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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Tantaz tanta, itsasoa gara: Gota a gota, somos mar - Direitos humanos, resolução, paz


No próximo dia 11 de Janeiro, as ruas de Bilbau vão acolher a maior mobilização cidadã da história recente do País Basco. Nesse dia, dezenas de milhares de pessoas vão sair à rua para pedir a repatriação dos presos e das presas políticas bascas.

Há 25 anos, os governos espanhol e francês decidiram encerrá-los em prisões muito distantes do País Basco para os isolar do seu contexto social e castigar as suas famílias com viagens longuíssimas. Hoje em dia, há 527 presos e presas dispersos por 73 prisões de Espanha e França, e cada família deve fazer uma média de 1500 quilómetros para visitas de 40 minutos. Ao longo destes anos, 16 familiares morreram em acidentes de tráfego quando se deslocavam para ver os seus entes queridos, e centenas ficaram feridos.

As instituições bascas  pediram em repetidas ocasiões o fim da dispersão e as sondagens indicam que mais de 75% da população partilha essa exigência. Nos últimos anos, houve manifestações massivas e milhares de acções de protesto mas tanto Madrid como Paris desprezam a sociedade basca e continuam a cercear os direitos humanos das pessoas presas e dos seus familiares.

A ETA decretou um cessar-fogo definitivo em Novembro de 2011 e os estados optaram por boicotar o processo de paz. A situação nas prisões é cada vez pior. Inclusivamente, o Governo espanhol recusava libertar os que já tinham cumprido a sua pena, o que motivou a intervenção do Tribunal Europeu de Direitos Humanos, que ordenou recentemente a libertação de mais de 60 presos e presas que estavam encarcerados há 20, 25 e até 30 anos.

Hoje em dia, continuam a manter na prisão pessoas de idade avançada, com doenças graves, em situações de isolamento e maltrato. Entre elas há militantes da ETA, também jornalistas, membros de sindicatos, organizações políticas e juvenis, activistas pelos direitos dos presos… O líder independentista Arnaldo Otegi e outros dirigentes estão há mais de quatro anos na prisão por promover o processo que conduziu ao cessar-fogo definitivo e unilateral por parte da ETA.

A sociedade basca quer soluções, deixar para trás o sofrimento e que a paz se estabeleça definitivamente. Contudo, os estados espanhol e francês optaram por utilizar a política penitenciária como obstáculo, para manter o conflito no patamar anterior e incidir no cerceamento dos direitos humanos.

Perante esta situação, a cidadania está a adoptar compromissos massivos a favor do processo de paz, mas a resposta do Governo espanhol foi uma vez mais violenta: em Setembro de 2013, ilegalizou o movimento civil Herrira, promotor dos últimos protestos pelos direitos dos presos e deteve 18 dos seus membros.
Neste contexto, a mobilização de 11 de Janeiro de 2014 prevê-se histórica, a maior das últimas décadas. O formato vai ser uma novidade, já que cada participante chegará a Bilbau com uma gota, e, entre todos e todas, construiremos um mar gigantesco como símbolo da determinação e da força de uma sociedade que quer terminar com o conflito. Para isso, consideramos imprescindível reconhecer e compensar todas as vítimas e propiciar o regresso a casa de todas as pessoas presas e exiladas.

Pedimos aos governos espanhol e francês que dêem uma oportunidade à paz no País Basco e à comunidade internacional que nos ajude a impulsionar o processo de resolução do conflito. Somos um pequeno povo que quer deixar de sofrer. E necessitamos do vosso apoio e solidariedade.

Dêem uma oportunidade à paz no País Basco
Direitos humanos, resolução, paz.
PRESOS E PRESAS BASCAS PARA O PAÍS BASCO.

Twitter em português: @Tantaztanta_PT


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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Sem querer, Black Bloc ajuda direita antidemocrática?

Li com atenção ao texto do cientista político Marcio Saraiva publicado pelo Vi o Mundo e, apesar de concordar com alguns argumentos, me sinto forçado a expressar minha discordância com a tese central e alguns pontos mais.

Saraiva alencou 6 pontos ou eixos centrais em seu raciocínio, e gostaria de inicialmente comentá-los (sempre em vermelho):

1. Até agora não apresentaram nenhum projeto de poder popular. Simplesmente adotam uma violência quase romântica – pois não são guerrilheiros organizados em torno de um programa revolucionário – com paus, pedras, coquetéis, fogos de artifícios e marretas.
Os Black Blocs não são um movimento ou um grupo organizado aos moldes tradicionais de coletivos e partidos, são uma ideia, um método. São indivíduos que podem ter algum tipo de organização primitiva (normalmente via redes sociais) que se juntam durante manifestações para servir como escudo para o movimento social.

Como já escrevi antes, são uma arma defensiva útil e necessária em tempos de imensa brutalidade policial. Não à toa, foram elogiados pelos professores do Rio em greve. 

A função dos Black Blocs não é a de fazer a revolução, mas a de proteger o movimento social.E usam para este fim as "armas" que podem.

Ao meu ver não é papel dos Black Blocs se preocupar em primeiro lugar com marketing pessoal, senão que agir em defesa daqueles que vão às ruas (também é válida a discussão sobre ações ofensivas e defensivas).

Tampouco é produtiva a briga de egos entre grupos que se vêem na vanguarda e se sentem acuados frente a perda de protagonismo para os Black Blocs. Um sentimento até mesmo burro, visto que partido/movimento social é diferente de Black Bloc e não disputam o(s) mesmo(s) espaço(s).

2. As imagens de destruição, lixos queimados e rostos escondidos que os Black Bloc apresentam mais assustam a população em geral do que ganham a adesão das massas.
Depende. Se dependermos da Globo para nos informar, sem dúvida a imagem é negativa, mas a imagem dos professores em greve ou de qualquer movimento social organizado é igualmente negativa pelo prisma da grande mídia, salvo em ocasiões específicas onde apoiar um movimento social ou uma pauta possa ser do interesse da mídia no ataque a inimigos selecionados em momentos bem específicos.

O que vemos são professores agradecendo aos Black Blocs por sua proteção. São milhares de pessoas que saem às ruas vendo que os Black Blocs funcionam como uma linha de defesa - ainda que fraca - frente à violência e brutalidade policiais.

No fim das contas, "assustar" ou mesmo não ser do agrado da "população em geral" não é definidor de moralidade, utilidade ou viabilidade, pois precisamos compreender por qual prisma essa "população em geral" tem acesso à informação.

Quem está nas ruas lutando sabe do papel dos Black Blocs. 

Além disso é preciso também te em mente o papel desinformador e mesmo criminosos de quem fica em casa gritando contra o "PIG", mas fazendo coro a ele durante manifestações, criminalizando professores, Black Blocs e movimentos sociais que se insurgem contra os governos a que estes fanáticos são simpáticos.
 
3. Os Black Bloc não somente atuam na defesa dos movimentos sociais – o que é positivo – mas acabam provocando os policiais, criando o clima propício para a ação repressiva. Como eles não tem número suficiente e nem organização para enfrentar os aparatos repressivos, o saldo final é de frustração e aparente vitória da polícia que, para o senso comum, começa a se transformar em “heróis da ordem”.
Uma discussão válida é o papel defensivo versus o ofensivo dos Black Blocs (já declarei neste blog posição contrária a ações ofensivas enquanto em manifestações, ainda que não descarte o uso da violência revolucionária em casos e momentos específicos), mas JAMAIS culpar a autodefesa popular pela ação policial. E digo ação e não reação por um simples motivo: Na ampla maioria das vezes a PM começa com provocações e violência, esta respondida pelos Black blocs.

A mera presença de pessoas nas ruas é uma provocação para a PM e para o Estado. 

Em junho a presença de Black Blocs era mínima, especialmente nas primeiras manifestações - que também foram as mais violentas, como em São Paulo -, mas a repressão vinha invariavelmente.

Esta tese quase marilenachauiana de "provocação Black Bloc" não procede. Na verdade é uma falácia tremenda. A PM bate, não importa a presença de resistência organizada. 

E, mais uma vez, não compartilho da visão do autor de "vitória dos heróis da ordem", visto que o repúdio pela violência policial é sempre uma constante, MESMO com as acusações midiáticas e governistas aos Black Blocs.

Mesmo junto à grande mídia, há crítica à ação policial, mesmo que esta divida espaço com a crítica à autodefesa popular.
 
4. A visão antipolítica dos Black Bloc pode favorecer um clima fascista que generaliza todos os políticos eleitos e todos os partidos políticos como “instrumentos do capital”. Com essa generalização simplista, cria-se um clima favorável para ideias do tipo “fim do Congresso Nacional” e regimes de força, bem ao contrário do anarquismo clássico que prega uma ideologia de fim do Estado e autogoverno popular.
Autodefesa popular não pode jamais ser vista como "antipolítica", assim como o repúdio por parte de alguns elementos que formam as linhas Black Blocs dos partidos tradicionais, não é antipolítica. O Anarquismo professado pela provável maioria dos que formam esta linha autodefensiva não é, jamais, antipolítico. 

O autor confunde o repúdio às instituições carcomidas do Estado e críticas localizadas à atuação partidária (em especial do PT, PMDB e PSDB, todos que se declaram falsamente de esquerda) com uma crítica generalizada à política. Nada poderia ser mais incorreto e distante da realidade.

É inegável, porém, que grupos se apropriem deste discurso e o transformem naquilo que teme o autor, num discurso esvaziado e de tons fascistas, mas estes grupos não estão nas ruas (estiveram em algum momento em junho, mas já voltaram para suas casas, para seus grupelhos de galinhas verdes e similares), não representam a maioria daqueles que saem para a luta.

Um grupo não pode ser responsabilizado pela apropriação que outro faz de suas teses, ideias e pensamentos (e ações), assim como o pensamento Black Bloc não pode ser responsabilizado pelo fascismo que uns buscam impor à ideologia.

5. Incentivar ações contra a polícia e focar nisso é não perceber que os aparatos repressivos são do Estado. O Estado é repressor, policiais são usados para isso. A despeito da mediocridade do argumento de que “estamos apenas cumprindo ordens”, ele encerra algo de verdadeiro. A PM não é o alvo, e sim o Estado, seus gestores.
Concordo com o autor da precariedade da ação Black Bloc e que não é a PM o alvo prioritário, mas não vejo como isto eliminaria a PM de ser um dos alvos. A PM é a linha de defesa do Estado contra seu próprio povo e é, então, alvo legítimo - e de certa forma um dos únicos palpáveis.

Ademais, em uma manifestação, os Black Blocs visam defender o povo do Estado, representado ali pela PM, que ataca e mata o povo.

Mas como escrevi antes, acredito na ampliação das ações, não apenas Black Bloc, mas organizadas contra o Estado e seus asseclas. 

6. Sem um projeto ético-político objetivo que dê um sentido mais amplo para suas ações, os Black Bloc acabam se resumindo em movimento jovem de indignação, revolta e ódio, sem nenhum processamento político possível. Afinal, queimar lixos não contribui para nenhuma revolução, em sentido marxista.
Cabe aos movimentos organizados, aos partidos e movimentos sociais compreender a tática Black Bloc e, ao invés de subirem em pedestais ideológicos e lamberem as feridas da vanguarda perdida, buscar abrir um canal de diálogo com aqueles mais afeitos a isto, criando táticas conjuntas e buscando aprimorar a autodefesa popular.

O que temos hoje são Black Blocs numa ponta, e partidos/movimentos em outra, empedernidos, incapazes do diálogo e da compreensão. Oras, temos uma infinidade de grupos e tendências de esquerda que sequer conseguem sentar numa mesa e dialogar, que o diga quando surge algo mais radicalizado e absolutamente fora de suas órbitas de controle (ou mesmo compreensão).

A SEPE, sindicato dos professores em greve no Rio, foi a única organização capaz de compreender até o momento o que são e como agem os Black Blocs. A SEPE abriu diálogo, homenageou e foi defendida pelos Black Blocs.

PSOL e PSTU preferem permanecer na posição de falsa-vanguarda, enquanto o PT, parte do Estado repressor e aliado de primeira grandeza dos políticos responsáveis pela repressão no Rio, permanece na pura e boçal criminalização (não só dos Black Blocs, mas de todo o movimento social e grevista).

Por mais que "queimar lixos" não contribua para nenhuma revolução, é um primeiro passo para a radicalização do movimento social. Mais produtivo buscar dialogar e entender que simplesmente criminalizar.
 
É nesse ponto que as ações violentas dos Black Bloc, mesmo sem o desejarem, acabam ajudando o governo Cabral e Eduardo Paes a se colocarem como os “arautos da ordem” e defensores do povo contra o “vandalismo dos mascarados”.
Pelos índices de popularidade de ambos e pela reação popular às suas medidas a tática não tem sido bem sucedida.
 
Não somente isso. A tática – sem estratégia – dos Black Bloc fornecem as imagens e os argumentos que as forças mais reacionárias da direita precisam para legitimar a repressão estúpida e brutal contra os movimentos de greve e protestos dos estudantes e das classes trabalhadoras.
Entramos em um looping, onde os Black Blocs surgem contra a violência estatal, mas são usados pelo Estado para legitimar a violência anterior e posterior. Como resolver?
 
A conta final disso tudo é que a grande mídia burguesa retira o foco na vitória dos profissionais da educação que mobilizaram 50 mil pessoas no Rio de Janeiro, em plena segunda-feira, com frio e chuva, para protestarem contra a reforma educacional privatista da dupla Paes/Costin.
Não apenas a "mídia burguesa", mas aqueles ligados ao partido que financiam esta mídia. Discurso afinado.
 
Tal reforma autoritária foi imposta, com a subserviência da Câmara de Vereadores, sem diálogo autêntico com o Sindicato (SEPE) e nem com a Comissão de Educação da Câmara presidida pelo vereador Reimont (PT) que abandonou a base governista.
Falta de diálogo anterior sequer à implantação dos Black Blocs no país. Nada mudou.

Ao contrário, a grande mídia burguesa valoriza as imagens de quebra-quebra, espalha o medo entre os cariocas e apelam, como na época da ditadura militar (1964-1985), para a “necessária ação contra o vandalismo” e o “terrorismo”.
Com apoio total da militância online petista.

Conclusão disso. Os profissionais da educação – que estão dando um exemplo de mobilização, resistência e luta contra seus opressores que desejam enterrar a educação pública, gratuita e de qualidade – acabam ficando ofuscados pelas ações violentas dos Black Bloc.
Há alguma verdade nisso, mas da mesma forma viria a violência policial contra os professores que AO MENOS encontram alguma proteção nos Black Blocs, como eles próprios reconheceram.

O grande erro do autor é colocar toda a culpa do diversionismo da mídia nos Black Blocs, acreditando que sem eles seria diferente. Não seria. Os professores apanhariam da mesma forma (e até mais), os jornais iriam culpar o movimento social da mesma forma pela violência que sofreram. Oras, a mídia está escolada em defender brutalidade policial quando manifestantes param o trânsito!

A mídia não discute os erros desse plano nefasto do prefeito Eduardo Paes, mas jogam luzes no “vandalismo”, escondendo da população as reais matrizes da atual crise.
A mídia jamais discutiu ou discutiria qualquer plano nefasto de Paes ou Cabral.
 
Por isso mesmo, a despeito das boas intenções dos jovens militantes do Black Bloc, eles ajudam a mídia burguesa e os aparatos repressivos a se legitimarem na opinião pública, dão fôlego para Cabral e Eduardo Paes, alimentam o medo no senso comum e desmobilizam diversos profissionais da educação que temem participar das próximas passeatas.
Houvesse uma unidade entre as esquerdas no sentido de dar um direcionamento à violência Black Bloc e a passar por cima da grande mídia, a coisa seria diferente. Por outro lado a informação da desmobilização de professores não procede, pelo contrário, a cada manifestação o movimento cresce. 

A violência policial é uma constante, os professores sabem, e os Black Blocs não a ampliam, mas tão somente a tornam mais midiática.

São essas as consequências não-intencionais da ação racional que a Ciência Política nos esclarece tão bem e que os Black Bloc precisam aprender, se é que desejam se tornar uma braço político eficaz do anarquismo e contribuir para o avanço das lutas populares e sindicais.
Caso contrário, os Black Bloc, mesmo sem querer isso, funcionarão como linha auxiliar da direita mais antidemocrática. Cabral, Paes, Costin, os aparatos repressivos e a grande mídia burguesa os adoram, pois legitimam seus interesses.

A única linha auxiliar da direita no Rio de Janeiro chama-se Partido dos Trabalhadores, cuja maioria de eleitos vota junto com Paes e Cabral e cuja direção está ligada carnalmente ao PMDB e, ainda, cuja militância em peso silencia ou mesmo APLAUDE ações violentas da PM contra a população.

Culpar os Black Blocs por responderem à violência que invariavelmente viria por parte do Estado é culpar a vítima pela agressão sofrida.

Sim, os Black Blocs precisam de direcionamento, precisam de maior organização, mas não podem, jamais, ser culpados pela violência do Estado.

O Estado é repressor e chegou a hora de alguém se levantar contra isto.
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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Simpósio Esquerda na América Latina - REDES SOCIAIS, AÇÃO DIGITAL E ATIVISMO POLÍTICO

Mês passado participei de uma mesa na USP durante o Simpósio Esquerda na América Latina com a intenção de falar sobre as redes sociais e o engajamento social e militância política nelas. Comigo estavam o professor Sérgio Amadeu e o jornalista Rodrigo Vianna.

Eis o vídeo da minha fala (de um pedaço), gravada por um amigo:

Neste link é possível baixar o áudio de todo o debate (começo a falar aos 29:18).

Segue artigo de Bia Barbosa, na Carta Maior, sobre a mesa (em negrito os comentários sobre minha fala):

Em 2009, após indícios de fraudes nas eleições no Irã e da repressão de Ahmadinejad aos primeiros protestos, a população, fazendo uso da internet para compartilhar informações e se organizar, foi aos milhões às ruas de Teerã. Entre 2010 e 2011, com forte utilização das redes sociais – inclusive em países onde o acesso à internet é bastante limitado -, movimentos mostraram ao mundo o que acontecia em ditaduras árabes, chegando a derrubar governos. Nos Estados Unidos e Europa, os Indignados e o movimento Occupy, que tiveram início com protestos online, depois tomaram as ruas das principais capitais do ocidente.

Na América Latina, no entanto, a situação é diversa. Apesar da mobilização virtual ser crescente, os protestos digitais ainda não conseguiram ganhar as ruas na mesma dimensão. Na avaliação de ativistas digitais que participaram esta semana do simpósio internacional “A Esquerda na América Latina”, realizado na Universidade de São Paulo, o cenário coloca inúmeros desafios para o movimento.

Para o sociólogo Sérgio Amadeu da Silveira, professor da Universidade Federal do ABC, militante do Software Livre e autor de várias publicações sobre o tema, antes de mais nada, é necessário compreender o que acontece com a militância e com os organizadores de luta política dentro das redes sociais, principalmente com a relevância que uma série de tecnologias adquire no capitalismo.

"As práticas de comunicação foram alteradas com a internet e reorganizadas depois do surgimento das redes sociais. E essas práticas inverteram o ecossistema comunicacional. No mundo dos canais de comunicação de massa, era necessário lutar para democratizar o canal para se falar para milhares de pessoas. O difícil agora não é falar; é ser ouvido. É uma inversão brutal. Estamos em uma rede distribuída onde o problema não é construir um discurso; é fazer com que as pessoas estejam aptas a ouvi-lo", explica.

Dentro dessa inversão de ecossistema, a comunicação em rede abriu espaço para pequenos e importantes atores. Décadas depois, os hackers, que surgem nos anos 60 com a utopia "democratizar a informação é democratizar o poder", se juntam aos ativistas sociais e hoje o ambiente da internet se transforma em palco para inúmeras lutas, a partir da ação dos ciber e hackerativistas.

"A partir dos anos 90, os hackers se politizaram, porque boa parte integra o movimento de Software Livre e, de repente, teve que passar a enfrentar o Estado para poder exercer seu hobby, que é desenvolver códigos e compartilhar conhecimento. Tiveram que se coletivizar para enfrentar as leis de propriedade intelectual, que se enrijeceram no mundo inteiro", explicou Sérgio Amadeu.

Hoje, uma das maiores expressões globais no novo ativismo digital são os Anonymous, um modelo de ação que nasce nos Estados Unidos entre ativistas, artistas e hackers e que passou a ter importância no mundo inteiro. Usando as técnicas do hackeamento e da hipertrofia, realizaram a Operação Payback, em protesto à retirada do site do Wikileaks pelos Estados Unidos e ao corte do financiamento do site de denúncias através de cartões de crédito.

"Quando fizeram isso, já havia 800 espelhos idênticos do Wikileaks no mundo. Ao mesmo tempo, sobrecarregaram o servidor dos cartões de crédito até ele cair, gerando milhões em prejuízo em todo o mundo. Isso é hipertrofiar, inverter a lógica. Não é crime, é protesto digital", afirma Sérgio Amadeu. "A nova lógica dos movimentos, aqui na América Latina inclusive, onde Brasil e Argentina são pontas, não é mais "Proletários de todo mundo, uni-vos". É "Hackers de todo o mundo, dispersem-se", acrescentou.

Guerrilha virtual e ativismo de sofá
Olhando para a realidade brasileira, o ativismo digital em rede foi estratégico em alguns momentos da história recente do país para fazer o contraponto às informações e opiniões dominantes na mídia tradicional. O jornalista e membro da dos Blogueiros Progressistas, Rodrigo Vianna, lembrou do episódio da bolinha de papel atirada contra José Serra, então candidato do PSDB à Presidência da República. Atingido por um "objeto misterioso" atirado por adversários durante a campanha, Serra fez tomografia e conseguiu até a participação de um perito no Jornal Nacional, da Rede Globo.

"Mas a tese rapidamente foi desmontada na internet, de forma colaborativa. Usando imagens de um cinegrafista do SBT, ficou claro que o objeto que atingiu Serra não era o que a Globo tinha mostrado; era uma bolinha de papel. A verdade se espalhou nas redes e ganhou uma dimensão importante naquele momento da eleição. Há 25 anos, um episódio como este demoraria três anos para ser desconstruído, como aconteceu com a edição do debate eleitoral de 1989, entre Collor e Lula, feita pela Globo. Você não tinha como reagir, não tinha contraponto", lembra Rodrigo Vianna.

Como escreveu Antonio Gramsci, os aparatos privados de hegemonia, como os meios de comunicação, não estão ao alcance apenas das classes dominantes, mas também das subalternas, lembrou. "Ou seja, é possível travar a disputa sem disputar o Estado. É uma batalha pelos valores, feita no dia-a-dia", analisou Vianna. "Porém, aqui no Brasil, ainda é uma guerra de guerrilhas, porque a TV continua tendo um peso tremendo. Quem dita a pauta política no Brasil se não meia duzia de veículos da velha mídia? O ativismo digital ganhou enorme relevância, mas temos pouca reflexão sobre seus impactos", acrescentou.

Para Raphael Tsavkko, blogueiro, autor e tradutor do Global Voices, ainda há um descolamento entre o online e o offline no Brasil e na América Latina. As lutas nas redes levaram à realização de protestos como o Churrasco da Gente Diferenciada, em repúdio à reação da elite paulista contra a abertura de uma estação de metrô no bairro de Higienópolis; às manifestações contra as operações na Cracolândia; e mobilizações como a Marcha das Vadias e contra a construção da Usina de Belo Monte.

"Mas a repercussão nas redes foi maior do que nas ruas, e com a maioria de pessoas que já faziam parte de movimentos organizados. São poucos os exemplos de mobilizações que conseguiram transbordar a barreira dos catequizados”, analisou Tsavkko. “Enquanto isso, no Chile, os protestos dos estudantes se organizaram pouco pela internet, e mais pelos grêmios. Então ainda há este descolamento. É o que os EUA chamam de ativismo de sofá”, critica.

Um dos possíveis obstáculos para a superação desta diferência é o próprio alcance da internet no Brasil, onde apenas metade da população pode ser considerada usuária da rede mundial de computadores. Mas há outros.

"Temos uma série de dificuldades aqui, desde a divisão histórica da esquerda brasileira até uma apatia política do brasileiro, incentivada pela mídia que diz que "política é tudo igual". E quando você pode simplesmente apertar um botão e "curtir" algo na internet mas não tem uma visão crítica sobre aquilo, isso acaba criando uma funalização do movimento online. Ma sem sair às ruas, apenas o ativismo online não vai conseguir mudar o mundo", problematiza Tsavkko.


"Acontece que as pessoas não vivem política 24 horas por dia. Nosso discurso não está adiantando; os blogs de esquerda não tem tanta audiência. Estamos lidando com uma ideologia que penetra e que está na cultura. Esta é a questão central. E aí estamos perdendo a batalha. Não vamos ganhar a batalha partidarizando ou politizando a cultura, mas passando por ela", acrescenta Sergio Amadeu.

"Dentro do aspecto cultural que precisa ser debatido, temos que olhar para o poder da mídia tradicional. Quando passa um reallity show na TV, este vira o tema mais comentado na internet. Ou seja, a TV dita o que vai ser debatido nas redes. Por isso ainda temos que disputar o poder dos grandes meios", acredita Rodrigo Vianna.

Por fim, escrevi este artigo, em inglês para a Fundação Bertelsman, ampliando minha fala no debate na USP, recomendo a leitura.
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segunda-feira, 19 de março de 2012

Dinamitando pontes: A militância LGBT governista e a homofobia oficial [Update]

Não costumo, já há algum tempo, postar textos de terceiros no blog, mas acredito que este, do Francisco Aragão (vulgo @chcapet, @litheroy ou @elcapeto) em resposta ao texto lamentável da ativista LGBT Vange Leonel, merece ser repassado.

O texto da Vange, em resumo, desculpa o governo de todos os recuso nos direitos LGBT, praticamente culpando o oprimido pela opressão. O governo faz o possível, os LGBT tem que aceitar negociar com quem os odeia... É isso que entendemos do texto da ativista. Aqueles insatisfeitos devem engolir o "orgulho" e aceitar o que vier, tudo em nome de um proejto falido de poder.

Tentativa pura de tentar justificar o injustificável, um govenro homofóbico que não faz absolutamente nada para frear a violência homofóbica e a homofobia de pastores neopentecostas e bandidos semelhantes.

Os Marginais da Fé controlam o governo, e ainda assim Vange defende que não se dinamite pontes, oras, as pontes já foram dinamitadas, e pelo próprio governo. Acho que é hora do movimento LGBT (mas não só) parar de se preocupar com pontes e, acima de tudo, parar de servir de massa de manobra em momentos de desespero (quando o governo é atacado por seus alidos conservadores logo corre para pedir ajuda da esquerda traída). É hora de esquecer as pontes caídas, derrubadas pelo PT e dinamitar o governo.

Contemporizar levou ao abandono do Kit Anti-Homofobia (kit gay para os detratores) que não foi "temporariamente suspenso", mas jogado no lixo, abandonado; O próprio Ministro da Educação, o Mercadante, já disse não acreditar que educação resolva nada e que não há plano nenhum a ser feito.

Contemporizar levou ao crescimento de popularidade de escória como Bolsonaro, levou a membro do PT apoiar "Dia do Orgulho Hétero" no Rio (projeto de outro Bolsonaro, aliado do governo local do PMDB/PT, diga-se de passagem), e a tantas outras barbaridades.
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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Sobre religião, blogs e como tratar do assunto "Intolerância"

O vídeo abaixo foi gravado por Naveen Naqvi, co-fundadora e editora responsávle pela ONG paquistanesa Gawaahi que trabalha com a divulgação de histórias de opressão, abuso e sobrevivência de violências várias no Paquistão e no mundo.

Naveen veio ao Brasil realizar diversas entrevistas com ativistas e eu fui um dos escolhidos e no vídeo abaixo falo - em inglês - dos desafios de se blogar sobre religião, intolerância e qual a função dos blogs e do jornalismo cidadão (o foco da entrevista foi meu trabalho no Global Voices Online e não neste blog) na questão, o que podemos fazer nesta área.

"Raphael Tsavkko Garcia, or ‘The Angry Brazilian’ as he calls himself on his blog, is a writer for Global Voices Online. Here he talks about what he envisages to be a growing religiosity in the world that he feels is directly related to progress. On a local scale, he finds that in Brazil, the influential Catholic Church can be authoritarian on issues such as women and gay rights.
I met him and his peers at the House of Digital Culture in São Paulo as part of a trip coordinated by the Brazilian Embassy in Islamabad."

Outro(a)s blogueiro(a)s/ativistas como Diego Casaes (Global Voices) e Ana Carmen Foschini (Ativista) também foram convidados a falar sobre outras questões.
Our purpose behind Global Gawaahi is to initiate a dialogue between us (Gawaahi.com), you (our readers, contributors, supporters, friends and partners) and others who are working with the Internet. It is also to explore the potential of online journalism, citizen journalism and the new media.

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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Blog do Tsavkko apoia a #MarchaDaLiberdade de Expressão


Do blog do Coletivo DAR:
Sábado, tarde do dia 21 de maio, Avenida Paulista:
Quando a tropa de choque bateu nos escudos e, em coro, gritou CHOQUE! a Marcha pela Liberdade de Expressão do último sábado se tornou muito maior. Não em número de pessoas, mas em importância, em significado.
Foram liminares, tiros, estilhaços, cacetadas, gases e prisões sem sentido. Um ataque direto, cru, registrado por centenas de câmeras, corpos e corações. Muita gente acha que maconheiros foram reprimidos.
Engano…
Naquele 21 de maio, houve uma única vítima: a liberdade de todos.
E é por ela que convocamos você a aparecer no Vão Livre do MASP, sábado que vem, dia 28, às 14hs.
Não somos uma organização. Não somos um partido. Não somos virtuais.
Somos uma rede. Somos REAIS. Conectados, abertos, interdependentes, transversais, digitais e de carne e osso.
Não temos cartilhas. Não temos armas, nem ódio.
Não respondemos à autoridade. Respondemos aos nossos sonhos, nossas consciências e corações.
Temos poucas certezas. E uma crença: de que a liberdade é uma obra em eterna construção.
E que a liberdade de expressão é o chão onde todas as outras liberdades serão erguidas:
De credo, de assembléia, de amor, de posições políticas, de orientações sexuais, de cognição, de ir e vir… e de resistir.
E é por isso que convocamos qualquer um que tenha uma razão para marchar, que se junte a nós no sábado para a primeira #MarchadaLiberdade.
Ciclistas, peçam a legalização da maconha… Maconheiros, tragam uma bandeira de arco-íris… Gays, gritem pelas florestas… Ambientalistas, tragam instrumentos… Artistas de rua, falem em nome dos animais… Vegetarianos, façam um churrasco diferenciado… Moradores de Higienópolis, venham de bicicleta… Somos todos cadeirantes, pedestres, motoristas, estudantes, trabalhadores… Somos todos idosos, pretos, travestis… Somos todos nordestinos, bolivianos, paulistanos, vira-latas.
E somos livres!
Em casa, somos poucos.
Juntos, somos todos. E essa cidade é nossa!>
Sábado, dia 28 de maio, 14hs, no vão do MASP, começa a 1ª Marcha da Liberdade.
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quarta-feira, 25 de maio de 2011

A #Horadoplaneta, ou a estupidez do "consumismo cool"

O fenômeno da #Horadoplaneta é apenas um “gancho”, mas se encaixa perfeitamente em outros (ou todos) os movimentos de sofá promovidos pela classe média para tentar mudar o mundo sem sair do lugar.

Por mudar o mundo, compreende-se o de fazê-los ter mais tempo ou mais possibilidades de consumir, passando a ideia de que o fazem de forma responsável, mesmo que, no fim, não mude em nada as relações de produção ou mesmo a mentalidade classe mediana de seus impulsores.
Consumo ou consumismo sem culpa. Uma contrapartida inócua que, de quebra, ainda os fazem sentir-se como parte de um grupo que se importa com o mundo — mas não com as pessoas.
"A #Horadoplaneta é tipo, vamos criticar consumismo, mas só por 1h enquanto usamos nosso iPad para dizer ao mundo o quanto cool nós somos."
Tuitei isso em resposta a um camarada, no Twitter, que disse: "Vem cá, lógico q apenas isso ñ ajuda em nada, mas qual o problema de aproximar pessoas ao tema e fazê-las repensar p/ serem + sustentáveis?".
Se não ajuda em nada, já temos um problema, pois a ideia é vendida como se desse algum resultado. Só isto resolverá metade dos problemas do mundo.
Mas, não pensemos em termos de "sucesso material" e sim na ideia de "fazer repensar para serem mais sustentáveis". Isto, meus amigos, é o novo mantra do "ambientalismo de butique" que Marina Silva vende tão bem. No caso dela realmente de butique, lembram-se da Natura. Ela ainda carrega um algo mais de exotismo, ao juntar o fanatismo evangélico na jogada, mas é apenas para atrair ainda mais adeptos.
É aquele ambientalismo que joga tinta em modelos com casacos de pele, mas usa camisas descoladas de empresas com trabalho escravo. Mas a camisa foi feita com algodão orgânico — plantado por crianças pobres da Guatemala. Não agride à natureza — só ao ser humano.

É a substituição do ser humano pelos animais, em alguns casos, como uma ONG que surgiu das trevas ha algum tempo defendendo o suicídio coletivo da humanidade para não criarmos problemas para a natureza. Até hoje não sei se era "séria". Até onde o termo permite, claro.

A hora do planeta passa a mensagem de que as pessoas — e não as grandes companhias — são responsáveis pelos problemas de "sustentabilidade", de energia, de água e etc. É a ideia de que meia dúzia de adolescentes são responsáveis pelas agruras do mundo e que, apagando a luz por uma hora, ou usando papel higiênico duas vezes, dos dois lados, vão mudar o mundo, quando o problema está em todo um modelo econômico e na gestão dos meios de produção.

A ideia central deste ambientalismo cool é que você nem precisa sair de casa pra mudar o mundo. Pode apenas tuitar que fez a diferença enquanto apaga a luz — mas usa baterias de lítio no celular — e muda o mundo.

Pra que sair às ruas e exigir uma mudança efetiva de sistema? Ou melhor, a maioria sequer sabe o que significa o sistema capitalista! O interesse é usar uma "ecobag" com alguma marca chique, mostrar pras amigas e amigos e esperar pelo lançamento do mais novo iPod ou iPad no mercado. Mas sempre exigindo que estes consumam menos energia ou não maltratem os cavalos exóticos da Mongólia — mas se for trabalho escravo de crianças na China não tem problema, eles tem muitas crianças lá!

Este tipo de "manifestação" passa a imagem errada de "revolução do sofá", sem crítica ao modelo e ao consumismo em si. Na verdade sem crítica alguma que faça a diferença.

Artigo completo pode ser lido na Revista Bula.

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sexta-feira, 13 de maio de 2011

Reunião da Frente Paulista pelo Direito à Comunicação


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sábado, 26 de março de 2011

Compartilhamento livre de cultura e os entraves da indústria

Soa como clichê afirmar que o século XXI, este agora em que vivemos, é o século — ou talvez a era — do compartilhamento. Com a internet e seu crescimento temos milhões de pessoas compartilhando não só filmes e música, mas também ideias. Estamos diante da total subversão do modelo tradicional de capitalismo de consumo ou mercadológico, pois agora não compartilhamos um CD, um DVD, mas apenas as ondas sonoras, o mp3, ou as imagens de um filme. Não há necessidade mais do meio físico, do intermediário.
Compartilhamos ideias, criamos de forma colaborativa. Não que não fosse assim antes, mas, digamos, escancaramos a situação.

Quando você produz uma música, sem dúvida, está se apropriando de criações anteriores. São as influências. Ninguém produz algo do nada, todos somos influenciados pelo meio, por nosso entorno, por nossos gostos, história, mas com a internet levamos isto a um novo patamar. Não apenas nos inspiramos, mas muitas vezes vamos até a fonte de inspiração criar colaborativamente.

O que antes era “inspiração”, hoje é colaboração, franca e direta. Mesmo empresas vão à rede buscar dentre seus consumidores ideias para nomes de produtos, opiniões e mesmo ideias mais específicas. A pesquisa de mercado não é mais um grupo de pessoas numa sala fechada, mas milhões de pessoas interconectadas opinando, conversando e criando.

Uns poderiam dizer que não muda muita coisa, que deveríamos pagar pela música e pelo filme, mesmo que não se use um suporte físico para que ocorram as trocas. Que nossas ideias continuam sendo nossas, desprezando todo o entorno. Mas onde está o erro?

A economia mundial capitalista é baseada na escassez ou na presumida escassez de um produto. Oras, se eu produzo 1000 CD’s, só posso vender 1000 CD’s, é muito simples. Se eu tenho um CD e te dou este CD, eu fico sem nenhum, então eu coloco um preço nesse bem material para que eu possa me desfazer dele e não sair no prejuízo. Isto é, de forma simples, a economia da escassez, ou seja, o modelo em que você produz bens finitos e cobra pelo privilégio de alguns terem acesso a estes bens.

A internet subverte este modelo histórico. Como? Passando por cima da escassez, ou melhor, eliminando a possibilidade de escassez de bens culturais. Esta é a palavra-chave aqui: “Bens culturais”, fruto do intelecto humano, da criatividade, da capacidade de produzir cultura.

Claro, a internet não elimina a escassez do trigo, do arroz, mas acaba com a possibilidade de um CD se esgotar, acabar nas lojas... Deixamos de ser reféns de gravadoras e editoras.

Quantas vezes — especialmente na faculdade — fomos obrigados a nos matar pra achar aquele livro clássico, editado em 1976, que está esgotado mesmo na editora e só tem duas cópias na biblioteca cujo preço da xérox é abusivo e 50 pessoas da tua turma querem copiar ao mesmo tempo? Ufa!

Com a internet um ser caridoso pode escanear e dar a oportunidade de dezenas, centenas e até milhares de pessoas terem acesso à obra sem precisar passar por todo esse drama e, acima de tudo, sem esperar pela — rara — boa vontade da editora de voltar a publicar aquele bendito livro.

Oras, sem a internet como você teria acesso àquele bootleg raríssimo da sua banda de folk uzbeque favorita? Na verdade, como você sequer conheceria essa banda sem a internet?

E ainda mais, na internet você pode ouvir a música, ter a musica no seu PC e passá-la adianta sem ter de abrir mão do MP3. Eu continuo a ter acesso ao bem, mesmo que o passe a você. É o máximo do compartilhamento de cultura, do enriquecimento irrestrito da comunidade.

Com a internet nós ao mesmo tempo eliminamos a escassez dos bens culturais como também os intermediários de má vontade, apenas interessados no lucro. Podemos ter uma relação muito maior de proximidade com nossos artistas e autores. Especificamente tratando de música, já há muito que artistas — exceto casos raros — tiram seu lucro de shows e não da venda de CD's, cujo lucro fica quase todo com intermediários e gravadoras.

Quem se prejudica com a internet não é o artista, que com o alcance da internet e a rede de fãs que cria, pode fazer shows em lugares muito mais distantes do que na época em que vivíamos na ditadura das gravadoras. Alguém vai chorar pelas gravadoras que cobram 40 reais por um CD que custa 10 centavos pra ser produzido e que mal repassa 10% do valor ao artista?

Quanto aos livros, e um pouco mais complicado, pois autores não fazem shows, mas da mesma forma que na música, é a indústria, a editora, que fica com a maior parte do lucro. Especialmente no caso de livros acadêmicos, o autor raramente recebe o suficiente pra comprar um café.

As propostas que existem hoje são pela liberação do uso de livros acadêmicos por estudantes, sem custos, ou com custos reduzidos ou compartilhados entre os interessados, para promover o acesso à cultura. São alternativas em discussão.

Mas, lembram-se que, no começo, eu falei que estamos na era do compartilhamento? Pois bem, estamos nós, cidadãos, mas o mesmo não vale para gravadoras, editoras... Estes ainda estão na época analógica. O que não quer dizer que estes mesmos empresários não brigassem até na era analógica: Chegaram a querer criminalizar a cópia em fitas k7 de músicas que tocavam nas rádios!

Outra ideia — de jerico - foi a de querer cobrar um imposto sobre a venda de fitas que seria revertido para as gravadoras — não para os artistas, que fique claro. Ha algum tempo retomaram a ideia querendo criar imposto para venda de CD/DVD virgem. Risível.

A indústria é incapaz de compreender os novos tempos. Ao invés de se preparar para o futuro, de buscar alternativas, tentam barrar a evolução, o progresso, impondo restrições, criminalizando o compartilhamento, mesmo que este seja faceta natural do ser humano, apenas ampliado pela internet.

O AI5Digital no Brasil (como ficou conhecida a Lei Azeredo, proposta pelo então senador e hoje deputado federal Eduardo Azeredo, que visava criminalizar o compartilhamento e restringir o acesso à internet, além de tornar provedores entidades de controle policial), o HADOPI na França e o ACTA em nível mundial são apenas exemplos de legislações criadas ou idealizadas com pesado lobby da indústria fonográfica e afins.

A internet em si não muda o que somos, mas tão só potencializa certas características. Se nos comunicamos no dia a dia, com a internet nos comunicamos melhor e para além. Com a internet retomamos o papel de criadores de produtores de cultura, pois deixamos de lado a necessidade de intermediários, de indústria. A cultura passa a ser livre.

Mas isto quer dizer que a indústria morrerá? Não. Ela apenas terá de se adequar à nova realidade, ao invés de lutar contra ela.

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Publicado originalmente no Jornal Opção, em 21/03/2011, e na Revista Bula, em 25/03/2011.
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

URGENTE! Moradores do Extremo Sul protestam agora em frente à prefeitura!

Moradores do Jd. Prainha fazem protesto em frente à Prefeitura Municipal de São Paulo

Cerca de cinquenta moradores do Jd. Prainha (Grajaú – São Paulo) realizam nesse momento uma manifestação contra a política de despejos em massa, em curso na cidade de São Paulo, e contra a falta de políticas públicas de habitação. Tendo suas moradias ameaçadas, a principal reivindicação dos manifestantes é:

a) Que o projeto de “urbanização” do Jd. Prainha seja apresentado e discutido com o conjunto dos moradores do bairro.

Além da Prefeitura, os moradores protestaram também em frente à BM&F e à Secretaria de Habitação.


Por que estamos protestando?

Só em nossa região, dezenas de comunidades estão sendo alvo de despejos e políticas truculentas de criminalização da pobreza, levadas a efeito pelo Estado e pelas grandes construtoras, com o objetivo de abocanharem montanhas de dinheiro público e lucrarem com a especulação imobiliária. 

Quando é apresentada alguma alternativa aos moradores removidos, ela consiste numa pequena indenização, que os força a permanecerem em uma área irregular, de mananciais, ou de risco, ou no cheque-despejo disfarçado de “auxílio-aluguel”. Atualmente mais de 15 mil famílias se encontram recebendo esse tal “auxílio”, o que fez com que os preços dos aluguéis disparassem por toda a periferia, mas perguntamos: quantas casas estão sendo construídas para atender essa demanda? E para atender o número muito maior de famílias há anos cadastradas no CDHU, e noutros programas públicos? E os moradores de rua, os que vivem em situação precária, enfim, o imenso déficit habitacional de São Paulo?

Diante da falta de uma política habitacional efetiva, e de formas de organizar a ocupação do solo urbano, os discursos de defesa do meio ambiente ou de proteção da vida das pessoas se revela uma enorme mentira. Essa mentira também vem à tona quando vemos que as grandes empresas, os condomínios de luxo, as grandes casas noturnas, as mansões, que se encontram em áreas de mananciais, permanecem intocadas.

Algumas famílias do Jd. Prainha passaram um ano solicitando algum tipo de amparo do “poder público”, depois de suas casas terem ficado em situação de risco, em função das fortes chuvas do ano passado. Há pouco mais de uma semana essas famílias foram surpreendidas pela Guarda Ambiental e pela Defesa Civil, que iniciou a derrubada das casas sem oferecer um centavo aos seus moradores. 
Com a mobilização da comunidade essa destruição foi impedida. Somente a partir desta organização é que surgiu, como num passe de mágica, uma alternativa habitacional a essas famílias.

Mas essa conquista não é suficiente! Exigimos que o projeto de “urbanização” do Jd. Prainha seja apresentado e discutido com o conjunto dos moradores de nossa comunidade, e que os diferentes níveis do governo parem com essa política de despejos em massa e de criminalização da pobreza, que anda de mãos dadas com a criminalização daqueles que lutam contra esse tipo de injustiça!

Mais informações: redeextremosul.wordpress.com
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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A revolução realmente não será tuitada?

Este artigo tem o objetivo de discutir (e rebater) outro artigo, de Malcol Gladwell, publicado pela Folha em 12 de dezembro, sob o título "A revolução não será tuitada". Recomendo que seja antes feita a leitura do artigo.

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Na minha humilde opinião, o autor incorre em diversos e significativos equívocos.

Em primeiro lugar, analisa épocas substancialmente diferentes, em que a tecnologia era, obviamente, distinta.

Como analisar os processos revolucionários ou mesmo de revolta popular nos anos 60 e comparar com o dos anos 2000 e querer mostrar que a internet não é relevante se nos anos 60 não havia internet? As coisas poderiam ter sido diferentes antes, se houvesse já a rede? Nunca saberemos.

A análise do autor parece dedicar especial atenção a inexistência da rede sem, porém, entender o que isto significa. Não tínhamos telefone há 200 anos e, sem dúvida, muita coisa mudou com ele. O mesmo com o telégrafo, ou mesmo com os sinais de fumaça. A cada novidade tecnológica o modo de se comunicar, de fazer guerra, de se relacionar, mudou.

É possível que muitas manifestações tenham sido, antes da internet, convocadas por telefone. Da mesma forma que o SMS tem papel fundamental hoje em diversos movimentos - no próprio Irã, citado no texto.

Vale lembrar também, que cada tipo de luta tem suas especificidades. Uma coisa é questionar a internet e seu papel (ou o Twitter), na "revolução" de Moldova, mas outra é querer comparar com os protestos de negros por direitos civis nos EUA dos anos 60. São realidades distintas, épocas distintas e, sem dúvida, o relacionamento entre quem participava era totalmente diferente.

Como se organizam os movimentos em Moldova, ou mesmo no Irã, e como se organizavam os negros nos EUA? Sem saber isso, não podemos afirmar nada.

Mesmo que aceitemos toda a argumentação de Gladwell, sobre o Irã e sobre Moldova, de que a internet não tem tanta penetração, de que o Twitter era mais usado para comunicação externa, para conseguir apoio e repassar o que acontecia, temos um cenário que ainda sustenta o Twitter como extremamente relevante.

Ora, a propaganda e a comunicação deixaram de ter relevância em processos revolucionários e em guerras?

Se concordarmos que o Twitter não foi o gatilho ou a ferramenta agregadora - mas os tais "laços fortes de Gladwell" - continuaremos a ter nesta ferramenta papel preponderante no suporte a todo o processo através da comunicação externa e na propaganda. De outra maneira pouco saberíamos sobre estes eventos, ou mesmo sobre a crise em Xinjiang ou o golpe em Honduras (ainda que a Telesur tenha feito um trabalho de primeiro nível).

Mas, tentando desconstruir um pouco os argumentos, eu poderia pensar que, além das comunicações em farsi, muito se falou em inglês porque boa parte da população letrada e com acesso à internet tem preferência por usar o inglês em suas comunicações - seja por modismo, por status ou mesmo para passar pelos censores menos letrados (o que costuma ser característica em lugares com grande pressão religiosa) -, e porque sabiam que era mais simples, assim, conjugar organização e visibilidade.

No caso de Moldova, é fato que poucos tem ou usam Twitter, mas tanto Gladwell quanto Mozorov estudaram aqueles que tem efetivamente Twitter e viram qual foi o papel deles nos protestos? Será que os 100 que tem, por exemplo, não foram os líderes, ou ao menos peças-chave na convocação que, claro, também usou outros meios?

Podemos concordar que a internet, sozinha, pouco faz, mas é MAIS UM instrumento. Telefone, SMS, Celulares, Internet, são todos instrumentos que, usados em conjunto, são receita para revolução. Agora, o peso de cada um deles é difícil de analisar ou afirmar. Sabemos, com certeza, que a internet tem um papel importante. Fundamental? Precisamos estudar mais.


A tentativa do autor de dizer que a internet, Twitter e etc não tem relevância através de simples comparações, ao dizer que "Ah, tal grupo nunca precisou/usou, então aquele outro também não precisa/usa" é fraquíssima.

Posso concordar com a tentativa do autor de dizer que a "cibermilitância" acabe por ser mais "confortável", não se vai tanto às ruas, mas também temos de analisar o que isto significa exatamente. Com o alcance da internet hoje, talvez não seja tão necessário assim, pra tudo, sair às ruas. Vejua no Brasil o caso do Mega Não, contra o AI5Digital do Azeredo. O abaixo-assinado e a mobilização online foram quase que sozinhos os responsáveis por dar força ao movimento. A parte "presencial" era mais um complemento.

Existem lutas em que não faz [tanto] sentido ir na rua, como nos anos 60.

Que existe uma acomodação é fato, mas será que devemos culpar a internet ou a sociedade em si?

Sociedade de consumo, capitalista, individualista, egoísta, que nos ensina a ser cordiais, cordatos, "pacíficos" e que nos faz consumir ao invés de pensar em distribuir, nos faz acumular e não pensar no próximo. Será que a sociedade em si, o pensamento dominante, por si só, não inibe naturalmente a mobilização que víamos nos anos 60?

É muito fácil descontar na internet aquilo que é reflexo da sociedade, independente da rede.

Ambos os excessos, o de dizer que a revolução (sic) em qualquer parte do mundo foi "causada" pela internet e o de dizer que na verdade esta não teve qualquer função, estão errados.

Quanto aos "compromissos", novamente partimos de campos de análise totalmente diferentes.

De um lado o autor tenta comparar grupos que atuam em áreas relativamente pequenas ou com um começo de atividades muito ligados a nichos (e também temos de notar que ações de guerrilha, por exemplo, encontram muito menos apoio "do nada" do que uma revolta contra um governo golpista) com movimentos globalizados ou de amplo alcance e de caráter totalmente diverso.

Falar dos Mujahidins no Afeganistão de forma simplista, sem considerar os laços de sangue, tribais e todo o costume local é querer não discutir efetivamente a questão. Fração Exército Vermelho e outros grupos atuavam em nichos, com objetivos que impediam uma base extremamente ampla e, ademais, são fenômenos completamente diferentes dos quais ele se propõe a analisar.

Uma coisa é você ter o objetivo de protestar contra o governo ou mesmo se levantar contra injustiça propondo marchas, outra é você formar um grupo guerrilheiro - e em uma época em que não existia internet.

Vejam que todos os exemplos dados pelo autor são de grupos em épocas onde a rede não existia ou em lugares onde a internet mal existe.

O autor, aliás, ao dividir os tipos de manifestação entre os de laço fraco e fortes, e dizer que os de laço fortes são os "perigosos" esquece que a militância virtual também traz riscos. E mesmo físicos. Prisão, ameaças e afins não são impossíveis ou algo raro.

O ator também subestima a criação de laços na rede. Não acredita que seja possível a formação de amizades, laços fortes, através de contatos na rede. E está redondamente enganado. A argumentação simplesmente não se sustenta.

Encontrar cara a cara, hoje, não é mais crucial. A maneira pela qual nos relacionamos hoje não é mais [apenas ] a dos anos 60. O ambiente virtual é outra esfera de sociabilidade, de relacionamento interpessoal e de conexão. E, em muitos casos, aliás, aquele relacionamento virtual extrapola. Quantos que lêem a este post não acabaram encontrando depois, pessoalmente, pessoas que conheceram online? eu posso contar mais de 100 facilmente.

Ao generalizar (definir o Twitter como ferramenta onde só se segue e é seguido ou o Facebook como um administrador de pseudo-amigos) o autor generaliza e erra tremendamente. Pega a parte pelo todo e baseia sua idéia numa análise superficial. Sem falar que, esperava que ele conceituasse "amizade". O que é? Ter amigos pra quem você conta segredos? Amigos de cerveja? Amigos de papos esporádicos? Oras, no que diferenciamo as relações online das offlines? No grau de amizade? Mas o que é isso?

Eu já fui na casa de amigos que conheci online e tenho grandes amigos "offline" que nunca me convidaram pra suas casas e vice-versa. E isto não torna uma ou outra amizade mais real, mais significativa ou profunda que a outra.

O exemplo dado pelo autor da Medula Óssea parece irreal. Galhofa. Ele não considera relevante que milhares de pessoas tenham ido se inscrever e ter material coletado sabendo que um deles poderia passar por uma cirurgia? É difícil argumentar....
Não requer confronto com normas e práticas sociais arraigadas. Na verdade, é o tipo do engajamento que só traz elogios e reconhecimento social.
Uma divisão deveras arbitrária. Dentro de um determinado grupo social, a rebeldia contra o sistema angaria tanto reconhecimento quanto este ato supostamente altruísta. Novamente, a análise parece partir de análises superficiais, sem ter em mente qualquer especificidade local ou social. A parte pelo todo. Exemplos generalistas demais.

E, novamente, será que há alguma relação deste caso com a internet ou estamos diante de um reflexo da sociedade de consumo?

Será que o autor pensa que sem a internet nós nos "motivaríamos" mais? Iríamos ao Haiti ou a Darfur ajudar, doaríamos mais? Provavelmente nem saberíamos do que acontece no mundo sem a internet! Especialmente com a maravilhosa e nem um pouco tendenciosa imprensa!

A Internet veio para somar e ela ajuda a transformar. O autor a considera irrelevante. Talvez o telégrafo tenha sido mais importante. Aliás, já ouvir professor dizer uma barbaridade dessas. O Telégrafo foi importante, a internet não.

Despreza-se o potencial de aproximação, de compressão espaço-tempo, de conectividade. As múltiplas oportunidades que surgem com a internet. A real formação de laços e, sim, amizades verdadeiras. Isto para ficar apenas no campo pessoal.

Aliás, quanto ao Facebook e doações, não nos esqueçamos que há em torno da internet a cultura do grátis, logo, doar, pagar, não é algo tão comum. Isto não significa menor ou maior engajamento, simplesmente aderência a uma cultura.

Posso concordar com o autor na questão da Hierarquia - ainda que eu conheça e já tenha participadode estruturas hierárquicas  dentro da rede [procurem por Micronacionalismo] que, claro, tinham outro foco, mas isto não significa laços fracos e sim a necessidade de maior comprometimento das partes. Ao invés de um líder e de vários comandados, temos uma estrutura mais participativa que, logo, exige mais. E os reflexos disso são óbvios.

O autor subestima também o carisma e a possibilidade de uma liderança surgir mesmo em estruturas descentralizadas, ou mesmo lideranças que, sem poder efetivo, tem a capacidade de terem preponderância.

Isto é o ser humano. A rede apenas potencializa.

O artigo, aliás, deve ter sido escrito antes de estourar a crise WikiLeaks, que dá uma pequena mostra do que é a rede. Os ataques hacker depois, descentralizados, são outro exemplo. A rede, sim, pode ser usada como inimiga do status quo.

O autor peca, enfim, em querer encaixar a rede no binômio "revolucionário" e "inútil", enquanto não a compreende como um instrumento potencializador de nossas capacidades, uma ferramenta, além de um ambiente de conexões e interconexões que nos fornecem possibilidades infinitas, mas que são subordinadas, claro à cultura, aos limites do homem, à sociedade e sua forma de ser e agir.
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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Operação Vingar Assange! Hackers em defesa do WikiLeaks

Operação Vingar Assange
"A primeira infoguerra séria começou agora.
O campo de batalhas é o WikiLeas.
E vocês são os soldados."
- John Perry Barlow

Julian Assange diviniza tudo que nós consideramos importante. Ele despreza e luta constantemente contra a censura, é possivelmente o troll internacional mais bem sucedido de todos os tempos, e não tem medo de porra nenhuma (nem mesmo do governo dos EUA).

Agora, Julian é o foco principal de uma caçada humana global, tanto no campo físico quanto no virtual. Governos ao redor do mundo estão disputando o prêmio por seu sangue, políticos estão em pé de guerra pelo seu ultimo vazamento, e mesmo seu próprio país o abandonou aos lobos. Online, o WikiLeaks é o foco de massivos ataques DDoS, legislações e extrema prostituição aos incumbentes corruptos que silenciarem este homem.

Portanto, [o grupo] Anonymous (Anônimos) tem a chance de lutar por Julian. Nós temos a chance de lutar contra o futuro opressivo que aparece a nossa frente. Nós temos a chance de lutar na primeira infoguerra jamais disputada.

1. Paypal é o inimigo. Serão planejados [ataques] DDoS, mas no meio tempo, boicotem tudo. Encoragem amigos e família a fazerem o mesmo.

2. Espalhem os documentos já vazados o máximo que puderem. Salvem-os em HD's, os distribua em CD's, espelhe-os em sites e compartilhe-os em torrents. O objetivo final é um DNS humano - algo que só pode ser parado com o desligamento de toda a internet.

3. Vote em Julian na escolha do Homem do Ano da Revista Time. Enquanto isto não ajuda sua causa, irá dar a ele uma necessária exposição pública. (http://tinyurl.com/2wb7ju8)

4. Fale! Twitter, Myspace, Facebook e outras redes sociais são hubs de distribuição de informação. Tenha certeza de que todos que você conhece saibam do que está acontecendo. Se você conseguir convencer todo dia  pelo menos uma pessoa a dizer a outra pessoa, o espalhamento da informação será exponencial.

5. Se você estiver disposto, imprima documentos que sejam relevantes em sua área e os distribua. Coloque-os em paradas de ônibus, estações de trem, postes. Seja criativo e atraia a atenção das pessoas. Usar graffiti para espalhar o site do WikiLeaks também é uma grande idéia.

6. Reclame com seu parlamentar, prefeito ou qualquer outro político que você possa contatar. Peça a ele que comente sobre os vazamentos. Grave cada palavra do que ele disser.

7. Proteste! Organize marchas comunitárias, envie petições, seja ativo. Isto não pode acontecer sem números.

TL;DL (Muito Longo, Não Li):
Proteste.
Informe.
Indague.
Lute.

O futuro da internet está por um fio
Nós somos Anonymous (Anônimos).
Nós não perdoamos; nós não esquecemos.
Nos Espere.
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Também se prepara a Operação Payback, leia mais.
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Update:

Promessa feita é promessa cumprida, os ataques já começaram.

O site da Promotoria da Suécia e do advogado de acusação (promotor) foram atacados por hackers:
A Promotoria da Suécia disse nesta quarta-feira (8) que apresentou denúncia à polícia depois de sofrer um ataque virtual organizado contra sua página na internet nas últimas horas. O ataque manteve a página fora de serviço entre a noite de ontem e a manhã de hoje. O Centro de Investigação de Incidentes Informáticos (Sitic, na sigla em sueco) confirmou que se tratou de uma ação organizada desde vários países. Acredita-se que este ataque seja parte de uma iniciativa coordenada em defesa do WikiLeaks. A página na internet de Claes Borgstrom, advogado de defesa das duas jovens suecas que acusam o fundador da WikiLeaks, Julian Assange, de crimes sexuais também sofreu ataques hoje.
E também o site da MasterCard:

Após suspender o serviço que permitia a transferência de doações para o grupo WikiLeaks, a administradora de cartões de crédito Mastercard teve seu site atacado por hackers e parcialmente paralisado, segundo o jornal britânico "Guardian". Pelo menos até o fim da manhã desta quarta-feira, a página da empresa continuava fora do ar ou com acesso lento. A Mastercard ainda não havia se pronunciado sobre o caso.
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E o PayPal admitiu ter suspendido os pagamentos ao WikiLeaks não por qualquer suposta infração de termos ou ilegalidade, mas por pressão dos EUA:

PayPal today admitted it suspended payments to WikiLeaks after an intervention from the US State Department.
The site's vice-president of platform, Osama Bedier, told an internet conference the site had decided to freeze WikiLeaks's account on 4 December after government representatives said it was engaged in illegal activity.
"State Dept told us these were illegal activities. It was straightforward," he told the LeWeb conference in Paris, adding: "We ... comply with regulations around the world, making sure that we protect our brand."
PayPal is the first major corporation to admit that its decision to suspend dealings with WikiLeaks was a result of US government pressure.
Tradução:
O PayPal, hoje, admitiu ter suspendido os pagamentos ao WikiLeaks depois de uma intervenção por parte do Departamento de Estado dos EUA.
O vice-presidente de plataforma do site, Osama Bedier, disse em uma conferência na internet que o site tinha decidido congelar  a conta do WikiLeaks em 4 de dezembro, depois de representantes do governo alertarem que [o WikiLeaks] estava envolvido em atividade ilegal.
"O Departamento de Estado nos disse que eram atividades ilegais. [O Dep. de Estado] Foi direto", ele disse na conferência LeWeb em Paris, acrescentando: "Nós... cumprimos com os regulamentos em todo o mundo, certificando-nos que proteger a nossa marca". O PayPal é a primeira grande corporação a admitir que sua decisão de suspender seus negócios com o WikiLeais foi resultado de pressão por parte do governo dos EUA.
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Site da Visa também atacado e fora do ar! A Operação Payback é um sucesso! Twitter também na mira!
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sábado, 20 de novembro de 2010

Ativismo online pelo fim da violência contra a mulher #FimDaViolenciaContraMulher


Dia 25 de novembro é o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres.

Para marcar a data, um grupo de feministas blogueiras-tuiteiras-interneteiras, inspiradas nos 16 dias de ativismo, está propondo cinco dias de ativismo online pelo fim da violência contra a mulher, de 20 a 25 de novembro.
Durante esse período pautaremos nossos blogues (adaptando ao tema central de cada um), e nossa intervenção em todas as redes sociais que participamos, pela violência de gênero e formas de prevenção e combate.

Nos blogues produziremos artigos, crônicas, matérias inéditas sobre a violência contra a mulher e suas causas/consequências e faremos entrevistas com feministas, juizas, promotoras, advogadas, delegadas, ativistas de ongs e profissionais de serviços de atendimento/prevenção.

No twitter faremos entrevistas coletivas e colaborativas com mulheres destacadas e com visibilidade (Glória Perez, Nilcéa Freire, Maria da Penha, Marta Suplicy e outras parlamentares da bancada feminista no Congresso) além de tuitarmos e retuitarmos periódica e intensivamente notícias, posts, dados de pesquisas e curiosidades sempre acompanhadas da hastag #FimDaViolenciaContraMulher (que já está sendo usado à pleno vapor). Algumas dessas entrevistas serão via twitcam.

No Facebook postaremos depoimentos de vítimas e notícias da grande imprensa de casos de violência – novos e antigos -, além de imagens, músicas, poesias, textos sobre o tema. Nosso grupo lá se chama “Feministas e feminismo em ativismo digital“.

No orkut manteremos uma comunidade para debater o assunto, postando imagens e atualizando nossos perfis para “feministas em ativismo online pelo fim da violência contra a mulher” (sugestão).
Enviaremos imeius com a recomendação que sejam repassados a todos os contatos, além de incentivarmos listas de discussões. Onde tivermos acesso, podemos sugerir à rádios online – ou que sejam também online – pautarem o tema. Assim todos podem ouvir via web e podemos tuitar no horário do programa. Tem rádio na tua cidade com algum programa comandado por uma mulher, liga e fala da campanha e se dispõe a falar. Essas são as sugestões de acordo com cada mídia, perfil e ferramentas. Outras sugestões são bem-vindas.

Divulgaremos os atos de rua convocados para marcar o 25 de novembro país afora com o intuito de incentivar mais atos além do virtual. Divulgaremos também os procedimentos em casos de denúncia, telefones, serviços de atendimento e artigos de leis, principalmente a Lei Maria da Penha para que todos a conheçam em detalhes.

Indicamos o uso da cor lilás no dia 25 de novembro em roupas e acessórios para dar visibilidade à campanha. O uso da cor lilás e da temática feminista são indicados também aos BGs no tuíter (imagem de fundo do perfil), avatares (foto de indentificação nas redes sociais da web) e o uso de um banner da campanha para identificar os blogues participantes.

E, por fim, proporemos toda essa pauta aos veículos da grande imprensa e às parlamentares da bancada feminista para que façam o máximo de intervenções possíveis nos plenários do Congresso.Quem quiser participar e não tem perfil em nenhuma rede social, pode reproduzir os posts publicados nos blogs listados e lincados abaixo e indicá-los por imeiu. No Facebook e no orkut somos facilmente encontradas pesquisando “Feministas em ativismo online” ou ainda procurando no google (ou outro site de busca) por “fim da violência contra a mulher”.

Essa campanha foi pensada e construída sob a ótica feminista da colaboração, da construção solidária e coletiva. Não há donas(os) e sim colaboradoras(es) e participantes. Juste-se a nós contribuindo com o tempo e a ferramenta que dispuser. Uma vida sem violência é direito de todas as mulheres. Lutamos contra todas formas de opressão e violência e acreditamos que qualquer iniciativa, por menor que pareça, ajuda a construir a cultura de paz que tanto necessitamos.

Boa luta!
Link Original: Pimenta com Limão, um blog que merece ser visitado!
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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Debate sobre AI5Digital e Marco Civil da Internet no #Culturadigitalbr

Vídeos gravados por Antônio Arles (@aarles) no dia 16/11 durante debate sobre o Marco Civil da Internet e AI5Digital (Lei Azeredo) com a participação de Sergio Amadeu (@samadeu), Guilherme Almeida (@guialmeida), João Carlos Caribé (@caribe) e Paulo Rená (@prenass), no Fórum da Cultura Digital.

Fórum da Cultura Digital - Caribé e Guilherme Almeida AI5Digital from Raphael Tsavkko on Vimeo.
Fórum da Cultura Digital - Sérgio Amadeu AI5Digital from Raphael Tsavkko on Vimeo.
Fórum da Cultura Digital - Paulo Rená AI5Digital from Raphael Tsavkko on Vimeo.
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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

#eblog e a fraternidade entre os comunicadores alternativos

Texto original: Lucas Morais
Alterações e ampliação: Raphael Tsavkko

            Durante a tarde desta terça-feira (9), Raphael @Tsavkko e eu começamos uma discussão pelo Twitter a respeito de práticas de censura no interior da própria blogosfera, como a censura de comentários que contrapõem aquilo que os blogueiros pensam e opinam. Tal prática, ao nosso ver, não condiz com a atuação de um blogueiro, jornalista ou comunicador que se pretenda progressista, quanto mais de esquerda. Isto reproduz a mesma lógica já instaurada na mídia privada, que silencia a dissidência e não promove o debate de ideias em contradição.

            Infelizmente, a prática de censurar, ironizar e agir de forma completamente sectária está enraizada na esquerda brasileira, que cada vez mais se divide, separa e fecha canais de diálogo.

            Blogueiros, por vezes, agem como mensageiros de partidos e se dividem em linhas político-partidárias, dificultando o diálogo entre as esquerdas e repassando conflitos ligados às cúpulas partidárias para a militância em geral.

            Além disso, constatamos que há alguns blogs ou portais da esquerda que detém maior visibilidade que outros, o que em si não é um problema.

            Jornalistas, em sua maioria, reconhecidos por seus trabalhos fora da rede e que recebem o devido reconhecimento quando passam a manter blogs não são o problema, e sim quando, como constatamos, se dizem identificados com políticas progressistas e/ou de esquerda, mas, entretanto, não se dão ao trabalho de fortalecer exatamente esta rede de blogueiros progressistas, seja (re)publicando ou propagando materiais elaborados por outros companheiros.

            Isto cria um problema. Os usuários que estão começando a trabalhar um blog, ou mesmo aqueles que já tem blogs a alguns meses ou anos, não desfrutam, na grande maioria das vezes, da visibilidade que os blogs/portais alternativos que já são amplamente conhecidos.

            O esforço dos pequenos blogueiros, por vezes, não é apreciado ou reconhecido pela falta de visibilidade de seus blogs e pela dificuldade em se disputar espaço com os grandes blogs. Notamos que, por vezes, bogs grandes e pequenos escrevem sobre temas semelhantes, mas apenas o texto dos grandes é reconhecido, comentado e divulgado.

            Em tom de brincadeira, o jornalista Alex Haubrich comentou que estava emergindo uma classe média dos blogueiros. Apesar de engraçado, a realidade é bem esta mesmo. Há um punhado de blogueiros que, isoladamente, não conseguem desfrutar de um bom volume de visitas, e isto não se dá somente pela qualidade de seus materiais, e sim pela falta de fraternidade de comunicadores que tem o mesmo propósito.
"Falei, então, na possibilidade de estar surgindo uma “classe média” na mídia brasileira. Outros preferiram chamar de “classe B”. Pode ser. O importante é que está se reproduzindo, dentro do espaço dos blogs, a hierarquização de conteúdo que já vamos no conjunto das mídias. Isso não é ruim, e não há porque ser condenado. Mas essa estrutura não pode ser alimentada e insuflada por quem defende verdadeiramente uma democratização do espectro midiático."
            Isoladamente estes pequenos blogueiros pouco incomodam, mas unidos tem a capacidade de formar redes, de fortalecer laços e conseguir maior visibilidade, além de, coletivamente, pleitear espaços.

            Neste sentido, falta aos comunicadores alternativos estabelecer uma unidade que agregue o conjunto de comunicadores que se identificam com a esquerda ou com as ideias progressistas, para que os materiais publicados por cada um do conjunto seja publicado de forma unificada.

            Surgiu a ideia de criarmos uma hashtag no Twitter chamada #eblog ou #blogesquerda, onde agregaríamos todas as postagens dos blogs e sites “nanicos”, ou seja, aqueles que detém pouca visibilidade. Além disso, há uma necessidade dos tuiteiros já estabelecidos em retuitar postagens de outr@s usuários, o que traria mais visibilidade aos conteúdos produzidos. Portanto, há um consenso bem estabelecido entre uma boa parte dos comunicadores alternativos de criarmos uma rede para que o conjunto saia fortalecido.


            Vale notar que não há novidades na proposta em si, apenas na execução, pois já no Primeiro Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas (#BlogProg) foi expressa a necessidade de um fortalecimento da blogosfera através da maior visibilidade dos pequenos blogs. Sentimos, pois, a necessidade de colocarmos em prática estas propostas e também a necessidade de nos identificarmos diretamente com a esquerda, deixando clara nossa posição e nossas idéias.

Eis nossas propostas:

            * Um primeiro passo é os blogueiros linkarem em seus blogs todos os demais blogs progressistas, desde os nanicos aos famosos, o que irá proporcionar uma visibilidade igualitária e fortalecerá o conjunto. Além disto, dentro de postagens, dar preferência aos blogs pequenos na hora de fazer referência e citar.

            * O segundo passo é a criação de uma hashtag no Twitter que seja o denominador comum dos comunicadores alternativos, com visibilidade ou não. Pelo tamanho da hashtag, acreditamos que #eblog atende à necessidade.

            * Um terceiro passo necessário é o hábito de retuitar postagens (com a hashtag) de outros comunicadores alternativos, para que sejam divulgadas as postagens de companheir@s de forma mais intensa. Isto elimina a necessidade de comunicadores que dispõem de menos visibilidade de ficar “mendigando” aos que detém mais visibilidade, rompe com uma hierarquia informalmente estabelecida.

            * Um quarto passo que colaboraria muitíssimo seria os comunicadores alternativos (blogueiros, jornalistas, tuiteiros, etc) que tem grande visibilidade ajudarem ativamente na divulgação dos menos conhecidos, dado que se dizem identificar com a mídia alternativa. Portanto, se assim o for, cabe divulgar os menos conhecidos para que o conjunto saia fortalecido.

            * Um quinto e último passo é participar dos blogs, com comentários, elaboração de materiais para blogs de outros, republicação de materiais de outros nos próprios blogs, e por aí vai.

            Bem, estes são alguns elementos que julgo de total importância para que a blogosfera, na ressaca das eleições brasileiras, estabeleça-se como um contraponto efetivo, ainda que pequeno, ao mainstream da mídia privada.
 
           Fortalecer cada um de nós é fortalecer o conjunto.

Participaram das discussões:

@maria_fro (www.mariafro.com.br)
@arnobio1969 (www.arnobiorocha.wordpress.com)
@Tsavkko (www.tsavkko.blogspot.com / http://globalvoicesonline.org)
@luckaz (www.diarioliberdade.org)
@nideoliveira71 (www.pimentacomlimao.wordpress.com)
@GuilhermeJrg (www.resistenciacarioca.blogspot.com)
@LaPasionaria (www.brasilmobilizado.blogspot.com)
@Andre_Raboni (www.acertodecontas.com.br)
@alexhaubrich (www.jornalismob.wordpress.com)
@hugoalbuquerque (www.descurvo.blogspot.com)

Leia também o post do Jornalismo B - Somos blogueiros de esquerda
E o post no Brasil Mobilizado -Blogueiros Progressistas, de onde viemos e para onde vamos?
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