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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

USP: Qualquer semelhança com a época da ditadura militar NÃO é mera coincidência.

Depois de dois textos analisando a ação inicial da PM e a posterior ocupação, não é fácil persistir no assunto, mas é necessário.

Deixei absolutamente claro que não apoiei a ocupação da reitoria, especialmente da forma como foi feita, à revelia da maior parte dos estudantes reunidos em assembleia, que, junto com o DCE, votaram contra a ocupação, acreditando - corretamente - ser contra producente para o movimento.

Mas a rebelião não surpreendeu, na verdade era algo até lógico de acontecer em meio a um movimento estudantil fragmentado em diversas pequenas correntes, umas mais radicais, outras mais coerentes.

Dois pontos, porém, precisam ser rapidamente debatidos e denunciados, pois foram usados de forma incessante pela grande mídia e por muitos "cidadãos de bem" para tentar deslegitimar não apenas a ocupação - equivocada -, mas toda a resistência legítima feita contra a presença da PM no campus e a luta contra a ditadura imposta pelo reitor Rodas

Maconha e riqueza

O primeiro ponto é a questão da maconha, o segundo, a suposta riqueza dos manifestantes.

Estopim da mais recente revolta, a maconha acabou como vilã de um processo já longo de contestação da presença da PM no campus. Quando três estudantes foram presos por fumar, a revolta estourou sem, no entanto, a questão central ser o direito de fumar e a luta contra a criminalização das drogas.

Pouco antes da prisão dos três estudantes fumando maconha, a PM já havia assediado, revistado e intimidado estudantes em frente à biblioteca da FFLCH. Depois de uma situação como estas, a prisão de estudantes só poderia levar à revolta.

Fico sempre curioso para perguntar se boa parte dos hoje revoltados cidadãos de bem classe-medianos, assim como governantes costumeiramente truculentos (ou ex-governantes, como Serra, que foi presidente da UNE) nunca fumaram maconha, nunca transgrediram e sempre se limitaram a ir à universidade assistir aulas.

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sábado, 5 de novembro de 2011

Legitimidade: Apoiar a Ocupação na USP?

Em post anterior, deixei clara minha posição de repudiar a presença da PM no campus, a posição de estudantes de direita ou simplesmente com preguiça de raciocinar e, claro, a posição do Reitor, mas, ao mesmo tempo, critiquei a atitude radical (beirnado a boçal) e intransigente de uma parcela dos estudantes que andam em círculos, repudiando a PM, mas não dando uma soloução que satisfaça o coletivo.

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É preciso colocar que o DCE apresentou propostas, ao mesmo tempo em que repudiou a reitoria e se mostrou contrário à ocupação.
Uma reivindicação histórica do movimento estudantil é a ampliação do efetivo da Guarda Universitária, o fim da terceirização da Guarda Universitária (tem uma rotatividade grande na segurança na USP), que ela tenha um papel preventivo e não repressivo, que receba treinamento em direitos humanos e criação de efetivo feminino pra lidar com os casos de assédio sexual e estupro, que ocorrem as dezenas e são abafados. Também melhora no sistema de iluminação (promessa que não sai do papel), ampliação da circulação no campus através dos ônibus circulares que têm em número restrito (por exemplo, não existe ônibus que vá do campus até a estação de metrô, como prometido), a ampliação do número de vagas de moradia no campus, pq ajuda a dinamizar a vida universitária, e o fim das restrições da circulação, porque o que aumenta os casos de violência é o fato de o campus ser um lugar ermo. 
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Durante a confusão, estudantes invadiram a direção da FFLCH sem nenhum tipo de consulta aos demais alunos sequer da faculdade (apenas cerca de 500 estavam presentes em uma espécie de assembléia que decidiu pela ocupação inicial) e, de quebra, mantiveram a ocupação apesar de uma assembléia posterior, mais ampla, ter votado contra.

A posição do DCE da USP, aliás, também é contrária à ocupação, que se mostra ilegítima frente à maioria dos estudantes.

Um grupo de ultraesquerdistas (MNN, PCO e LER), se apropriou das legítimas bandeiras e reivindicações dos estudantes e tomou para si a (ir)responsabilidade de manter a ocupação e a direção do movimento.
Uma assembleia realizada na noite de terça-feira (1º de novembro) votou pela desocupação do prédio administrativo da Faculdade de Filosofia (FFLCH), iniciada no começo de sexta, 28 de outubro. Mesmo assim, manifestantes iniciaram outra reunião, com quórum menor, e votaram pela ocupação do prédio da Reitoria – invadida minutos depois.
[...]
Infelizmente, um setor minoritário do movimento, derrotado nesta votação, agiu de forma antidemocrática ao ocupar a reitoria, deslegitimando o debate feito no fórum de assembleia. A gestão do DCE-Livre da USP entende que tais práticas deslegitimam as instâncias do movimento e não contribuem para uma atuação consequente, democrática e de luta. É necessário que haja unidade do movimento estudantil para combatermos o projeto privatizante e excludente realizado pelo governo estadual e pela reitoria.
Mas, frente à possibilidade da PM intervir - à pedido do sempre ditatorial Reitor Rodas e da conivente justiça de São Paulo - muitos militantes passaram a dar seu apoio à ocupação.

Pois bem, eu discordo da forma e explico.

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segunda-feira, 2 de maio de 2011

Casa ou quartel? Reitoria da UFRGS tenta empurrar goela abaixo regimento que retira direitos dos moradores

Por Alexandre Haubrich, jornalista e editor do Jornalismo B

Os resíduos bolsonarianos chegaram a Casa do Estudante Universitário da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (CEU-UFRGS). Em silêncio, sem ampla divulgação na comunidade acadêmica, a Reitoria da UFRGS caminha para impor um novo regimento na CEU. “Casa” é um conceito que parece um tanto controverso no tal regimento. Ou você, leitor, não pode andar sem camisa dentro de sua casa? E consumir bebidas alcoólicas em casa, você pode? Mesmo que o local onde você mora seja alugado? “Que escândalo!”, urrariam os redatores do novo regimento.

Pois é, os estudantes maiores de idade que moram na Casa do Estudante da UFRGS podem ser impedidos de circular sem camisa ou beber nas dependências. Um moralismo antiquado que chega a ditatorial quando consideramos que nada disso foi – nem a Reitoria tenciona que seja – debatido com os moradores. Se o atual regimento nem existe legalmente – há anos a CEU é organizada através de regras regimentais não formalizadas – a proposta de mudança que a Reitoria tenta emplacar retira direitos até de participação dos estudantes na gestão da Casa. Segundo o blog Megafonadores,

Este novo regimento, além de ter sido elaborado sem a participação dos estudantes, é um retrocesso no que tange a gestão da casa. Se aprovado, a CEU não possuirá um conselho gestor com participação dos moradores. Tirando o direito dos alunos de, de forma representativa, deliberarem sobre questões de sua própria moradia.

Os moradores reclamam também de expulsões arbitrárias e de vigilância excessiva, que, para eles, configura a tentativa de “implementação de uma política de controle e repressão sobre os estudantes que necessitam de políticas de promoção social e não da criminalização e exclusão”. Outra questão prejudicial aos moradores se refere às novas regras para a permanência na Casa após a graduação. Hoje, é permitido que os formados continuem ali por até seis meses, prazo que pode ser reduzido para 60 dias. A política de estímulo à permanência na universidade, defendida pela Reitoria, também seria esvaziada, com o fim da permissão para alunos de pós-graduação morarem na CEU.

Localizada na avenida João Pessoa, uma das principais vias de Porto Alegre, a Casa do Estudante da UFRGS é, atualmente, o lar doce lar de 400 estudantes. Mas a doçura pouco tem a ver com a estrutura oferecida pela universidade. A quantidade de pias e fogões não supre a demanda, há infiltrações no oitavo andar e a segurança contra incêndios é criticada pelos moradores. Além disso, o segundo andar, antes ocupado por moradias, foi transformado em espaço da administração, para departamentos que antes ficavam no prédio da Secretaria de Assistência Estudantil. Essa medida, obviamente, reduz a quantidade de vagas oferecidas para moradia.

Esses e outros problemas estruturais, somados à tentativa de retirada de direitos e de imposição antidemocrática de um novo regimento, levaram os estudantes ao Campus Central da universidade, para protestar e propor um regimento alternativo. Ainda segundo o Megafonadores, “o Secretário de Assistência Estudantil, Edilson Nabarro, resolveu sair para conversar com os estudantes. Recebeu as reivindicações, mas não se comprometeu com nada. Disse não estar impondo esse novo regimento, mas também não quis saber do regimento elaborado e proposto pelos moradores da casa”.

O regimento informalmente em vigor pode ser lido AQUI.

A “proposta” da Reitoria pode ser lida AQUI.

A contra-proposta dos estudantes / moradores pode ser lida AQUI.

Mais informações no blog da CEU.
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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Brutalidade policial e vitória dos estudantes, relato do protesto de 17/fev

O protesto de ontem na Prefeitura de São Paulo pode ser dividido em diversos momentos.

Primeiro, a tentativa dos estudantes de terem a reunião prometida com o Secretário Municipal dos Transportes - Marcelo Branco - ou com o secretário adjunto da Secretaria de Transportes, Pedro Luiz de Brito Machado.



O MPL divulgou:
Durante a manhã, integrantes do movimento se reuniriam com vereadores e o secretário adjunto da Secretaria de Transportes, Pedro Luiz de Brito Machado, para discutir a questão do aumento. No entanto, Machado não compareceu à reunião e apenas um ofício foi encaminhado tratando de questões outras que não a negociação de redução da tarifa. Por isso, os participantes da reunião foram até a Secretaria de Transportes exigindo serem recebidos. Os mesmos conseguiram ser recebidos na Secretaria de Transportes, no entanto, a conversa não trouxe avanços nas negociações e as reivindicações agora estão sendo feitas diretamente à Prefeitura.
Foto dos estudantes acorrentados. Tirada pela vereadora Juliana, PT
Insatisfeitos com a resposta do executivo - ou a falta de resposta -, por volta do meio dia 6 estudantes tomaram a decisão de se acorrentar às catracas da entrada da Prefeitura de São Paulo e permanecer até que o executivo abrisse novamente um canal de negociação.

Uma manifestação já tinha sido convocada para as 17h na frente da Prefeitura e o protesto acabou por também ser uma demonstração de apoio a estes 6 estudantes.

Cheguei apenas pouco depois do momento em que a brutalidade policial estava no auge, em que bombas e balas haviam sido disparadas contra os estudantes. Mas era possível notar o clima, o ânimo dos estudantes e contar os feridos.

O segundo momento visível é o da impressionante brutalidade policial pouco depois do início do protesto.
Aparentemente alguns punks teriam jogado tinta na fachada da prefeitura (de fato havia manchas visíveis) e teriam ultrapassado o isolamento policial em volta da prefeitura. Porém, seja qual for a versão, o fato é que os mais de mil estudantes reunidos no local foram punidos coletivamente, e com uma violência simplesmente desproporcional.

Segundo o vereador José Américo, do PT, entrevistado pela Record no dia seguinte, se um ou outro presente ultrapassou as grades não tinha a ver com o movimento. Punir coletivamente um movimento de centenas, quiçá milhares de pessoas pelo erro de um ou dois é simplesmente vergonhoso. Pior, é criminoso.

Aliás, é lugar comum em manifestações que acabam com violência um pequeno grupo de punks fazer com que todo o coletivo pague por sua irresponsabilidade.

De toda forma, as cenas de violência foram amplamente captadas pela mídia e mesmo o criminoso Jornal Nacional não pôde esconder a realidade.
Obviamente não deixaram de anunciar o episódio como "confronto", esquecendo que para tal seria preciso que o outro lado respondesse, estivesse igualmente armado e disposto a lutar. Na verdade o que vimos foi uma demonstração - mais uma - de completo despreparo policial, de brutalidade excessiva e de descaso do prefeito e governador que mandaram estudantes serem espancados.




Marca de bala de borracha na perna
Bala de borracha no rosto
Vários estudantes foram feridos com balas de borracha, uma inclusive no rosto. Outros tantos inalaram gás e ao menos três foram levados ao hospital. Um dos estudantes, Vinícius, militante do PCB e mestrando em Serviço Social da PUC-SP, foi espancado até o ponto de precisar ser levado para a mesa de cirurgia, ensanguentado e aparentemente com o nariz quebrado.
Vinícius sendo imobilizado, sangrando muito. Foto do Uol

Como se não bastasse a polícia roubou sua mochila, na qual ele levava seu trabalho de mestrado em um pen drive. No mínimo curioso pensar na polícia, teórica defensora da lei, ROUBANDO um estudante.

A polícia de Alckmin é mesmo uma doçura.

A mídia mais tarde informou que pelo menos 3 vereadores, 5 estudantes e 2 policiais ficaram feridos. Vale notar que os policiais feridos foram provavelmente vítimas de seu próprio gás de pimenta. Não sem alguma cara de pau, a prefeitura divulgou nota lamentando a "violência usada pelos manifestantes". Kassab é um piadista.
O fato dos policiais estarem sem identificação pouco importou à mídia e sua tese do "confronto".

José Américo e Donato sendo atacados pela polícia. Foto do Uol

O terceiro momento, quando tudo se acalmou - ou quase - foi a reação dos presentes. O ódio estampado no rosto dos estudantes, a tentativa do movimento se reagrupar, as denúncias feitas pelo vereador José Américo (PT), ele próprio agredido pela polícia (junto com o vereador Donato, também do PT), e o crescimento da manifestação e preparação pra vigília.



O Deputado Federal Ivan Valente (PSOL) chegou logo após a confusão e logo foi com os demais vereadores presentes para o interior da prefeitura tentar negociar uma solução para pôr fim ao acorrentamento dos estudantes.

A partir deste momento o acorrentamento voluntário deu lugar a uma situação de sequestro. Os estudantes dentro da prefeitura decidiram que iriam se retirar pacificamente e pôr um fim ao protesto, mas foram impedidos pela polícia. Inicialmente um oficial da GCM estava comandando a operação, mas foi substituído pelo responsável pelo gabinete militar do Kassab que, então, se recusou a permitir a saída dos estudantes sem que fossem fichados e saíssem por trás do edifício, e não pela frente - o que seria uma humilhação para o movimento.



Temos então o quarto momento, em que os estudantes foram mantidos como reféns por horas pelo prefeito e por sua força policial fascista e os estudantes do lado de fora deram uma bela demonstração de desunião e imaturidade.

A divisão sectária do movimento estudantil ficou óbvia na plenária realizada sob a liderança do MPL para decidir se os 6 acorrentados deveriam sair ou se deveria ser feita uma vigília durante toda a noite em apoio aos acorrentados, que permaneceriam na prefeitura.



De início, um erro tremendo: O de deixar para quem estava do lado de fora a decisão sobre a continuidade do acorrentamento. Em toda história de greves operárias e deste tipo de manifestação, a decisão de ficar ou não cabe aos que estão dentro, aos que estão acorrentados - ou em greve de fome, por exemplo. Aos que estão do lado de fora cabe dar o apoio necessário à decisão tomada de dentro.

Mas tudo aconteceu de forma invertida. A informação que chegou de dentro era a de que alguns queriam ficar, outros sair e os de fora deveriam decidir. Na verdade, segundo soubemos antes, todos que estavam dentro queriam sair, mas cometeram o erro de deixar a decisão nas mãos de outros. A demora na plenária externa em deliberar - foram várias pessoas defendendo um ou outro lado e uma imensa confusão sobre o resultado - fez com que a polícia tomasse a decisão de não deixar mais ninguém sair sem as condições já descritas: Fichar e sair por trás.



Durante a plenária externa vimos desencontros, princípios de confusão, grupos querendo tomar decisão pelo todo, uma direção confusa e uma base rebelde. Lá dentro, os 6 estudantes permaneciam sendo humilhados, forçados a fazer suas necessidades em baldes.

Pela contagem feita, aparentemente os estudantes do lado de fora em sua maioria preferiam que o protesto lá dentro continuasse e que se fizesse uma vigilia durante a noite inteira (gritos de "Egito" eram ouvidos a todo momento), mas dificilmente esta maioria iria se manter firme até o fim da noite, visto que a maioria sequer ficou até a soltura dos reféns, nem bem 3 horas mais tarde.



O quinto momento, enfim, é o da intransigência da polícia e da prefeitura e a quebra do acordo de liberar os estudantes.

Desde pelo menos as 18-19 horas que as negociações para a libertação dos estudantes começaram e estes só foram liberados perto da meia noite.

Os vereadores presentes - soube-se que o Police Neto chegou por volta das 10 e meia da noite - passaram horas a fio negociando e o deputado Ivan Valente, ao sair para dar um informe da situação foi impedido de retornar à prefeitura pela polícia e apenas muito depois conseguiu entrar por porta paralela.



É incompreensível a intransigência da PM e da GCM e a vontade destes em segurar os estudantes como reféns até altas horas, esperando sem dúvida que o protesto esvaziasse e que a imprensa fosse embora. Aí poderiam fazer o que bem entendessem. Mas até o fim pelo menos 150 estudantes ficaram firmes esperando que os companheiros saíssem.

Temos então nosso sexto momento, a saída vitoriosa e triunfal dos estudantes!



Depois de horas de tensão, de confronto e negociação os estudantes finalmente foram libertados e, pulando e gritando, foram recebidos por uma multidão que os esperava do lado de fora.

Foi, de maneira incontestável, uma vitória do movimento estudantil e uma demonstração de força. Ao saírem pela porta da frente, mostraram ao Prefeito que não irão recuar, e que não aceitarão nada além da vitória.



Os protestos vão continuar, quinta deve haver mais uma manifestação.

AMANHÃ VAI SER MAIOR!

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Mais fotos:








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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

URGENTE: Movimento Social acorrentado AGORA na Prefeitura de São Paulo

Desde as 12:35 do dia 17/02, cinco militantes do Movimento Passe Livre (MPL) e de outros grupos estão acorrentados dentro do prédio da Prefeitura Municipal de São Paulo em protesto contra o aumento da tarifa de ônibus. Os manifestantes exigem uma reunião com um representante direto do Prefeito e a revogação imediata do aumento.

Durante a manhã, integrantes do movimento se reuniriam com vereadores e o secretário adjunto da Secretaria de Transportes, Pedro Luiz de Brito Machado, para discutir a questão do aumento. No entanto, Machado não compareceu à reunião e apenas um ofício foi encaminhado tratando de questões outras que não a negociação de redução da tarifa. Por isso, os participantes da reunião foram até a Secretaria de Transportes exigindo serem recebidos. Os mesmos conseguiram ser recebidos na Secretaria de Transportes, no entanto, a conversa não trouxe avanços nas negociações e as reivindicações agora estão sendo feitas diretamente à Prefeitura.

Nas últimas semanas, grandes manifestações contra o aumento têm reunido milhares de pessoas no centro da cidade. Após pressionar os vereadores, o movimento conquistou uma audiência pública com o Secretário de Transportes, que aconteceu no sábado (12/02). Na audiência, foi marcada a reunião de negociação para a manhã de hoje.

Hoje acontecerá também mais um grande ato de rua, a partir das 17h00, com início em frente à Prefeitura de São Paulo.

Fotos do MPL dos estudantes acorrentados hoje à tarde na Prefeitura:


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sábado, 15 de janeiro de 2011

Mais brutalidade policial em São Paulo.... Relatos da repressão contra estudantes.





Prestem atenção especial na sequência que começa por volta de 2:18, a absurda e injustificável brutalidade policial. PM atira à queima roupa em estudantes que nada faziam além de tentar acalmar os despreparados policiais... O vídeo foi gravado por Carlos Latuff e, acreditem, até o Estadão reproduziu o vídeo!

Diz a Rede Brasil Atual:
Uma passeata pacífica contra o aumento da tarifa do ônibus em São Paulo foi reprimida com violência pela Polícia Militar na quinta-feira (13). Os manifestantes percorriam as ruas do centro da capital entoando palavras de ordem contra o prefeito e o aumento da tarifa.
Os policiais da Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas (ROCAM) já mostravam sinais de nervosismo quando os manifestantes passaram pelo cruzamento da Avenida São João com a Avenida Ipiranga. Na frente da Praça da República um pequeno tumulto se iniciou, gerando a reação da PM, que começou a disparar balas de borracha e atirar bombas de gás lacrimogênio.
Rapidamente a multidão se dispersou, e a polícia continuou a perseguição com carros e motos nas calçadas Praça Dom José Gaspar.
A Polícia de São Paulo, seja PM, Civil ou Guarda Civil é conhecida pela sua brutalidade ímpar no tratamento de manifestantes. Sejam eles desabrigados vítimas de descaso e crime estatal, professores ou, agora (melhor dizendo, novamente), estudantes. Até quando não fazem nada, cometem crimes contra o povo.

Este post é resultado de um destaque de post anterior, mas dada a quantidade de informações, resolvi ampliar em post separado.

Em São Paulo estamos passando pela mesma situação, aliás, com uma passagem de 3 reais e um custo vergonhoso e assustador mensal para o trabalhador. E o protesto último foi recebido por balas da polícia de São Paulo.




A criminalização do protesto acaba nisso: Violência policial sem qualquer resposta. Legitima a violência contra a população, não importa quais sejam as razões. Será que é ilegítimo o protesto, mas não há problema na repressão?
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Em São Paulo repressão, estudantes rendidos (aqui, aqui e aqui) e obrigados a apagar fotos e vídeos da repressão policial e em João Pessoa também violência policial contra manifestantes pelo Passe Livre e contra os aumentos das passagens.

Vejam o que me enviou o pessoal do Movimento Passe Livre:
A manifestação marcada para a tarde de hoje contra o aumento da tarifa de ônibus, organizada pelo Movimento Passe Livre de São Paulo, começou com clima de descontração. Muitos estudantes e militantes de diversas entidades cantavam e tocavam com muita animação. Após sair pacificamente em passeata, os cerca de mil manifestantes percorreram diversas ruas do centro da cidade divulgando a luta para a população.
Ao chegar à praça da República, no entanto, os presentes viram um pequeno tumulto com policiais transformar-se em desculpa para o início de agressiva repressão, majoritariamente pela Força Tática. A violência atingiu rapidamente maiores proporções, apesar das tentativas dos manifestantes de se reunir e retomar a caminhada pacífica. Bombas de gás lacrimôgenio e de efeito-moral foram lançadas indiscriminadamente contra o protesto, assim como atiradas balas de borracha, que atingiram até mesmo repórteres e fotógrafos. Sprays de pimenta e cassetetes também foram usados para agredir diversas pessoas. Apesar de apenas uma pessoa ter sido detida durante o ato, outras 30 foram presas um bom tempo após a dispersão, enquanto caminhavam pelo centro em grupos menores e procuravam conhecidos. As 31 encontram-se encarceradas no 3º DP. Até agora foram contabilizados cinco feridos.
O Movimento Passe Livre de São Paulo marcou para o próximo sábado (15) um debate com tema “Por que lutar por um transporte público?” às 15h no espaço Ay Carmela! (R. Das Carmelitas, 140 – Sé). A próxima manifestação foi convocada para o dia 20 de janeiro (quinta-feira), com concentração às 17h na esquina da R. da Consolação com a Av. Paulista.
E um relato do evento, reproduzido pelo Estadão:
"Era uma manifestação pacífica para chamar a atenção das autoridades da Prefeitura e dos vereadores da Câmara Municipal. E fomos recebidos com balas de borracha", criticou a estudante Juliana Esposito, de 27 anos, uma das organizadoras da manifestação. Houve correria dos estudantes pelas Ruas Barão de Itapetininga e 24 de Maio. Parte do grupo se refugiou na Galeria Metrópole. "Os PMs entraram dentro da galeria e fizeram todos os estudantes que estavam com filmadoras e máquinas fotográficas apagarem os arquivos. Foi um abuso total de autoridade. Nos encurralaram dentro da galeria, que sempre foi um território livre dos jovens", disse o estudante Pablo Franco, de 18 anos.
Ontem, após o protesto, uma amiga minha - que esteve por lá - veio até em casa e me contou o que viu: Absoluto despreparo da polícia que começou a atirar nos estudantes sem qualquer provocação. Aparentemente o MPL havia acordado um roteiro de caminhada com a Polícia, mas chegando perto do Edifício Itália, tomaram caminho diferente (segundo ela os estudantes se confundiram com o caminho) e, sem mais nem menos foram vítimas de disparos.

Sem nenhuma provocação, mais uma vez a polícia DemoTucana brutaliza a população em seu direito de protestar.

Dia 20 tem mais uma manifestação! Todos às ruas, sem medo, mostrar que não aceitaremos este aumento abusivo e absurdo das passagens de ônibus e nem seremos vítimas da polícia criminosa do estado!

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Mais vídeos e fotos, no link.

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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Vitória da Esquerda no DCE da UFRGS

Chapa 3 vence em processo eleitoral do DCE / UFRGS legitimado por grande votação
Alexandre Haubrich, do Jornalismo B

Quase 20% dos estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul votaram, apesar de diversas tentativas de golpe por parte da situação, e legitimaram as eleições para o Diretório Central de Estudantes da UFRGS. Com dois mil e trezentos votos, a Chapa 3 – Oposição Unificada foi a grande vencedora. A situação, representada pela Chapa 1, ficou em segundo lugar, com 1300 votos, e a Chapa 2 teve 850 votos.

O último dia de votações não teve os problemas de agressão de segunda-feira, mas começou com nova tentativa de destruir o processo eleitoral democrático. Email recebido por esse repórter às 4h20min da madrugada, enviado pela lista da Comissão Eleitoral – ou seja, para todos os alunos – dizia que a eleição estava suspensa por decisão da Comissão Eleitoral.

O email afirmava que o motivo era a perda de controle da Comissão sobre o processo, por atitudes da Reitoria, da Secretaria de Assistência Estudantil e da Chapa 3, que teria agredido o presidente e o tesoureiro da Comissão Eleitoral, Adrio de Oliveira Dias e Cleber Machado. Vídeos das ocasiões não mostram essas agressões, mas Cleber Machado aparece rasgando atas de votação da Faculdade de Educação.

O email foi enviado também aos Diretores de Unidade onde estavam ocorrendo as votações, solicitando o fechamento das urnas. Adrio e Leonardo Pereira, que assinam o email, porém, não foram atendidos. Eles já não eram mais reconhecidos como integrantes da Comissão Eleitoral por ela própria, pelos estudantes e pelos Diretores, por terem se manifestado publicamente a favor de uma das chapas (1) ou contrariamente a outra (3). Kátia Azambuja assumiu, então, como presidente da Comissão Eleitoral, e deu prosseguimento normal ao processo.

Rodolfo Mohr, integrante da Chapa 3, comemora: “Foi a grande vitória da democracia, daqueles que ousam lutar pra mudar nossa universidade, nosso mundo. Foi uma vitória contra os filhos da pior direita do RS,  que não têm apego às liberdades democráticas, à garantia mínima de respeitar o direito de seus colegas, do povo. Foi a mostra de que a UFRGS não tolera a turma da Yeda, não tolera esse tipo de prática, uma verdadeira vitória da esquerda, dos estudantes.”
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quinta-feira, 8 de abril de 2010

O que resta ao PSOL

Às vésperas de participar de sua segunda eleição presidencial, o PSOL de partido promissor, médio, com conteúdo, ideologia e bases bem assentadas, passou a um partido nanico, irrelevante, afundado em conflitos e sectarismo. Uma simulação em miniatura do que o PT tinha de pior.

Se no PT, algumas tendências eram chamadas de "direita" pelos que hoje compõem o PSOL, aparentemente o problema não eram estas "direitistas", mas a esquerda. Vejam os acontecimentos e crises atuais do PSOL.

Uma das críticas mais contundentes ao PT - duas, na verdade - eram o personalismo e o culto à figura do Lula - eterno candidato, figura máxima do partido - e a política de alianças que, diziam, desfigurava as bandeiras históricas do partido. ambas as críticas eram e são válidas.

O PT fez aliança com tudo e todos que se dispuseram a participar da grande "Frente". Não importa a ideologia, a história ou os Malufs acumulados. De PCdoB à PP, cabe tudo, até Crivellas da vida, Garotinhos e gente da mesma - e pior - espécie.

As alianças, efetivamente, eram e são espúrias, mas os resultados, querendo ou não, apareceram. Os retrocessos existiram, é fato, os setores que não andaram também são outros tantos, mas os avanços são inegáveis. Se o PT abriu mão de diversas bandeiras, por outro lado, manteve outras tantas. Se não fez frente aos bancos e grandes empresários, ao menos soube se aliar em certa medida e freou a venda do país - privatizações DemoTucanas - e fez diminuir a criminalização institucional dos movimentos sociais.

Fez pouco. Mas fez mais que qualquer outro governo anterior e pós-Ditadura.

Bolsa-Família, Cotas, construção de diversas universidades, ProUni... Todas iniciativas que são dignas de crítica mas deixam um saldo positivo.

Enfim, as alianças tornaram o PT mais "pragmático", menos "revolucionário", mas ainda assim permitiu algumas mudanças. A alma talvez não tenha sido vendida... apenas alugada.

A questão principal aqui, no entanto, não é pesar os ganhos e perdas do governo e do PT, mas ter em mente que a questão das alianças - com PP, PR e afins - foi uma das teclas mais pressionadas pelo PSOL durante sua existência e, às vésperas das eleições de 2010, não é que o PSOL aventou a possibilidade de se lliar com o PV? De ser linha transmissora das idéias de Sarney Filho, Gabeira e cia?

Criticou-se tanto a política de alianças do PT para, no fim, se aliarem com o que há de mais podre? PV, PPS, DEM e PSDB?

E, tudo isto, ainda com características autoritárias e personalistas. A responsável pelas conversas, pela aproximação e pelo quase fato consumado da aliança com o PV foi nada menos que a grande crítica do culto à personalidade de Lula, a (ex-senadora reduzida à vereadora) Heloísa Helena.

Das críticas às alianças e ao culto para uma cópia mal feita do mesmo.

Mas não só isso. Lembrem-se que a razão final para a expulsão dos "dissidentes" foi o voto contrário à Reforma da Previdência pois, segundo os descontentes, iria contra as bandeiras históricas do PT. É fato, a reforma era criminosa, mas durante seu Segundo congresso, a tendência conhecida como MES - de Luciana Genro, Roberto Robaina e que conta com a simpatia da Heloísa Helena - ameaçou rachar e inviabilizar o mesmo porque se recusavam a votar qualquer matéria relacionada ao aborto. Não é apenas uma demonstração de intolerância, de personalismo (o fizeram por HH ser contra), mas também uma renúncia à uma bandeira histórica dos movimentos sociais.

O que levou o PSOL à repetir e recriar exatamente as mesmas coisas e o mesmo clima do PT que tanto criticavam?

Hoje o PSOL é um partido fraturado, dividido em tendências antagônicas que se recusam a conversar. Envolto à um roubo de domínio (o site nacional foi simplesmente roubado pela coligação dos amigos da HH) e à datas conflitantes da reunião que decidirá o candidato do partido às eleições, o PSOL enfrenta uma queda abrupta de popularidade e, hoje, não se mostra como alternativa à nada.

Por maior que seja o respeito que eu tenha por diversos quadros do partido - em particular ao Plínio de Arruda Sampaio, possível candidato presidencial do partido - o PSOL hoje não tem a estrutura, a unidade e a capacidade de gerir nem um condomínio.

E não falo isto pela capacidade individual ou coletiva de muitos de seus quadros - que são excelentes , mas pelo fato de que o partido não age como uma unidade para nada. Não concorda  nem em eleições para DCE, lança chapas concorrentes e, no fim, permite que a direita coloque sas manguinhas de fora e quase vença (USP, mais uma questão de rachas da Esquerda) ou vença (UFRGS).

O PSOL hoje é um partido pequeno dividido em partidos micro. Uma federação de pequeníssimos partidos que raramente conversam entre si e que emulam o PT rachado, problemático e doente.

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Que fique claro, ao fim, que não estou buscando "culpados" ou razões para tal corrompimento. Uns falam que o PSOL nasceu com força demais e não soube administrar, outros que veio de salto alto, ou ainda que as expectativas eram simplesmente grandes demais e, por fim, que o partido nasceu com alguma base, mas sem grande presença/apoio no/do movimento social, que permaneceu com o PT.

Eu alencaria, apenas de passagem, outro fator que, para mim, é mais relevante: O racha do PT foi (apenas) interno. Parece óbvio? Talvez não seja. O racha levou para fora do PT uma certa quantidade de figuras públicas e militantes, mas não respingou para fora do partido como se esperaria. Movimentos Sociais, sindicatos e o grosso dos eleitores mal tomaram conhecimento deste racha. A fundação do PSOL não refletiu - como se esperava - externamente.

As tendências majoritárias permaneceram, muitas outras de porte médio igualmente. O grosso do PT ficou, assim como os eleitores.

Outro fator relevante, mais agora do que na eleição passada, é a popularidade do Lula. Fator este acima de qualquer discussão. Para muitos, Lula é o PT, idéia esta que muitos da liderança do partido não fazem questão de negar ou rebater.

Outro fator que enxergo é o fato do PSOL ter migrado mais para a esquerda, se aproximando em alguns aspectos com o PSTU, o que acaba por dividir o eleitorado entre uma posição já consolidada e o novo em meio a um PT forte, de eleitorado convicto e histórico e muitos que  se aproximaram exatamente pelo pragmatismo - ou centrismo.

Enfim, razões são várias, o que citei pode ou não ter validade, mas o fato é que o PSOL, hoje, é apenas mais um nanico com algum inserção nos movimentos sociais e na sociedade, mas apenas marginal.

Hoje, analisando o todo, o PSOL dificilmente se mostra como um partido viável na disputa entre PT e PSDB.
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segunda-feira, 13 de julho de 2009

Uma discussão saudável e fraterna sobre o Mov. Estudantil

Ontem eu e o Cícero trocamos um mail sobre o conteúdo da minha postagem sobre a ANEL, tratando de Movimento Estudantil, Partidos e etc e acho interessante trazer esta discussão para um Post.

Dei uma organizada e posto abaixo o que discutimos e mais alguns apontamentos ao fim.

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Cíceiro Guedes: Sobre PSTU, LER, militância, alternativas e posições.

Caro Tsavkko, texto bem vindo, boa oportunidade!, saber tão logo de suas “andanças” militânticas, posicionamentos, etc.

Pareceria até uma provocação, se não fosse realmente, uma luva, para que eu viesse “colaborar”.

Vamos então:

1) Estranhei, e achei algo que “rápido” seu modo (ou jeito) de militar em partidos.

Você militava no PT, foi e militava no PSTU, e só quando (demorou isso?) viajou p/ congresso de

Daí “o deslumbramento acabou”.Enfim, pelo menos acabou, mesmo que seja do deslumbramento.

Raphael Tsavkko Garcia: Como eu disse pelo Twitter, eu escrevi um texto corrido, sem marcação temporal, mas militei uns 2-3 anos no PSTU e no PT fiquei desde a infância até meus 17-18 anos.

Mas desde os meus primeiros dias no PSTU sempre me senti um pouco distante, acho que eu na era tão radical qt o partido gostaria e sempre achei MT coisa simplesmente estúpida. Mt burguesinho posando de comuna, de hippie, escondendo o que era e tal. Me dava MT raiva ver gente que tinha dinheiro fingir de pobre, pegar ônibus e tal só pra posar de Revolucionário.

Detesto fingimento e acho que nunca me encaixei MT por lá, mas tentei.

Meu deslumbramento acabou bem antes, mas fiquei criticamente, a Conlutas me pareceu a oportunidade da guinada, de realmente passar a ver alguma luz no fim do túnel partidário mas, no fim, foi um fiasco.

Na verdade nunca me deslumbrei, apenas acreditei que talvez fosse ter jeito, q o PSTU talvez fosse “sério”, mas no fim era só um grupo sectário de tamanho considerável.

CG: Pelo que você falou, saiu do PSTU entre a descida do busão e a entrada no tal congresso.

RTG: Não, foi só o estopim!=)

CG: “Dezenas, quiçá centenas de militantes, todos do PSTU [aqui já não era mais militante?]. Minto, meia dúzia da LER, LBI e outros grupos de grande alcance nacional (cof, cof).”

Termina sua conclusão/ explicação do momento da saída do PSTU, ainda deixando uma rebarba sobre “meia dúzia”, que não era do PSTU, mas que tanto faz, pois “LER, LBI e outros grupos de grande alcance nacional (cof, cof).”

RTG: Convenhamos, LER, LBI são grupelhos q conseguem ser ainda mais sectários que o PSTU.

Discordam da vírgula do capítulo 15, página 800 do Capital, versão em alemão de 1880. É ridículo.

Achar que alguém vai fazer revolução, que vai subverter alguma coisa ou sequer ter o apóio de mais de meia dúzia de adolescentes é tosco. Foram horas de discussão sobre vírgulas e pontos, discordâncias que, por favor, dava vontade de mandar à merda pela inutilidade. Brigam pelo prazer de brigar.

CG: Quem liga, ninguém conhece eles não é mesmo? O tamanho diz muito e é fundamental (?) A relevância de qualquer grupo, partido, movimento social ou popular, vertente política, ou até uma pessoa com determinada idéia ou postura, o tamanho ou número de seus seguidores, ou integrantes, militantes, etc, não creio ser um bom classificador, de mérito ou descrédito, por si só.

RTG: Não era esse meu ponto. O tamanho é um indicador de relevância, mas o sectarismo e a falta de propósito “ajudam”. E minha intenção msm era ser irônico com esses grupos!=) Não era fazer uma análise profunda.

CG: Ainda mais de esquerda (ou “ultra-esquerda”?) trotskista, que nunca teve muito “grande” tamanho (“sucesso”) no Brasil, e na América Latina (em certas épocas e momentos alguns grupos e partidos trotskistas tiveram “maior” expressão na luta de classes, etc), mas tudo depende também, é claro, do que consideramos “expressão” ou influência. Tamanho e “expressão” são pontos e objetivos a serem alcançados, sempre, mas...

RTG: Se o objetivo é falar ao povo e ser movimento de massas, a ultra-esquerda falhou. E feio. Ponto pacífico. A fragmentação trotskysta é lastimável, brigam por tudo, cada um se reivindica mais puro, mais revolucionário e não conversam.

CG: O PT com certeza foi o maior em expressão e importância (sinto até nojo de dizer, mas é da história dele que falo) numa perspectiva que não fosse a “comunista” com selo oficial do estalinismo e todos os seus estragos, traições, não só na URSS, mas no mundo, e aqui (PCs), claro, sempre “jogando” a classe trabalhadora a seguir o governo de plantão ou candidato, que fosse mais “progressista”, mais do povo, mais de “esquerda” (sim, PC e outros partidos de “esquerda” fizeram muito isso, e não só isso), pois o capitalismo teria que amadurecer (segundo a linha e teoria etapista de revolução “estalina/Pradiana”), e por isso ainda não era hora de preparar, ou conscientizar a classe trabalhadora para sua emancipação, ou “revolução” socialista, mas ainda de apoiar a burguesia nacional, contra o Imperialismo e a elite.

Nesses casos a teoria mostra-se mais que um escudo dos burocratas, é o pão e a máscara das traições.

RTG: Concordo plenamente.

CG: Seria melhor definir e fazer melhores críticas, caracterizações, dos grupos onde militou, e suas expectativas, idéias, teorias, linha política e de atuação neles, e sua postura também, parece até que você “era apenas uma rapaz latino-americano” sem muitoembora tenha revelado brechas “comportamentais” nos poucos relatos que fez no texto já, haha).

RTG: Digamos q eu era MT radical para o PT e mt light para o PSTU. Nunca me encaixei e sempre tive fortes discordâncias com todos os setores!=)

CG: Pergunta indiscreta: Quando militava no PT ou antes, já tinha um “posicionamento” socialista (se sim, qual delas, mestres, etc), linha teórica marxista que seja, é trabalhador, ou só apoiava a luta da classe trabalhadora, ou entrou no PT sem nada disso, foi lá pra lutar, no movimento estudantil, fazer, conhecer, o “melhor” caminho, da luta real, claro?

RTG: Cara, eu “entrei” no PT com 6-7 anos de idade, nas greves do BB de João Pessoa e depois de Recife. Vim de família Brizolista (lado materno) e Getulista (lado paterno) e cresci lendo Marx, Althusser e etc e sempre gostei dos “hereges” como Kautsky (mais a questão do trato com minorias, nacionalismo e etc) e os Conselhistas mas nunca segui ninguém, sempre tive uma leitura própria extraindo algo de um ou de outro e sempre detestei rótulos. Nunca disse “sou marxista-trotskysta-mandelista-autêntico-da linha Y-determinante Z- lado B”, eu era Socialista e ponto, com uma visão ampla, lendo de tudo e sem dizer que “A era herege porque discordou da linha 8 d’O Capital.

Na verdade me identifiquei muito sempre com a New Left inglesa.

Mas, militar MESMO no partido só com meus 15 anos, mas admito ser algo incipiente.

CG: 2) Quanto a sua posição em relação à UNE. Não se faz necessário à mim (sic), mas pode esclarecer alguém que pense ou o acuse de ser ainda petista (ou pró-UNE). Melhor prevenir!

Correto seus relatos sobre UNE e PC do B.

RTG: Não sou pró-Une nem pró-PT, jamais! Mas não é fundando org qualquer q se derruba a UNE. Eu só lamento pela história dela, ter sido entregue assim hj.

CG: 3) Mas seria legal se desse sua opinião, mesmo que resumidas, vi que pode, sobre quais a(s) saída(s) para o problema da UNE, ou melhor, do movimento estudantil. Para além, inclusive, da questão UNE, sai ou fica, etc.

“Existem maneiras e maneiras de se montar uma oposição ativa e com penetração”.

RTG: Não q eu tenha as respostas, não as tenho, mas não é fundando organismo do PSTU que se supera os problemas da UNE, só cria outra org sem sentido e dominada por um grupo só. É preciso trabalho de base, ir nas faculdades e conscientizar. Conversar com múltiplas tendências e jogar francamente, abrir diálogo e chamar para compor algo novo. Dificil, trabalhoso mas acho que o único caminho.

Ponto principal é superar os problemas das vírgulas e tentar trabalhar nas semelhanças e onde tem possibilidades de acordo.

CG: Também tenho interesse nisso, embora eu não esteja no ME diretamente (já to quase saindo da facu), mais no sindical/ trabalho, mas corro dar uma força para os camaradas do ME e vice-versa.

4) Concordo com alguns se seus apontamentos, embora rápidos, sobre o PSTU.

Que eles não gostam de ser minoria onde atuam (até aí, ninguém gosta, ser maioria é mais “gostoso”). Exatamente como acontecia no PT, com suas diversas correntes internas, as mais de esquerda, entre elas a CS (Conv. Soc.), os militanes enfrentavam todo tipo de trator e golpes do grupão majoritário (Articulação, etc), falta mais balanço (de todos nós) sobre este período, desde construção, formação até deterioração do PT, pois é muito importante como aprendizado e lições (e no mínimo, que já seria o “máximo”) para não repetirmos as cagadas, os vacilos, as práticas e desvios burocráticos, erros, etc. Vê que não é pouca coisa a história.

Sim, combato e luto também contra as hegemonias, como na Conlutas, onde o PSTU (ex-CS), “depois de anos como minoria na CUT”, agora é maioria (nem tanto assim mas é) e faz coisas extremamente parecidas, lembrando os “tratores” anteriores. Nós que somos “a minoria” é que temos que criticar e lutar contra isso mesmo, e contra os desvios, vacilos, conciliações, esquemas e “frentes” eleitoreiras, etc, etc.

5) Sobrou até para LBI.

Mas você não disse o “erro”, ou erros, da LBI (também), apenas disse que “o grupo que conta com não mais do que 30 integrantes – rachou”, “mas não importa muito”. E quem milita em grupo menor ainda, ou sozinho? Esse você não olha nem na cara, ou conversaria pelo menos?

RTG: Cara, a LBI acha piamente que a revolução está perto. Eu quase apanhei de uma militande da LBI no congresso da Conlute por ter feito uma piada infame sobre a LBI. Nada de discutir, conversar,a garota queria partir pra briga! Nas mesas de discussão nada de conversa, só recitavam que Marx disse isso, Marx disse aquilo, porra, você não pensa, não tem cabeça? Só sabe recitar Marx? Enchia o saco.

Fora q a penetração da LBI no ME era nula e ainda rachou? Os caras se diziam a vanguarda, os fodas, mas tinham 30 membros e olhe lá. Vanguarda de que? Do isolamento? Olha que nem citei o MEPR! Guerrilha rural? Ah, fala sério! Mao deu no que deu, repressão chinesa contra todas as minorias e um país com comunismo de merda.

CG: Veja que caracterizações devem ir além do tamanho (os bolcheviques, os “originais”, com Lênin e tudo, em certos momentos não passavam de “meia dúzia” também, e veja o que aconteceu logo depois).

Também me espanta (hoje menos) as eternas brigas e rachas dos grupos de esquerda, partidos, movimentos, etc. Mas temos que estudá-los, nem sempre é sinal de erro, pelo contrário até, muitas vezes dos rachas é que se avança e constroem alternativas bem melhores e firmes.

RTG: Como eu disse, a questão não é o tamanho (só), mas é um indicativo da relevância. Não somos a Rússia, não estamos na crise russa e nem temos um Czar, os tempos são outros.

CG: 6) Sobre a Conlute, ANEL, enfim, sobre o “seu” assunto principal no texto.

No ME sei que PSTU também atua da mesma forma, quase “igual” ao sindical, e gosta e quer comandar onde estiver (CA, DCE, Conlute e ANEL) e isso arrebenta com o negócio antes mesmo de dar “frutos”.

RTG: Exatamente. E por vezes adota táticas da UJS que desaprovava sempre. Em menor tamanho e vezes mas ainda assim era um indício de que algo estava podre.

CG: Tenho diversos colegas do PSTU, da escola, ME, do mov. sindical, e bato e provoco direto sobre estas “mancadas” feias do partido, etc. As discussões e batalhas são muito boas, mas dentro e no lugar mais apropriado, junto dos trabalhadores, na disputa, nas lutas, na hora das propostas, encaminhamentos, etc, bem melhor.

RTG: Sem duvida.

CG: Por hora já chega, já enchi (sic) e ocupei mais espaço que seu texto e blog todo.

Contando com sua compreensão e respostas (suas posições, “crenças”, se, onde, como atua, etc).

RTG: Haha, sinta-se à vontade para postar, comentar e, se quiser, até empresto espaço se você quiser se expressar aqui no blog! É pequeno, humilde, mas não é sectário!=)

CG: Um abraço e até.

RTG: Grande abraço!

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Enfim, esta foi a discussão. Muitos acharão inútil, sem sentido mas, pra quem conhece o Movimento Estudantil ou mesmo como se organizam correntes e partidos saberá como é difícil manter um diálogo aberto e fraterno entre a esquerda tão fragmentada e por vezes sectária.

O post ainda teria uma parte mais pessoal, a ficha do Cícero mas não sei se ele liberaria então deixo no ar.

Vale notar, antes de mais nada, que o Cícero foi extremamente direto, polido, cordial em resposta a um texto meu que era polêmico e, como ele mesmo disse, até ofensivo aos militantes que chamei de sectários (e que mantenho, mas sem ofensas). Meu texto era irônico e tinha o objetivo de instigar e criticar e, felizmente, o Cícero levou numa boa e entendeu o ponto central.

Bem, sobre a UNE e a ANEL em si, eu poderia acrescentar que a Conlutas é um bom guia, um bom modelo que conseguiu agregar setores descontentes com a CUT e formar uma organização que, se ainda pequena, tem muito espaço para crescer e agregou diversos segmentos operários significantes, sem ficar no aparelhamento com um partido (no caso, o PSTU) e que conseguiu superar algumas barreiras e diferenças que impõe a ultra-esquerda sectária.

Romper com a UNE não é fácil, tanto pelo peso atual da organização - e a relevância dada a ela pelo governo Lula que a aparelhou por completo - quanto pela história, memorável, de luta, combativa.

Não é fácil mas é preciso. Já acompanhei processos eleitorais suficientes para saber que a UJS/PCdoB farão de tudo para fraudar e cooptar, senti nas minhas próprias urnas as garras desta corja pseudo-comunista e não gostei nem um pouco mas, para mim, é luta perdida. A UNE sofreu o golpe de misericórdia com a patricinha retardada que está hoje no poder, o cúmulo da galhofa do PCdoB com os demais partidos, organizações, enfim, com os estudantes.

Agora, o que fazer, parafraseando o grande líder?

Eu, pessoalmente, não tenho as respostas, posso apenas opinar e dar sugestões e, admito, estou muito afastado do ME desde que vim para São Paulo. A desilusão com a militância foi grande, ainda não superada, quem sabe algum dia?

O primeiro passo, porém, é romper com o sectarismo torpe e buscar pontos de contato, semelhanças programáticas e deixar para depois os pontos mais conflituosos (normalmente discussões bestas sobre quem é mais bonito, Mandel ou Moreno).

Curioso que tenha saído quase agora um excelente post no Kaos en la Red sobre um acordo firmado entre o NPA e o PCF, pondo suas diferenças de lado em prol de um polo de Esquerda na França. É este o caminho!

De que adianta a divisão de forças se temos todos um inimigo em comum? Se colocamos que a UNE e a UJS sãoo o problema, de que adianta o sectarismo e não a união de forças?

Quem se importa com uma declaração da A Plenos Pulmões? Quem se importa com o que acha a LER ou o Mov. Negaçao da Negação? E isto não é ironia, são grupelhos fragmentados, sectários e que pouco tem a dizer à massa, ao povo. Mas MUITO tem a dizer uma organização sólida, construída pelas forças de esquerda integradas e com um programa unificado e consensuado.

Pensem nisso!=)
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