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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Bahrein, a aceitação da repressão e o gás lacrimogêneo "made in Brazil"

Passei parte significativa do domingo conversando com Árabes e Barenitas sobre o uso de bombas de gás lacrimogêneo feito no Brasil na repressão aos civis no pequeno país do Oriente Médio.

As primeiras denúncias sobre a procedência destas armas ditas "não-letais" veio pelo Twitter, através do cartunista Carlos Latuff e, logo depois, se espalhou, sendo notícia na Época, no Opera Mundi e na Al Jazeera.

Não é preciso nem dizer a vergonha que devemos sentir, nós, brasileiros, ao saber que uma fábrica de nosso país está contribuindo para o assassinato e a repressão de milhares de civis no Bahrein, país que, aliás, a franca maioria da população brasileira sequer já deve ter ouvido falar.

Me recordo ter escrito certa vez sobre estas armas não-letais:
Balas de borracha, bombas de gas lacrimogêneo eufemísticamente chamadas de "bombas de efeito moral", sprays de pimenta concentrada e mesmo armas de choque são armas potencialmente letais, usadas de forma indiscriminada por policiais sem qualquer tipo de treinamento, e pior, com vontade de causar o máximo de dano que puderem.

Caso matem a vítima com estas armas "não-letais", poderão dar a desculpa de que foi sem querer ou de que cumpriam ordens.

Estas armas são basicamente instrumentos de tortura em massa com selo de aprovação governamental.
As informações que chegam do Bahrein são as de que as bombas de gás são disparadas tendo os civis como mira e muitas vezes à queima-roupa, com a intenção clara de ferir e matar. Médicos que atendem os feridos são presos, enfermeiro(a)s são ameaçados e a população civil é morta. Revolucionários, da maioria xiita, contra um governo sunita bancado pela Arábia Saudita e, como não poderia deixar de ser, pelos EUA.
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Explico melhor neste artigo para a Carta Capital a gênese do conflito no Bahrein e seus primeiros desdobramentos;
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Ainda mais grave que saber do uso de armas fabricadas no Brasil lá no Bahrein, que potencialmente matam, é saber que a revolta gerada será pequena. Oras, se nossa polícia usa as mesmas armas em nossos civis - em nós - qual o problema exportar?

Qual o problema em exportar terror, violência e dor?

Mas de fato, o problema em si sequer é a "exportação", mas a mera utilização de armas deste tipo, que matam sempre que o atirador tem a vontade de tirar uma vida e sabe mirar, contra uma população civil que tem total e absoluto direito de protestar.

É a internalização, a aceitação de uma pseudo-normalidade em se reprimir.

É inaceitável que civis desarmados sejam vítimas de tamanha brutalidade, como receberem balas de borracha e gás pelo mero fato de estarem pacificamente demonstrando insatisfação com alguma coisa.

E pensar que este mesmo modelo repressivo e assassino está sendo exportado com total conivência de nosso governo é ainda mais intolerável.

Não nos contentamos mais em reprimir com violência os nossos, agora ajudamos exércitos assassinos a reprimir outros povos.
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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Julgamento de Mubarak e eleições acirram a tensão no Egito

O Aldo é amigo meu, estudamos juntos, nos formamos juntos e nos embriagamos juntos algumas vezes!=) 

Ligado aos movimentos sociais de São Paulo, ele está no Egito há alguns dias, cobrindo as manifestações e todo o processo de mudança no país e, enquanto torço (e torcemos todos os amigos)por sua segurança, fico esperando seus informes direto do front!
Cairo (Egito) - Mais de seis meses desde a queda do governo do presidente Hosni Mubarak, o processo revolucionário no Egito continua a todo vapor. Greves, manifestações, ocupações de espaços públicos e o afloramento de organizações de todos os tipos têm tomado conta do cenário político do país. Aquilo que até alguns meses atrás era um país com quase nenhuma vida política visível, hoje tornou-se um centro de agitação e propaganda das mais diferentes tendências políticas do mundo árabe.

Mesmo assim, as relações entre Estado e sociedade civil continuam bastante tensas no país. Apesar das conquistas da revolução, o Egito ainda é uma ditadura militar, e enquanto está claro que o atual momento histórico pode permitir grandes avanços sociais, poucos têm clareza de qual caminho o país esta seguindo.

O maior exemplo das tensões e contradições que têm tomado conta do Egito nas últimas semanas é o julgamento do ex-presidente Hosni Mubarak. Entre as acusações apresentadas contra Mubarak, além dos crimes de corrupção e diversas outras infrações penais de colarinho branco, está a acusação do homicídio de centenas de pessoas durante as manifestações que ocorreram pouco antes da queda de seu regime. Caso condenado, o todo poderoso ex-presidente pode ser mandado à forca. A grande duvida é se o Conselho Supremo das Forças Armadas ou SCAF (Supreme Council of the Armed Forces, em inglês), como a junta militar que hoje governa o país é conhecida, permitirá a aplicação de tal sentença.

A SCAF, cujos membros foram todos nomeados durante o governo Mubarak, é presidido pelo Marechal Mohamed Hussein Tantawi, ex-ministro da defesa e amigo próximo do presidente deposto. Enquanto a revolução democrática de 11 de fevereiro derrubou o presidente e seu vice, Omar Suleiman, a estrutura política do exército, que desde os anos 50 governa o país, se manteve intacta. É exatamente esta estrutura política que pode muito bem ir ao banco dos réus ao lado de Mubarak, algo que a SCAF quer impedir a todo custo.

O desenrolar do julgamento, que acontece na Academia da Policia Militar, ironicamente, o mesmo local onde Mubarak deu seu ultimo discurso público antes de ser derrubado pelo povo, tem visto cenas repetidas de tumulto nas ruas ao seu redor. Só segunda-feira, data da ultima sessão do julgamento, 34 pessoas ficaram feridas nos confrontos que aconteceram do lado de forma da academia.

As cenas de dois campos opostos, igualmente grandes atirando pedras uns contra os outros está bastante distante da realidade da conjuntura política do Cairo. Aqui, quase todos se declaram opositores de Mubarak. Segundo Menna Thabet, uma militante do movimento de juventude que esteve presente quase todos os dias nas manifestações na Praça Tahir, o debate atual do Egito não gira mais em torno de Mubarak “aqui, todos são contra Mubarak, sem exceções, a questão é se apóiam ou não a junta militar.”

Porem, é exatamente a integridade desta junta militar que pode estar em jogo com o julgamento do tirano, dai a centralidade e atualidade política do evento. Caso Mubarak seja condenado, o próprio general Tantawi, presidente de facto do país, pode também ser responsabilizado pelas mortes, ao lado de diversos outros membros de alta patente das forças armadas. Os advogados da acusação têm feito um esforço tremendo para garantir como que o atual presidente deponha no caso, algo que a SCAF tem trabalhado para impedir.

Utilizando como argumento a violência que vem ocorrendo do lado de fora do tribunal, o juiz Ahmed Rifaat, responsável pelo caso jurídico mais importante da historia do Egito, ordenou que se encerrassem a transmissão ao vivo do julgamento do ex-presidente. Soma-se ao argumento da violência, a questão de que a presença de câmeras ao vivo atrapalharia o andamento do caso, expondo depoimentos que deveriam ser, em tese, sigilosos. Por mais que os argumentos de Rifaat tenham algum fundo de verdade, e que a medida tenha recebido o apoio dos advogados das vitimas do ex-ditador, a ação gerou suspeita entre muitos no Egito. A idéia de que esta se iniciando uma operação para impedir como que Mubarak seja julgado de forma séria circula amplamente no país. Apesar da proibição da presença de câmeras de TV, o julgamento continua aberto para o publico e imprensa.
JUNTA MILITAR
Tem circulado na imprensa egípcia que a proibição da transmissão ao vivo do caso foi fruto de pressão da Arábia Saudita sobre o governo egípcio. Os monarcas árabes tem se mostrado particularmente preocupados com a possível condenação e exposição de seu ex-colega. A Arábia Saudita, assim como o Qatar e outros países do golfo, possuem uma profunda influência sobre a junta militar egípcia. Para alem da grande convergência ideológica entre os dois grupos, após a recusa da junta militar de receber ajuda financeira do FMI (algo visto por muitos como uma vitória da esquerda), os militares egípcios tiveram que buscar financiamento nos países árabes exportadores de petróleo. Tal fato aumentou ainda mais a influência direta dos sauditas sobre o cenário político egípcio. Alem da recusa a ajuda financeira do FMI, outra conquista do campo da esquerda tem sido a suspensão do processo de privatizações iniciado por Mubarak sob tutela do ocidente. Hoje, se fala muito em re-nacionalização das indústrias privatizadas.

O julgamento de Mubarak, porém, está longe de ser o único evento político que tem ocupado o dia-a-dia da vida política do país. Enquanto a data das eleições parlamentares continua sendo constantemente adiada pela junta militar, as organizações autônomas da classe trabalhadora estão aproveitando a atual conjuntura para construírem seus sindicatos livres. A luta dos trabalhadores egípcios esta em franco ascenso. Esta semana, os trabalhadores das ferrovias entraram em greve, paralizando o transporte público do país e exigindo maiores salários e liberdades políticas do governo.

Diversos setores da esquerda egípcia parecem estar menos preocupados com as eleições parlamentares e mais focados na organização da classe. Desde a greve dos operários da fabrica de tecidos Mahalla em 2006, o movimento operário tem passado por um grande período de mobilizações, catalisando ainda mais pela queda de Mubarak. De lá para cá, 260 novos sindicatos livres foram criados, e uma nova central independente, que já possui um milhão de trabalhadores em sua base, vem crescendo e se desenvolvendo no Egito.

Segundo Tamer Wageeh, dirigente do Partido da Aliança Popular Socialista, um dos principais partidos políticos de esquerda do Egito pós-Mubarak, a fase da revolução na qual a juventude ocupava o espaço de vanguarda se encerrou. “Agora cabe aos trabalhadores assumirem a rédea do processo”, alega o dirigente. Seu partido, segundo ele, está inteiramente voltado a isso.

A situação política no Egito parece profundamente fluida, cercada de incertezas e confusões de todos os tipos. E enquanto o exercito e a tropa de choque continuam ocupando a praça Tahir, impedindo assim a presença de novos protestos no espaço, a única certeza que se tem hoje no país é que a revolução iniciada no dia 25 de janeiro está longe de ter chego ao seu fim.

Aldo Sauda é formado em Relações Internacionais e faz pesquisa no Egito.
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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Revolução Francesa: Ideais repressivos e o que NÃO comemorar

Ontem comemorou-se, na França, o 14 de julho (a Queda da Bastilha, em 14 de Julho de 1789), que marca o início da Revolução Francesa, cujos benefícios para a humanidade são conhecidos por todos.

Na França e, de certa forma, no mundo.


Mas o que muitos esquecem, ou simplesmente não sabem, são seus efeitos nefastos, que vão muito além da guilhotina (na verdade criada para acelerar a morte de condenados e evitar que sofressem demais), de toda violência consequente de evolução da revolução e, enfim, de Napoleão assumindo o poder posteriormente.


A Revolução Francesa, para muitos especialistas, não marca o início daquilo que conhecemos como Estado moderno. Este nasce da Paz de Westphália, mais de 100 anos antes. Porém, a Revolução Francesa nos traz como novidade a idéia de Estado-Nação (conceito que já existia desde a Paz de Westphália, mas sem os desdobramentos que trouxe a Rev. Francesa) ao impor a centralidade de governo aliada de um exército unificado e, acima de tudo, da escola na "lingua nacional", ou seja, em Francês. 

Exclusivamente em Francês.


Um dos motes da Revolução era que para ser considerado francês era preciso saber falar francês. Era preciso ser parte da nação francesa para ser reconhecido pelo Estado e ter direitos. Não precisa comentar COMO forçaram todas as minorias do país a adotar o Francês como língua. 


Nações como a Provençal (Occitana), Bretã, Franco-Provençal, Sarda e Basca foram forçadas a falar francês e abandonar suas línguas e identidade. Nas escolas, crianças apanhavam caso fossem apanhadas falando uma língua que não fosse a da "nação" artificialmente imposta à todas as demais.


Antes da Revolução Francesa tínhamos cada povo falando sua língua sem grandes problemas. Os exércitos em geral eram montados e divididos de acordo com a nacionalidade/língua e o francês era necessário apenas para aqueles que fossem assumir cargos de relevância ou mesmo viver em Paris e proximidades.


O Basco era falado pela quase totalidade da população de Iparralde (País Basco Norte ou Francês) na época da Revolução Francesa. Hoje mal chega aos 40%. Várias línguas foram praticamente dizimadas, como o Gallo ou o Champenois, o Savoiardo e dezenas de outras. Nenhuma possui qualquer status oficial.


As línguas do grupo "d'Oil", mais próximas ao Francês padrão foram, em geral, assimiladas e hoje existem mais como variações regionais do que como línguas efetivas. As línguas d'Oc, provençais, lutam para sobrevier e são até hoje reprimidas.


Ainda sob os ideais "Republicanos" de "Liberdade Igualdade e Fraternidade" (raramente aplicados na prática, vide as lambanças francesas pelo globo e mesmo no tratamento dado aos imigrantes), línguas como o Catalão, Basco e Provençal não podem ser ensinadas nas escolas e não possuem qualquer proteção legal que garanta sua sobrevivência.


Os ideais repressivos da Revolução, porém, não se resumiram à França. Pode-se notar o resultado da exportação deste modelo em dezenas, centenas de países, onde minorias são oprimidas em nome da "unidade nacional", uma idéia deslocada e virtualmente inexistente.

A França foi forjada com sangue, repressão e opressão.


Comemoremos a Revolução Francesa pelo que nos trouxe de bom, pelos ideais que mesmo pouco aplicados norteiam a muitos, pela idéia democracia que trouxe (ainda que burguesa, imperfeita e desigual) e, especialmente, pelo repúdio ao clericalismo e ao Estado Laico, uma noção que falta muito a este nosso país sulamericano, mas sem jamais criticar e repudiar os traços mais nefastos da Revolução Francesa, a idéia de uma inclusividade exclusivista, de uma unidade forçada, da idéia de um Estado-nação que não corresponde à realidade mundial.

Comemoremos, pois, lembrando e respeitando o direito a autodeterminação dos povos.
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sábado, 5 de fevereiro de 2011

A Palestina frente à crise egípcia e os Papéis Palestinos

A revelação dos Papéis Palestinos pela Al Jazeera, no atual momento, parecem mais importantes para os Palestinos que a crise no Egito e a deposição de Ben Ali na Tunísia, mas, juntos, dificultam a vida de Abbas e da Autoridade Palestina como um todo.

Os Papéis Palestinos, divulgados pela Al Jazeera no melhor estilo WikiLeaks, revelam as negociações secretas entre a Autoridade Palestina e Israel, que incluía a negação ao Direito de Retorno (apenas poucos milhares teriam permissão de voltar), a entrega de quase todos os territórios ocupados por Israel e a entrega de Jerusalém
Hoje, o canal em inglpaês da Al Jazeera lançou o primeiro de mais de 1.600 documentos internos [en] de uma década do Processo de Paz Israel-Palestina, conhecidos como os “Papéis Palestinos”. Os documentos divulgados hoje tornam público um número de negociações secretas entre o negociador- chefe da OLP, Saeb Erekat, e os israelenses, incluindo o que a Al Jazeera chamou [en] de “compromisso sem precedentes sobre a divisão de Jerusalém e dos lugares sagrados”.
O jornalista baseado em Doha (Catar) Blake Hounshell (@blakehounshell), reagindo às primeiras publicações, declarou [en]: “Eu acho que hoje pode ser lembrado como o dia em que a solução de dois Estados morreu #papéispalestinos”. 
O governo palestino foi humilhado e desmascarado em suas negociações com Israel que entregariam todos os direitos da Palestina em bandeja de ouro para os Sionistas.

É claro, é possível também dizer que os Papéis Palestinos comprovam a falta de vontade de Israel em chegar a uma solução para o conflito, visto que a Autoridade Palestina - comandada por Abbas e pelo negociador Saeb Erekat - praticamente desistiu de todos os direitos dos palestinos garantidos pelo direito internacional e mesmo pela decência humana.

A certeza, porém, é a de que a Autoridade Palestina - e em especial a Fatah, partido majoritário - teve sua imagem manchada de forma permanente. A questão agora é, frente à eleições locais que se aproximam, se haverá uma reação popular contra seus líderes.

O grande problema para os palestinos, porém, é a falta de alternativas. Notadamente laicos, sobra apenas o religioso Hamas, que não possui grande representação ou penetração na Cisjordânia (ao tempo em que controla Gaza). Os demais partidos, em geral, fazem parte do guarda-chuva da OLP (como os esquerdistas FPLP e FDLP) e são, em geral pequenos e pouco relevantes. Outra opção seria a Jihad Islâmica, grupo ainda mais radical que o Hamas, o que desagrada a muitos.

A situação é realmente complicada. E piora, ao menos para a Fatah, com a queda de Mubarak. Não a toa a Autoridade Palestina proibiu protestos pró-manifestantes egípcios na Cisjordânia.

Mubarak era um "parceiro" na resolução do conflito com Israel e não seria errado supor que sabia e fazia fé dos acordos entreguistas da Autoridade Palestina. Mas com o enfraquecimento e possível quedado Ditador, o Hamas se fortalece, tanto por suas ligações com a Irmandade Muçulmana (sua inspiração) quanto por ser a "alternativa", ainda que seja incerto este apoio, visto que o movimento egípcio (e o tunisiano) carece de ligações partidárias - é um movimento popular por primazia.

O Hamas, no entanto, está se beneficiando de imediato com a passagem de Rafah aberta, e o Irã comemora a possibilidade de enviar armas e o que mais for preciso para o grupo através deste caminho, mas se tudo isto resultará em efetivo apoio popular é incerto.

Os Palestinos vem vivendo em um gueto - Gaza - e a abertura da passagem pode até mesmo revoltar os próprios palestinos que vem sendo forçados a aceitar a imposição da Sharia e outros retrocessos desde que o Hamas tornou-se governante absoluto da região.

A situação é de pura incerteza. A Palestina vem sendo sufocada por Israel e, agora, enfrenta a traição de suas autoridades, além de crises em suas fronteiras que modem mudar todo o cenário internacional e local.

Na Jordânia, o não muito amigo dos Palestinos rei Abdullah II enfrenta protestos que o enfraquecem, no Líbano o Hezbollah surge como grande vencedor e possível força dominante e, claro, o Egito está pegando fogo. Tudo isto contribui para fortalecer o Hamas que tem apenas um problema para resolver: conquistar os Palestinos de forma definitiva. Se serão capazes, é outra história.

Em geral, a situação não está boa para os Palestinos, que vêem suas lideranças tradicionais desacreditadas e o fortalecimento do islamismo radical (ainda que o grupo tenha se tornado mais pragmático em relação à Israel e suas ações) que, aparentemente, sobrou como alternativa, mas não como opção real.

Enfim, resta esperar. As futuras eleições podem  servir como termômetro para entendermos a quantas anda o prestígio de Abbas e da Fatah - fiquemos de olho na abstenção também - e o futuro do Egito pode também ditar o futuro sucesso do Hamas em Gaza.

É muito difícil, agora, prever o que pode vir a acontecer.
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Mais sobre os papéis palestinos e a reação nos territórios ocupados:

Israel/Palestina: Reagindo aos Papéis Palestinos 

Palestina: Internautas Reagem ao Primeiro Lote de “Papéis Palestinos”

Palestina: Raiva frente aos Papéis Palestinos

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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A Revolução começa agora

A Revolução no Egito começa efetivamente agora, com a resposta de Mubarak nas ruas, com manifestações pró-governo (ainda que composta por capangas, agentes de segurança e pessoas pagas); começa agora com a certeza de que não será fácil, sem sangue ou suave.

De fato, os 29 dias de protestos na Tunísia foram relativamente pacíficos e passaram a idéia - errada - de que seria igual em todo o oriente médio.

O exército vem se limitando a cercar e, vez ou outra, separar os manifestantes pró e anti-Mubarak, o que deixa dúvidas sobre seu papel e sobre o que pensa a cúpula militar.

Ao se recusarem a atacar o povo passaram a idéia de que não seriam assim tão pró-Mubarak (ou ao menos que estariam barganhando por mais poder), mas ao também pouco fazer contra as turbas raivosas pagas pelo governo, deixa espaço para maiores conjecturas. Não irão derramar o sangue do povo, mas pouco irão fazer para evitar que outros matem o povo. Parece casar com a tática atual de Mubarak.

Aliás, algo deve ficar claro, estes manifestantes pró-Mubarak são, em geral, agentes da polícia a paisana, pessoas ligadas aos ministérios egípcios e pessoas pagas para criar confusão e não uma parcela da população em protesto legítimo.

Foram vários dias em que a população disputava espaços com a polícia e o saldo foi de mais de 100 mortos, porém, um número ínfimo se formos pensar que a população lutava contra uma ditadura de 30 anos e fortemente repressora. Mubarak - e seus aliados imediatos - não poderiam se dar ao luxo de ter sangue de civis nas mãos em grandes proporções, especialmente quando a onda revolucionária se espalhava por toda a região.

O temor era um isolamento regional e uma péssima reação do ocidente (mesmo dos aliados) que, frente aos acontecimentos, poderiam fingir nunca terem apoiado o regime e adotarem um discurso condenatório.

Sendo mais claro, não haveria justificativa política aceitável (para o ocidente) frente à morte de milhares de civis que se limitavam a protestar contra o governo, algo que volta e meia acontece mesmo nos EUA. Por mais que se trate de uma Ditadura, o Egito sempre foi blindado pela mídia ocidental, sempre foi tratado como o Estado imperfeito que, porém, luta contra os terríveis muçulmanos radicais (por mais que a Irmandade Muçulmana esteja longe disto).

Ou seja, era a Ditadura amiga que deveria existir para que a "democracia" ocidental sobreviesse. Que importam 80 milhões de Árabes em uma Ditadura se temos nossos brancos americanos livres (Tea Party à parte)?

O Mirgon Kayser fez, aliás, uma excelente postagem sobre o assunto no Jornalismo B, sobre a "ditadura do bem" do Egito e a mídia brasileira que, como a dos EUA, parece só ter visto agora que o Egito é uma Ditadura e, mesmo assim, não vê problemas nisso. O que importa é assegurar o direito (divido) dos EUA de controlarem o mundo. O Destino Manifesto nunca morre ou sai de moda.
Causou-me estranheza o comportamento de grandes emissoras como a Rede Globo, sempre tão prestativa na defesa da democracia, em silenciar sobre o comportamento das grandes potencias mundiais no que diz respeito ao Egito. Pelo contrário, as primeiras noticias veiculadas na grande imprensa davam conta apenas de protestos relacionados à crise econômico que o Egito está mergulhado e sobre como Mubarak poderia “restabelecer a ordem e dar estabilidade ao governo”.

Claro que minha estranheza tinha algo de cínico, sarcástico, já que eu jamais esperaria que a nossa grande imprensa fosse pedir a cabeça de Mubarak com a mesma energia com que pede a queda de ditaduras como a cubana, a iraniana ou norte-coreana. No fundo, o que importa são os interesses. Fosse o regime cubano “queridinho da América”, e nossa grande imprensa o defenderia ao limite extremo da falta de argumentos.

Enfim, a estratégia de Mubarak é a de manter a repressão, mas usando um artifício inteligente: O de usar terceiros que não podem ser oficialmente ligados a ele.

Com a eterna conivência da mídia ocidental (e as tentativas de bloquear as transmissões da Al Jazeera, simpática aos manifestantes), a idéia é fazer com que seus capangas pagos sejam tratados por "manifestantes pró-governo", legítimos. Se eles irão conseguir reverter o processo ou ao menos dar tempo para que Mubarak pense em outras saídas, é incerto, mas não há dúvida de que Mubarak espera algum sucesso com sua nova tática.

Neste momento os manifestantes estão sendo testados em sua vontade de levar o processo adiante. E, apenas superando este obstáculo - o primeiro, o medo, já foi superado - a revolução terá possibilidade de triunfar.
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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Islamismo, o coadjuvante incômodo nos protesto egípcios

Os EUA e seus aliados - notadamente os comumente estridentes, mas atualmente silenciosos Israelenses - vem tentando fazer com que a opinião pública mundial olhe para os protestos no Egito não como uma Revolução Democrática em curso, contra a tirania - patrocinada por este mesmo EUA e aliados -, mas como uma cópia da Revolução Islâmica iraniana.

Nada poderia ser mais falso.

É fato que não podemos prever o futuro, o que sairá deste processo incontestavelmente revolucionário (sequer sabemos se Mubarak cairá, por mais que a torcida seja grande, mesmo dentro dos EUA), mas os indícios nos apontam para algo bem diferente do que ocorreu em 79 - e sem tomada de embaixada americana.

Os egípcios que protestam tem em comum com os iranianos de 79 apenas o fato de estarem lutando contra a opressão e a tirania e que, em ambos os casos, estes regimes foram (E são) apoiados pelos EUA. A partir daí, as histórias divergem.

Não há líder ou grupo por trás dos protestos egípcios. A Irmandade Muçulmana, tão temida pelos EUA - ainda que sem grandes fundamentos, explicarei adiante -, aderiu aos protestos dias após seu início e se boa parte da organização das manifestações (ou ao menos o início das marchas) se dá das mesquitas, é porque os protestos começam após a reza do meio-dia (a população é, afinal, majoritariamente muçulmana, ainda que os protestos contem com amplo apoio dos Coptas cristãos) e porque as mesquitas são um excelente ponto de encontro em que as forças de segurança não invadem ou batem, servindo como ponto neutro, seguro.

Não podemos esquecer que Mubarak, presidente/ditador egípcio instou os pregadores das mesquitas a discursar contra as manifestações. Apenas para constar.

Acreditar que, por várias manifestações começarem nas mesquitas, a revolução é "islâmica", é o mesmo que dizer queos EUA são uma teocracia cristão, já que todo presidente dos EUA usa deus em basicamente todos os seus discursos, na pose, em comunicados e etc.

Voltando à Irmandade Muçulmana, vale explicar brevemente o porque deste grupo dificilmente apresentar um "perigo islâmico". Em primeiro lugar - e mais importante - a Irmandade parece com o PT: Fragmentado, cheio de tendências e, assim como o partido brasileiro, tende a adotar posições mais brandas para e quando (se) chegar ao poder. Não necessariamente por esta ser uma vontade da população, mas pela própria organização interna conflituosa e diversa.

Existe na Irmandade mesmo aqueles que preferiam que o grupo sequer se apresentasse como partido. A caridade, os debates filosóficos e religiosos e a irmandade em si deveriam bastar.

Os protestos no Egito, enfim, são autenticamente populares. Não são influenciados - ao menos não de forma visível - por qualquer grupo, partido ou Estado. Mesmo a tentativa de El Baradei de se colocar como liderança esbarrou na desconfiança de muitos egípcios, que vem se organizando coletivamente para, por exemplo, distribuir comida, cuidar de feridos e proteger museus, casas e outros locais de importância.

Alguns já falam na Comuna do Cairo. Talvez uma precipitação, mas o fato é que muitos estão se auto-organizando e fazendo as vezes de Estado.

O medo do Islamismo também não se justifica na Tunísia, onde mesmo o líder do partido islamita local já declarou não defender imposição da sharia, se declara centrista e disse ainda não estar pronto para participar de eleições. Como se vê, bem diferente do perigo e terror pintados pelos EUA e pela mídia ocidental - esta que merece post a parte, em especial a ridícula e vergonhosa mídia tupiniquim.

Voltemos ao Irã: De fato a Revolução (que logo se tornaria Islâmica) era apoiada por diversos setores, desde comunistas a radicais islâmicos. Mas no país havia uma liderança clara, o Aiatolá. Havia um direcionamento, lideranças a seguir. No Egito a coisa parece ser mais ou menos autônoma e os partidos são marginais, meros espectadores em busca de espaço. Sejam eles de esquerda, direita ou religiosos.

O islamismo é apenas o perigo que aponta o ocidente para deslegitimar o anseio popular por liberdade. Estamos falando de um aliado importante dos EUA e de Israel, e não qualquer país insignificante, mas um colosso, o maior país Árabe (em população), um grande receptor de investimentos dos EUA e país estratégico em termos geográficos e políticos.

Não é pouca coisa. E a propaganda estadunidense não poderia deixar de agir.

Mas, enfim, as semelhanças com a Revolução Iraniana existem, mas não justificam o temor de uma repetição, ainda que, se se repetisse e fosse pela vontade da população, pouco poderia ser feito, ou mesmo deveria ser feito além de respeitar a vontade soberana do povo egípcio.

E os EUA, infelizmente, tem o terrível costume de jamais respeitar decisões de qualquer povo se estas forem diferentes da sua vontade, vide a vitória do Hamas na Palestina.
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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Quando Obama lava as mãos...

...a CIA também lava?

O último discurso de Obama, ontem, trouxe novidades frente ao discurso anterior, mas ambos, em geral, foram fracos, óbvios e demonstram apenas o caráter dos EUA, o de um Estado apenas interessado em defender seus interesses e não o de efetivamente garantir democracia ao mundo.

Obama, no primeiro discurso, claramente buscava ainda manter Mubarak no poder, pedindo por uma saída pacífica do conflito e para o ditador que aceitasse realizar reformas amplas no governo e na forma de governar.

Este pedido foi aceito, ainda que a população pouco tenha se importando. Ditadores, aliás, parecem ser completamente tapados quando se trata de agradar à população. Mubarak nomeou para importante cargo (vice-presidência) o chefe do temido serviço secreto local - a Mukhabarat - Omar Suleiman. Não pode realmente esperar uma boa recepção por parte do povo. Se por um lado os militares são respeitados no Oriente Médio em geral, o mesmo não pode se dizer de chefes de centros de tortura.

Porém, com a recusa da população em se sentir satisfeita com as "reformas" - demissão de todo gabinete e promessa de mudanças políticas -, Obama mudou o discurso. E, novamente, conseguiu ser escutado por Mubarak. Este se comprometeu a não buscar a reeleição nas eleições de Setembro. Claro, isto pode perfeitamente significar que seu filho - odiado pelos egípcios, Gamal - concorra em sue lugar e, com todo aparato estatal nas mãos uma  fraude gigantesca não parece irreal.

O povo claramente quer a deposição de Mubarak e o fim do poder de seu partido, quer uma equipe ou governo de transição que organize eleições livres. Os EUA e Mubarak querem a perpetuação do regime.

Mas Obama não é besta - pode ser um péssimo presidente, mas burro não é -, e por mais que defenda pessoalmente a manutenção do status quo, buscou parecer um estadista que se importa com a população egípcia e com a democracia, por mais que todo o mundo saiba (se não sabia antes o WikiLeaks acabou com a ignorância) que o interesse dos EUA é sempre a de ter ditaduras amigas prontas a aceitar suas ordens sempre.

O discurso de Obama, de mais ou menos 5 minutos, serviu para informar que os EUA conversam com Mubarak e que o convenceram a deixar o cargo em setembro. Mas nenhuma palavra sobre o blecaute informacional, sobre os mortos na repressão (mais de 100), sobre a violência da polícia e de policiais à paisana saqueando a cidade e muito menos sobre a ditadura em si.

Parece aos EUA que Mubarak se trata de um presidente democraticamente eleito que passa apenas por problemas, e não um ditador há 30 anos no poder - com a eterna conivência dos EUA.

Dizer para a "transição começar", mas ainda sob o regime de Mubarak e seu partido é o mesmo que nada, que pedir para que fraudes aconteçam e o sucessor escolhido pelo ditador vença. Ou melhor, que os EUA vençam.

Os EUA jamais consideram "ditadura" aquele país que lhe é aliado. Não vêem problema em Mubarak ou no já deposto Ben Ali, mas não tolera Bashar Assad ou Ahmadinejad (que até as eleições passadas era o presidente democraticamente eleito). Qual o problema com a ditadura na Arábia Saudita ou na Jordânia? Afinal, são amigas!

Enfim, o discurso do Obama foi mais do mesmo. Mostrou-se "preocupado" com a situação, pediu respeito aos direitos humanos... E mais alguns blablablas.

Típico discurso Yankee tirando o seu da reta, fingindo que nunca apoiou o regime e pagando de defensor dos fracos e oprimidos. O pior? Tem gente que acredita.

E, pra terminar, esqueçamos o discurso de Obama, o que a CIA está fazendo? Quem irá matar, quem irá depor, quem irá colocar no poder?

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sábado, 29 de janeiro de 2011

Protestos no Egito e Mobilização Popular: Superação do medo e a luta contra ditaduras

O Egito chega ao quarto dia ininterrupto de protestos, apelidado de Dia da Ira, em que milhares de manifestantes tomaram as principais ruas do país (como o Cairo, Alexandria e Suez) sem dar sinais de que irão recuar frente à polícia até que caia o regime de Hosni Mubarak, no poder há 30 anos.

Desde ontem a internet no Egito está praticamente inacessível e a população acusa o governo de - ilegalmente - ter "desligado" a internet. O Twitter e o Facebook já estavam inacessíveis e em alguns lugares as linhas de telefonia celular foram cortadas e mesmo a telefonia fixa passa por problemas. A transmissão via satélite do canal Al JAzeera foi cortado no Egito que pode se tornar um verdadeiro buraco negro informacional.

A repressão policial no Egito vem sendo brutal, os mortos são pelo menos 8, centenas de pessoas estão feridas ou foram presas pela polícia e encontram-se em paradeiros desconhecidos. O líder da oposição democrática, o ex-chefe da Agência Nuclear da ONU, Mohamed El Baradei encontra-se preso assim como diversos líderes da Irmandade Muçulmana e de outros partidos de oposição.

Jornalistas, em especial câmeras, são alvos preferenciais da polícia egípcia que tenta somar ampliar o blecaute informacional e proibir que imagens saiam do país.

Os protestos no Egito começaram depois que o líder da Tunísia, Zine el Abdine Ben Ali foi deposto depois de 29 dias de protestos contínuos no país. A queda de um antigo fitador Árabe - forte aliado dos EUA na região - serviu de gatilho para que a revolta se espalhasse para o Egito e mesmo para o Iêmen, onde milhares de manifestantes também exigem a saída de Saleh, no poder há 32 anos.

As imagens reproduzidas pela Al JAzeera e também pela BBC e por outras redes presentes no Egito são estarrecedoras. Frente à extrema violência policial a reação apaixonada e inebriada de milhares - talvez milhões - de egípcios que apenas pelo seu número conseguem forçar as forças de segurança a recuar.

O povo egípcio luta pela queda de Hosni Mubarak e de seu regime e não parecem estar dispostos a aceitar nada além. A mobilização na Tunísia, durante 29 dias, mostrou que o povo pode ter o poder nas mãos. Ou melhor, que o povo pode retomar o poder que ditadores usurparam.

O exército que foi mobilizado nas ruas, até agora, não deu mostras de conseguir conter os protestos e, felizmente, não usaram força total contra a população. É difícil prever o resultado - em termos de perdas humanas - de um envio de tropas do exército para conter as manifestações: Exércitos são treinados não para meramente conter, mas para destruir um inimigo.

Qual será a reação mundial - mesmo entre aliados próximos - se Mubarak decidisse matar a população para se manter no poder? Se isto não acontecer, é difícil que o regime se sustente apenas frente ao número avassalador de manifestantes e frente à crescente insatisfação popular que, finalmente, explodiu.

O grito de guerra dos manifestantes em Alexandria, no Egito, era "Ilegítimo", o que apenas demonstra que um governo - ou mesmo uma ditadura - só se sustentam enquanto povo considerá-lo(a) legítimo(a). Somente a legitimidade popular, ou frente ao povo, garantem a sobrevivência de um regime. 

Ao invés de legitimidade, porém, muitos governos escolhem o medo, a violência pura, a intimidação. Ou a aliança com Estados poderosos que o legitimem aos olhos da comunidade internacional.

Lembremo-nos da Revolução Islâmica no Irã. Apenas a pressão popular derrubou o Xá. Chega um momento em que a mera pressão da população, a desobediência civil e o descontrole causado pelo não funcionamento das estruturas mais básicas do Estado acabam por destruir as bases deste mesmo Estado.

Infelizmente em muitos casos a vontade da população não é tão forte, a mobilização não se sustenta e o medo toma conta.

O mais difícil de prever na atual situação é a posição não só do próprio governo egípcio - se reagirá com mais força  -, mas dos aliados europeus. Grande aliado da Tunísia, a França logo fez-se de desentendida sobre seu longo apoio ao regime ditatorial de Ben Ali, assim como os EUA se manifestaram frouxamente sobre a Revolução.

No caso egípcio, as "potências amigas" já pediram calma e para que Mubarak aceite fazer algumas concessões à população (ainda que estes dêem mostra de que não aceitarão nada além da deposição do ditador) sem, porém, retirarem seu apoio ao regime. A defesa da "democracia" mostra-se, como de costume, apenas uma fachada para que as potências mantenham sua influência em diversas partes do mundo.

O passo mais difícil na luta contra qualquer ditadura é superar o medo. É mobilizar o povo e, depois, manter a mobilização frente ao aumento da repressão. Esta barreira foi superada no Egito.

Mas uma vez mobilizado, é difícil parar o povo. Ou o governo cai ou se mantém derramando muito sangue. E assume as consequências políticas e sociais.

Publicado originalmente no Opera Mundi

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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Tunísia e possibilidade de "contágio": Um novo Oriente Médio?

Muitos - tanto na grande mídia como na mídia cidadã - tem especulado sobre a possibilidade do ideal da revolução tunisiana se espalhar pelos demais países do Oriente Médio, notadamente o Egito e a Síria.

Não se pode negar a possibilidade de que eventos semelhantes ocorram - no egito um homem imolou-se no Cairo, repetindo o ato desesperado do jovem Mohamed Bouazizi, 26 anos, da cidade de Sidi Bouzid, "gatilho" para a revolução.

Os fatos por detrás do levante popular são conhecidos e vem sendo analisados exaustivamente pela mídia - aliás, recomendo a excelente cobertura que vem fazendo o pessoal do Global Voices - mas acredito que exista uma euforia um tanto quanto exagerada no que concerne o Oriente Médio como um todo.

Em primeiro lugar, sejamos francos, o povo efetivamente expulsou o ditador Ben Ali do país, mas o poder continua nas mãos de seus aliados. E exército ainda não tomou posição clara e o povo não está no poder ou sequer teve a oportunidade de votar - o que, também, não garante democracia.

Os protestos continuam no país, na busca de derrubar um governo de transição cujo controle está nas mãos dos mesmos que o povo derrubou, ou tentou derrubar. A revolução está ainda incompleta.

A situação atual é de anarquia, falta de controle e medo, apesar de ainda restar esperança.

A Tunísia é um país que dificilmente encontra paralelos na região. A Turquia talvez seja um dos raros países que poderiam servir como comparação - mas esta já é uma democracia, por mais que imperfeita.

Com um nível de laicismo semelhante talvez só a Síria, mas a agência oficial local sequer mencionou os recentes acontecimentos na tunísia e o blecaute informacional não deve cair tão cedo. E, diferentemente da Tunísia, a Síria pode invocar o inimigo externo (EUA e Israel) e mesmo um interno (a comunidade Curda no norte que já vive em situação perpétua de medo e sofrendo violações) na tentativa de repelir qualquer tipo de tentativa de desestabilização.


Isto significa que qualquer levante popular seria abafado ainda com mais veemência e brutalidade pela polícia -e provavelmente pelo exército -, sendo taxado de ação patrocinada pelos EUA - como tentou o governo iraniano acusar os "verdes" apoiadores de Moussavi.

O Irã, aliás, é um bom paralelo para a situação. O governo se manteve no poder, em parte, por conseguir unificar forças contra os manifestantes que, diziam, trabalhavam para os EUA. A tese do inimigo externo funcionou perfeitamente, ainda que não fosse inteiramente verdadeira. E, claro, trato aqui em termos simplistas, afinal seria preciso uma mobilização ainda mais forte para desestabilizar de forma efetiva o governo que tinha o exército e a Guarda Revolucionária ainda amplo apoio.


O governo da Tunísia, por outro lado, era aliado dos EUA, ou seja, não faria sentido em seus patrocinadores darem um golpe ou tramarem algo do tipo. Não que fosse impossível, mas ao menos não serve como desculpa para deslegitimar a população em revolta. A tese do inimigo externo caiu por terra e, por ser um país majoritariamente laico, pouco se podia dizer sobre um "perigo muçulmano".

Este apoio dos EUA e de seus aliados, aliás, se reflete nas parcas informações pré-revolução em comparação com a imensa cobertura dada pela mídia aos protestos no Irã. A mídia tem interesses e não esconde - ou tenta e acha que somos tolos. Isto, obviamente, não diminui nem a relevância da revolução tunisiana e nem os protestos no Irã.

O fato de ser fato consumado e de que a Tunísia se trata de um país muçulmano, mas majoritariamente laico, sem que nenhum grupo militante islâmico ameace a estabilidade, facilita a aceitação por parte da comunidade internacional de um novo governo, seja ele o escolhido pelo povo ou outra ditadura amiga.

O problema desta revolução se espalhar reside exatamente aí, na militância islâmica. No perigo islâmico, seja ele real ou não.

É neste ponto em que os mais entusiasmados com a possibilidade de revolução semelhante ocorrer no Egito, por exemplo, se perdem. Os recentes e constante ataques à população Copta colocam em xeque a idéia de que as comunidades religiosas vivem em paz e harmonia no país e de fato existe o perigo de uma islamização do Egito, o que seria péssimo para os interesses dos EUA na região e, obviamente, neste caso, é difícil não convergir até esta tese.

O governo de Hosni Mubarak é uma fachada, mas é laico. Um levante popular dificilmente manteria este caráter do Estado egípcio, o que faria a máquina americana se mover. O mesmo vale para boa parte dos países do norte da África, seja pela população em si, seja pela forte presença de grupos islâmicos militantes.

De qualquer forma, o fato é que todos os atuais ditadores devem estar tomando as medidas necessárias para evitar que algo semelhante aconteça: Tortura, prisões, leis restritivas, espionagem... E, no caso dos aliados dos EUA, deve já ter recebido ofertas de ajuda - entenda como quiser.

O caráter de um levante em países onde o laicismo não é forte ou o princípio básico, seria desde o começo diverso do Tunisiano: O objetivo não seria "democracia", mas a provável implantação de um regime islâmico, com aplicação da Sharia e etc. Não podemos deslegitimar o motor de descontentamento, mas a possibilidade de um governo laico vinda de processos revolucionários no Egito, por exemplo, é pequena.


Fica o dilema final, melhor um Estado ditatorial laico que impõe severas restrições ao seu povo ou uma "democracia" islâmica que também imporia severas restrições ao seu povo?
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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Irã: A Segunda-Feira [Updates]


(Fonte: LA Times)

O dia começa com uma demonstração interessante de mal-caratismo. Ahmadinejad, como se não soubesse quem são os responsáveis - mandou investigar a morte "suspeita" de Neda.



Pelo mundo continuam os protestos. Em Paris mais uma grande manifestação ocorreu pelas ruas da cidade, com milhares participando exigindo democracia no Irã.



Aqui podem ser vistas as fotos do protesto em Paris. Aqui, outra fonte de fotos dos protestos no Irã.

Hoje, possivelmente, é o dia do veredito final. O Conselho dos Guardiães está analisando uma proposta de Mousavi, porém já descartou recontagem total ou anulação - o que, no fim, inviabiliza mudança de resultados e justiça - e espera-se nas próximas horas uma definição das eleições e veremos se há mais combustível para os protestos.

Quanto aos Direitos Humanos, aproximadamente 2 mil pessoas foram presas e permanecem na cadeia, segundo a Federation of Human Rights, com informações de organizações iranianas.

Protesto na Mesquisa te Ghoba:



Algo que vem sendo amplamente discutido é o papel da Guarda Revolucionária na repressão e no apoio à Ahmadinejad. Inegavelmente a Guarda ganhou uma força extraordinária com a chegada de Ahmadinejad ao poder, algo que o próprio Khomeini veria com preocupação, pois sempre buscou equilibrar os poderes e evitar que os militares tivessem poder demais e desequilibrassem a baçança e diminuíssem o poder do Aiatolá e dos religiosos.

A questão mais significativa, porém, é se a Guarda estaria disposta a ceder aos manifestantes ou se veríamos um banho de sangue caso os Conselho de Guardiães cedesse às pressões populares. Ainda nesta linha, qual será a reação da Guarda à decisão dos Aiatolás, caso esta os favoreça e os protestos não cedam, na verdade aumentem.

A Milícia Basij é outra que participa ativamente do governo Ahmadinejad e que ganhou muita força e é exatamente o grupo que mais reprime os manifestantes e que vem tendo participação mais ativa na censura, repressão e assassinatos, como o de Neda, por exemplo.
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Quanto aos jogadores da Seleção que foram forçados a se aposentar, a mídia estatal iraniana afirma que eles se aposentaram por livre e espontânea vontade e que em momento algum o governo os forçou ouos baniu.
"The IFF (Iranian Football Federation) has not taken any official stand on this issue. We only saw the story in the international media"
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O Conselho de Guardiães prorrogou novamente o prazo final para o resultado das eleições.
"As officials began a limited recount of Iran's disputed presidential ballot on Monday, authorities in Tehran said they had extended by five days their deadline to investigate opposition claims of electoral fraud. The move could postpone the final certification of the ballot, which Iranian leaders insist was fair.

The Guardian Council, a 12-member clerical panel charged with vetting and authenticating the June 12 vote, said on Monday that Mr. Moussavi had offered proposals to "rebuilt public trust" after more than two weeks of rallies and protests by the opposition that have drawn a broad and violent crackdown from government security forces.

Press TV, the English-language state satellite broadcaster, said the council had found Mr. Moussavi's proposals to be "positive." It did not say what they were. Abbas-Ali Kadkhodaei, the council spokesman, was quoted as saying the panel has "given another opportunity to Moussavi" to substantiate his grievances about the election."

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A Avaaz começou uma campanha de arrecadação de fundos para tentar furar o bloqueio midiático e de informações no Irã:
"Last week millions marched peacefully to protest apparent election-rigging. Now a crackdown has killed scores and left hundreds arrested -- while the internet and media blackout and cyber-surveillance threatens to stop all Iranians communicating freely.

We can’t let that happen. Unless Iranians are able to share information freely over the coming weeks, their voices may be silenced for good. Let's help break the blackout -- people in Iran are asking us to re-open secure and anonymous communication channels for them, particularly anonymous web proxy services.

One small donation of €10 (US$15) can fund enough bandwidth for Iranians to send hundreds of secure emails. If 10,000 or more of us can donate, we can scale up these services massively -- with more servers, bandwidth and advanced technical support. The next two weeks will be crucial -- "
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Quadrinhos no estilo de Persépolis, sobre os protestos pós-eleitorais.

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Do Facebook de Mousavi, via HuffPost:
"No results in meeting between Mousavi's representative and the guardian council, he didnt give up to them: 'Mir Hossein Mousavi is not under house arrest, he is not about to leave the country, he is under strong pressure to end this. but he always said he will stand for the people's will to the end ! He is from and with the people ..."
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Agora é oficial. A fraude foi consumada. O Conselho de Guardiães confirmou a vitória de Ahmadinejad depois de uma pífia recontagem parcial. Resta saber o que acontecerá, se os protestos irão se intensificar e a repressão irá aumentar ou se os protestos morrerão lentamnete mas, ainda assim, a repressão irá aumentar.
"ran’s top legislative body confirmed on Monday the results of a disputed June 12 election, declaring the reelection of President Mahmoud Ahmadinejad, state broadcaster IRIB reported.

Iran’s Guardian Council had conducted a partial recount of 10 percent of random ballot boxes across the country in front of state television cameras on Monday and said no irregularities were revealed in the recount.

Defeated opposition candidate Mir Hussein Moussavi has rejected the Guradian Council’s offer of a partial recount, saying the vote was rigged in Ahmadinejad’s favor and that the whole election should be annulled."

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Reaction to the Guardian Council's election ruling. Iranians on Twitter say people have begun protesting news that Iran's main election body had affirmed Ahmadinejad's victory. People have "come out on the streets... [they] are in the various city squares," one writes.

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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Irã: A Sexta-Feira

Hoje podemos enxergar mais claramente que há um racha entre os Aiatolás. Ao menos agora, a coisa está mais aparente, é difícil conseguir esconder que os lados não andam conversando e que estão se formando publicamente campos ou polos opostos.

O The Atlantic dá um bom exemplo, um discurso do Aiatolá Ahmad Khatami exigindo a pena de morte para os líderes dos protestos (a considerar pelos "tribunais especiais" que serão criados no Irã e do carniceiro como promotor...) e, do outro lado, a fala do Aiatolá Nasser Makarem-Shirazi que pede uma "reconciliação nacional", segundo Juan Cole, seria uma clara afronta ao Aiatolá ALi Khamenei, que diz que não há qualquer fraude, qualquer problema, Ahmadinejad ganhou, ponto final.

In his prayers sermon this morning, Ayatollah Ahmad Khatami (no relation to former president Mohammad Khatami) demanded the death penalty for demonstration leaders, "without mercy." Juan Cole reacts:

This call is a new and dangerous turn, since Supreme Leader Ali Khamenei had praised the opposition leaders and simply urged them to accept the official results. Ahmad Khatami is close to the hard line faction of President Mahmoud Ahmadinejad, and is surely voicing the sentiments of the worst of the Basij and Revolutionary Guards elements who have attacked the protesters.

On the other hand, in a statement released yesterday, Ayatollah Nasser Makarem-Shirazi urges "national conciliation." Cole again:

This statement is significant because it constitutes a clear rejection of the stance of Supreme Leader Ali Khamenei, who has declared the issue settled. You would not need practical reconciliation if the issue was settled.
A declaração de Ahmad Khatami:
'I call on the judiciary for a decisive confrontation with the leaders of these illegal demonstrations and ask for capital punishment against them without any mercy,' Ayatollah Ahmad Khatami

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Hoje foi um dia de colorir os céus, milhares de Iranianos soltaram balões verdes em dezenas de cidades para exigir a anulação da eleição e homenagear os mortos.


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Joan Baez cantando "We Shall Overcome" com pedaços em Farsi, em homenagem ao Irã.




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O The Angry Arab traz uma constatação curiosa, mostrando que a história pode se repetir...

Em 79 os Comunistas acreditaram em Khomeini, que os discurso islâmico e radical era apenas retórica. Foram presos, torturados, seu líder foi executado e muitos morreram. Hoje, Mousavi tem o mesmo discurso. Resta saber o que é realmente retórica.
Progressive supporters of Mousavi in Iran keep telling me to ignore the Islamist rhetoric Of Mousavi and his invocation of the teachings of Khomeini and his calls for Allahu Akbar chants. They say that he only does that for political purposes. Back in 1978-79, the Iranian Communist Party made the same argument about Khomeini--until they were arrested and their leader executed.
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quinta-feira, 25 de junho de 2009

Irã: A Quarta-Feira/Quinta-Feira


Para começar bem, uma entrevista com Embaixador Iraniano nos EUA (supostamente), em entrevista à CNN. Isso mesmo, segundo a figura, quem matou Neda foi a CIA.

BLITZER (Âncora da CNN): Are you seriously accusing the CIA of killing Nada?

GHADIRI (through translator): We say that the bullet that was found in her head was not a bullet that you could find in Iran. These are the bullets that the CIA and terrorist groups use. Of course they warned that there would be a bloodshed in these demonstrations and then they could attribute that to the Islamic republic. This is part of a common act of CIA in various countries.

BLITZER: Do you really believe that, Mr. Ambassador? You're a distinguished diplomat representing Iran. This is a very serious accusation that you're making, that the CIA was responsible for killing this beautiful, young woman.

GHADIRI (through translator): I'm not saying that the CIA had done this. There are different groups. Could be intelligence services, could be CIA, could be the terrorists. However, these are the people who do these things.

You could ask Mr. Andreotti, who was an Italian diplomat whether Gladitators were a secret group related to CIA or not. Now they of course they use better methods. Of course, you're not going to say that CIA is a sacred organization that hasn't done anything to other worlds.

BLITZER: Mr. Ambassador, why won't your government allow people to go mourn at a memorial service for Nada, as her family has requested?

GHADIRI (through translator): We have no problem with mournings. Naturally we don't want to provide an opportunity for the rioters to come in and make the situation worse.




O Huffington Post traz uma outra - pequena - parte da entrevista:

WOLF BLITZER, CNN ANCHOR: Well, we're anxious to hear your government's response to all of these developments which have been very dramatic over the past two weeks. A key question many people around the world are asking is, why did your security forces kill that 26 year-old beautiful student named Nada?


GHADIRI (through translator): This death of Ms. Nada is very suspicious. She was shot from behind. The location was where there was not much demonstration, there was no police presence and the gun that shot and killed her was a smuggled gun. It was not a government-issued gun. [...]

My question is that how is that this Nada was shot from behind and several cameras take that. And this is done in an area where there was no important demonstration... If the CIA wants to kill some people and attribute that to the elements of the government and then choosing a girl would be something good for them because it would have much higher impact. Therefore, we believe and we are looking into this to find who the elements were who did this. [...]

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Video do Huffington Post mostrando o momento em que um manifestante é assassinado no Irã:

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Um pouco de lucidez na UE, aparentemente. O Primeiro Ministro Sueco, Fredrik Reinfeldt, que assumirá em breve a presidência do grupo, afirmou que considera contraproducente aplicar novas sanções ao Irã. Tudo bem que suas razões podem não ser as melhores - Direitos Humanos, Respeito, Liberdade e etc - e sim puramente econômicas, dado que a Suécia mantém excelente relação comercial com o Irã, mas, ainda assim é uma boa notícia visto que sanções poderiam apenas reforçar a posição de Ahmadinejad no país e comprovar a idéia de "perseguição ocidental" pregada por ele.
"My worry is that talk of sanctions, talk of a tougher line might just be the start of an excuse for the Iranian leadership not to listen in to what is now being said by the Iranian people."
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Irã: A quinta-feira [Updates]

Cartoon de Steve Bell para o Guardian

O The Guardian comentou ontem que a família de Neda foi obrigada a deixar sua casa. O destino deles é desconhecido.
The Iranian authorities have ordered the family of Neda Agha Soltan out of their Tehran home after shocking images of her death were circulated around the world.


Neighbours said that her family no longer lives in the four-floor apartment building on Meshkini Street, in eastern Tehran, having been forced to move since she was killed. The police did not hand the body back to her family, her funeral was cancelled, she was buried without letting her family know and the government banned mourning ceremonies at mosques, the neighbours said.

"We just know that they [the family] were forced to leave their flat," a neighbour said. The Guardian was unable to contact the family directly to confirm if they had been forced to leave.




A Times comenta que o Irã apontou um dos seus promotores mais temidos para interrogar os manifestantes presos nos tribunais - de caráter marcial sem dúvida - que serão abertos no Irã especialmente para julgar estes casos.

Aaaed Mortazavi é conhecido como "O Carniçeiro da Imprensa", péssima notícia para os reformistas.
The Iranian regime has appointed one of its most feared prosecutors to interrogate reformists arrested during demonstrations, prompting fears of a brutal crackdown against dissent.

Relatives of several detained protesters have confirmed that the interrogation of prisoners is now being headed by Saaed Mortazavi, a figure known in Iran as "the butcher of the press". He gained notoriety for his role in the death of a Canadian-Iranian photographer who was tortured, beaten and raped during her detention in 2003.

"The leading role of Saeed Mortazavi in the crackdown in Tehran should set off alarm bells for anyone familiar with his record," said Sarah Leah Whitson, the Middle East and North Africa director of Human Rights Watch.

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Momento para rim um pouco:

O Ministro da Cultura do Irã, Ali-Reza Malekiam, afirmou que o Irã não impõe qualquer restrição à publicação à imprensa.
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O The Atlantic informa que atiradores de elite estão selecionando alvos em meio aos protestos e abrindo fogo.



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O Center For Threat e o The Atlantic trazem uma informação terrível, a de que as milícias estão usando machados para atacar os manifestantes. O Center for Threat traz ainda uma foto (recomendável só para quem tem estômago forte) de um manifestante no necrotério, com marcas de machado no peito.
">More than 10.000 Bassij Milittias get position in Central Tehran, including Baharestan Sq.
>Army Helycopters flying over Baharestan and Vali Asr Sq.
>The streets, squares and around BAHARESTAN (Approx. South-eastern of Tehran) is swarming with military forces, civilian forces, the security motorists
>The croud have moved to the south of baharestan, the situation is bad, the shooting has started
>In Baharestan Sq. in the Police shooting, A girl is shot and the police is not allowing to let them help
>In Baharestan we saw militia with axe choping people like meat - blood everywhere - like butcher"

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Momento para rim um pouco [2]:

Ahmadinejad compara Obama com Bush.

"Mr Obama made a mistake to say those things ... our question is why he fell into this trap and said things that previously (former president George W.) Bush used to say,"

"Do you want to speak with this tone? If that is your stance then what is left to talk about ... I hope you avoid interfering in Iran's affairs and express your regret in a way that the Iranian nation is informed of it."



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Do The Atlantic, Mousavi está realmente em prisão domiciliar hoje, e o NYT dá amesma informação:

Mackey cites a report saying that Mousavi is under house arrest. Eli Lake has a report on a new strategy from the resistance, and this great quote from Mousavi spokesman, Makhmalbaf:

"Before this, everyone was saying the Iranian people are not ready for democracy, but we see now the Iranian people will die for democracy. We cannot lose this time."

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Neste momento, as mensagens em homenagem à Neda já são 6,743
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Do Facebook de Mousavi (tradução, NIAC):

""Ok, now all the world are going to show their supports to Iranians... This Friday, We all are going to send GREEN BALLOONS to the sky to show that now ALL PEOPLE OF THE WORLD ARE IRANIAN. On 9/11 everybody was American, NOW THE WORLD IS IRANIAN.""


---------------------------O NIAC denuncia que a prêmio nobel Shirin Ebadi se tornou um alvo no Irã.

“In a letter, Shirin Ebadi has been accused of undermining Islamic principles, the sharia law and the constitution.”

“Building a case against Shirin Ebadi has started; several of female legal experts and martyrs’ families have requested the cancellation of Shirin Ebadi’s permit, and requesting the legal pursuit of her.”

Female legal experts request legal action against Shirini Ebadi – According to IRNA, a group of female academics, lawyers, and martyrs’ families wrote a letter to the Ministry of Justice requesting legal action against Shirin Ebadi because “she is no longer eligible to have a [legal] permit.”

In this letter, partially quoted by IRAN, Shirin Ebadi is accused of “repetitive infringement of Islamic decrees, Sharia law and the constitution” which makes her “ineligible for a legal license.” The signatories of the letter further said “a self-serving group of traitors to the holy regime of the Islamic Republic with a pledge of allegiance to aliens, like brown-nosing dust and dirt…are planning to harm the national greatness and honor.”

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Corajosa frase de Karoubi:
“There is strong syndicated electoral mafia in Iran that has interfered and changed the results of the elections. We must locate the cancerous leadership of this syndicate and destroy it.”
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Nos EUA, foi lançada uma petição online para que o time de futebol do país use braçadeiras verdes na final da Copa das Confederações, em uma demonstração de solidariedade com o Irã, com os mortos e, em especial, em apóio aos jogadores iranianos banidos do futebol por usar braçadeiras verdes no jogo contra a Coréia do Sul.
"To the U.S. soccer team players:

Please consider wearing green wristbands in your upcoming match in the Confederations Cup finale. It would be a sign of solidarity and compassion for your fellow soccer brethren who were banned from the game they love and face unthinkable repercussions for simply adorning a green wristband symbolizing peace and freedom. This is not politics, it is human rights. Any slap on the wrist you may face from FIFA pales in comparison to what the Iranian soccer team faced, and what the Iranian people face.

Make us proud. Make the world proud."

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quarta-feira, 24 de junho de 2009

Irã: A Quarta-Feira [Updates]



A Terça terminou com muita violência, barricadas nas ruas e muita gente espancada.



O Huffington Post informa que na segunda foi colocado no ar o site We Are All Neda, onde qualquer pessoa pode deixar uma mensagem em homenagem à Neda, neste momento o site soma 4249 mensagens em homenagem à jovem covardemente assassinada pela milícia Basij e que virou o símbolo dos protestos, o chamado da Liberdade.

Os jornais informam que o conservador Mohsen Rezai resolveu retirar suas denúncias de fraude para evitar um racha ainda maior na sociedade iraniana. Isto basicamente significa que este indivíduo foi ameaçado ou subornado, em resumo, é um covarde.
"A situação política, social e de segurança entraram em uma fase delicada e sensível, que é muito mais importante que a própria eleição"
As queixas são, até agora 646.

O Governo iraniano irá ainda criar tribunais especiais para julgar os manifestantes, o que cheira à tribunais marciais com sentenças prontas: Morte ou Perpétua. É o mesmo que os religiosos fizeram com os Comunistas que participaram da Revolução de 79, quando já não eram mais necessários, foram descartados.

Apenas para se ter uma idéia das acusações que surgirão:
"Tens of dead and injured, widespread destruction of public property, widespread fires, and hundreds of citizens' cars destroyed are the results of two weeks of dodging the law and the selfishness of Mir Hossein Mousavi."



Neste momento, as mensagens em homenagem à Neda já são 4462.

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A AP informa que a mulher de Mousavi, Zahra Rahnavard, está comparando a violência do governo contra os manifestantes à lei marcial (eu já comentei sobre isso antes, agora faltam apenas as cortes marciais, já em progresso). O fato de uma mulher ter participado ativamente da campanha ao lado do marido e de dar declarações desta forma já demonstra uma mudança sem precedentes. Vale lembrar que as mulheres estão protestando ativamente e com muita paixão desde o fim das eleições. Sem dúvida elas são as mais interessadas em liberdade e direitos para si.
Zahra Rahnavar diz que os manifestantes tem o direito constitucional de protestar e que não devem ser tratados com ose houvesse uma lei marcial nas ruas e, ainda, ede a libertação imediata dos ativistas presos.

Uma mulher corajosa, sem dúvida.
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O Globo informa que o médico que tentou salvar a vida de Neda, e amigo de Paulo Coelho, fugiu do Irã e chegou em segurança à Londres.
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Do Huffington Post:
"From a reliable Iranian on Twitter, @persiankiwi: "I see many ppl with broken arms/legs/heads - blood everywhere - pepper gas like war... ppl run into alleys and militia standing there waiting - from 2 sides they attack ppl in middle of alleys...
saw 7/8 militia beating one woman with baton on ground - she had no defense nothing -... so many ppl arrested - young & old - they take ppl away"



Do The Atlantic:
"I was going towards Baharestan with my friend. This was everyone, not just supporters of one candidate or another. All of my friends, they were going to Baharestan to express our opposition to these killings and demanding freedom. The black-clad police stopped everyone. They emptied the buses that were taking people there and let the private cars go on. We went on until Ferdowsi then all of a sudden some 500 people with clubs came out of [undecipherable] mosque and they started beating everyone. They tried to beat everyone on [undecipherable] bridge and throwing them off of the bridge. And everyone also on the sidewalks. They beat a woman so savagely that she was drenched in blood and her husband, he fainted. They were beating people like hell. It was a massacre. They were trying to beat people so they would die. they were cursing and saying very bad words to everyone. This was exactly a massacre... I don't know how to describe it."
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Neste momento, as mensagens em homenagem à Neda já são 5,306.
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Da Reuters:
"Iran's moderate defeated candidate Mehdi Karoubi rejected Wednesday the June 12 presidential election result and said the new government was "illegitimate," his website reported.

"I do not accept the result and therefore consider as illegitimate the new government. Because of the irregularities, the vote should be annulled," Karoubi said."

-------------------------------------Do The Guardian:
Neighbours said that her family no longer lives in the four-floor apartment building on Meshkini Street, in eastern Tehran, having been forced to move since she was killed. The police did not hand the body back to her family, her funeral was cancelled, she was buried without letting her family know and the government banned mourning ceremonies at mosques, the neighbours said.
A CNN traz mais informações sobre o assassinato de Neda e diz que ela pode ter sido morta "por engano". Está provada a prática de assassinatos seletivos por parte do governo iraniano. É um disparate!
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