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terça-feira, 1 de outubro de 2013

Violência se combate com rosas? Não, com violência.

O texto parece ter voltado a ser lido e compartilhado. Por isso acho importante linkar este outro em que eu refino algumas ideias deste e mesmo revejo posições de um texto em que eu escrevi com uma boa dose de raiva e mesmo inconsequência. Não apaguei esse texto por uma simples razão: Eu escrevi. E mesmo tendo errado em alguns momentos acho importante para ME lembrar de pensar melhor antes de escrever algumas coisas.
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O Brasil nunca terá jeito enquanto o movimento social continuar apanhando sem reagir.

Sem radicalizar a resistência não adianta ficar gritando pra apanhar depois e ir lamber feridas pra apanhar novamente em nova ocasião.

E movimentos sociais devem parar de chorar, de se fazer de coitados e ir à luta. Não às ruas pra apanhar, não ao parlamento pra implorar direitos que deveriam ser dados sem sequer precisar pedir - são direitos, oras -, mas ir pra porrada, com as armas que tem, com sua maioria, com sua capacidade de mobilização, de penetração em todas as áreas.

A tática Black Block ainda e incipiente, isolada, mais quebra-quebra que algo sistemático. Precisa sistematizar, organizar.  É preciso que a PM sinta na pele a reação popular. Que sinta medo, que aprenda quem manda. A PM tem que apanhar caso bata nos nossos.

Políticos como Paes, Cabral, a corja do PTMDB inteira tem que ter MEDO de sair de casa, tem que ser perseguidos nas ruas pelo movimento social. Sem trégua.

Violência se combate não com rosas e sangue (nosso), mas com igual violência popular e política.

Ao invés de quebrar lixeira, tem que quebrar carro da PM, aliás, quebrar os PMs.

PM jogou bomba? Molotov pra cima dos bandidos. Tem que ter reação violenta na mesma medida.

Político bandido do PTMDB saiu pra defender brutalidade da PM? Cerca o cara e faz ele sentir na pele o que a PM faz com o povo. Vê se ele aprende.

PM sorrindo ao espancar o povo? Que no dia seguinte ele seja alvo de uma emboscada. O poder tem que ter MEDO do povo. Pois, no fim, o poder pertence (tem que pertencer) ao povo.

Estou incitando a violência? Sim. Estou. Violência política contra quem usa do Estado para nos violentar. Notem, violência enquanto autodefesa e resposta à brutalidade previamente recebida, historicamente recebida.

O mundo pode estar sensibilizado com os vídeos dos nossos companheiros sangrando, espancados, presos, feridos... Mas os "nossos" políticos não se sensibilizam. Mandam a PM fazer o trabalho para o qual foi treinada: Reprimir o povo.

Pois temos de reagir. Temos de enfrentar violência com violência. Se o "povo unido é povo forte", então o povo unido e forte tem que ir à luta, em todos os sentidos desta palavra.

A chave é o medo. é preciso fazer com que os políticos temam o povo. Temam sequer sair às ruas. Um político como Paes, Cabral, Dilma não podem ter a liberdade de andar sorridentes pelas ruas ao lado de suas vítimas, de vítimas de suas políticas repressivas. O povo, nas ruas, tem que perseguir estes elementos, tem que fazê-los sentir o que é ter o medo diário que todos nós temos de caminhar nas ruas, podendo ser vítimas da brutalidade do Estado.

Óbvio que não falo em ir pro campo aberto, não temos armas como a PM, não temos a organização nem a capacidade deles. Mas temos nossos métodos, temos a possibilidade de adotar táticas de guerrilha urbana, de cercar, de ir atrás, de fazê-los temer chegar ao campo aberto, pois sabemos onde moram, onde vão e o que fazem.

Sem uma resposta violenta seremos sempre violentados.

Subestimo a PM? Talvez. De fato nós não temos capacidade para combatê-la em campo aberto, mas PMs tem vizinhos. Vizinhos estes que muitas vezes são também suas vítimas. PM's tem que andar pela rua seja trabalhando ou na folga. Nada pode os proteger todo o tempo.

A partir do momento em que estes PMs violentam seus vizinhos, nada garante que possam se proteger da reação que vem de todos os lados e, no fim, do lado de casa. E o mesmo vale para os políticos.

A PM e os políticos devem nos temer e não o contrário.
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Não, não estou falando em ~matar~ policiais ou políticos. E sim, este recado foi para a corja governista que hoje ama a PM e a usa para espancar o povo.
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Atualização: Revi algumas ideias, aclarei outras e retomei algumas neste outro post.
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segunda-feira, 25 de março de 2013

GV - Aldeia Maracanã se atravessa no caminho da Copa: Indígenas expulsos com violência

O acampamento indígena da Aldeia Maracanã, no antigo Museu do Índio no Rio de Janeiro, foi desocupado com violência por policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar no dia 22 de março. Situado ao lado do famoso estádio do Maracanã, o edifício se atravessa no caminho das obras para a Copa do Mundo de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016.

O cerco do Batalhão de Choque aos indígenas e seus apoiantes na área da Aldeia Maracanã começou na madrugada de 21 para 22 de março. Os indígenas montaram barricadas durante a madrugada para resistir, mas a invasão acabou por acontecer por volta do meio dia.

A ativista Paula Kossatz postou um vídeo no Facebook mostrando agressões mesmo antes da invasão, pela manhã, e o coletivo Diário Liberdade informou que os cerca de cem elementos da polícia entraram equipados “com balas de borracha, gás de pimenta e cacetetes”:
Ao que parece, segundo as primeiras informações, houve moradores da Aldeia Maracanã feridos na sequência da invasão. Entre eles, um menino de quatro anos que sofreu as consequências do gás pimenta policial. Ainda, uma mulher grávida foi reprimida violentamente e presa.
Foto de Norbert Suchanek. Usada com permissão.
Foto de Norbert Suchanek. Usada com permissão.
O Global Voices cobriu a primeira tentativa de expulsão, a 12 de janeiro, das cerca de vinte e três famílias que ocupam há 6 anos o prédio de grande importância histórica no Brasil. A altura, o cerco ao “museu vivo” do índio, como a Aldeia Maracanã é hoje chamada por muitos, foi feito sem aviso prévio nem mandado judicial pela polícia militar, reforçada com tropas de choque, e mobilizou indígenas e manifestantes que conseguiriam evitar a demolição.

Pouco mais de um mês depois, o Governador do Rio, Sérgio Cabral, anunciou que o edifício viraria museu do Comitê Olímpico Brasileiro. Eliomar Coelho, vereador do PSOL no Rio, propôs o tombamento da área, porém a proposta foi derrotada a 14 de março em votação na Câmara dos Vereadores da cidade.

Artigo completo no Global Voices Online
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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Somos a mídia contra-hegemônica. Somos a mídia.

A internet popicia a diferentes grupos, coletivos e indivíduos a possibilidade de não apenas se basear na mídia para ter informações, mas de SER mídia, ou seja, de ser o próprio produtor de notícias e não mero reprodutor. Exemplos de mídias alternativas nacionais e internacionais não faltam e vão desde grupos locais como a Rede Extremo Sul, que usa a internet e as plataformas de blogs para disseminar notícias do extremo sul da cidade de São Paulo, passando pelo Jornalismo B, Correio da Cidadania e O Viés, até grupos internacionais, como o Global voices Online, ADITAL, Diário Liberdade dentre outros. Os exemplos são múltiplos, milhares.

Porém, tentando escapar do clichê introdutório, temos um problema grande em nossas mãos: Qual a conexão? Ou melhor, quando e como fazemos conexões a nível local e internacional?

É fato que em alguns momentos ou determinados veículos alternativos, devido a seus objetivos e modo de agir, há uma certa integração, uma troca, um intercâmbio, mas estamos falando de algo pontual.

Se é fato que há, hoje, uma tremenda desconexão entre o online e o offline, em termos de ações descentralizadas e diretas, há um “gap” ainda maior entre movimentos localizados em todo o mundo que, apesar de muitas vezes terem objetivos semelhantes ou mesmo focos que combinam, mantém-se apartados.

Pouco se sabe ou se faz em relação à possibilidade de intercâmbio entre diferentes grupos, coletivos e iniciativas de mídia independente que raramente vão além de colaborações esporádicas e troca de artigos, ao passo que há uma enorme possibilidade ou porta aberta para que a relação seja aprofundada e duradoura.

Muitas causas são transnacionais, transcendem fronteiras e por vezes conectam regiões distantes do mundo e em muitas dessas causas ha grupos que usam as redes como forma de disseminar informação, mas tem alcance limitado, possibilidades limitadas devido ao quase auto-isolamento imposto tanto pelo desconhecimento quanto por um certo amadorismo que ainda permea a nossa área.

A mídia, por sua vez, é absolutamente internacionalizada, não surpreende que tenha organizações regionais e internacionais que zelam por seus interesses – muitas vezes contrários aos populares – e que realizam não apenas lobby, mas mantém afinados os pontos de contato e busca contornar os pontos de conflito entre a mídia dita burguesa.

Nós, por outro lado, carecemos dos recursos financeiros virtualmente intermináveis da grande mídia, mas temos a internet. A mídia, or sua vez, começa a notar que seus recursos não são tão inesgotáveis quanto poderiam assumir há apenas uma década. Jornais fecham suas portas devido à pressão da internet e as redes de TV começam a se preocupar com um futuro em que se tornarão obsoletas, pois podemos escolher e produzir nossa própria programação com câmeras portáteis e criatividade – e uma boa conexão.

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Artigo completo pode ser lido na Revista o Viés, que em sua edição de terceiro aniversário celebra a mídia alternativa em um "Manifesto por uma social comunicação".
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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Debatendo a imprensa e a mídia alternativa

Neste meio de semana, tive o prazer de participar de um bate papo organizado pelo pessoal da - excelente - Revista O Viés em Santa Maria, no Rio Grande do Sul com a presença também do jornalista e editor do Jornalismo B, Alexandre Haubrich. No dia seguinte, ainda, dei uma palestra para os alunos da UFSM sobre democratização da mídia, na mesma linha do debate com o pessoal d'O Viés, à convite do Diretório Acadêmico de Comunicação da UFSM.

Um debate animado, divertido, entre amigos, com muitos jovens militantes interessados em discutir os caminhos que temos de percorrer ainda para democratizar a mídia e como podemos e devemos usar as redes sociais, blogs e veículos alternativos - como o próprio Viés - na promoção da democracia.

Segue relato do Viés e, no link, fotos e o vídeo completo do bate papo.
Ambiente cheio e mais de duas horas de conversas e debates sobre as possibilidades da mídia contra-hegemônica para se consolidar como uma alternativa às mídias tradicionais massivas. O jornalista editor do Jornalismo B, Alexandre Haubrich, e o blogueiro, colunista no Diário Liberdade e autor e tradutor do Global Voices Online, Raphael Tsavkko, expuseram suas atuações como jornalistas comprometidos com a construção de uma imprensa que dê voz aos movimentos sociais e às minorias e que seja engajada politicamente. Após as falas, quem estava presente pode fazer questionamentos e colocações, contribuindo para o andamento da roda de conversa. Depois do debate, o estudante de Jornalismo Yuri de Lima tocou músicas brasileiras e latino-americanas acompanhado de colegas e do clarinetista Luís Silva, fechando a noite de debates e de comemoração pelos três anos que a revista o Viés completará em novembro. Agradecemos aos que compareceram e aos que nos apoiaram de alguma forma para que o dia 23 de outubro fosse um dia especial e enriquecedor para a discussão do tipo de jornalismo com o qual sonhamos, acreditamos e pelo qual lutamos.
Para quem perdeu o evento, o debate está disponível, em duas partes, aqui. Abaixo, fotografias da noite. 
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Cabe uma nota pessoal: Fiquei impressionado com o nível de politização do pessoal de Santa Maria, com seu comprometimento e interesse não só em nos ouvir, mas em fazer parte dessa luta, propondo e mudando a realidade. O projeto d'O Viés e incrível, e tem muito potencial para ir além e adiante e foi um imenso prazer ter conhecido e conversado - e bebido - com pessoas tão maravilhosas. Espero poder voltar em breve à Santa Maria!
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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Os limites da liberdade e o vigilantismo na Rede: Marco Civil da Internet e Ciberativismo

Convido meus leitores recifenses/pernambucanos a prestigiar o debate sobre Marco Civil, Censura, Liberdade e Vigilantismo na Rede no Expoidea, dia 13 de maio, domingo, 16h:

Nos últimos anos, uma série de leis que restringem as liberdades na Internet estão sendo decretadas de forma autoritária por governos em todo o mundo, desde o Hadopi na França, até as tentativas de aprovar o SOPA, PIPA e o ACTA nos EUA, e chegando na Lei Azeredo (conhecida como AI5-Digital) aqui no Brasil – que está em debate no nosso parlamento.
Buscando aprofundar as discussões sobre este contexto, a Expoidea vai promover um instigante debate chamado “Os Limites da liberdade e o vigilantismo na Rede: Marco Civil da Internet e Ciberativismo”.
Estarão na mesa os ciberativistas João Carlos Caribé e Raphael Tsavkko Garcia. O mediador deste debate será o doutor em Sociologia da Comunicação pela UFPE, Luiz Carlos Pinto – que realizou a tese de doutorado intitulada “Ações Coletivas com Mídias Livres: uma interpretação gramisciana de seu programa político“.

DATA E HORA: 13 de maio – domingo, às 16h.
LOCAL: Espaço Ideário – Shopping Paço Alfândega.
ENTRADA GRATUITA.

PARTICIPANTES:

JOÃO CARLOS CARIBÉ


Publicitário, pós graduado em Mídias Digitais, Consultor e Criador do movimento MEGA NÂO. Criador do blog Entropia.
Twitter - @caribe

RAPHAEL TSAVKKO GARCIA


Bacharel em Relações Internacionais pela PUC-SP. Mestrando em Comunicação pela Cásper Líbero. Jornalista, Ciberativista, Blogueiro, Autor e Tradutor do Global Voices. Colunista do Diário Liberdade e Editor do blog The Angry Brazilian.
Twitter - @tsavkko

MEDIADOR: LUIZ CARLOS PINTO


É jornalista, com mestrado e doutorado em Sociologia pela Universidade Federal de Pernambuco. Sua tese de Doutorado é uma interpretação do programa político de ações coletivas com tecnologias livres. Tem colaborado pontualmente em projetos de apropriação crítica de tecnologias da informação e comunicação, mantém (a duras penas) uma linha de investigação das relações entre política, cultura e tecnologias e edita o blog locoporti.blog.br.
Twitter – @LulaPCosta
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sábado, 28 de abril de 2012

1937-2012 - Nunca esqueceremos de Gernika

Nos 75 anos do bombardeio criminoso da cidade basca de Gernika, só consigo me lembrar da minha visita ao Gernikako Bakearen Museoa (Museu da Paz de Gernika) ano passado.

Em uma pequena sala, reproduzindo uma típica casa basca dos anos 30, ouvimos uma senhora falar sobre seu dia através do sistema de som. Na nossa frente, um espelho, atrás, a reprodução fiel da casa. Acolhedora, simples, típica.

A senhora conta sobre seu dia, sua vida, seu medo pelos dias de guerra, seu temor pela vida de seus filhos, amigos e vizinhos e à medida que conversa conosco, ouvimos sirenes alertando para a aproximação de aviões. Um ataque aéreo é iminente.

Poucos segundos depois ouvimos as bombas, os gritos, o desespero. A sala fica escura, com flashes de luz enquanto os gritos de desespero ecoam. Momentos depois - impossível precisar, aprecia quase uma hora, mas provavelmente forma apenas alguns segundos - enquanto compartilhamos da agonia e desespero sentidos pelos bascos de Gernika naquele dia, ha 75 anos, as luzes começam a voltar, e no espelho na nossa frente, dupla-face, vemos os escombros deixados pelo bombardeio.

O artigo completo pode ser lido na minha coluna "Defenderei a casa de meu pai", no Diário Liberdade.
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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Foi um bom ano: Blog entra de férias

Chegamos ao fim de mais um ano de intensas postagens no blog.

Milhares de visitas, centenas de posts, excelentes debates e muita polêmica.

Encerro o ano tendo conseguido manter o pique por aqui, apesar de um ou outro momento de desânimo, mantendo a atividade no meu querido Global Voices e tendo contribuído com blogs que gosto muito, como o Amálgama, Trezentos e Diário Liberdade (apesar de minha coluna ter ficado um pouco descontinuada pela falta de tempo).

E, claro, fico feliz de ter tido espaço em revistas como a Fórum e Retrato do Brasil, jornais como o Brasil de Fato, além de espaço online no Correio da Cidadania, Observatório da Imprensa, dentre outros...

E, finalmente, foi um ano de intensa militância. Junto aos indígenas contra Belo Monte, junto ao querido movimento LGBT contra a homofobia, em defesa do Estado Laico, contra o AI5Digital, por uma internet livre e neutra, pela democratização das comunicações e por aí vai!

Foi um bom ano, apesar dos problemas mil no campo político. Retrocessos, recuos, traições em conjunto com uma militância fanática, cega, pronta a vender a mãe por Dilmão que, por sua vez, se vendeu pra Kátia Abreu e cia.

Apesar do uso indiscriminado da palavra "governabilidade",  para justificar cada absurdo governista, avançamos.

Mas vamos ver o que o próximo ano nos guarda. Espero que seja um ano de mais mobilização, de mais pressão e que mais olhos se abram para os retrocessos vergonhosos de um governo vermelho, mas cada vez mais rosa, mais envergonhado e mais tucano.

O blog volta em meados ou no fim de janeiro - a não ser que aconteça algo de muito relevante -, até lá, aproveitem as férias!=)

Um abraço e um obrigado a todos e todas que leram, comentaram e divulgaram o blog!
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domingo, 9 de outubro de 2011

Estupro na TV? Pode. É liberdade de expressão.

Vejam esta absurda matéria publicada (link alternativo) pela Folha de ontem e segurem a revolta:
Procuradoria quer cassar canal de TV que exibiu cena de estupro

Na Paraíba, programa mostrou vídeo feito com celular de violência sexual contra menina de 13 anos

Ministério Público diz que exibição contraria o ECA; para diretor da TV Correio, ação é forma de 'intimidar a imprensa'

JEAN-PHILIP STRUCK

DE SÃO PAULO

O Ministério Público Federal está pedindo que a União casse a concessão de um canal de TV da Paraíba que exibiu em uma reportagem imagens de uma menina de 13 anos sendo estuprada.
A Procuradoria diz que o material, exibido na tarde do dia 30 de setembro pela TV Correio, afiliada da rede Record, se assemelhava a um "snuff movie" (filme com cenas reais de tortura e morte).
O crime foi registrado por um adolescente de 15 anos com uma câmera de celular. A vítima é uma aluna de escola pública da região metropolitana de João Pessoa.
A polícia diz que ela foi estuprada por um inspetor da escola, de 20 anos. O material, apresentado desfocado, não identifica a vítima.
Segundo a polícia, a menina relatou ter sido atraída pelo instrutor até a casa dele quando saía da escola. Ela disse que foi dopada e, depois, estuprada.
O Conselho Tutelar informou que, nos dias seguintes, o vídeo circulou entre colegas de escola da menina. A família procurou a polícia assim que viu as imagens.
O adolescente que fez o vídeo no dia 20 de setembro, segundo a polícia, alegou que a menina consentiu a relação sexual. Ele foi apreendido e o suspeito de estuprar a garota está foragido.
"Ainda assim o caso seria considerado estupro de vulnerável, já que ela é menor de 14 anos", afirmou a delegada Lídia Veloso.
Para o Ministério Público, a exibição de imagens envolvendo menores sofrendo violência, mesmo desfocadas, são proibidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.
A ação também inclui um pedido de indenização de R$ 500 mil para a adolescente e de R$ 5 milhões por "danos morais à coletividade".
O apresentador Samuel Henrique também foi denunciado. Ele apresentou a reportagem no "Correio Urgente", programa policial diário da TV. "Olha o cara tirando a roupa dela aí, ó. Só um trechinho.
Depois a gente vai mostrar tudo", diz Duarte, segundo a Procuradoria.
O diretor-superintendente da TV Correio, Alexandre Jubert, afirma que a reportagem não identificou a menina.
"A ação é uma forma de intimidar a imprensa. Outros canais já mostraram imagens bem piores."
Jubert também diz que não pretende tomar medidas contra o apresentador. "Se mostramos uma realidade ruim é porque ela é assim."
Em resumo, um canalha chamado Alexandre Jubert se acha no direito de, sob o manto da Liberdade de Expressão, exibir cenas de um estupro na TV. Pior, um estupro de uma criança, pois a vítima tem 13 anos.

A TV Correio, da Paraíba, exibiu imanges de uma menina de 13 anos sendo estuprada. O MP quer cassar a licença, mas o diretor diz que é "liberdade de expressão".

Quer dizer, mostrar cenas de uma menor sendo estuprada tá valendo? Isso é liberdade de expressão? Me avisem quando começarem a passar Snuffs... Opa!

A "defesa" da TV Correio, ligada à Record (que surpresa!): "Outros canais já mostraram imagens bem piores".

Ah, então ok. Argumento governista pode. Afinal, se todos roubam, porque eu não posso?

Aliás, se outros rouba MAIS ou mostram cenas PIORES de estupro, porque não posso também?

E o boçal finaliza do Alexandre Jubert: "Se mostramos uma realidade ruim é porque ela é assim." Pronto.

Realidade é uma merda? Então vamos jogar na cara de todos.

O MP tá brando. Além de cassar licença eu ainda botava esse DESGRAÇADO na cadeia por abuso de menores, por veicular imagem e achar bom. Toda tentativa de punir a mídia pelos seus excessos.... por seus CRIMES são tratadas como censura.

Pois eu digo apenas que esse canal deve ser fechado. E pior, o diretor e TODOS que tiveram o vídeo em sua posse e concordaram em veiculá-lo deveriam ser presos.

Bora fazer o seguinte? Já que Alexandre Jubert acha que tudo é liberdade de expressão, vamos gravar um vídeo dele sendo linchado na rua e botar no horário nobre. Ele vai gostar? Dane-se, mas não vai poder reclamar.

O @lino4000 ainda me lembrou de algo, via twitter. Ora, possuir material pornográfico com menores não é crime? Porque os responsáveis que manipularam o vídeo não estão presos?

Eu já cansei dessa hipocrisia midiática, desta impunidade que tudo permite. O Brasil caminha pro abismo.

Corrupção não é mais algo ruim se os amigos do rei fizerem. Estupro de criança na TV está liberado porque é "liberdade de expressão". Está tudo bem em retirar DIREITOS e passar por cima de LEIS para agradar a FIFA, afinal, eles tem dinheiro e nós, como povo pobre e submisso, não podemos abrir mão de uns trocados....

Soberania? Ah, só vale pra repudiar organizações internacionais LEGÍTIMAS que condenam Belo Monte, pra FIFA sempre damos um jeitinho. Estamos, pois, na terra do jeitinho! Na terra do Comunismo Ruralista e dos Ruralistas governistas.

E no fim a explicação é SEMPRE econômica. É o lucro. É o governo que quer lucrar, são os governadores que querem sua fatia, são as redes de TV que lucram com o grotesco e com o crime...

No Rio, evangélicos andam nos carros com adesivos escritos: "Constituição não. Lei de Deus sim. Eu apoio". Não vejo diferença entre isto e a defesa de setores governistas de que a FIFA tenha o direito de passar por cima de nossos direitos, de nossas leis com o intuito de lucrar. Em ambos os casos nossos direitos são postos de lado por um grupo de fanáticos.

"Mas serão criados tantos mil empregos, seá gerado um lucro de tantos milhões". Não importa. A partir do momento em que abrimos mão dos nossos direitos estaremos permitindo tudo. Trabalho escravo, precarização de mão de obra... É, se bem que esta já é nossa realidade.

Todos estes casos tratam do mesmo assunto. Da precarização do ser humano, da vulneração dcotidiana de direitos, o que é tratado como normal, corriqueiro e até, pasmem, correto! Roubar quando todos fazem, veicular imagens grotescas porque outros fazem até pior, passar por cima das leis por lucros... Os direitos humanos não valem nada.

Já chegamos ao ponto de, no amazonas ha alguns anos, um apresentador de programas estilo Datena, que de tão absurdos são difíceis até de classificar, encomendar mortes para aumentar seu ibope. O fato deste apresentador ser Deputado não é uma surpresa, mas apenas a comprovação de que chegamos ao fundo do poço e que a sociedade está doente e, às vezes temo, de forma incurável.

O capitalismo no Brasil nunca foi tão selvagem, tão tosco e tão criminoso. O blogueiro Peterson Colares, no Facebook, completou: "Não estamos próximos da barbárie. Já a alcançamos tem algum tempo.".
E o que eu sempre me pergunto:
Só posso, enfim, aplaudir o MPF:
No caso do programa Correio Verdade, o MPF entende que "uma concessão pública foi utilizada como instrumento da violação de direitos fundamentais da pessoa humana, e exatamente do segmento mais fragilizado da sociedade – as crianças e adolescentes. Nenhuma justificativa de informação pública pode socorrer os autores de tamanha afronta, absolutamente desnecessária, que ofendeu a dignidade da pobre vítima, ampliando seus ultrajes e vergonha, e a dignidade dos telespectadores, transformados, em pleno horário do meio dia, em espectadores de um 'snuff movie' que seria proibido até mesmo no horário da madrugada ou no mais recôndito dos cinemas pornôs”.

Ainda na ação, o MPF cita recente proibição, pela Justiça Federal, de exibição de filme, de procedência sérvia, que em uma das cenas simulava o estupro de um bebê (foi utilizado um boneco) e questiona: “O que se dizer, então, da TV aberta que exibe em pleno meio dia cenas de um estupro real, precedidas de inúmeros 'trailers' apelativos com parte das cenas e chamadas do apresentador? (...) O que falta para a TV Correio em seu vale tudo pela audiência? Exibir cenas reais do estupro de um bebê - posto que de criança já exibiu – a pretexto de 'informação'?
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sábado, 27 de agosto de 2011

O modelo espanhol de "Democracia"

Pouco ou nada se lê ou ouve na mídia brasileira sobre a tentativa do PSOE, em conjunto com o PP (que são partidos cada vez mais iguais a cada dia que passa), de reformar a constituição espanhola para controlar e limitar o déficit público.

Desta proposta, três absurdos.

Primeiro, o fato das teóricas oposições entre PP e PSOE em um bipartidarismo imposto, estarem pautando todas as discussões em nível estatal. Basicamente o PP e o PSOE podem, sozinhos, controlar todo o Estado Espanhol sem responder a nada nem ninguém. E isto não se trata de "respeitar a vontade popular", pois partidos como a Izquierda Unida são impedidos, por força do modelo eleitoral adotado, de terem uma presença forte no parlamento.

O bipartidarismo espanhol é uma farsa imposta pelos dois maiores partidos para se perpetuar sem percalços e, porque não, para se alternar no poder, mas sem grandes diferenças em termos de políticas públicas. Na verdade, por vezes o PSOE consegue ser muito mais conservador que o PP.

Segundo, e talvez mais gritante, seja o fato desta reforma constitucional não passar pelo crivo popular. Mesmo a fascista constituição atual, que mantém amarradas as nacionalidades minoritárias em um Estado artificial e repressor, foi aprovada pelo voto popular. O caso agora é diferente. Busca-se limitar o espaço de manobra do Estado no uso de recursos públicos através de uma limitação do endividamento - e aqui entramos no terceiro absurdo - que, sabemos, atingirá apenas as camadas populares.

Se hoje a realidade já é de uso de recursos públicos para garantir a sobrevivência dos bancos e do grande capital e apenas o pouco que sobre para ajudar a população a sobreviver (e quando digo pouco, quero dizer migalha mesmo), imaginem com limitação de gastos? Não sobrará nada para a população, apenas para garantir a sobrevida de um modelo canceroso de capitalismo.

Não surpreende que tal reforma passe longe de qualquer consulta popular e, também, que não assuste aos dois grandes partidos qualquer reação negativa. Ambos, PP e PSOE, estão seguros de que não importa quanta insatisfação haja, os eleitores não terão opção para votar, pois o sistema eleitoral apenas os privilegia em detrimento de qualquer outro partido menor (e, em muitos casos, menor apenas pela força da lei eleitoral). Eles sabem que continuarão majoritários e se alternando.
No deja de ser curioso, en todo caso, que Izquierda Unida tenga que depender para conseguir apoyos a su propuesta de referéndum de fuerzas políticas con muchos menos votos pero más escaños por las “peculiaridades” de la Ley Electoral. Tan curioso como que un millón de ciudadanos que votan a un partido tengan dos representantes en el Congreso y los 10 millones que votan a otro tengan 154 representantes, por ejemplo.
Os indignados são um grupo imenso, porém vazio de alternativas eleitorais. Não tem nenhuma proposta para desbancar os dois partidos estatais majoritários ou mesmo para combatê-los. Combatem a tudo e todos, em um movimento interessante, mas ideologicamente falho.

Mas, claro, a reforma não passará por votos porque mesmo tendo a certeza de sua perena alternância, PP e PSOE não podem correr o risco de permitir ao povo votar uma proposta que interessa ao grande capital e é imposta desde instâncias internacionais superiores, e perder. Porque nesta votação a lei eleitoral não entra. Vença quem efetivamente for mais votado e é dificil acreditar que o projeto fosse aprovado pelo povo, indignado ou não.

Enfim, esta é uma reforma que visa limitar o poder do Estado de intervir na economia e na sociedade. É o Estado Mínimo patrocinado por um partido dito de esquerda, dos trabalhadores. Com o apoio feliz e sorridente dos fascistas do PP. À população resta lamentar e, aidna mais, buscar alternativas viáveis a este bipartidarismo forçado e inviável. Os indignados não parecem ser a solução.

Originalmente publicado na coluna "Defenderei a casa de meu pai", no Diário Liberdade.
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domingo, 17 de julho de 2011

Solidão e Nação

Trigésia-sétima coluna para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".


País Basco: Solidão e Nação

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Alguns de meus leitores devem saber que no começo de junho fui fazer uma visita ao País Basco. Fui coletar material para começar a escrever minha dissertação de mestrado, que trata também de nacionalismo basco e especialmente de questões identitárias. Fui esperando comprovar algumas teorias e aprender, e não imaginei que aprenderia tanto.

Por esta razão a coluna ficou suspensa por tanto tempo. Hoje a retomo, pretendendo torná-la quinzenal.

De início, me deparei com a cidade mais bela que já tinha visto, Bilbao. Primeira impressão talvez contaminada pela minha paixão pela cidade, algo que nunca consegui explicar, um sentimento que me persegue desde o fim da infância.

Caminhar por todo o centro, por Deusto, por toda a Ría que corta a cidade. Tomar uma Estrella Galicia ao lado do Guggenheim com a maravilhosa vista da Universidade de Deusto e caminhar pelas pequenas ruas do Casco Viejo, parando em cada bar para comer um pintxo e saborear um txacoli.
Um povo simpático, sempre tentando ajudar um turista perdido e perdendo alguns minutos para conversar sobre sua terra, sempre com um prazer imenso na voz e a clara satisfação de apresentar uma cidade que adoram.

Fui a Donostia, uma bela cidade, Bermeo, acolhedora e Gernika, uma emoção indescritível: Uma pequena cidade marcada pela guerra que se reergueu e hoje serve de lição para o mundo.
Fui ao País Basco e aprendi muito.

Conheci pessoalmente o professor Pedro Oiarzabal que, espero, venha a ser meu orientador de doutorado futuramente. Trocamos muitas idéias, conversamos sobre projetos...

Devo agradecer - e muito - ao meu amigo Paul Rios, da organização Lokarri, com quem passei um dia inteiro, com quem fiz uma proveitosa viagem a Donostia de carro e com quem pude (e a convite dele) participar de um ato político do Bildu, o partido nacionalista basco por qual eu nutro imensa simpatia.

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Artigo COMPLETO no Diário Liberdade.

"Nire aitaren etxea
defendituko dut"
...
"Defenderei
a casa de meu pai"

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segunda-feira, 11 de julho de 2011

O PNBL, ou Plano Neoliberal da Banda Lerda, sai do papel... Será?


Há dias venho comentando sobre a morte do PNBL e o nascimento, ainda prematuro, do Plano Neoliberal da Banda Lerda ou mesmo Plano Nacional de Mamata para as Teles (PNMT).

No dia seguinte leio em diversos blogs aquilo que já esperava, mas ainda não tinha total certeza: As teles não terão que se comprometer com NADA além do lucro no finado PNBL.

No Maria Frô, a imagem da descrença, e no Rede Liberdade, uma verdade inconveniente.

Venceu o Lobby

O Ministro Paulo Bernardo, a cada nova entrevista, demonstra que o governo não apenas abriu as pernas, mas se entregou de corpo e alma aos interesses das Teles, que não são nem nunca forma os interesses do país ou dos brasileiros.

Todos estão cansados de saber que não existe qualquer qualidade no serviço prestado pelas teles. Prazos descumpridos, péssimo atendimento, velocidade abaixo do vendido e até do garantido, traffic shaping, quedas constantes, bloqueio/censura de sites como o Diário Liberdade e o CMI, e por aí vai...

Todos inclusive o ministro e todo o governo. Mas não importa. Venceu o Lobby.

O governo aos poucos foi abrindo as pernas, demitindo o presidente da Telebrás comprometido com um serviço público e qualidade, corte de orçamento, mudança de visão sobre a necessidade de investimentos estatais no setor até que, finalmente, foi confirmado que o governo seria algo como a ANATEL, inútil.

Caberá às teles vender o produto, usando parte da infra-estrutura estatal. Mas não acaba por aí.

Ao menos restava a esperança de que o serviço fosse ter alguma qualidade um preço honesto... Ilusão.

A vergonha chamada PNBL

35 reais por uma conexão ridícula de 1MB (lembrando que NADA obriga as teles a efetivamente entregar 1MB, e de fato elas não entregam) soa a escárnio.
Quando o plano foi lançado, no ano passado, uma das expectativas era disponiblizar o serviço de 11,9 milhões de domicílios para quase 40 milhões de domicílios até 2014. O custo da tarifa estava cotado em R$ 15, para o plano com incentivos, com velocidade de até 512 kbps (quilobits por segundo) e com limitação de downloads e de R$ 35 para o plano comum, com velocidade de 1 Mbps. As mensalidades dos planos de 1 Mbps oferecidos hoje pela maioria das operadoras custam a partir de R$ 39,90, considerando os preços de São Paulo.
Conexão quase discada, preço abusivo e ainda com limitação de downloads. Você não tem SEQUER a liberdade de navegar livremente, paga caro por uma conexão ruim e ainda é forçado a usar só aquilo que a operadora permite. A prática de limitar a franquia é comum, a NET tem uma política risível neste sentido, mas mesmo assim não era algo tão absurdo.

Comparações: Não há nada pior!
 
Mas calma, ainda piora.
O consumidor brasileiro vai pagar R$ 35 mensais pela conexão de 1 Mbps. Em alguns estados, a redução de ICMS permite que o preço caia para R$ 29,80. As operadoras se comprometeram a garantir 50% da velocidade no horário comum e 30% no horário de pico. A partir do segundo ano do PNBL, tais percentuais devem subir para 50% e 70% respectivamente, de acordo com informações do Estadão.
Em primeiro lugar existe banda-larga mais barata que os 35 reais sugeridos pelo governo (depois de ser convencido pelas teles de que era o possível - o possível para que elas mantivessem seus enormes lucros), como o 3G da vivo e de outras operadoras (serviço tão ruim quanto o que vai ser oferecido pelas teles e tão limitado quanto, lembrando também que o governo confirmou que usará conexão móvel para regiões distantes), em segundo lugar, porque o preço médio ofertado hoje pelas teles (serviço de cabo) é de 39,90 em média, ou seja, míseros 4 (QUATRO) reais de diferença!

Vejam a tabela da NET:

O plano popular que oferecem é de 512KB, mas com limite de 10GB por um valor inferior ao do PNBL, R$ 29,80. Então como explicar que o PNBL será mais caro e mesmo dando 1MB de conexão (o dobro da NET), não reduz a franquia ao menos pela metade, mas a achata a 300 MB, o que inviabiliza a navegação?

Não faz sentido algum. Ou melhor, faz, o de garantir enormes lucros às teles sem exigir NADA em troca.

Sempre há um porém... ou mais vários poréns.

E em terceiro lugar e principalmente, o governo só conseguiu "convencer" as teles a aderir ao projeto depois de simplesmente desistir de exigir... QUALIDADE!

É isso mesmo, as teles receberão bilhões para nos prestar um serviço ruim e com total conhecimento, anuência e aplausos do governo! Não é muito diferente do que temos hoje, mas estamos falando de um plano que dará imensos incentivos fiscais às teles.
Para chegar a um consenso, a presidente Dilma Rousseff concordou em retirar do documento a obrigação de as empresas garantirem no mínimo 40% de velocidade contratada, mas exigiu da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) a aprovação, até 31 de outubro, dos regulamentos que garantirão maiores velocidades aos usuários de telefonia fixa e móvel. “Ela abriu mão dessa exigência, mas deixou claro que vai pegar no pé na questão da qualidade. Tanto que a data para que a Anatel aprove e publique os regulamentos constará no decreto”, afirmou Bernardo.
Obrigação das empresas garantirem... 30-50%! Sério, só pode ser piada! Isso porque hoje elas só "garantem" 10%! É o mesmo - repito a alegoria - que você comprar uma geladeira e esta vir sem a porta, porque o fabricante só te garante 30% da geladeira! Não é nem que não faça sentido, é apenas canalhice.

O governo tem que FORÇAR as teles a garantir qualidade ou então adeus, pulem fora do barco, pois tenho certeza outras empresas terão interesse em lucrar por aqui, ou então que o governo faça sua parte e assuma a criança.
Hoje, no caso da banda larga móvel, as operadoras só garantem 10% da velocidade contratada. Com as novas normas, esse porcentual subirá para o mínimo de 30% nos horários de pico e 50% nos horários de menor tráfego. Um ano depois, esses índices subirão para 50% e 70%, respectivamente.
E piora ainda mais, acreditem! As teles conseguiram ainda forçar um limite para downloads.
As operadoras conseguiram emplacar franquias mensais para os clientes da banda larga popular. Será de 300 MB de download para a banda larga fixa e 150 MB de download para a banda larga móvel. Qualquer um sabe que esses limites serão facilmente atingidos.
Basicamente, o coitado que aderir aos planos oferecidos pelas teles via PNMT, ops, PNBL, não poderão sequer baixar um filme por mês! Sim, porque um filme em formato .avi pesa ao menos 700 MB, um pouco mais ou um pouco menos. Talvez um filminho em tamanho .rmvb eles consigam, mas depois disso nem abrir o e-mail mais poderão.

Venda casada

E a Telefônica, sempre esperta, conseguiu impor até a venda casada na jogada. Diz o comunicado oficial da empresa:
Para os consumidores finais, o Grupo disponibilizará, por meio da Vivo, serviço de
banda larga com velocidade de 1 megabit por segundo, pela tecnologia sem fio 3G, por
R$29,90/mês. Além disso, será também oferecida, por meio da Telefônica/Telesp,
banda larga fixa (na tecnologia ADSL) de 1 megabit por segundo, por R$35,00, dentro
de um plano alternativo que inclui telefonia fixa, com custo total para o consumidor de
R$ 65,00. 
Trocando em miúdos, a Telefônica  oferecerá o tal plano-piada de 1MB via 3G (que qualquer ser humano sabe que jamais alcança ou mantém esta velocidade) com limite de risíveis 150MB por mês (que em 5-10 dias esgota só com a pessoa acessando e-mail, orkut, facebook... e SEM tentar carregar fotos ou mesmo visualizá-las!) pelo simbólico valor de R$29,90 (hoje a vivo já oferece pacote semelhante pelo MESMO valor).

Mas, se o cliente não for (tão) trouxa, pode optar pela conexão fixa, com limite de 300MB (deve durar uns 15 dias a conexão), mas aí vem a pegadinha, tem que assinar também o telefone fixo por módicos R$ 30,00 e, no fim, pagar R$ 65,00 pela banda larga "popular".
Embora as diretrizes do PNBL digam que a venda casada de serviços seja proibida, tanto a Telefônica como o Ministério das Comunicações, ambos consultados pelo TB, entendem que o “plano alternativo” não fere esse princípio porque o cliente sempre terá a banda larga da Vivo à disposição por menos de R$ 30 mensais (10 centavos a menos).
O presidente da Telebrás (não o antigo, que defendia um PNBL estatal e foi logo sacado do cargo, mas o atual, que está mais que feliz em entregar tudo pras teles) não vê qualquer problema nos acordos com as Teles, enquanto o presidente da Telefônica declara:
O presidente da Telefônica, logo depois de confirmado o acordo do governo com as teles, afirmou que é “muito difícil” viabilizar a “venda de conexões fixas de 1 Mbps com assinatura a R$ 35 sem a venda conjunta com outros produtos, como telefone fixo”. Se é tão difícil, por que foi aceito pelas teles? Improvável que tenha sido por caridade digital.
Venda casada é a ordem do dia.

Preconceito e herança maldita: Para pobre qualquer porcaria está de bom tamanho

O pior de tudo é o preconceito que vem junto com este plano. Pobre não precisa fazer download, só precisa entrar no orkut e ficar feliz, satisfeitos com sua insignificância e com este presentão dado pelo governo.

O que acontece se ultrapassarem o limite? Não se sabe ainda, mas garanto que não serão as teles as prejudicadas. E reparem na pegadinha, quem paga por conexão móvel, inferior à fixa, tem limite MENOR de download. É ou não é um plano maravilhoso?

E não adianta vir dizer que tudo é culpa de "herança maldita" das privatizações de FHC, porque se é verdade que foram criminosas, também é verdade que nem Lula nem Dilma moveram uma palha para fazer a ANATEL ser um órgão sério e fiscalizar com eficácia (e punir exemplarmente) as teles e tampouco investiram ou querem investir pesado e com seriedade num programa estatal usando a malha de fibras existentes e ampliando a oferta ou mesmo FORÇANDO as teles que tanto lucraram a ceder parte de sua malha ao programa.


O plano não é apenas um estelionato eleitoral e uma demonstração ímpar de preconceito, mas também um atentado contra a neutralidade da rede. Cria uma classe inferior de usuários que não terão condições de acessar a maior parte das ferramentas online disponíveis graças à ação predatória das empresas de telecomunicação.

Estelionato eleitoral

Votei em Dilma e ganhei o Serra. É a dolorosa impressão que me dá a cada dia que passa.

E os dados de que este PNBL é uma piada não são meus, não acreditem em mim, apenas para parafrasear o Imprença (que defendeu esse plano), acreditem no IPEA,que coloca o plano como excludente, insuficiente... ruim!

Isto chama-se de estelionato eleitoral. Votei pela continuidade torcendo por alguns ajustes que afastassem o governo do neoliberalismo que se aproximava. No fim ganhei um aprofundamento na agenda neoliberal e retrocessos imensos até nas diversas áreas em que Lula acertou em cheio, como na Cultura e na Política Externa.

Este PNBL vem para coroar uma presidência medíocre, francamente de direita e entreguista de Dilma Rousseff. Se antes eu era apenas um crítico, mas mantinha as esperanças neste governo, depois desse escárnio chamado PNBL passo para a mais ativa oposição de esquerda.

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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Bildu 313,231 x Espanha 0 e o protesto dos "indignados"

Trigésima-sexta coluna para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".

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Este é o número de votos que a coalizão nacionalista Bildu conseguiu nas eleições de 22 de maio, perfazendo mais de 22% do eleitorado e se tornando de forma incontestável a segunda força política no país basco e não muito atrás da primeira força, o PNV.

Mesmo assim, Bildu conseguiu o maior numero de eleitos em todo o país basco, chegando ao ponto de ficar em primeiro na eleição da região de Guipuzkoa e em sua capital, Donostia (San Sebastian).

Um feito e tanto para o grupo político que vinha sofrendo constantes processos de ilegalização desde 2003, com o banimento do Batasuna.

[...]


Os Indignados

O sistema político-eleitora espanhol não privilegia os dois principais partidos apenas na contagem dos votos, mas também beneficia o PPSOE com a abstenção e o voto em branco. Os "indignados", ao não votar ou protestar desperdiçando o voto apenas contribuíram para a grande vitória "Popular", ou seja, Franquista.

Não digo que os indignados "fizeram o jogo da direita", isto seria um absurdo, mas a falta de uma plataforma coerente e da busca por opções contra a ascensão do PP contribuíram para a apatia geral em torno do pleito. De fato o PP pouco evoluiu em termos de votos, mas o PSOE teve uma retração gigantesca.

Não diria jamais que os protestos não tenham seu valor, mas unicamente acampar e reclamar da realidade, especialmente durante as eleições, não resolve ou resolverá absolutamente nada. Fingindo que política eleitoral não tem relação alguma com suas vidas apenas contribui para a vitória da pior opção. Como sempre digo, o mais triste para quem diz não gostar de política é que este é governado por quem gosta, ou ao menos por quem entende dela e se vale da apatia para crescer.

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Artigo COMPLETO no Diário Liberdade.

"Nire aitaren etxea
defendituko dut"
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"Defenderei
a casa de meu pai"
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domingo, 1 de maio de 2011

Alternância de Poder como instrumento de controle burguês

Trigésima quarta coluna  para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".

Alternância de Poder como instrumento de controle burguês

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Alternância de poder é o nome bonito que a burguesia, a elite, usa para garantir que nenhum governo de Esquerda possa durar mais do que o tempo que esta elite permitir.


Alternância de poder é a forma pela qual a burguesia faz parecer que respeita a democracia, criada por ela, a mesmo tempo em que nada muda. De forma inteligente, transformam a alternância em algo ligado apenas à pessoa, ao indivíduo, mas jamais ao partido ou ao grupo político em si.


A idéia de alternância é corrompida por uma elite interessada em se perpetuar, e ao mesmo tempo, acaba demonstrando uma falha tradicional das esquerdas, que é a insistência em fabricar líderes personalistas e não uma variedade de quadros de renome.


A elite fabrica um número quase infinito de candidatos, investe quanto dinheiro tiver interesse neles e pode trocá-los de tempos em tempos, fazendo parecer que houve alguma alternância, quando, na verdade, mudou a figura teoricamente no poder, mas não a classe por trás, não os que se beneficiaram do governo e muito menos mudou o modelo, a estrutura.


A esquerda, por outro lado, tem a tradição de ter um nome forte, um Chávez, um Morales (até mesmo um Vargas para determinados grupos) que, ao buscarem se re-eleger - pois dificilmente fazem sucessores tão fortes quanto eles - são acusados pelas forças conservadoras de desrespeitar o princípio sagrado da alternância de poder, simplesmente porque seu modelo de governo não corresponde aos anseios da elite.

O fato de "democracia" significar, em termos eleitorais, que quem tem mais votos vence, sempre que o vencedor se opõe, mesmo que minimamente, aos interesses da elite, é tachado de ditador (ou ditatorial).
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Artigo completo no Diário Liberdade.
"Nire aitaren etxea
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sábado, 23 de abril de 2011

Turquia e Espanha, irmãs na repressão

Trigésima-segunda coluna para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".

Turquia e Espanha, irmãs na repressão

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Poucas pessoas poderiam olhar para países aparentemente tão diferentes - e distantes - como a Espanha e a Turquia e notar o quão semelhante são.

Uma muçulmana, aparentemente laica, outra católica, também aparentemente laica. Mas em ambos os casos fortemente influenciadas por suas tradições e pressões religiosas.

Ambas um caldeirão de nações, algo muito distante da imagem internacional que tentam passar de homogeneidade. Bascos, Catalães, Galegos, Andaluzes, Aragoneses, Asturianos, Leoneses, dentre outros, habitam o Estado Espanhol em clara inferioridade frente aos Castelhanos.

Armênios, Curdos, Circassianos, Assírios, dentre outros, habitam a Turquia e, em mutios casos, são discriminados.

Semelhante à Espanha Franquista, a Turquia dita democrática, governada por um partido muçulmano moderado (em oposição à tradição laica de Ataturk), continua a proibir o ensino e em muito casos, o uso da língua Curda (ou das línguas curdas). A repressão à minoria curda encontra amplo paralelo com a repressão franquista aos bascos e catalães. A diferença crucial, porem, é que a turquia é considerada uma democracia moderna.

A Espanha ainda prende, tortura e mata lutadores bascos, mas ao menos faz esforços para fingir que todos são membros da ETA (o que, segundo eles, deveria legitimar a tortura), criminosos e etc. A Turquia não se preocupa com tais atitudes.

Em 2003 o partido nacionalista basco Batasuna (Unidade) foi ilegalizado pela justiça (sic) espanhola por supostamente ser o braço político da ETA - o que na verdade pouco importa, dado que sempre foi notório ser o Sinn Fein braço do IRA, o que acabou facilitando negociações de paz -, assim como todos os partidos nacionalistas que viriam posteriormente a surgir.

Em 2009 (dezembro), o partido nacionalista curdo DTP (Partido da Sociedade Democrática) foi baindo pela justiça (sic) turca. As acusações eram a de ter conexões com organizações terroristas, ou seja, com o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) de Abdullah Öcalan, atualmente na cadeia.

Notem a tremenda e indiscutível semelhança entre os casos. Aliás, já que falamos em Öcalan, tracemos um paralelo com Arnaldo Otegi. Ambos fizeram parte do PKK e ETA respectivamente e embora o primeiro tenha sido preso ainda na liderança do grupo enquanto Otegi já era líder do Batasuna na legalidade e posterior ilegalidade, ambos convergiram para posições críticas ao uso da violência, abrindo o caminho para negociações e para a diminuição de animosidades.

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Artigo COMPLETO no Diário Liberdade.

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domingo, 27 de março de 2011

Sortu: A Espanha não se importa, quer sangue

Vigésima-nona coluna para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".

Sortu: A Espanha não se importa, quer sangue
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Não importa que os gestores de Sortu sejam pessoas que jamais fizeram parte de qualquer lista ligada ao Batasuna (ou mesmo ao Euskal Herritarrok, Herri Batasuna, AuB, HZ, etc). Não importa que os estatutos do Sortu deixem explícito o rechaço completo à violência. Não importa que milhares de pessoas tenham ido repetidas vezes às ruas exigir que seus direitos democráticos sejam respeitados. Não importam os presos políticos. Não importa a esperança. Não importa a mão estendida.

À Espanha só interessa a humilhação do povo basco. A submissão.

Sortu ilegalizado sem sequer ter a chance de mostrar a que veio. Ilegalização preventiva. Ilegalização com tom de censura, de "cala boca" para mais de 15% do povo basco. Mas uma demonstração simbólica para TODO o povo basco: Quem manda é a Espanha.

Ao PP e ao PSOE, que a cada dia mais se mostram o mesmo partido, interessa a guerra. País falido e a vontade de ir à Líbia, matar o povo alheio. Estado antidemocrático que busca impor sua falta de democracia aos Bascos.
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Artigo COMPLETO no Diário Liberdade.

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domingo, 20 de março de 2011

Sortu é herdeiro do Batasuna?

Vigésima-oitava coluna para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".

Sortu é herdeiro do Batasuna?
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A resposta para esta pergunta é: Depende. De que tipo de herança falamos?

Se for ideológica, sim, é herdeira, mas uma herdeira que sofreu um profundo processo de evolução. Os mesmos eleitores do Batasuna votarão e depositarão sua confiança no novo partido Sortu. Disso não resta dúvida.

Mas seria herdeira dos meios e métodos? Aí a resposta seria não.

A questão principal para a Espanha - e motivo para dificultar a legalização - é herança política, ou melhor, de ação política enquanto suposto braço da ETA. Aí a resposta para a pergunta inicial seria não.

Mesmo que membros do Batasuna tenham relação com Sortu, mesmo que o eleitorado seja o mesmo e que existam muitas semelhanças programáticas, a evolução que descrevi acima faz toda a diferença.

Quando falo em evolução, falo em um processo de discussão intera em que diversas arestas foram aparadas, em que o partido amadureceu e reviu posições anteriores. É claro que se trata da mais pura ilusão acreditar que houve uma guinada de 180 graus, ou mesmo que membros da ETA não influenciaram no debate, mas a questão transcende estes aspectos.

O partido rechaçou claramente a violência e, se ainda mantém conversas com o núcleo duro da ETA isto não necessariamente se reflete nas práticas políticas adotadas. Do lado estatal é risível a tentativa de fazer com que haja um rechaço completo da história da ETA que, no fim, acaba sendo a história do próprio País Basco!

Explico.
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Artigo COMPLETO no Diário Liberdade.

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sábado, 12 de março de 2011

Dois anos do Blog do Tsavkko!

Apenas para constar, hoje o Blog do Tsavkko faz dois anos!

Neste meio tempo, muitas conquistas, posts polêmicos, muitas discussões e sempre em crescimento!

Quase 160 mil visitas, 450 leitores do feed diário, uma excelente média e postagens, além dos projetos paralelos, como a coluna no Diário Liberdade, o trabalho no Global Voices Online e, futuramente, a coluna mensal no Amálgama.

Obrigado a tod@s os que visitam, comentam e indicam! Vocês tod@s fazem parte do blog!
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A Democracia dos poderosos... É a única democracia que existe

Vigésima-sétima coluna para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".

A Democracia dos poderosos... É a única democracia que existe

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Venho acompanhando o chamado "conflito basco" há anos, não como um observador imparcial, mas como um ativista pró-movimento nacionalista (Abertzale) interessado e que estuda profundamente a situação.

Minha intenção clara é a de, senão influenciar, ao menos de dar uma visão alternativa aos brasileiros e lusófonos em geral do que acontece no País Basco e que a mídia insiste em esconder ou apresentar com viés espanholista.

Para a mídia brasileira a Espanha é uma democracia perfeita que luta contra terroristas assassinos e nacionalistas residuais. A verdade não poderia ser mais diferente. Mas a mídia brasileira, neste caso, não pode ser apenas acusada de má fé, a verdade é que a própria mídia espanhola - a fonte para a mídia brasileira - é constantemente sufocada ( auto-sufocada também) e pouco escapa da verdade.

Tentativas anti-democráticas cotidianamente condenadas pela ONU de censurar e calar a voz nacionalista (que representa a maioria da população Basca e também Catalã) raramente chegam até a mídia internacional e mesmo pouco tem de relevância na mídia espanhola.

Na Espanha, a lei serve apenas para uns poucos. Ela não privilegia a sociedade ou garante a todos o acesso, por exemplo, a um lugar no parlamento. Na Espanha as forças políticas que podem existir são apenas aquelas que os partidos majoritários permitem e não aquelas que representam os legítimos anseios da população.


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Artigo COMPLETO no Diário Liberdade.

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sábado, 5 de março de 2011

Condenar a violência ou condenar a história?

Vigésima-sexta coluna para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".

Condenar a violência ou condenar a história?

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A cada dia tenho mais certeza de que para a Esquerda Nacionalista (Abertzale) se tornar uma opção legal (e não real, pois isto já é) será preciso descaracterizá-la ao ponto de torná-la inócua.

Nada melhor para neutralizar um grupo do que apagar seu passado, do que obrigar ao repúdio deste passado. Cabem muitas verdades na história, mas mesmo as interpretações me parecem ter limites. Coisas como a decisão recente do Papa de retirar a culpa pela morte de Jesus dos judeus se encaixa como um clássico caso de falseamento da história.

Jesus era judeu e foi entregue/morto pelos judeus junto com os romanos. Pilatos lavou as mãos e a sentença foi decidida pelos judeus. Sim, trata-se de política, de falsear a história para conseguir se relacionar melhor com os judeus no presente, mas, ainda assim, é uma mentira.

Mentira que, se passar aos livros de história, se tornará uma verdade em poucos anos e aqueles fiéis à história serão considerados conspiradores e desviantes.

Pois bem, à Espanha não interessa a verdade. Fossas comuns com corpos de vítimas de Franco continuam fechadas, corpos continuam sem identificação, famílias continuam sem identificar e enterrar seus parentes e não há ou haverá qualquer punição. Preza-se pela mentira ou pelo esquecimento. Lembremo-nos que o PP jamais repudiou efetivamente a violência franquista e costuma se opor ativamente À retirada de símbolos franquistas das cidades espanholas, bascas, catalãs ou galegas.

O PP não abriu mão de seu passado fascista, mas, junto ao PSOE querem forçar a esquerda nacionalista a abrir mão de seu passado. Mas, ao contrário do passado fascista do PP, os Abertzales tem um passado glorioso e heróico, de gudaris valentes que defenderam acima de tudo sua pátria.


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Artigo COMPLETO no Diário Liberdade.

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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Censura Enquanto Politicamente Correto

Vigésima-quinta coluna para o portal anticapitalista Diário Liberdade, "Defenderei a casa do meu pai".

Censura Enquanto Politicamente Correto

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A censura por termos é sempre burra.

E o usuário pode aprender a driblá-la.

Também existe muito spam que circula em nome de causas humanistas - entendo a preocupação dos caras em tentar filtrar isso.

Sob a bandeira da "proteção do usuário", muitas comunidades sociais - Orkut, Facebook, Twitter, etc - proíbem o uso de um ou outro termo a partir de uma suposta inteligência coletiva, ou seja, através das denúncias dos usuários da rede e da coleta de dados baseadas em palavras-chave.

O Google, aliás, através de sua noção de "relevância", por vezes é vítima (ou nós é que somos?) das chamadas "google bombs", uma falha facilmente verificável no sistema da empresa que deixa supostamente nas mãos dos usuários a escolha dos melhores e mais importantes termos pesquisados (ou pesquisáveis). Obviamente nunca saberemos também quais termos são mero reflexo de sua relevância e quais são discretamente patrocinados, mas isto não vem ao caso.

Ha alguns dias, por exemplo, meu blog saiu do ar por cerca de duas horas. Ainda não entendi o que aconteceu, mas suspeito que meu blog possa ter sido denunciado ao Google - ainda que não descarte a possibilidade de ataque hacker - e, então suspenso. Logo reverti o problema, mas casos de censura contra blogs do blogspot não são raros. Basta que um bom número de pessoas denuncie o blog e a tal "inteligência coletiva" acaba por servir como instrumento de censura. Nada mais que política barata.

O que dizer de outros casos de censura, como contra a página do WikiLeaks ou da Greve de 29 de Setembro?
A página "29 de setembro: Promoveremos a greve geral do primeiro mundo" foi removido juntamente com os links em outros sites, grupos e perfis com as suas observações, sem deixar vestígios. O motivo fornecido pelos fabricantes do Facebook foi: "O grupo leva à violência e não respeitar as regras do Facebook." O que está claro é que esta página muitas pessoas desconfortáveis. A boa notícia é que esse ataque à liberdade de expressão é uma afirmação sobre a idéia que defendeu o site é totalmente correta, por isso nem sequer ter tido conhecimento e tentaram silenciá-la.

As acusações são simplesmente lastimáveis. Contra a Greve, a de que esta levaria à violência. Qual? Violência é o que sofrem os trabalhadores, explorados pelo patrão. Violência é a exploração da massa trabalhadora e não o movimento para se impor contra o capitalismo selvagem.


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Artigo COMPLETO no Diário Liberdade.

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"Defenderei
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