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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Porque anularei meu voto com a consciência tranquila

Acima de tudo há uma razão crucial pela qual eu tenho a consciência tranquila por anular meu voto e nem remotamente pensar em votar na Dilma.

Dilma e o PT ESCOLHERAM Aécio. Escolheram disputar o segundo turno com ele.

O PT fez pesada, desleal e suja campanha contra a Marina. Atacaram até sua história, mesmo quando a história dela é basicamente a história do PT. Atacaram aliados de Marina que ontem eram aliados do PT (Como a Neca), enfim, foi uma campanha podre aos moldes da que o PSDB costuma fazer contra o... PT!

O PT no papel de atacado pelo PSDB se sentiu no direito de fazer o mesmo (pese continuar a se fazer de vítima frente ao PSDB e a mídia que o próprio PT financia e em 12 anos não passou nem perto de regular).

Essa campanha suja do PT ajudou na queda de Marina (claro, não foi o único fator, Marina foi péssima nos debates, voltou atrás em programa (pese o PT nem ter lançado o seu) e dois minutos de TV contra o tempo dos outros candidatos era algo bem complicado.

Mas, enfim, o PT mirou Marina e deixou Aécio. Porque?

Porque sabia que a esquerda não apoiaria o PT automaticamente num segundo turno contra Marina (pelo contrário, amplos setores iriam para a campanha de Marina mais fácil do que a da Dilma) e sabia que os votos de Aécio jamais migrariam pra Dilma, mas também pra Marina. O PT tinha a esperança de que os votos de Marina migrassem pra si e, claro, tinha o eterno "mal maior" para garantir o apoio da esquerda.

Com a tese do "mal maior" o PT teria mais 4 anos para fingir ser de esquerda falando que, na eleição, toda a esquerda esteve unida. Unida por motivo de força maior, mas para a propaganda petista o que interessa é apenas a imagem e não a realidade.

O primeiro fator parece não estar (ainda?) seguindo o caminho desejado pelo PT - a maior parte dos votos da Marina estão indo pro Aécio -, e o segundo era óbvio. Líderes de esquerda chegaram a apoiar o PT sem sequer exigir nada, sem uma agenda mínima sequer de apoio aos direitos humanos ou de pautas progressistas.

Se o congresso atual é o mais conservador da história, parte disso é culpa do... PT! Ao invés de eleger quadros de esquerda (imensas dúvidas quanto ao "esquerda" aí, mas ok), o PT preferiu apoiar e fazer campanha para Katia Abreu, Collor, dentre outros. O deputado federal mais votado do PT de São Paulo foi o... Andre Sanches!

Ou seja, o PT se aliou com gosto à direita, se lambuzou, elegeu, fez campanha, mas hora hora do "vamos ver" pede ajuda à esquerda?

Só pode ser piada. E é, colocaram a Katia Abreu no primeiro programa do partido na TV no segundo turno!

Tenho o maior respeito por quem tapa o nariz pra votar no PT contra o PSDB, assim como tenho pelo Jean que apoia a Dilma, mas exigiu contrapartidas, mas simplesmente não vejo razões pra apoiar o partido contra o oponente que escolheram num jogo que pensaram já ter ganho.

Querem ajuda? Peçam pra Katia Abreu. Nem o meu mais absoluto desprezo por Aécio e o verdadeiro medo que sinto do PSDB no poder são capazes de me fazer passar por cima da racionalidade e apoiar esta candidatura do PT. O que o PT faz tem nome: Chantagem. E é inaceitável.

Se votar fosse (não consegui transferir meu título), anularia com gosto e prazer.
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sábado, 4 de outubro de 2014

Marina e a alegoria espanhola: O PT prefere o PSDB

Algumas pessoas um tanto quanto inocentes tem se surpreendido com a aparente preferência do PT por ter Aécio disputando o segundo turno e não a Marina.

A surpresa, de fato, só pode vir de inocência.

Se por um lado é óbvio que dado o crescimento inicial astronômico da Marina esta iria se tornar o principal alvo dos petistas e de sua campanha suja, por outro é interessante notar que mesmo com sua imensa queda a carga contra ela continua e vemos pelas redes petistas mais ou menos destacados comentar sem pudor que preferem disputar com Aécio e reeditar o velho "bem versus mal" fake de sempre, ou seja, reeditar o velho PT versus PSDB de onde nada de bom sai.

É mais confortável para o PT e, lógico, interessa ao PSDB.

O curioso é que este é um método sujo típico de partidos que flertam com o fascismo, vide agora o caso do PP na Espanha. Partido franquista, governa a Espanha há considerável tempo, com danos significativos e, claro, com respostas inúmeras das ruas. Se é verdade que dificilmente perderia as eleições que se aproximam, pode porém perder a maioria absoluta e se veriam em situação complicada frente à segunda força: Não mais o cordial e conivente PSOE, mas o "radical" Podemos, nascido das ruas, dos movimentos indignados e uma verdadeira pedra no sapato das elites.

As hostes do PP já pensam em compor eleitoralmente (mesmo que não-oficialmente) com o PSOE, que se tornaria terceira força e dificultaria a vida dos bancos e elites.

O que vemos no Brasil e na Espanha é um quadro semelhante de dois partidos de direita (pese que PSOE, PT e PSDB se dizem de esquerda), financiados pelas mesmas elites e representando os mesmos interesses, apavorados e compondo aliança informal para derrotar a terceira via (mesmo que no caso do Brasil essa "terceira via" seja extremamente duvidosa, pese ser uma novidade) que pode ou poderia colocar em perigo seus negócios e negociatas.

É a carga máxima de ataques à "terceira via" numa composição "branca" com a força que até ontem era a grande inimiga. O inimigo do meu inimigo é meu amigo.

Para o PT o melhor negócio é disputar o segundo turno com o PSDB, que tem um candidato fraco, do que com a Marina que pese se mostrar igualmente fraca nos debates televisionados, possui um discurso muito mais perigoso ao PT e não tem o mesmo teto de vidro que o PSDB, que governou deforma desastrosa o país em anos anteriores.

Da mesma forma, para o PP o melhor é ter a oposição cordial do PSOE do que enfrentar um adversário que não se submeterá à "banca" e à "troika" e que dificultará os acordos e negociatas desse partido e eventuais alianças pontuais com o PSOE, o que ficaria ainda mais escancarado se este fosse terceira força e se recusasse a formar uma frente de esquerda.
 para continuar nos braços dos patrocinadores.

Neste ponto o PSOE encontra no PT um semelhante, que, no poder, se recusa a ir para a esquerda para não perder patrocínio e aliados (muitos abertamente fascistas). É mais cômodo administrar o país para os poderosos que incomodá-los.

Por fim, o discurso da Marina é mais perigoso ao PT e seus interesses que o do PSDB, ligado às mesmas elites empresariais, oligarcas, ruralistas e afins (eram todos aliados de FHC antes de migrarem para Lula/Dilma), daí a virulência do repúdio de membros e simpatizantes fanatizados deste partido nas redes e no horário político.

O interessante é que mesmo com outras intenções, a comparação entre os cenários eleitorais brasileiro e espanhol já foi feita até por petistas, ainda que enviesada, com total desconhecimento de causa e com o interesse único de ajudar o PT.

Neste artigo, para quem se interessar, explico melhor neste texto o falso argumento do blogueiro petista e analiso também parte da razão do pavor do PP e do PSOE frente ao crescimento do Podemos em números e em possibilidade de coalizões.
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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Marina Silva: A alternativa que não é... uma alternativa

Marina pró-LGBT? É ver pra crer...
Retomo novamente ao tema Marina Silva, tentando ampliar discussões iniciadas no Facebook e complementar meu post anterior sobre ela a luz dos recentes acontecimentos.

Espelho

Marina joga no vácuo criado pela disputa PTxPSDB, mas não difere substancialmente deles. Seu discurso, no entanto, é modulado para parecer que é novo, que é outro. Marina não tem nada de novo,  é mais do mesmo. Mas ela soube se colocar.

Pode-se dizer que economicamente Marina seja um pouco mais (neo)liberal que o PT, mas o tom das críticas e a hipocrisia com que são feitas apenas dá forças ao projeto marinista. Como levar a sério quem critica Marina por se aliar ao Itaú quando foi este banco o quarto maior doador de Dilma? Ou as críticas de que ela seria aliada do empresariado e da elite, quando Dilma garantiu a estes setores lucros históricos? Se Marina e privatista, Dilma não fica atrás.

Marina se coloca acima de partidos e de candidatos/adversários. Elogia uns, critica outros, não se mete em briga e não se deixa rotular. Isso agrada ao eleitor médio.

E é sempre bom lembrar que qualquer crítica feita pelo PT à Marina serve como um espelho. E o PSDB não está muito melhor na situação. Seu candidato, Aécio Neves, é ridiculamente fraco, artificial e não empolga nem sua própria "militância".
"Como para Dilma a política é irrelevante, já que no final com as transformações econômicas promovidas todos lhe dariam razão, tudo que envolve um conflito é deixado de lado em torno da viabilidade desse projeto desenvolvimentista. Pior: Dilma fez preponderar no PT, que era um partido razoavelmente afinado com a causa ecológica, a mentalidade de que a preocupação ambiental está em conflito com o desenvolvimento social."
Os limites da disputa PTxPSDB

Importante notar que tudo que o PT faça o PSDB critica. E tudo que o PSDB faça, o PT critica. Ainda que, no fim, as práticas de ambos seja semelhante. Marina, ao sair dessa lógica de "tudo que o outro faz é ruim e só eu sou o bom" cria um escudo fantástico contra os ataques vindos contra ela.

A Marina de 2010 está morta e enterrada, pro bem ou pro mal, mas é em parte a imagem dessa Marina que mantém um eleitorado fiel enquanto ela tenta realizar algumas mudanças no discurso para agregar novos eleitores. E isto vem funcionando não apenas por ela ou por sua capacidade de mediar conflitos e de enrolar discursos, mas porque a política tradicional, PT e PSDB estão no limite.

A posição de Marina a torna imune a ataques, pois a população cansou. Cansou de apenas ataques, de picuinhas, de "tretas" eternas que, no fim, pouco diferenciam situação e oposição. Os ataques acabam fortalecendo a posição murista da Marina. É possível que num segundo turno o clima esquente e com apenas um adversário ela seja forçada a descer do muro e se posicionar mais claramente sobre diversas questões, mas por enquanto a tática tem funcionado às mil maravilhas.

Marina posa com sua imagem de alternativa em 2010 como a saída deste marasmo. Aos não pré-convertidos ela modula seu discurso. Quer "unidade", "união", que "todos trabalhando" e repudia rótulos.

Oras, em geral o repúdio a rótulos e a chamada eterna por unidade está atrelada à direita que tem medo de se mostrar. E sim, Marina é uma candidata que economicamente se coloca à direita e que em 2010 também estava neste campo no social. Hoje seu discurso social mudou, ela parece ter uma maior compreensão dos direitos humanos, desistiu da ideia absurda de plebiscito para direitos humanos (ao menos para alguns itens, retomarei o tema no fim do artigo), mas é bom lembrar que tudo isto é apenas em tese. Aliás, Marina continua defendendo absurdos como, por exemplo, plebiscito para o DIREITO ao aborto e legalização das drogas.

E PTxPSB/Marina

Questão é que a Marina no campo das ideias é teoricamente melhor que a Dilma/PT na prática, e isso explica o porque de muitos ativistas terem se bandeado para seu lado. Dilma é a certeza de um governo péssimo na área dos direitos humanos, a Marina é uma incógnita, uma pedra bruta a ser lapidada, uma pessoa supostamente mais aberta ao diálogo e ao contraditório (oras, sua mudança de 2010 pra cá seria uma mostra disso). E digo tudo isso sobre a Marina não por confiar nela - não confio, mas simplesmente porque Marina nunca governou, então não sabemos efetivamente como seria seu governo. Podemos apenas imaginar.

Confesso que entre a certeza e a dúvida, não prefiro nenhuma delas, mas compreendo quem aposte pela dúvida.

Penso que só um milagre ao melhor estilo Russomano tira da Marina a presidência, mas alerto, não esperem grande coisa de um governo de transição e sem propostas para além de ser “diferente”. Marina não é de esquerda, seu ambientalismo hoje não é mais que fachada. Mas isso parece pouco importar.

Como comentou o Mauricio Caleiro :
Em primeiro lugar, há de se ter claro que a candidatura de Marina Siva não anula uma das características mais preocupantes das eleições 2014: a constatação de que, a rigor, elas não oferecem ao eleitor uma candidatura competitiva de esquerda. Isso se deve, sobretudo, à primazia que as três candidaturas com chance de vitória concedem, com insignificantes nuances entre si, a um modelo econômico de origem neoliberal e que privilegia os interesses do mercado financeiro em detrimento aos da população.

Tal modelo baseia-se no propalado "tripé econômico", constituído de metas pré-definidas de inflação, dólar flutuante (ou seja, sem intervenção estatal no sentido de manipular a taxa de câmbio) e rigor fiscal, traduzido em metas para superávit primário (a relação entre receita e despesas, excetuadas aquelas dispensadas ao pagamento de juros da dívida pública).
[...]
Enquanto Aécio levaria esse modelito neoliberal ao limite e Dilma o tem transigido eventualmente, manipulando índices aqui e ali, mas, com a covardia característica, sem jamais assumir uma postura critica em relação a ele – pelo contrário, ela não cansa de jurar estar sendo fel ao tripé -, Marina já deixou claro que o manterá ao pé da letra.
Marina é uma alternativa que não é. Acaba (momentaneamente?) com a disputa PT/PSDB, mas não traz nada de novo. Não traz nenhuma nova forma de fazer política, não traz projetos relevantes ou novas ideias. Pelo contrário, traz e aplica o mesmo receituário antigo, mas vence por ter uma imagem que a descola do "velho".

Marina, como Dilma, tem um discurso para cada grupo a quem se dirige, muitas vezes discursos contraditórios, mas enquanto Dilma e sua candidatura perdem força, Marina cresce.

E, pasme, o discurso que muitos apoiadores de última hora de Marina adotam é o mesmo que elegeu Dilma em 2010: O mal menor. Só que para um público mais amplo Marina vem travestida de esperança, ainda que menos que em 2010. É preciso nunca esquecer, porém, que o "mal menor" continua sendo o/um "mal".

Marina não representa Junho, mas apenas um Lulismo Radical

E é bom lembrar, Marina adotou um discurso de "novo" que, no fim, nada mais é que um lulismo radical ou radicalizado. 

Certo ou errado, Marina canalizou o descontentamento com a política e a classe política muito baseado em quem era em 2010. Ela soube se atualizar. Se apropriou de Junho, fingindo-se de oráculo da juventude revoltada, mas sabendo se descolar daquilo que Junho trouxe de incômodo. Sob Dilma caiu o peso da repressão de Junho, sob Marina o sentimento de mudança.

E, lembrem-se, Marina NÃO representa junho. Não representa as ruas, não encampa suas bandeiras. Mas soube se apropriar daquilo que lhe interessa do discurso e, acima de tudo, da revolta.

O que quero dizer com tudo isso? Simples: Não importa quem ganhe, teremos de continuar mobilizados para combater. Para alguns há espaço para diálogo com Marina no poder, não sei, mas concordo que com Dilma este espaço não existe. Estaremos trocando o certo (e ruim) pelo desconhecido, mas fiquemos atentos, pois este desconhecido pode ser tão ruim quanto o que temos hoje.

Mas há (ou haverá), enfim, a possibilidade de um espaço para a esquerda respirar e se reorganizar. A esquerda precisa renascer, se reinventar.

Como, novamente, disse o Caleiro (e recomendo fortemente que leiam o texto dele):
[...] impedir a continuidade do governo Dilma seria a resposta cívica a uma governanta que não hesitou incorrer em estelionato eleitoral ao se comprometer, em comercial de campanha, a não privatizar o Pré-Sal e, uma vez no poder, fazê-lo, e a troco de banana. A uma mandatária que foi fiadora e parceira dos governos estaduais na brutal repressão aos protestos populares, o pior legado da Copa a ameaçar de maneira permanente o direito constitucional à manifestação. A uma presidente autoritária e arrogante, que reprimiu grevistas, destratou professores das universidades públicas e só se dispôs ao diálogo com a sociedade - de forma torta e breve - após o povo sair, de forma massiva, às ruas, num movimento que deixou claro a farra do mundo maravilhoso do petismo, mas que estes até hoje não compreenderam.
Conclusões

Por fim, publiquei durante o fim de semana no Facebook esta "tabela" comparando alguns pontos do programa de Marina com as práticas de Dilma/PT:
Tentando fazer uma comparação rápida e grosseira entre as propostas de Marina e a realidade de Dilma em diversas áreas que eu consegui dar uma olhada e ler análises:
- Economia: Semelhante, mas Marina propõe uma maior liberalização com autonomia do BC. Marina perde essa por pouco.
- Política Externa: Marina propõe uma política externa mais tímida e mesmo que a Pol. Ext de Dilma seja fraca em comparação com Lula, ainda parece mais consistente que a de Marina. Marina perde.
- Benefícios Sociais: Marina quer manter o que Lula fez, assim como Dilma. Empate.
- Meio Ambiente: Marina tem imensa preocupação na Área, Dilma é um monstro. Marina vence de lavada.
- Energia: Marina aposta em fontes renováveis diversas, em diversificação da matriz energética, Dilma aposta em grandes obras com impactos nefastos. Marina vence de lavada.
- Direitos das mulheres: Marina não vai além no direito ao aborto já conquistado (em casos específicos e bem limitado), mas Dilma REVOGOU portaria que garantia ao menos esses direitos. Marina vence.
- Direitos LGBTs: Marina propôs uma agenda LGBT progressista, Dilma é notória homofóbica e CANCELOU projetos. Marina vence de lavada
- Questão Indígena: Dilma foi um dos maiores retrocessos da história em questão indígena, Marina propõe respeitar o direito à consulta prévia (ignorado por Dilma) e demarcar as terras pendentes. Marina vence.
- Saúde: Nenhuma grande novidade em relação à Dilma. Empate.
- Segurança: Marina não propõe, como Dilma, desmilitarização. Nem traz qualquer programa inovador. Empate.
- Direitos Humanos como um todo: Dilma foi um verdadeiro câncer, Marina traz novas propostas e agendas e mesmo naquilo que não avança do que já existe, se mostra mais progressista que Dilma. Vence de lavada. Aliás, se Marina não atrapalhar já terá feito mais pelos DH que Dilma.
Mantenho as conclusões de artigo anterior sobre o tema, mesmo depois do recente recuo na questão LGBT - seu projeto continua mais progressista que o projeto e as práticas petistas, pese a mudança criar uma desconfiança notável.

Obviamente, ao longo da semana foi possível ver que APESAR do programa LGBT, no papel, ser melhor que o da Dilma - mesmo com os recuos - algumas declarações de Marina mostram que ela não parece ter evoluído tanto quanto muitos imaginavam (ou imaginávamos).

Não se trata de torcer/apoiar a Marina, que continua sendo uma representante do atraso, e sim torcer por uma derrota do PT. Deixando claro: Marina é ruim, péssima. O recuo feito por ela na temática LGBT menos de 24 horas após lançado o programa, à mando de Malafaia, é assustador e denuncia que ela dificilmente será progressista em seu governo:
Todos os cenários são ruins para a população e todos exigem mobilização constante, movimentos sociais fortes e atuantes que, sem o PT no poder e sem a verba ilimitada para o partido cooptar, poderiam efetivamente se reerguer. Não tenho qualquer esperança de que o PT derrotado voltaria a seu papel de oposição de esquerda. O partido se degenerou de tal forma que não resta mais ilusão. Precisa do poder e das verbas que vem com ele. Uma oposição de esquerda invariavelmente teria de nascer das ruas e dos movimentos sociais e coletivos diversos.

Uma vitória da Marina seria ruim, sem dúvida, mas seria algo como o famigerado "menos pior". É, hoje, o possível. Posso estar enganado? Sem duvida, assim como me enganei com Dilma pensando que seria ela a menos pior e, no fim, ela foi a pior presidente que o país teve desde a redemocratização.
Não nutro qualquer esperança em um governo Marina Silva, mesmo que o programa dela fosse o originalmente divulgado, progressista em direitos humanos. Tudo seria apenas "em tese". A questão que permanece, no entanto, é que Dilma é a realidade que conhecemos, de recuos frente ao mesmo Malafaia, a Edir Macedo e a toda a bancada evangélica e de uma agenda medíocre e retrógrada em direitos humanos - o programa de Dilma originalmente insistia até no velho "opção sexual", deixando claro seu atraso e descaso.

No fim, a derrota do PT é importante para a esquerda. Não se trata de apoiar ou gostar da Marina, mas ter em mente que a hora do PT já passou. Questão é que temos de tomar escolhas difíceis. Sim, derrotar o PT é necessário, mas como fazê-lo?

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Aviso:
O país será governado nos próximos 4 anos por Dilma ou Marina. Essa é a realidade e o que faço (ou tento fazer) é analisar essa realidade. Não é o que eu quero. Adoraria que tivéssemos opções reais e viáveis, uma candidatura realmente de esquerda com chances de vencer, mas não temos, então me limito a analisar a realidade que se apresenta.

Não sou ingênuo, não voto na Marina e nem confio nela (e muito menos na Dilma ou no Aécio), mas analiso de acordo com o que é possível e com as cartas que estão na mesa. Eu acho a Marina uma péssima candidata, como a Dilma. Estarei na oposição contra AMBAS. Mas me proponho a ANALISAR cenários.

Pessoalmente penso que Marina, eleita, fará um governo possivelmente tão ruim quanto o atual do PT/Dilma, mas ela NÃO está governando, então é suposição. Logo, analiso o programa dela, o que é fato. E comparo isso, aí sim, com o governo Dilma, que foi e é medíocre e homofóbico.
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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Marina Silva continua representando o atraso, mas Dilma é ainda pior

Em 2010 me manifestei claramente sobre e então candidata Marina Silva: Ela representava o atraso.
Marina Silva não entende porque é vista, a priopri, como uma pessoa preconceituosa e fundamentalista por ser evangélica. Vamos iluminá-la? Em primeiro lugar, Silas Malafaia, Edir Macedo e RR Soares são nomes que logo vêm à mente e dizem alguma coisa. Em segundo lugar, ser contra o Aborto, Casamento/Adoção por casais homossexuais e pesquisa com células tronco dão mais uma mostra dos ideais progressistas da candidata. Realmente, porque será que ela sofre preconceito?
Sou o primeiro a admitir que não gostaria de um evangélico governando o país, mas preciso esclarecer; Me refiro não ao evangélico, ou melhor, o protestante laico, ao fiel de denominações tradicionais (em geral) e com os pés no chão, e sim ao popular "crente", ao fiel de "igrejas" neopentecostais, adeptas da tal "teologia da prosperidade", enfim, a qualquer um que orbite no entorno de Malafaia, Edir Macedo, Veldemiro, Assembleia de Deus e semelhantes.

Estes são os principais membros da chamada Bancada Evangélica (que conta também com membros de denominações protestantes tradicionais, no entanto) e são os propulsores do fundamentalismo e medievalismo no Brasil. Estes devem não apenas ficar longe da presidência, como devem ser defenestrados de qualquer cargo público, meios de comunicação e posição de poder. O Estado deve se distanciar ao máximo de religião, especialmente de fanáticos estelionatários.

Mas, enfim, Marina em 2010 era conhecida por sua claudicância em temas de direitos humanos, se opunha ao aborto, se opunha ao casamento igualitário, à adoção por casais do mesmo sexo, etc, e defendia algo absolutamente inaceitável, plebiscitos para questões de direitos humanos.

Era, apesar de todo o hype, uma candidata que representava um atraso monumental, aliado ao seu ecocapitalismo torpe e aliados que em nada se diferenciavam dos dos demais candidatos. Não havia nada de novo, senão a repetição talvez medievalizada e pseudo-moderna do que já tínhamos.

É preciso notar que hoje suas ideias não são mais a exceção. Mas a regra. A política brasileira cada vez mais se aproxima de um jogo não de soma zero, mas de resultados absolutamente negativos.

Chega 2014 e Marina tem novamente a chance de disputar a presidência. E algumas de suas posições mudaram. Acabou o papo de plebiscito pra direitos humanos, ela passou a defender (ao menos diz sua assessoria) direitos LGBTs e, no fim, seu discurso se mostra em tese mais progressista que as práticas dilmistas (esta sim um verdadeiro retrocesso em todos os sentidos).

Marina continua não diferindo em termos econômicos dos demais. Dilma, Marina e Aécio são patrocinados pelos mesmos grupos poderosos, defendem agenda econômica semelhante e cujas nuances não alteram o quadro geral - o de garantir lucros imensos aos patrocinadores e amigos e apenas garantir migalhas ao povo. Não há nenhuma diferença fundamental entre as três principais candidaturas que se apresentam este ano - e temos como o ponto mais baixo a candidatura do Pastor Everealdo, este sim que causa calafrios, mas é outro assunto.

Marina se coloca como defensora de um ecocapitalismo que, em tese, seria refratário aos anseios mais virulentos de Katia Abreu e sua turma - esta que é unha e carne com Dilma e o PT - e este é um ponto positivo, mas no fim é difícil vislumbrar, especialmente com o vice escolhido pelo PSB para ela - Beto Albuquerque, ruralista -  alguma mudança efetiva no campo, a suspensão de Belo Monte, reforma agrária e afins.

Aliás, faço um adendo, cito o Aécio neste texto, mas jamais votei ou votarei no PSDB, logo, não me demoro em sua candidatura.

Resta, então, os direitos humanos. Este era o ponto fraco de Marina, e continua, em geral, sendo, mas diante de Aécio e de Dilma, mesmo suas posições não muito progressistas gerais conseguem colocá-la à frente dos concorrentes.

Seu discurso hoje - e o de seu vice, abertamente pró-LGBT - é mais afinado com os direitos humanos e é sem dúvida mais progressista que Dilma, que foi uma franca INIMIGA dos direitos humanos: Promoveu com seus aliados genocídio indígena, homofobia, machismo, crescimento da AIDS....

Dilma se aliou, cedeu e governou com os evangélicos de tal forma que o mero fato de Marina ser evangélica ou se pautar em sua religião para governar (pese ter dado declarações em defesa do Estado Laico) se torna algo menor. Os recuos nos direitos humanos foram tão gigantescos com Dilma no poder que Marina não parece mais ser o imenso atraso que representava em 2010. Hoje o maior inimigo ou inimiga dos direitos humanos é Dilma e o PT. E isto não é teoria, não é análise de discurso, é a/na prática, ou esqueceram, por exemplo, da declaração criminosa de Dilma de que o "Estado brasileiro é Laico, mas"?

Não, Marina não se tornou simplesmente "palatável", o PT é que tomou seu lugar nas trevas.

Em outros tempos eu poderia, criticamente, chamar o voto em Marina num eventual segundo turno, mas depois do erro imenso que cometi na eleição passada ao apoiar o suposto mal menor, Dilma, não consigo repetir no erro e nem me comprometer a tal ponto.

Nesta eleição deixo claro, gostaria de ver o PT perder. O país precisa disso, a esquerda precisa disso e os movimentos sociais mais do que nunca precisam de espaço para se renovar sem a constante pressão, cooptação e violência vinda do  e patrocinada pelo PT, mas é preciso ter em mente que qualquer alternativa não é, em si, uma real alternativa, mas no máximo um período de transição que deve ser aproveitado.

Admito uma certa hipocrisia em afirmar a necessidade de derrotar o PT enquanto não me comprometo a apoiar ninguém que efetivamente possa derrotá-lo. Sim, espero que outros o façam, pois não tenho forças para dar meu voto a Marina. Nem coragem.Ela continua representando o atraso, pese Dilma ser pior.

Para o país, uma eventual vitória da Marina nos aliviaria de mais um governo ruralista, privatizador e genocida indígena representado pelo PT, mas traria novos desafios, pois seria igualmente aliado das oligarquias, representaria interesses semelhantes.


Todos os cenários são ruins para a população e todos exigem mobilização constante, movimentos sociais fortes e atuantes que, sem o PT no poder e sem a verba ilimitada para o partido cooptar, poderiam efetivamente se reerguer. Não tenho qualquer esperança de que o PT derrotado voltaria a seu papel de oposição de esquerda. O partido se degenerou de tal forma que não resta mais ilusão. Precisa do poder e das verbas que vem com ele. Uma oposição de esquerda invariavelmente teria de nascer das ruas e dos movimentos sociais e coletivos diversos.

Uma vitória da Marina seria ruim, sem dúvida, mas seria algo como o famigerado "menos pior". É, hoje, o possível. Posso estar enganado? Sem duvida, assim como me enganei com Dilma pensando que seria ela a menos pior e, no fim, ela foi a pior presidente que o país teve desde a redemocratização.

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Alguns podem perguntar "mas e a Luciana?", bem, eu não confio. Não digo ser uma candidatura em si ruim, mas a quantidade de tetos de vidro junto com as disputas internas no PSOL com sua tendência, o MES, das quais tenho conhecimento me afastam de sua campanha. É sem dúvida uma opção no primeiro turno, faço votos que consiga superar o traço, mas de fato não me anima ou enche os olhos. E, sejamos francos, não passará ao segundo turno e quis aqui me concentrar em cenários reais entre os três candidatos com chances de serem eleitos.
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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O que os candidatos pensam sobre...?

Uma pequena lista em constante atualização de perguntas formuladas pelo @cadulorena e por mim, direcionadas aos candidatos a presidência sobre questões econômicas, de direitos humanos e sociais do país e que gostaríamos de ver perguntadas em debates:

O que os candidatos pensam sobre desmilitarização das policias?

O que os candidatos pensam sobre #CasamentoIgualitario, #CriminalizaçãoDaLGBTsfobia, adoção de crianças por casais homoafetivos e educação inclusiva?

O que os candidatos pensam sobre 10% do PIB exclusivamente e já pra educação pública?

O que os candidatos pensam sobre revisão da Lei da Anistia?

O que os candidatos pensam sobre alternativa ao modelo "desenvolvimentista" predatório e explorador financiado pelo Estado?

O que os candidatos pensam sobre privatização /concessão de bens públicos sem qualquer consulta aos maiores interessados, o povo?

O que os candidatos pensam sobre legalização do aborto e atendimento pelo SUS?

O que os candidatos pensam sobre verbas públicas do Estado financiando saúde e educação privada?

O que os candidatos pensam sobre Estado atacando manifestações e criminalizando/espionando movimentos sociais e ativistas?

O que os candidatos pensam sobre gastos públicos com a Copa, com grandes eventos esportivos e religiosos, com Olimpíadas?

O que os candidatos pensam sobre remoções forçadas de pobres pra dar lugar a obras de eventos onde quem lucra são os ricos?

O que os candidatos pensam sobre democratização dos meios de comunicação? Sobre verbas públicas gastas em propaganda?

O que os candidatos pensam sobre financiamento milionário de empresários pras campanhas partidárias, a começar pela deles?

O que os candidatos pensam sobre grandes obras hidrelétricas na Amazônia, feitas por empreiteiras e com grana pública?

O que os candidatos pensam sobre legalização da maconha e outras drogas?

O que os candidatos pensam sobre direitos indígenas, demarcação de terras, respeito às culturas tradicionais, uso de terras indígenas para
mineração/extração de gás e petróleo?

O que os candidatos pensam sobre verbas públicas nas mãos de organizações religiosas que "tratam" de dependentes químicos?

O que os candidatos pensam sobre Belo Monte, Transposição do São Francisco e outras obras megalomaníacas incluídas ou não no PAC?

O que os candidatos pensam sobre o crescimento do fanatismo religioso, em especial neopentecostal, e sua tomada de assalto de instituições públicas como câmaras de deputados, vereadores, etc?

O que os candidatos pensam sobre o Estado Laico?

O que os candidatos pensam sobre o Passe Livre nos transportes públicos?

O que os candidatos pensam sobre a superação do modelo "carrocêntrico" e pela diversificação de modalidades de transporte público?
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quarta-feira, 11 de junho de 2014

Marina Silva e a Rede poderiam vencer em 2014?

Com a queda da Dilma e desconfiança geral na oposição, se a Rede da Marina fosse legal ela seria eleita. No PSB, porém, discurso dela mingua. ela não apenas é vice, como o discurso de "novo" dela morre, uma parte considerável da juventude que militou com e por ela nas eleições passadas debandou (Junho tem relevância na análise desse aspecto, mas acho que menor que a entrada no PSB em si).

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Que este texto não pareça um apoio ou demonstração de simpatia pela Marina, sou insuspeito. E jamais votaria em um(a) evangélico(a) nem pra síndico (por "evangélico" faço referência aos (neo)pentecostais da teologia da prosperidade e semelhantes).
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E o Campos não me parece estar na campanha pra se eleger, mas pra não se comprometer. Ele cria nome nacional, valoriza passe, não apoia nem PT e nem PSDB e vê qual será melhor pra ele mais pra frente caso provavelmente não chegue ao segundo turno. Calcula e escolhe o vencedor e se alia feliz e satisfeito garantindo seus cargos e benesses - agora fortalecido. E sente-se livre para escolher quem apoia (e não apoia) nos estados sem qualquer pressão nacional - essa me parece ser também a tática de escroques como Pastor Everaldo e Magno Malta, dois marginais da fé atualmente aliados ao PT, mas que debandam para quem pagar mais.

Quem quer ganhar tem candidato a governador em SP. Ao apoiar Alckmin ele não tem palanque em estado onde é desconhecido e dos maiores do país. Não é tática de quem concorre sério. Lembrando que a Marina já declarou que a Rede (me parece que meio como uma tendência dentro do PSB, apesar da própria afirmar que seu partido existe, de alguma forma coligado ao PSB)

Marina comeu bola nessa. Apostou num cavalo que não foi pra brigar. Agora, a candidatura pode dar trabalho, até porque imagino que ela aparecerá tanto quanto ou até mais que o próprio Dudu Campos nas propagandas. Ela atrai ainda (resta saber quanto). Campos aposta na desconfiança e cansaço do eleitorado com o bipartidarismo branco imposto ao país. E pode funcionar.

Agora, só eu acho suspeito que PROS e SDD (o partido onde até o nome é piada) absolutamente fraudados tenham sido legalizados e a Rede não? Aí tem coisa. Mas já era. PT fez jogo certo, senão poderia hoje estar numa situação ainda pior, com votos pulverizados e uma Marina ameaçando de verdade, porque a imagem dela não é de "velha política" como os demais, os efeitos de junho teriam sido menores na imagem dela.

Se por um lado a falta de cargos levou a um certo "sumiço" dos holofotes que prejudica a imagem da Marina, por outro esta "sumida" acaba ajudando por torná-la virtualmente invisível enquanto alvo dos protestos. No fim das contas, penso que a Marina em si possa sair fortalecida. A ideia de seu partido ainda não foi abandonada e ela sai ao menos momentaneamente do ostracismo, mas não concorre de verdade à presidência - nem Campos.

Escrevi antes:
A jogada de Marina é inteligente, pois ela se liga a um político com baixíssimos índices de rejeição no sul-sudeste (ele é virtualmente desconhecido nessas regiões) e pode tentar manter seu discurso (fake) de honestidade, idoneidade e ética - mesmo o PSB sendo um ninho de cobras que recentemente tem filiado gente até do DEM.

E ela pode ainda contar com a conhecida inocência de sua militância, aliada ao péssimo nível de politização da mesma, para conseguir passar por cima do "inconveniente" de estar ligada a um partido "velho, viciado". Seu discurso talvez terá de mudar um pouco, mas no geral permanece o mesmo: De pureza ideológica, de "novo", aliado ao fato de estar ligada a um político "novo" para o grande público (apesar de ser um velho conhecido dos pernambucanos, e um infeliz conhecido, e de ser velho aliado e amigo do Lula/PT).

No fim das contas, Marina pode sair fortalecida, pois terá tempo para erguer sua Rede e não ficará no ostracismo por mais alguns anos e terá participação ativa, assim como holofotes na próxima campanha presidencial (mesmo que não seja a candidata do PSB).
Enquanto caminho para a construção de seu partido, ela acerta. Enquanto via para realmente disputar de imediato a presidência... Apenas se a campanha do Aécio for absolutamente intragável e Dilma continuar a ser Dilma (esta é a parte mais fácil).
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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Marina e seu não-partido: A Rede existe? O que significa sua "aliança" com o PSB?

Marina Silva não está errada em dizer que seu partido existe, mesmo não existindo ~de fato~ após decisão do TSE.

Decisão esta, aliás, que seria acertada mesmo que fosse favorável à REDE. Explico. Os argumentos de Marina e de seu não-partido, de que cartórios seriam lentos, ineficientes e poderiam estar até mesmo propositadamente atrasando a verificação das assinaturas é correta (ou possível). Os cartórios desrespeitam a lei ao ultrapassar o prazo para referendar (ou não) as assinaturas.

Da mesma forma, o argumento de alguns ministros do TSE de que lei é lei e sem assinaturas verificadas não há partido, e que outros passaram pelo processo também procede.

De minha parte eu penderia pela aprovação da Rede pelo argumento da lentidão dos cartórios somado ao fato dela não ter máquina, ou ao menos não ter usado uma máquina para conseguir suas assinaturas como mágica. E digo isso não por simpatia à Rede/Marina.

Sim, é fato que militantes seus forma a encontros e eventos evangélicos para coletar assinaturas, que seu partido é um frankenstein que junta gente que vem do PSDB ao PT e PSOL, que é coalhado de fascistas krents e etc, mas isto não muda o fato de que partidos como Solidariedade, por exemplo, usaram máquina pesada, forjaram assinaturas até não poder mais de gente ligada a sindicatos da Força e que a Rede, neste ponto, tem mais legitimidade de existir. Mas não existe (legalmente).

Sou insuspeito de simpatia pela Marina, mas acho que mesmo não vendo no fundo diferenças ideológicas entre ela e demais candidatos (não há um único até o momento de esquerda), a Rede traz um debate político diferente, como vimos na eleição passada (mesmo se considerarmos parte do debate fruto de alienação de parte da juventude que realmente acredita em um partido "novo"). A Rede, não Marina. O partido enquanto um amálgama de forças diferentes lutando pela proeminência e os jovens que, alienados em sua maioria, dão sustentação a esse projeto.

Mas voltando ao "existir" do (não) partido de Marina, ele não é legal, mas permanece como uma corrente de pensamento e como ela própria colocou, seu "partido" se coligou com o PSB para que ela (e outros) possam concorrer nas eleições do ano que vem.

Não há erro nessa colocação de Marina, como fazem crer diversos petistas revoltados porque sua "inimiga" não foi derrotada pelo maravilhoso TSE (maravilhoso até o PT perder alguma ação, claro), talvez precisemos discutir as palavras escolhidas, mas em tese ela continua sendo da Rede, mesmo no PSB.

A esquerda, como PSTU, PSOL e etc, tem o costume de oferecer legenda para tendências e correntes de esquerda que não são legais, como já fizeram com a Consulta Popular, com o PCR e etc. O membro do PCR não deixa de ser do PCR porque se filiou ao PSOL para a eleição, então porque Marina ao se filiar ao PSB deixaria de ser da Rede?

De fato não há uma "coligação" ou "aliança", o que há, no máximo, é um "empréstimo" de legenda que, no fim, dá no mesmo, afinal Marina prega manter sua independência ou manter uma certa independência de sua "tendência" dentro do PSB. É perfeitamente viável e compreensível.

A grande questão aqui, no entanto, é simplesmente o recalque e o medo que a militância fanática do PT tem da Marina (e de qualquer um que possa prejudicar uma vitória "fácil" de Dilma).

Marina deixa claro que seu objetivo é fundar seu partido "de verdade", que quer concorrer com sua legenda e que está apenas tomando emprestada outra, como muitos já fizeram.

É óbvio que parte deste discurso vem da necessidade de justificar sua decisão de, após criticar todos os partidos e seus métodos, entrar em um partido "viciado" como qualquer outro. Mas seria impossível para ela esperar mais 4 anos para concorrer à presidência enquanto fica sem holofotes, sem mandato e sem estrutura.

A jogada de Marina é inteligente, pois ela se liga a um político com baixíssimos índices de rejeição no sul-sudeste (ele é virtualmente desconhecido nessas regiões) e pode tentar manter seu discurso (fake) de honestidade, idoneidade e ética - mesmo o PSB sendo um ninho de cobras que recentemente tem filiado gente até do DEM.

E ela pode ainda contar com a conhecida inocência de sua militância, aliada ao péssimo nível de politização da mesma, para conseguir passar por cima do "inconveniente" de estar ligada a um partido "velho, viciado". Seu discurso talvez terá de mudar um pouco, mas no geral permanece o mesmo: De pureza ideológica, de "novo", aliado ao fato de estar ligada a um político "novo" para o grande público (apesar de ser um velho conhecido dos pernambucanos, e um infeliz conhecido, e de ser velho aliado e amigo do Lula/PT).

No fim das contas, Marina pode sair fortalecida, pois terá tempo para erguer sua Rede e não ficará no ostracismo por mais alguns anos e terá participação ativa, assim como holofotes na próxima campanha presidencial (mesmo que não seja a candidata do PSB).
Marina não é de esquerda. Não bastassem as acusações de “chavismo” ao atual governo, seu fundamentalismo religioso provavelmente a coloca à direita de Aécio Neves. Mas essa seguramente é opinião de um setor minoritário da população. Para a maioria, Marina foi ministra do Meio-ambiente de Lula, defende a natureza e saiu do governo por causa da “velha política”. Gilberto Maringoni na Carta Maior
Esta aliança (ou ao menos a certeza da presença de Marina nas eleições de alguma forma) trazem duas certezas: A primeira é que PT e PSDB poderão perder votos e um segundo turno pode vir a ser uma realidade. Marina rouba discurso de Aécio, mas tira votos do PT.

Segunda é a de que os evangélicos se beneficiarão imensamente, pois desde já o PT buscará se aproximar dos medievalistas e estelionatárias para quem já governa com mais favores, com mais submissão e com mais dos nossos direitos rifados, e Marina irá naturalmente buscá-los para apoiá-la, tendo já no Malafaia um entusiasta.

Marina é um imã krent, o PT irá se desdobrar para manter seus "aliados" contentes, felizes e "Dilmistas". E nós pagaremos o pato, os direitos LGBts pagarão o pato, os direitos humanos como um todo pagarão o pato.

A política brasileira só perde em uma eleição de iguais submetidos em diferentes graus ao controle de evangélicos.
- Cuidado com Marina, ela é crente e contra o casamento gay.

- Ué, mas o que o PT fez para os gays em 13 anos de governo? O Brasil é campeão mundial em morte por homofobia e, se no governo Lula um gay era morto a cada 36 horas, no governo Dilma um gay é morto a cada 26 horas.

- Mas um presidente não consegue mudar as coisas sozinho.

- Pois é. O Haddad é prefeito e acabou de mudar a data da Parada Gay de SP para que não ficar perto do jogo da Copa que vai acontecer na cidade.

- Mas ele falou que é para um evento não atrapalhar o outro.

- Sei. O jogo da Copa será numa quinta e a Parada, no domingo. Só ficaria quem quisesse.

- Ah... Mas o Malafaia apoia a Marina.

- E daí? O Feliciano apoia a Dilma. Além uma lista extensa que vai de Maluf a PSC.

- Então você vai votar na Marina?

- Não, não voto nela por causa da corja evangélica que vem no pacote. Só não acho justo esse papinho de PT que pensa em minorias.

- Mas o país tem evoluído sobre o casamento gay.

- Graças ao Judiciário.

- Você vai votar no Aécio então?

- Tô pensando em viajar e pagar multa. via Celso Dossi, no Facebook
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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Bolsonaro candidato à Presidente do Brasil?

Está sendo discutida seriamente por muitos a possiblidade do deputado federal - e criminoso, homofóbico, machista, etc - Jair Bolsonaro se candidatar à Presidência do Brasil em 2014. A franca maioria dos que vi comentar ou conversei vê a possibilidade com temor.

A extrema-direita acha lindo...

Bolsonaro dificilmente teria espaço para tal dentro do PP, de onde consegue estar à direita mesmo de Maluf e outras pérolas, e o partido é base aliada da Dilma e em troca de cargos, mamatas e alguma boa corrupção poderia continuar tranquilamente nesta base.

Fala-se, no entanto, na possibilidade de Bolsonaro se dandidatar pelo Partido Militar Brasileiro, que tenta se legalizar.

No difícil cenário de uma legalização de tal partido (que me oponho, por não aceitar a mistura explosiva de milicos e política num país que saiu de uma ditadura assassina militar), Bolsonaro seria o nome ideal.

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O caso do PMB mereceria explicação além, mas fica para outro post. Vale apenas adiantar que um partido exclusivamente "militar" não combina com uma democracia e apenas nos faz lembrar dos piores anos da história brasileira recente.

Pessoalmente sou contra a presença de militares de qualquer nível na política brasileira, mas não há nada que possa impedir indivíduos da reserva de se candidatar e serem eleitos, mas não podemos permitir uma instituição militaresca no poder.
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Mas, efetivamente não acho de todo ruim a candidatura de Bolsonaro, não importa em que partido.

Marina Silva, uma pessoa que representa o atraso, se lançou candidata pregando uma terceira via, ambientalista, mas no fim não tinha nada de novo em seu discurso, que nada mais era que uma fachada para pregar ensinamentos medievais evangélicos e defender o EcoCapitalismo, uma forma apenas mais light de se destruir o meio ambiente e garantir o lucro do empresariado (Dilma, por sua vez, adota o capitalismo puro e tem como porta-voz nessa empreitada o presidente do Ibama).

Marina não é diferente de qualquer outro, apenas soube usar melhor as mídias sociais e angariar apoio entre uma juventude anteriormente alienada e sedenta de ter onde se agarrar - a eterna necessidade de ter o que fazer, de ser parte de um grupinho. Ser da PETA ou ser da ONG descolada não era mais suficiente, ou ainda, participar da Hora do Planeta não era cool por si só. Juventude esta, aliás, que não considero menos alienada que antes, pois continuam a não entender nada de política.

Política é apenas um trampolim para pseudo-popularidade ou para se fazer parte de um grupo.

Mas, de qualquer forma, Marina foi um avanço. Não por ter trazido parte da juventude para a política ou muito menos (faz-me rir) por trazer um outro debate à arena política, e sim porque ela fez com que muito conservador saísse às ruas e mostrasse sua cara.

Marina conseguiu, com seu discurso retrógrado, fazer com que tanto Serra quanto Dilma se mexessem e buscassem atrair o eleitorado conservador. Em especial fez com que Serra assumisse seu discurso mais radical eextremado e conquistasse, ele também, grande apoio da extrema-direita brasileira.

A última eleição teve como saldo (positivo) o desmascaramento do conservadorismo político, em grande parte aliado do conservadorismo religioso baseado no dízimo e na lavagem de dinheiro (mas também católico), adotado alegremente por Serra e também, em menor parte, por Dilma (que, depois da eleição é que aparentemente resolveu mostrar o quanto pode e gosta de ser direita e rifar os gays pelos Marginais da Fé, contingenciar despesas gastando bilhões em obras faraônicas e se recusando a aumentar salário de trabalhador e etc...).

A presença de Bolsonaro traria a tona outro tipo de conservadorismo, sem a fachada ambientalista, cool e moderna. É o puro ódio insensato e criminoso.

Não há pior inimigo do que aquele que não podemos ver, identificar. Marina não foi responsável por uma guinada ideológica nem no país e nem no governo eleito, ela apenas fez com que muitos perdessem a vergonha. Serra conseguiu fazer com que certos grupos surgiessem momentaneamente, mas ainda tímidos, como a TFP, mas não basta.

O Brasil não virou conservador ontem.

Os Marginais da Fé não são uma praga e um câncer apenas desde as eleições. Não, esses grupos apenas deram a cara a tapa e buscaram disputar o poder institucional. Não estão mais contentes em roubar, em pregar ódio, agora querem efetivamente o poder.

Bolsonaro seria apenas o responsável por fazer com que uma parcela ainda calada (ou mais escondida) aparecesse, surgisse para a política.

Os Marginais da Fé, hoje, são conhecidos. Sabemos sua força. Mas e a extrema-direita que transita no limiar da legalidade (tendo já ha muito ultrapassado a da ética), que se coloca abertamente como saudosista da Ditadura e se opõe a todo e qualquer direito civil? Esta ainda se esconde ou tem o voto pulverizado, dificultando qualquer luta contrária.

Estes ainda são desconhecidos, se escondem, não sabemos seu real tamanho. Estão no PP, no PR, no PSC, em dezenas de partidos nanicos, mas também nos maiores. Como lutar contra um inimigo tão diverso, tão pulverizado, mas presente? Bolsonaro poderia desmascarar toda esta corja, uní-la.

Posso estar errado, mas Bolsonaro candidato seria muito bom para o país.

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Update:

O @Brasil_Laico tocou em um ponto sensível que havia me passado despercebido, mas de imensa importância:
 
De fato, o desmascaramento da direita ou da extrema-direita seria excelente, mas apenas em um cenário onde fosse possível existir resistência, o que, infelizmente, não é o caso frente a um governo entreguista, covarde e que caminha a passos largos para a direita. As próximas eleições presidenciais podem testemunhar um PT despojado de boa parte de suas antigas bandeiras de esquerda, assimilado, e a direita como polo dominante, com pouca ou nenhuma resistência efetiva.
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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Marina Silva e a "Natureza Humana": Teologia e extrema-direita

Li e gostei muito do texto de @msfelippe sobre recente artigo de Marina Silva (que representa um perigo real de medievalização do Brasil) para a Folha (sempre ela!) em que esta coloca a responsabilidade pelos atos do Terrorista Cristão, na Noruega, na "Natureza Humana".

Segundo Marina, o Fascismo poderia ser explicado simplesmente pela natuerza humana, que nos torna a todos inerentemente ruins e, segundo leitura do autor do blog, isto carregaria um discurso fundamentalista cristão na idéia de que precisamos ser salvos ou adotar um discurso religioso - devemos aceitar deus, enfim - para escapar a esta condição ou natureza.
Por que Marina Silva fala de uma natureza humana contaminada pelo mal, inexorável? Minha opinião é que ela está traduzindo nesta expressão sua visão teológica do mundo. A natureza humana, sendo contaminada, determina que a única possibilidade de salvação reside em alguma confissão religiosa que tem a “chave do reino”. Então, em vez de dizer “combatamos o fascismo”, embute, disfarçadamente, um apelo religioso.
Não discordo, mas iria além.

Marina Silva é uma fundamentalista religiosa do bem, segundo o autor, quer dizer, não professa um fundamentalismo violento, que busca eliminar as diferenças pela força, mas ainda assim, possui uma visão de mundo pautada por uma religião medieval, com uma visão de mundo ultrapassada e incompatível com a modernidade.

Marina não escapa de tentar impor sua visão, mas tenta de forma simpática. E convence a muitos desavisados. Mas o fato de professar a não-violência não garante que seus seguidores sejam tão pacifistas quanto ela. Professar ideais de ódio (como se opor à criminalização da homofobia) é o mesmo para fundamentalistas do bem ou não.

Mas Marina vai além da mera teologia e desvela um pensamento tipicamente conservador, direitista. E, em muitos casos (quase todos), fundamentalismo religioso é o par perfeito de pensamentos políticos conservadores, pois ambos partem de uma mesma análise da sociedade, a de que somos todos reflexo de nossa natureza, que é a competição, é o tentar ser sempre superior e melhor que os demais.

A religião institucionalizada nada mais é que a hierarquização dos indivíduos em categorias, em grupos de mais ou menos poder. Em mandantes e ovelhas. E assim é o capitalismo.

E, mais ainda, vem da negação da influência das condições sociais, do ambiente, em que se inserem os indivíduos.

Não há nada mais comum no pensamento classe-mediano que a defesa da pena de morte pro "marginal e favelado" que assaltou a madame no sinal. A natureza humana nos torna ruins, então este 'marginal" tem que ser preso - ou morto - porque não tem jeito.

É o discurso que passa por cima da condição social do "favelado", adotado para dar uma "solução final" ao "problema". Apenas cria mais e novos problemas.

Na franca maioria dos casos (não digo em todos porque de fato existem psicopatas e pessoas irrecuperáveis), um assaltante que saiu da favela o é não por ser ruim, mas porque não conehce outra vida, porque foi humilhado por toda a vida. E, claro, estou sendo simplista pois o objetivo do texto não é o de tratar de condições sociais, mas mostrar que estas existem e são preponderantes.

Motivos para se cometer um crime são milhares, mas garanto que nenhum deles designado no nascimento, nenhum definido pela natureza humana ou por algum contrato social hobbesiano.

Enfim, não discordo do componente messiânico, fundamentalista, teológico colocado pelo autor do texto, mas vou além, colocando também a questão da natureza humana como uma arma usada pela direita (ou pelas direitas) para denunciar a inutilidade de políticas sociais, de inclusão...

E para justificar atos de fanáticos ligados ideologicamente a ela (ou elas) como se fosse apenas uma questão de natureza humana, logo, sem relação com a pregação fanática dos ideais de mercado.

Mas a questão vai muito além.

É o discurso típico de uma direita que luta com unhas e dentes contra qualquer tipo de políticas sociais, de inclusão, da busca por uma efetiva igualdade entre todos.

A natureza nos faz a todos desiguais, nos faz caçadores, lobos e cordeiros, logo, a própria natureza é contrária a qualquer tipo de inclusão, de política compensatória, cotas ou mesmo de acesso.

O pobre nasceu pobre e deve morrer pobre, pois assim diz a natureza. Se melhorar de vida foi porque lutou, porque soube aproveitar as oportunidades ou as fez aparecer. Qualqeur coisa além disso é ir contra a suposta natureza humana.

Egoísmo é a palavra de ordem.

Ou seja, sob a desculpa da Natureza Humana, a direita baseia sua ideologia. E Marina Silva faz coro, agregando teologia e medievalismo à seu já indigesto ideário. Porém ela o faz de forma palatável para uma classe média necessitada de uma corda de salvação.
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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Eleições.... ou Derrota?

Terminadas as eleições, fica difícil decidir quais foram as grandes vitórias e quais foram as grandes derrotas. Tivemos de tudo um pouco, ou na verdade, muitas derrotas e muitas vitórias.

Em termos de governo, tivemos péssimos resultados em São Paulo, com a vitória do Picolé de Chuchu no primeiro turno por uma margem ridícula. No Paraná, contra todas as pesquisas, Beto Richa, o censurador, levou no primeiro turno. Pelo visto a impugnação de pesquisas lhe serviu bem. E, o pior resultado de todos, por uma margem igualmente mínima, Roseana Sarney se tornou, mais uma vez, governadora do Maranhão. O mais doloroso? Com apoio do PT.

Já em Minas, Hélio Costa foi derrotado. Uma notícia maravilhosa, mesmo que o vencedor tenha sido um DemoTucano, Anastasia. Azeredo foi eleito Deputado Federal e continuará a nos perseguir.

Em São Paulo, Tiririca foi um fenômeno. Parabéns à todos que elegeram uma besta igual aos que nele votaram.

Mas, talvez, a grande derrota tenha sido termos perdido Brizola Neto, que teve votação suficiente para entrar mas foi barrado pelo coeficiente eleitoral. Se por um lado conseguimos garantir o Ivan Valente, o Paulo Teixeira e a Erundina, que sempre estiveram do nosso lado na defesa da democratização das comunicações e na luta pela liberdade na rede, por outro perdemos um valioso aliado.
 
A eleição do Ivan, aliás, é digna de nota. Ele mais que dobrou sua votação e apenas por muito pouco, por menos de 5 mil votos, conseguiu se eleger e manter um dos mandatos mais importantes da Câmara dos Deputados. Erundina fez outra votação espetacular e o Paulo Teixeira conseguiu, sem sustos, seu lugar e nos representará com a força de sempre.

A grande derrota da noite foi, sem dúvida, o segundo turno no Brasil. E a imensa subida da líder criacionista, Marina Silva, que conseguiu agregar em sua campanha desde mauricinhos filhinhos de papai da zona sul carioca, maconheiros metidos a hype até fundamentalistas religiosos da pior espécie. Realmente, um samba do crioulo doido.

Maria Silva representa o que há de pior e mais atrasado no país, um amálgama de contradições, de desencontros. Foi a grande responsável por fazer subir a retórica neopentecostal, evangélica, fanática e agitar até mesmo os católicos na defesa do preconceito, do medievalismo.

Mas nem tudo é tristeza.

Aparentemente a centro-esquerda terá uma folga maior no futuro. Dependerá do PMDB e é fato que nem todo deputado do PT/PCdoB é exatamente da melhor espécie (Vaccarezas da vida, representante da Monsanto no país, ou Aldos Rebelos e etc), mas ao menos o PT formou uma bancada considerável passada esta eleição.

A maior bancada do Congresso é a do PT. Mas sem o PMDB nada feito. No Senado o PT é a segunda. Novamente, precisa do PMDB.  Uma relação incômoda que pressupõe Sarneys da vida.

Do outro lado, o DEM deve enfrentar um significativo encolhimento. Seus números no Senado são vergonhosos e resta saber o quanto encolheram entre os deputados.

Mas, me perdoem se não consigo ser otimista, a idéia de um segundo turno soa cansativa. Mais golpismo, mais pressão e agora a necessidade de barganhar com uma fanática e com um partido de aluguel, o PV, que saiu absolutamente fortalecido das urnas, graças ao voto evangélico e do eixo Leblon-Jardins.

Razões para comemorar existem, mas em geral senti estas eleições como um banho de água fria para quem esperava por algumas mudanças mais significativas. Se por um lado ter Chico Alencar em segundo no Rio, levando ainda o Jean Wyllys ou o Freixo também em segundo é maravilhoso, por outro os primeiros lugares focaram com Garotinho e Wagner Montes. Não poderia ser pior.

Talvez, quando passar a ressaca o cenário se mostre mais favorável, mas e prevejo um governo ainda mais refém do PMDB e uma campanha extremamente suja pela frente. Ficaremos na mão dos evangélicos e nada está decidido.

O Segundo turno será uma batalha suja. Discursos obrigatoriamente terão de convergir, pois a fiel da balança é nada menos que uma fanática religiosa com um eleitorado que é uma icógnita.
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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O Debate RedeTV / Folha de São Paulo

Terminado o debate da RedeTV/Folha de são Paulo, acredito ser impossível dizer que venceu. Mas quem perdeu está mais que claro.

Dilma mostrou uma evolução impressionante dos dois primeiros debates para este. Não só mostrou uma segurança incrível, como falou de forma clara, impecável. Engasgou um pouco aqui e ali, notadamente durante seu merecido direito de resposta, mas, no geral, merece nota 10. Fico feliz em vê-la entrando no rumo e se saindo tão bem. Mostra que, além de boa gestora - o que é indiscutível - pode ser de fato uma boa política.

Ponto negativo, ao meu ver, foi a mania de não responder o que o Plínio lhe perguntava, pois o que ele estava fazendo era propor, e não trollar. Mas este comportamento a ajudou quando da pergunta absurda de uma das jornalistas (sic) sobre se colocaria a mão no fogo pela atual Ministra da Casa Civil. Sobre crises, Dilma se saiu bem em suas respostas.

O Plínio, por seu lado, manteve seu tom irônico, mas com uma diferença notável: Foi extremamente propositivo.

Não que antes não tenha sido, mas desta vez fez questão de deixar claro ao Serra que não estava lá para acusar, para perder tempo com picuinhas e tolices - campo do Serra -, mas para servir como contraponto, para apresentar propostas concretas e influenciar.

Já há tempo venho dizendo que o PSOL deve assumir o papel de "puxador" do PT. Convenhamos, meu voto é do Plínio por convicção, por ideologia, mas sabemos uqe a Dilma irá ganhar, e isto é bom.
Em primeiro lugar porque aposenta o Serra (retomarei este ponto em outro post) e afasta os DemoTucanos de vez, e em segundo porque, mesmo com alianças espúrias, mesmo com todas as contradições e problema,s o PT ainda é um partido com o qual é possível dialogar, o PT ainda é um partido com forte ligação com os movimentos sociais e, enfim, o governo ainda pode ser disputado.

Não é o ideal, não até onde queremos, mas dentro da realidade, é o que temos.

E o Plínio, neste debate, exerceu seu papel de apresentar alternativas viáveis ao governo, ao futuro governo.

O PSOL não tem que ser partido de oposição. O que também não significa ser governista. Tem de ter uma posição de representar os movimentos sociais, de criticar aquilo que vai contra estes interesses, mas deve ser consciente o suficiente, e maduro, para apoiar o governo naquilo que está correto. Deve propor, deve debater e brigar. E não agir deforma irresponsável, como fez algumas vezes.

Pontuo:
 Plínio tocou em alguns pontos extremamente relevantes, como a questão habitacional. Criticou a especulação imobiliária e, de forma indireta, o programa "Minha Casa, Minha vida", e está correto. Não se colocou contra o programa, mas criticou que seja o ÚNICO programa para a habitação popular. Porque não ampliar a linha de raciocínio? Porque não tentar adotar um modelo que funciona no Reino Unido e que poderia ser perfeitamente aplicado no Brasil, que é o de aluguéis compulsórios de residências não-ocupadas?
 
Pego o centro de São Paulo como exemplo. são tantos apartamentos abandonados ou cujos donos deixam vazios apenas para esperar por uma alta no mercado para vender por preços exorbitantes que até mesmo o Kassab sentiu o cheiro de lucros e elevou o IPTU para forçar a venda ou ocupação destes. Claro que o Kassab tem interesse em aquecer o mercado para ajudar seus financiadores de campanha, mas a proposta de exigir também função social das moradias sehue o padrão da função social da terra.

Não faz sentido, com a quantidade de prédios desocupados nos centros das cidades, que se construam novos nas periferias, afastados dos centros, apenas para agradar as empresas que especulam. O @samadeu, comentando comigo, foi até além, o governo poderia comprar estas residências, apartamentos e etc e repassar para a moradia popular.

Outro ponto relevante citado pelo Plínio foi o do Bolsa Família. Ao contrário de alguns mais raivosos que interpretaram de forma totalmente equivocada - e também admito que ele não soube se expressar da melhor forma - , ele não se colocou contra o programa, mas sim a favor do salário e do emprego.

Eu não considero, como ele disse, que o Bolsa Família seja "uma humilhação", mas também não vejo como uma "alegria" recebê-lo. Já conversei com quem recebe e a maioria gosta por ser necessário, mas preferia estar trabalhando e ganhando seu proprio dinheiro.

Este é o ponto central do discurso do Plínio. Bolsa Família é bom, mas é pouco. É paliativo, é programa e não direito. É preciso de mais. Políticas Keynesianas são boas, mas tem validade, devem ter prazo de validade. É preciso ampliar as reformas estruturais para permitir que os que hoje recebem a Bolsa, possam ter um trabalho digno e decente. Duvido que qualquer um discorde deste ponto.
Plínio ainda tocou em outras questões sensíveis, como a da educação, auditoria da dívida e outros temas sensíveis. Como sempre, foi muito bem. E, de quebra, demonstrou sua preocupação na construção de uma base sólida, pedindo, no final, o voto nos candidatos do PSOL, para que seus projetos possam ser lembrados e aplicados.

Do outro lado, temos, sobrando, Serra e Marina.

Serra foi uma lástima. Raivoso, deselegante e caluniador. Um verdadeiro DemoTucano em desespero, vendo sua candidatura afundar, sendo abandonado por aliados e ridicularizado pelos que sobraram.

Não vale sequer perder muito tempo com o Serra, figura nefasta que não propôs nada, mentiu, caluniou e teve a cara-de-pau de dizer que seu partido e sua candidatura são limpas, que não tem máculas. O Arruda manda lembranças e a Provatariado governo FHC ainda está presente em nossas mentes.

Já a Marina, coitada, sonolenta, esquecida, nada propôs, parecia ausente. Sua presença mal foi notada - e não fez efetivamente nenhuma falta.


Enfim, um bom debate, acredito que o melhor que tivemos até agora. Excelentes Plínio apresentando propostas, Dilma se mostrando segura, Serra afundando e Marina sem atrapalhar, voltando pro seu limbo.


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