Cuba não é um paraíso. Mas tampouco é o inferno.
Yoani Sanchez, carinhosamente apelidada de Soniña no Twitter - uma comparação honesta, diga-se de passagem - é uma escroque. Fala livremente de Cuba, mas acusa o país de censurá-la. Se hospeda e usa a internet dos melhores hotéis, apesar de dizer que nunca esteve em nenhum deles. Diz que foi torturada e espancada por agentes cubanos, mas nunca mostrou as marcas.
Diz viver em uma ditadura terrível, mas só encontra eco fora do país e, oras, escreve livremente, anda por onde quer sem ser molestada... Como uma dissidente que se acha tão censurada tem acesso livre e irrestrito à internet, a jornalistas entrangeiros e fala o que bem entende?
Não, Cuba não é o paraíso, é claro que existem restrições tanto impsotas pelo próprio regime quanto, majoritariamente impsotas pelo criminoso embargo que dura mais de 40 anos. E o embargo ajuda a explicar porque os cubanos - e não apenas a Yoani, que sempre se faz de vítima - não podem sair do país a não ser que a trabalho ou com despesas pagas.
Vejam o Brasil, que vem adotando medidas restritivas de cunho econômico para dificultar a saída de divisas do país via compras de brasileiros no exterior. IOF para compras lá fora crescendo é um exemplo. Turistas gastam muito quando saem do país e não gastam no país. Giram a economia de fora e não a do próprio país e Cuba tem uma economia fraca, uma economia com pouquíssimos parceiros graças ao embargo, logo, precisa concentrar todo dinheiro que pode internamente.
Isto justifica a proibição da saída de cubanos? Acho que não. Mas explica.
Não é apenas a Soniña, ops, Yoani, a impedida de sair. TODO cubano só pode sair dentro das condições que já elenquei, sob pena da economia cubana sofrer um baque irreversível. E a questão aqui nem é "emigrar", pois Yoani já morou fora e voltou com o rabinho entre as pernas da europa, onde morava, pra Cuba, mas sim "turistar".
Blog de comentários sobre política, relações internacionais, direitos humanos, nacionalismo basco e divagações em geral... Nome descaradamente baseado no The Angry Arab
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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Yoani Sanchez, mas pode chamar de Soniña
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Postado por
Raphael Tsavkko Garcia
às
10:30
Yoani Sanchez, mas pode chamar de Soniña
2012-02-09T10:30:00-02:00
Raphael Tsavkko Garcia
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quarta-feira, 14 de julho de 2010
Quando o Terrorismo é uma questão de aspas: O Jornalixo de Josias de Souza e o Serviço Secreto de Hugo Chávez
Que Josias de Souza é um jornalista medíocre todos sabemos. Mas ele sempre se supera e demonstra que o PIG não apenas mente, mas também é ignorante e burro, tenta manipular das formas mais toscas possíveis.
De cabo a rabo, do título à última linha, o post de Josias de Souza sobre Chávez é um primor da manipulação, a começar pelo dato de que Chavez sequer deveria estar no post!
Tratando da prisão de um terrorista salvadorenho - Francisco Chávez Abarca - e de seu comparsa, um político venezuelano de oposição - Alejandro Peña Esclusa - Josias de Souza, ao não conseguir incluir Chávez na história, enfia seu nome do título.
"Serviço secreto de Chávez prende opositor em casa". Me pergunto, se a prisão tivesse sido feita pela CIA, o título seria "Serviço secreto de Obama..." ou apenas "A CIA..."? Nenhuma dúvida quanto à resposta.
No post em si, encontramos uma foto. De Peña Esclusa ou de Abarca? Não. De Chávez.
O grande jornalista continua sua fantasia, ops, história:
Na terra do Tio Sam não existem aspas para terroristas, apenas a dura realidade de manipulação, tortura, prisões ilegais e invasões mil a qualquer país que o desafie ou olhe torto. Mas os jornalistas (sic) a seu soldo podem usar e abusar das aspas e das fantasias para justificar seus salários.
Ele ainda completa, como quem diz "Foi em Cuba? Bem feito!":
Josias de Souza e o Universo Off Line justificam seus salários (e financiamento) de maneira magistral, sequer tentam esconder quem lhes dá dinheiro e a quem devem responder. Um jornalismo pobre, lamentável, forçado e que não sobrevive à qualquer opinião crítica e discernimento mínimo.
De cabo a rabo, do título à última linha, o post de Josias de Souza sobre Chávez é um primor da manipulação, a começar pelo dato de que Chavez sequer deveria estar no post!
Tratando da prisão de um terrorista salvadorenho - Francisco Chávez Abarca - e de seu comparsa, um político venezuelano de oposição - Alejandro Peña Esclusa - Josias de Souza, ao não conseguir incluir Chávez na história, enfia seu nome do título.
"Serviço secreto de Chávez prende opositor em casa". Me pergunto, se a prisão tivesse sido feita pela CIA, o título seria "Serviço secreto de Obama..." ou apenas "A CIA..."? Nenhuma dúvida quanto à resposta.
No post em si, encontramos uma foto. De Peña Esclusa ou de Abarca? Não. De Chávez.
O grande jornalista continua sua fantasia, ops, história:
Na ilha dos irmãos Raul e Fidel Castro, Chávez Abarca será processado sob a acusação da prática de "terrorismo".A ilha dos irmãos Raul e Fidel Castro é Cuba, país onde o analfabetismo foi erradicado, onde a pobreza é uma ilusão - apesar das pressões do país que, sem dúvida, Josias de Souza teria prazer e orgulho em citar de boca cheia -, e, vejam só, "terrorista" e "terrorismo" tem aspas.
[...]
Agora, o serviço secreto de Chávez vincula Peña Esclusa, o opositor preso na noite passada, a Chávez Abarca, o “terrorista” deportado para Cuba.
Na terra do Tio Sam não existem aspas para terroristas, apenas a dura realidade de manipulação, tortura, prisões ilegais e invasões mil a qualquer país que o desafie ou olhe torto. Mas os jornalistas (sic) a seu soldo podem usar e abusar das aspas e das fantasias para justificar seus salários.
Ele ainda completa, como quem diz "Foi em Cuba? Bem feito!":
Atribuiu-se a ele a autoria de uma série de atentados a bomba contra hotéis cubanos. Um caso de 1997.O caso é de 1997. Não importa se o terrorista (sem aspas) estava foragido, fugindo para não ser preso e e que evidências da participação deste político radical tenha sido descoberta só após a prisão do terrorista. Faz muito tempo! Deixem ele em paz, não é mesmo? Afinal, ele faz o trabalho dos EUA!
Josias de Souza e o Universo Off Line justificam seus salários (e financiamento) de maneira magistral, sequer tentam esconder quem lhes dá dinheiro e a quem devem responder. Um jornalismo pobre, lamentável, forçado e que não sobrevive à qualquer opinião crítica e discernimento mínimo.
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segunda-feira, 3 de maio de 2010
Alexandre Garcia e a ilegalidade em Cuba
Difícil enquadrar o comentário do comentarista Alexandre Garcia, hoje, no Bom Dia (sic) Brasil.
Segundo a notória figura, falando sobre Lan Houses - e demonstrando total ignorância, como lhe é típico -, a internet, seu uso, incentiva a prática de crimes, como a pedofilia, roubo de senhas e etc.
Exato, usar um computador é o mesmo que incentivar o crime. Não é de surpreender que, após uma reportagem sobre a tentativa de se facilitar o processo de legalização e disseminação das Lan Houses, a Globo use seu cão de guarda para atacar a idéia. Ataca porque a popularização do acesso e a transformação destas casas em centros de educação, ensino e disseminação de informações - mais do que apenas um ponto para conexão e jogos -, como propõe o Deputado Paulo Teixeira (PT-SP), iria propiciar à população o acesso à informações que a Rede Globo não propicia, na verdade, esconde.
A Globo não quer que o pobre tenha acesso livre, irrestrito e tenha acesso à informação. Isto iria implodir sua credibilidade (sic). Hoje, a franca maioria das Lah Houses são ilegais, principalmente graças às exigências risíveis de estados e prefeituras. Claro que, todos sabemos, muitas das exigências impostas por uma elite política temerosa do poder que a rede dá aos seus usuários que sabem usá-la.
Mas a coisa ainda piora. O mesmo piadista não poderia terminar de falar sem uma declaração ainda mais infeliz, segundo Alexandre Garcia, só há vantagem em Lan House ilegal em Cuba!
Sim, segundo o infeliz, só nesses lugares os Cubanos podem ter liberdade e acesso livre à rede!
Como uma figura destas pode falar o que bem entende na TV? Defender a ilegalidade no país dos outros pode? Dar declarações estapafúrdias e criminosas pode?
Alexandre Garcia é um criminoso.
Segundo a notória figura, falando sobre Lan Houses - e demonstrando total ignorância, como lhe é típico -, a internet, seu uso, incentiva a prática de crimes, como a pedofilia, roubo de senhas e etc.
Exato, usar um computador é o mesmo que incentivar o crime. Não é de surpreender que, após uma reportagem sobre a tentativa de se facilitar o processo de legalização e disseminação das Lan Houses, a Globo use seu cão de guarda para atacar a idéia. Ataca porque a popularização do acesso e a transformação destas casas em centros de educação, ensino e disseminação de informações - mais do que apenas um ponto para conexão e jogos -, como propõe o Deputado Paulo Teixeira (PT-SP), iria propiciar à população o acesso à informações que a Rede Globo não propicia, na verdade, esconde.
A Globo não quer que o pobre tenha acesso livre, irrestrito e tenha acesso à informação. Isto iria implodir sua credibilidade (sic). Hoje, a franca maioria das Lah Houses são ilegais, principalmente graças às exigências risíveis de estados e prefeituras. Claro que, todos sabemos, muitas das exigências impostas por uma elite política temerosa do poder que a rede dá aos seus usuários que sabem usá-la.
Mas a coisa ainda piora. O mesmo piadista não poderia terminar de falar sem uma declaração ainda mais infeliz, segundo Alexandre Garcia, só há vantagem em Lan House ilegal em Cuba!
Sim, segundo o infeliz, só nesses lugares os Cubanos podem ter liberdade e acesso livre à rede!
Como uma figura destas pode falar o que bem entende na TV? Defender a ilegalidade no país dos outros pode? Dar declarações estapafúrdias e criminosas pode?
Alexandre Garcia é um criminoso.
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quinta-feira, 25 de março de 2010
Lições de Direitos Humanos a Cuba
4 vídeos que buscam ensinar à Cuba como respeitar os Direitos Humanos.
O primeiro é uma lição de Zapatero (Primeiro Ministro espanhol), o segundo da União Européia, o terceiro na visão de Zapatero e de Antonio Camacho (Secretário de Estado para a Segurança da Espanha) e o quarto de Aznar (ex-Primeiro Ministro da Espanha).
Boa diversão!
...
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O primeiro é uma lição de Zapatero (Primeiro Ministro espanhol), o segundo da União Européia, o terceiro na visão de Zapatero e de Antonio Camacho (Secretário de Estado para a Segurança da Espanha) e o quarto de Aznar (ex-Primeiro Ministro da Espanha).
Boa diversão!
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segunda-feira, 22 de março de 2010
A brutalidade dos outros.... Lá é inaceitável, aqui é corriqueiro e comum
Retomo três notícias que me serviram de base para o post último sobre Cuba, questionando o raciocínio (sic) do PIG. Algo me saltou aos olhos apenas depois de já ter publicado o post e acho que merece, por mais pontual que seja, ser citado.
Vejam a forma como os protestos das "Damas de Branco" foram tratadas pela mídia. Violentadas, agredidas, reprimidas... Parece que foram espancadas cruelmente.
Reparem que, de fato, as mulheres não foram acariciadas. Nenhuma dúvida quanto a isto. Interessante, porém, notar as roupas dos que as puxam... Parecem policiais? Ou talvez sejam outros cubanos revoltados com os dissidentes?
Mas agora reparem na notícia abaixo:
O O Globo foi até mais gráfico nas palavras:
No caso do brasileiro que protestava por um motivo justo, o abuso de pedágios patrocinados por José Serra - quanto será que ele ganha nessa jogada? - a mídia se limita a narrar com frieza e economia de adjetivos a forma brutal pela qual o manifestante foi retirado. A foto, aliás, é bastante direta.
Sem dúvida, por ser um Anti-Serrista, merece apanhar. Já as pobres dissidentes...
PS: Vale citar, esparsas notas sobre o protesto com 50 mil pessoas na paulista... PIG fala em 8, 10 mil, algo risível... Já das Damas de Branco, não passam um dia sem sair na mídia! Meia dúzia de dissidentes ligadas à ultradireita yankee devem mesmo ser mais importantes que os professores de São Paulo!
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Aliás, caiu como uma luva notícia enviada via twitter pela @Nynaeve (quem se interessa pelo País Basco deve seguí-la) sobre um Nigeriano que morreu em greve de fome para protestar contra sua possível deportação. Aconteceu... na Suíça! Imaginem!
Será que algum jornal dará primeira capa a esta notícia ou só interessa bater em Cuba? Bem, a Suíça é uma amiga capitalista, tem bancos importantes, Maluf deve ter conta por lá...
Vejam a forma como os protestos das "Damas de Branco" foram tratadas pela mídia. Violentadas, agredidas, reprimidas... Parece que foram espancadas cruelmente.
Reparem que, de fato, as mulheres não foram acariciadas. Nenhuma dúvida quanto a isto. Interessante, porém, notar as roupas dos que as puxam... Parecem policiais? Ou talvez sejam outros cubanos revoltados com os dissidentes?
Mas agora reparem na notícia abaixo:
Manifestante é retirado à força de discurso de Serra em inauguração de escolaReparem que, na primeira notícia, pululam palavras como "Barbárie", "agressão brutal", "brutal espancamento".... Seja parte da reprodução de discursos de dissidentes ou a opinião do jornal, não faz diferença.
MOGI GUAÇU (SP) - O dono de uma loja de sucata de automóveis foi retirado à força de um discurso do governador José Serra, durante a inauguração de uma escola técnica em Mogi-Guaçu, no interior de São Paulo, na tarde desta sexta-feira. O comerciante Wagner Menezes, de 33 anos, protestava contra o número de pedágios em rodovias da região quando foi retirado do local por seguranças que disseram não ser do governo do estado.
O rapaz, gostaria de perguntar ao governador quando ele voltaria à cidade para inaugurar um pedágio.
- O governo colocou um pedágio a cada 12 quilômetros aqui. Estou protestando não só por causa própria, mas por todos - afirmou Menezes, que disse não integrar nenhum partido político.
Antes de tentar fazer a pergunta, o comerciante já havia feito gestos durante o discurso de Serra, sinalizando que o governador 'estaria roubando'. Ele já havia sido intimado pela segurança.
O O Globo foi até mais gráfico nas palavras:
"A polícia cubana reprimiu com violência o terceiro dia de protesto das Damas de Branco, em Havana. As cerca de 30 integrantes do movimento foram puxadas pelos cabelos, seguradas pelas pernas e pelos braços e levadas à força para dentro de um ônibus, que as deixou na casa da líder do grupo, Laura Pollán, em Havana Central. Na tentativa de se livrar dos policiais, muitas delas ficaram com as roupas sujas de lama."É possível sentir o repúdio!
No caso do brasileiro que protestava por um motivo justo, o abuso de pedágios patrocinados por José Serra - quanto será que ele ganha nessa jogada? - a mídia se limita a narrar com frieza e economia de adjetivos a forma brutal pela qual o manifestante foi retirado. A foto, aliás, é bastante direta.
Sem dúvida, por ser um Anti-Serrista, merece apanhar. Já as pobres dissidentes...
PS: Vale citar, esparsas notas sobre o protesto com 50 mil pessoas na paulista... PIG fala em 8, 10 mil, algo risível... Já das Damas de Branco, não passam um dia sem sair na mídia! Meia dúzia de dissidentes ligadas à ultradireita yankee devem mesmo ser mais importantes que os professores de São Paulo!
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Aliás, caiu como uma luva notícia enviada via twitter pela @Nynaeve (quem se interessa pelo País Basco deve seguí-la) sobre um Nigeriano que morreu em greve de fome para protestar contra sua possível deportação. Aconteceu... na Suíça! Imaginem!
Será que algum jornal dará primeira capa a esta notícia ou só interessa bater em Cuba? Bem, a Suíça é uma amiga capitalista, tem bancos importantes, Maluf deve ter conta por lá...
Polémica en Suiza tras la muerte de un inmigrante nigeriano en huelga de hambre que iba a ser extraditado
Falleció en el aeropuerto de Zurich mientras era trasladado por la policía hacia el avión en el que iba a ser devuelto a su país junto con otros 15 compatriotas.
Algunos de ellos han denunciado el trato que reciben por parte de los agentes que les custodian, calificándolo de inhumano: “Me ataron así, y después, con este cinturón, me atarón por aquí. Después me ataron las rodillas y los pies. Me ataron y me dejaron en esta posición. Yo les decía: “Esto esta muy fuerte, ¿por qué me atáis tan fuerte y apretáis tanto?”. Ellos me han dicho: “Así es este negocio”, eso es lo que me han respondido”.
El fallecido había solicitado asilo pero su petición fue rechazada al pesar sobre él una denuncia por tráfico de estupefacientes. Amnistia Internacional ha pedido a las autoridades que ordenen una investigación independiente sobre lo ocurrido.
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sexta-feira, 19 de março de 2010
O raciocínio (sic) da Mídia
Nos últimos dias, em Cuba, tem se manifestado um grupo conhecido por Damas de Branco. São cerca de 30 mulheres, ligadas de alguma forma aos 53 dissidentes atualmente presos pelo governo Cubano sob diversas acusações.
A questão central aqui não é se as prisões são legítimas ou não - já deixei clara antes minha opinião de que não sou simpático aos dissidentes e discordo de suas razões - mas compreender o comportamento da mídia no entorno destes protestos.
Duas notícias do do Estadão deixam as coisas bem claras quando coloca organizações de ultradireita dos EUA ao lado dos dissidentes, notadamente a Fundação Nacional Cubano-Americana, uma das mais poderosas organizações mafiosas anticastristas.
Em conversa por telefone com a FNCA, Berta Soler, uma das líderes da associação de mulheres dissidentes e esposa do prisioneiro de consciência Ángel Moya Acosta, denunciou que cerca de "quinhentos partidários da ditadura" as agrediram de forma verbal e física, "as arrastando pelo chão e desferindo golpes indiscriminadamente".Disto podemos ter certeza da ligação das pobres Damas de Branco com uma organização terrorista sediada e financiada pelos EUA para destruir Cuba e fazê-la retornar ao status quo original, a de colônia (melhor dizendo, de Bordel) dos EUA. Se havia alguma dúvida sobre a ligação dos dissidentes com tais organizações, imagino que tudo tenha ficado claro.
O grupo é formado por mulheres e parentes de alguns dos 75 dissidentes detidos numa abrangente operação do governo no dia 18 de março de 2003. Cerca de 53 desses dissidentes continuam encarcerados, muitos sentenciados a décadas de prisão. Quando cerca de 30 das Damas de Branco deixaram uma igreja no bairro de Parraga, centenas de partidários do governo se juntaram ao redor delas gritando "Vida Longa a Fidel" e "Saiam, vermes!"Vejam bem o número, o poderoso grupo de descontentes é formado por 30 (TRINTA) mulheres, representando 75 dissidentes. Este é o número de "lutadores da liberdade" em Cuba... A população de Cuba? Cerca de 12 milhões.
"Havia mais de 300 pessoas organizadas pelo Governo, mas havia também mais de 200 policiais e agentes uniformizados do Ministério do Interior", relatou Soler.Vejam que, contra as numerosas Damas de Branco, haviam cerca de 300 manifestantes pró-Cuba, ops, pró-Governo reunidos aos gritos de "Vida longa a Fidel" e etc...
Em O Globo encontramos uma fonte ainda melhor:
Com flores nas mãos, elas andaram por cerca de dois quilômetros e foram surpreendidas por cerca de 200 manifestantes pró-governo ao longo da caminhada. E pelo segundo dia seguido, elas foram alvo de insultos por parte dos manifestantes pró-governo.Reparem agora que TODAS as manchetes dos grandes jornais e portais, de forma coordenada, quase como um partido (cof, cof), repetem basicamente as mesmas idéias e claramente defendem o lado dos numerosos manifestantes ultradireitistas... Em todas as chamadas repete-se o tom crítico à cuba e o quase louvor às 30 manifestantes.
- Vermes, saiam daqui. Viva Fidel! Viva Raúl! - gritavam os manifestantes pró-governo, referindo-se ao líder cubano e ex-presidente da ilha, Fidel Castro, e seu irmão, o atual presidente, Raúl Castro, os únicos líderes de Cuba desde a revolução de 1959.
Em contrapartida, as Damas de Branco gritavam "liberdade" e "Zapata vive", referindo-se ao dissidente morto após 85 dias de greve de fome , no dia 23 de fevereiro.
À medida que a multidão de manifestantes pró-governo cresceu, agentes de segurança cubanos ofereceram repetidas vezes levar as Damas de Branco embora em um ônibus, mas Laura Pollán recusou. Até que finalmente um ônibus encostou e policiais forçaram a entrada delas.
- Elas estão invadindo o território cubano. Essas ruas pertencem a Fidel - disse a dona de casa Odalys Puente.
Uma das Damas de Branco rebateu:
- Quando um animal selvagem é encurralado, ele faz isso e muito mais. Estamos prontas para tudo. Não temos medo - disse Berta Soler.
O fato de mais de 300 cubanos - pelo menos 10 vezes o número de anti-castristas - terem se organizado e protestado contra as dissidentes não diz nada. É mera nota a ser citada meio que de qualquer jeito no meio da notícia. Nota-se que só O Globo se dignou sequer a dar maior atenção aos que repudiavam a marcha dos dissidentes. O que interessa à política dos donos dos jornais, à famiglia Civita, Frias e cia é sua luta contra Cuba, não importa que os números e a realidade deponham contra sua tese.
Longe de mim concordar com a atitude violenta da polícia Cubana. É lamentável. Descabida. Mas pior ainda é a atitude da imprensa - não só brasileira - de ficar claramente do lado dos dissidentes como se estes fossem não só donos da verdade mas ampla maioria! Em uma mesma notícia é possível ver que o número de Cubanos espontâneamente reunidos é maior até do que o número de dissidentes presos!
Mas, claro, tanto as "Damas de Branco" quanto a mídia tem a resposta pronta: Foram mandados pelo governo, são agentes do governo e outras baboseiras e mais discursos ensaiados.
A mídia apenas vê o que quer. Cuba não é nem nunca foi um paraíso - sem dúvida está melhor hoje do que quando era um bordel -, mas dá lições inúmeras em Saúde, Educação, Moradia, Esportes e tantas outras áreas em que países como o Brasil sequer podem seguir ao longe. De fato, os problemas quanto à liberdade de expressão são imensos, e são algo que o povo Cubano - e só ele - pode resolver.
É engraçado como países como os EUA ou a França tenham a cara de pau de levantar a voz. A França tem o genocídio de Ruanda e outros casos terríveis para resolver, e os EUA deveria selecionar melhor as palavras quando tem entre seus grandes aliados democracias como a Arábia Saudita.
A crítica maior, na verdade, é sobre a influência que a mídia e países dito democráticos tentam exercer sobre algo que não lhes interessa, sobre assuntos internos de um país que, em muitos casos, está anos luz à frente em termos de justiça social. Podemos falar, em resposta aos EUA de seus guetos onde negros e latinos são jogados como lixo em total desrespeito à qualquer tratado de direitos humanos, ou podemos falar da França e seus guetos lotados de imigrantes das colônias que explorou e arrasou por séculos. Ou podemos falar da Espanha e as centenas de presos políticos Bascos, torturados, mortos e humilhados.
Cuba tem muito mais a ensinar do que a aprender. E nossa mídia deveria compreender que é brasileira. Não é Israelense, não é Estadunidense.
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A mídia, aliás, deve estar quase tendo um orgasmo: Encontraram seu garoto propaganda!
"Lula não respeitou a memória de Orlando Zapata (ao visitar Cuba em fevereiro). Faço um apelo a Fernando Lugo, que se pronuncie a favor das vítimas ou dos algozes", disse Fariñas em declarações feitas por telefone à rádio nesta quarta-feira.Só falta o velho Civita, que o capeta o tenha, se levantar e voltar para dar "Vivas" pela oportunidade e por ter encontrado o lambe-botas ideal!
Acusou Lula de ser cúmplice do regime cubano. "A história se encarregará de colocá-lo em seu lugar. Não é um democrata. Peço a Fernando Lugo que não guarde um silêncio cúmplice com a morte de Zapata e a minha iminente morte", enfatizou Fariñas.
Assim que Lugo se recusar a apoiar as sandices dos dissidentes, virará outro satã. Quem será o próximo?
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sexta-feira, 12 de março de 2010
Cuba, Lula e a Greve de fome como instrumento de luta. Parte 2
Agora vamos
ao segundo ponto, continuando a parte 1 que pode ser lida aqui: A posição do Lula, da OAB e do dissidente.
Se me perguntarem diretamente se concordo com o
que ele disse, serei forçado a dizer que sim, em parte e não, em parte.
Vamos às frases do Lula:
"Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubanos de deter as pessoas em função da legislação de Cuba. A greve de fome não pode ser utilizada como um pretexto de direitos humanos para liberar as pessoas. Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade.""Gostaria que não ocorressem [detenções de presos políticos], mas não posso questionar as razões pelas quais Cuba os deteve, como tampouco quero que Cuba questione as razões pelas quais há pessoas presas no Brasil"
Ao que a OAB
respondeu:
"A comparação é despropositada, pois tenta banalizar um recurso extremo que é, ao mesmo tempo, um símbolo de resistência a um regime autoritário que não admite contestações"
"Mais razoável seria se o governo brasileiro se preocupasse com as péssimas condições carcerárias a que [os presos de SP] estão submetidos"
Disse ainda o
dissidente Guillermo Fariñas:
"Com essa declaração o que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstra é seu comprometimento com a tirania dos Castro e seu desprezo com os presos políticos e seus familiares. A maioria do povo cubano se sente traída por um presidente que um dia foi um preso político"
De certa
forma, não tiro a razão nem das palavras do Lula e nem das palavras da
OAB. E considero ridículas as do Dissidente.
Como eu disse antes, a greve de fome,
ao meu ver, deve ter objetivos realistas. Se todo bandido fizer greve
de fome para ser libertado é melhor fechar as cadeias porque todos vão
começar... A comparação faz total sentido. Dentro da legislação cubana,
Zapata, que morreu depois de fazer greve de fome, é (era) um criminoso e
por isto estava na cadeia. Os dissidentes - e a direita midiática -
realmente acreditavam que Lula iria defendê-los em detrimento de Cuba?
Zapata e demais dissidentes são, para
Cuba, criminosos. Para suas organizações, são heróis. Fazem a greve de
fome acreditando que irão divulgar sua causa e sensibilizar a população e
o governo. Erram miseravelmente. Nem sensibilizam o povo e tampouco o
governo. Se isto é reflexo de suposta censura ou simplesmente sua causa
não interessa ao povo, não posso afirmar. Pessoalmente minhas simpatias
passam bem longe dos dissidentes financiados pelos ultradireitistas de
Miami.
De qualquer maneira, é fato que os dissidentes, no geral, tem um alcance limitado em Cuba, seja pelo controle midiático ou seja pelo rechaço do povo às suas idéias. Dificilmente, nesta situação, iriam sensibilizar o governo. Quem odeia Cuba já odeia, quem gosta, sabe perfeitamente onde está se metendo. Os dissidentes pouco fazem para mudar o quadro.
De qualquer maneira, é fato que os dissidentes, no geral, tem um alcance limitado em Cuba, seja pelo controle midiático ou seja pelo rechaço do povo às suas idéias. Dificilmente, nesta situação, iriam sensibilizar o governo. Quem odeia Cuba já odeia, quem gosta, sabe perfeitamente onde está se metendo. Os dissidentes pouco fazem para mudar o quadro.
Indo além da comparação feita pelo Lula - a qual
não vejo qualquer problema, na verdade vejo muito sentido -, sua frase
seguinte é ainda mais inteligente. Lula e o Brasil não dão qualquer
apóio aos dissidentes, logo, qual seria o sentido de criticar o sistema
legal de um Estado amigo porque meia dúzia de insatisfeitos resolveram
protestar e um morreu no processo?
Quanto à frase da OAB, tendo a concordar que, de
fato, Lula errou ao dizer que a greve de fome não é um instrumento
válido. Sim, é mais que válido. Talvez não como pretexto para liberar
alguém, mas sim como pretexto de dar publicidade à uma luta, por mais
que deslocada, no caso específico. Não vi problemas com a comparação entre Cuba e seus presos e os presos daqui. Foi certeira.
Quanto à
alegação de que Cuba é um regime autoritário, bem, teremos de discutir o
que é exatamente ser autoritário. Será que é um regime com eleições -
mas de partido único - em que a metade do legislativo é formado por
independentes, que provê alimentos, moradia, saúde e educação para todos
os seus cidadãos e com meia dúzia de insatisfeitos e dissidentes ou um
regime chamado de democrático, com todas as letras, com um legislativo
multipartidário, mas com dezenas de siglas de aluguel, com criminosos,
corruptos e assassinos representando o povo, sem prover as mínimas
condições de saúde, educação, moradia e alimentação para a maior parte
da população?
Se quisermos usar como quesito para definir uma "democracia" a existência ou não de presos políticos então Espanha, Brasil, EUA e a maior parte das "democracias" deverão passar a ser chamadas de ditaduras. Só a Espanha tem mais de 800 presos políticos - majoritariamente Bascos - em suas cadeias e são dia após dia condenados pela ONU por suas práticas.
Se quisermos usar como quesito para definir uma "democracia" a existência ou não de presos políticos então Espanha, Brasil, EUA e a maior parte das "democracias" deverão passar a ser chamadas de ditaduras. Só a Espanha tem mais de 800 presos políticos - majoritariamente Bascos - em suas cadeias e são dia após dia condenados pela ONU por suas práticas.
Curioso, aliás, notar que os dissidentes presos ou em liberdades não passam das dezenas e, mesmo assim, o dissidente afirma ser maioria. A causa, por vezes, cega. Pior ainda, porém, é a atitude da Folha de São Paulo que se limitou a ouví-lo e não deu qualquer espaço para os que dele discordam. O jornalismo esgoto de sempre.
Cuba possui problemas terríveis de liberdade de expressão, isto é fato, mas não vejo onde uma oposição financiada pelos EUA possa ajudar em nada na luta justa por liberdade. Por outro lado, não vejo ninguém dando chiliques e mandando o Brasil condenar a Espanha por fechar jornais (vide o caso Egunkaria e o caso Egin), ilegalizar partidos (Batasuna, ANV, Aukera Guztiak, EHAK....), prender, torturar e matar seus "dissidentes".... ou mesmo fraudar eleições!
Aliás, cabe terminar com a frase magistral do Censo Amorim na Falha de ontem:
"Tem muita gente que quer o apoio do governo brasileiro. Uma coisa é você defender, como nós defendemos, a democracia e os direitos humanos, outra coisa é você sair dando apoio a tudo que é dissidente de todo mundo, isso não é papel [do Brasil]"
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quinta-feira, 11 de março de 2010
Cuba, Lula e a Greve de fome como instrumento de luta. Parte 1
Combinei ha algumas semanas com a Niara (@nideoliveira71) do Pimenta com Limão, escrever sobre a Greve de Fome enquanto instrumento válido na luta por ideais, idéias, ideologia e etc.
Combinamos de, cada um em seu blog, dar sua visão sobre o assunto, levando em conta que eu considero a Greve de Fome um instrumento válido e ela discorda.
Mas fomos atropelados pelos acontecimentos e a Folha, em mais uma capa buscando atacar o presidente Lula, trouxe para a mídia a discussão sobre o assunto. Faço então uma discussão sobre a idéia em torno da Greve de Fome e termino dando minha opinião sobre o caso específico do Lula e de Cuba.
Combinamos de, cada um em seu blog, dar sua visão sobre o assunto, levando em conta que eu considero a Greve de Fome um instrumento válido e ela discorda.
Mas fomos atropelados pelos acontecimentos e a Folha, em mais uma capa buscando atacar o presidente Lula, trouxe para a mídia a discussão sobre o assunto. Faço então uma discussão sobre a idéia em torno da Greve de Fome e termino dando minha opinião sobre o caso específico do Lula e de Cuba.
Tsavkko diz: @nideoliveira71 Existem casos de sucesso das greves do fome. Mas ñ costumam funcionar qd o gov ou o alvo simplesmente ñ dá a mínima.... 11:45 AM Feb 26th
Nideoliveira71 diz: @tsavkko A ampla maioria ñ funciona. De onde as pessoas tiram essas ideias de sacrifícios? Mito de ser mártir de uma causa só atrapalha. 11:49 AM Feb 26th
Tsavkko diz: @nideoliveira71 Ñ sei a proporção, mas conheço alguns casos de sucesso, msm q parcial. Questão é ter mídia suficiente e esta mídia ter poder 11:50 AM Feb 26thTsavkko diz: @nideoliveira71 Ter poder de influenciar alguma coisa. FVai da importância q o Estado dá a sua imagem. 11:51 AM Feb 26th
Nideoliveira71 diz: @tsavkko Não dá para escolher uma morte menos dolorosa, mais rápida? Porque eles sabem que as chances são mínimas.
Tsavkko diz: @nideoliveira71 Por mais q eu discorde totalmente dos dissidentes Cubanos, qd vc acredita numa causa ñ se importa consigo. Dá a vida
Nideoliveira Diz: @tsavkko Vai da importância que se dá a vida humana. No caso, nenhuma. Se o protesto é por liberdade ou DH, aí mesmo q ferrou. 11:53 AM Feb 26th
Tsavkko diz: @nideoliveira71 Eu ñ vejo dessa forma. Ñ pass apela impo q se dá a vida, mas à causa. Vc se despe de sua identidade única e se torna o grupo 11:56 AM Feb 26th
Nideoliveira diz: @tsavkko Eu entendo a entrega à causa. Sou ativista a vida inteira. Mas o sentido da luta se perde nesse caso. 12:01 PM Feb 26th
Nideoliveira diz: @tsavkko Se alguém tem que se sacrificar e morrer de fome, aos poucos, o sentido da luta se perde. É desumano. Respeito, mas discordo. 12:06 PM Feb 26th
Tsavkko diz: @nideoliveira71 Eu entendo seu ponto de vista. MAs eu enxergo sentido na greve de fome e apoio em alguns casos. 12:53 PM Feb 26th
Creio que nossos pontos de vista ficaram mais que claros. Compreendo a Greve de Fome como um instrumento de desespero. Usado por quem realmente acredita na seriedade e honestidade de sua causa - mesmo que isto não corresponda à verdade - e está disposta a dar a vida pela causa.
Enxergo a greve de fome como último recurso, quando nada mais funciona. Em alguns casos funciona, em outros não. A questão, em parte, reside no que é pedido. Os antigos membros da primeira geração do Baader-Meinhoff conseguiram, através de greve de fome, alguns direitos enquanto estavam presos. Suas demandas não eram irreais e havia muita publicidade na época.
A questão muda quando as demandas são irreais, inalcansáveis ou mesmo quando a publicidade em torno do grevista ou de sua causa é quase nula. E o caso dos Cubanos se encaixa perfeitamente aqui.
Mitos concordam que dar a vida por uma causa é nobre, mas discordam da greve de fome. Fico sem entender. Morrer com uma arma em punho é nobre, mas morrer em greve de fome não? Não vejo diferença entre os dois instrumentos, cada um deles usado em uma determinada situação e em realidades distintas.
Enxergo a Greve de Fome como uma continuação da luta por outros meios, dentro da realidade em que se encontra. É também uma forma de pressionar o Estado, de dar publicidade à sua causa, de mostrar-se disposto a tudo pela justiça - em tese - de sua causa.
Sou partidário da idéia que, por uma causa, vale toda forma de luta. Cada forma de luta ideal para uma realidade diferente, para situações diferentes. Por mais que a greve de fome pareça algo anacrônico - afinal, você violenta apenas seu corpo e não o inimigo - na verdade é uma forma de anunciar que sua causa é tão justa que você está disposto a entregar sua vida por ela. É uma forma de denunciar o Estado como opressor, onde é melhor morrer que continuar sendo vítima.
Vejam o caso da greve de fome de Dom Luiz Flávio Cappio contra a transposição do Rio São Francisco. Se não parou a transposição, ao menos foi bem sucedido em trazer o debate à tona, em fortalecer o debate e denunciar o crime que é tal transposição para o Nordeste. O mesmo vale para Cesare Battisti que, através de sua greve de fome, conseguiu maior publicidade ao seu caso.
O cerne da greve de fome, acima de tudo, é denunciar o Estado como negligente, é co-responsabilizar o Estado pela situação e eventual morte. É colocar nas mãos do Estado o ônus por tudo que ocorrer. Algumas vezes a greve de fome em si pode não dar resultados, a morte do manifestante,por outro lado, pode servir à causa por ele defendida. Ao meu ver a questão é basicamente a de se dispor a abdicar da vida por uma causa. Usar o corpo como principal arma.
Agora, existe sempre o outro lado. Nem sempre as greves de fome são instrumentos legítimos. Muitas vezes indivíduos e grupos utilizam tal artifício com o objetivo de subverter a ordem, de pregar ideais e idéias incompatíveis com qualquer noção de justiça e democracia, ou simplesmente para escapar da justiça quando se é efetivamente culpado. Vejam o caso da piadística greve de fome de Garotinho em 2006.
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