Blog de comentários sobre política, relações internacionais, direitos humanos, nacionalismo basco e divagações em geral... Nome descaradamente baseado no The Angry Arab
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
USP: Qualquer semelhança com a época da ditadura militar NÃO é mera coincidência.
Deixei absolutamente claro que não apoiei a ocupação da reitoria, especialmente da forma como foi feita, à revelia da maior parte dos estudantes reunidos em assembleia, que, junto com o DCE, votaram contra a ocupação, acreditando - corretamente - ser contra producente para o movimento.
Mas a rebelião não surpreendeu, na verdade era algo até lógico de acontecer em meio a um movimento estudantil fragmentado em diversas pequenas correntes, umas mais radicais, outras mais coerentes.
Dois pontos, porém, precisam ser rapidamente debatidos e denunciados, pois foram usados de forma incessante pela grande mídia e por muitos "cidadãos de bem" para tentar deslegitimar não apenas a ocupação - equivocada -, mas toda a resistência legítima feita contra a presença da PM no campus e a luta contra a ditadura imposta pelo reitor Rodas
Maconha e riqueza
O primeiro ponto é a questão da maconha, o segundo, a suposta riqueza dos manifestantes.
Estopim da mais recente revolta, a maconha acabou como vilã de um processo já longo de contestação da presença da PM no campus. Quando três estudantes foram presos por fumar, a revolta estourou sem, no entanto, a questão central ser o direito de fumar e a luta contra a criminalização das drogas.
Pouco antes da prisão dos três estudantes fumando maconha, a PM já havia assediado, revistado e intimidado estudantes em frente à biblioteca da FFLCH. Depois de uma situação como estas, a prisão de estudantes só poderia levar à revolta.
Fico sempre curioso para perguntar se boa parte dos hoje revoltados cidadãos de bem classe-medianos, assim como governantes costumeiramente truculentos (ou ex-governantes, como Serra, que foi presidente da UNE) nunca fumaram maconha, nunca transgrediram e sempre se limitaram a ir à universidade assistir aulas.
sábado, 5 de novembro de 2011
Legitimidade: Apoiar a Ocupação na USP?
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É preciso colocar que o DCE apresentou propostas, ao mesmo tempo em que repudiou a reitoria e se mostrou contrário à ocupação.
Uma reivindicação histórica do movimento estudantil é a ampliação do efetivo da Guarda Universitária, o fim da terceirização da Guarda Universitária (tem uma rotatividade grande na segurança na USP), que ela tenha um papel preventivo e não repressivo, que receba treinamento em direitos humanos e criação de efetivo feminino pra lidar com os casos de assédio sexual e estupro, que ocorrem as dezenas e são abafados. Também melhora no sistema de iluminação (promessa que não sai do papel), ampliação da circulação no campus através dos ônibus circulares que têm em número restrito (por exemplo, não existe ônibus que vá do campus até a estação de metrô, como prometido), a ampliação do número de vagas de moradia no campus, pq ajuda a dinamizar a vida universitária, e o fim das restrições da circulação, porque o que aumenta os casos de violência é o fato de o campus ser um lugar ermo.----
Durante a confusão, estudantes invadiram a direção da FFLCH sem nenhum tipo de consulta aos demais alunos sequer da faculdade (apenas cerca de 500 estavam presentes em uma espécie de assembléia que decidiu pela ocupação inicial) e, de quebra, mantiveram a ocupação apesar de uma assembléia posterior, mais ampla, ter votado contra.
A posição do DCE da USP, aliás, também é contrária à ocupação, que se mostra ilegítima frente à maioria dos estudantes.
Um grupo de ultraesquerdistas (MNN, PCO e LER), se apropriou das legítimas bandeiras e reivindicações dos estudantes e tomou para si a (ir)responsabilidade de manter a ocupação e a direção do movimento.
Uma assembleia realizada na noite de terça-feira (1º de novembro) votou pela desocupação do prédio administrativo da Faculdade de Filosofia (FFLCH), iniciada no começo de sexta, 28 de outubro. Mesmo assim, manifestantes iniciaram outra reunião, com quórum menor, e votaram pela ocupação do prédio da Reitoria – invadida minutos depois.Mas, frente à possibilidade da PM intervir - à pedido do sempre ditatorial Reitor Rodas e da conivente justiça de São Paulo - muitos militantes passaram a dar seu apoio à ocupação.
[...]
Infelizmente, um setor minoritário do movimento, derrotado nesta votação, agiu de forma antidemocrática ao ocupar a reitoria, deslegitimando o debate feito no fórum de assembleia. A gestão do DCE-Livre da USP entende que tais práticas deslegitimam as instâncias do movimento e não contribuem para uma atuação consequente, democrática e de luta. É necessário que haja unidade do movimento estudantil para combatermos o projeto privatizante e excludente realizado pelo governo estadual e pela reitoria.
Pois bem, eu discordo da forma e explico.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Casa ou quartel? Reitoria da UFRGS tenta empurrar goela abaixo regimento que retira direitos dos moradores
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Brutalidade policial e vitória dos estudantes, relato do protesto de 17/fev
Primeiro, a tentativa dos estudantes de terem a reunião prometida com o Secretário Municipal dos Transportes - Marcelo Branco - ou com o secretário adjunto da Secretaria de Transportes, Pedro Luiz de Brito Machado.
Durante a manhã, integrantes do movimento se reuniriam com vereadores e o secretário adjunto da Secretaria de Transportes, Pedro Luiz de Brito Machado, para discutir a questão do aumento. No entanto, Machado não compareceu à reunião e apenas um ofício foi encaminhado tratando de questões outras que não a negociação de redução da tarifa. Por isso, os participantes da reunião foram até a Secretaria de Transportes exigindo serem recebidos. Os mesmos conseguiram ser recebidos na Secretaria de Transportes, no entanto, a conversa não trouxe avanços nas negociações e as reivindicações agora estão sendo feitas diretamente à Prefeitura.
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| Foto dos estudantes acorrentados. Tirada pela vereadora Juliana, PT |
Uma manifestação já tinha sido convocada para as 17h na frente da Prefeitura e o protesto acabou por também ser uma demonstração de apoio a estes 6 estudantes.
Cheguei apenas pouco depois do momento em que a brutalidade policial estava no auge, em que bombas e balas haviam sido disparadas contra os estudantes. Mas era possível notar o clima, o ânimo dos estudantes e contar os feridos.
O segundo momento visível é o da impressionante brutalidade policial pouco depois do início do protesto.
Segundo o vereador José Américo, do PT, entrevistado pela Record no dia seguinte, se um ou outro presente ultrapassou as grades não tinha a ver com o movimento. Punir coletivamente um movimento de centenas, quiçá milhares de pessoas pelo erro de um ou dois é simplesmente vergonhoso. Pior, é criminoso.
Aliás, é lugar comum em manifestações que acabam com violência um pequeno grupo de punks fazer com que todo o coletivo pague por sua irresponsabilidade.
De toda forma, as cenas de violência foram amplamente captadas pela mídia e mesmo o criminoso Jornal Nacional não pôde esconder a realidade.
Obviamente não deixaram de anunciar o episódio como "confronto", esquecendo que para tal seria preciso que o outro lado respondesse, estivesse igualmente armado e disposto a lutar. Na verdade o que vimos foi uma demonstração - mais uma - de completo despreparo policial, de brutalidade excessiva e de descaso do prefeito e governador que mandaram estudantes serem espancados.
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| Marca de bala de borracha na perna |
| Bala de borracha no rosto |
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| Vinícius sendo imobilizado, sangrando muito. Foto do Uol |
Como se não bastasse a polícia roubou sua mochila, na qual ele levava seu trabalho de mestrado em um pen drive. No mínimo curioso pensar na polícia, teórica defensora da lei, ROUBANDO um estudante.
A polícia de Alckmin é mesmo uma doçura.
A mídia mais tarde informou que pelo menos 3 vereadores, 5 estudantes e 2 policiais ficaram feridos. Vale notar que os policiais feridos foram provavelmente vítimas de seu próprio gás de pimenta. Não sem alguma cara de pau, a prefeitura divulgou nota lamentando a "violência usada pelos manifestantes". Kassab é um piadista.
O fato dos policiais estarem sem identificação pouco importou à mídia e sua tese do "confronto".
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| José Américo e Donato sendo atacados pela polícia. Foto do Uol |
O terceiro momento, quando tudo se acalmou - ou quase - foi a reação dos presentes. O ódio estampado no rosto dos estudantes, a tentativa do movimento se reagrupar, as denúncias feitas pelo vereador José Américo (PT), ele próprio agredido pela polícia (junto com o vereador Donato, também do PT), e o crescimento da manifestação e preparação pra vigília.
A partir deste momento o acorrentamento voluntário deu lugar a uma situação de sequestro. Os estudantes dentro da prefeitura decidiram que iriam se retirar pacificamente e pôr um fim ao protesto, mas foram impedidos pela polícia. Inicialmente um oficial da GCM estava comandando a operação, mas foi substituído pelo responsável pelo gabinete militar do Kassab que, então, se recusou a permitir a saída dos estudantes sem que fossem fichados e saíssem por trás do edifício, e não pela frente - o que seria uma humilhação para o movimento.
A divisão sectária do movimento estudantil ficou óbvia na plenária realizada sob a liderança do MPL para decidir se os 6 acorrentados deveriam sair ou se deveria ser feita uma vigília durante toda a noite em apoio aos acorrentados, que permaneceriam na prefeitura.
Mas tudo aconteceu de forma invertida. A informação que chegou de dentro era a de que alguns queriam ficar, outros sair e os de fora deveriam decidir. Na verdade, segundo soubemos antes, todos que estavam dentro queriam sair, mas cometeram o erro de deixar a decisão nas mãos de outros. A demora na plenária externa em deliberar - foram várias pessoas defendendo um ou outro lado e uma imensa confusão sobre o resultado - fez com que a polícia tomasse a decisão de não deixar mais ninguém sair sem as condições já descritas: Fichar e sair por trás.
Pela contagem feita, aparentemente os estudantes do lado de fora em sua maioria preferiam que o protesto lá dentro continuasse e que se fizesse uma vigilia durante a noite inteira (gritos de "Egito" eram ouvidos a todo momento), mas dificilmente esta maioria iria se manter firme até o fim da noite, visto que a maioria sequer ficou até a soltura dos reféns, nem bem 3 horas mais tarde.
Desde pelo menos as 18-19 horas que as negociações para a libertação dos estudantes começaram e estes só foram liberados perto da meia noite.
Os vereadores presentes - soube-se que o Police Neto chegou por volta das 10 e meia da noite - passaram horas a fio negociando e o deputado Ivan Valente, ao sair para dar um informe da situação foi impedido de retornar à prefeitura pela polícia e apenas muito depois conseguiu entrar por porta paralela.
Temos então nosso sexto momento, a saída vitoriosa e triunfal dos estudantes!
Foi, de maneira incontestável, uma vitória do movimento estudantil e uma demonstração de força. Ao saírem pela porta da frente, mostraram ao Prefeito que não irão recuar, e que não aceitarão nada além da vitória.
AMANHÃ VAI SER MAIOR!
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Mais fotos:
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
URGENTE: Movimento Social acorrentado AGORA na Prefeitura de São Paulo
sábado, 15 de janeiro de 2011
Mais brutalidade policial em São Paulo.... Relatos da repressão contra estudantes.
Prestem atenção especial na sequência que começa por volta de 2:18, a absurda e injustificável brutalidade policial. PM atira à queima roupa em estudantes que nada faziam além de tentar acalmar os despreparados policiais... O vídeo foi gravado por Carlos Latuff e, acreditem, até o Estadão reproduziu o vídeo!
Diz a Rede Brasil Atual:
Uma passeata pacífica contra o aumento da tarifa do ônibus em São Paulo foi reprimida com violência pela Polícia Militar na quinta-feira (13). Os manifestantes percorriam as ruas do centro da capital entoando palavras de ordem contra o prefeito e o aumento da tarifa.A Polícia de São Paulo, seja PM, Civil ou Guarda Civil é conhecida pela sua brutalidade ímpar no tratamento de manifestantes. Sejam eles desabrigados vítimas de descaso e crime estatal, professores ou, agora (melhor dizendo, novamente), estudantes. Até quando não fazem nada, cometem crimes contra o povo.
Os policiais da Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas (ROCAM) já mostravam sinais de nervosismo quando os manifestantes passaram pelo cruzamento da Avenida São João com a Avenida Ipiranga. Na frente da Praça da República um pequeno tumulto se iniciou, gerando a reação da PM, que começou a disparar balas de borracha e atirar bombas de gás lacrimogênio.
Rapidamente a multidão se dispersou, e a polícia continuou a perseguição com carros e motos nas calçadas Praça Dom José Gaspar.
Este post é resultado de um destaque de post anterior, mas dada a quantidade de informações, resolvi ampliar em post separado.
Em São Paulo estamos passando pela mesma situação, aliás, com uma passagem de 3 reais e um custo vergonhoso e assustador mensal para o trabalhador. E o protesto último foi recebido por balas da polícia de São Paulo.
A criminalização do protesto acaba nisso: Violência policial sem qualquer resposta. Legitima a violência contra a população, não importa quais sejam as razões. Será que é ilegítimo o protesto, mas não há problema na repressão?
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Em São Paulo repressão, estudantes rendidos (aqui, aqui e aqui) e obrigados a apagar fotos e vídeos da repressão policial e em João Pessoa também violência policial contra manifestantes pelo Passe Livre e contra os aumentos das passagens.
Vejam o que me enviou o pessoal do Movimento Passe Livre:
A manifestação marcada para a tarde de hoje contra o aumento da tarifa de ônibus, organizada pelo Movimento Passe Livre de São Paulo, começou com clima de descontração. Muitos estudantes e militantes de diversas entidades cantavam e tocavam com muita animação. Após sair pacificamente em passeata, os cerca de mil manifestantes percorreram diversas ruas do centro da cidade divulgando a luta para a população.Ao chegar à praça da República, no entanto, os presentes viram um pequeno tumulto com policiais transformar-se em desculpa para o início de agressiva repressão, majoritariamente pela Força Tática. A violência atingiu rapidamente maiores proporções, apesar das tentativas dos manifestantes de se reunir e retomar a caminhada pacífica. Bombas de gás lacrimôgenio e de efeito-moral foram lançadas indiscriminadamente contra o protesto, assim como atiradas balas de borracha, que atingiram até mesmo repórteres e fotógrafos. Sprays de pimenta e cassetetes também foram usados para agredir diversas pessoas. Apesar de apenas uma pessoa ter sido detida durante o ato, outras 30 foram presas um bom tempo após a dispersão, enquanto caminhavam pelo centro em grupos menores e procuravam conhecidos. As 31 encontram-se encarceradas no 3º DP. Até agora foram contabilizados cinco feridos.O Movimento Passe Livre de São Paulo marcou para o próximo sábado (15) um debate com tema “Por que lutar por um transporte público?” às 15h no espaço Ay Carmela! (R. Das Carmelitas, 140 – Sé). A próxima manifestação foi convocada para o dia 20 de janeiro (quinta-feira), com concentração às 17h na esquina da R. da Consolação com a Av. Paulista.
"Era uma manifestação pacífica para chamar a atenção das autoridades da Prefeitura e dos vereadores da Câmara Municipal. E fomos recebidos com balas de borracha", criticou a estudante Juliana Esposito, de 27 anos, uma das organizadoras da manifestação. Houve correria dos estudantes pelas Ruas Barão de Itapetininga e 24 de Maio. Parte do grupo se refugiou na Galeria Metrópole. "Os PMs entraram dentro da galeria e fizeram todos os estudantes que estavam com filmadoras e máquinas fotográficas apagarem os arquivos. Foi um abuso total de autoridade. Nos encurralaram dentro da galeria, que sempre foi um território livre dos jovens", disse o estudante Pablo Franco, de 18 anos.
Sem nenhuma provocação, mais uma vez a polícia DemoTucana brutaliza a população em seu direito de protestar.
Dia 20 tem mais uma manifestação! Todos às ruas, sem medo, mostrar que não aceitaremos este aumento abusivo e absurdo das passagens de ônibus e nem seremos vítimas da polícia criminosa do estado!
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Mais vídeos e fotos, no link.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Vitória da Esquerda no DCE da UFRGS
quinta-feira, 8 de abril de 2010
O que resta ao PSOL
Se no PT, algumas tendências eram chamadas de "direita" pelos que hoje compõem o PSOL, aparentemente o problema não eram estas "direitistas", mas a esquerda. Vejam os acontecimentos e crises atuais do PSOL.
Uma das críticas mais contundentes ao PT - duas, na verdade - eram o personalismo e o culto à figura do Lula - eterno candidato, figura máxima do partido - e a política de alianças que, diziam, desfigurava as bandeiras históricas do partido. ambas as críticas eram e são válidas.
O PT fez aliança com tudo e todos que se dispuseram a participar da grande "Frente". Não importa a ideologia, a história ou os Malufs acumulados. De PCdoB à PP, cabe tudo, até Crivellas da vida, Garotinhos e gente da mesma - e pior - espécie.
As alianças, efetivamente, eram e são espúrias, mas os resultados, querendo ou não, apareceram. Os retrocessos existiram, é fato, os setores que não andaram também são outros tantos, mas os avanços são inegáveis. Se o PT abriu mão de diversas bandeiras, por outro lado, manteve outras tantas. Se não fez frente aos bancos e grandes empresários, ao menos soube se aliar em certa medida e freou a venda do país - privatizações DemoTucanas - e fez diminuir a criminalização institucional dos movimentos sociais.
Fez pouco. Mas fez mais que qualquer outro governo anterior e pós-Ditadura.
Bolsa-Família, Cotas, construção de diversas universidades, ProUni... Todas iniciativas que são dignas de crítica mas deixam um saldo positivo.
Enfim, as alianças tornaram o PT mais "pragmático", menos "revolucionário", mas ainda assim permitiu algumas mudanças. A alma talvez não tenha sido vendida... apenas alugada.
A questão principal aqui, no entanto, não é pesar os ganhos e perdas do governo e do PT, mas ter em mente que a questão das alianças - com PP, PR e afins - foi uma das teclas mais pressionadas pelo PSOL durante sua existência e, às vésperas das eleições de 2010, não é que o PSOL aventou a possibilidade de se lliar com o PV? De ser linha transmissora das idéias de Sarney Filho, Gabeira e cia?
Criticou-se tanto a política de alianças do PT para, no fim, se aliarem com o que há de mais podre? PV, PPS, DEM e PSDB?
E, tudo isto, ainda com características autoritárias e personalistas. A responsável pelas conversas, pela aproximação e pelo quase fato consumado da aliança com o PV foi nada menos que a grande crítica do culto à personalidade de Lula, a (ex-senadora reduzida à vereadora) Heloísa Helena.
Das críticas às alianças e ao culto para uma cópia mal feita do mesmo.
Mas não só isso. Lembrem-se que a razão final para a expulsão dos "dissidentes" foi o voto contrário à Reforma da Previdência pois, segundo os descontentes, iria contra as bandeiras históricas do PT. É fato, a reforma era criminosa, mas durante seu Segundo congresso, a tendência conhecida como MES - de Luciana Genro, Roberto Robaina e que conta com a simpatia da Heloísa Helena - ameaçou rachar e inviabilizar o mesmo porque se recusavam a votar qualquer matéria relacionada ao aborto. Não é apenas uma demonstração de intolerância, de personalismo (o fizeram por HH ser contra), mas também uma renúncia à uma bandeira histórica dos movimentos sociais.
O que levou o PSOL à repetir e recriar exatamente as mesmas coisas e o mesmo clima do PT que tanto criticavam?
Hoje o PSOL é um partido fraturado, dividido em tendências antagônicas que se recusam a conversar. Envolto à um roubo de domínio (o site nacional foi simplesmente roubado pela coligação dos amigos da HH) e à datas conflitantes da reunião que decidirá o candidato do partido às eleições, o PSOL enfrenta uma queda abrupta de popularidade e, hoje, não se mostra como alternativa à nada.
Por maior que seja o respeito que eu tenha por diversos quadros do partido - em particular ao Plínio de Arruda Sampaio, possível candidato presidencial do partido - o PSOL hoje não tem a estrutura, a unidade e a capacidade de gerir nem um condomínio.
E não falo isto pela capacidade individual ou coletiva de muitos de seus quadros - que são excelentes , mas pelo fato de que o partido não age como uma unidade para nada. Não concorda nem em eleições para DCE, lança chapas concorrentes e, no fim, permite que a direita coloque sas manguinhas de fora e quase vença (USP, mais uma questão de rachas da Esquerda) ou vença (UFRGS).
O PSOL hoje é um partido pequeno dividido em partidos micro. Uma federação de pequeníssimos partidos que raramente conversam entre si e que emulam o PT rachado, problemático e doente.
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Que fique claro, ao fim, que não estou buscando "culpados" ou razões para tal corrompimento. Uns falam que o PSOL nasceu com força demais e não soube administrar, outros que veio de salto alto, ou ainda que as expectativas eram simplesmente grandes demais e, por fim, que o partido nasceu com alguma base, mas sem grande presença/apoio no/do movimento social, que permaneceu com o PT.
Eu alencaria, apenas de passagem, outro fator que, para mim, é mais relevante: O racha do PT foi (apenas) interno. Parece óbvio? Talvez não seja. O racha levou para fora do PT uma certa quantidade de figuras públicas e militantes, mas não respingou para fora do partido como se esperaria. Movimentos Sociais, sindicatos e o grosso dos eleitores mal tomaram conhecimento deste racha. A fundação do PSOL não refletiu - como se esperava - externamente.
As tendências majoritárias permaneceram, muitas outras de porte médio igualmente. O grosso do PT ficou, assim como os eleitores.
Outro fator relevante, mais agora do que na eleição passada, é a popularidade do Lula. Fator este acima de qualquer discussão. Para muitos, Lula é o PT, idéia esta que muitos da liderança do partido não fazem questão de negar ou rebater.
Outro fator que enxergo é o fato do PSOL ter migrado mais para a esquerda, se aproximando em alguns aspectos com o PSTU, o que acaba por dividir o eleitorado entre uma posição já consolidada e o novo em meio a um PT forte, de eleitorado convicto e histórico e muitos que se aproximaram exatamente pelo pragmatismo - ou centrismo.
Enfim, razões são várias, o que citei pode ou não ter validade, mas o fato é que o PSOL, hoje, é apenas mais um nanico com algum inserção nos movimentos sociais e na sociedade, mas apenas marginal.
Hoje, analisando o todo, o PSOL dificilmente se mostra como um partido viável na disputa entre PT e PSDB.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Uma discussão saudável e fraterna sobre o Mov. Estudantil
Dei uma organizada e posto abaixo o que discutimos e mais alguns apontamentos ao fim.
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Cíceiro Guedes: Sobre PSTU, LER, militância, alternativas e posições.
Pareceria até uma provocação, se não fosse realmente, uma luva, para que eu viesse “colaborar”.
Vamos então:
1) Estranhei, e achei algo que “rápido” seu modo (ou jeito) de militar em partidos.
Você militava no PT, foi e militava no PSTU, e só quando (demorou isso?) viajou p/ congresso de
Daí “o deslumbramento acabou”.Enfim, pelo menos acabou, mesmo que seja do deslumbramento.
Raphael Tsavkko Garcia: Como eu disse pelo Twitter, eu escrevi um texto corrido, sem marcação temporal, mas militei uns 2-3 anos no PSTU e no PT fiquei desde a infância até meus 17-18 anos.
Detesto fingimento e acho que nunca me encaixei MT por lá, mas tentei.
RTG: Não, foi só o estopim!=)
RTG: Convenhamos, LER, LBI são grupelhos q conseguem ser ainda mais sectários que o PSTU.
RTG: Não era esse meu ponto. O tamanho é um indicador de relevância, mas o sectarismo e a falta de propósito “ajudam”. E minha intenção msm era ser irônico com esses grupos!=) Não era fazer uma análise profunda.
Nesses casos a teoria mostra-se mais que um escudo dos burocratas, é o pão e a máscara das traições.
Mas, militar MESMO no partido só com meus 15 anos, mas admito ser algo incipiente.
CG: 2) Quanto a sua posição em relação à UNE. Não se faz necessário à mim (sic), mas pode esclarecer alguém que pense ou o acuse de ser ainda petista (ou pró-UNE). Melhor prevenir!
Correto seus relatos sobre UNE e PC do B.
Que eles não gostam de ser minoria onde atuam (até aí, ninguém gosta, ser maioria é mais “gostoso”). Exatamente como acontecia no PT, com suas diversas correntes internas, as mais de esquerda, entre elas a CS (Conv. Soc.), os militanes enfrentavam todo tipo de trator e golpes do grupão majoritário (Articulação, etc), falta mais balanço (de todos nós) sobre este período, desde construção, formação até deterioração do PT, pois é muito importante como aprendizado e lições (e no mínimo, que já seria o “máximo”) para não repetirmos as cagadas, os vacilos, as práticas e desvios burocráticos, erros, etc. Vê que não é pouca coisa a história.
Sim, combato e luto também contra as hegemonias, como na Conlutas, onde o PSTU (ex-CS), “depois de anos como minoria na CUT”, agora é maioria (nem tanto assim mas é) e faz coisas extremamente parecidas, lembrando os “tratores” anteriores. Nós que somos “a minoria” é que temos que criticar e lutar contra isso mesmo, e contra os desvios, vacilos, conciliações, esquemas e “frentes” eleitoreiras, etc, etc.
Mas você não disse o “erro”, ou erros, da LBI (também), apenas disse que “o grupo que conta com não mais do que 30 integrantes – rachou”, “mas não importa muito”. E quem milita em grupo menor ainda, ou sozinho? Esse você não olha nem na cara, ou conversaria pelo menos?
RTG: Cara, a LBI acha piamente que a revolução está perto. Eu quase apanhei de uma militande da LBI no congresso da Conlute por ter feito uma piada infame sobre a LBI. Nada de discutir, conversar,a garota queria partir pra briga! Nas mesas de discussão nada de conversa, só recitavam que Marx disse isso, Marx disse aquilo, porra, você não pensa, não tem cabeça? Só sabe recitar Marx? Enchia o saco.
Também me espanta (hoje menos) as eternas brigas e rachas dos grupos de esquerda, partidos, movimentos, etc. Mas temos que estudá-los, nem sempre é sinal de erro, pelo contrário até, muitas vezes dos rachas é que se avança e constroem alternativas bem melhores e firmes.
RTG: Como eu disse, a questão não é o tamanho (só), mas é um indicativo da relevância. Não somos a Rússia, não estamos na crise russa e nem temos um Czar, os tempos são outros.
No ME sei que PSTU também atua da mesma forma, quase “igual” ao sindical, e gosta e quer comandar onde estiver (CA, DCE, Conlute e ANEL) e isso arrebenta com o negócio antes mesmo de dar “frutos”.
RTG: Exatamente. E por vezes adota táticas da UJS que desaprovava sempre. Em menor tamanho e vezes mas ainda assim era um indício de que algo estava podre.
RTG: Sem duvida.
Contando com sua compreensão e respostas (suas posições, “crenças”, se, onde, como atua, etc).
RTG: Haha, sinta-se à vontade para postar, comentar e, se quiser, até empresto espaço se você quiser se expressar aqui no blog! É pequeno, humilde, mas não é sectário!=)
RTG: Grande abraço!
Enfim, esta foi a discussão. Muitos acharão inútil, sem sentido mas, pra quem conhece o Movimento Estudantil ou mesmo como se organizam correntes e partidos saberá como é difícil manter um diálogo aberto e fraterno entre a esquerda tão fragmentada e por vezes sectária.
O post ainda teria uma parte mais pessoal, a ficha do Cícero mas não sei se ele liberaria então deixo no ar.
Vale notar, antes de mais nada, que o Cícero foi extremamente direto, polido, cordial em resposta a um texto meu que era polêmico e, como ele mesmo disse, até ofensivo aos militantes que chamei de sectários (e que mantenho, mas sem ofensas). Meu texto era irônico e tinha o objetivo de instigar e criticar e, felizmente, o Cícero levou numa boa e entendeu o ponto central.
Bem, sobre a UNE e a ANEL em si, eu poderia acrescentar que a Conlutas é um bom guia, um bom modelo que conseguiu agregar setores descontentes com a CUT e formar uma organização que, se ainda pequena, tem muito espaço para crescer e agregou diversos segmentos operários significantes, sem ficar no aparelhamento com um partido (no caso, o PSTU) e que conseguiu superar algumas barreiras e diferenças que impõe a ultra-esquerda sectária.
Romper com a UNE não é fácil, tanto pelo peso atual da organização - e a relevância dada a ela pelo governo Lula que a aparelhou por completo - quanto pela história, memorável, de luta, combativa.
Não é fácil mas é preciso. Já acompanhei processos eleitorais suficientes para saber que a UJS/PCdoB farão de tudo para fraudar e cooptar, senti nas minhas próprias urnas as garras desta corja pseudo-comunista e não gostei nem um pouco mas, para mim, é luta perdida. A UNE sofreu o golpe de misericórdia com a patricinha retardada que está hoje no poder, o cúmulo da galhofa do PCdoB com os demais partidos, organizações, enfim, com os estudantes.
Agora, o que fazer, parafraseando o grande líder?
Eu, pessoalmente, não tenho as respostas, posso apenas opinar e dar sugestões e, admito, estou muito afastado do ME desde que vim para São Paulo. A desilusão com a militância foi grande, ainda não superada, quem sabe algum dia?
O primeiro passo, porém, é romper com o sectarismo torpe e buscar pontos de contato, semelhanças programáticas e deixar para depois os pontos mais conflituosos (normalmente discussões bestas sobre quem é mais bonito, Mandel ou Moreno).
Curioso que tenha saído quase agora um excelente post no Kaos en la Red sobre um acordo firmado entre o NPA e o PCF, pondo suas diferenças de lado em prol de um polo de Esquerda na França. É este o caminho!
De que adianta a divisão de forças se temos todos um inimigo em comum? Se colocamos que a UNE e a UJS sãoo o problema, de que adianta o sectarismo e não a união de forças?
Quem se importa com uma declaração da A Plenos Pulmões? Quem se importa com o que acha a LER ou o Mov. Negaçao da Negação? E isto não é ironia, são grupelhos fragmentados, sectários e que pouco tem a dizer à massa, ao povo. Mas MUITO tem a dizer uma organização sólida, construída pelas forças de esquerda integradas e com um programa unificado e consensuado.
Pensem nisso!=)














