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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A Honduras esquecida


É triste constatar que Honduras, país a sofrer um golpe mais recentemente, tenha sido abandonada.

Seja na mídia, nos blogs, no ideário ou mesmo nos interesses dos Estados. Honduras foi simplesmente esquecida.

Hoje saúda-se o golpe perfeito. Porfírio Lobo assumiu uma presidência ilegítima, baseado em um golpe coordenado e apoiado pelos EUA, pelo Exército Hondurenho e pela mídia golpista local em conluio com a oligarquia apavorada com as sucessivas vitórias populares e ampliação dos direitos sociais.

Estamos diante do que Hillary Clinton chama de "Direitos Humanos Pragmáticos", ou seja, a sistematização do ato de fechar os olhos para os "erros" dos amigos, aliados ou possíveis oponentes fortes. É o caso que temos em pauta, é o caso de honduras em que é possível - dada a insignificância geopolítica do país para os EUA - condenar, jogar para a platéia e ter em si os holofotes do repúdio internacional enquanto, na realidade, se apóia, planeja e executa um golpe bem sucedido em que um governo legítimo, democraticamente eleito, é deposto e faz-se uma farsa eleitoral para consumir o golpe.

Hoje, a mídia cita Honduras apenas para bradar seu apóio não mais ao golpe, mas à vitória da democracia (sic).

Os EUA se limitam à olhar, como pais zelosos da democracia bem ao seu estilo.

À época do golpe, foi anunciado que Israel reconheceria rapidamente o governo (sic) Hondurenho, nenhuma surpresa. E, menos surpresa ainda ao ver os acordos entre Honduras e Colômbia recém-firmados, a visita de Uribe para apoiar o golpe consumado. Colômbia e Israel, dois Estados terroristas apoiados pelos EUA, nenhuma surpresa.

Do lado da população hondurenha, denúncias de abusos, tortura, estupros, execuções... E tudo devidamente indultado pelo "presidente" Lobo.

Esta é a democracia saudada pela mídia e pelos poderosos que, no Brasil, ainda gostam de tripudiar sobre o governo Brasileiro como se esta fosse uma derrota nossa e não de toda a humanidade.

Zelaya, o presidente-herói saiu humilhado de seu país, de onde foi eleito e ilegalmente deposto. Vai para o exílio forçado e indigno. O máximo de ajuda do Brasil foi permitir sua estadia em nossa embaixada. E parou por aí.

Nações do mundo fingiram-se de indignadas, bradaram mas nada de concreto fizeram. Apoiaram, querendo ou não, um golpe, mesmo gritando contra. Está consumado.

O perigo é que toda a impunidade e a aura de "golpe perfeito" possam se espalhar para países que, assim como Honduras, não sejam um exemplo de segurança institucional e nem tenham as Forças Armadas mais confiáveis ou, ainda, que este seja um sinal verde para que os EUA voltem à agir na região, notando a fragilidade de vários dos países ou ao menos a aceitação por parte de diversas instituições do golpismo.

É, agora, esperar para ver e, no meio tempo, buscar um fortalecimento das instituições e, também, saídas legais - seja na OEA, na ONU ou em qualquer outra - para o governo ilegal e ilegítimo Hondurenho.
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sábado, 19 de dezembro de 2009

EUA e os Direitos Humanos "pragmáticos"

Alguns viram como um avanço, outros - como eu - acham um absurdo o recente discurso de hillary Clinton sobre os Direitos Humanos.

Não confio em Obama, assim como não confio em nenhum democrata, republicano ou qualquer governante dos EUA. A guerra está no sangue e na ideologia dos EUA, o Destino Manifesto, a sanha por conquistas e dominação e não será um rosto bonito e um largo sorriso que irão fazer o mundo ou os EUA deixarem de ser o que são.

Por mais que o tom até tenha sido crítico à Rússia ou China, o que vemos é o velho subterfúgio, a velha desculpa de que "não podemos condenar mas vamos discutir seriamente cara a cara".

Vejam dois trechos de singular importância:
"Às vezes temos mais impacto condenando publicamente a ação de um governo, como o golpe em Honduras ou a violência na Guiné", ela disse em um discurso na Universidade de Georgetown, durante a Semana de Direitos Humanos.

"Outra vezes nós provavelmente seremos de mais ajuda aos oprimidos ao realizarmos duras negociações a portas fechadas, como pressionar a China e a Rússia como parte de uma agenda mais ampla", ela disse. "Em todos os casos, nossa meta será fazer a diferença, não provar um argumento."
O que podemos ler de tal declaração? Simples e direto:

"Para países pobres, periféricos, sem qualquer poder internacional ou sequer regional e sem aliados dignos de nota, como Honduras e Guiné, podemos perfeitamente condenar, ninguém se importa ou se importará. Além do que, não faremos absolutamente nada de efetivo, apenas reclamar, espernear de forma fingida e deixar que tudo transcorra como planejamos deve ser.

Mas, no caso de países com os quais temos intensa relação comercial e de cumplicidade nos abusos dos Direitos Humanos, como China ou Rússia, o fingimento a discussão deve ser a portas fechadas. Nós fingimos que realmente os condenamos ou exigimos respeito aos DH e vocês fingem que acreditam em nós e seremos todos felizes - menos os que são diariamente massacrados."

Em nome da saúde comercial dos EUA a condenação aos crimes cometidos por aliados e cúmplices não pode ser televisionada, apenas escondida com a promessa vaga de que estão sendo seriamente discutidas. Ninguém sabe onde ou por quem. A certeza é a de que não fará qualquer diferença.

Não cabe aqui, vale deixar claro, a desculpa de que uma confrontação direta com Rússia, China ou qualquer outro aliado como Israel, acabaria em prejuízos para a população que sofre abusos - Palestinos, Uigures, Chechenos, Tártaros e etc -, primeiro porque a situação destes dificilmente pode piorar e, segundo, é interessante notar que tal desculpa não serve para países menos relevantes ou até irrelevantes.

Será que por ser menor o povo de Honduras não corre perigo com a pseudo-pressão dos EUA? Ou só na Rússia sabe-se matar?
"O pragmatismo com princípios informa nossa abordagem aos direitos humanos com países como a China e a Rússia"

O silêncio dos EUA tem objetivos claros e todos sabem quais são, dispensa comentários. "Pragmatismo" é sempre para os amigos.
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Israel e Honduras - O reconhecimento óbvio

Não surpreende que o governo de Israel tenha sido um dos primeiros a declarar que reconhecerá o governo ilegítimo que sairá das eleições (sic) de domingo (29) em Honduras.

Israel became the fifth country to officially announce that it would recognize the results of Sunday's elections in Honduras, the Honduran TV has said.
Many countries and international bodies have warned they would not recognize election results if the Honduran polls are held under Roberto Micheletti's presidency. The interim leader announced on Wednesday he was temporarily stepping down to "guarantee free, spontaneous and transparent" elections.
"The government of Israel hopes that the voting would go on in a calm atmosphere and, in this case, it will recognize its results and the legitimacy of the elected president," Israel's ambassador to the Central American state, Eliahu Lîpez, has said.
The U.S., Peru, Panama and Costa Rica have so far announced they would to recognize the results.
A lista de países que já anunciaram que reconhecerão o vencedor (sic) é emblemática: 
- Israel, Estado Genocida;  Não há ,muito o que dizer de um Estado que promove o genocídio do povo Palestino. Para eles, reconhecer um governo ilegítimo e um golpe não faz a menor diferença, no máximo ganharão mais confiança dos EUA;

- EUA, país que está apoiando e fomentou o golpe, por mais que o presidente Obama tenha negado, mas nada fez para contornar a situação e agora apadrinhou o processo eleitoral sem qualquer legitimidade e condenado por boa parte do mundo verdadeiramente livre;

- Panamá, conhecido como quintal dos EUA, junto com a Colômbia, que logo engrossará a lista, afina, não respira sem pedir permissão aos padrinhos do Império do Norte;

- Costa Rica, do presidente piada-pronta Oscar Árias, "tentou" chegar à solução do conflito e, por não ver seu plano respeitado resolveu fazer birra e apoiar os golpistas;

- Peru, talvez a surpresa... Mas nem tanto, presidente com fraco apoio popular e posições controversas e estúpidas. Vem pra fazer número, talvez receba algum agrado yankee quando tudo isso acabar.

Enfim, a lista não surpreende - nem de longe! - e apenas constata um fato: O golpe caminha para ser reconhecido ou, ao menos, começa a ganhar apóio. É um precedente perigosíssimo, aberto e liderador por EUA e Israel, duas nações com histórico farto de abusos e desrespeito aos direitos humanos e à organismos internacionais, além do comum apóio à golpes e genocídios.
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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Eleições em Honduras e PIG: Como não cobrir uma eleição



O PIG perdeu a mão, já não sabe mais como fabricar uma falsa idéia de democracia em Honduras, nem como garantir que os interesses dos EUA e Israel sejam respeitados - ode ver um governo golpista empossado.

Basta uma rápida passada pelas notícias veiculadas pelos jornais pela internet e, ainda, observar a TeleSur e Globonews em pequenos intervalos de tempo.

Praticamente na mesma hora a Globonews entrevistava um pseudo-especialista (dos vários que pipocam pela rede mas que no geral não sabem nem distinguir suas mãos de seus pés) durante seu "Em Cima da Hora" - melhor seria se se chamasse "A Farsa da Hora" - que afirmava a tranqulidade do processo eleitoral. Tudo está calmo, o povo está comparecendo às urnas e tudo está em paz. Ao mesmo tempo a TeleSur mostrava centros de votação vazios, o boicote convocado pelos movimentos populares surtindo efeito e, em San Pedro Sula, conflito campal, bombas de gás e tiros.


Esta é a normalidade, paz e tranquilidade da Globonews? Pois qualquer veículo independente mostra o que realmente vem acontecendo, os feridos e reprimidos em Honduras.

Mas indo para a internet, vemos os mesmos absurdos.

Timeline de ontem, dia da eleição:

17:38 no Terra - Honduras: Frente diz que 1 foi morto e 30 presos em 24 horas
17:43 no Terra - Polícia entra em confronto com manifestantes em Honduras
17:51 no Estadão - Honduras tem eleição tranquila no domingo
17:57 na Folha - Polícia e manifestantes entram em confronto em Honduras
18:00 no Estadão - Polícia e manifestantes pró-Zelaya se enfrentam em Honduras
18:12 no JB - Favorito à presidência diz que clima é tranquilo em Honduras
18:12 no Terra - Polícia entra em confronto com manifestantes em Honduras
19:39 no Estadão - Polícia hondurenha dispersa manifestantes pró-Zelaya



Vejam pela timeline que o PIG simplesmente não se encontra. Querem fingir paz e civilidade, fingir que o processo como um todo é democrático enquanto o que se vê é violência, abusos e repressão. As imagens da TeleSur falam por si, cenas de violência e brutalidade dos militares contra o povo e, se não houverem fraudes maciças, teremos uma abstenção gigantesca que inviabilizará qualquer plano de legitimação do novo regime golpista.

Tão absurda quanto uma eleição feita em uma situação de caos completo e resistência aberta é a defesa que faz o PIG de todo o processo, vendendo-o como legítimo e democrático. Aliás, a abstenção deve passar dos 65%, podendo chegar aos 75%. Esta é a eleição democrática do PIG.
VITÓRIA DO POVO HONDURENHO: 70% DE ABSTENÇÕES NA FARSA ELEITORAL As eleições farsa promovidas a 29 de Novembro pelos golpistas de Tegucigalpa & Washington tiveram uma resposta à altura do povo hondurenho: 70 por cento de abstenções. O povo recusou-se a participar da farsa orquestrada pela oligarquia hondurenha e orquestrada/financiada pelo agente da CIA Simon Henshaw, o segundo homem da Embaixada dos EUA. Os hondurenhos atenderam assim ao apelo da Resistência e do presidente Manuel Zelaya em favor do boicote maciço. Apenas os EUA, Israel, Costa Rica, Panamá e Peru anunciaram reconhecer o governo saído desta fraude gorilesca realizada num clima de terror, brutalidade e repressão. Os governos do Brasil, Equador, Venezuela, Argentina, Espanha, Paraguai e Guatemala já haviam anunciado que desconheceriam os resultados destas eleições sem legitimidade.
Internet, TeleSur, BBC e etc, o PIG ainda precisa conhecer que não dependemos só dele para nos informar. podemos conhecer a verdade passando por cima de suas farsas.

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No campo político, o PPS e Raul Jungamann continuam a servir de bobos da corte. Com "Socialista" no nome, mas aliados das elites "Democráticas", o líder do PPS (sic) não esconde seu apoio ao golpe.

Único observador brasileiro nas eleições de Honduras, o deputado federal Raul Jungmann (PE), disse à Agência Brasil que Porfirio e Elvin pretendem procurar Lula.
- Conversei tanto com Porfirio quanto com Elvin. Os dois me disseram que, se eleitos, irão procurar o presidente Lula para pedir o apoio dele - disse o parlamentar, que desde sexta-feira está em Tegucigalpa.
Jungmann é uma vergonha para Pernambuco, para o Brasil e para toda a América Latina.
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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O futuro da América Latina descansa sob Honduras [Update]


Pode parecer um certo messianismo, inconsequência até, mas afirmo que não: Honduras irá selar o destino da América Latina.

Não falo necessariamente que veremos uma onda de golpes semelhantes - se bem que tentaram com Chávez, tentaram separar a Bolívia e por aí vai - mas moralmente o destino da América Latina enquanto uma unidade e em termos de solidariedade e até de futuros projetos de integração, está todo nas mãos dos líderes regionais e se centra no destino de Honduras, de sua democracia e integridade.

Depois da ALBA, do Mercosul e, finalmente, da Unasul, é esta a hora de demonstrar finalmente que falamos de uma única América Latina, unida, forte e pronta para resolver seus problemas. Seja com intervenção da OEA ou da ONU - com o consentimento explícito dos países da região -, é imprescindível que haja uma solução rápida e definitiva para o conflito sob pena de que este se alastre ou respingue ou, ainda, afete as tentativas promissoras de integração que, mesmo sob duras penas, sob Uribe e os olhos dos EUA, vem se firmando.

Este é o teste de fogo, a demonstração inicial e potencialmente final, de que a América Latina amadureceu, chegou até o ponto em que podemos realmente falar de UMA América Latina, não mais apenas o quintal dos EUA, a região das repúblicas bananeiras, não mais a terra de ninguém que sangra nas mãos dos golpistas e da direita entreguista.

A Mídia hondurenha esperneia, a mídia brasileira faz coro, todos querem ver o circo ser calcinado (fogo já pegou faz tempo!) e a integração em andamento retroceder, acabar. O golpismo descarado da imprensa internacional assusta, se acabaram aceitando que não chamar de "golpista" um governo que atende por este nome era abusar demais da boa vontade e do intelecto até dos mais incapazes, por outro lado dão demonstrações claras de que a palavra "golpista" não assusta às elites, não tem a conotação negativa que entende o povo como um todo e os democratas - enfim, pessoas decentes.

Usa-se a palavra, não se sente a palavra.

Este é o momento de mostrar unidade e força, de calar a mídia golpista e fazer valer a democracia, sob toda e qualquer pena, sob o poder das armas ou das negociações (já) falidas.

Os EUA começam a fraquejar e não duvido que em questão de dias apareçam com algum paliativo sem a volta de Zelaya e um reconhecimento do golpe. Árias continua no murismo, pendendo para o lado yankee e resta o Brasil, mas até quando? A pressão da imprensa se faz sentir, gente canalha como Reinaldos Azevedos  da vida pedem o impeachment de Amorim e até do Lula, são inconsequêntes, calhordas e... perigosos!

Até quando o Brasil resistirá no apóio incondicional ao Zelaya? Até quando a OEA irá pressionar, fazendo algo inédito em sua história de comum atrelamento aos EUA? A ONU... bem, a ONU é a mesma ineficaz de sempre.

A solução deve ser rápida, final, o bate-boca atual não leva à nada, só à consolidação do golpe. Sem a solução armada ou a colocação de forma intransigente das opções na mesa - volta de Zelaya incondicionalmente ao poder e punição exemplar para os golpistas - a situação tende a piorar, ou melhor, a se consolidar. O que é de fato se tornará a única verdade.

O futuro da América Latina, repito, descansa sob Honduras.

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Update:

Micheletti, presidente golpista de Honduras, pelo menos, admitiu as razões para o golpe: Esquerdismo de Zelaya.

Por detrás disto, a intenção de Zelaya de integrar Honduras na ALBA e ligá-la definitivamente aos demais países da América Latina em uma aliança solidária incomodaram e incomodam a elite local e latina.
"“Tiramos Zelaya por seu esquerdismo e corrupção. Ele foi um presidente liberal, como eu, mas se tornou amigo de Daniel Ortega, (Hugo) Chávez, (Rafael) Correa e Evo Morales”, declarou Micheletti, referindo-se aos presidentes da Nicarágua, Venezuela, Equador e Bolívia. ”Se um presidente viola a lei e é corrupto, dá ao povo o direito de reclamar. Nós apenas lideramos este clamor popular”."
Fica mais clara ainda a necessidade indiscutível de se fortalecer os laços de integração na América Latina e o combate constante às forças reacionárias, fascistas, direitistas referendadas pela mídia golpista.

O jornalista italiano Georgio Trucchi, que está em Honduras há mais de 50 dias, vai ainda mais longe e diz que a destituição de Zelaya também foi uma tentativa de interromper o processo de integração latino-americana, particularmente os avanços da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba).
O que é mais do que claro. Clara tentativa de pôr uma pá de cal numa das alianças mais promissoras dos últimos anos na região.

Qualquer tipo de integração cuja base não seja o livre-mercado e a acumulação ainda maior e mais fácil para as elites, é vista como problemática, perigosa. Em Honduras estas agiram depondo o presidente, não é difícil pensar que haverá uma nova Honduras enquanto os ricos se sentirem incomodados com as reformas populares e a integração irreversível dos povos.
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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Manifestação em Solidariedade ao Povo de Honduras

Manifestação em Solidariedade ao Povo de Honduras


Fora Golpistas !



Dia 02 de Outubro, sexta-feira


MASP – Paulista


Concentração a partir das 17:00h


O Golpe Militar em Honduras tem de ser derrotado nas ruas em Honduras e em todo o mundo. Nos últimos
dias os golpistas de Honduras não deixaram nenhuma dúvida aos trabalhadores e povos de todo o mundo de sua verdadeira
face fascista : toque de recolher, estado de sitio, prisões, repressão brutal com centenas de feridos e assassinatos.


As imagens de estádios sendo usados como “prisões” para as centenas de

detenções realizadas de maneira arbitrária e violenta trazem na memória as imagens do golpe de Pinochet no Chile e as prisões e execuções no Estádio Nacional tão simbólicas, para todo os povos de nosso continente, do significado das ditaduras.


De outro lado as manifestações e resistência do povo hondurenho para derrotar o golpe continuam heróicas e fortes. As organizações sindicais, populares e políticasbrasileiras fazem um chamado a construirmos um amplo movimento de solidariedade ao povo de Honduras.


Realizaremos todos nossos esforços de mobilização e apoio político e material para a luta organizada a partir da Frente Nacional de Resistência Contra o Golpe de Honduras que luta por : fim da repressão e restabelecimento das liberdades democráticas, recondução do presidente eleito Manoel Zelaya ao governo, punição aos golpistas e pela convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte.


Repudiamos qualquer tentativa de acordo feito nos gabinetes que vise livrar os golpistas de qualquer punição e negar o direito ao povo hondurenho de decidir livremente seu destino em uma Assembléia


Nacional Constituinte.

Nos colocamos na defesa da embaixada do Brasil contra qualquer ataque ao presidente eleito Manoel Zelaya
os ativistas e dirigentes que o acompanham bem como contra qualquer funcionário da embaixada.


Para isso estaremos organizando :


1- Manifestação em São Paulo , no dia 02 de outubro no vão do MASP, na av.Paulista, concentração à partir das 17:00h;


2- Uma delegação unitária das organizações brasileiras para levar nosso apoio e solidariedade, nos próximos dias, ao povo hondurenho;


3- Uma campanha de arrecadação de recursos para o apoio à
resistência organizada pela Frente Nacional de Resistência Contra o Golpe de Estado.


MST, Conlutas, CTB, CUT, Intersindical, MTST, ANEL, PCB, PSOL, PSTU, Consulta Popular, Assembléia Popular, Circulo Palmarino, Esquerda Marxista, CDR


Estas são as primeiras entidades que assinam a convocatória. Chamamos a adesão de todas que se colocam contra ogolpe.

Contatos alba@movimientos.org ou com alguma das entidades acima.


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http://www.brasildefato.com.br

http://www.radioagencianp.com.br

http://www.expressaopopular.com.br

http://www.telesurtv.net/noticias/canal/senalenvivo.php
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terça-feira, 29 de setembro de 2009

A inutilidade do multilateralismo

Cúpula da América do Sul e África, OEA, Assembléia Geral da ONU, Conselho de segurança da ONU....

Todas estas organizações (e cúpula) já condenaram o Golpe em Honduras e recomendam, pedem, protestam, referendam a volta da normalidade democrática.

Em comum esta unidade e unanimidade, mas também a falta de validade de suas decisões, falta de prática, de ações concretas.

Quando os EUA decidiram invadir o Iraque, na Primeira Guerra do Golfo, a decisão da via armada estava tomada, restava a aprovação. A ONU a deu;

Quando os EUA resolveram destruir a Sérvia, o fizeram antes da ONU decidir - no fim a ONU foi obrigada a seguir os acontecimentos;

Quando os EUA resolveram invadir o Afeganistão, a ONU concordou;

E, finalmente, quando da segunda invasão do Iraque, a ONU se colocou contra, os EUA invadiram de qualquer maneira.

Em comum a intenção pregressa de invasão, fato consumado, a ONU apenas dava a provação - ou não - a aura de legitimidade.

No caso de Honduras, o problema é que nenhum país quer intervir, se meter diretamente. É um jogo de empurra que, pelo menos até agora, não resultou em nenhuma ação concreta. O Brasil, se está no centro dos acontecimentos, caiu de para quedas - por mais que fale bonito.

Esta simples análise demonstra que os organismos multilaterais são excelentes palcos para se falar, para fingir, enfim, para fingir que os Estados são preocupados e interessados. Ação, de verdade, só quando antes já existia tal vontade, quando há algum interesse factual por trás.

Não me surpreenderá - e não deve surpreender a nenhum leitor desavisado - se for divulgado daqui ha meses, se nada for feito para reinstalar o presidente legítimo, que os EUA tinham acordos para, quando a poeira baixar, apoiar o regime golpista e torná-lo aceitável aos olhos da comunidade internacional. Alguém realmente acredita que um país do tamanho de Honduras resistiria por tanto tempo à condenação unânime do mundo e dos organismos competentes (sic) sem o apóio velado dos EUA?

Obviamente podemos lembrar de duas possíveis exceções recentes, Timor e Haiti, onde não havia um interesse claro dos EUA em intervir. Nno primeiro caso havia um genocídio em curso e a intervenção era relativamente simples - em teoria -, não se lutava contra nenhuma potência ou país apoiado por uma potência (Sudão, por exemplo, com a China colada) e a causa interessava a muitos. No segundo caso, estamos falando de um Estado falido, com proto-governo que já não mais interessava às elites latinas. A intervenção parecia fácil. O fator "elites locais" pesa enormemente quando tentamos diferenciar estes casos dos demais.

Já no caso de Honduras, vemos que o golpe foi orquestrado pelas elites organizadas e aliadas das elites latinas, teve apoio dos EUA - senão do Obama, de boa parte de sua estrutura e acessores - e, acima de tudo, não há um Estado de Anarquia, o governo golpista controla a estrutura e a mantém minimamente funcionando e com capacidade de, saindo da crise imediata, tocar o país.

Questões como abuso de direitos humanos, puro e simplesmente, não interessam às potências. E há um exército - por menor que seja - capaz de responder à agressões de qualquer um que se aventure a ameaçar os golpistas. Claro que a resposta será tímida, mas ainda capaz de causar danos, baixas, algo intolerávle em tempos de guerra pós-heróica onde a morte de um soldado é tida como incomum e não como uma consequência lógica e normal de um conflito.

Enfim, torna-se claro o apóio de diversos setores da elite - em particular o apóio descarado da Mídia - ao Golpe e, por isto, sua longevidade. Os organismos multilaterais se limitam a condenar sem, porém, se esforçar para encontrar uma solução definitiva para a situação. Urge o uso de força, de uma intervenção militar rápida e certeira, seja via Capacetes Azuis, seja através do exército brasileiro - caso a Embaixada corra perigo imediato e real.

Por mais que a opção armada não seja a menina dos olhos da comunidade internacional, a mera falação não vem resultando em ganhos para a população de Honduras, que continua a ser massacrada, e nem para a democracia, que não existe.

Sem o uso da força, dificilmente a situação tomará um novo rumo.

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Os EUA jamais pestanejaram na hora de agir quando era de seu interesse, neste momento atual fraqueja, demonstra mais do que sua fraqueza interna e hesitância de agir sozinho - sinal de multipolaridade nascente, talvez - mas também seu racha interno e o apóio de sua estrutura ao Golpe.

A Venezuela, mesmo corretamente intervindo, teria que arcar com as críticas internacionais que não livrariam a cara do país mesmo em uma ação legítima.

Já o Brasil sofre com seus problemas internos, a pressão da mídia golpista e das elites que bradam pela legalidade do golpe, temem o Socialismo do Século XXI e tudo que isto representa e se recusam a referendar um apóio militar à Honduras, preferem a elite amiga instalada no local, assassinando a população civil. Além disso, claro, existe a idéia de que a via diplomática solucionará todos os problemas e a questão de parte do exército já está alocado no Haiti, fora nossos próprios problemas de infra-estrutura militar.
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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Os "especialistas" do atraso e a nova diplomacia - Caso Honduras


De uma hora para outra surgiram "denúncias" de que Chavez teria ajudado Zelaya a entrar em Honduras e, ainda, o MRE brasileiro ventilou a possibilidade de que Chavez estivesse por trás da escolha do Brasil para o refúgio do presidente de Honduras;

Logo os "especialistas" de plantão anunciaram que era um absurdo, que era um crime... Bem, não faço parte da escola tradicional das Relações Internacionais, nem tampouco corroboro com a ala conservadora do Itamaraty que arranca os cabelos pelo fato do Brasil ter não só tomado uma posição pró-ativa na América Latina - saindo do eterno discurso de liderança sem ação - mas também pelo país estar ajudando a um "comunista".

"Comunista", claro, na cabeça daqueles tradicionalistas que acreditam que qualquer coisa fora do padrão "família, tradição e propriedade" é um desvio, é Comunismo, coisa da turma do Olavo de Carvalho e cia, irrelevantes intelectualmente (sic) mas ainda com grande poder em alguns setores.

Pois bem, alguns outros "especialistas" denunciam que o Brasil está intervindo onde não devia. Vejamos, em primeiro lugar o Brasil não interviu, apenas respeitou os princípios básicos dos Direitos Humanos - na verdade, falemos em mera decência! - e deu abrigo à Zelaya, ou melhor, ao presidente democraticamente eleito de Honduras e deposto por um golpe repudiado por todo o mundo, por todas as organizações multilaterais competentes.

O mundo inteiro, as organizações multilaterais - até o FMI, e vejam só, até Israel - reconhecem Zelaya como presidente legítimo e Micheletti como golpista. O Brasil agiu (se foi sua vontade ou não, não é o caso) e agora surgem hordas de insatisfeitos, o pessoal da Veja morde o chapéu e os fascistas esperneiam avisando que o Brasil corre perigo, que a situação é tensa e que Zelaya, presidente, não pode fazer nada além de ficar sentado esperando as horas passarem.

Um dos grandes problemas dos estudiosos das Relações Internacionais é a eterna incapacidade de pensar fora de um paradigma pré-programado. Não se pensa fora da caixa (out of the box), não se questiona, não se olha para a frente. Quem não se lembra do episódio glorioso de Chavez, na ONU, sentindo cheiro de enxofre? Os puritanos quase morreram, os progressistas compreenderam que ali começava uma nova era, menos falsidade e "diplomacia" de aparência e um pouco mais de ação, atividade.

O que vemos hoje é a continuidade desta nova diplomacia.

Arthur Virgílio, um verdadeiro conhecedor de política externa e pessoa boníssima, honestíssima, chegou até a afirmar que o Brasil seria desqualificado como interlocutor porque não teve postura imparcial. Não é preciso ser gênio para saber que a digna figura já escolheu seu lado e arranca os cabelos pelo apóio dado agora ao presidente de Honduras.

O papel de "mediador" nada mais é o do país que fala, fala, não é ouvido e a situação piora, os Hondurenhos morrem, são censurados e Zelaya é esquecido em discussões eternas e infindáveis. Se é a este papel que o Brasil abriu mão, dizem os "especialistas", então, que seja, tomamos uma atitude real para recolocar o verdadeiro presidente no poder.


Voltando à Honduras, podemos afirmar que foram ventiladas as possibilidades de Chavez ter ajudado Zelaya a chegar a Honduras - o que ele confirmou, ajudou a despistar o exército para que Zelaya pudesse chegar vivo à Tegucigalpa - de que Chavez teria dado um avião è Zelaya para chegar na capital - falso - e a de que teria sido uma dica de Chavez a ida para a embaixada brasileira - conjectura sem comprovação.

Mesmo que todas as possibilidades fossem verdadeiras, não vejo o problema. Zelaya é o presidente eleito e deposto, o Brasil deu seu apóio à sua volta - ainda que sme tomar qualquer ação concreta - e Chavez, sabendo que dificilmente a Embaixada Venezuelana seria respeitada ou a força da volta de Zelaya em tal local seria menor, poderia realmente tê-lo aconselhado a ir para o lado brasileiro.

Nada além de um plano bem bolado - se comprovado.

Do ponto de vista diplomático, é compreensível a "grita" geral se entendermos que a diplomacia permanece um jogo de sombras, de mentiras e de farsas, mas do ponto de vista prático foi a melhor e única saída.

O Brasil não sai prejudicado, na verdade foi forçado - a contragosto talvez - a mostrar porque é ou quer ser o líder da América Latina. Não mais o papo de que é mas ações concretas. Resolvendo ou ajudando a resolver o conflito no país o Brasil sai fortalecido como nunca, sai com mais força para pleitear a vaga permanente no Conselho de Segurança - que conta já com o apoio entusiasmado de Sarkozy - e sai fortalecido no cenário internacional.

O Brasil, de qualquer forma, ganha. A reação dos "especialistas" e dos políticos de aluguel, como Azeredo e Tucanos afins, diverge da reação do resto do mundo, de quem não tem o rabo preso, e fez renascer um orgulho de poder se dizer Brasileiro e saber que seu país é ator proeminente e atuante no cenário internacional.

Falando de Chávez, especificamente, ele faz o que sempre fez. Fala, propagandeia, faz a política que conhece, só inocentes ou mal intencionados para ficarem chocados ou revoltados com sua maneira costumeira de falar, de fazer piadas e de agir. Cabe ao Brasil não entrar no jogo dos que acusam e saber separar um bom parceiro dos "especialistas".

Curioso, por fim, é notar a capa da Folha de São Paulo de hoj, com a manchete "Golpistas acusam Brasil de intromissão". Triste seria se os Golpistas agradecessem ao Brasil por qualquer coisa.
Em duro comunicado, o governo golpista hondurenho acusou ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de intromissão em assuntos internos de Honduras e afirmou que o Brasil é o responsável pela segurança do mandatário deposto, Manuel Zelaya, abrigado desde segunda-feira na embaixada do país em Tegucigalpa.
 Que fique claro que é ótimo ser "acusado" de defender a democracia e o governo legítimo e, acima disso, que os golpistas são responsáveis pelo banho de sangue que pode acontecer e por cada morto por seu regime tirânico. Não "cola" a desculpa de que é do Brasil a culpa por qualquer fato e loucura dos golpistas. O resto é blablabla de desesperados criminosos.
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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Honduras: O necessário envio de tropas


Exaustivas análises já foram feitas sobre a situação de Honduras, de todos os lados, desde os honestos e decentes que condenam irrestritamente o golpe até o nosso PIG que acusa Zelaya de tentar dar um golpe branco e se reeleger - ainda que, pelo menos agora, condenem o golpe militar que o derrubou, mas sempre colocando "poréns".

O objetivo não é, agora, analisar as causas, o que já fiz exaustivamente neste blog desde que o golpe teve início, há mais de dois meses, e sim tentar enxergar algum futuro ou desenvolvimento da situação.

Zelaya está na embaixada brasileira de Honduras, a água e a luz foram cortadas e o local está cercado. Inicialmente centenas de manifestates estavam nos arredores da embaixada demonstrando seu apóio ao presidente legítimo e foram atacados pela polícia com tiros e bombas de gás. O país está sob Estado de Sítio e a tensão é visível.

Zelaya, por enquanto está seguro na Embaixada do Brasil, mas até quando? Atiradores cercam o local, o exército está à postos, a energia elétrica de toda Honduras corre perigo de ser cortada e a única coisa que impede os golpistas de invadirem a embaixada é o Direito Internacional. Algo extremamente frágil, especialmente para um governo que só existe pelo desrespeito às leis.

Centenas de manifestantes estão sendo atacados em San Pedro Sula, inclusive crianças, o Movimento de Resistência ao Golpe informa que mais de 400 foram presos e de que há luta armada no país contra o golpe. PElo menos dois já foram mortos no entorno da embaixada.

Muitos pedem uma intervenção armada brasileira, um envio de tropas, mas é uma idéia vaga, as nossas forças armadas chegam a dar pena da precariedade em que se encontram e a Marinha levaria eras para chegar até Honduras. A situação pede uma ação rápida e só Chavez e Obama podem intervir com força e efetividade neste momento.

O problema é que Obama dificilmente intervirá, apesar de decisão da OEA a favor de Zelaya e de sua volta, Hillary ainda continua com a ladainha de que Zelaya deve aceitar o acordo proposto por Oscar Árias, algo inaceitável dada a situação atual. Os EUA já estão enterrados no Afeganistão e acabaram de se livrar do problema Iraquiano. Se sequer se sujeitaram a se sujar no Haiti - sobrou para o Brasil - imagina se irão sujar as mãos e intervir em mais um país na atual situação. Não há a desculpa do Terrorismo para tal intervenção nem o Eixo do Mal sofrerá nada caso Honduras continue como está.


Do outro lado Chavez tem a capacidade de intervir, mas sua ação não seria legítima aos olhos da comunidade internacional - por mais que isto se baseie na análise PIGiana.

Sobra o Brasil como único possível agente capaz de acalmar a situação, mas até onde vai a real vontade do país em intervir? A abertura da embaixada é um indicador animador, mas daí a usar tropas, vai uma distância enorme. O Brasil já está concentrado na intervenção no Haiti, fora o sucateamento das tropas restantes, a distância até Honduras para uma intervenção rápida e, por fim, a vontade política e o custo interno que traria uma intervenção tão fortemente condenada pelo PIG e pelas elites nacionais.

Resta, enfim, a OEA. Esta deveria convocar tropas em caráter de urgência mas quanto tempo levaria até que algo efetivo fosse discutido e votado? Quem estaria disposto a ceder tropas e em caráter urgente?

A situação é desesperadora, nas ruas o povo é atacado, violentado; a embaixada está cercada e Zelaya isolado, fora o perigo de claro desrespeito às leis internacionais iminente.

Resta a nós observar e torcer para que a situação se resolva mas, diferente das últimas tentativas de Zelaya de entrar no país, desta vez ele está em seu centro e não existe mais a possibilidade de acordos em que Zelaya não retome seu lugar de direito, a presidência, nos braços do povo Hondurenho.

É isto ou sua morte.

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Dentro do Brasil, o PIG e o PSDB já deram o recado, o Brasil deveria ter deixado Zelaya ser preso ou morto pela ditadura. Não cabe ao Brasil o papel de líder ou de defensor da Democracia na América Latina. Micheletti afirma que responsabilizará Zelaya e o Brasil por qualquer derramamento de sangue - que já teve início com o assassinato pelos Golpistas de dois manifestantes no entorno da Embaixada Brasileira - e o PIG brasileiro adota o mesmo discurso, de não intervenção e de não influência ou interferência brasileira na situação.

O PIG não tolera que seus aliados golpistas de Honduras tenham prejuízo e sejam questionados, cabe ao Governo Brasileiro sentar e olhar enquanto o povo Hondurenho é violentado. Já o PSDB, bem, são tucanos realizando seu trabalho de sempre: Entreguismo, covardia e despeito.

Hoje, ao assistir ao Bom Dia (sic) Brasil, era difícil não gorfar. Míriam Leitão desfilava todo o seu conhecimento (sic) de Política Externa e Relações Internacionais ao afirmar que o Brasil errou em ajudar Zelaya e ao afirmar ainda que a culpa de tudo é de Chavez, que quer só arrumar confusão.

Uma análise primorosa, típica do PIG e que grita pela morte de Zelaya (condena o golpe mas, por debaixo dos panos dá gritos de alegria pela oportunidade de novos negócios) e pela inação Brasileira.
Lula, que asiste en Nueva York a la reunión de Naciones Unidas sobre el cambio climático, ha afirmado que Brasil está garantizando el derecho del presidente Zelaya de buscar refugio en su embajada y ha hecho un llamamiento al gobierno presidido por Roberto Micheletti para que abra la vía de la negociación y buscar una salida a la crisis. Hacemos "lo que cualquier país democrático haría", ha dicho Lula a los periodistas.
Para desespero do PIG, Lula, da ONU, pede que os golpistas não toquem na embaixada brasileira e que é decisão soberana de qualquer país democrático oferecer refúgio.

A invasão da embaixada significaria uma declaração de guerra, o que o Brasil faria?

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Todas as fontes sem links vêm da TeleSur, Radio Globo, Rádio Progreso e do Twitter.
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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O Jogo Democrático [Parte 2]

Desde o fim dos anos 90, mas especialmente no início do novo milênio a América Latina vem passando por uma onda de revoltas populares e profundas modificações, com a chegada de líderes realmente comprometidos em destruir ou ao menos em questionar o eterno jogo de revezamento das elites.

Chávez, Correa e Morales são os melhores exemplos desta mudança, saídos dos movimentos sociais ou de setores contestadores do exército e cansados da constante repressão e criminalização dos movimentos sociais e dos espelhinhos e miçangas dados ao povo para mantê-los na linha.

Lula é uma notável exceção, foi eleito junto a este bloco mas preferiu manter-se coerente ao jogo democrático de sempre, sem tentar quebrar com a institucionalidade e com a "herança maldita" anterior, na verdade, passou a agregar e elogiar os mesmos que antes atacava e acusava. Talvez fosse preciso para assegurar alguma governabilidade mas, sendo isto falso ou verdadeiro, o fato é que o governo Lula avançou muito pouco ou quase nada se compararmos com os demais presidentes da "Onda Vermelha".


Enfim, esta onda na América Latina não nasceu ou surgiu do nada, foram anos e anos de mobilização social, de repressão e lutas - no caso Boliviano vale conhecer a "Guerra da Água" que precedem os grandes protestos que levaram Morales ao poder - que culminaram com a vitória de partidos e organizações populares e, note-se, todo o processo de deu dentro do jogo democrático já antigo, ou seja, dentro do jogo das elites.

Estas vitórias esmagadoras dos movimentos populares dentro de um jogo feito para que apenas as elites se revezassem no poder causou em primeiro momento descrença e depois revolta no seio das elites.

O golpe organizado contra Chávez, em 2002, a tentativa de separação da chamada "meia lua" na Bolívia e a atual deposição de Manuel Zelaya em Honduras são a resposta das oligarquias à sua derrota.

Se em um primeiro momento estas elites resolveram continuar participando do jogo democrático, mas foram fragorosamente derrotadas pelo povo, num segundo momento notaram que apenas denunciando seus próprio jogo é que poderiam ser bem sucedidas. Quem sabe tudo não passava de um "soluço" que um golpe ou uma ditadura não pudesse resolver e trazer estes países à "normalidade" de sempre?

No caso de Chávez as elites foram derrotadas em seu golpe em em todas as suas reações, no caso Boliviano a direita foi recolocada em seu lugar e hoje o fantasma da separação da "meia lua" está mais ou menos controlado e, no fim, falta ainda resolver a situação de Honduras.

Na verdade, o caso de Honduras merece atenção particular. O ódio e o medo das elites de perderem em toda a América Latina falou mais alto e encontraram em Honduras um campo fértil para pôr em prática sue contra-golpe. Zelaya era homem da direita, da elite, mas foi seduzido pela ALBA e pelo Chavismo e passou a ser um incômodo à direita. Pela sua origem os oligarcas devem ter acreditado que não haveria grande atenção e resposta à sua deposição, mas estavam errados.

A unidade da Esquerda latinoamericana está consolidada. ainda esperamos pelo desfecho da situação em Honduras, que encontra-se isolada e sofrendo pesadas sanções por parte de diversos paises, sob um governo títere e golpista.

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"Ela (mídia) costuma dizer q “o povo brasileiro não tem memória”. Mas é essa mídia a q produz o esquecimento" (Emir Sader)
Pois bem, chegando ao objetivo principal do presente artigo, podemos analisar a resposta das elites às suas perdas, à sua perda de hegemonia.

A imprensa brasileira como um todo comemorou a deposição de Zelaya. Vedetes neofascistas como Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi não esconderam sua alegria - e a alegria da direita - em ver um representante contra-hegemônico governar um país. Escolheram um momento para manipular a opinião pública, fabricar fatos e, então, retirá-lo do poder. Mas calcularam mal a resposta internacional (e até mesmo a interna)e ficaram isolados.

Com Chávez podemos analisar também de forma perfeita a resposta das elites pelo mundo. O fato de ter proposto uma nova constituição, de ter aprovado referendos para se reeleger não entram na cabeça das elites.

Não importa que todo e cada movimento de Chávez tenha passado pelo crivo popular. Para a direita o povo só importa quando para manter a si no poder.

Durante as campanhas Chavistas pela reeleição e por nova constituição era lugar comum a mídia apresentar a oposição como pobre-coitada que queria manter a legalidade no país. Marchas da oposição eram mostradas a torto e a direita, quase com fervor patriótico enquanto a situação, os Chavistas, eram os crápulas.

Era ainda comum que marchas Chavistas fossem escondidas, protestos pró-Chavez fossem simplesmente deixados de lado e manifestações da oposição infladas, louvadas.

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Um conceito interessante é a de que não importa - fiquemos no Brasil - se quem está no poder é o PSDB, o Demo ou qualquer outro partido da oligarquia. Isto que a direita costuma chamar de alternância de poder, na verdade, nada mais é que uma forma de manter o poder nas mãos de um mesmo grupo, que finge se degladiar mas, no fim, ajuda aos seus. Muda o nome do presidente, mas a base, a estrutura e as ações permanecem as mesmas.

Mas a isto chamam de Democracia. Alternância de nomes, não de projetos ou ideologia.

Porém, não é democracia o fato de alguém consultar o povo sobre cada um de seus movimentos, tampouco realizar aquilo que anseia o povo.

A isto, chamam de Populismo.

Não que Chavez, por exemplo, não cometa seus erros, os comete sim pois é humano, mas as elites não toleram seus acertos.

É curioso observar o papel lamentável da mídia no caso da reeleição de Uribe. Para todos ele é um herói que tem amplo apoio popular - de fato, tem realmente apoio mas em momento algum consultou o povo sobre suas reeleições, tudo foi decidido à portas fechadas -, já Chavez, por ter consultado o povo, é chamado sem parcimônia pela mídia de Ditador.

No fim, a diferença entre um Ditador e um Herói não é nem o respeito pelo jogo democrático, mas se participa deste jogo e o modifica em comum acordo com as elites, com as oligarquias.

Se a elite vence, modifica o jogo como bem entende e não vê qualquer problema. Se é a Esquerda, porém, quem vence, o jogo torna-se obsoleto e medidas extremas são tentadas, como golpes, derrubadas e acusações falsas contra quem está no poder.
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terça-feira, 25 de agosto de 2009

O Jogo Democrático [Parte 1]

Não sei se muitos já notaram, mas o termo democracia parece só existir ou ter validade - ao menos para as elites e para a mídia em geral - quando isto significa que as elites estejam no poder.

Pode parecer básico para uns, mas para muitos, graças à manipulação midiática, talvez esta idéia não passe pela cabeça.

O que quero dizer é que é fácil verificar, como no caso de Chavez, Uribe e Zelaya, àquele que é popular, que governa para o povo, é o "populista" na concepção negativa do termo, já o da direita - no caso, Uribe - é o herói. Os jornais dão mínima publicidade à sua reeleição - isto quando sequer tocam no assunto - e normalmente sem qualquer polêmica, contrariedade ou acusação de falta de democracia.

Quando, por outro lado, a reeleição é proposta por Chávez ou Zelaya - que sequer iria se reeleger, mesmo aprovando a proposta - então estamos falando de verdadeiros ditadores anti-democráticos (a frase é incoerente de propósito).

As elites não toleram serem vencidas em seu próprio jogo, o dito "democrático".

A questão é exatamente esta, o jogo democrático foi inventado e é mantido pelas elites que, pressionadas, foram obrigadas ao longo do tempo a incluir todas as camadas da sociedade neste jogo.

Se, no caso do Brasil, aos poucos os pobres puderam votar, as mulheres, os presos, analfabetos e etc, fica claro que a elite foi parcimoniosamente "convencida" a abrir mais espaço em seu jogo para novos participantes, mas, o ponto principal, é a de que este convencimento sempre veio acompanhado de garantias: A de que a elite não seria destronada.

Os mecanismos para evitar que o "povo" chegasse ao poder foram e são vários. E começam a falhar.

Após a segunda guerra a abertura democrática foi mais que uma necessidade para as repúblicas pelo mundo. A pressão feroz e constante dos movimentos operários insatisfeitos, dos movimentos anarquistas, dos feministas e etc no pré e pós guerra tornaram a mudança inescapável.

No pré-guerra, vejam o caso espanhol, os atentados anarquistas e avanços socialistas e comunistas eram uma constante. No resto do mundo, no pós-guerra, a única maneira de esvaziar o movimento operário e os grupos que pregavam a revolução aos moldes Soviéticos era, enfim, abrir mais espaço para os insatisfeitos participarem no processo decisório.

Em alguns lugares as medidas adotadas foram a implementação do Estado de Bem Estar Social.

Mas esta participação sempre foi controlada na base da cooptação, intimidação e até através de ilegalizações e franca brutalidade e violência estatal. No geral, as camadas de baixo se tornaram mais dóceis, acabaram por receber alguns benefícios e os movimentos políticos se enfraqueceram.

De tempos em tempos, quando a situação se tornava por demais opressiva e algum movimento de base se fortalecia, um ou outro golpe de Estado tomava lugar ou um governo de direita assumia para tentar controlar os ânimos e trazer de volta o jogo às suas regras normais.

O que se vê hoje não difere muito do quadro de outros tempos. Qualquer movimento que se oponha às elites estabelecidas é atacado. Seja num primeiro momento através da infiltração de pelegos, através da franca cooptação de seus quadros até a aberta e franca violência e repressão.

Mas o que vemos hoje, em especial na América Latina, é um crescimento avassalador dos movimentos sociais que estão conseguindo vencer as elites em seu jogo de partilha do poder.

Quando vemos pelo mundo disputas entre Conservadores e Liberais, entre tradicionalistas e progressistas, estamos nada mais nada menos que observando uma briga entre aliados das elites que tentam passar adiante a imagem de que não são tão parecidos, de que tem propostas diferentes. Basta olhar para os últimos anos dos Trabalhistas e Conservadores na Grã Bretanha e Socialistas (sic) ou Social-Democratas e Conservadores na Alemanha para vermos que, de fato, as diferenças são cosméticas e o que temos é uma (pseudo)alternância de poder entre forças basicamente iguais.

Do Brasil do café com leite as semelhanças são marcantes. As mesmas elites se revezando sem, porém, nutrirem grandes diferenças. É o poder pelo poder, sem novas idéias e pelo bem das elites.

Ao longo do processo observamos apenas "soluços", quando há alguma quebra da institucionalidade e reais mudanças sociais ou processos de readaptação e reorganização do jogo, no caso das ditaduras militares.

O objetivo deste texto, enfim, é demonstrar que ao longo de toda a história "democrática" do ocidente observamos a um jogo de cartas marcadas onde os grupos que se revezam no poder, apesar de na teoria defenderem idéias antagônicas, são basicamente iguais. São elites políticas que se revezam sem levar em consideração o grosso do povo, as massas, a não ser quando precisam delas.

As massas nada mais são que massa de manobra, usadas por uma ou outra força em momentos estratégicos e que ao longo dos anos conseguem evoluir um pouco aqui ou ali mas que, no fim, não saem da sua situação de explorados eternos.

A criminalização dos movimentos sociais segue a mesma lógica. Para as elites é intolerável que um movimento de massas, organizado, ponha me perigo suas "conquistas", suas terras, posses, bens e privilégios.
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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Inocente manipulação midiática: Chavez versus Uribe

1. Introdução
Quem lê o blog ha algum tempo notou que o post anterior sobre manipulação midiática foi "resubido". O objetivo foi fazer uma espécie de abertura para demonstrar outra manipulação clara e descarada do PIG, agora na questão da reeleição de Alvaro Uribe, narco-Presidente colombiano e terrorista nas horas vagas.

Por acaso algum desavisado encontrou a palavra "ditador" ou "ditadura"em qualquer notícia sobre a aprovação da lei - pelo Senado, falta ainda a Câmara dos Deputados - que garante ao Uribe o direito de se reeleger pela segunda vez?

Uribe foi eleito em 2002, reeleito em 2006 e agora finge "não saber" se irá tentar novamente a reeleição. A mídia é tão inocente! Os deputados e senadores governistas só falam disso há meses, estão unidos para permitir a reeleição mas o comandante em chefe não sabe de nada? Contem outra, por favor, que esta não cola! Aliás, retomarei este comentário mais para a frente.

A primeira reeleição de Uribe, aliás, já foi fruto de uma mudança na constituição! Mas ninguém ousou chamá-lo de ditador.

Aliás, porque chamariam?

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2. Questões

Ficam, então, algumas questões:

Uribe pode ser tudo - e é - mas ditador? Se ele tem maioria no congresso (vamos tentar acreditar que as eleições na Colômbia são limpas) e este mesmo congresso resolveu mudar a constituição, prerrogativa sua, então onde está o problema?

--A pergunta acima foi carregada de ironia, que fique claro --

E se este mesmo congresso resolve convocar um referendo popular para permitir que o povo decida se quer ou não permitir outra reeleição, o que há de errado nisso?

não tem o povo o direito de decidir por si? O congresso não decidiu nada, apenas passou ao povo o direito de escolher, isto não é o mais moderno em democracia representativa?

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3. Uribe versus Chavez

Se você respondeu sim para todas as questões então eu então pergunto:

Porque, para a mídia, Uribe é o herói montado no cavalo branco que vai solucionar todos os problemas da Colômbia e esmagar os terroristas (sic) das FARC e ELN e, obiviamente tem o direito divino de se reeleger indefinidamente e Chavez é o capeta, o "radical" e, enfim, o ditador terrível e assustador que cometeu o crime de se reeleger mais de uma vez?

E, vejam bem, Chavez foi reeleito após aprovar referendo popular para tal! Em suma, o mecanismo usado por Uribe é semelhante (estou falando de mudanças na constituição) ao usado por Chavez, mas a midia trata um como herói e o outro como um ditador!
Uma breve pesquisa no Google evidencia a discrepância na cobertura da imprensa brasileira. Ao utilizar as palavras chave "reeleição Chávez" no buscador, são encontrados aproximadamente 1370 resultados só no ano de 2009; no mesmo período, e com as palavras chave "reeleição Uribe", são exibidos cerca de 598 - menos da metade.
Um adendo, sobre Uribe conseguir "derrotar" as FARC e etc, claro que ninguém pergunta como, se por meios lícitos e diálogo ou se valendo de repressão, brutalidade e dos narcotraficantes da extrema-direta, como os das AUC. Na prática, vale a segunda opção. Mas isto o PIG não comenta!

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4. O caso de Honduras

Outro paralelo a ser traçado, em termos de posicionamento midiático, mas este ainda mais radical, é com Honduras. Zelaya foi deposto por sua tentativa de consultar o povo sobre a possibilidade de uma reeleição.

Na verdade, em Honduras a questão foi ainda mais estranha, Zelaya ia realizar uma consulta para saber se o povo aceitaria que ele fizesse um referendo para, então poder permitir a reeleição. E, mesmo que aprovada, Zelaya sequer poderia ser este candidato!
O caso concreto do Zelaya é que a notícia de que ele colocaria no plebiscito a possibilidade do terceiro mandato, coisa que não existia, foi dada pela France Press, não sei se unicamente por ela, mas foi reproduzida acriticamente aqui no Brasil por alguns veículos de comunicação. É um padrão nacional, mas que também tem vínculos com a grande mídia internacional.
A mídia nem esperou para chamar Zelaya de Ditador, apoiaram logo sua retirada forçada do poder, um golpe de Estado clássico.

Mas o foco deste artigo não é Honduras, que já analisei exaustivamente em vários posts que podem ser encontrados sob a tag "Honduras" e, para um pouco mais, vale a leitura do mais novo artigo do Idelber Avelar para a Revista Fórum.

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5. Chávez em questão e Breve histórico

Para se observar melhor ainda o paralelo vejam que Chavez foi eleito em 1998 pela primeira vez, com amplo apoio político e em 1999 aprovou, por referendo popular, uma Assembléia constituinte. Ou seja, quem decidiu pela Assembléia foi o povo, através do voto e com maioria esmagadora de 70%.

Com maioria, graças ao voto popular, redige a constituição e a coloca em nova votação popular. Mais uma vez, mais de 70% de aprovação.

Em 2000, através do voto, se reelege.

Em 200 a oposição tenta retirar Chavez do poder com um referendo revogatório. Chavez vence com amplo apoio popular.

Em 2006 Chavez se reelege novamente, com maciço apoio popular.

Finalmente, no fim de 2008, o congresso aprova a reeleição indefinida de todos os cargos eleitos- e não só o do Presidente.

O que se vê, enfim, é que em todos os momentos Chavez teve amplo apoio popular e apoio do congresso, e que a oposição, em 2002, resolveu passar por cima da vontade popular e deu um golpe de Estado - de vida curta - e retirou Chavez do poder.

Vejamos se é possível compreender, Chavez sempre foi eleito, sempre teve maioria no congresso mas, enfim, é ditador. Além disso ainda sofreu um golpe e voltou nos braços do povo. Mas é um ditador.

Não percam a conta, Chavez foi eleito em 1998 e reeleito em 2000 (2 anos depois, a constituição mudou, o mandato foi "zerado") e em 2006. Ou seja, se reelegeu duas vezes e apenas aspira ao terceiro mandato. Assim como Uribe!

E todo o processo contou com uma maioria parlamentar e referendo(s)! Chavez e Uribe, enfim, agiram de forma semelhante, mas a mídia escolheu seu lado. A mídia, aliás, esqueceu de avisar que simplesmente escolheu o que lhe pareceu mais simpático, porque na prática não há qualquer diferença entre Chavez e Uribe no que tange os processos de eleição e reeleição, com a única diferença marcante sendo o fato de Chavez ter sido vítima de um golpe.

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6. Uribe em questão e Breve histórico

Ah sim, não nos esqueçamos de Alvaro Uribe, que foi eleito a primeira vez e 2002 e, em 2005 conseguiu que o congresso e a Corte Constitucional aprovassem sua reeleição, que se deu em 2006.

Vejam que, diferentemente de Chavez, Uribe não realizou qualquer consulta ou referendo, mas em momento algum foi chamado de Ditador. Contou apenas com a aprovação do legislativo e judiciário mas em momento algum se preocupou em consultar o povo.

Aliás, sobre este processo pairam até hoje denúncias de corrupção e suborno de parlamentares para aprovarem a mudança constitucional. E, cabe ainda notar, Uribe inicialmente se dizia contrário à reeleição. Chavez, por outro lado, sempre deixou claras suas intenções e, além disso, teve a decência de consultar o povo.

Neste meio tempo Uribe ainda passou por vários escândalos, como o de alianças com paramilitares, com narcotraficantes, corrupção, invasão do território Equatoriano e etc.

Como se vê, um verdadeiro democrata!

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7. ConclusãoO que se vê, enfim, é o posicionamento claramente ideológico e ideologizado da Mídia que, das duas uma, ou raramente dá publicidade ao fato - e quando o faz é sem qualquer crítica -, ou então se declara francamente favorável, feliz e satisfeita com a reeleição de Uribe.

Em ambos os casos é visível a falta de memória (memória seletiva?) e o mal-caratismo em louvar o acontecimento que contém mais do que esporádicos paralelos com os processos eleitorais e legislativos que levaram Chávez à se reeleger nos anos anteriores.

A diferença marcante, no entanto, é que Chavez submeteu todas as modificações constitucionais ao crivo popular, em referendos democráticos, enquanto Uribe tomou todas as decisões sem deixar seu palácio, nos escritórios parlamentares.

Chavéz é ditador, Uribe, mesmo copiando (e mal), não.

E porque a mídia se posiciona desta maneira?

Simples, porque Chavez é apenas um "caudillo", um esquerdista, até um comunista!

E, do outro lado, porque Uribe está alinhado com o sonho neoliberal, defende com unhas e dentes o livre mercado, interfere apenas nos negócios das FARC e ELN (corja comunista e narcotraficante) sem, porém, interferir nos negócios dos narcotraficantes da direita - seus aliados - e, acima de tudo, está alinhado com os EUA, sendo o seu braço mais visível na América do Sul, talvez o único ainda remanescente.
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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Perigosos paralelos: Irã e Honduras ou quando palavras importam

Em diplomacia e política externa, uma vírgula pode fazer toda a diferença.

Numa notícia veiculada ontem pelos jornais os EUA reconheciam formalmente Ahmadinejad como presidente do Irã. 5 palavras carregadas de significado.
"'Ele é o líder eleito', respondeu o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, a um repórter que lhe perguntou se a Casa Branca reconhecia Ahmadinejad como o presidente legítimo do país."
Legitimidade não é exatamente a questão Ahmadinejad ou qualquer outro presidente não seriam reconhecidos como "legítimos" pelos EUA semque houvesse um desmantelamento do regime islâmico. A questão é mais profunda, os EUA reconheceram, enfim, que Ahmadinejad foi eleito, passando por cima da fraude, dos protestos e aceitando-o como possível interlocutor caso haja alguma vontade de diálogo futuro.

Se por um lado os EUA buscaram não se intrometer - ao menos no discurso - nos assuntos iranianos, inaugurando uma suposta nova era com Obama, por outro, com estas simples palavras, denunciaram que a não-intervenção dos EUA se tornou o apóio tácito à fraudes e golpes.

O apóio, ainda que tácito e sem entusiasmo dos EUA à Ahmadinejad, é emblemático. Por mais que não influencie, na prática, os protestos da oposição legítima, por outro, acaba tendo um efeito psicológico negativo. Os EUA jogaram a toalha, se antes se distanciavam, agora reconheceram como fato consumado que Ahmadinejad venceu, sem levar em consideração a forma.
Sob críticas da oposição, que pedia uma ação mais firme em favor dos manifestantes, Obama falou em favor do diálogo e do direito de manifestação no Irã, com cautela para não ser acusado de interferência pelo governo do Irã, como o líder supremo fez no sermão em que ordenou aos iranianos que aceitassem o resultado da eleição.
Em lugar da não-intervenção radical os EUA ultrapassaram a neutralidade e foram direto para a aceitação do "inevitável". Dois extremos indesejados e indesejáveis.

O paralelo que podemos traçar com Honduras é claro.

Tanto quanto no caso Iraniano quanto no caso Hondurenho - salvas as suspeitas dos EUA estarem envolvidos em ambos os casos - os EUA, ou ao menos Obama, adotaram uma posição mais próxima da neutralidade e da conciliação - por mais pernicioso que este posicionamento possa ser, especialmente no caso Hondurenho - mas sem reconhecer, felicitar ou fazer afirmações falsamente inocentes as carregadas de significado os governos golpistas de Micheletti ou Ahmadinejad.

O que vemos é uma mudança substancial, ainda que em tom quase neutro ou insuspeito.

Se hoje vimos o reconhecimento de Ahmadinejad como presidente legal e por direito do Irã, nada impede que amanhã o porta-voz da Casa Branca anuncie que "se esgotaram todas as vias de negociação em Honduras" ou ainda que "não existe clima para a volta de Zelaya".

Qualquer variação destas duas terríveis frases/possibilidades "inocentes" seria o mesmo que reconhecer: Micheletti venceu e perdeu o povo Hondurenho.

Especificamente em Honduras, os EUA não vem tendo um papel relevante - assim como o Brasil de Lula, suposto líder da América Latina -, mas é inegável a sua força e relevância, mesmo que sem muito interesse. Uma palavra dos EUA, uma frase mal colocada ou mal interpretada pode fazer a balança de poder se desequilibrar.

Todas as atenções estão voltadas aos EUA.
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segunda-feira, 27 de julho de 2009

Quando o silêncio da mídia equivale ao golpismo

Já ha algum tempo venho tomando nojo pela revista Istoé. Há quase um ano sou assinante da revista - a promoção era imperdível e, na época, ela parecia a menos pior das semanais como Época e Veja - e só não a cancelo porque já está paga e não tem como deixar de receber o que já paguei. Mas dá muita vontade.

A coisa começou há algum tempo mas desde o golpe em Honduras e dos protestos no Irã que a coisa vem se tornando insustentávl, chegando ao auge na edição desta semana, a edição 2072.

Comecei a me enfezar realmente com a edição 2055, de abril, com a ladra da dona da Daslu na capa e o seguinte texto: "Exagero ou justiça?". Simplesmente um absurdo. A criminosa deveria pegar prisão perpétua, isso sequer está em discussão. Sim, roubar, fraudar, corromper é crime e tão punível quanto o assassinato pois, se muitos chegam à situação de desespero de matar é porque foram obrigados por sua condição social, condição esta que em muito se deve à corrupção, à desvios de dinheiro feitos por gente como a larápia da Eliana Tranchesi.

Mas, relevei, deixei passar e meses depois meu ódio foi novamente trazido à tona com as constantes capas que me faziam crer que a revista se tratava de algum periódico de auto-ajuda e não uma revista semanal séria. Matérias sobre peso, inveja, sexo e outras babaquices tomavam conta da revista. Eu já estava esperando as fofocas de atrizes globais para completar!

O estopim, então, veio durante os protestos no Irã e o golpe em Honduras. Nenhuma capa.

Matérias xoxas, fracas, superficiais sobre o ocorrido, que denotavam o desinteresse da revista em noticiar e informar. Com o Irã pegando fogo, capas sobre a queda do avião da Air France - esta até desculpável - mas também capas sobre "Inveja", "Crises da Idade" e "Peso", ou seja, auto-ajuda da mais rasteira e inútil.

Quanto à Honduras, matérias ainda mais fracas e tendenciosas, mal escritas, superficiais e isto quando a revista sequer se dignava a "perder" uma ou duas linhas sobre a questão!

Na revista desta semana, pasmem, em meio à tentativa de Zelaya de voltar ao poder, na fronteira com a Nicarágua, repressão, assassinatos e torturas contra ativistas em Honduas e nem uma, nem uma mísera linha, matéria ou nota de rodapé sobre o país. A Istoé resolveu simplesmente ignorar completamente a existência do país e do conflito, ao invés disso dedicou sua capa à algo tão importante quando "Os perigos da ansiedade" e páginas e mais páginas de dicas sobre casamento e saúde.

Só poder ser brincadeira! Será que não existe meio de processar a revista/editora por ter pego meu dinheiro da assinatura para escrever tanta inutilidade? Ou estou lendo a Tititi por engano?

Desde a malfadada capa com a criminosa Tranchesi podemos contar 7 capas com teor de Auto-Ajuda, uma sobre o relevante tema "Ovnis" (sim, isto foi irônico)! É intolerável!

Uma capa em particular, sobre "A sociedade secreta dos novos nazistas brasileiros" chama à atenção. A matéria foi uma das mais mal escritas e ridículas que eu já tive o desprazer de ler. A revista tentava fazer soar crível e assustadores os planos de um grupelho neonazista tupiniquim com sonhos de grandeza que fariam até um recém-nascido se mijar de rir. Este é o nível das "reportagens" da revista?

O interior é mais lamentável ainda, matérias rasas sobre assuntos que realmente interessam e longas discussões sobre futilidades em geral, o velho blablablá do PIG sobre Sarney, Lula e etc e quase nada sobre o mundo, sobre o que realmente importa e acontece.

O PIG é oito ou oitenta, ou é como a Veja e diz com todas as letras apoiar o golpe em Honduras e tudo mais que pode ser repudiado no mundo e no país, ou adota a posição da Istoé, se omite.

O PIG, enfim, ou chuta o balde categoricamente ou, como faz a Istoé, concorda por omissão, por desinteresse, por sequer considerar relevante.

Este país não é sério, o jornalismo é tão pueril e pobre que chegamos ao ponto do conservador Finantial Times chamar o Estadão de... Conservador!

Diz o Rodrigo Vianna:
"O mais divertido é ver o conservador Financial Times chamar o “Estadão” de conservador. Para os britânicos, Aqui no Brasil, ninguém (fora a TFP) assume que é conservador."
A mídia brasileira é tão tosca, tão descaradamente pelega e retrógrada que recebe "elogios" até de fora, seu conservadorismo burro é notado até pelos que lêem de fora do país. É lamentável!

Veja com seus Reinaldo Azevedos e figuras carnavalescas como Diogo Mainardi e a defesa da extrema-direta, Istoé com sua omissão estúpida, Estadão com seu conservadorismo mal-disfarçado, Folha com suas capas forjadas... Esta é a imprensa brasileira, este é o nosso PIG!

O PHA é que está correto:
"Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista."
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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Honduras: Porque Zelaya está sozinho? Breve análise.

Antes de mais nada é bom notar a mudança perceptível na posição da mídia quanto ao golpe em Honduras. Inicialmente este nome, "Golpe", era impensável, impronunciável mas, depois de algum tempo tornou-se padrão. O governo golpista é chamado de "de fato" ou de "golpista" agora de forma mais aberta e direta.

Ainda falando sobre o PIG, é de se notar que ele ainda comete "deslizes, basta notar a manchete do G1, ontem, afirmando que apoiadores de Mciheletti "marcham por democracia e contra Zelaya e Chávez". Difícil compreender qual a noção de "democracia" das organizações Globo.

Dito isto, este não é um motivo para comemoração. Primeiro lugar, a mídia não costuma mudar de posição tão facilmente sem que haja algo por trás, dado o tamanho e alcance do golpismo e canalhice de nosso PIG, a mudança de comportamento é, no mínimo, suspeita. Segundo, e principal, apesar de mudança de comportamento da mídia, Zelaya esta, ainda, isolado.

Digo isolado porque, mesmo sem qualquer reconhecimento internacional do governo golpista de Hnduras - mesmo com anúncios desmentidos de reconhecimento por parte de Israel, Taiwan e mais recentemente da Colômbia -, mesmo com o repúdio da OEA (quem diria!), da ONU e de praticamente todo país que de dispôs a falar alguma coisa sobre a situação, nada de concreto foi tentado.

Nada além de discussões sem qualquer futuro na Costa Rica e um ensaio de embargo por parte da União Européia. Tudo isto soa bonito, repúdio, embargo... Mas nenhuma ação real apra recolocar Zelaya no poder. E está e a grande questão.

Possibilidades são muitas, ação, por outro lado.... Vale lembrar que Honduras é um país minúsculo e quase irrelevante para o mundo pela sua economia incipiente e histórico de golpes - mais um não seria grande surpresa.

Não é crível que qualquer país, por mais aliado que seja, tenha o interesse de invadir um país, sabendo que terá baixas significantes, especialmente quando o presidente, por mais legal e constitucional que seja, não tem qualquer apoio na estrutura estatal. Nem judiciário, nem parlamento, nem exército e, claro, muito menos a oligarquia, apóiam Zelaya, que ainda encontra resistência em importantes setores da sociedade.

Por mais que seja o presidente constitucional e tnha apoio do grosso do povo, a situação não se mostra propícia à uma invasão que, também, teria de estender seu mandato para reconstruir o país e, sem dúvida, para reformular e manter as estruturas estatais destruídas.

Além disso não seria do próprio interesse de Zelaya ter seu país, já pobre, destruído e invadido. A melhor solução é a dialogada.

Porém, é notável a falta de apoio dos EUA, que se limitam à repudiar o golpe mas não surgem com qualquer proposta viável, sem surgir como moderadores ou sequer terem uma ação proativa na questão. Na verdade, parte da estrutura de Washington é acusada de ter apoiado o golpe.

Vale salientar, aliás, que, na ONU, o caso de Honduras foi votado apenas na Assembléia Geral, que não tem qualquer poder vinculante, no Conselho de Segurança estavam ocupados demais condenando o programa nuclear do Irã ou alguma coisa tão importante quanto (sim, ironia pesada).

Importa mais ao mundo fingir que o Irã é um perigo mundial porque supostamente produz armas nucleares (o Paquistão, a Índia, os EUA, a China são pacíficos, não tem perigo, qual o problema deles terem armas nucleares?), do que o fato de um país democrático ter sido vítima de um golpe, de violações dos direitos humanos, ter sua população atacada pelo exército, ter seus líderes mortos ou expulsos do país e sua oposição, lideranças de movimentos sociais e mídia silenciadas.
"A missão [...] identificou a existência de graves violações aos direitos humanos ocorridas no país após o golpe de Estado", disse Enrique Santiago, da Federação de Associações de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos da Espanha.

O Comissário dos Direitos Humanos de Honduras, Ramón Angel Custodio, que apoia com entusiasmo o governo Micheletti negou as informações sobre violação aos direitos humanos que teriam sido cometidas no país, assim como o próprio Micheletti.

A missão divulgou um informe de 14 páginas que menciona quatro assassinatos por motivações aparentemente políticas e um de natureza homofóbica. Estas mortes se somam à de Isis Murillo, o jovem que segundo o relatório foi morto por soldados no dia 5 de julho em manifestação perto do aeroporto de Toncontín.

Entre as vítimas, o relatório menciona Vicky Hernández Castillo (Sonny Emelson Hernández Castillo, "membro da comunidade GLS" (Gays, lésbicas e simpatizantes), "morto com um tiro no olho e com marcas de estrangulamento, durante o toque de recolher, em San Pedro Sula".

Maior interesse demonstram os EUA em suas guerras particulares "contra o terror" e no isolamento de Coréia do Norte e Irã, além do apóio constante dado à Israel. Honduras é por demais pequeno para preocupações imediatas. Aliá,s desde o começo do governo Obama que, muito se falou em mudança, mas até agora nada mudou, só o discurso.

Em Honduras, uso do instrumento do Toque de Recolher é constante no país, além das costumeiras práticas de intimidação e violência estatal. O povo, por sua vez, convocou uma greve geral que paralisa o país.
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Neste momento Zelaya está em marcha pela Nicarágua para chegar até a fronteira de Honduras e, então, chegar até Tegucigalpa. Caso os militatres Hondurenhos permitam, o que não prece ser o caso. Da parte do secretário geral da OEA, apenas um pedido de prudência e, dos presidentes da AL, boa sorte.

Zelaya é acompanhado por Nicolás Maduro, chanceler da Venezuela, a ex-chanceler de Honhduras, Patricia Rodas, além de ex-guerrilheiros Sandinistas comandados por Edén Pastora, comandante Sandinista que ajudou na derrubada de Anastacio Somoza.

O Exército Hondurenho fechou a fronteira e bloqueou estradas, além de ter impedido a circulação de veículos na região de fronteira entre Nicarágua e Honduras à espera de Zelaya. O que acontecerá quando este chegar à fronteira, ainda não se sabe. O governo golpista não dá mostras de que cederá e ameaça prender o presidente eleito e constitucional.

Lo lado de Zelaya, este pede calma e um diálogo aberto na região de fronteira para poder retornar pacificamente ao seu país e ao cargo para o qual foi eleito pelo povo, já Pastora afirmou que o problema hondurenho só seria resolvido pela "via das armas" e rejeitou a mediação costarriquenha.

Do lado golpista, Micheletti recusa-se a negociar, não aceitou qualquer condição nas negociações na Costa Rica e pediu à Zelaya que desista de retornar:
"Eu faço um chamado para que evite essa provocação e desista de sua pretensão de provocar violência"
A posição dos EUA é, no mínimo, dúbia. Por um lado Obama não cansa de declarar que o golpe foi ilegal e que Zelaya ainda é o legítimo chefe de Estado, mas, por outro lado, o governo americano afirma que a força, a insurreição - convocada por Zelaya - não é o caminho, ou seja, por um lado repudia, por outro se limita a pedir que o governo golpista seja isolado, coloca panos quentes e não traz qualquer solução viável além de isolar o povo de Honduras que continua refém de um governo violento e ilegal.

Neste bolo ainda é digna de nota a acusação de Zelaya de que a direita estadunidense estaria envolvida em sua deposição o que, sem dúvida, é crível e provável fato. É difícil conceber um golpe em pleno quintal dos EUA sem que este soubesse previamente ou tivesse algum papel, seja diretamente por parte do governo ou por setores "linha-dura".
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terça-feira, 14 de julho de 2009

Honduras: Cenários [Updates]

Difícil encontrar dois ou três analistas que concordem entre si com o que surgirá deste golpe de Estado em Honduras. Podemos meramente analisar os possíveis cenários sem, porém, ter uma resposta final dada a complexidade da situação.

Longe de querer me colocar como grande especialista mas, ainda assim, dou meus pitacos como quem acompanha atentamente a situação e é formado (quase) em Relações Internacionais.

Se é fato que uma significativa parcela da população – em especial a mais pobre e mais beneficiada pelo governo Zelaya – e os movimentos sociais apóiam Zelaya e estão diariamente protestando – e morrendo – pela restauração da democracia, por outro é visível o apoio ao golpe por parte dos setores sociais mais abastados da sociedade Hondurenha, além do judiciário, da franca maioria dos partidos, do congresso em sua maioria e do exército.

Enfim, é uma verdadeira sinuca, um golpe que, apesar de totalmente ilegal, conta com amplo apóio e respaldo de diversos setores-chave de Honduras e o repúdio de outro, a parte da institucionalidade e marginalizado pelo Estado.

Temos, por fim, o lado que defende a democracia, o respeito à constituição e leis de Honduras, o povo, os movimentos sociais e, ainda, todos os demais países do mundo, a ONU, a OEA, a ALBA e etc.

Do outro temos a oligarquia Hondurenha, parte da elite, a maioria do Parlamento e Partidos políticos, além do exército. Mas nenhum apóio internacional.

Nesta questão em particular, as organizações internacionais e demais países podem apenas fazer pressão e esperar que funcione. É isso ou uma intervenção militar e imagino que ninguém esteja disposto a tanto, ao menos não agora.

A volta do Zelaya, como querem os movimentos sociais, povo e todo o mundo encontra a dificuldade suprema de não contar com o apóio da institucionalidade Hondurenha. Como governaria o Zelaya sem o apoio de nenhum partido, do exército ou da justiça?

Indo além, com a volta do Zelaya ao poder, o que fazer com os setores que apoiaram sua derrubada? Não é crível que ficariam no poder, em seus cargos e etc sem qualquer tipo de retaliação, sem punição.

Mas como punir os golpistas se até o judiciário apóia o golpe? Quem julgaria? Como se julgaria?

Os golpistas deram a opção - ou ainda estão analisando a possibilidade - de Zelaya retornar ao país, mas sem qualquer poder, como se anistiado. Esta possibilidade foi frontalmente rechaçada por Zelaya que não aceita voltar como criminoso, mesmo que anistiado.

Para Zelaya só existe a opção de regressar no poder e completar seu mandato. Opção esta que não existe para os golpistas.

Tentando resolver o impasse Micheletti surgiu com outra proposta, a de antecipar as eleições mas, daí, surge um novo problema, quem concorreria? Os mesmos partidos envolvidos no golpe? Os mesmos candidatos golpistas e tudo isso sob os olhos atentos da justiça que até agora tenta dar um ar de legalidade ao Golpe de Estado?

Enfim, vê-se quão complicada é a situação. Não temos - ao menos não de forma visível - setores da justiça, política e forças armadas críticos ao golpe, que poderiam servir de sustentação à uma possível volta de Zelaya e da normalidade constitucional. O que vemos é uma luta entre os "de baixo" e os "de cima", sendo que os primeiros não contam com qualquer apoio de nenhuma força ou setor político, judiciário ou militar.

Neste cenário calamitoso é compreensível o porque do afastamento de Obama ou Lula da situação, talvez chegasse num ponto em que só a intervenção militar seria viável para resgatar o poder tomado pelo golpe e nenhum dos dois países parece ter o interesse em fazê-lo apoiá-lo ou ao menos aventar a possibilidade. Os EUA já tem problemas demais no Afeganistão e o Brasil no Haiti para se aventurar a reconstruir uma Honduras do nada, depondo e destruindo basicamente toda a estrutura que existe hoje.

Como conclusão podemos apenas esperar para ver o que vai acontecer, os cenários possíveis são múltiplos, desde o reconhecimento do golpe e do atual governo, por cansaço, passando por uma volta de Zelaya ao país sem poder algum

1. Por cansaço e inação internacional, o reconhecimento do golpe e do governo golpista como legais, abandono de Zelaya;

2. Por cansaço e inação internacional, o reconhecimento do golpe e do governo golpista como legais, mas com a volta de Zelaya ao país sem qualquer poder;

3. Antecipação das eleições com todas as forças golpistas concorrendo. Zelaya pode ou não voltar ao país;

4. Volta de Zelaya ao país no poder, manutenção da estrutura golpista e quase impossibilidade de governar;

5. Volta de Zelaya ao país no poder poder, verdadeira "limpa" ou expurgo dos golpistas, uma verdadeira reforma na estrutura do país;

6. Guerra civil;

7. Invasão do país por uma aliança internacional para recolocar Zelaya no poder;


Sem dúvida a opção "1" é a mais provável enquanto a "2" e a "3" despontam como favoritas. Uma volta de Zelaya ao país no poder é algo remoto, assim como qualquer intervenção militar séria dos países da América Latina para recolocá-lo no poder. Por fim, a guerra civil é, ainda, uma possibilidade assustadora mas não irreal.

O que se sabe no momento, porém, é que líderes comunitários, lideranças de movimentos sociais e políticos de esquerda estão sendo assassinados. O setor crítico ao golpe vem sendo atacado dia após dia, seja durante protestos com tiros e bombas, seja na calada da noite, enquanto dormem ou na frente de suas casas, por esquadrões da morte.

A direita está seletivamente matando qualquer oposição viável ao seu golpe, o que torna viável a idéia da guerra civil no país.

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Aparentemente a opção bélica e até a guerra civil estão ganhando força.

"Jose Manuel Zelaya, presidente deposto de Honduras, deu um ultimato: se as negociações não o levarem de volta ao poder, ele disse que vai considerar outros meios para retornar à presidência em Tegucigalpa. A próxima rodada de negociações está marcada para sábado, na Costa Rica."

Qual será a fórmula de Zelaya para conseguir retomar o poder por "outros meios" é uma incógnita, podemos esperar pela ajuda externa de algum país, mercenários, guerrilha interna...

As possibilidades são múltiplas e o resultado, se a via armada for a certa, será um banho de sangue numa região extremamente fragilizada, conservadora e afeita aos golpes de Estado e violência extrema ao longo de sua história.

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O clima esquentou de vez a opção da Guerra Civil toma corpo e se fortalece. O El País noticia que Zelaya convocou uma insurreição!

"La insurrección es un derecho del pueblo que está consignado en el artículo 3 de la Constitución de Honduras, y los hondureños deben hacer valer sus derechos constitucionales"
A declaração de Zelaya foi dada durante conferência de Imprensa na guatemala, na presença do presidente do país, Alvaro Colom, que o recebeu com honras de chefe de Estado

"No hay que dejar la lucha, hay que mantenerla hasta que los golpistas salgan del régimen de facto que han establecido en nuestro país"

"Yo no me he rendido ni me voy a rendir. Voy a regresar al país en el menor tiempo posible. No quiero avisar la hora ni el día para no alertar a las fuerzas opositoras, que sabemos que son criminales"

Enfim, vai se desenhando o cenário em Honduras, e um conflito armado, uma insurreição popular, desponta como principal opção de Zelaya para retornar ao poder.

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