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terça-feira, 5 de março de 2013

Chávez está morto. Viva Chávez!

Hugo Chávez Frías 1954-2013
Chavez está morto, VIVA CHÁVEZ! Que a revolução possa continuar seguindo seu curso com Maduro e com o apoio do povo. Que a direita fascista venezuelana e os EUA não tentem nada!

O governo e o poder venezuelano era absolutamente centrado em Chávez, um governo tipicamente latinoamericano, mas com claras fragilidades. É preciso ficar de olho na oposição e nas pressões externas contra. A Morte de Chávez será comemorada pela oposição que, porém, é extremamente fragmentada, mas como em 2002, perigo de golpe sempre existe.

Uma nova eleição será convocada (provavelmente) e Maduro tem tudo para ser eleito e precisará capitalizar a vontade do povo e a consternação com a morte de seu grande líder para fazer o regime e a revolução sobreviver.

O Bolivarianismo tem características plebiscitárias, para além de personalistas, mas há chances reais de sobrevivência do regime e do modelo caso os aliados de Chávez consigam jogar corretamente as cartas e anular a oposição que, neste momento, não deve se contentar de tanta felicidade.

O maior perigo, porém, vem de fora, dos EUA e da Espanha (Aznar, então primeiro ministro do país foi o grande artífice do golpe e seu partido, o PP, está hoje novamente no poder), e o momento é delicado.

Torçamos para que a revoluçãocontinue e para que o Bolivarianismo tenha forças para sobreviver à morte de seu líder e idealizador e que a esquerda venezuelana se mantenha unida, deixando suas diferenças de lado.

A luta e as ideias permanecem vivas! Chávez mudou a Venezuela, mudou a América LAtina, mudou a todos nós.

Viva Chávez! Viva a Venezuela, Viva a Revolução Bolivariana!
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quinta-feira, 14 de julho de 2011

The News of The world: E se não fosse na Inglaterra?

Imagine a seguinte cena:

Em um país qualquer um grande jornal faz uma cagada inesquecível, tão grande e grotesca que a pressão pública torna quase insustentável a sobrevivência do jornal, e até mais, a pressão do governo - até certo ponto implicado com as falcatruas ou com gente ligada a elas - fazem com que o dono do jornal decida fechá-lo.

Como se não bastasse, o parlamento local decide pressionar ao ponto de quase vetar a compra de uma importante rede de TV a cabo por parte do dono do famigerado jornal.

E ainda tem mais! O líder deste país e vários parlamentares começam a discutir formas de ter um maior controle sobre a mídia, torná-la mais transparente, quiçá mais democrática. Estamos falando do embrião de um controle social da mídia.

Não faz diferença se este país tem já uma forte e grande rede de TV's e rádios que transmite programação de qualidade (neste ponto é sempre válido discutir) para o próprio país e para o mundo inteiro.

Enfim, uma crise na imprensa em que o governo do país intervém rapidamente e de forma dura, sobrando cadeia pra envolvidos no escândalo, demissões e prometendo grandes mudanças nas liberdades exageradas que tem a imprensa, confundindo liberdade de imprensa com de empresa (e mesmo ultrapanssado).

Este cenário, como todos já devem ter reparado, é inglês. O empresário canalha é Rupert Murdoch, magnata da mídia e o parlamento é o inglês e o líder é o Premier David Cameron, que teve seu assessor de imprensa implicado diretamente no caso e que agora pede reformas na legislação midiática.

Repito, é a Inglaterra (ou Reino Unido para os detalhistas).

Não há, no entanto, uma só voz dentre todas as organizações "democráticas" de mídia, de imprensa...

Nenhuma organização que diz defender jornalistas e jornais se insurgiu para gritar que impor qualquer tipo de controle à mídia é crime, é censura.

Nenhuma organização "democrática" reclamou ou deu um pio. Penso, então, que ou todas concordam com a necessidade de se aplicar medidas restritivas para assegurar que haja efetiva liberdade de imprensa - e não de empresa, de libertinagem - ou estão acovardadas. Acredito mais na primeira hipótese.

Agora uma pausa para reflexão: E se fosse na Venezuela? E se estivéssemos tratando da RCTV, fechada há alguns anos por defender e ajudar na execução de um golpe contra o presidente democraticamente eleito (gostem ou não dele) e o líder deste país fosse Hugo Chávez?

Ah, não precisamos conjecturar, pois o caso também é real. E SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) e outras organizações "democráticas" gritaram, espernearam, chamaram de censura...

Notem que na Inglaterra tivemos grampos ilegais, na Venezuela tivemos apoio logístico e midiático a um GOLPE DE ESTADO!

Ah, mas é a Venezuela...

Como imaginar um Premier e um parlamento agindo contra os interesses sagrados de empresas em plena expansão? Isto é censura! Não? Não.

Já no Brasil, bem, vejam o que Instituto Millenium, Veja, Globo, Folha e outros veículos de "comunicação" dizem sobre os planos (obviamente abortados por Dilma, que até vai pra festa da Folha) que o governo brasileiro tem (tinha) de impor um controle social da mídia, buscando democratizá-la.

Não me surpreenderia se houvesse uma insurreição midiática bancada pelas elites políticas desse país.

É engraçado, mas parece que democracia, controle social da mídia e democratização dos meios de comunicação são coisa permitida apenas aos do "andar de cima". Aqui embaixo temos de ser reféns do jornalismo (sic) marrom, golpista e criminoso calados, sorridentes e contentes.

Alex Haubrich, do Jornalismo B, finaliza:
Na Inglaterra, o órgão responsável pela regulação das comunicações já caiu em cima dos interesses de Murdoch no país. Aqui no Brasil seguimos carecendo de órgãos assim, e mesmo da regulamentação dos artigos constitucionais que versam sobre mídia. A libertinagem de empresa segue atropelando a verdadeira liberdade de imprensa, através das formas mais sujas de constituição legalizada de oligopólio e de ataque à liberdade de expressão.
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domingo, 1 de maio de 2011

Alternância de Poder como instrumento de controle burguês

Trigésima quarta coluna  para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".

Alternância de Poder como instrumento de controle burguês

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Alternância de poder é o nome bonito que a burguesia, a elite, usa para garantir que nenhum governo de Esquerda possa durar mais do que o tempo que esta elite permitir.


Alternância de poder é a forma pela qual a burguesia faz parecer que respeita a democracia, criada por ela, a mesmo tempo em que nada muda. De forma inteligente, transformam a alternância em algo ligado apenas à pessoa, ao indivíduo, mas jamais ao partido ou ao grupo político em si.


A idéia de alternância é corrompida por uma elite interessada em se perpetuar, e ao mesmo tempo, acaba demonstrando uma falha tradicional das esquerdas, que é a insistência em fabricar líderes personalistas e não uma variedade de quadros de renome.


A elite fabrica um número quase infinito de candidatos, investe quanto dinheiro tiver interesse neles e pode trocá-los de tempos em tempos, fazendo parecer que houve alguma alternância, quando, na verdade, mudou a figura teoricamente no poder, mas não a classe por trás, não os que se beneficiaram do governo e muito menos mudou o modelo, a estrutura.


A esquerda, por outro lado, tem a tradição de ter um nome forte, um Chávez, um Morales (até mesmo um Vargas para determinados grupos) que, ao buscarem se re-eleger - pois dificilmente fazem sucessores tão fortes quanto eles - são acusados pelas forças conservadoras de desrespeitar o princípio sagrado da alternância de poder, simplesmente porque seu modelo de governo não corresponde aos anseios da elite.

O fato de "democracia" significar, em termos eleitorais, que quem tem mais votos vence, sempre que o vencedor se opõe, mesmo que minimamente, aos interesses da elite, é tachado de ditador (ou ditatorial).
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Artigo completo no Diário Liberdade.
"Nire aitaren etxea
defendituko dut"
...
"Defenderei
a casa de meu pai"
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terça-feira, 5 de outubro de 2010

Golpes na América Latina: 2002, 2009 e 2010.

Venezuela em 2002, Honduras em 2009 e Equador em 2010.

Três Golpes de Estado patrocinados pelos EUA (o primeiro também pela Espanha de Aznar, Franquista).

Dois fracassos e um sucesso. Quem será o próximo?

Quem acreditava que a onda de golpes pela América Latina, patrocinados por potências estrangeiras, estava acabada, se enganou. Após o longo interlúdio entre 2002 e 2009, um novo golpe, ou tentativa de golpe, se materializou.

É possível que, depois da derrota acachapante e da volta de Chávez nos braços do povo em 2002 tenha diminuído a sanha golpista das direitas latinoamericanas e internacionais, mas não fez com que este sonho fosse totalmente eliminado: O de expulsar do poder os expoentes do Socialismo do Século XXI, os líderes da ALBA e, em seu lugar, implantar governos mais acessíveis aos interesses imperialistas.

Diz Eva Golinger, reproduzido pelo Opera Mundi:
Organizações financiadas pela USAID e NED pedem a renúncia do presidente Correa, apoiando o golpe de Estado promovido por setores da polícia equatoriana, profundamente penetrada pelos Estados Unidos.

Uma nova tentativa de golpe contra um país da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba) atenta contra a integração latinoamericana e o avanço dos processos de revolução democrática. A direita está no ataque. Seu êxito em 2009 em Honduras contra o governo de Manuel Zelaya encheu-a de energia, força e confiança para poder arremeter contra os povos e governos de revolução na América Latina.
A derrota de 2002 talvez tenha intimidado a direita, mas a vitória de 2009, em Honduras, mesmo com o repúdio internacional, deu novo ânimo. O fato é que, depois de perderem no país que basicamente cunhou o termo e a ideologia do novo Socialismo, notaram que haviam tentado abocanhar um pedaço de carne grande demais.

Acertadamente (do ponto de vista puramente geopolítico, claro) tentaram pela segunda vez na periferia, atentaram contra um país pequeno, frágil e vítima de terríveis contradições e lutas internas (é sempre bom lembrar que Zelaya pertencia a um partido de direita, mas que foi aos poucos se aproximando de Chávez e dos movimentos sociais, realizando significativas reformas em prol do povo, o que deixou a oligarquiadominante em pé de guerra).

Com esta vitória, se sentiram prontos a tentar de novo. A escolha do Equador não foi a toa. Correa vem realizando significativas reformas que, porém, vem encontrando resistência mesmo entre os setores indígenas - algumas contra certas medidas de seu governo e outras, em especial a poderosa CONAIE, pedindo por uma maior radicalização nas reformas propostas.

Não posso afirmar que são positivas ou negativas as reformas propostas, mas o fato é que serviram de pretexto para a direita local e internacional armar uma tentativa de golpe. Primeiramente incitarma a polícia a sair às ruas e tumultuar, e devem ter esperado que o Exército participasse. O Exército, aliás, demorou horas para mobilizar tropas e intervir, o que talvez denuncie uma exitação, uma possibilidade de que alguns elementos estivessem comprometidos com o golpe.

Mas, ao contrário do que esperava a direita, o Exército por fim tomou o lado da Democracia e do povo equatoriano. Correa foi salvo e voltou nos braços do povo.

Pior para a direita, que não só viu seu golpe fracassar, como ainda conseguiu garantir para Correa ainda mais simpatia popular e mais força para suas reformas.

Declarações de Chávez, via Boltxe Kolektiboa:
“Debemos exigirle al gobierno de los Estados Unidos que no siga metiendo sus viejas manos imperiales en este continente”,[...] “Sobre todo a los países cuyos gobiernos, absolutamente legítimos y democráticos, hemos levantado la bandera de la revolución socialista en democracia”. [...]  “Honduras ha sido un mensaje para América Latina”. “Lamento mucho que quienes dicen que son grandes defensores de la democracia son los que vacíen, impulsen dictaduras militares”, [...]
“Los presidentes de Sudamérica somos los grandes defensores de la democracia. Quedan todavía algunos grupos retrógrados en América Latina que piensan que con un golpe de Estado se pueden resolver los problemas o las diferencias políticas y programáticas”.
Lucio Gutiérrez, líder da oposição e provável principal líder golpista, está no Brasil, e terá muito trabalho para voltar ao Equador.

A direita, enfim, continua viva e pronta para tentar implantar regimes antidemocráticos e antipopulares. Ficou por um tempo dormente após uma derrota, mas voltou a atuar e demonstra que não tem intenção de desistir.

Devemos todos ficar de olho. Por enquanto, aparentemente, as forças de direita miram os países que vem realizando as reformas mais radicais, ligados ao Socialismo do Século XXI. Qualquer momento de fragilidade é aproveitado. No caso do Equador, uma greve de policiais, uma tentativa mais radical de reformas no serviço público e talvez até o fato do presidente ter sido operado recentemente, ainda que de algo simples.

Vários países da América Latina governados por líderes de esquerda vem sofrendo pressões. No Brasil nem é preciso dar exemplos do papel que a mídia vem tendo em defender um golpe nas eleições vindouras. Na Argentina, a Kirchner enfrenta resistências por parte das oligarquias, especialmente depois de sua vitória contra o grupo Clarín.

Chávez perdeu sua maioria absoluta na Venezuela e é sempre alvo preferencial. No Paraguai, Lugo vem sendo criticado mesmo pelo povo e seu próprio vice é um oposicionista. A ficar de olho se não tentarão se aproveitar de seu câncer.

Felizmente, hoje, possuímos instituições como a UNASUL/UNASUR, uma vitória da América Latina contra o poderio dos EUA e estamos cada vez mais ligados. A unidade da América Latina é uma realidade e devemos continuar atentos a toda e qualquer investida.

Enfim, Viva Correa! Viva o Equador! Viva a América Latina!


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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

"Censura" e Mídia Golpista

Constantemente critico o tratamento dado pela imprensa ao Presidente Chávez: É vergonhoso! Mas, recentemente, vi perplexo a que ponto chega a mídia - neste caso a própria da Venezuela. Mas não duvido que chegue aqui, as práticas e a crítica.

O caso é que a justiça da Venezuela - e não o Chávez, mas pra mídia não importa - proibiu o jornal El Nacional de estampar em suas páginas imagens com extrema violência, enfim, degradantes, violentas, ofensivas... Como a imagem abaixo, capa de uma edição de alguns dias.

O que a justiça fez foi, apenas, prezar pelos direitos humanos e pelo mais básico respeito ao próximo. De um lado o respeito às famílias dos mortos e às pessoas que serão obrigadas a se deparar com tais imagens. A justiça venezuelana defendeu a dignidade humana em oposição ao espetáculo da carnificina, glorificada pelo jornal e que, infelizmente, encontra eco na maioria dos jornais ditos populares do Brasil.
La imagen muestra una decena de cadáveres desnudos, amontonados en una morgue de Caracas. Unos están en el suelo. Otros comparten camillas pensadas para una sola persona. La fotografía fue publicada el viernes en el diario venezolano El Nacional, crítico con el Gobierno del presidente Hugo Chávez. La fiscalía venezolana ha abierto una investigación por la filtración de la imagen y, el viernes, la Defensoría de Pueblo ordenó al diario que se abstenga de "difundir imágenes que atenten contra los derechos de los niños".
A diferença é que, por aqui, os princípios dos Direitos Humanos são debatidos, mas não aplicados. A CONFECOM ainda aguarda para ver suas resoluções aplicadas e respeitadas, e o PNDH-3, que previa um controle social sobre os meios de comunicação foi, quase totalmente, enterrado pela oposição de direita, com medo de perder seus privilégios, dentre estes, o de controlar a mídia - mas não mais o de controlar a INFORMAÇÃO. Com a internet tivemos uma quebra do paradigma e é através dela que podemos saber que, se o tal jornal acusa o Chávez de ser o responsável, a verdade é bem diferente, o presidente não teve qualquer relação e tudo não passa de uma tentativa de capitalizar sobre uma decisão correta judicial contra o legítimo governante do país.

Este expediente, aliás, é o mesmo usado por jornalecos e revistas que não servem nem pra limpar a.... aqui no Brasil, como Veja, Folha e cia. Denúncias vazias, fichas falsas, dossiês inexistentes, exaltação de vices tresloucados, propaganda eterna e ferrenha contra política externa modelo... são todos artifícios comuns à imprensa golpista, que tenta esconder seu rosto mas cai na obviedade de seus métodos.



A mídia ainda não aprendeu que existem limites. O direito à liberdade de Imprensa é diferente da Liberdade de Expressão. A Imprensa tem limites e, se não sabe se auto-regular, precisa do Estado para impor estes limites, que responde ao povo. É aí que entra o controle social, onde o povo tem o poder de fiscalizar os abusos cotidianos dos meios de comunicação que usam concessões públicas para fazer política ou meios privados para fazer o mesmo fingindo isenção, sem admitir seu lado, o que não é apenas um problema ético, em muitas ocasiões é caso de polícia.


O jornal do caso acusa a justiça de censurar e proibir a imagem da violência que assola a Venezuela, quando, na verdade, a imagem não tem qualquer relação com a matéria específica, foi uma foto aleatória, escolhida para chocar e aumentar o repúdio de seus leitores ao Presidente Chávez, acusado de não dar um jeito na violência. A tentativa não era informar, não era meramente ilustrar, era chocar e fazer política.

Não surpreende que parte do PIG brasileiro tenha corrido em socorro. Correio Braziliense e a RBS deixam claro: Censura. A SIP agradece. Mas a democracia, não.
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Update:
Antes mesmo de publicar este post, leio no JB que a medida de proibir todos os meios impressos do país de publicar imagens violentas, sangrentas ou grotescas havia sido estendida para todos os jornais do país e que, logo depois, ela foi restringida apenas ao El Nacional e ao Tal Cual.

Os dois jornais são opositores de Chávez - dentre os vários que continuam a fazer oposição e não foram atingidos depois da revogação da chamada censura total. Mas para a mídia é um prato cheio. Por mais que as notícias deixem claro se tratar de uma decisão da justiça, de um pedido da promotoria do país, as chamadas para as notícias tentam culpar o presidente pela decisão. É o mesmo que culpar o Lula pelas decisões do Gilmar Mendes, ou as do Toffoli, que foi nomeado por ele.

No Globo, a coisa é ainda mais feia. Uma manipulação absurda:
Em mais um capítulo das rixas entre a imprensa e o governo, o presidente Hugo Chávez promulgou também nesta quinta uma reforma na lei de bancos, aprovada pelo Parlamento, que proíbe donos de meios de comunicação de ter qualquer participação acionária em instituições financeiras.
- São uns ladrões, mas são donos de televisões, de grandes capitais e vão correr todos para os Estados Unidos, onde são protegidos - declarou Chávez ao assinar a lei.
A aprovação da medida foi pedida no dia 11 passado. Então, o empresário Nelson Mezerhane, um dos maiores acionistas da emissora opositora Globovisión, foi acusado por funcionários de Chávez de usar sua influência para atrair clientes para seu banco, o Banco Federal, que sofreu intervenção do governo em junho por "falta de solvência". 
Propositadamente colocam no governo, a culpa pela "censura", feita pela justiça. Daqui ha pouco o Estadão irá colocar a culpa no PT ou no governo por sua "censura". O paralelo é simplesmente perfeito.


A agenda da mídia é clara... e é criminosa. Se comporta como se fosse dona da verdade, passando pro cima de fatos e criando factóides, ou melhor, mentindo descaradamente.
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sexta-feira, 30 de julho de 2010

Folha, Chávez e a mídia criminosa

Menos que um post, mais que uma nota, apenas um momento de revolta e indignação com um comentário deslocado, desnecessário, mentiroso e manipulador na Folha 23/07 (bela novidade).

RESIDENTE 40 ELEIÇÕES 2010

Dilma critica a mídia por "julgamentos sem provas"
Ex-ministra condena censura à imprensa, mas não fala de Hugo Chávez

Candidata petista leva multa de R$ 2.000 por utilizar um painel de propaganda maior do que o permitido por lei

Reparem bem no destaque em vermelho.

A curiosidade me faz questionar de onde saiu esta citação à Chavez.

Em primeiro lugar, qual seria o sentido de Dilma, falando sobre liberdade de imprensa no Brasil, citar Chavez?

Segundo, considerando que a Venezuela é um país aliado e Chávez, como presidente democraticamente eleito, idem, porque a folha insiste em fazer coro a Serra, que romperia relações com o país?

Terceiro, onde ficou o jornalismo?

Finalmente, quarto, desde quando Chavez defende a censura?

A JUSTIÇA venezuelana fechou a RCTV, rede criminosa que defendeu um golpe de Estado contra Chávez, logo, contra a Venezuela. Só o PIG costuma fazer a eterna confusão entre Estado e Justiça VENEZUELANA e Chávez. Aliás, vamos relembrar os casos de Canais de TV fechados não pela Venezuela, mas pelos EUA, Canadá e etc... Desses países ninguém fala ou aponta o dedo.

Como se vê, não estão acostumados ao funcionamento de uma democracia. A Folha sente saudades de emprestar seus carros para a tortura.

Só no Brasil que uma rede de TV golpista - Rede Globo - permanece funcionando, ou um jornal que defendia com unhas e dentes e a Ditadura e diariamente mente compulsivamente Em outros países existe justiça. Não estão acostumados.
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quarta-feira, 3 de março de 2010

Venezuela, Chavez e ETA: Caso de amor?


A posição do governo e da justiça (sic) espanhola de que "tudo é ETA" é tradicional e conhecida. O que é novo é a nova doutrina de acusar o grupo de traficar drogas. Sobre este episodio fiz este post no qual Saviani - autor de "Gomorra" - acusa a ETA do crime mais estapafúrdio que poderíamos imaginar. O que Saviani ganhou - ou quanto - para uma acusação tão descabida e ridícula é uma icógnita.

Mas, o tempo passou, a história foi esquecida... E agora o governo Espanhol trouxe a loucura de volta com o objetivo de atacar a Venezuela. A Espanha passou a usar a ETA como forma de atacar Hugo Chávez, da mesma forma que faz a Colômbia ao acusar Chávez e Correa de apoiarem as FARC.

Como o nosso PIG, na falta de qualquer argumento, apele para o absurdo e espere que funcione.

Segundo a BBC, a Espanha acusa a Venezuela de apoiar o grupo separatista ETA - e, claro, as FARC:

Um juiz espanhol acusou o governo da Venezuela de "cooperar" com o grupo separatista basco ETA e com a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), num plano para atacar autoridades colombianas na Espanha.

De acordo com o juiz Eloy Velasco, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, e seu antecessor, Andres Pastrana, estariam entre os alvos dos ataques do ETA e das FARC.

Ainda segundo ele, as Farc teriam pedido ajuda a membros do ETA para localizar, na Espanha, o ex-presidente colombiano Andrés Pastrana, a ex-embaixadora colombiana na Espanha, Noemí Sanín, o ex-candidato a presidência e duas vezes prefeito de Bogotá, Antanas Mockus, e o vice-presidente colombiano Francisco Santos, "com o objetivo de atentar contra a vida de algum deles durante sua permanência na Espanha".

Logo após o anúncio das acusações, o primeiro-ministro espanhol, José Luiz Rodríguez Zapatero, pediu "explicações" ao governo Chávez.

Em resposta, o ministério de Relações Exteriores da Venezuela emitiu um comunicado classificando as acusações contra o governo de Hugo Chávez como "inaceitáveis, de natureza e motivação política".
Antes de mais nada, acho engraçado Zapatero exigir alguma coisa, qualquer coisa, da Venezuela. Quem tem que se explicar por alguma coisa é a Espanha cujo rei ofendeu o presidente da Venezuela e cujo país é o que mais tortura na Europa e mantém baixo opressão suas minorias enquanto a Venezuela, por outro lado, garantiu máxima autonomia aos seus indígenas.

Em segundo lugar, o que vemos é um juiz quualquer claramente buscando os holofotes e agindo como Garzón, como um justiceiro tresloucado.

E, por último, a Espanha faz o jogo colombiano e estadunidense ao, em suas acusações, colocar novamente a Colômbia como pobre-coutada ameaçada pelso comunistas (sic) venezuelanos.

Simplesmente ridículo. Aliás, a acusação parece residir appenas no fato de um homem, Arturo Cubillas Fontán, supostamente ser membro da ETA e ter sido ministro do governo Chávez.... Bem, qualquer conclusão a que chegou o digno juiz é estúpida e burra. Em primeiro lugar, o fato de alguém ser supostamente membro de um grupo que não tem qualquer relação com a política venezuelana não é motivo para ligar todo um governo e um país à um grupo. Em segundo lugar, cabe sempre lembrar, a Espanha acusa Forlán de ser membro da ETA. Apenas ACUSA sem, porém mostrar qualquer provas.

Aliás, a Espanha tem o costume de acusar, torturar - e em alguns casos matar - aqueles que caem em suas mãos como suspeitos de pertencer à ETA: Basicamente, qualquer Basco que pregue a tese da independência.

Las Malas Lenguas esclarece:
La ultraderecha mediática no ha tenido reparo en emitir ya la sentencia: Chávez, etarra. Una buena parte de las acusaciones se basan en correos electrónicos del famoso ordenador portátil de Raul Reyes, el guerrillero de las FARC que utilizaba una tecnología extraterrestre para enviar e-mails desde la selva donde no hay cobertura telefónica ni electricidad.
Otra parte importante de las presuntas acusaciones, son documentos anteriores a la llegada al poder de Hugo Chávez
No acaba de explicar cual es la vinculación al margen de que Arturo Cubillas sea funcionario del Ministerio de Agricultura. Argumento que serviría para vincular a cualquier administración o empresa con ETA.
La Republica dá o recado:
Sin embargo, lo que no dice el auto y omiten los medios del régimen es que Arturo Cubillas fue enviado a Venezuela por el gobierno de Felipe Gonzalez en un acuerdo con Carlos Andrés Pérez, cuando Chávez aún no había llegado al poder.
Al parecer, Cubillas, casado con una ciudadana venezolana, habría ocupado varios cargos públicos desde que Hugo Chávez llegó al poder en 1999, al igual que en nuestro país lo han hecho antiguos militantes de ETA hoy miembros del PSOE. Sin embargo, lo que no demuestra el auto es que Cubillas haya cometido ninguna ilegalidad mientras ha permanecido en territorio venezolano.
Se abre por tanto un nuevo capítulo en la campaña contra Chávez que dessde hace varios años ha venido orquestada desde los principales grupos de poder mediático y económico de nuestro país, y respaldada incluso por medios supuestamente progresistas como Público, al servicio del imperio MEDIAPRO y muy cercano a Moncloa, que utilizan una vez más a la banda terrorista ETA, al igual que EEUU hace con el terrorismo islámico, para adoctrinar y someter a la opinión pública española.

Sobre este caso, aliás, há um fato ainda mais interessante. Em 2009, a venezuela se recusou a extraditar para a Espanha Iñaki Landazábal Etxeberría, a quem o país acusava de - obviamente e como de costume - ser membro da ETA. O pedido de extradição foi negado, depois de uma ampla campanha internacional pela sua liberdade -e sua segurança.
"Ha quedado de manifiesto que la caza de brujas desatada por el Gobierno español contra el independentismo vasco no conoce fronteras geográficas -indica el movimiento pro-amnistía-. En este sentido, queremos pedirle al Gobierno de Venezuela que no apoye la represión a los refugiados vascos".
Seria a atual acusação descabida contra a Venezuela apenas uma tentativa tola e torpe de vingança por parte de Madrid?
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terça-feira, 29 de setembro de 2009

A inutilidade do multilateralismo

Cúpula da América do Sul e África, OEA, Assembléia Geral da ONU, Conselho de segurança da ONU....

Todas estas organizações (e cúpula) já condenaram o Golpe em Honduras e recomendam, pedem, protestam, referendam a volta da normalidade democrática.

Em comum esta unidade e unanimidade, mas também a falta de validade de suas decisões, falta de prática, de ações concretas.

Quando os EUA decidiram invadir o Iraque, na Primeira Guerra do Golfo, a decisão da via armada estava tomada, restava a aprovação. A ONU a deu;

Quando os EUA resolveram destruir a Sérvia, o fizeram antes da ONU decidir - no fim a ONU foi obrigada a seguir os acontecimentos;

Quando os EUA resolveram invadir o Afeganistão, a ONU concordou;

E, finalmente, quando da segunda invasão do Iraque, a ONU se colocou contra, os EUA invadiram de qualquer maneira.

Em comum a intenção pregressa de invasão, fato consumado, a ONU apenas dava a provação - ou não - a aura de legitimidade.

No caso de Honduras, o problema é que nenhum país quer intervir, se meter diretamente. É um jogo de empurra que, pelo menos até agora, não resultou em nenhuma ação concreta. O Brasil, se está no centro dos acontecimentos, caiu de para quedas - por mais que fale bonito.

Esta simples análise demonstra que os organismos multilaterais são excelentes palcos para se falar, para fingir, enfim, para fingir que os Estados são preocupados e interessados. Ação, de verdade, só quando antes já existia tal vontade, quando há algum interesse factual por trás.

Não me surpreenderá - e não deve surpreender a nenhum leitor desavisado - se for divulgado daqui ha meses, se nada for feito para reinstalar o presidente legítimo, que os EUA tinham acordos para, quando a poeira baixar, apoiar o regime golpista e torná-lo aceitável aos olhos da comunidade internacional. Alguém realmente acredita que um país do tamanho de Honduras resistiria por tanto tempo à condenação unânime do mundo e dos organismos competentes (sic) sem o apóio velado dos EUA?

Obviamente podemos lembrar de duas possíveis exceções recentes, Timor e Haiti, onde não havia um interesse claro dos EUA em intervir. Nno primeiro caso havia um genocídio em curso e a intervenção era relativamente simples - em teoria -, não se lutava contra nenhuma potência ou país apoiado por uma potência (Sudão, por exemplo, com a China colada) e a causa interessava a muitos. No segundo caso, estamos falando de um Estado falido, com proto-governo que já não mais interessava às elites latinas. A intervenção parecia fácil. O fator "elites locais" pesa enormemente quando tentamos diferenciar estes casos dos demais.

Já no caso de Honduras, vemos que o golpe foi orquestrado pelas elites organizadas e aliadas das elites latinas, teve apoio dos EUA - senão do Obama, de boa parte de sua estrutura e acessores - e, acima de tudo, não há um Estado de Anarquia, o governo golpista controla a estrutura e a mantém minimamente funcionando e com capacidade de, saindo da crise imediata, tocar o país.

Questões como abuso de direitos humanos, puro e simplesmente, não interessam às potências. E há um exército - por menor que seja - capaz de responder à agressões de qualquer um que se aventure a ameaçar os golpistas. Claro que a resposta será tímida, mas ainda capaz de causar danos, baixas, algo intolerávle em tempos de guerra pós-heróica onde a morte de um soldado é tida como incomum e não como uma consequência lógica e normal de um conflito.

Enfim, torna-se claro o apóio de diversos setores da elite - em particular o apóio descarado da Mídia - ao Golpe e, por isto, sua longevidade. Os organismos multilaterais se limitam a condenar sem, porém, se esforçar para encontrar uma solução definitiva para a situação. Urge o uso de força, de uma intervenção militar rápida e certeira, seja via Capacetes Azuis, seja através do exército brasileiro - caso a Embaixada corra perigo imediato e real.

Por mais que a opção armada não seja a menina dos olhos da comunidade internacional, a mera falação não vem resultando em ganhos para a população de Honduras, que continua a ser massacrada, e nem para a democracia, que não existe.

Sem o uso da força, dificilmente a situação tomará um novo rumo.

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Os EUA jamais pestanejaram na hora de agir quando era de seu interesse, neste momento atual fraqueja, demonstra mais do que sua fraqueza interna e hesitância de agir sozinho - sinal de multipolaridade nascente, talvez - mas também seu racha interno e o apóio de sua estrutura ao Golpe.

A Venezuela, mesmo corretamente intervindo, teria que arcar com as críticas internacionais que não livrariam a cara do país mesmo em uma ação legítima.

Já o Brasil sofre com seus problemas internos, a pressão da mídia golpista e das elites que bradam pela legalidade do golpe, temem o Socialismo do Século XXI e tudo que isto representa e se recusam a referendar um apóio militar à Honduras, preferem a elite amiga instalada no local, assassinando a população civil. Além disso, claro, existe a idéia de que a via diplomática solucionará todos os problemas e a questão de parte do exército já está alocado no Haiti, fora nossos próprios problemas de infra-estrutura militar.
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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Os "especialistas" do atraso e a nova diplomacia - Caso Honduras


De uma hora para outra surgiram "denúncias" de que Chavez teria ajudado Zelaya a entrar em Honduras e, ainda, o MRE brasileiro ventilou a possibilidade de que Chavez estivesse por trás da escolha do Brasil para o refúgio do presidente de Honduras;

Logo os "especialistas" de plantão anunciaram que era um absurdo, que era um crime... Bem, não faço parte da escola tradicional das Relações Internacionais, nem tampouco corroboro com a ala conservadora do Itamaraty que arranca os cabelos pelo fato do Brasil ter não só tomado uma posição pró-ativa na América Latina - saindo do eterno discurso de liderança sem ação - mas também pelo país estar ajudando a um "comunista".

"Comunista", claro, na cabeça daqueles tradicionalistas que acreditam que qualquer coisa fora do padrão "família, tradição e propriedade" é um desvio, é Comunismo, coisa da turma do Olavo de Carvalho e cia, irrelevantes intelectualmente (sic) mas ainda com grande poder em alguns setores.

Pois bem, alguns outros "especialistas" denunciam que o Brasil está intervindo onde não devia. Vejamos, em primeiro lugar o Brasil não interviu, apenas respeitou os princípios básicos dos Direitos Humanos - na verdade, falemos em mera decência! - e deu abrigo à Zelaya, ou melhor, ao presidente democraticamente eleito de Honduras e deposto por um golpe repudiado por todo o mundo, por todas as organizações multilaterais competentes.

O mundo inteiro, as organizações multilaterais - até o FMI, e vejam só, até Israel - reconhecem Zelaya como presidente legítimo e Micheletti como golpista. O Brasil agiu (se foi sua vontade ou não, não é o caso) e agora surgem hordas de insatisfeitos, o pessoal da Veja morde o chapéu e os fascistas esperneiam avisando que o Brasil corre perigo, que a situação é tensa e que Zelaya, presidente, não pode fazer nada além de ficar sentado esperando as horas passarem.

Um dos grandes problemas dos estudiosos das Relações Internacionais é a eterna incapacidade de pensar fora de um paradigma pré-programado. Não se pensa fora da caixa (out of the box), não se questiona, não se olha para a frente. Quem não se lembra do episódio glorioso de Chavez, na ONU, sentindo cheiro de enxofre? Os puritanos quase morreram, os progressistas compreenderam que ali começava uma nova era, menos falsidade e "diplomacia" de aparência e um pouco mais de ação, atividade.

O que vemos hoje é a continuidade desta nova diplomacia.

Arthur Virgílio, um verdadeiro conhecedor de política externa e pessoa boníssima, honestíssima, chegou até a afirmar que o Brasil seria desqualificado como interlocutor porque não teve postura imparcial. Não é preciso ser gênio para saber que a digna figura já escolheu seu lado e arranca os cabelos pelo apóio dado agora ao presidente de Honduras.

O papel de "mediador" nada mais é o do país que fala, fala, não é ouvido e a situação piora, os Hondurenhos morrem, são censurados e Zelaya é esquecido em discussões eternas e infindáveis. Se é a este papel que o Brasil abriu mão, dizem os "especialistas", então, que seja, tomamos uma atitude real para recolocar o verdadeiro presidente no poder.


Voltando à Honduras, podemos afirmar que foram ventiladas as possibilidades de Chavez ter ajudado Zelaya a chegar a Honduras - o que ele confirmou, ajudou a despistar o exército para que Zelaya pudesse chegar vivo à Tegucigalpa - de que Chavez teria dado um avião è Zelaya para chegar na capital - falso - e a de que teria sido uma dica de Chavez a ida para a embaixada brasileira - conjectura sem comprovação.

Mesmo que todas as possibilidades fossem verdadeiras, não vejo o problema. Zelaya é o presidente eleito e deposto, o Brasil deu seu apóio à sua volta - ainda que sme tomar qualquer ação concreta - e Chavez, sabendo que dificilmente a Embaixada Venezuelana seria respeitada ou a força da volta de Zelaya em tal local seria menor, poderia realmente tê-lo aconselhado a ir para o lado brasileiro.

Nada além de um plano bem bolado - se comprovado.

Do ponto de vista diplomático, é compreensível a "grita" geral se entendermos que a diplomacia permanece um jogo de sombras, de mentiras e de farsas, mas do ponto de vista prático foi a melhor e única saída.

O Brasil não sai prejudicado, na verdade foi forçado - a contragosto talvez - a mostrar porque é ou quer ser o líder da América Latina. Não mais o papo de que é mas ações concretas. Resolvendo ou ajudando a resolver o conflito no país o Brasil sai fortalecido como nunca, sai com mais força para pleitear a vaga permanente no Conselho de Segurança - que conta já com o apoio entusiasmado de Sarkozy - e sai fortalecido no cenário internacional.

O Brasil, de qualquer forma, ganha. A reação dos "especialistas" e dos políticos de aluguel, como Azeredo e Tucanos afins, diverge da reação do resto do mundo, de quem não tem o rabo preso, e fez renascer um orgulho de poder se dizer Brasileiro e saber que seu país é ator proeminente e atuante no cenário internacional.

Falando de Chávez, especificamente, ele faz o que sempre fez. Fala, propagandeia, faz a política que conhece, só inocentes ou mal intencionados para ficarem chocados ou revoltados com sua maneira costumeira de falar, de fazer piadas e de agir. Cabe ao Brasil não entrar no jogo dos que acusam e saber separar um bom parceiro dos "especialistas".

Curioso, por fim, é notar a capa da Folha de São Paulo de hoj, com a manchete "Golpistas acusam Brasil de intromissão". Triste seria se os Golpistas agradecessem ao Brasil por qualquer coisa.
Em duro comunicado, o governo golpista hondurenho acusou ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de intromissão em assuntos internos de Honduras e afirmou que o Brasil é o responsável pela segurança do mandatário deposto, Manuel Zelaya, abrigado desde segunda-feira na embaixada do país em Tegucigalpa.
 Que fique claro que é ótimo ser "acusado" de defender a democracia e o governo legítimo e, acima disso, que os golpistas são responsáveis pelo banho de sangue que pode acontecer e por cada morto por seu regime tirânico. Não "cola" a desculpa de que é do Brasil a culpa por qualquer fato e loucura dos golpistas. O resto é blablabla de desesperados criminosos.
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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Honduras: O necessário envio de tropas


Exaustivas análises já foram feitas sobre a situação de Honduras, de todos os lados, desde os honestos e decentes que condenam irrestritamente o golpe até o nosso PIG que acusa Zelaya de tentar dar um golpe branco e se reeleger - ainda que, pelo menos agora, condenem o golpe militar que o derrubou, mas sempre colocando "poréns".

O objetivo não é, agora, analisar as causas, o que já fiz exaustivamente neste blog desde que o golpe teve início, há mais de dois meses, e sim tentar enxergar algum futuro ou desenvolvimento da situação.

Zelaya está na embaixada brasileira de Honduras, a água e a luz foram cortadas e o local está cercado. Inicialmente centenas de manifestates estavam nos arredores da embaixada demonstrando seu apóio ao presidente legítimo e foram atacados pela polícia com tiros e bombas de gás. O país está sob Estado de Sítio e a tensão é visível.

Zelaya, por enquanto está seguro na Embaixada do Brasil, mas até quando? Atiradores cercam o local, o exército está à postos, a energia elétrica de toda Honduras corre perigo de ser cortada e a única coisa que impede os golpistas de invadirem a embaixada é o Direito Internacional. Algo extremamente frágil, especialmente para um governo que só existe pelo desrespeito às leis.

Centenas de manifestantes estão sendo atacados em San Pedro Sula, inclusive crianças, o Movimento de Resistência ao Golpe informa que mais de 400 foram presos e de que há luta armada no país contra o golpe. PElo menos dois já foram mortos no entorno da embaixada.

Muitos pedem uma intervenção armada brasileira, um envio de tropas, mas é uma idéia vaga, as nossas forças armadas chegam a dar pena da precariedade em que se encontram e a Marinha levaria eras para chegar até Honduras. A situação pede uma ação rápida e só Chavez e Obama podem intervir com força e efetividade neste momento.

O problema é que Obama dificilmente intervirá, apesar de decisão da OEA a favor de Zelaya e de sua volta, Hillary ainda continua com a ladainha de que Zelaya deve aceitar o acordo proposto por Oscar Árias, algo inaceitável dada a situação atual. Os EUA já estão enterrados no Afeganistão e acabaram de se livrar do problema Iraquiano. Se sequer se sujeitaram a se sujar no Haiti - sobrou para o Brasil - imagina se irão sujar as mãos e intervir em mais um país na atual situação. Não há a desculpa do Terrorismo para tal intervenção nem o Eixo do Mal sofrerá nada caso Honduras continue como está.


Do outro lado Chavez tem a capacidade de intervir, mas sua ação não seria legítima aos olhos da comunidade internacional - por mais que isto se baseie na análise PIGiana.

Sobra o Brasil como único possível agente capaz de acalmar a situação, mas até onde vai a real vontade do país em intervir? A abertura da embaixada é um indicador animador, mas daí a usar tropas, vai uma distância enorme. O Brasil já está concentrado na intervenção no Haiti, fora o sucateamento das tropas restantes, a distância até Honduras para uma intervenção rápida e, por fim, a vontade política e o custo interno que traria uma intervenção tão fortemente condenada pelo PIG e pelas elites nacionais.

Resta, enfim, a OEA. Esta deveria convocar tropas em caráter de urgência mas quanto tempo levaria até que algo efetivo fosse discutido e votado? Quem estaria disposto a ceder tropas e em caráter urgente?

A situação é desesperadora, nas ruas o povo é atacado, violentado; a embaixada está cercada e Zelaya isolado, fora o perigo de claro desrespeito às leis internacionais iminente.

Resta a nós observar e torcer para que a situação se resolva mas, diferente das últimas tentativas de Zelaya de entrar no país, desta vez ele está em seu centro e não existe mais a possibilidade de acordos em que Zelaya não retome seu lugar de direito, a presidência, nos braços do povo Hondurenho.

É isto ou sua morte.

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Dentro do Brasil, o PIG e o PSDB já deram o recado, o Brasil deveria ter deixado Zelaya ser preso ou morto pela ditadura. Não cabe ao Brasil o papel de líder ou de defensor da Democracia na América Latina. Micheletti afirma que responsabilizará Zelaya e o Brasil por qualquer derramamento de sangue - que já teve início com o assassinato pelos Golpistas de dois manifestantes no entorno da Embaixada Brasileira - e o PIG brasileiro adota o mesmo discurso, de não intervenção e de não influência ou interferência brasileira na situação.

O PIG não tolera que seus aliados golpistas de Honduras tenham prejuízo e sejam questionados, cabe ao Governo Brasileiro sentar e olhar enquanto o povo Hondurenho é violentado. Já o PSDB, bem, são tucanos realizando seu trabalho de sempre: Entreguismo, covardia e despeito.

Hoje, ao assistir ao Bom Dia (sic) Brasil, era difícil não gorfar. Míriam Leitão desfilava todo o seu conhecimento (sic) de Política Externa e Relações Internacionais ao afirmar que o Brasil errou em ajudar Zelaya e ao afirmar ainda que a culpa de tudo é de Chavez, que quer só arrumar confusão.

Uma análise primorosa, típica do PIG e que grita pela morte de Zelaya (condena o golpe mas, por debaixo dos panos dá gritos de alegria pela oportunidade de novos negócios) e pela inação Brasileira.
Lula, que asiste en Nueva York a la reunión de Naciones Unidas sobre el cambio climático, ha afirmado que Brasil está garantizando el derecho del presidente Zelaya de buscar refugio en su embajada y ha hecho un llamamiento al gobierno presidido por Roberto Micheletti para que abra la vía de la negociación y buscar una salida a la crisis. Hacemos "lo que cualquier país democrático haría", ha dicho Lula a los periodistas.
Para desespero do PIG, Lula, da ONU, pede que os golpistas não toquem na embaixada brasileira e que é decisão soberana de qualquer país democrático oferecer refúgio.

A invasão da embaixada significaria uma declaração de guerra, o que o Brasil faria?

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Todas as fontes sem links vêm da TeleSur, Radio Globo, Rádio Progreso e do Twitter.
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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O Jogo Democrático [Parte 2]

Desde o fim dos anos 90, mas especialmente no início do novo milênio a América Latina vem passando por uma onda de revoltas populares e profundas modificações, com a chegada de líderes realmente comprometidos em destruir ou ao menos em questionar o eterno jogo de revezamento das elites.

Chávez, Correa e Morales são os melhores exemplos desta mudança, saídos dos movimentos sociais ou de setores contestadores do exército e cansados da constante repressão e criminalização dos movimentos sociais e dos espelhinhos e miçangas dados ao povo para mantê-los na linha.

Lula é uma notável exceção, foi eleito junto a este bloco mas preferiu manter-se coerente ao jogo democrático de sempre, sem tentar quebrar com a institucionalidade e com a "herança maldita" anterior, na verdade, passou a agregar e elogiar os mesmos que antes atacava e acusava. Talvez fosse preciso para assegurar alguma governabilidade mas, sendo isto falso ou verdadeiro, o fato é que o governo Lula avançou muito pouco ou quase nada se compararmos com os demais presidentes da "Onda Vermelha".


Enfim, esta onda na América Latina não nasceu ou surgiu do nada, foram anos e anos de mobilização social, de repressão e lutas - no caso Boliviano vale conhecer a "Guerra da Água" que precedem os grandes protestos que levaram Morales ao poder - que culminaram com a vitória de partidos e organizações populares e, note-se, todo o processo de deu dentro do jogo democrático já antigo, ou seja, dentro do jogo das elites.

Estas vitórias esmagadoras dos movimentos populares dentro de um jogo feito para que apenas as elites se revezassem no poder causou em primeiro momento descrença e depois revolta no seio das elites.

O golpe organizado contra Chávez, em 2002, a tentativa de separação da chamada "meia lua" na Bolívia e a atual deposição de Manuel Zelaya em Honduras são a resposta das oligarquias à sua derrota.

Se em um primeiro momento estas elites resolveram continuar participando do jogo democrático, mas foram fragorosamente derrotadas pelo povo, num segundo momento notaram que apenas denunciando seus próprio jogo é que poderiam ser bem sucedidas. Quem sabe tudo não passava de um "soluço" que um golpe ou uma ditadura não pudesse resolver e trazer estes países à "normalidade" de sempre?

No caso de Chávez as elites foram derrotadas em seu golpe em em todas as suas reações, no caso Boliviano a direita foi recolocada em seu lugar e hoje o fantasma da separação da "meia lua" está mais ou menos controlado e, no fim, falta ainda resolver a situação de Honduras.

Na verdade, o caso de Honduras merece atenção particular. O ódio e o medo das elites de perderem em toda a América Latina falou mais alto e encontraram em Honduras um campo fértil para pôr em prática sue contra-golpe. Zelaya era homem da direita, da elite, mas foi seduzido pela ALBA e pelo Chavismo e passou a ser um incômodo à direita. Pela sua origem os oligarcas devem ter acreditado que não haveria grande atenção e resposta à sua deposição, mas estavam errados.

A unidade da Esquerda latinoamericana está consolidada. ainda esperamos pelo desfecho da situação em Honduras, que encontra-se isolada e sofrendo pesadas sanções por parte de diversos paises, sob um governo títere e golpista.

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"Ela (mídia) costuma dizer q “o povo brasileiro não tem memória”. Mas é essa mídia a q produz o esquecimento" (Emir Sader)
Pois bem, chegando ao objetivo principal do presente artigo, podemos analisar a resposta das elites às suas perdas, à sua perda de hegemonia.

A imprensa brasileira como um todo comemorou a deposição de Zelaya. Vedetes neofascistas como Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi não esconderam sua alegria - e a alegria da direita - em ver um representante contra-hegemônico governar um país. Escolheram um momento para manipular a opinião pública, fabricar fatos e, então, retirá-lo do poder. Mas calcularam mal a resposta internacional (e até mesmo a interna)e ficaram isolados.

Com Chávez podemos analisar também de forma perfeita a resposta das elites pelo mundo. O fato de ter proposto uma nova constituição, de ter aprovado referendos para se reeleger não entram na cabeça das elites.

Não importa que todo e cada movimento de Chávez tenha passado pelo crivo popular. Para a direita o povo só importa quando para manter a si no poder.

Durante as campanhas Chavistas pela reeleição e por nova constituição era lugar comum a mídia apresentar a oposição como pobre-coitada que queria manter a legalidade no país. Marchas da oposição eram mostradas a torto e a direita, quase com fervor patriótico enquanto a situação, os Chavistas, eram os crápulas.

Era ainda comum que marchas Chavistas fossem escondidas, protestos pró-Chavez fossem simplesmente deixados de lado e manifestações da oposição infladas, louvadas.

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Um conceito interessante é a de que não importa - fiquemos no Brasil - se quem está no poder é o PSDB, o Demo ou qualquer outro partido da oligarquia. Isto que a direita costuma chamar de alternância de poder, na verdade, nada mais é que uma forma de manter o poder nas mãos de um mesmo grupo, que finge se degladiar mas, no fim, ajuda aos seus. Muda o nome do presidente, mas a base, a estrutura e as ações permanecem as mesmas.

Mas a isto chamam de Democracia. Alternância de nomes, não de projetos ou ideologia.

Porém, não é democracia o fato de alguém consultar o povo sobre cada um de seus movimentos, tampouco realizar aquilo que anseia o povo.

A isto, chamam de Populismo.

Não que Chavez, por exemplo, não cometa seus erros, os comete sim pois é humano, mas as elites não toleram seus acertos.

É curioso observar o papel lamentável da mídia no caso da reeleição de Uribe. Para todos ele é um herói que tem amplo apoio popular - de fato, tem realmente apoio mas em momento algum consultou o povo sobre suas reeleições, tudo foi decidido à portas fechadas -, já Chavez, por ter consultado o povo, é chamado sem parcimônia pela mídia de Ditador.

No fim, a diferença entre um Ditador e um Herói não é nem o respeito pelo jogo democrático, mas se participa deste jogo e o modifica em comum acordo com as elites, com as oligarquias.

Se a elite vence, modifica o jogo como bem entende e não vê qualquer problema. Se é a Esquerda, porém, quem vence, o jogo torna-se obsoleto e medidas extremas são tentadas, como golpes, derrubadas e acusações falsas contra quem está no poder.
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terça-feira, 25 de agosto de 2009

O Jogo Democrático [Parte 1]

Não sei se muitos já notaram, mas o termo democracia parece só existir ou ter validade - ao menos para as elites e para a mídia em geral - quando isto significa que as elites estejam no poder.

Pode parecer básico para uns, mas para muitos, graças à manipulação midiática, talvez esta idéia não passe pela cabeça.

O que quero dizer é que é fácil verificar, como no caso de Chavez, Uribe e Zelaya, àquele que é popular, que governa para o povo, é o "populista" na concepção negativa do termo, já o da direita - no caso, Uribe - é o herói. Os jornais dão mínima publicidade à sua reeleição - isto quando sequer tocam no assunto - e normalmente sem qualquer polêmica, contrariedade ou acusação de falta de democracia.

Quando, por outro lado, a reeleição é proposta por Chávez ou Zelaya - que sequer iria se reeleger, mesmo aprovando a proposta - então estamos falando de verdadeiros ditadores anti-democráticos (a frase é incoerente de propósito).

As elites não toleram serem vencidas em seu próprio jogo, o dito "democrático".

A questão é exatamente esta, o jogo democrático foi inventado e é mantido pelas elites que, pressionadas, foram obrigadas ao longo do tempo a incluir todas as camadas da sociedade neste jogo.

Se, no caso do Brasil, aos poucos os pobres puderam votar, as mulheres, os presos, analfabetos e etc, fica claro que a elite foi parcimoniosamente "convencida" a abrir mais espaço em seu jogo para novos participantes, mas, o ponto principal, é a de que este convencimento sempre veio acompanhado de garantias: A de que a elite não seria destronada.

Os mecanismos para evitar que o "povo" chegasse ao poder foram e são vários. E começam a falhar.

Após a segunda guerra a abertura democrática foi mais que uma necessidade para as repúblicas pelo mundo. A pressão feroz e constante dos movimentos operários insatisfeitos, dos movimentos anarquistas, dos feministas e etc no pré e pós guerra tornaram a mudança inescapável.

No pré-guerra, vejam o caso espanhol, os atentados anarquistas e avanços socialistas e comunistas eram uma constante. No resto do mundo, no pós-guerra, a única maneira de esvaziar o movimento operário e os grupos que pregavam a revolução aos moldes Soviéticos era, enfim, abrir mais espaço para os insatisfeitos participarem no processo decisório.

Em alguns lugares as medidas adotadas foram a implementação do Estado de Bem Estar Social.

Mas esta participação sempre foi controlada na base da cooptação, intimidação e até através de ilegalizações e franca brutalidade e violência estatal. No geral, as camadas de baixo se tornaram mais dóceis, acabaram por receber alguns benefícios e os movimentos políticos se enfraqueceram.

De tempos em tempos, quando a situação se tornava por demais opressiva e algum movimento de base se fortalecia, um ou outro golpe de Estado tomava lugar ou um governo de direita assumia para tentar controlar os ânimos e trazer de volta o jogo às suas regras normais.

O que se vê hoje não difere muito do quadro de outros tempos. Qualquer movimento que se oponha às elites estabelecidas é atacado. Seja num primeiro momento através da infiltração de pelegos, através da franca cooptação de seus quadros até a aberta e franca violência e repressão.

Mas o que vemos hoje, em especial na América Latina, é um crescimento avassalador dos movimentos sociais que estão conseguindo vencer as elites em seu jogo de partilha do poder.

Quando vemos pelo mundo disputas entre Conservadores e Liberais, entre tradicionalistas e progressistas, estamos nada mais nada menos que observando uma briga entre aliados das elites que tentam passar adiante a imagem de que não são tão parecidos, de que tem propostas diferentes. Basta olhar para os últimos anos dos Trabalhistas e Conservadores na Grã Bretanha e Socialistas (sic) ou Social-Democratas e Conservadores na Alemanha para vermos que, de fato, as diferenças são cosméticas e o que temos é uma (pseudo)alternância de poder entre forças basicamente iguais.

Do Brasil do café com leite as semelhanças são marcantes. As mesmas elites se revezando sem, porém, nutrirem grandes diferenças. É o poder pelo poder, sem novas idéias e pelo bem das elites.

Ao longo do processo observamos apenas "soluços", quando há alguma quebra da institucionalidade e reais mudanças sociais ou processos de readaptação e reorganização do jogo, no caso das ditaduras militares.

O objetivo deste texto, enfim, é demonstrar que ao longo de toda a história "democrática" do ocidente observamos a um jogo de cartas marcadas onde os grupos que se revezam no poder, apesar de na teoria defenderem idéias antagônicas, são basicamente iguais. São elites políticas que se revezam sem levar em consideração o grosso do povo, as massas, a não ser quando precisam delas.

As massas nada mais são que massa de manobra, usadas por uma ou outra força em momentos estratégicos e que ao longo dos anos conseguem evoluir um pouco aqui ou ali mas que, no fim, não saem da sua situação de explorados eternos.

A criminalização dos movimentos sociais segue a mesma lógica. Para as elites é intolerável que um movimento de massas, organizado, ponha me perigo suas "conquistas", suas terras, posses, bens e privilégios.
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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Inocente manipulação midiática: Chavez versus Uribe

1. Introdução
Quem lê o blog ha algum tempo notou que o post anterior sobre manipulação midiática foi "resubido". O objetivo foi fazer uma espécie de abertura para demonstrar outra manipulação clara e descarada do PIG, agora na questão da reeleição de Alvaro Uribe, narco-Presidente colombiano e terrorista nas horas vagas.

Por acaso algum desavisado encontrou a palavra "ditador" ou "ditadura"em qualquer notícia sobre a aprovação da lei - pelo Senado, falta ainda a Câmara dos Deputados - que garante ao Uribe o direito de se reeleger pela segunda vez?

Uribe foi eleito em 2002, reeleito em 2006 e agora finge "não saber" se irá tentar novamente a reeleição. A mídia é tão inocente! Os deputados e senadores governistas só falam disso há meses, estão unidos para permitir a reeleição mas o comandante em chefe não sabe de nada? Contem outra, por favor, que esta não cola! Aliás, retomarei este comentário mais para a frente.

A primeira reeleição de Uribe, aliás, já foi fruto de uma mudança na constituição! Mas ninguém ousou chamá-lo de ditador.

Aliás, porque chamariam?

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2. Questões

Ficam, então, algumas questões:

Uribe pode ser tudo - e é - mas ditador? Se ele tem maioria no congresso (vamos tentar acreditar que as eleições na Colômbia são limpas) e este mesmo congresso resolveu mudar a constituição, prerrogativa sua, então onde está o problema?

--A pergunta acima foi carregada de ironia, que fique claro --

E se este mesmo congresso resolve convocar um referendo popular para permitir que o povo decida se quer ou não permitir outra reeleição, o que há de errado nisso?

não tem o povo o direito de decidir por si? O congresso não decidiu nada, apenas passou ao povo o direito de escolher, isto não é o mais moderno em democracia representativa?

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3. Uribe versus Chavez

Se você respondeu sim para todas as questões então eu então pergunto:

Porque, para a mídia, Uribe é o herói montado no cavalo branco que vai solucionar todos os problemas da Colômbia e esmagar os terroristas (sic) das FARC e ELN e, obiviamente tem o direito divino de se reeleger indefinidamente e Chavez é o capeta, o "radical" e, enfim, o ditador terrível e assustador que cometeu o crime de se reeleger mais de uma vez?

E, vejam bem, Chavez foi reeleito após aprovar referendo popular para tal! Em suma, o mecanismo usado por Uribe é semelhante (estou falando de mudanças na constituição) ao usado por Chavez, mas a midia trata um como herói e o outro como um ditador!
Uma breve pesquisa no Google evidencia a discrepância na cobertura da imprensa brasileira. Ao utilizar as palavras chave "reeleição Chávez" no buscador, são encontrados aproximadamente 1370 resultados só no ano de 2009; no mesmo período, e com as palavras chave "reeleição Uribe", são exibidos cerca de 598 - menos da metade.
Um adendo, sobre Uribe conseguir "derrotar" as FARC e etc, claro que ninguém pergunta como, se por meios lícitos e diálogo ou se valendo de repressão, brutalidade e dos narcotraficantes da extrema-direta, como os das AUC. Na prática, vale a segunda opção. Mas isto o PIG não comenta!

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4. O caso de Honduras

Outro paralelo a ser traçado, em termos de posicionamento midiático, mas este ainda mais radical, é com Honduras. Zelaya foi deposto por sua tentativa de consultar o povo sobre a possibilidade de uma reeleição.

Na verdade, em Honduras a questão foi ainda mais estranha, Zelaya ia realizar uma consulta para saber se o povo aceitaria que ele fizesse um referendo para, então poder permitir a reeleição. E, mesmo que aprovada, Zelaya sequer poderia ser este candidato!
O caso concreto do Zelaya é que a notícia de que ele colocaria no plebiscito a possibilidade do terceiro mandato, coisa que não existia, foi dada pela France Press, não sei se unicamente por ela, mas foi reproduzida acriticamente aqui no Brasil por alguns veículos de comunicação. É um padrão nacional, mas que também tem vínculos com a grande mídia internacional.
A mídia nem esperou para chamar Zelaya de Ditador, apoiaram logo sua retirada forçada do poder, um golpe de Estado clássico.

Mas o foco deste artigo não é Honduras, que já analisei exaustivamente em vários posts que podem ser encontrados sob a tag "Honduras" e, para um pouco mais, vale a leitura do mais novo artigo do Idelber Avelar para a Revista Fórum.

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5. Chávez em questão e Breve histórico

Para se observar melhor ainda o paralelo vejam que Chavez foi eleito em 1998 pela primeira vez, com amplo apoio político e em 1999 aprovou, por referendo popular, uma Assembléia constituinte. Ou seja, quem decidiu pela Assembléia foi o povo, através do voto e com maioria esmagadora de 70%.

Com maioria, graças ao voto popular, redige a constituição e a coloca em nova votação popular. Mais uma vez, mais de 70% de aprovação.

Em 2000, através do voto, se reelege.

Em 200 a oposição tenta retirar Chavez do poder com um referendo revogatório. Chavez vence com amplo apoio popular.

Em 2006 Chavez se reelege novamente, com maciço apoio popular.

Finalmente, no fim de 2008, o congresso aprova a reeleição indefinida de todos os cargos eleitos- e não só o do Presidente.

O que se vê, enfim, é que em todos os momentos Chavez teve amplo apoio popular e apoio do congresso, e que a oposição, em 2002, resolveu passar por cima da vontade popular e deu um golpe de Estado - de vida curta - e retirou Chavez do poder.

Vejamos se é possível compreender, Chavez sempre foi eleito, sempre teve maioria no congresso mas, enfim, é ditador. Além disso ainda sofreu um golpe e voltou nos braços do povo. Mas é um ditador.

Não percam a conta, Chavez foi eleito em 1998 e reeleito em 2000 (2 anos depois, a constituição mudou, o mandato foi "zerado") e em 2006. Ou seja, se reelegeu duas vezes e apenas aspira ao terceiro mandato. Assim como Uribe!

E todo o processo contou com uma maioria parlamentar e referendo(s)! Chavez e Uribe, enfim, agiram de forma semelhante, mas a mídia escolheu seu lado. A mídia, aliás, esqueceu de avisar que simplesmente escolheu o que lhe pareceu mais simpático, porque na prática não há qualquer diferença entre Chavez e Uribe no que tange os processos de eleição e reeleição, com a única diferença marcante sendo o fato de Chavez ter sido vítima de um golpe.

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6. Uribe em questão e Breve histórico

Ah sim, não nos esqueçamos de Alvaro Uribe, que foi eleito a primeira vez e 2002 e, em 2005 conseguiu que o congresso e a Corte Constitucional aprovassem sua reeleição, que se deu em 2006.

Vejam que, diferentemente de Chavez, Uribe não realizou qualquer consulta ou referendo, mas em momento algum foi chamado de Ditador. Contou apenas com a aprovação do legislativo e judiciário mas em momento algum se preocupou em consultar o povo.

Aliás, sobre este processo pairam até hoje denúncias de corrupção e suborno de parlamentares para aprovarem a mudança constitucional. E, cabe ainda notar, Uribe inicialmente se dizia contrário à reeleição. Chavez, por outro lado, sempre deixou claras suas intenções e, além disso, teve a decência de consultar o povo.

Neste meio tempo Uribe ainda passou por vários escândalos, como o de alianças com paramilitares, com narcotraficantes, corrupção, invasão do território Equatoriano e etc.

Como se vê, um verdadeiro democrata!

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7. ConclusãoO que se vê, enfim, é o posicionamento claramente ideológico e ideologizado da Mídia que, das duas uma, ou raramente dá publicidade ao fato - e quando o faz é sem qualquer crítica -, ou então se declara francamente favorável, feliz e satisfeita com a reeleição de Uribe.

Em ambos os casos é visível a falta de memória (memória seletiva?) e o mal-caratismo em louvar o acontecimento que contém mais do que esporádicos paralelos com os processos eleitorais e legislativos que levaram Chávez à se reeleger nos anos anteriores.

A diferença marcante, no entanto, é que Chavez submeteu todas as modificações constitucionais ao crivo popular, em referendos democráticos, enquanto Uribe tomou todas as decisões sem deixar seu palácio, nos escritórios parlamentares.

Chavéz é ditador, Uribe, mesmo copiando (e mal), não.

E porque a mídia se posiciona desta maneira?

Simples, porque Chavez é apenas um "caudillo", um esquerdista, até um comunista!

E, do outro lado, porque Uribe está alinhado com o sonho neoliberal, defende com unhas e dentes o livre mercado, interfere apenas nos negócios das FARC e ELN (corja comunista e narcotraficante) sem, porém, interferir nos negócios dos narcotraficantes da direita - seus aliados - e, acima de tudo, está alinhado com os EUA, sendo o seu braço mais visível na América do Sul, talvez o único ainda remanescente.
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quinta-feira, 28 de maio de 2009

O merecido tratamento dado a Vargas Llosa. [Update]

Nada a reclamar do tratamento dado a um dos "intelectuais" preferidos da direita, Mario Vargas Llosa.

A admoestação "não trate de assuntos políticos no país dos outros" foi o toque final e um aviso bem dado a quem adora acusar sem assumir as consequências e tem a cara de pau de querer ir à Venezuela achando que está tudo bem, tudo normal, que será bem vindo.

Llosa constantemente acusa a Venezuela e seu presidente, Chávez, de ser uma ditadura e um ditador, respectivamente. Esperar um tratamento de celebridade é cuspir na soberania do país.

Liberdade de expressão é algo maravilhoso, mas acusações caluniosas e que podem causar conflito, são outra coisa.

Escritor Mario Vargas Llosa passa duas horas detido em aeroporto na Venezuela

Publicada em 27/05/2009 às 19h18m

CARACAS - O famoso escritor peruano Mario Vargas Llosa foi detido por mais de uma hora por funcionários de migração do aeroporto internacional da Venezuela, nesta quarta-feira, ao chegar ao país para participar de um fórum de intelectuais promovido por uma organização privada de oposição ao governo.

Depois de deixar o aeroporto, o escritor contou a imprensa que foi "amavelmente" advertido por um funcionário da alfândega que lhe disse que "como estrangeiro não tinha direito de fazer declarações políticas" na Venezuela.

- Eu também com muita amabilidade respondi que estando na terra de (Simón) Bolívar o libertador da América do Sul, ninguém poderia colocar obstáculos ao livre pensamento, à livre expressão, e que ia falar com toda liberdade como sempre faço - disse.

O escritor teve, ainda, a bagagem revistada.

- Comprovaram que não trago nenhum contrabando ou material explosivo, nem subversivo, exceto alguns livros de poesia - acrescentou.

O episódio foi semelhante ao ocorrido com seu filho, o jornalista Alvaro Vargas Llosa, que na segunda-feira foi detido por duas horas antes de receber autorização para entrar no país após apresentar os documentos de identificação.

Durante o tempo em que ficou detido no setor de imigração do aeroporto, em Caracas, jornalistas puderam ver Mario Vargas Llosa sentado, aguardando a autorização para sair do aeroporto.

Vencedor de diversos prêmios literários como o Planeta, Rómulo Gallegos e Cervantes, Mario Vargas Llosa participará nos dias 28 e 29 de maio de encontro sobre liberdade e democracia, organizado pela instituição privada Centro de Divulgação do Conhecimento Econômico para a Liberdade (Cedice). Também estarão no evento o ex-presidente boliviano Jorge Quiroga, o ex-chanceler mexicano Jorge Castañeda, o mexicano Enrique Krauze e o colombiano Plinio Apuleyo Mendoza, entre outros intelectuais.

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Update:

"Venezuela vive em ditadura, acusa prefeito de Caracas"

Engraçado... Até onde eu sei, em uma ditadura, alguém com a "coragem" de dizer tal coisa seria, provavelmente, preso ou morto ("desaparecido", para ficar melhor).

Mas quem falou não foi qualquer um mas o prefeito ELEITO de Caracas. Oras, uma ditadura onde um prefeito OPOSITOR foi ELEITO? Só mesmo na Venezuela!

"A Venezuela está "vivendo em uma ditadura", já que todos os poderes estaduais são "controlados" pelo Executivo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmou nesta quinta-feira à Agência Efe o prefeito metropolitano de Caracas, o opositor Antonio Ledezma.

"Aqui, temos um Parlamento e um Poder Judiciário controlados totalmente pelo presidente Chávez, portanto estamos vivendo em uma ditadura", acusou o prefeito da capital venezuelana."

Vejamos, o Parlamento é controlado por Chavistas porque... o POVO votou em candidatos Chavistas! Que grande ditadura! O povo votou, decidiu, escolheu seus representantes mas, como não são da direita - que por outro lado dominou o país por décadas, mas não chamavam de ditadura -, são parte de uma conspiração ditatorial!

O Judiciário é como no Brasil, os juízes supremos são indicados pelo Presidente, assim como nos EUA e em vários outros países... São todos "Ditaduras"?

Aliás, retomo, o prefeito opositor ELEITO fala em ditadura? Então como ele foi democraticamente alçado ao posto de prefeito?

"Ledezma fez as declarações pouco após participar da abertura do fórum Encontro Internacional Democracia e Liberdade, que reúne intelectuais e políticos latino-americanos como Jorge Quiroga, ex-presidente da Bolívia, o escritor peruano Mario Vargas Llosa e o ex-chanceler mexicano Jorge Castañeda."

Uma ditadura que permite um fórum direitista e opositor? Declarações livres, liberdade de expressão....

"Estamos a caminho de nos convertemos na segunda Cuba (...). Chávez não escondeu, sendo Cuba o mar da felicidade e Fidel Castro, seu paradigma", afirmou Ledezma no hotel em Caracas onde acontece o fórum organizado pelo Centro de Divulgação do Conhecimento Econômico para a Liberdade (Cedice), que termina amanhã.

Oras, é crime admirar Castro e Cuba? Mesmo depois de embargos, invasões e tentativas de assassinar Castro, Cuba continua lá. Aliás, tentativas de assassinat opatrocinadas pelos EUA, nação-ídolo da direita Venezuelana... Direita falar em ditadura é uma coisa tão engraçada, especialmente quando sua vedete patrocinou TODAS as ditaduras das Américas nos anos 60, 70 e 80.... Mas estes adoravam esse período de "liberdade e democracia".

"Além disso, o prefeito falou sobre o incidente com Vargas Llosa, que ficou retido durante 90 minutos na quarta ao chegar ao aeroporto de Caracas, e advertido de que, segundo disse, poderia ser expulso do país se fizesse declarações sobre a política venezuelana.

"Este é um governo intolerante, incapaz de tolerar a dissidência e que criminaliza a oposição (...). Este é um fórum onde se debatem ideias e Vargas Llosa é um homem de ideias", disse.

Ledezma venceu as eleições regionais e municipais de novembro, mas denunciou que recentes decretos presidenciais, como a criação de um novo organismo de Caracas nomeado diretamente por Chávez, tentam diminuir as competências da Prefeitura da capital."

Vargas Llosa chama Chávez de Ditador, esculhamba a Venezuela e espera ser tratado como herói.... qualquer pessoa é passível de expulsão caso ameace a soberania de um país ao fazer críticas desmedidas à ele. Um agitador pseudo-intelectual é um verdadeiro perigo mas, ainda assim, participa do fórum golpista e discursa livremente.

No mais, o parágrafo final retoma pela milésima vez o que já disse, o "homem-ditadura" foi ELEITO. Como pode, não?





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domingo, 10 de maio de 2009

Dá-lhe Chávez!

Do Vi o Mundo.

Dá-lhe, Chávez

09/05/2009 - 18h53
Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ameaça deixar a OEA

da
Folha Online

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ameaçou neste sábado deixar a Organização dos Estados Americanos (OEA) para criar em seu lugar um novo órgão do que chamou de povos livres. Ele se mostrou indignado com um recente relatório da Comissão Interamericana dos Direitos Humanos (CIDH) que critica seu país.

"A Venezuela pode sair da OEA e convocar os povos deste continente para nos libertar destas ferramentas velhas e formar uma organização de povos da América Latina, de povos livres", declarou Chávez.

O dirigente rejeitou as conclusões do relatório da CIDH, segundo o qual existe na Venezuela um clima hostil ao desacordo político, e lembrou que a comissão reconheceu o governo de Pedro Carmona, que tomou o poder no país em 2002 depois de um golpe de Estado contra Chávez.

"A OEA é uma burocracia imperial. Porque ela nunca condenou [o ex-presidente dos Estados Unidos George W.] Bush?", perguntou o presidente venezuelano.

"Há poucos dias, o império dos Estados Unidos bombardeou aldeias inocentes no Afeganistão, onde não sei quantas mulheres e crianças morreram. Mas disso a comissão não fala", afirmou ainda o presidente.

Relações Exteriores

O relatório da CIDH incluiu a Venezuela no grupo de países que precisam melhorar a defesa e o cumprimento dos direitos humanos.

Um comunicado do Ministério das Relações Exteriores afirma que tais qualificações são consequência de o relatório não se basear em questões próprias, mas tomar como base exclusiva fatos narrados pela imprensa.

"A Comissão Interamericana de Direitos Humanos abandonou sua condição de organismo internacional de proteção de direitos humanos", segundo o comunicado.

A CIDH é agora, segundo o comunicado, "um instrumento político dos setores nacionais e internacionais que, por razões ideológicas, atacam governos progressistas da região".

A chancelaria venezuela ainda qualificou o relatório da CIDH para 2008 de "errôneo, mal-intencionado e falso".

Com France Presse e Efe

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quarta-feira, 1 de abril de 2009

FEBEAMU*, ex-FEBEAPÁ

* Festival de Besteiras que Assolam o Mundo, grande Stanislaw Ponte Preta em livre adaptação!


Impressionante como em apenas uma cúpula - e em uma notícia - é possível um desfile tão grande de besteiras e de diplomacia tosca!

Vamos aos fatos.

"Lula abandona almoço no Qatar ao perceber que ditador sudanês se sentaria a seu lado"


Louvável... Se o Brasil, pelo menos, como signatário do TPI (tribunal Penal Internacional), declarasse publicamente sua posição quanto ao mandato de prisão de al-Bashir, presidente (ditador) genocida do Sudão.

O Brasil, na ONU, preferiu votar contra o envio de um relator independente para analisar as denúncias em Darfur, ou seja, votou a favor do Bashir, logo, a atitude de Lula é, minimamente, anacrônica e está em descompasso com sua própria política diplomática.

O padrão da posição brasileira na ONU tem sido um fator de surpresa para entidades internacionais, como a Human Rights Watch, que alerta para a "contradição" no Brasil entre defender os direitos humanos e continuar a votar contra resoluções que condenem governos que violam direitos básicos. Além de apoiar o Congo, o Brasil evita condenar o Sudão e ainda não ataca frontalmente a Coreia do Norte, dois dos regimes mais duros hoje no mundo.

"O Brasil ratificou o TPI, mas até hoje não se pronunciou sobre Al Bashir. O chanceler Celso Amorim afirmou que o tema do sudanês não estava na agenda"

Impressionante! O país que tem a intenção de entrar no Conselho de Segurança com uma vaga permanente não tem espaço na sua importnatíssima (?) agenda para discutir a condenação de um genocida? É o fim da picada!

Sigamos a notícia...

"[...] o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, convidou Al Bashir para visitar Caracas. Para ele, Shimon Peres, de Israel, e o ex-presidente americano George W. Bush deveriam ser presos por "genocídio.""

Eu apóio muitas das políticas de Chavez e simpatizo com o mesmo mas, dessa vez, foi o limite. Shimon Peres e toda a elite governamental e militar israelense deveria ser processada e condenada por genocídio, Bush, igualmente, e al-Bashir, indubitavelmente!

al-Bashir é um genocida igual aos outros citados acima e é um absurdo que para defender sua política na região Chavez prefira falar uma bestiera dessas a se limitar a ficar calado.

É compreensível, do ponto de vista diplomático, em um momento em que Chávez se aproxima do Irã e dos países árabes que ele acabe apoiando posições controversas da Liga Árabe mas tudo tem limite. A defesa do ser humano, pilar fundamental do Socialismo - que diz defender Chavez - não pode ser estuprado de tal maneira.

"Já Michelle Bachelet, presidente do Chile e que teve seu pai morto pela Ditadura, foi explícita em sua posição e deixou claro que não compartilhava da posição de Chávez ou da Liga Árabe[...]"

Excelente, o que se esperaria de qualquer líder mundial consciente. Quem sofreu na pele os efeitos de uma ditadura não pode, em sã consciência, apoiar um regime igual.

"Chávez alegou que a soberania dos países e a imunidade dos presidentes não poderia ser violada, recomendando o Brasil a também condenar o tribunal.

- Se o presidente cometeu algum crime, cabe à Justiça de seu país julgar - afirmou. - O Brasil deveria se sentir atropelado, assim como todos os países do Terceiro Mundo."

No mínimo, a declaração é incoerente. Se a soberania do Sudão é inviolável então como seria possível violar a israelense e estadunidense em possíveis julgamentos por genocídio?

Não posso crer que Chavez espera que Israelenses julguem os seus por genocídio ou os estadunidenses façam o mesmo. É utopia em demasia! A solução única seria um tribunal internacional, o TPI, o mesmo que Chavez pede para ser esquecido.

Finalmente, o final cruel e infantil.

"Lula apoia plano de troca de "terra por paz" com Israel"

Primeiro: Israel JAMAIS permitirá aos Palestinos formarem um Estado verdadeiro. JAMAIS Israel permitirá aos Palestinos terem um governo que escolherem, caso não seja o de seu interesse, não terão jamais exército ou forças armadas equipadas e preparadas. É uma ilusão.

Segundo: A troca de terras é ilegal. Ou pelo menos imoral. A ONU já reconehceu em DEZENAs de resoluções o direito da Palestina existir no território com fronteiras anteriores à ocupação ILEGAL de 1967. Qualquer território cedido, tomado ou aifns é ilegal ou, novamente, imoral na pior das hipóteses.

Terceiro: Reeditar Camp David é uma jogada tola e inútil. Israel, buscando escapar de seu isolamento, relança uma carta marcada na esperança de ganhar credibilidade. E Lula engole.

Faz um desserviço ao povo Palestino.
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