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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

JK foi assassinado, o que a mídia tem a ver com isso? #DesarquivandoBR

A Comissão da Verdade de São Paulo descobriu recentemente algo que muitos suspeitavam: Juscelino Kubitschek, ex-presidente do Brasil, foi assassinado pela Ditadura Militar.

Muitos suspeitavam ou mesmo sabiam, mas me parece marcante o desdém da mídia com a revelação.

Se por um lado é fato que a morte de Mandela seja um "evento" global, de máxima relevância e que mereça destaque nas "homes" dos jornais online e sites noticiosos, por outro é impressionante o rodapé a que foi relegada a notícia de que um presidente brasileiro foi morto por militares enquanto pregava a volta da democracia e combatia estes mesmos militares.

A notícia do assassinato de JK não figurou em destaque na ampla maioria dos portais e jornais online, com a exceção honrosa do El País que, apesar de ter versão em português, não é brasileiro. Este não teria, em tese, o famoso "rabo preso" com patrocinadores e com a própria história.

Como podemos entender este comportamento, este anti-jornalismo senão pela intenção clara e descarada dos principais jornais de esconder fatos que possam levar a novos questionamentos sobre seus papéis durante a Ditadura (ou mesmo em sua preparação)?

O problema não se limite à falta de destaque nas primeiras páginas, mas também à falta de comprometimento em levar à população os detalhes, os fatos, buscar debater o significado de tal descoberta (ou de tal afirmação de certeza histórica) para o país.

Não superamos a Ditadura. Não superamos a violência, a repressão, o comportamento midiático e parlamentar de superioridade frente ao povo. E jamais superaremos enquanto não for possível iniciar um debate amplo com todos os setores da sociedade sobre sua participação, colaboração e/ou resistência.

Jornais como o Estado de São Paulo ou a Folha de São Paulo apoiaram ativa e entusiasticamente o Golpe e a Ditadura subsequente, fato este narrado em livros de história, em blogs, mas que tais periódicos fazem o máximo esforço para esconder ou para baixar a poeira, sempre que em a tona.

Mais uma vez vemos a repetição do comportamento.

Não interessa à Folha ser novamente questionada sobre seu apoio à Ditadura. Não interessa ao Estadão ser questionado se sabia, na época, que JK havia sido morto pela Ditadura com a qual era conivente.

O questionamento a ser feito a diversos jornais é: Vocês sabiam e esconderam por décadas o assassino (no caso, o Estado Brasileiro) de JK?

Será que algum dia teremos esta resposta?

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Esta postagem faz parte da VIII Blogagem Coletiva #DesarquivandoBR

A blogagem coletiva ocorrerá do dia 10 a 13 de dezembro. Pedimos para que os blogueiros que se agregarem a esta iniciativa deixem um comentário a esta chamada com o link do seu texto, que será divulgado aqui também. No dia 13 de dezembro, aniversário do AI-5, realizaremos um tuitaço a partir das 21h e concentraremos esforços nas postagens também no Facebook. Participem e acompanhem pelo perfil @desarquivandoBR e/ou pela hashtag #DesarquivandoBR no twitter e na nossa fan page no Facebook e coloque a marca da campanha no seu avatar.

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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Os colunistas "do bem" ou o fascismo que enxergamos

O artigo do Marcelo Coelho na Folha, "fascistas do 'bem'" é ridículo por inteiro, mas esta parte é especial:
"Pelo que diz minha sensibilidade para o assunto, os dois manifestantes não tinham jeito de gays. Talvez, se tivessem, eu não estaria escrevendo este artigo. Não sei.

Tinham, isso sim, as características claras do jovem fascista urbano brasileiro. A voz desarticulada, o espírito do oba-oba cervejeiro, o celular na mão e a ideia pronta na cabeça."
Vejamos se entendi: O fato dos dois rapazes que escracharam o Feliciano serem heteros diminui a força ou a validade de seus atos? O colunista olhou pra cara deles e logo concluiu que são fascistas dando características... ridículas, pra afirmar seu ponto?

Então os escrachos que o Levante Popular fazia contra torturadores da Ditadura era algo fascista? Pois sim, a gênese é a mesma, o método é o mesmo.

Ele ainda se complica ao comparar a atitude legítima e política de escrachar o homofóbico, racista, ladrão, estelionatário (enfim, um bandido) que é o Feliciano com isso:
"Suponha a torcida de um time que acabou de ganhar o campeonato. Encontra, no meio da festa, uns quatro ou cinco adeptos do time derrotado. Não contente com a vitória, a torcida vencedora resolve hostilizar os perdedores. Hostiliza, xinga, cai de pancada em cima dos coitados —para lhes “dar uma lição”."
Em primeiro lugar, não há NADA de errado em um torcedor de time vitorioso provocar o torcedor do derrotado, faz parte e, aliás, é uma das coisas que torna o futebol prazeroso. Outra coisa, óbvio, é a violência. E no caso em tela, em segundo lugar, NÃO HOUVE violência alguma, tão somente provocação justa.

Claro que sequer comparar questão de direitos humanos com futebol dentro destes termos é ridículo, mas vamos em frente.

Em seu raciocínio torto ele continua:
Isso, para mim, é puro fascismo, e não depende de nenhuma orientação ideológica. Trata-se de oprimir, em grupo, o derrotado, o minoritário, o sem defesa.
Ele está errado sob qualquer perspectiva sociológica, mas, mesmo que concordemos com ele e esqueçamos do valor e peso da ideologia, ele continua... errado. E a razão é simples: Feliciano oprime o derrotado, o violentado, o minoritário, o sem defesa.

E digo "derrotado" e "sem defesa" lembrando por exemplo das travestis, violentadas todos os dias sem conseguir defesa, dos gays assassinados e torturados sem poder se defender e derrotados por este governo homofóbico do qual Feliciano não apenas faz parte, como tem trânsito e poder - junto com outros bandidos neopentecostais travestidos de pastores e deputados.

Fascista, pela definição de Marcelo Coelho é sua assumida vítima, Feliciano.

Mas ele deixa o melhor pior pro final:
Há 30 ou 40 anos, é possível que fizessem o mesmo se algum transexual estivesse a bordo. Qual o propósito de hostilizar Feliciano? Puni-lo por ser quem ele é? Em nome de que minorias você se levanta da cadeira do avião e puxa um coro para avacalhar quem quer que seja?
Sim, ele comparou um homofóbico e estelionatário com intenções claras de criminalizar LGBTs e mulheres com... a vítima! É realmente uma façanha.

Feliciano não está sendo "punido" por ser "quem ele é", está sendo "punido" por defender o que ele defende. Por defender o racismo e a homofobia. Minorias, em nome DELAS, se levantam para denunciar - ou "avacalhar, como diz o colunista - o opressor. E continuarão a fazê-lo à despeito da grita de colunistas que nunca souberam o que é ser vítima de preconceito.

Não sei se Marcelo Coelho é gay ou hétero, mas neste artigo ele sem dúvida se coloca ao lado e como um macho, branco, heterossexual de classe média. E isto diz tudo.
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quinta-feira, 21 de março de 2013

GV - Censura derrota Falha de São Paulo abrindo precedente perigoso

Desde dezembro de 2010 o Global Voices Online tem acompanhado a disputa judicial entre o jornal Folha de São Paulo e o blog satírico Falha de São Paulo, que foi censurado em setembro daquele ano devido as paródias feitas contra o jornal, seus jornalistas e diretores. Em setembro de 2011, na primeira batalha nos tribunais, o resultado foi um empate, o que levou os irmãos Lino e Mario Bocchini, idealizadores do site, a recorrerem no ano seguinte em busca do direito à se expressarem livremente e criticarem um dos maiores jornais do país.

No dia 20 de fevereiro de 2013 teve lugar o segundo round nos tribunais e, desta vez, a liberdade de expressão foi derrotada. Ou ao menos foi esta a percepção inicial dos irmãos Bocchini e de muitos de seus apoiadores.
Lino Bocchini antes do julgamento da Falha de São Paulo. Foto do coletivo Fora do Eixo/PósTV. Uso livre.
Lino Bocchini antes do julgamento da Falha de São Paulo. Foto do coletivo Fora do Eixo/PósTV. Uso livre.
O jornalista Felipe Rousselet escreveu:
O Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu nesta quarta-feira, 20, que o blog Falha S. Paulo deve continuar fora do ar. 
A decisão de manter a CENSURA ao Falha de S.Paulo deixou de lado todo o debate sobre liberdade de expressão e se baseou apenas nas leis de Mercado. O desembargador Edson Luiz de Queiróz manteve o blog fora do ar com a justificativa da similaridade entre o nome Falha de S.Paulo e a marca registrada pela Folha de S.Paulo.
Além de um caso óbvio de censura judicial, a manutenção da CENSURA ao Falha de S.Paulo abre um precedente perigoso para a liberdade de expressão, principalmente em relação a sátira e a ironia.
Parte da defesa da Folha de São Paulo se baseava no argumento de que existiria “uma apropriação do uso de marca, o que é inadmissível: a paródia em questão se trata de uma imitação”.

Artigo completo no Global Voices Online.
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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Jornalista Lino Bocchini, da Falha de São Paulo, novamente censurado

A censura não é algo incomum ao jornalista e blogueiro Lino Bocchini. Responsável, junto com seu irmão, pelos blogs satíricos Falha de São Paulo, censurado pelo jornal Folha de São Paulo, e Desculpe a Nossa Falha, foi mais uma vez censurado, desta vez pelo programa Roda Viva, da TV Cultura, canal que pertence ao Estado de São Paulo, governado pelo PSDB, de centro-direita.

E-mail recebido por Lino Bocchini oficializando o convite ao programa Roda Viva
Há dias anunciando sua participação no programa de entrevistas que é conhecido pela qualidade das entrevistas feitas, Lino recebeu poucas horas antes do programa que sua participação havia sido cancelada pelo que muitos consideraram uma péssima desculpa:
@LinoBocchini: Acabo de ser cortado do @rodaviva de hoje. A justificativa foi que "tinha um entrevistador a mais"
E acrescentou:
@LinoBocchini: Não pedi pra ser convidado. Gentilmente aceitei ir ao @rodaviva do Mainardi. E agora me cortam com a desculpa de q "tinha um a mais". Ã-hã
Apenas poucas horas antes, ele havia tuitado confirmando sua participação:
@LinoBocchini: A convite da @tvcultura, hoje às 22h tô na bancada do @rodaviva para entrevistar Diogo Mainardi http://goo.gl/vCDh8
Print feito por Lino Bocchini da página do Facebook da jornalista Mona Dorf confirmando sua particpação horas antes de ser "desconvidado".
O jornalista Igor Ribeiro foi outro a duvidar da desculpa dada pela TV Cultura, assim como o blogueiro Dafne Sampaio:
@Igorvribeiro: O @linobocchini foi convidado para entrevistar o Mainardi no @rodaviva e, depois, desconvidado. "Tinha um a mais", disseram. A ver...
@Dafnesampaio: o @linobocchini foi cortado do @rodaviva com o mainardi porque tinha "um entrevistador a mais".e pascowitch entrou no lugar... quer dizer...

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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Haddad e Kassab: Carta na Folha e a revolta governista

Leiam a seguir carta que publiquei no Painel do Leitor da Folha:
Por mais que eu concorde com as críticas de Fernando Haddad a Kassab ("Haddad diz que Kassab é o 'pior prefeito do país'", "Poder", ontem), não posso deixar de lembrar que, há apenas poucos meses, ambos eram aliados de primeira ordem, melhores amigos, com Kassab sendo convidado de honra para a festa de aniversário do PT e, então, aliado garantido do partido. Não são as coisas que mudam em poucos meses, é a hipocrisia de políticos que continua sempre a mesma.
Raphael Tsavkko Garcia (São Paulo, SP)
O engraçado é que minha carta à Folha não ataca o Haddad, mas tão somente traz à tona um fato relevante e conhecido: Kassab foi aliado do PT por algumas semanas. Foi convidado de honra da festa do PT. Mas deu uma lição de engenho político no Lula ao se bandear de volta pro lado do Serra - ainda que, no nível federal seu PSD permaneça na base aliada.

O problema na verdade é que os petistas tem medo de uma coisinha muito simples: História. Eles não querem ter memória (talvez daí venha a conivência de dilma com os milicos torturadores e a piada da Comissão da Verdade que não fará metade do que deveria) e se limitam a xingar aqueles que não se forçam a esquecer do passado (recente).

Memória, história, lembrança... São armas contra o PT e seus fanáticos de guerra. Petista corre da história/memória como pastor evangélico corre do imposto de renda.

Começamos com uma série de ataques de um perfil fake petista. Irrelevante, para dizer o mínimo. Mas foi daí que a corja fanática passou a também atacar.

"Fui comunista..." Na verdade eu nunca fui Comunista, e sim sou socialista, coisa que o PT não pode se declarar ha muito.

Reinaldo Azevedo? Aquele cara da revista que anda elogiando sem aprar as privatizações do PT?

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terça-feira, 12 de junho de 2012

Apolinário: Os privilégios de um homofóbico e a bancada do ódio

Mais uma vez a Folha publicou uma carta minha, novamente mutilada. Mas é melhor que nada.

Desta vez contestando a tosquice do vereador e homofóbico de plantão Carlos Apolinário (evangélico, obviamente, e autor do "Dia do Orgulho Hétero" e que já usou a bíblia para defender o nepotismo) que resolveu mais uma vez considerar que manfiestações legítimas de uma minoria perseguida e vítima de abusos como "privilégios" e, como não poderia deixar de ser, Apolinário resolveu ir mais além e perseguir casais gays que adotam crianças - talvez, para ele, fosse melhor deixar as crianças apodrecerem em orfanatos, nas ruas ou talvez serem molestadas por padres e pastores.

O Sakamoto foi direto:
“Algum psicólogo ou juiz já parou para pensar como esta criança se sentirá diante dos seus colegas na escola ou na rua da sua casa, quando ela tiver que enfrentar o mundo, para explicar que está registrada no nome de um casal formado por duas pessoas do mesmo sexo (…) O que acontecerá com uma criança que vai morar com duas pessoas do mesmo sexo que têm relacionamento sexual? Como estará a cabeça dela durante a infância ou a adolescência?”
Até uma ostra saudável em dia de maré baixa se perguntaria: “Ué? Mas não é ele mesmo, com suas posições, que ajuda a produzir e manter esse mundo preconceituoso?”
Ou seja, a velha tática de, uma vez questionado, usar o discurso de culpar a vítima.
- Ah, mas ela pediu. Ninguém bota uma saia curta dessas se não estava pedindo.
- Quem mandou esse reporterzinho ir fuçar os nossos negócios. Se ele tivesse ficado na dele, estaria vivo agora.
- O fazendeiro estava apenas se protegendo. Aqueles índios deveriam ter se mudado quando a fazenda foi aberta. Decidiram ficar, assumiram o risco.
- O trabalhador acaba entrando porque quer nessas condições de serviço e depois diz que é escravo só para que o Estado confisque a terra e lhe dê de presente na reforma agrária.
Adoraria que isso fosse engraçado. Ou ficção. Muita gente agarra argumentos como o do vereador e, sem pensar, o acolhem. Por quê? Porque é mais fácil viver assim e justifica o preconceito. Para quem não foi instigado a duvidar de tudo o que lê, ouve e vê – inclusive disto que escrevo agora – pode ser um porre ter que pensar no que há por trás das coisas.
Enfim, eis o que a Folha publicou do comentário que enviei:
O vereador Carlos Apolinário (DEM-SP) deveria parar de se preocupar com o que os gays fazem ou deixam de fazer ("Direitos ou privilégios?", Tendências/Debates, ontem). Políticos não são eleitos para legislar sobre a orientação sexual das pessoas ou sobre garantias constitucionais.
Raphael Tsavkko Garcia (São Paulo, SP)
E o que efetivamente enviei (em negrito o que foi omitido):
O vereador Carlos Apolinário deveria parar de se preocupar com o que fazem ou deixam de fazer os gays e cuidar não só de sua própria vida, como da cidade. Que me conste, políticos não são eleitos para legislar sobre a orientação sexual dos demais ou sobre garantias constitucionais. Advogado e empresário, como se define o vereador, não sei porque resolveu agir como psicólogo e juiz, colocando seus preconceitos religiosos frente a sua humanidade - ou seus deveres como legislador -, mas recomendaria que prestasse mais atenção à Marcha pra Jesus que constantemente prega o ódio e o preconceito do que à Parada Gay, que prega o amor e a tolerância, algo que falta ao nobre Apolinário.
Não mudo uma linha do que disse. E digo mais:

Apolinário é, como todos os demais políticos evangélicos que usam seu mandato para perseguir minorias e para pregar a ignorância e o ódio, um inútil que deveria ser proibido de exercer cargos públicos em um Estado Laico e signatário de diversos pactos sobre direitos humanos.

Estas figuras adoram falar dos supostos privilégios de grupos que são forçados a se manifestar para mostrar que existem, que são humanos, merecem respeito e dignidade - assim como proteção - e que protestam exatamente para confrontar o medievalismo das idéias (sic) dos grupos que o vereador Apolinário representa.

Apolinário e demais políticos evangélicos representam o que há de pior, de mais retrógrado e fascisa na sociedade brasileira. E o pior disso tudo é que este dsicurso de ódio encontra eco no governo, que não apenas se mantém impassível frente à violência crescente e às pregações odiosas, como SE ALIA com eles, dando-lhes verba e cargos.

O sangue de boa parte dos gays, lésbicas, travestis, transexuais e transgêneros derramado no país é de responsabilidade direta do discurso destes pregadores do ódio com bíblias na mão, destes Marginais da Fé - para desespero daqueles que efetivamente pregam o entendimento, a solidariedade e o amor ao próximo com o mesmo livro.

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Aliás, no mesmo "Painel do LEitor" da Folha vemos a seguinte carta de assessor de Haddad, candidato do PT à prefeitura de São Paulo e Ministro da Educação durtante a "crise" do Kit Anti-Homofobia:
O material anti-homofobia citado em reportagem da Folha ("Sem Serra e Haddad, Marta reina na Parada Gay em SP", "Poder", ontem) foi produzido pela ONG Pathfinder do Brasil com recursos de emenda parlamentar ao Orçamento da União aprovada pelo Congresso Nacional. A emenda foi proposta por um conjunto de deputados federais. Portanto, ao contrário do que diz a Folha, o ex-ministro Fernando Haddad não "tentou emplacar" o material, que não foi distribuído pelo MEC em razão da abordagem inadequada. Aproveitamos para reafirmar que durante visita à sede da APOGLBT, no dia 6/6/12, Fernando Haddad avisou que não iria à 16ª Parada Gay por motivo de viagem.
Everaldo Gouveia, assessor de imprensa de Fernando Haddad (São Paulo, SP) 
A subserviência do PT aos Marginais da Fé é tanta que numa mesma mensagem buscam desvincular Haddad de qualquer responsabilidade sobre o kit, ele não tentou emplacar nada, não teve NADA a ver e ainda dizem, cm orgulho, que ele preferiu viajar do que participar da Parada Gay. O público LGBT realmente pensa em votar nesta figura - não que haja outro candidato melhor, afinal, Serra, Chalita, Netinho, Russomano, Soninha (hahaha) não são melhores - que claramente não dá a mínima para sua cidadania?

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Atualização, 13/06:
No mesmo Painel do Leitor, um homofóbico de Ribeirão Preto, Luiz Antônio da Silva, defendeu o direito à "se expressar" com preconceito e ódio:
E ainda dizem que são os outros que são intolerantes! Segundo a carta do leitor Raphael Tsavkko Garcia (Painel do Leitor, ontem), um vereador democraticamente eleito pelo povo não pode sequer se manifestar sobre um assunto que diz respeito à sociedade brasileira? Isso é o mesmo que dizer: todos são livres para se manifestar, desde que falem a favor da "minha verdade". Muitos já estão perdendo a noção do razoável!
Luiz Antônio da Silva (Ribeirão Preto, SP) 
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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Katia Abreu e Folha: A REAL manipulação de um conflito

No dia 16 de maio, a Folha, como de costume, publicou mais um artigo de mais um(a) desocupado(a) que não entende nada do assunto que se propôs a falar - bem, talvez seja melhor que publicar textos de neofascistas, mas tudo bem.

Falo de um artigo asqueroso da Katia "Dilmão" Abreu sobre uma suposta "manipulação" do conflito agrário, mais especificamente sobre como se dá (terras) demais para os índios, que eles já tem terra suficiente (até mais do que devia), que a Funai é malvada e mais um punhado de blablabla com o intuito de ganhar apoio para coalhar de soja e gado a terra dos índios e todo e qualquer espaço verde restante no país, como se eles fossem inquilinos incômodos e não os legítimos DONOS da terra.

Trata-se - e isso tem 500 anos - os índios como se fossem indigentes que apareceram para atrapalahr o "progresso", como se não habitassem a terra há milhares de anos, milhares, aliás, ANTES de qualquer branco ou latifundiário ter "posse" sobre algum pedaço desse país. Mas, aliada de Dilma e do PT, Katia Abreu tem todo espaço do mundo para pregar e impro seu discurso.

Mas, claro, a Folha abre um pequeno espaço para o contraditório... realmente pequeno. Eis o que a Folha publicou da carta que enviei imediatamente após ler tantos absurdos:

Questão indígena
No texto "A manipulação de um conflito" (Tendências/Debates, ontem), a senadora Kátia Abreu demonstra seu absoluto desconhecimento sobre como vivem os índios no Brasil. A senadora defende que os índios sejam confinados em pequenos parques e que o resto da terra seja usado para o plantio de soja.
Raphael Tsavkko Garcia (São Paulo, SP)

E agora o que eu efetivamente escrevi:

A senadora Katia Abreu demonstra mais uma vez - como se fossem necessárias mais provas - seu total e absoluto desconhecimento sobre como vivem os índiso no Brasil, sobre sua cultura e modo de vida.

Querer dizer que os índios representam apenas pequena parte da população brasileira - e isso usando dados desatualizados sobre o real número de indígenas, talvez de propósito - e, então, não teriam direito à terra é, no mínimo má fé, além de alegado desconhecimento.

Em primeiro lugar, estamos falando do povo originário do país, os legítimos donos da terra, que tiveram seus direitos esmagados há e por mais de 500 anos, logo, tratá-los como se estivessem pedindo algo que não lhes é de direito, é não só ridículo, como criminoso. Em segundo lugar, muitas das tribos indígenas que ainda não foram totalmente devastadas pelo "homem branco" precisam de espaço para caçar, plantar, enfim, para exercer livremente seu modo de vida e, sejamos honestos, frente aos apartamentos cada vez menores e espaços cada vez mais restritos do "homem da cidade", não me parece pedir muito.

O que a senadora Katia Abreu defende é que os Índios sejam confinados em pequenos parques, tratados como bicho e que o resto da terra seja usado para soja a ser exportada e para engordar o bolso de seus comparsas.
Seria mais honesto que a Folha não fingisse honestidade editorial praticamente mudando o sentido daquilo que é enviado e mutilando totalmente a mensagem. Mas está dado o recado.
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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Homofobia não é crime... Apenas para os criminosos. Uma resposta à folha de São Paulo

Leiam - não recomendo, mas é necessário para estômagos fortes - a leitura de artigo do jornalista (sic) João Pereira Coutinho na Folha onde ele defende abertamente o "direito" à homofobia, ou seja, o "direito" a pregar o ódio e que pode ser interpretada até na defesa do jornalista (sic) do fim da criminalização do racismo.

A Folha brir espaço para este tipo de escória não é incomum, muito pelo contrário, até Brilhantes Ustra já passaram por lá.

Mas, enfim, enviei uma carta à Folha e foi publicada:
Homofobia
Em "Homofobia não é crime" ("Ilustrada", ontem), João Pereira Coutinho argumenta que "é perfeitamente legítimo que um heterossexual não goste de homossexuais. Como é perfeitamente legítimo o seu inverso". Não posso deixar de pensar que racistas pensem de forma semelhante. Ora, por que não posso odiar negros? Por que não posso odiar mulheres? Por que não posso odiar índios? Do ódio para a ação e para a violência.
Se pretender criminalizar a homofobia é errado, porque não gostar "deles" é aceitável, então vamos logo legalizar o Partido Nazista e importar a Ku Klux Klan, afinal, ter ódio é legítimo e somos todos "adultos" para entender a diferença entre odiar e agir baseados pelo ódio, não?
Raphael Tsavkko Garcia (São Paulo, SP)
Mas, vale notar, com algumas edições inexplicáveis, como é possível comparar com o texto que enviei originalmente (em vermelho o que foi excluído pela Folha):
João Pereira Coutinho raciocina (sic) que " é perfeitamente legítimo que um heterossexual não goste de homossexuais. Como é perfeitamente legítimo o seu inverso.". Não posso deixar de pensar que racistas pensem de forma semelhante. Oras, porque não posso odiar negros? Porque não posso odiar mulheres? Porque não posso odiar índios? Do ódio para a ação, para a violência e o assassinato não resta sequer um passo. Se pretender criminalizar a homofobia é errado, porque não gostar "deles" é aceitável, então vamos logo legalizar o Partido Nazista e importar a Klu Klux Klan, afinal, ter ódio é legítimo e somos todos "adultos" para entender a diferença entre odiar e agir baseados pelo ódio... Não?
E, graças ao @senshosp, temos também um print jdo jornal impresso:
Não faço mais do que minha obrigação, aliás, é obrigação de tod@s, ao lerem absurdos como os do Coutinho, se manifestarem nas redes ou mesmo entupindo os jornais de cartas de repúdio.

Apenas unidos em prol de uma causa e abertamente repudiando aqueles que defendem o preconceito e o ódio em nome de uma tosca "liberdade" é que poderemos mudar alguma coisa.
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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A imprensa como agente provocador

Durante a crise recente na Universidade de São Paulo (USP) – que se iniciou não com a prisão de três estudantes que fumavam maconha nas cercanias da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências sociais (FFLCH), mas com a chegada da PM na USP em caráter de clara provocação por parte do reitor João Grandino Rodas –, a mídia teve um papel fundamental na radicalização de posições tanto do lado dos estudantes quanto de boa parte da população, que não escondeu sua vontade de ver sangue jorrar durante a desocupação ordenada pela justiça.

É fato que a imprensa age propositadamente como agente provocador.

Na manhã do dia 8 de novembro, a Polícia Militar (PM) desocupou a força o prédio da reitoria da Universidade de São Paulo (USP), que tinha sido tomado por cerca de 70 estudantes desde o dia 27 de outubro, quando três estudantes foram presos por estarem fumando maconha nas imediações do prédio da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). A ação envolveu cerca de 400 policiais da tropa de choque da PM, guarnições do Grupo de Operações Especiais (GOE) e a cavalaria da PM.

Num comunicado lançado após a desocupação, os estudantes da USP esclarecem que “o incidente do dia 27/10/11, quando três alunos foram pegos portando maconha, não foi o ponto de partida das reivindicações estudantis. Aquele foi o estopim para insatisfações já existentes” – com o modelo de segurança da USP e a falta de transparência da reitoria.

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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

BOMBA! Resultado do julgamento do caso Falha de São Paulo

Acabei de tomar conhecimento do resultado do julgamento - em primeira instância, ou seja, tanto a Folha quanto a Falha dos camaradas Lino e Mario Bocchini podem recorrer - do caso Falha de São Paulo e é surpreendente!

A sentença deu razão parcial à Folha de São Paulo, mas sem acatar nennhum de seus argumentos.

Explico: a Folha processou a Falha por uso indevido da marca, concorrência parasitária (hahaha) pedindo o pagamento de um valor absurdo a título de "indenização", mas o juiz não reconehceu nenhum desses argumentos.

Recusou a possibilidade dos irmãos Bocchini pagarem um centavo sequer, não considerou uso indevido da marca nem concorrência parasitária (hahaha) pois o blog nada mais era que uma paródia, algo permitido pela constituição. O blog deixava claro ser uma paródia, não tinha intenção alguma de ser confundido com a Folha e o argumento da Folha não colou.

O fato do site da Falha ser www.falhadesaopaulo.com.br, muito próximo do original www.folhadesaopaulo.com.br, não fez diferença. O juiz considerou que, por se tratar de paródia e pelas letras "a" e "o" se encontrarem distantes no teclado, impedindo confusões e erros de digitação, não estava configurada nenhuma má fé, ou concorrência parasitária (hahaha) ou tentativa de enganar o leitor.
[...] dadas as posições das letras “A” e “O” no teclado QWERTY, tradicionalmente utilizado nos computadores pessoais e demais eletrônicos por meio dos quais a internet é acessada, fica afastada qualquer possibilidade de typosquatting, modalidade de cybersquatting em que o usuário, por simples erro de digitação, acaba por acessar website diverso do pretendido. Pelo nome de domínio registrado pelo autor e conteúdo crítico do website correspondente, portanto, não há que se falar em violação dos direitos de marca da autora.
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Nota pessoal: Era mais fácil acreditar nas paródias da Falha do que no "jornalismo" da Folha, mas tudo bem. 
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Digno de nota foi o estudo feito pelo juiz responsável, que pode não ter os conhecimentos necessários e profundos sobre como funciona a rede, mas foi fundo em sua pesquisa.

Ponto principal favorável à Falha e aos irmãos Bocchini foi a destruição do argumento da Folha de que haveria casos semelhantes no Brasil, logo, jurisprudência para condenar a paródia. É uma vitória importante, pois o ineditismo do caso foi comprovado, mostrando que o precedente numa possível condenação seria perigoso para TODA a blogosfera e, na realidade, para toda a internet brasileira e para nossa liberdade de expressão.
A jurisprudência brasileira a respeito do tema é rarefeita, não havendo casos célebres a respeito do direito de utilização de marca, sem autorização do titular, com a finalidade de paródia, seja de forma geral, seja, especificamente, na internet.
O juiz desconsiderou esse argumento - do ineditismo -, se baseando na jurisprudência dos EUA para analisar o caso.
No caso PETA v. DOUGHNEY, a Corte de Apelações dos Estados Unidos do 4º Circuito menciona que, para torná-la imune à ação do titular da marca, “a parody must ‘convey two simultaneous — and contradictory — messages: that it is the original, but also that it is not the original and is instead a parody’.”Do contrário haverá possibilidade de confusão do consumidor, e a utilização da marca, ou de sinal similar à marca, será indevida. No presente caso, a possibilidade de confusão não existe, pois a paródia é revelada, inteiramente, já pelo nome de domínio. O trocadilho anuncia, ao mesmo tempo, que se trata de uma sátira, e quem é objeto dela. Nem mesmo um “tolo apressado” seria levado
Isto, no fim, serviu aos dois casos, pois por um lado tornou ilegítima acriminalização da paródia, mas por outro encontrou um cainho tortuoso para manter a censura ao site da Falha, ainda que sem usar NENHUM dos argumentos toscos da advogada defensora das liberdades democráticas Taís Gasparian, do jornalão de direita. E por outro manteve a censura ao site.
[...] merece ser atendido, em menor extensão, o pedido principal da autora, suspendendo-se definitivamente (congelando-se) o nome de domínio falhadespaulo.com.br
O argumento do juiz para manter a censura sobre o site é mirabolante e também vem da jurisprudência estadunidense (me pergunto porque ele se limitou aos EUA, talvez tenha visto muito Lei e Ordem!).

Segundo ele o fato do antigo site da Falha manter uma propaganda da Carta Capital, na verdade um link em que aparecia a capa da revista, junto com a oferta de uma assinatura da revista, serviria para "caractrerizar o website do réu como tendo conteúdo comercial". 
Ao final da página há, ainda, anúncio de um sorteio de assinatura da revista Carta Capital entre os seguidores da conta do réu no Twitter (#falhadespaulo). Ao anunciar a promoção, o website do réu reproduz integralmente a capa da edição 614, de setembro de 2010, da revista Carta Capital. Ao contrário do que faz com as reproduções do jornal da autora, o réu, ao reproduzir a capa da revista Carta Capital, não promove qualquer adulteração ou comentário crítico. É o que basta para caracterizar o website do réu como tendo conteúdo comercial. A revista semanal Carta Capital é concorrente da autora no mercado jornalístico, com ela disputando leitores, assinantes e verbas publicitárias.
Desta forma, o juiz recomenda o fechamento definitivo do site Falha de São Paulo (que já está fechado desde o começo do processo), pois este teria algum fim comercial através do favorecimento de concorrente direto da Folha.

É realmente um raciocínio difícil de acompanhar,  porque é comum existir links para sites, revistas e etc ideologicamente semelhantes aos blogueiros em todo e qualquer blog - e mesmo propagandas, que são usadas para financiar a manutenção dosite ou para garantir uns trocados, mas sem nenhuma conotação comercial - e, especialmente porque a assinatura da Carta Capital era ofertada pelo Lino, e não pela revista.

O Lino estava disposto a tirar de seu próprio bolso o valor da assinatura. A intenção, logo, não era comercial, mas puramente propagandística.

Mas, enfim, a sentença apesar de manter a censura baseada em argumentos estranhos, é boa por não acatar NENHUM argumento da Folha. A Folha pode dizer que venceu, pois manteve a censura (só mesmo no Brasil um jornal comemoraria ter censurado um blog, mas assim é a vida), mas não baseada em seus argumentos, que são pífios. E não pagarão um centavo à Folha!

E nós, ativistas e amigos da Falha podemos comemorar, pois conseguimos provar nossos argumentos de que a paródia não pode ser criminalizada, que não há oncorrência parasitária (hahaha) e nenhum centavo deverá ser pago à Folha.

Ainda cabe recurso, e acredito que a Falha irá recorrer, buscando garantir que mesmo a censura por outros argumentos seja suspensa.

No mais, meus parabéns ao Lino, ao Mário, aos seus advogados e a todos o(a)s militantes que estão há meses mobilizados!
Ante o exposto, julgo parcialmente procedente o pedido principal da autora Empresa Folha da Manhã S/A, somente para determinar a suspensão definitiva (congelamento) do nome de domínio falhadespaulo.com.br, ficando mantida, nesta extensão, a r. decisão liminar de fls.80/81. Oficie-se imediatamente ao órgão responsável (fls.82), comunicando-lhe a presente decisão. Julgo improcedentes os demais pedidos da autora, assim como o pedido contraposto do réu Mario Ito Bocchini.
Acompanhem o site Desculpe a Nossa Falha, dos irmãos Bocchini, para acompanharem o caso.

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Vejam a sentença:
Sentença caso Falha de São Paulo - 1ª instância
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Basta apertar o botão e selecionar sua "opção sexual"

Em julho, postei uma carta da leitora da Folha Ana Prudente questionando se o "crime" de "heterofobia" iria ter o mesmo tratamento da homofobia. Junto a esta pérola, postei minha resposta ao mesmo jornal.
Ante as declarações do ministro Ayres Britto, para quem o homofóbico "chafurda no lamaçal do ódio", pergunto: o crime de "heterofobia" terá o mesmo tratamento que a homofobia, já que todos somos iguais perante a lei?
ANA PRUDENTE (São Paulo, SP)
Homofobia
A leitora Ana Prudente ("Painel do Leitor", ontem) questionou se o crime de "heterofobia" teria o mesmo tratamento do de homofobia. Pergunto: algum heterossexual, por acaso, já foi vítima de qualquer tipo de ofensa ou sofre agressões por ser heterossexual? Quantos heterossexuais foram agredidos na avenida Paulista por estarem acompanhados de seus parceiros? Quantos foram forçados a sair de um recinto após demonstrações de afeto? Quantos foram impedidos de se hospedar em hotéis devido à sua orientação sexual?
É vítima de preconceito aquele estigmatizado por sua orientação, vítima de chacota, de violência e repúdio devido ao medo e à ignorância dos demais. Héteros não estão nesta categoria.
RAPHAEL TSAVKKO GARCIA (São Paulo, SP)
Eis que alguns meses depois a figura encontrou meu blog e resolveu me responder... reproduzindo e ampliando seus preconceitos:

Demorou mas o encontrei, Infelizmente apenas muitos dias depois de sua resposta, alguém comentou comigo que ela existiu pois saí em viagem no dia seguinte da edição do meu comentário na FSP. Minha defesa será apenas com algumas perguntas básicas, logo após pequeno comentário. Tenho amigos gays que amo de paixão, com os quais convivo e defendo com unhas e dentes sua opção sexual. A questão que estamos discordando é outra, que exporei a seguir:
1) Vocês estão misturando direitos com libertinagem.
2) A opção sexual de cada um é privada, não se precisa esfregar na cara de ninguém.
3) Na semana passada, mais uma vez tive que me ausentar de um restaurante, onde na mesa ao lado em que eu estava jantando com um dos meus filhos e sua namorada , dois moços só faltaram chegar aos finalmentes.
4) Na condição de heterosexual, eu jamais avancei todos os sinais só pra provar que eu sou hetero. Respeito é bom e eu gosto, em tudo na minha vida!
5) Talvez para afrontar, vocês avançam todos os sinais, Não são todos, mas prefiro viver num mundo onde todos respeitam os demais em lugares públicos.
6) Os gays, há alguns anos atrás, assim como os heteros, no mundo que vivo, se respeitavam. Éramos respeitados como pessoas, como amigos, como profissionais etc....mas a questão sexual era privada e fim de papo.
7) Não é se lambendo e se esfregando uns nos outros que serão respeitados, impondo um comportamento social inverso à moral e aos bons costumes.
8) Por acaso vc como gay, já foi impedido de entrar em um cinema, em um banheiro, em um restaurante, em um Fórum ou cartório? Não, com certeza não.
9) Pois se vocês olharem para os deficientes físicos, dependentes de cadeiras de rodas às quais estão destinados e não por "opção" seja lá qual for, e se prestarem atenção que eles, mais do que ninguém sofrem discriminação, então saberão que suas "opções sexuais" são muito menores do que querem impôr ao mundo.
10) Pelo exposto, pela forçada de barra. é que continuarei questionando se as leis para os homossexuais valerão também para os heteros. Se vivemos em uma democracia, se teremos o dia do homoxessual, porque não termos o dia do heterossexual?
11) Pois é, Kassab vetou né! Porque será? Somos diferentes como cidadãos. eleitores, pessoas, profissionais e por aí afora?
12) Tenha a certeza que estou representando uma minoria no mundo em que vivemos e como tal, eu também quero os meus direitos.
13) Com o número do PT, me despeço desejando um bom final de semana. Não precisamos ser inimigos, apenas receber tratamentos iguais.
FIM  
Como tod@s podem ver, um primor de preconceito, homofobia e descaramento. A cidadã teve a capacidade de reproduzir boa parte dos estereótipos mais estúpidos atribuídos à comunidade LGBT - só faltou reclamar que eles são pedófilos e que espalham AIDS pelo mundo pra completar - sem nenhuma vergonha de parecer tosca.

Como não pdoeria deixar de ser, acabei respondendo à figura. Inicialmente de forma cordial, mas claramente perdendo a paciência frente à tanta boçalidade Bolsonariana.

O interessante de toda a discussão, porém, foi a certeza por parte da ana Prudente de que se eu falo a favor da comunidade LGBT eu, automaticamente, devo ser gay. Não deve ser possível entrar numa cabeça tão estreita noções de solidariedade, direitos humanos... quiçá de mera humanidade:
Ana, posso te contar um segredinho? Ter amigos gays não te torna menos homofóbica.

E o fato de você chamar de "opção" sexual deixa isso claro. Não é opção. Ninguém escolhe ser vítima de preconceito e ser ameaçado de morto por andar na rua e demonstrar afeto. Ser gay é, assim como hétero, uma orientação.

E, seu preconceito fica ainda mais claro quando, para tentar rebater meus comentários, acredita logo de inicio que eu seja gay. Não sou. Sou hétero, e muito bem resolvido com minha sexualidade. Tanto que milito junto ao movimento LGBT esperando que todos possamos ter os mesmos direitos..

1) O que é libertinagem pra você? Casar? Adotar? Viver feliz e em paz com um(a) parceiro(a) igual fazemos nós, os héteros? Ou é libertinagem exigir proteção para não serem vítimas de xingamentos e preconceito na rua. Você também acha que é libertinagem criminalizar o racismo? Porque isso é crime e o racismo está na bíblia, mas nenhum padre ou pastor, hoje, exigem ter a "liberdade" de dizer que negros são inferiores. Porque você (ou qualquer um) quer ter o direito de dizer isso dos gays?

2) Orientação sexual. E esfregar? Você diz andar abraçado, de mãos dadas, se beijar igual fazem os.... heteros? Só eles (nós) podem(os)? Alguém já espancou um hetero por beixar o(a) parceiro(a)? Nunca sofri preconceito ou fui ameaçado por beijar ou abraça minha noiva em público, mas tenho amigos que quase apanharam por fazer o mesmo com o namorado. Você concorda com isso?

3) E? Se fossem héteros estava ok? Exageiros estão errados de ambas as partes. Já presenciei um casal hétero transando no meio de um parque infantil.

4) E alguém precisa "provar" algo sobre usa sexualidade? De respeito TOD@S gostamos.

5) Vocês...? E acho que vocÊ anda frequentando os lugares errados, honestamente.... E nem quero imaginar qual deve ser seu padrão "moral"

6) E quando deixou de ser? O que se discute não é sexo, mas DIREITOS. Sabe, direito de não ser morto por ser gay? E eu suspeito desconhecer esse seu mundo....

7) "moral e bons costumes", hahahha! Desculpa, mas quem dita isso? A igreja católica? A Universal? A Globo? Você? Mas engraçado, você não aceita que gays "se lambam e se esfreguem", mas aceita que héteros fazem isso? Porque eles (nós, ainda que eu não faça isso) também fazem!

Você demonstra o máximo que um ser humano poderia ter de preconceito. Finge racionalidade, mas usa desculpinhas pseudo-racionais e totalmente subjetivas, religiosas e fascistas para tentar provar que gays tem um comportamento diferente dos héteros. Desculpe, mas falha miseravelmente. 

8) eu, como hétero, nunca fui proibido de nada, mas tenho amigos que foram constrangidos em lugares públicos. Existem gays - casos famosos! - expulsos de bares, docerias e até de shoppings por beijar o parceiro! E falo em BEIJAR e não nas suas ilusões de libertinagem exclusivista. Se você não conehce os casos, urge que aprenda a procurar! Mas se você só ler a Veja, ai ferrou!

9) Então, não existem direitos "menores", querida. E, novamente, deixe de preconceito com esse papo de opção. O fato de um gruo A sofrer preconceito não significa que um grupo B deva achar lindo sofrar também mas abrir mão de sua luta pelo outro. Devem lutar por direitos para TODOS os explorados. E é isso que o movimento lgbt faz, assim como as feministas, negros e etc...

E... quem quer impor "opção sexual"? Sério, você tem problemas mentais? Algum gay ou lébica já disse pra você que você é inferior por ser lésbica? Te ameaçou bater? Te ameaçou cortar direitos, como o de casar adotar e etc? Acho que não. Então que imposição é essa?

10) Ou seja, você continuará a ser uma homofóbica criminosa. E se não há dia do heterossexual é porque TODO dia é dia deles (nosso). Nenhum hetero é vítima de violência por ser hétero. Aliás, tem hétero morrendo por defender gays!

Vá estudar, minha querida, você é ignorante DEMAIS!

11) Vetou por pressão de gays e heteros que não são homofóbicos e criminosos.

12) Me aponte UM único direito seu caçado por qualquer gay ou qualquer direito seu que um gay queira retirar. Você não é só homofóbicca como também tem ilusões! Posso te recomendar um bom psiquiatra pra essa sua mania de perseguição.

13) Dispenso o "número do PT" (ah, você achou que eu sou petista? Errou de novo.Não precisamos ser inimigos, mas homofóbicos são meus inimigos. 
Vale à pena ir ao post e ler alguns dos comentários, mas vale reproduzir este:

Andre Villela:
Opção sexual?

Toda vida que eu arcordo meu Sistema pergunta: Opção sexual de hoje senhor Andre Villela?

- Homem
- gay
- lésbica
- Travesti
- Pansexual

Basta eu apertar o botão, selecionar, dá login no sistema e pronto, tá feita minha opção sexual do dia!

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Santa ignorância... tsc tsc
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sábado, 9 de julho de 2011

Heterofobia? Leitora da Folha tem sua resposta. #PLC122

Ontem, na Folha, li e me revoltei com o comentário de uma leitora, Ana Prudente, que reclamou da "Heterofobia". Possível eleitora de Bolsonaros da vida, Ana respondeu (sic) à entrevista com o ministro Ayres Britto, que repudiou a homofobia e disse que o STF está de olho na questão.

Tática comuns destes seres grotescos que sentem ódio venal aos gays é desconversar e reclamar que sofrem "heterofobia". É fácil desmascarar esse povo. Vejam a declaração da infeliz:
Ante as declarações do ministro Ayres Britto, para quem o homofóbico "chafurda no lamaçal do ódio", pergunto: o crime de "heterofobia" terá o mesmo tratamento que a homofobia, já que todos somos iguais perante a lei?
ANA PRUDENTE (São Paulo, SP)
Ao que respondi prontamente e , para minha surpresa, foi publicada minha resposta no dia seguinte:
Homofobia
A leitora Ana Prudente ("Painel do Leitor", ontem) questionou se o crime de "heterofobia" teria o mesmo tratamento do de homofobia. Pergunto: algum heterossexual, por acaso, já foi vítima de qualquer tipo de ofensa ou sofre agressões por ser heterossexual? Quantos heterossexuais foram agredidos na avenida Paulista por estarem acompanhados de seus parceiros? Quantos foram forçados a sair de um recinto após demonstrações de afeto? Quantos foram impedidos de se hospedar em hotéis devido à sua orientação sexual?
É vítima de preconceito aquele estigmatizado por sua orientação, vítima de chacota, de violência e repúdio devido ao medo e à ignorância dos demais. Héteros não estão nesta categoria.
RAPHAEL TSAVKKO GARCIA (São Paulo, SP)
Com um ou outro corte, mas o principal está lá. Hétero não sofre preconceito, não apanha por existir, por amar, por demonstrar afeto. Se pudessem os homofóbicos também reclamariam das leis específicas contra racismo - e na verdade fazem algo semelhante na forma como se opõem às cotas - e mandariam todos os índios pro inferno.

Não é muito, mas acho que dei uma pequena contribuição na luta contra a homofobia.

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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Protesto pró-Bolsonaro na Paulista: Folha defende neonazistas de forma descarada

Vale um aparte, sobre a cobertura vergonhosa do jornal da "Ditabranda" do protesto de fascistas e neonazis na Paulista. De início, é interessante notar que entrevistaram fascistas, mas não procuraram ninguém da esquerda para comentar.

Não basta terem sido ponta de lança no ódio fascista logo após a eleição, agora defendem abertamente os neonazistas. Vejam o trecho:
Os cerca de 100 policiais presentes na área não impedem episódios pontuais de violência. Um manifestante do "time Bolsonaro" foi hostilizado por estar próximo ao grupo contrário ao deputado. Ele tomou um tapa ao tentar fugir. Seu agressor estava mascarado.
Um não, mas VÁRIOS manifestantes do "time neonazista" (sejamos claros, Folha) tentaram se aproximar para PROVOCAR o outro lado e, pois estes que se aproximavam eram violentos, revidavam agindo em LEGÍTIMA DEFESA enquanto o marginal corria de volta em triunfo, sendo ovacionado pelos neonazis sorridentes.

Alguns punks estavam mascarados, assim como criminosos do outro lado, dos pró-Bolsonaro, um deles inclusive foi preso. Do lado dos pró-Bolsonaro se encontravam além dos grupos tão decentes que já mencionei, uma figura com prisão decretada por homicídio, um dos responsáveis por atacar gays com lâmpadas na paulista em liberdade condicional e um (talvez dois) responsáveis pela bomba na Parada Gay do ano passado.

Todos estes foram presos pelo DECRADI no fim do protesto.

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Update 14/04, 12:56: Como tem gente com problemas de interpretação (vejam os comentários do tal "Fred"), explico que o "Todos" se refere aos alencados acima: A "figura com prisão decretada, um dos responsáveis por atacar gays com lâmpadas na paulista em liberdade condicional e um (talvez dois) responsáveis pela bomba na Parada Gay do ano passado".

Mas o mais engraçado é defensor de Nazi-Fascista falando em justiça, processo, cadeia... Sem ser da perspectivade quem está ATRÁS das grades.

Ah, e a polícia levou ao menos 6 nazi-fascistas, todos devidamente gravados. Se quer processar alguém, amigo, aprenda a contar primeiro.
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Os neonazis e fascistas foram revistados, identificados e levados para a delegacia.

Mas este outro trecho da Folha é simplesmente criminoso. Não dura nem um segundo a mentira e tanto a mídia - e provavelmente algum fotógrafo do jornal - quanto jornalistas independentes tiraram fotos que provam:
Entre os pró-Bolsonaro, há apenas duas mulheres. Nenhum negro. Do outro lado, a divisão de gêneros é maior, embora haja pouca participação de negros.
Na verdade vi pelo menos 4 garotas, duas delas que constantemente gritavam que os do outro lado eram maconheiros e etc, uma que segurava uma bandeira de São Paulo e outra que andava com dois neonazis extremamente mal encarados e perigosos. Mas havia sim negros. Basta ver a foto seguinte (aliás, os fascistas/Carecas posaram para fotos gritando aos jornalistas que o protesto tinha negros e nordestinos, que não eram racistas).
"Nenhum negro" by Folha de são Paulo, o jornal da Ditabranda
Do outro lado, vejam a nação branca da Folha (na segunda foto vemos inclusive uma importante liderança negra, com quem militei no Fórum em Defesa do PNDH3:

Jornalixo tendencioso em prol do neonazismo.

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O Bruno ribeiro (@brsamba), via Twitter, trouxe um questionamento interessante:
"Um dos maiores equívocos em relação ao jornalismo é dizer que ele não pode tomar partido. Ele não apenas pode, como deve. Quando há um grupo assumidamente nazifascista e outro defendendo os Direitos Humanos no mesmo protesto, um jornal não pode lavar as mãos. Não é o que faz a #Folha na cobertura do ato de hoje no Masp. Ela não diferencia os grupos e chega a equipará-los: http://is.gd/TDcvjg. O Código de Ética da profissão é claro: jornalistas devem SEMPRE estar ao lado dos Direitos Humanos e contra qualquer tipo de opressão. Escrever com ''equilíbrio'' e ''isenção'' sobre uma marcha nazifascista é ser conivente. Jornalistas têm o dever de repudiá-la. É crime."
Impecável. 
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Salada Mista com Molho de Gente Picadinha

Texto de Laerte Braga sobre Dilma e 90 anos da Folha:
Eu não sei o que Dilma (também não sei se permanece Roussef, ou já virou Serra ou Neves) foi fazer na festa do jornal FOLHA DE SÃO PAULO. Mas sei com certeza que as centenas de corpos de presos políticos assassinados pela ditadura militar e desovados pelos caminhões da FOLHA para que os militares pudessem simular atropelamentos, assaltos, etc, foram pisoteados, picados e servidos no cinismo da presidente.

“Venho aqui como presidente, está aqui a presidência da República”. A frase de Dilma é típica de uma vingança infantil (o que a desqualifica para o cargo que ocupa, mostra-se um conto do vigário eleitoral aplicado a Lula e aos brasileiros que nela votaram). Se é que se trata disso, pode ser apenas e tão somente a capitulação da presidente. O desejo ardente de receber um diploma da baronesa do esquema FIESP/DASLU.

Em toda a história das campanhas políticas desde o fim da ditadura nunca se viu tanta podridão e mentira através da mídia privada como se fez em relação à candidatura Dilma tentando eleger José Arruda Serra. É uma constatação que não é minha, é de vários jornalistas estarrecidos com a presença da presidente na festa de um dos veículos mais venais da mídia privada brasileira, se é que existe algum mais venal.

Todos são.

É incrível o que acontece ao Brasil e o que aconteceu aos EUA nas duas últimas eleições presidenciais. Os brasileiros elegeram a sua primeira presidente na presunção que os dias de Lula continuariam (programas, política externa, avanços possíveis na ótica do ex-presidente, etc). Dilma se mostra um embuste. A mulher brasileira tem páginas e páginas de nossa história preenchidas com dignidade, coragem e determinação. Não com síndrome de rainha Elizabeth dos trópicos.

Os norte-americanos elegeram Barack Hussein Obama acreditando que votaram num negro. É só um branco a mais, engraxado com graxa preta. Igualzinho a qualquer Bush da vida, varia apenas o estilo, o jeito de ser.

Vão se encontrar na visita de Obama ao Brasil. Se merecem.

São duas fraudes de um processo dito democrático, mas calcado na economia neoliberal, toda a sua perversidade e toda a corrupção que traz embutida.

Nem começou e já acabou, é o governo Dilma.

A visita feita ao jornal FOLHA DE SÃO PAULO é imperdoável levando em conta o passado de lutadora contra a ditadura da presidente Dilma.

O discurso de Dilma no evento é uma cusparada nos brasileiros, principalmente em seus eleitores.

Fomos servidos como salada mista com molho de gente picadinha.

Sem falar que não pode pretender ser respeitado um governo que tem ministros desqualificados como Moreira Franco, Nelson Jobim, Antônio Palloci e Anthony Patriot, que dizem ocupar a pasta das Relações Exteriores.

Para variar o senador Collor de Mello foi eleito presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, o que é presidido por José Sarney.

Joaquim Cardozo, ministro da Justiça, vê-se em denúncias públicas, nega os documentos referentes à morte de Vladimir Herzog (torturado pelo coronel Brilhante Ulstra, paladino da moral e dos bons costumes medievais da Inquisição), nega acesso, ao jornalista Audálio Dantas, combatente contra o regime militar e que escreve um livro sobre o fato.

O baú repleto de sangue das vítimas da barbárie que foi o golpe de 1964 permanece intocado no governo da ex-guerrilheira Dilma, um dia Roussef, hoje sabe-se lá o que.

A “democracia” no Brasil está montada em estruturas herdadas da ditadura militar e a constituição do País, a despeito de eventuais avanços, está contida nos limites determinados pelos militares que deixavam o poder. Aquela história de nem tão depressa que pareça covardia, nem tão devagar que pareça provocação.

Não tivemos uma Assembléia Nacional Constituinte lato senso. Participação popular objetiva e direta (a despeito das emendas populares), como não temos canais de presença no debate político, já que a mídia é podre e venal, serve às elites e interesses de potências estrangeiras.

Não há legitimidade no fundo desse processo, tão somente uma espécie de tubo de oxigênio para que possamos respirar ao sairmos das cavernas da barbárie militar.

Cedo ou tarde um ajuste há que ser feito, é a História.

Na hora do pulo a presidente eleita para dar o pulo, medrou, sentou e resolveu andar de costas para conviver com o passado e todos os seus horrores. Deu as costas aos brasileiros.

A visita à FOLHA DE SÃO PAULO pode ser classificada como um desses horrores. Faltam ainda VEJA e GLOBO. Quem sabe a presidente não aparece no BBB e ajuda os heróis de Pedro Bial a melhorar a audiência?

Só falta agora o chanceler (Putz! Que esculhambação!) Anthony Patriot proclamar que o Irã é o culpado enquanto Moreira Franco limpa os cofres públicos e Jobim hasteia a bandeira norte-americana com a inscrição “in Boeing we trust”. Palloci está procurando casa e caseiro de confiança em Brasília.

Ou vai a Ana Maria Braga e mostra uma receita caseira dos tempos de luta armada? De sobrevivência.

A mulher brasileira não é Dilma, não é assim. Pelo menos a que luta e se esgoela no dia a dia das trabalhadoras. Mas preserva sua identidade e como conseqüência, seu caráter.

A presidente, desde que assumiu, não está fazendo outra coisa que não servir uma salada mista de sabor amargo, indigesta e com molho de gente picadinha. Data vencida, gosto de DEM, de banqueiros, latifundiários, grandes empresários, sem sal como a comida nos EUA. 

É grave. Pode causar uma gastrenterite na democracia brasileira. 

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