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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Telefônica censura o Diário Liberdade! #CensuraTelefonica

O que era apenas uma suspeita vem se mostrando uma triste verdade: A Telefônica, a pior empresa de telefonia do Brasil, não só tem um serviço medíocre como também censura e bloqueia sites de esquerda.

A empresa espanhola não esconde sua origem e adota o que há de pior no modus operando espanhol: A Censura. Não basta a ilegalização de partidos políticos, as prisões, torturas e a total impunidade, agora resolveram censurar sites no Brasil!

O Site Diário Liberdade está bloqueado pela operadora há meses (eu não consigo acessá-lo há pelo menos 3 meses) e, agora, verifiquei que o site em inglês da Esquerda Nacionalista Basca (Izquierda Abertzale) BasquePeaceProcess.info também está bloqueado e só acessível através de proxy.

Achei por algum tempo que o problema era comigo, mas hoje vários assinantes desta empresa medíocre relataram o mesmo problema: Impossibilidade de acessar o Diário Liberdade ou o BasquePeaceProcess.info.

Não surpreende que haja esta censura a dois sites originais de regiões separatistas e ligados à esquerda, o DL da Galiza e o outro do País Basco.

Este é mais um caso vergonhoso para a já absurda e ridícula história de péssimos serviços da Telefônica no Brasil. Agora passaram a reproduzir a política terrorista da Espanha. Este caso, curiosamente, vem à tona logo após o Centro de Mídia Independente denunciar que está sendo censurado pela Claro e pela TIM.
Temos muitas outras coisas boas para falar sobre o CMI neste editorial, mas resolvemos dedicá-lo a uma denúncia. O Centro de Mídia Independente vem sofrendo CENSURA. O caso é muito grave e importante pelos precedentes que abre, e precisa ser mais bem conhecido por todos, para gerar toda forma de apoio possível.
Resumidamente, provedoras de Internet estão bloqueando o acesso de seus clientes ao domínio midiaindependente.org. Mais especificamente: a Claro argumenta que uma sentença judicial está forçando-a a bloquear o acesso de seus usuários ao CMI. Suspeitamos que seja esta a mesma causa do bloqueio feito pela Net e pela Embratel ao CMI. Houve relato de bloqueio feito pela TIM, mas não tivemos mais informações sobre esta provedora.
Para azar destas empresas criminosas, existe algo chamado Proxy, basta colocar o link dos sites bloqueados e pronto. Recomendo o www.hidemyass.com, mas existem milhares deles pela web.

Tolos são os que acham que irão conseguir censurar a rede e limitar nossa liberdade de expressão!

Todo repúdio à Telefônica e que seja feita uma campanha para denunciar este abuso da empresa.

Circula pela web uma petição contra a censura ao CMI, WikiLeaks e Falha de São Paulo, logo logo teremos de colocar também o Diário Liberdade na lista.
Também no Brasil o site do Centro de Mídia Independente (CMI), que faz parte da rede global Indymedia, está sendo censurado por decisão judicial que afeta provedoras de Internet. A razão da censura é uma ação legal contra um artigo publicado no site. Acontece que, em nenhum momento, nenhuma das partes envolvidas na ação ou nem mesmo a Justiça procurou contatar o CMI para retirar tal artigo. A Justiça preferiu pedir para provedoras de Internet que não são responsáveis pelo site que tornassem inacessível o artigo e, desta forma, tais provedoras bloquearam o acesso completo ao CMI desde abril de 2010.
Wikileaks, FALHA de S. Paulo e CMI são vítimas dos mesmos algozes: pseudoarautos da liberdade que não suportam quando ela deixa de ser retórica e ganha as ruas e a rede. São aqueles que discursam efusivamente contra mecanismos democráticos de regulação, mas praticam diretamente a coerção autoritária. Nesta hora, é preciso falar alto. Contra as tentativas de silêncio, a polifonia de vozes plurais e diversas. Contra as tiranias públicas e privadas, a insurgência da verdade e da democracia.
A Telefônica é a vergonhado país, o retrato fiel das privatizações! Uma empresa medíocre, abusiva e que não respeita os clientes!






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Update: Acreditem, depois de passar dias e dias reclamando, de constatar com outros coitados assinantes da Telefônica, a empresa me liberou o acesso ao Diário Liberdade! Também liberou o acesso ao site http://www.basquepeaceprocess.info/, da esquerda nacionalista basca.

Poucos minutos após o tuíte acima, notei que meu leitor RSS conseguiu, depois de meses, pescar posts do DL. Claro que a Telefônica jamais se pronunciará a respeito e, se o fizer, será para afirmar nunca ter feito nada do tipo, afinal, eles são honestos e éticos (momento para chorar de rir).

Quem mais tiver sido censurado e, agora, consegue acessar estes sites, favor deixar recado nos comentários do post!=)
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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Bolívia: Liberdade de Empresa e Mordaça - Coluna Semanal no Diário Liberdade

Décima-primeira coluna para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".

Bolívia: Liberdade de Empresa e Mordaça

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Há muito tempo falo - e falamos, nós, blogueiros - sobre a proposital confusão feita pela grande mídia entre Liberdade de Expressão e a Liberdade de Imprensa ou Empresa, mas nunca vi um exemplo tão perfeito quanto o Boliviano para demonstrar como as empresas de comunicação deturpam a idéia de liberdade e a manipulam a sua vontade.
Los medios de comunicación privados y sus empleados rechazan dos artículos de la propuesta: el 16, que quita la licencia a las empresas periodísticas responsables de difundir discursos racistas, y el 23, que penaliza a los periodistas encargados de emitirlos.
“Algunos dicen que soy autoritario o que llevo adelante una dictadura, pero no puedo creer que algunos periodistas se opongan a la aprobación de la ley de lucha contra el racismo. ¿Qué problema hay de que se apruebe la medida, si además tenemos mayoría parlamentaria? Eso no es malo, sino que es democracia”, dijo el presidente en conferencia de prensa.
“La libertad de expresión está garantizada, pero no podemos permitir que so pretexto de esa libertad se practiquen el racismo y la discriminación. El racismo es lo más antidemocrático. Yo mismo he sido víctima y llegó la hora de acabar con el racismo”, agregó.
O caso é simples. Evo Morales, presidente da Bolívia, apoia a provação da chama Lei contra o Racismo e contra toda Forma de Discriminação que, basicamente, criminaliza a prática do racismo, algo mais que enraizado na Bolívia, onde os brancos de Santa Cruz constantemente investem contra os indígenas de La Paz e arredores, enfim, a maior parte da população e o povo originário.
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Artigo COMPLETO no Diário Liberdade.

"Nire aitaren etxea
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domingo, 26 de setembro de 2010

Ato Público Contra o Golpismo Midiático no Diário Liberdade

Diário Liberdade - [Raphael Tsavkko] Entre 500 e 700 pessoas se reuniram nesta quinta-feira, dia 23 de setembro, no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, para realizar um ato que ficará na história.

O Ato Público Contra o Golpe Midiático lotou o auditório Vladimir Herzog, nome que representa como poucos a luta pela democracia e pela liberdade de expressão no Brasil, para denunciar os ataques da “grande imprensa” à Liberdade de Expressão e à Democracia.

Idealizado pelo Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé, o ato contou com a participação do MST, CUT, CTB, Força sindical, Nova Central Sindical, CGTB, ALTERCOM, PDT, PSB, PCdoB, PPL e LBI. O representante do PT não chegou a tempo e, infelizmente, PSOL, PCB e PSTU não compareceram.

A ideia do Ato é denunciar a proposital confusão promovida pelos principais impérios midiáticos brasileiros entre Liberdade de Imprensa e Liberdade de Empresa e, também, exigir uma profunda democratização dos meios de comunicação, garantindo o acesso à informação de qualidade por todos os brasileiros.

O auditório foi tomado por centenas de pessoas que não paravam de chegar. Pessoas se espalhavam pelos corredores e mesmo pela calçada e rua em frente ao Sindicato, enquanto os que conseguiram entrar suavam no calor sufocante, mas se mantinham firmes, conscientes do papel que todos os presentes ali representavam.

O simbolismo do ato supera mesmo seu tamanho. Demonstra a intenção de blogueiros, jornalistas e ativistas em denunciar o monopólio da mídia e o perigo que esta concentração representa. O perigo da informação única, viciada, tendenciosa, em oposição aos interesses dos trabalhadores e do país.

Um dia antes deste ato, a direita ligada aos meios de comunicação tradicionais lançaram seu manifesto, em um ato no Largo de São Francisco, a Faculdade de Direito da USP, e reuniram pouco mais de 200 pessoas. Lançaram um manifesto, "Em Defesa da Democracia", mas que democracia?

Artigo completo no Diário Liberdade.
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sábado, 8 de janeiro de 2011

ETA, MLNV e Resolução 1514 - Coluna semanal no Diário Liberdade

Depois de uma breve pausa durante parte do mês de dezembro, retomo com minha coluna semanal no Diário Liberdade.

Décima-oitava coluna para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".

ETA, MLNV e Resolução 1514

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Não se pode esquecer da resolução 1514 de 14 dezembro de 1960, aprovada pela Assembléia Geral das Nações Unidas que declarava como legítima a luta pela libertação nacional, reconhecendo o direito de povos oprimidos à autodeterminação como um direito inalienável.
1. The subjection of peoples to alien subjugation, domination and exploitation constitutes a denial of fundamental human rights, is contrary to the Charter of the United Nations and is an impediment to the promotion of world peace and co-operation.
2. All peoples have the right to self-determination; by virtue of that right they freely determine their political status and freely pursue their economic, social and cultural development.
3. Inadequacy of political, economic, social or educational preparedness should never serve as a pretext for delaying independence.
4. All armed action or repressive measures of all kinds directed against dependent peoples shall cease in order to enable them to exercise peacefully and freely their right to complete independence, and the integrity of their national territory shall be respected.
5. Immediate steps shall be taken, in Trust and Non-Self-Governing Territories or all other territories which have not yet attained independence, to transfer all powers to the peoples of those territories, without any conditions or reservations, in accordance with their freely expressed will and desire, without any distinction as to race, creed or colour, in order to enable them to enjoy complete independence and freedom.
6. Any attempt aimed at the partial or total disruption of the national unity and the territorial integrity of a country is incompatible with the purposes and principles of the Charter of the United Nations.
7. All States shall observe faithfully and strictly the provisions of the Charter of the United Nations, the Universal Declaration of Human Rights and the present Declaration on the basis of equality, non- interference in the internal affairs of all States, and respect for the sovereign rights of all peoples and their territorial integrity.
Esta resolução, aprovada em meio às guerras de libertação dos países da África e da Ásia serve também como base para a luta de libertação do povo Basco e de outros povos.

Espanha e França claramente se colocam em desacordo com os pontos elencados na dita resolução, ao dividirem uma nação (País Basco Espanhol ou Hegoalde e Navarra ou Nafarroa e País Basco Francês ou Iparralde), ao usarem métodos de repressão contra os anseios nacionais da população basca, como a tortura, prisões arbitrárias e políticas, incomunicação, etc. Além de, obviamente, barrarem o legítimo direito à autodeterminação dos povos.

A ETA, já nos anos 60, tendo como inspiração o maio de 68 e as organizações que nasciam deste caldeirão ideológico (Mata, 2003), adotava o Marxismo-Leninismo e em 1974, junto com outras forças nacionalistas de esquerda, se agrupava no chamado MLNV, ou Movimento de Libertação Nacional Basca (Bullain, online, 2007).

Movimento (MLNV) cuja ETA era o braço armado e tinha no Herri Batasuna (posteriormente Euskal Herritarrok e hoje Batasuna) seu braço político, além de outras organizações e estruturas satélites atuando em diversas áreas da sociedade, como a Koordinadora Abertzale Sozialista (KAS), o Ekin, a Askapena e etc.

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Artigo COMPLETO no Diário Liberdade.

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"Defenderei
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domingo, 16 de janeiro de 2011

ETA e o Processo de Discussão Interno – Parte 1 - Coluna semanal no Diário Liberdade


Décima-nona coluna para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".

ETA e o Processo de Discussão Interno – Parte 1

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Todo este processo de abandono de um conservadorismo e clericalismo originários da juventude do PNV (onde se gestou a ETA), não veio sem percalços.1
Já em 1964, na IV Assembléia do grupo, três correntes internas se formaram:
  • Corrente "Culturalista" ou "Etnolinguista", liderada por Txillardegui e defensores de uma ETA mais ligada aos movimentos culturais bascos;
  • Corrente "Obrerista", defensora de uma aproximação maior com os movimentos operários e até mesmo uma aliança com movimentos comunistas espanhóis na luta contra Franco;
  • Corrente "Terceiromundista", defensora do estabelecimento de vínculos com as lutas de libertação nacional que aconteciam no terceiro mundo;
Esta divisão que surge já em 1964 termina por estourar em 1966-1967, na V Assembléia da ETA o ramo "obreirista" se divide em outros três grupos: ETA Berri (Nova ETA, que posteriormente sai da clandestinidade com a formação do partido político EMK), ETA Zaharra (Velha ETA) e o grupo Branka. Os dois últimos, representando respectivamente os "Terceiromundistas" e os "Culturalistas" permanecem na ETA.

Em 1970 se celebra a VI Assembleia e, novamente, a ETA se divide, desta vez em ETA-V Askatasuna ala hil (Liberdade ou morte) e ETA-VI Iraultza ala hil (Revolução ou morte), novamente opondo os setores mais próximos da ideia de guerrilha e luta armada e os "obreiristas", mais próximos de uma aliança com os setores revolucionários bascos e espanhóis.

Os membros da ETA-V, partidários do ideário da V Assembleia e que recusavam diminuir ou acabar com a luta armada, como proposto pelos membros da ETA-VI, tomaram o poder da organização após a entrada de novos membros vindos, mais uma vez, das juventudes do PNV, enquanto que a ETA-VI se dividiu em dois ramos que se integraram na Liga Comunista Revolucionária (setor majoritário) e na Organização Revolucionária dos Trabalhadores (seção do PCE). Outros acabaram por retornar à ETA.

Em 1973-74 uma nova assembleia é organizada, novamente com o nome de VI Assembleia (os que mantiveram o nome de ETA não reconheciam a assembleia anterior) e nesta se produz o racha mais importante da organização, em que se forma a ETA(pm) e a ETA(m), respectivamente ETA Político-Militar e ETA Militar.
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Artigo COMPLETO no Diário Liberdade.

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sábado, 30 de outubro de 2010

ETA: Rápidos apontamentos - Coluna Semanal no Diário Liberdade

Décima-segunda coluna para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".

ETA: Rápidos apontamentos

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A ETA (Euskadi Ta Askatasuna – Pátria Basca e Liberdade) nasce do trabalho de militantes nacionalistas insatisfeitos com os rumos que o PNV - direita cristã - tomava, ou mesmo com os rumos da Ação Nacionalista Basca (ANV), partido de esquerda nacionalista fundado nos anos 30, que consideravam por demais tímidos e insuficientes na luta pela libertação do País Basco (Villalón, 2000).

Estes militantes nacionalistas se reuniam e eram apoiados largamente por facções anti-franquistas da igreja católica, em especial pela ordem dos Jesuítas.

A igreja se tornou o mais forte bastião de resistência ao Franquismo no País Basco e eram em centros comunitários católicos que se ensinava o Euskera aos jovens e adultos que não tiveram a oportunidade de aprender antes e onde nascia o movimento de resistência à Ditadura.

A ETA nasce com o ideal de independência, tendo na luta contra Franco uma primeira etapa para a consecução de seus objetivos. Desde o princípio a ideologia que permeia a ETA é a de recuperar e valorizar a cultura e língua bascas (Llera, 1992), ao contrário do senso comum que via na ETA apenas um grupo anti-franquista.
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Artigo COMPLETO no Diário Liberdade.

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domingo, 23 de janeiro de 2011

ETA e o Processo de Discussão Interno – Parte 2 - Coluna semanal no Diário Liberdade

Vigésima coluna para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".

ETA e o Processo de Discussão Interno – Parte 2

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Enquanto a ETA(m) buscará atentar cada vez mais contra alvos militares e mesmo civis, a ETA(pm) passará a se concentrar na ação política, ainda que não abandone totalmente a luta armada. Exemplo da atividade armada de ambos os grupos até pelo menos o fim do regime Franquista está no fato de que os dois últimos etarras mortos pelo regime foram Txiki e Otaegi, o primeiro do ramo político-militar e o segundo do ramo militar da ETA.

É importante recordar que a diferença entre o ramo ou ramos "obreiristas" que surgiam ao longo do tempo no seio da organização e o ramo "terceiromundista" não estava necessariamente no posicionamento ideológico Marxista-Leinistas (e mesmo Maoísta), mas na concepção organizativa da luta. Enquanto o primeiro grupo defendia uma única estrutura de comando tanto para a luta armada quanto para a luta puramente política, o segundo defendia uma separação completa das estruturas.

Em certo momento a divisão entre os dois ramos da ETA se confunde, pois tanto os militares quanto os político-militares acabam por formar braços políticos mais ou menos infiltrados pelos membros clandestinos e também era comum a migração de membros de uma para a outra ala da ETA: EHAS e posteriormente HASI como braços dos militares e que posteriormente formariam o Herri Batasuna e o EIA, depois Euskadiko Ezkerra (EE, coalizão do EIA com o EMK, ex-ETA Berri e outros) como braço dos polimilis, depois integrados no braço basco do PSOE (PSE-EE).

ETA(pm) - EIA (76) e EE (77 como coalizão com frações do HASI, EMK e ANV e 81 como partido). EE enfim se funde com o braço basco do PSOE.

ETA(m) - HASI (77, numa união com o partido EHAS) e HB (78, com HASI, ANV, LAIA e ESB, além de demais organizações que fazem parte da KAS)

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Artigo COMPLETO no Diário Liberdade.

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sábado, 18 de setembro de 2010

Mídia Brasileira: Do “copia-e-cola” à total insensatez - Parte 1 - Coluna Semanal no Diário Liberdade


Sétima coluna para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".

Mídia Brasileira: Do "copia-e-cola" à total insensatez - Parte 1

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Algo interessante de se notar na cobertura da mídia brasileira nas questões relativas à ETA - fora a mais completa ignorância relativa ao assunto - é a forma tendenciosa e acrítica pela qual noticia o que acontece no País Basco, sem falar no parágrafo perpétuo em quase toda notícia, descrevendo que a ETA matou não sei quantas pessoas e etc...

A tentativa é clara: Denegrir a imagem não só da ETA mas de todo o movimento nacionalista basco, reduzir tudo ao mesmo denominador, chamar tudo de "Terrorismo".

Nenhuma linha sobre o movimento nacionalista, sobre o Franquismo, Guerra Suja... Nenhum artigo maior explicando o que efetivamente quer a ETA e as razões pelo sue surgimento e luta até os dias de hoje... Tudo se resume ao número de vítimas. Mas nunca às vítimas do Estado, dos grupos de extrema-direita.

A Espanha é a vítima inocente, os Bascos são os terríveis assassinos.

As linhas do tempo publicas pelos jornais então! Este da Folha é um primor! Três míseros eventos descrevendo as ações da ETA antes da "democracia" chegar à Espanha, no fim dos anos 70. Nada de citar Txiki, Argala, luta contra o Franquismo, como o grupo era aclamado e respeitado mesmo internacionalmente... Mas um festival de besteiras logo depois, com a clara tentativa de demonizar o grupo.
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Artigo completo no Diário Liberdade.

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domingo, 15 de agosto de 2010

Coluna Semanal no Diário Liberdade

Segunda coluna para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".

Pequena divagação sobre os objetivos da ETA, a legitimidade das armas e o Terrorismo em geral

A ETA é um grupo interessante. Por um lado acerta ao eliminar Carrero Blanco, Manzanas, Ynestrillas... Por outro ataca inocentes como Korta.
[8 de agosto de 2000: Um carro bomba acaba com a vida de José Maria Korta Uranga, proprietário da empresa Korta SA e líder da patronal guipuscoana, a Zumaia (Guipúscoa). A explosão produziu-se quando se dispunha a pegar o seu veículo, justo depois de ter feito uma visita a uma nave da sua propriedade.]
Em muitos casos a motivação é obscura, em outros é impossível discordar – comemora-se, na verdade. Mas a persistência do uso de bombas é q me intriga mais...
O próprio [Julen de] Madariaga, fundador, rompeu com o grupo pelo uso de bombas - armas sem alma, olhos, orelha. Mas o grupo parece manter a tática. É burrice.
Vale lembrar, esta censura de Madariaga não o faz ser um "opositor" do grupo da forma como muitos querem fazer crer:
40 años después de todo aquello, Madariaga no se arrepiente de su pasado. "Hay quien dice de mí: 'fundó ETA y hoy está en contra'. ¡Cuidado, eh! No estoy en contra de la línea actual de ETA por razones de orden moral, sino por inconveniencia política. Hoy en día utilizar las armas no cunde políticamente, más bien al contrario. La sociedad no comprende que ETA pueda recurrir a la lucha armada, cuando se ofrecen unas posibilidades para defender las mismas ideas sin necesidad de recurrir a la violencia".
Assassinato político é um instrumento que eu não consigo repudiar, mas a morte intencional de civis apenas confunde e pulveriza apoio. Porquê?

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Artigo completo no Diário Liberdade.

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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Terrorismo: Definições - Coluna Semanal no Diário Liberdade

Décima-quinta coluna para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".

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O termo e a idéia nascem durante a Revolução Francesa, época do "Terror", e apenas depois recebeu a conotação que tem hoje, com definições que vão desde a idéia de Brian Jenkins (1) passando pelo FBI(2) até a definição de Walter Laqueur(3). (n. Whittaker, 2005).

É interessante notar que, apesar de parecidas, as definições são extremamente diferentes e em alguns pontos chegam a ser contraditórias.
Vale acrescentar a definição do Departamento de Estado dos EUA:
 "Violência premeditada e politicamente motivada perpetrada contra alvos não-combatentes por grupos subnacionais ou agentes clandestinos, normalmente com a intenção de influenciar uma audiência".
Jenkins (in Whittaker , 2005) considera QUALQUER uso de força ou ameaça do uso deste instrumento como "terrorismo". Apenas por esta definição podemos considerar até a guerra como terrorismo, assim como a guerrilha ou qualquer tipo de ação armada.

Já o FBI fala em lei, obviamente a lei aplicada pelo Estado, qualquer movimento subnacional, logo, ilegal, se enquadra como Terrorismo. Seria engraçado, senão lamentável, notar que os EUA são o país que mais usam ilegalmente sua força em ataques ilegais (basta recordar a invasão do Iraque, ilegal segundo a ONU), e que mais apóiam governos genocidas, grupos e bandos armados, subnacionais que aterrorizam e matam populações.

A idéia de "legalidade" do FBI concorda com a adotada pelo Departamento de Estado que vai além e explicita a idéia de legitimidade da força menos quando se tratando de grupos subnacionais e "agentes clandestinos".

Em ambos os casos, os EUA deixam as portas abertas para o uso da violência Estatal, o Terrorismo Estatal não é citado de qualquer maneira e, nos parece, é legitimado, em especial pelo Departamento de Estado que cita explicitamente duas categorias, excluindo o Estado de responsabilidade ou imputabilidade.

A outra definição usada, a de Laqueur (in Whittaker, 2005) passa da questão legal para a "legitimidade", conceito muito mais abrangente e de melhor aplicabilidade. Cabe analisar a legitimidade do uso desta força pelos Estados ou por grupos. Qual o objetivo, quais as intenções?
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Artigo COMPLETO no Diário Liberdade.

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domingo, 30 de janeiro de 2011

Estados legítimos e ilegítimos - Coluna semanal no Diário Liberdade

Vigésima-primeira coluna para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".

Estados legítimos e ilegítimos

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Segundo Guibernau (1997), existem dois tipos de Estado: Os "Legítimos" e os "Ilegítimos". O primeiro caso é o de Estados onde inexiste o conflito étnico ou nacional dentro de suas fronteiras, é o Estado-Nação perfeito, em que os diversos membros que compõem o Estado se reconhecem como parte de uma mesma nação.
O segundo caso é onde há conflito, e é o caso de boa parte dos países europeus, fundados sob a égide de um Estado para uma nação quando, na verdade, houve uma tentativa de assimilação das culturas minoritárias através da assimilação violenta ou não destas minorias.

"A rotulação das minorias como terroristas pode intensificar o conflito comunitário [...]. O rótulo de terrorista dado a movimentos revolucionários arrisca também minimizar sua importância" (Whittaker, 2005)

A Espanha é um bom exemplo de assimilação violenta, em que as nações históricas da Catalunya, Galiza e País Basco foram constantemente vítimas de violência, invasões, censura e humilhações por parte do governo central de Madrid.

Estados como a Espanha e França tentaram impor seus mitos fundacionais a todas as demais minorias não-francesas ou não-espanholas, e em ambos os casos os fracassos e sucessos podem ser contabilizados.

A França foi a mais bem sucedida, conseguindo sufocar boa parte das minorias (ainda que venha enfrentando o ressurgimento ou surgimento de nacionalismos periféricos na Bretanha, Córsega, Catalunha Norte e País Basco Norte ou Iparralde e, em algumas dessas regiões, com a presença de grupos considerados terroristas), mas a Espanha falhou miseravelmente na tentativa de apagar a história de suas minorias e há séculos enfrenta resistências.

Ao contrário da França, onde boa parte dos seus territórios foram conquistados com base na força, a Espanha se constituiu com base em casamentos dinásticos (salvo a Catalunya, conquistada a ferro e fogo no séc. XVII) e, ao contrário de seu vizinho do norte, não conseguiu implantar um sistema educacional e de transportes tão eficaz e à tempo de neutralizar as movimentações de suas minorias.

Benedict Anderson (2005) afirma serem três as bases do Estado Moderno, nascido da Revolução Francesa: A Educação, as Comunicações e o Exército. E, em todos os casos, a Espanha falhou em impor sua centralidade.


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Artigo COMPLETO no Diário Liberdade.

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sábado, 11 de setembro de 2010

Coluna Semanal no Diário Liberdade - Estúpido Revisionismo Histórico

Sexta coluna para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".

Estúpido Revisionismo Histórico

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José Miguel Beñarán Ordeñana, mais conhecido como "Argala", foi militante da ETA, assassinado pelo grupo terrorista de extrema-direita conhecido como Batalhão Basco Espanhol (Batallon Vasco Español - BVE) que, assim como os GAL, mantinha ligações diretas com o Estado Espanhol.

Argala lutava pela independência do País Basco e contra a ditadura de Franco. Foi um dos responsáveis pela chamada Operação Ogro, que matou o Marechal e sucessor de Franco, Luis Carrero Blanco.

Foi, pois, um herói da luta contra o franquismo e um herói da resistência Basca. E hoje é tratado como terrorista pelo revisionismo SocioFascista do PSOE, mancomunado com os pós-Franquistas do PP.

Argala nasceu na pequena cidade Basca de Arrigorriaga e a praça central da mesma recebeu seu nome nos anos 70, após sua morte, para homenagear este lutador. Argala Enparantza, ou Praça Argala.

Mas o revisionismo espanholista, com sua sanha por apagar e destruir a história do povo Basco forçou a mudança do nome da praça no início de 2009. As vítimas do Franquismo e do Estado Espanhol são comumente esquecidas quando, como no caso de Argala, pegam em armas contra o Estado para denunciá-lo.
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Artigo completo no Diário Liberdade.
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sábado, 4 de setembro de 2010

Coluna Semanal no Diário Liberdade - A Não-violência enquanto tática, uma visão histórica e o caso palestino – Parte 2

Quinta coluna para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".

A Não-violência enquanto tática, uma visão histórica e o caso palestino – Parte 2

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O Oriente Médio e o conflito permanente.

Chegando ao Oriente Médio, podemos notar que a resistência pacífica dos habitantes das pequenas vilas de Bil'in, Nil'in ou outras resultou em ganhos efetivos, mas locais, limitados e longe de satisfatórios para toda a população. O ganho, na verdade, é moral, mais que material, o que de nada serve quando o inimigo costumeiramente dá as costas para o Direito Internacional, para a ONU e para a opinião pública mundial.

O documentário da brasileira Julia Bacha, Budrus, nos dá uma visão panorâmica e privilegiada da primeira vila Palestina a efetivamente se valer da tática de não-violência para vencer o exército israelense. O que fica claro do filme é que a vila escolheu este caminho principalmente pela completa falta de opções. De população reduzida, desprotegida e frágil, não havia qualquer alternativa senão a de protestar pacificamente e esperar pelo apoio de ativistas israelenses e internacionais - o que aconteceu.

De resultado, conseguiram mudar o traçado do Muro da Vergonha, mas, no geral, foi uma vitória tímida frente à toda ocupação e assentamentos nos territórios palestinos. Enquanto tática, funcionou, mas a não-violência dificilmente traria os mesmos resultados que a dura resistência do Hezbollah contra Israel durante a ocupação do sul do Líbano e na guerra de 2006.
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Artigo completo no Diário Liberdade.
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domingo, 10 de outubro de 2010

Cansaço, ou Divagações sobre uma realidade... - Coluna Semanal no Diário Liberdade

Décima coluna para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".

Cansaço, ou Divagações sobre uma realidade...

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"Tem dias que a gente se sente, como quem partiu ou morreu..."

Tem dias em que estamos simplesmente cansados. Acordamos desanimados, com vontade de desistir. Não importa que as coisas até caminhem bem, que há esperança, você simplesmente se cansa. De tudo. Da vida, do mundo, dos problemas.

Você acorda em um mundo em guerra, seja ela declarada ou não, seja ela entre Estados ou simplesmente entre grupelhos rivais pelas ruas das grandes cidades. Esta também pode ser no campo, pode ser meramente a luta de classes. Mas é a guerra.

E você cansou de tudo isto.

Você acorda em um país e não o reconhece mais. De repente todo o conservadorismo contido rompe o dique, e você é forçado a aguentar homofobia, preconceito contra as mulheres e recuos vergonhosos de seus próprios aliados. Não que isto não aconteça no cotidiano, mas existem dias em que piora, em que se escancara, em que você quer apenas dizer "CHEGA!".

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Artigo completo no Diário Liberdade.

"Nire aitaren etxea
defendituko dut"
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"Defenderei
a casa de meu pai"

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domingo, 26 de setembro de 2010

Mídia Brasileira: Do “copia-e-cola” à total insensatez - Parte 2 - Coluna Semanal no Diário Liberdade

Oitava coluna para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".

Mídia Brasileira: Do "copia-e-cola" à total insensatez - Parte 2

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Sempre, ao longo dos artigos, os jornais brasileiros resumem o que é a ETA, de diferentes formas, mas sem que isto signifique dar um sentido diferente


O que se vê é uma prática de copiar e colar e/ou de se limitar a traduzir o que vem de agências, de forma absolutamente acrítica. O jornalismo não se sabe onde foi parar.
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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Coluna Semanal no Diário Liberdade - A Não-violência enquanto tática, uma visão histórica e o caso palestino – Parte 1

Quarta coluna para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".

A Não-violência enquanto tática, uma visão histórica e o caso palestino – Parte 1

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Gandhi, Nelson Mandela. Bil'in, Budrus, Nil'in. É o que nos vê à mente quando falamos ou pensamos em Não-Violência na luta contra a opressão e o domínio colonial.
Gandhi e Mandela dispensam apresentações. Bil'in, Budrus, Nil'in são vilas na Cisjordânia, nas proximidades de Ramalá e símbolos da luta contra o Sionismo.
Mas até que ponto a não-violência tem efeitos práticos e, também, até que ponto os exemplos comumente citados são realmente válidos – ou efetivamente pacifistas?

Mandela e a base ideológica

Ao falar em Mandela, nos lembramos apenas do período em que este esteve na prisão por "atividades subversivas" - sem jamais nos perguntarmos quais atividades eram estas - e do período posterior, de abertura política, negociação e, graças ao filme "Invictus", da copa do mundo de Rugby nos anos 90. Mas voltemos às "atividades subversivas" por um momento. Mandela, ao contrário do que muitos pensam, nunca foi um pacifista, mas um pragmático que foi líder do braço armado do CNA (Congresso Nacional Africano), o Umkhonto we Sizwe, ou Lança da Nação, responsável por dezenas de mortes durante o regime do Apartheid.
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sábado, 13 de novembro de 2010

ETA e o Ideal Nacionalista/Aranista - Coluna Semanal no Diário Liberdade


Décima-quarta coluna para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".
A ETA passou por cima dos ideais racistas, rurais e religiosos de Arana (Lessa e Suppo, 2003) e se apegou aos conceitos de independência mítica e da necessidade de se preservar a cultura basca e de se lutar por isto (Llera, 1992).

Inicialmente, consideravam que um Basco deveria apenas conhecer o Euskera e, hoje, vemos que alguns membros do grupo sequer haviam nascido no País Basco (Kurlansky, 1999). Um dos fundadores da ETA, Txillardegi, era de família madrilenha, por exemplo.

Os fundadores da ETA eram, em sua maioria, membros da juventude do PNV. Logo se desapontaram pelo caráter burguês do partido e tiveram a clara impressão de que seus membros apenas esperavam o regime franquista terminar, sem tomar ações efetivas contra o regime (Kurlansky, 1999, Villalón, 2000).

As primeiras ações armadas da ETA aparecem exatamente no momento de adoção dos ideais marxistas que, por princípio, consideram legítimo o uso da força na luta contra a opressão e contra a subjugação da classe trabalhadora (Marx e Engels, 2000).

Enquanto o PNV era próximo das burguesias industriais e dos latifundiários, a ETA buscou nos trabalhadores sua base e, desta forma, viu o processo de adoção dos ideais marxistas como um imperativo, quase como algo natural.
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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A "Temporalidade" do Terrorismo - Coluna semanal no Diário Liberdade

Décima-sétima coluna para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".

A "Temporalidade" do Terrorismo

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Vista do lado dos povos agredidos, esta agressão e pi­lhagem do campo imperialista surge em toda a sua bes­tialidade, como uma ameaça à sua própria sobrevi­vência. Para eles, as novas guerras coloniais do século XXI são uma nova fase, ampliada, das velhas invasões co­loniais. Ampliada por um potencial destrutivo e por uma capacidade de estrangulamento económico cem vezes maior que no passado.
A guerrilha, o chamado "terrorismo", reacção ao ter­ror quotidiano sofrido pelas populações agredidas, é a resposta que está ao alcance das vítimas: fustigar o ocu­pante, mesmo à custa de terríveis sacrifícios huma­nos, até acabar por tornar a ocupação insustentável ou demasiado cara e forçá-lo à retirada. É o que se de­senha já no Iraque, é o que virá a seguir no Afega­nistão. (Francisco Martins Rodrigues, online, 2010)


É interessante observar, ao longo do tempo, quais grupos, ou mesmo Estados, foram em determinada época considerados terroristas e deixaram de sê-lo, ou mesmo quando grupos passaram a ser assim chamados apenas quando deixaram de ser politicamente interessantes aos que dão as cartas no cenário internacional. Outro caso também digno de nota é o daqueles grupos que encontram ainda ampla legitimidade e não são unanimemente condenados.


O primeiro caso pode ser ilustrado magistralmente pelos grupos de libertação nacional (queira eles efetivamente se encaixem na definição ou não), como a FLN ou os grupos que lutaram pela criação de Israel (que não se encaixam na definição de libertação nacional, mas são assim considerados por seus aliados). 

São grupos que foram em determinada época considerados terroristas por parte ou pela totalidade dos atores internacionais presentes nas Nações Unidas e que, ao chegarem ao poder, foram posteriormente retirados da lista e aceitos como membros efetivos do cenário internacional, em pé de igualdade com os demais Estados.

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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Origens do Nacionalismo Basco, uma breve introdução - Coluna semanal no Diário Liberdade


Décima-terceira coluna para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".

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Sabino de Arana y Goiri, nascido de uma família de classe-média Carlista na Bilbao de 1865, enveredou pelos estudos pseudo-históricos de um passado mítico basco, cunhou novos termos na língua basca para definir a nação (Euskadi ou Euzkadi na grafia de seu tempo, ou “terra dos bascos”, que por si só possui um forte conteúdo racista) e fundou o Partido Nacionalista Basco, sob o lema Jaungoikua eta lege zarrak (“Deus e Leis Antigas”, fazendo referência aos Foros, antigo sistema de autogoverno Basco que durou por séculos), agregando diversos grupos dos setores conservadores e nacionalistas da sociedade basca (Watson, 2003).

Arana se opunha de forma ferrenha ao liberalismo e ao laicismo e suas ideias se baseavam no forte preconceito racial contra não-bascos (apelidados de Maketos), o que de certa forma não destoava dos conceitos de superioridade racial adotado pelos Castelhanos na época ou mesmo pelos alemães de algumas décadas depois, e na noção de ruralismo, de uma sociedade rural, antiga, conservadora, voltada para a vida no campo e para Deus, tendo na igreja o ponto focal da sociedade (Granja Sainz, 2002).

Mas, sem sombra de dúvida, a ideia de independência original foi a que mais se desenvolveu e perpetuou no imaginário basco (Granja Sainz, 2002). Os Bascos jamais haviam sido conquistados ao longo de toda sua história. Os Romanos não os haviam submetido, mas conviviam lado a lado de forma respeitosa, todos os grandes reinos posteriores haviam usado os bascos como guerreiros e mercenários, sem, porém, terem efetivamente os controlado. Os bascos chegaram ainda a constituir um reino, o de Navarra, que foi por séculos um dos mais poderosos da península hispânica.
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domingo, 28 de novembro de 2010

ETA: Libertação Nacional, Nacionalismo e Marxismo - Coluna semanal no Diário Liberdade

Décima-sexta coluna para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".

ETA: Libertação Nacional, Nacionalismo e Marxismo 

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Válido notar o paradoxo dos Marxistas, nas palavras de François-Xavier Guerra (in Lessa e Suppo, 2003), considerarem "as questões nacionais como secundárias em relação aos problemas sociais e econômicos", mas serem estes mesmos Marxistas os responsáveis por travarem as mais encarniçadas lutas de Libertação Nacional e também de formarem os grupos chamados de terroristas de maior longevidade e relevância histórica (ETA, IRA, FPLP, etc).

Se por um lado boa parte dos teóricos Marxistas ou que vieram desta escola negligenciaram o estudo do fenômeno do nacionalismo por décadas, por outro lado diversos grupos de orientação marxistas mostravam, na prática, o amálgama ideológico produzido entre o internacionalismo e o nacionalismo militante.

Para estes marxistas, a luta contra o capitalismo passava, antes, pela emancipação nacional e o internacionalismo se baseava não na superação de fronteiras, mas na solidariedade transfronteiriça, com amplo respeito pelas particularidades de cada movimento em seu locus particular.

Coexistem duas teorias principais nas escolas que estudam o nacionalismo, de um lado aqueles, como Hobsbawm (2006), que defendem a teoria da invenção das tradições (e nações) de acordo com interesses e de outro os que supõem as nações como "coletivos definidos etnicamente, com existência objetiva, que precedem o nacionalismo" (Seixas, 2004)
Aquí partimos conscientemente del supuesto teórico de que el nacionalismo como ideología política y como movimiento social precede y construye la nación, y adoptamos en consecuencia un enfoque modernista o constructivista, más o menos matizado, según el cual una nación es una comunidad imaginada, inherentemente soberana y definida territorialmente, integrada por un colectivo de individuos que se sienten vinculados entre sí en función de factores muy variables y dependientes de la coyuntura concreta (desde la voluntad a la territorialidad o la historia común y al conjunto de características étnico-culturales más o menos objetivables que podemos denominar etnicidad, es decir, que definen una consciencia social y prepolítica de la diferencia) y que, sobre todo, consideran que este colectivo es el sujeto de derechos políticos comunes y, en consecuencia, soberano. (Seixas, 2004)
Com os processos de descolonização na África e Ásia, a idéia de Libertação Nacional tornou-se a agenda preferencial dos grupos de orientação marxista que viam as contradições de um modelo colonialista, de um meio de produção baseado na exploração de colônias para a sustentação das benesses dos capitalistas da metrópole, uma oportunidade para forçar mudanças e "praticar" a solidariedade internacionalista.
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Artigo COMPLETO no Diário Liberdade.

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