que são só um bando de canalhas. Depois ficam reclamando no Twitter.

É difícil você ter o discernimento para escolher um bom candidato quando se passa fome, quando um saco de arroz faz tanta diferença que você vende seu voto esperando não morrer de fome. Mas qual a justificativa da classe média estudada em colégio particular e que sempre teve de tudo, senão a tentativa de manter seus privilégios e garantir outros?

Política, meus caros, não é só votar, ainda que faça parte, mas ir às ruas, se politizar, compreender o mundo que os cerca, participar de organizações da sociedade civil, de debates no movimento estudantil... Não é fazer parte de um grupo que quer salvar as focas da patagônia achando que vão mudar o mundo, mas participar de conselhos locais, nas escolas, na faculdade... Não é fácil, te afasta do Wii e do PlayStation, mas é isto que faz a diferença.

Aliás, para terminar, alguém duvida que se o objetivo da campanha fosse criticar o preço do arroz e feijão e não do iPad ou dos videogames a classe média way of life não daria a mínima?

A idéia central é o consumo. Não se trata do básico, mas daquilo que os diferencia do resto, da patuléia. A indústria não é a culpada, mas o governo e os impostos. O governo, controlado em muitos casos pelos interesses da... indústria! Cujos industriais fazem de tudo para garantir que não pagarão os impostos e os repassarão para a classe média e para os pobres!

Aliás, convido os revoltados a ir pesquisar como são os impostos na escandinávia. Pois é. Ninguém diz que os impostos no país não são abusivos - eles são -, o problema é o quão deslocada é a crítica. Ou melhor, a crítica alienada que beira o absurdo.

Ser "cool" e descolado pra classe média alienada é protestar unicamente por aquilo que lhe interessa diretamente. Felipe Neto, porém, tem razão, o poder está nas mãos do povo. Mas pena que engajamento só exista quando há reflexos pessoais imediatos.

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Atualização: O blog Imprença fez uma postagem interessante sobre o assunto.
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segunda-feira, 21 de junho de 2010

PT, Maranhão e uma justa homenagem

Pouco comentei no Blog - na verde não comentei nada - sobre a brava luta do Deputado Federal maranhense Domingos Dutra (@DomingosDutra13) contra a direção nacional do PT.

O caso todos conhecem, este bravo deputado, junto com o militante histórico do partido Manoel da Conceição (75 anos e saúde frágil), entrou em greve de fome para exigir que o partido recuasse do golpe que deu contra a direção estadual.

Apoiar Roseana Sarney no Maranhão seria (e é) o mesmo que jogar no lixo 30 anos de luta, 30 anos de embates e combates contra uma das piores e mais agressivas oligarquias do país. Os índices de desenvolvimento do estado falam por sí. O estado está completamente abandonado, pobre, com a população nas piores condições de vida possíveis. São Luís, a capital - e falo por experiência -, está entregue. O centro histórico abandonado, a cidade imunda, perigosa...

Até onde o olhar alcança tudo é da família, ou "famiglia". Terrenos na praia, no interior são dos Sarney. Os melhores empreendimentos tem dedo da família, o principal jornal, a Rede Globo local (que surpresa), os principais políticos estão nos bolsos da famiglia... como uma máfia, tudo controla.

O Maranhão, aliás, é sui generis, o principal jornal de oposição tem o nome de, acreditem, "Jornal Pequeno".

O PT local, o PCdoB, o PDT (de Jackson Lago, que foi cassado a mando da famiglia com a conivência e apoio de nossa "justiça") e tantos outros passaram décadas combatendo essa gangue criminosa para, com uma cartada, a direção nacional do PT obrigar que tudo fosse abandonado.

Era a humilhação final e inaceitável. Humilhação à militância, aos guerreiros, ao PCdoB, ao Flávio Dino... à população do estado.

Esta atitude da Direção, inclusive, foi duramente criticada por muitos militantes não só do Maranhão mas de todo o país e veio logo após outro absurdo: O apoio ao Hélio "Telefônica" Costa para o governo de Minas. outro golpe contra a direção estadual e contra a militância.

Mas, enfim, greve encerrada, uma vitória parcial. A direção nacional continuará a cometer o crime de apoiar a oligarquia estadual, mas permitirá à militância que apoie o candidato do PcdoB - a quem iriam originalmente apoiar - e o espaço para proganda na TV será dividido entre a criminosa Sarney e Flávio Dino.

Parcial, mas ainda assim uma vitória.

Fica aqui minha homenagem a estes lutadores que desafiaram um gigante e conseguiram sensibilizar a todos.


O Blog Conexão Brasília Maranhão é uma boa fonte de informações sobre o caso.
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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Lula e suas "Biografias": Gilmar Dantas agradece [Update]

"Jamais farei um pedido pessoal ou colocarei um alfinete para atrapalhar uma investigação. O Ministério Público tem o direito de agir com a máxima seriedade. Agora, tem que pensar não apenas na biografia de quem está investigando, mas na de quem também está sendo investigado. Porque não temos o direito de cometer erros no Brasil porque, dependendo da carga de manchete da imprensa, a pessoa já esta condenada. Por isso o Ministério Público precisa trabalhar com a maior lisura", Lula
Antes de mais nada, seria interessante alguém avisar ao Lula que "Biografia" não é sinônimo de "Ficha Corrida". Imagino que ele tenha se confundido ou, para usar a linguagem corrente, tenha tucanado a boa a velha ficha corrida.

Biografia, caro presidente, só vale se for honesta, se for justa, se merecer respeito. Gente como Sarney, ACM Neto e toda a corja parlamentar não tem biografia, tem ficha corrida e das mais podres.

Aliás, o Ministério Público e a Procuradoria Geral não tem que investigar pensando em "Biografia". Deve sempre presumir inocência, como mandam os preceitos mais básicos do direito, mas não investigar tendo em mente cargos, posição, hierarquia, poder e, enfim, biografia.

Lula acerta apenas em um ponto:
"- Você tem duas possibilidades. Você pode engavetar processo, você pode aceitar pressão do Poder Legislativo, você pode aceitar pressão do Poder Executivo, você pode aceitar pressão da imprensa - que às vezes quer condenar antes do processo ser feito corretamente. "
A imprensa, de fato, assume a posição de acusador e juiz, condena sem qualquer problema qualquer um ou qualquer organização sem sequer piscar. Por vezes - ou na maioria das vezes - erra feio o alvo, como quando ataca o MST, os Movimentos Sociais ao tempo em que faz vista grossa à visita de um genocida como Lieberman ao Brasil.

Este é, enfim, nosso PIG.

Mas, ainda assim, nada justifica a defesa de uma checagem da "biografia" de gente como Sarney e outros larápios de nosso congresso nacional. Frases lamentáveis como as de Lula na semana passada não só defendendo o Sarney ( o que é em parte compreensível dada a frágil base de sustentação do governo mas, ainda assim, injustificável do ponto de vista da ética e da decência) e dizendo que sua "história no Brasil" o tornaria alguém ou algo acima ou melhor que uma "pessoa comum" é nada mais que repetir e concordar com os bordões dos deputados mais tóxicos e perigosos que se afirmam acima da opinião pública, acima da ética, da justiça e da decência.
- Não li a reportagem do presidente (do Senado, José) Sarney, mas eu penso que o Sarney tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como uma pessoa comum.
Me deixa muito feliz, enfim, a consonância dos meus argumentos com os do PHA:

"Impropriedade número um:

O Ministério Público não deve levar em consideração a biografia de ninguém. Quem leva biografia em consideração é historiador.
O Ministério Público tem que defender a sociedade, independente da biografia de investigado ou investigador.

Biografia é o BO.

Impropriedade número dois:

O emprego da palavra “pirotecnia” escurece ainda mais a treva em que habita o Supremo Presidente do Supremo, Gilmar Dantas (*).
Ela traz de volta a caça às bruxas desferida pelo Supremo Presidente, que considerou uma pirotecnia e uma espetacularização o trabalho do ínclito delegado Protógenes Queiroz e do corajoso Juiz Fausto De Sanctis, que prenderem (duas vezes) o passador de bola apanhado no ato de passar bola, Daniel Dantas, e duas vezes, em 48 horas, libertado por Ele.

O Ministério Público (leia-se Rodrigo de Grandis), Protógenes e De Sanctis faziam parte de um conluio – segundo Gilmar Dantas (*) – para instalar no Brasil um “estado policial” de viés nazista.

O Presidente Supremo do Supremo, na esteira dessa ofensiva contra a pirotecnia, conseguiu a proeza de cobrir o Brasil de vergonha: é o único país relativamente civilizado que não algema branco, rico e de olhos azuis.

Impropriedade número três:

O Presidente Lula mencionou a possibilidade de o Congresso – ou quem quer que seja – “castrar” o Ministério Público.

Quem mais quer isso – transformar o Ministério Público num eunuco, de voz fina e inaudível, é precisamente o Supremo Presidente do Supremo, Gilmar Dantas (*).

Gilmar Dantas (*) certamente prefere que o Conselho Nacional de Justiça, onde Impera, substitua as atribuições do Ministério Público.

O Presidente Lula perdeu a oportunidade de transformar a solenidade num ato de afirmação do Ministério Público como uma inalienável e irreversível conquista dos cidadãos (com ou sem biografia) dessa subdemocracia em que ainda vivemos.

Paulo Henrique Amorim"

Eis que não somente o PHA tem opinião contrária aos argumentos toscos do presidente Lula, Waldemar Rossi, para o Correio da Cidadania chuta o pau da barraca com o excelente artigo "Neste país alguns são mais iguais que os outros". Vai pelo mesmo caminho que o PHA e também pela minha linha de raciocínio, como assim respeitar a biografia e tratar de forma diferenciada alguém porque tem cargo ou é "otoridade"?
"Como aceitar que um presidente da República possa advertir que "é preciso ter cuidados com biografia de investigados", referindo-se ao caso Sarney? Convém lembrar que Lula já tinha extrapolado de suas funções ao defender o fim das denúncias sobre os crimes políticos de Sarney, afirmando que o senador "não é uma pessoa comum". Ora, mas não é isso que garante a Constituição brasileira, que "somos todos iguais perante a Lei? "Ora, a lei!", repetirá alguém, em defesa de Lula e de suas "derrapadas políticas".

Assim, para o presidente da República, todos são iguais perante a lei. Mas, alguns são mais iguais que os outros (*). Inclusive ele. O comportamento e as falas do presidente deixam claro: o povo que trabalha pode ficar desempregado, receber baixos salários, ter trabalho precário, ser tratado como escravo, viver de esmolas, ter sua vida devassada e denunciada publicamente, ficar preso sob as piores condições destinadas a um ser humano. Mas os políticos não podem porque são seres acima dos humanos comuns. Assim como ele e seus auxiliares mais diretos.

(*) "Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais do que os outros." Conforme "A Revolução dos Bichos" de George Orwell, Editora Globo."

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segunda-feira, 13 de julho de 2009

O Fora Sarney e o poder da mídia virtual


Pelo Twitter nasceu o movimento Fora Sarney (ou #forasarney).

Um grande sucesso na rede, chegando a ficar entre os dez mais "trending topics" do Twitter mas, nas ruas, um retumbante fracasso não conseguindo mais que 50 pessoas no maior dos protestos "reais", em São Paulo. Em outras capitais, vergonhosos 30 "manifestantes", se muito!

O que deu errado?

De início vejo alguns problemas:

- A presença de sub-celebridades querendo se promover, como Tico Santa Cruz (quem?), e posar de alguém interessado, socialmente ativo e etc.

- O "hype" criado em torno do #forasarney, muita gente sequer sabia do que se tratava mas usava o "hashtag" nos twitts, achavam chique, moderno, achavam que faziam parte de algo interessante e maior. Acabou por inflar os reais números de possíveis participantes de protestos físicos, "reais".

Quem não conhece o orkut e a orkutização de outras ferramentas como o Twitter que compre esses moleques de 14-15 anos, que flertam com os Emos (se não o são) e totalmente alienados.

- O fato de brasileiro, dizia Millôr, só levantar a bunda pra torcer. O mesmo Millôr comentou ainda que faltava um golpe de Estado ou fraude - como em Honduras ou Irã, mais claramente - para que houvesse real mobilização do Twitter para o plano real. Uma coisa é usar o PC confortavelmente de casa e "protestar", outra bem diferente é sair de casa, do conforto e andar, se cansar, militar, pôr as manguinhas de fora, a bunda de fora e ir realmente protestar.

Se o brasileiro tivesse esse gosto por militar talvez as coisas andassem diferentes por aqui, mas já estou divagando.

- A falta de uma liderança, de uma centralização coerente, de apóio com alguma experiência. Não falo de uma centralização partidária ou um partido em si, sindicato e etc por trás, mas a formação de uma liderança consensuada entre os que queriam de fato protestar para agitar, organizar, levantar as massas. 500 pessoas sós não fazem nada sem alguém ou um grupo para coordenar, vira turba, não protesto. Imagina os milhões que pareciam apoiar tudo que acontecia pelo Twitter! Sem qualquer direcionamento, base ou rumo.

- O erro do alvo. Não que Sarney não seja um escroto (para me limitar a apenas uma ofensa não-proibida para menores), ele é um e de marca maior, mas não é o único. De que adianta atacar uma erva daninha mas deixar todas as outras centenas tomarem o lugar? De que adianta dizer que Sarney é A ou B quando ele é apenas igual às demais "excelências"?

Junto à isso vem o problema do Lula ter apoiado o crápula, o que balançou os Lulistas de plantão. Mas os argumentos dos Lulistas até tem algum sentido, ao menos o Sarney é um oportunista e apóia o que quer o governo (até certo ponto) e alguém diferente no lugar poderia causar muito mais problemas. Tudo bem que o PT vendeu a alma para a direita para governar mas o argumento, dentro desta perspectiva, tem sentido, atacar o Sarney seria atacar o próprio governo e colocar alguém pior - para eles - no poder.

Enfim, tirar 6 por meia dúzia para o povo não faria diferença, mas para o governo faria muita, isso acabou afastando ainda mais uma parcela militante, experiente e engajada, enfraquecendo o movimento.

Dito tudo isto fica a questão, vale à pena ainda tentar dar sobrevida ao "movimento"?

Bem, aparentemente sim, e agora o "movimento" foi adotado pelo Noblat que vem organizando pelo twitter maneiras de conseguir visibilidade e algum resultado ainda que, obviamente, o movimento não tenha mais qualquer intenção de ir às ruas.

O Movimento Saia às Ruas, contra o Gilmar Dantas, ainda que também pequeno, teve maior alcance por ser uma causa de apóio amplo e fácil, ter uma boa base de apoiadores, de gente experiente, militante e, acima de tudo, conhecida e respeitada.

O Movimento #Forasarney ainda não conseguiu chegar nem perto. Sem falar que quem deveria ser atacado e se sentir constrangido, o Gilmar Mendes, de fato ficou, e vem sofrendo uma perseguição midiática (mídia alternativa, obviamente) forte, que o levou até a dar entrevistas em tom de desagravo à (vendida, salafrária e absurda) Veja e o movimento conseguiu algumas linhas na grande mídia pelos protestos que fez/faz. O PIG não tem como esconder tudo, afinal.

O #Forasarney, por outro lado, nasceu sem apoio da blogosfera de peso, contou com o apoio de sub-celebridades que, ao invés de atrair, afastaram àqueles que tem alguma bagagem, que jamais colariam sua imagem com gente que só quer se promover.

Voltando ao Noblat, o mesmo adotou a causa e está chamando um movimento em blogs, sites, orkut e no twitter, um protesto virtual onde todos os meios digitais estampariam uma imagem "Fora Sarney" (a imagem do começo do post), seja nos sites, seja nos perfis de orkut e etc, em protesto pedindo a saída de Sarney.

Se este protesto virtual dará certo, ou se a mídia comum ao menos prestára a mínima atenção, é um mistério. O poder do twitter no Irã e em Honduras foi sentido não pelos "protestos virtuais" mas pelo poder de mobilizar e convidar pessoas a ir às ruas de fato e também como ferramenta de intercâmbio de informações que, de outra maneira, não sairiam dos países em questão.

Ou seja, o Twitter foi um veículo agregador, multiplicador e de divulgação, foi uma ponte apenas e não um fim em si, como os do #Forasarney parecem achar.

Uma coisa inegável é o poder das mídias sociais, mas também não vamos abusar e achar que ela sozinha muda o mundo.

Mas um protesto unicamente virtual é algo que vale à pena esperar para ver se vingará, se Sarney prestará a mínima atenção, depois de não ter se importando por décadas com nada além do enriquecimento próprio e de sua família às custas do Maranhão e do Brasil.

Ah, link pra petição online do #Forasarney: http://www.petitiononline.com/gosarney/petition.html
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quinta-feira, 2 de julho de 2009

#ForaSarney: Ou Como não fazer um protesto


No Twitter o movimento segue forte. Só ontem os acessos ah hashtag #ForaSarney ultrapassara os 2 milhões (2.320.000), mas na "realidade", nos protestos de rua convocados, nenhum sequer chegou a agregar 30 pessoas (Update: Salvo o de São Paulo com cerca de 50, viva!).

No Rio, apenas 26 pessoas se animaram a participar. Em Campo Grande (MS) os manifestantes tiraram algumas fotos e é possível ver o número diminuto de participantes.

Em São Paulo, 50 compareceram. E não vale contar os que estavam parados na frente do MASP tentando entender o que acontecia!

Mas, também, o que esperar de um movimento capitaneado por duas sub-celebridades como Tico Santa Cruz (Quem?) e Marcelo Tas? Marcelo Tas que, aliás, defendeu a PM na invasão da USP e foi obrigado a se retratar depois...

Já não bastava ter virado garoto-propaganda da Telefónica.... Tem gente que não sabe quando chega ao fundo do poço!
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Não sei o que me deu mas fui até o blog do tal do Tico Santa Cruz (Quem?) e me deparei com algo ainda mais ridículo que o comparecimento aos protestos...

O Post "Sarney Venceu" é simplesmente grotesco!

Segundo o "jornalista" (sic mil vezes), Sarney teria vencido porque milhões de brasileiros não participaram dos protestos e também porque muitos ridicularizam o protesto. É uma análise tão torpe que QUASE não merece comentários.

Quase porque, infelizmente, tem gente que realmente lê o blog do indivíduo e porque conseguem levar a figura à sério....

Sarney não "venceu", tampouco perdeu . Um protesto organizado por meio de uma ferramenta da qual uma parcela ínfima da população brasileira participa não é termômetro para nada.

Além disso, esperar que milhares - milhões? - de cibermilitantes realmente saiam às ruas para protestar em um país em que não se levanta a bunda da cadeira para nada além de torcer (obrigado, Millôr), é querer muito! É preciso fumar e cheirar demais para acreditar realmente numa besteira dessas!

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Quanto a idéia em si, interessante. No Irã boa parte dos protestos vem sendo organizada pelo
Twitter, muita informação sai do país também só através deste meio e o mesmo vale para Honduras, onde até a energia elétrica vem sendo cortada e foi baixado um Estado de Sítio ("apenas" por 72h, lamenta o Uol).

Mas no Brasil a coisa é diferente. E vimos apenas sub-celebridades tentando aparecer e não um movimento legítimo de massas, mas algo arquitetado por gente que quer ter mais que 15 minutos de fama e ser alguém, fingindo realmente se preocupar com o país e com alguma coisa séria.

Um movimento que tinha até uma cara, uma idéia curiosa, descambou para uma palhaçada mal organizada e um fracasso total.

Aliás, voltando à idéia central, ela é simplista. De que adianta um #ForaSarney? Sai Sarney e entra outro igual. Vão puxar um "Fora" sempre que um novo canalha assumir o posto?

O protesto deve ser contra o congresso, contra os corruptos, contra todos - ou quase todos - e nao contra A ou B, acabando por fazer o jogo de quem quer derrubar o Lula.

Longe de mim defendê-lo, detesto Lulismo, mas a derrubada do Sarney interessa à quem quer barrar o governo, e é fato verificar. Se o DEM está envolvido, alguma coisa podre paira no ar.

Enfim, o protesto foi um fracasso, algumas sub-celebridades já jogaram a toalha mas alguns no Twitter continuam a defender a continuidade, que o próximo será maior e etc...

Quem viver verá!
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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Fora Sarney! [Update]

Movimento organizado pelo Twitter marca protestos em várias capitais e exige a saída de Sarney!

Via Saia às Ruas:

#forasarney *Belo Horizonte* Dia 01/07, quarta-feira, Praça da
Liberdade, às 14h! RT & Passe pra frente!

RT @arthur857 pode divulgar: #forasarney
in *Rio* 01/07 13h, na Cinelandia!

RT @FabianoPedroso #forasarney
*Porto Alegre* 1/07 quarta 12h30mim na Praça da Matriz!

RT @PunkMaldito Galera de
*Campo Grande*, MS, vamos nos reunir quarta 01/07 18h Praça do Rádio. Vamos
fazer barulho! #forasarney

RT @bondedakarinona *SP* dia 01/07
19h Marcha #forasarney concentração no MASP. Tragam apitos e buzinas!

RT @ricardo_menezes chegarei na
segunda em *Brasília.* Na quarta eu vou representar Pernambuco! 19h, na
frente do congresso.

RT @BOSCHINI Manifestação simbolica em
*Campinas*, (01/07), 19h na frente da prefeitura! #forasarney AJUDEM A
ESPALHAR

RT @ANINHAESTRELA Recife quer entrar nessa, Mobilização dia 01/07 ás 17h na Praça do Diário centro!

#forasarney em Goiania dia 01/07 as 19h na Assembleia Legislativa!

#forasarney Florianópolis – 01/07, 19h, Assembléia Legislativa.

#forasarney Curitiba – 05/07, 15h, Praça Tiradentes

#forasarney Natal – 01/07, 15h, Praça Cívica.

#forasarney Manaus – 01/07, 19h, Parque dos Bilhares.

Fonte
Andou circulando por e-mail nos ultimos tempos:
"- Para nascer, Maternidade Marly Sarney;

- Para morar, escolha uma das vilas: Sarney, Sarney Filho, Kiola Sarney ou Roseana Sarney;

- Para estudar, há as seguintes opções de escolas: Sarney Neto, Roseana Sarney, Fernando Sarney, Marly Sarney e José Sarney;

- Para pesquisar, apanhe um táxi no Posto de Saúde Marly Sarney e vá até a Biblioteca José Sarney, que fica na maior niversidade particular do Estado do Maranhão, que o povo jura que pertence a um tal de José Sarney;

- Para inteirar-se das notícias, leia o jornal O Estado do Maranhão, ou ligue a TV na TV Mirante, ou, se preferir ouvir rádio, sintonize as Rádios Mirante AM e FM, todas do tal José Sarney. Se estiver no interior do Estado ligue para uma das 35 emissoras de rádio ou 13 repetidoras da TV Mirante, todas do mesmo proprietário, do tal José Sarney;

- Para saber sobre as contas públicas, vá ao Tribunal de Contas Roseana Murad Sarney (recém batizado com esse nome, coisa proibida pela Constituição, lei que no Estado do Maranhão não tem nenhum valor);

- Para entrar ou sair da cidade, atravesse a Ponte José Sarney, pegue a Avenida José Sarney, vá até a Rodoviária Kiola Sarney. Lá, se quiser, pegue um ônibus caindo aos pedaços, ande algumas horas pelas ‘maravilhosas’ rodovias maranhenses e aporte no município José Sarney.

Não gostou de nada disso? Quer reclamar? Vá, então, ao Fórum José Sarney, procure a Sala de Imprensa Marly Sarney, informe-se e dirija-se à Sala de Defensoria Pública Kiola Sarney.

Seria cômico se não fosse tão triste. E mais: o Maranhão é o estado com o maior índice de mortalidade infantil."


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